quinta-feira, abril 2, 2026

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Piso mínimo e risco máximo: intervenção estatal na formação de preços no agro em ano eleitoral


Cotação da soja, preços
Cotação da soja

A edição da Medida Provisória nº 1343/2026, que propõe, nas palavras do ministro Renan Filho, o “aperfeiçoamento da Política Nacional de Pisos Mínimos de Frete”, nos leva a refletir sobre os limites da intervenção do Estado na formação de preços.

Ainda que a medida tenha um caráter social, ao buscar proteger determinado elo da cadeia produtiva, seus efeitos práticos recaem diretamente sobre relações comerciais privadas, impactando custos logísticos em um cenário instável e imprevisível, agravado pela geopolítica internacional.

Não se trata de questionar o papel do Estado em corrigir eventuais assimetrias de poder de negociação. Intervenções dessa natureza exigem cautela, sob pena de produzirem efeitos contrários aos pretendidos.

Ao invés de promover equilíbrio, tais intervenções são capazes de gerar distorções ao aumentar a imprevisibilidade regulatória, desencadeando impactos negativos na cadeia, fato preocupante quando falamos de um setor que responde por cerca de 25% do PIB nacional e quase 30 milhões de empregos diretos e indiretos.

É certo que o contexto internacional agrava esse cenário. Tensões geopolíticas, como a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, pressionam os preços dos combustíveis, um insumo essencial para o agronegócio. Produtores rurais já lidam com elevação de custos de produção e crédito mais caro.

Em um ambiente de tamanha volatilidade, no qual já se cogita inclusive o risco de desabastecimento de diesel, com potenciais efeitos sobre a colheita da safra atual e o plantio da safra de inverno, a regulação adicional do frete tende a comprimir ainda mais as margens já estreitas, reduzindo a competitividade da produção nacional.

Os efeitos não se restringem à cadeia produtiva. O aumento de custos inevitavelmente será transmitido ao consumidor final. Não apenas commodities voltadas à exportação são impactadas, mas também produtos essenciais ao consumo doméstico, como arroz e feijão, o que implicará em pressão inflacionária adicional, com impactos diretos sobre o custo de vida da população.

No agronegócio, decisões de investimento são estruturadas com base em horizontes de médio e longo prazo. Plantio, expansão de área, aquisição de maquinário e investimentos em tecnologia dependem de segurança jurídica e previsibilidade regulatória. Na ausência desses elementos, o efeito pode ser a retração de investimentos, ou, em casos mais extremos, a própria decisão de simplesmente não produzir.

Em cenários como o atual, existem instrumentos mais eficientes para lidar com desequilíbrios de mercado sem comprometer sua dinâmica. O fortalecimento do seguro rural e a ampliação do acesso ao crédito são exemplos relevantes.

Da mesma forma, políticas de apoio à renda podem se mostrar mais eficazes, sobretudo em contextos de elevada volatilidade. A discussão sobre pisos mínimos é uma discussão sobre equilíbrio. A competitividade do agronegócio brasileiro depende de escala e eficiência, seja para abastecer o mercado interno, seja para competir globalmente. E escala e eficiência pressupõem, necessariamente, um ambiente regulatório estável, previsível e confiável.

Intervenções pontuais podem ser necessárias para preservar esse equilíbrio. No entanto, quando mal calculadas, correm o risco de comprometer exatamente o que pretendem proteger.

Não se fortalece uma cadeia produtiva fragilizando um ou mais elos, seja o produtor, o transportador, o exportador ou, em última instância, o consumidor que, nesse ano, é o próprio eleitor.

Karina Tiezzi - BMJ Consultores

*Karina Tiezzi é gerente de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e consultora em relações governamentais. Atuou como assessora legislativa na Câmara dos Deputados, participou da tramitação de proposições de destaque para o agronegócio, como a chamada MP do Agro e a Lei Geral do Licenciamento Ambiental


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Exigências ambientais travam crédito rural no pior momento do agronegócio


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Foto: Sistema Famasul

A partir de abril, o crédito rural no Brasil entra em uma nova fase, mais técnica, mais rigorosa e, na prática, mais restritiva. O que antes era basicamente uma análise documental passa a incorporar critérios ambientais, cruzamento de dados e monitoramento por satélite, elevando o nível de exigência para o produtor acessar recursos.

No centro dessas mudanças está a consolidação de regras do Conselho Monetário Nacional (CMN) que tornam obrigatória a validação das informações ambientais das propriedades, especialmente por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de dados de satélite do Prodes, do INPE. Não basta mais declarar conformidade: será preciso comprová-la.

O crédito deixou de ser declaratório, agora é auditável.

Na prática, imóveis com inconsistências ambientais ou pendências cadastrais podem ter o financiamento bloqueado. A exigência começa a valer de forma mais efetiva agora e tende a se ampliar.

O problema é que a realidade no campo está longe de ser tão simples quanto a regra no papel.

Em regiões estratégicas, especialmente na franja do bioma amazônico, há milhares de produtores que fizeram tudo dentro da lei, mas não conseguem comprovar essa regularidade. Não por descumprimento, mas por falhas do próprio Estado. Processos de regularização fundiária travados, análise do CAR que não avança, sobreposição de cadastros e uma burocracia que se arrasta por anos.

O produtor cumpre a lei, mas o sistema não cumpre o produtor.

O resultado é perverso: quem deveria estar apto ao crédito acaba excluído por entraves administrativos que não controla. E, nesse novo modelo, sem regularidade comprovada, não há financiamento.

Essa mudança ocorre em um momento já delicado. O crédito rural vem se tornando mais escasso, com aumento da inadimplência e maior cautela por parte dos bancos.

Mais exigência em um cenário de menos dinheiro disponível.

Além disso, o sistema financeiro também endureceu. Com maior percepção de risco, os bancos passaram a exigir mais garantias e reduzir a exposição ao crédito rural, tornando o acesso ainda mais seletivo.

Para o produtor, isso representa uma mudança estrutural. A produtividade já não garante acesso ao financiamento. A nova regra é clara: é preciso estar regular no papel — mesmo quando o próprio Estado não entrega esse papel.

No novo agro financeiro, produzir bem já não basta, é preciso vencer a burocracia.

Entidades do setor alertam que essas exigências podem aprofundar desigualdades regionais, penalizando justamente áreas de expansão agrícola onde os gargalos fundiários e ambientais são mais evidentes.

No fim, o risco é restringir crédito em um momento de custo alto, margens apertadas e endividamento crescente.

Porque, no campo, a equação é direta: sem crédito, não há plantio, e sem plantio, não há Brasil.

Diante disso, o mínimo que se espera é bom senso. Essa medida precisa ser adiada.

Não se trata de negar a importância das exigências, mas de reconhecer o momento. Implementar esse nível de rigor em meio a uma crise financeira, com produtores descapitalizados e sem rentabilidade, é aprofundar um problema que já é grave.

Que se debata, que se ajuste, que se construa uma transição viável. Mas não agora, não quando o produtor já está sendo pressionado por todos os lados.

Exigir mais de quem já não tem margem não é solução, é empurrar o campo para o limite.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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USDA indica área de 84,7 mi de acres em 2026, abaixo do esperado


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Foto: Agência Brasil

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou uma área plantada de soja de 84,7 milhões de acres nos Estados Unidos para a safra 2026, conforme relatório de intenção de plantio divulgado nesta terça-feira (31)

Se confirmada, a área representa um crescimento de 4% em relação ao ciclo anterior, quando foram cultivados 81,225 milhões de acres. Apesar da expansão anual, o número veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava 85,55 milhões de acres.

O dado também ficou inferior ao apresentado pelo próprio USDA durante o Fórum Anual realizado em fevereiro, quando a estimativa inicial apontava para 85 milhões de acres.

Na comparação com o ano passado, a área destinada à soja aumentou ou permaneceu estável em 20 dos 29 principais estados produtores, indicando uma expansão disseminada, ainda que mais moderada do que o esperado pelos agentes do mercado.

A divulgação reforça um cenário de cautela por parte dos produtores norte-americanos, em meio a fatores como custos de produção, condições climáticas e a competitividade com outras culturas, como o milho. O número menor do que o esperado tende a dar suporte aos preços da soja no mercado internacional, ao sinalizar uma oferta potencialmente mais ajustada do que se projetava anteriormente.

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Federação da agricultura de SC pede que estado reduza ICMS sobre o diesel


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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) enviou carta ao governador Jorginho Mello reivindicando a redução dos tributos estaduais sobre o diesel frente ao aumento do combustível e seus derivados em decorrência da guerra no Oriente Médio.

No documento, que tem o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, pede a adoção de medida emergencial para a redução imediata e temporária das alíquotas do Imposto sobre circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidentes sobre a importação, produção, distribuição e comercialização de óleo diesel no estado.

Ele argumenta que os tributos estaduais adicionam valor significativo ao produto comercializado, o que afeta diretamente o setor agropecuário, marcado, atualmente, pela colheita e o plantio da segunda safra. “Os efeitos desse cenário sobre os custos de produção e a atividade econômica nacional geram grande preocupação”, relata o dirigente.

Estabilização da economia

A Faesc argumenta que a redução temporária das alíquotas do imposto estadual contribuirá para mitigar os efeitos do aumento dos combustíveis sobre toda a economia nacional, com reflexos diretos na redução dos custos de produção agropecuária, na moderação dos preços dos alimentos ao consumidor e na diminuição das pressões inflacionárias.

“Além disso, a medida poderá proporcionar um ambiente macroeconômico mais estável, contribuindo para a trajetória de redução da taxa básica de juros”, destaca.

Na avaliação da entidade, a redução tributária será compensada pelo aumento da produção nacional de petróleo e de seus derivados, bem como pela ampliação da atividade econômica e da arrecadação decorrente desse dinamismo.

Reivindicação semelhante também foi encaminhada ao governo federal, com vistas à avaliação de medidas relativas ao PIS/Pasep e Cofins, também incidentes sobre o diesel.

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AgroNewsPolítica & Agro

Clima exige cautela na safra de algodão


A estimativa para a produção brasileira de algodão na safra 2025/26 foi mantida em 3,74 milhões de toneladas pela StoneX, conforme análise divulgada no relatório de março da consultoria. Apesar da manutenção da projeção, a empresa destaca que o ciclo ainda exige atenção devido às condições climáticas e ao estágio de desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras.

No Mato Grosso, principal produtor da fibra no país, o desenvolvimento das lavouras ainda é considerado inicial, embora apresente desempenho considerado satisfatório até o momento. A consultoria aponta que o comportamento das chuvas ao longo de abril será decisivo para a definição do rendimento das lavouras, especialmente nas áreas que tiveram plantio mais tardio.

Segundo Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o estágio atual das lavouras exige acompanhamento das condições climáticas nas próximas semanas. “O desenvolvimento ainda está em um estágio bastante incipiente em algumas regiões do Mato Grosso, o que faz com que o clima nas próximas semanas seja decisivo para consolidar o potencial produtivo da safra”, afirma. “As áreas plantadas mais tardiamente exigem atenção redobrada, pois são mais sensíveis a eventuais irregularidades climáticas.”

Na Bahia, o cenário climático apresenta condições mais favoráveis para a cultura. De acordo com a StoneX, os volumes de chuva registrados até o momento estão acima da média histórica, o que contribui para um estágio mais avançado de desenvolvimento das lavouras e sustenta a estimativa de produtividade no estado, projetada em 1,97 tonelada por hectare.

Bulascoschi afirma que o regime de chuvas tem favorecido o desempenho da cultura no estado. “Na Bahia, o clima tem colaborado de forma bastante positiva. As lavouras estão mais adiantadas e o bom regime de chuvas ajuda a tornar mais concreta a estimativa atual de produtividade”, destaca.

No mercado externo, a consultoria revisou a projeção de exportações brasileiras de algodão para 2026. Segundo o relatório de março da StoneX, os embarques estão estimados em 3,1 milhões de toneladas, volume 3,3% superior à estimativa divulgada em fevereiro. A revisão reflete a maior disponibilidade do produto após a colheita expressiva do ciclo anterior.

A consultoria também aponta expectativa de demanda mais elevada em mercados consumidores relevantes, como China e Paquistão, especialmente no primeiro semestre do próximo ano, o que pode favorecer o ritmo das exportações brasileiras. “A combinação entre uma oferta robusta e uma demanda internacional mais firme tende a sustentar um bom desempenho das exportações ao longo do primeiro semestre”, explica Bulascoschi. “Ainda assim, o mercado seguirá atento ao potencial produtivo da safra atual e a como isso pode influenciar o fluxo de embarques na segunda metade do ano.”

De acordo com a StoneX, o desempenho da produção ao longo do ciclo será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda e para a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional ao longo de 2026.





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BNDES aprova R$ 1 bilhão para usina de etanol de milho em Mato Grosso


Foto: RRP Energia/Grupo Piccini.
Foto: RRP Energia/Grupo Piccini.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 1 bilhão para a implantação de uma usina de etanol de milho em Tapurah, no Médio-Norte de Mato Grosso. Os recursos vêm do Fundo Clima e do BNDES Finem e correspondem a 62,2% do total do investimento.

A unidade será construída pela RRP Energia Ltda. e terá produção estimada em até 459 milhões de litros de etanol hidratado ou 452 milhões de litros de etanol anidro por ano.

Capacidade de produção

A usina terá capacidade para processar mais de 1 milhão de toneladas de milho por ano. Além do etanol, o empreendimento deverá produzir até 358 mil toneladas de grãos de destilaria secos com solúveis (DDGS), além de grãos de destilaria úmidos (WDGS) e 22 mil toneladas de óleo bruto de milho.

Para atender a demanda energética da planta, o projeto prevê a implantação de uma central termelétrica integrada, com capacidade de geração de até 27 MW. O consumo estimado da unidade em operação plena será de 16,9 MW.

Empregos

Durante a fase de implantação, a obra deve gerar 1.105 postos de trabalho, sendo 1.005 diretos e 100 indiretos. Após a conclusão, a usina deverá operar com 205 empregados diretos e 100 indiretos, totalizando 305 empregos permanentes.

A RRP Energia faz parte do Grupo Piccini, fundado há 46 anos. O grupo atua no setor agropecuário em Mato Grosso e no Paraná, além de operar no comércio de máquinas agrícolas, logística, infraestrutura e distribuição de combustíveis.

A nova usina marca a entrada do grupo no setor de biocombustíveis. A planta será instalada às margens da MT-010, a 5 km da BR-163, corredor logístico do Estado, em área com produção de milho e próxima a polos de pecuária, suinocultura e avicultura.

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Queda na qualidade do pasto em abril deve pressionar margens da pecuária de corte


gado no pasto
Foto: Divulgação

As chuvas do primeiro trimestre do ano beneficiaram pastagens Brasil afora, contribuindo para que o pecuarista segurasse a boiada e ditasse o ritmo das negociações, o que aumentou o preço da arroba.

Contudo, a chegada de abril marca uma mudança relevante nessas condições. Com a transição para o período seco, a qualidade do pasto começa a cair, afetando diretamente o desempenho dos animais e a eficiência dos sistemas produtivos.

O zootecnista e gestor comercial da Nutriganho, Fernando Carlos, destaca que a redução nos níveis de proteína e energia do capim compromete o ganho de peso, aumenta a desuniformidade dos lotes e prolonga o ciclo de terminação.

“Esse movimento tende a elevar o custo por arroba produzida, em um momento em que o setor já convive com margens mais ajustadas”, pontua.

Para ele, o período exige atenção redobrada do produtor. “Abril deixou de ser apenas uma transição entre águas e seca. Hoje, é um momento em que decisões de manejo impactam diretamente o resultado econômico da operação”, afirma.

O especialista destaca que a estratégia de manter os animais exclusivamente a pasto até o auge da seca ainda é comum, mas pode comprometer o desempenho produtivo. “O animal tende a reduzir o ganho de peso à medida que o pasto perde qualidade. Isso alonga o ciclo e pode deslocar a venda para janelas de mercado menos favoráveis”, diz.

Nesse contexto, cresce a adoção de ferramentas de intensificação, como suplementação energética, sistemas de semi-confinamento e modelos de terminação intensiva a pasto (TIP). A proposta é compensar a queda nutricional da forragem e manter níveis adequados de desempenho.

“Não se trata necessariamente de aumentar custos, mas de direcionar melhor o investimento. Ao corrigir a dieta, o produtor melhora a conversão alimentar e reduz o tempo até o abate”, contextualiza Carlos.

Implicações financeiras

O especialista ressalta que além dos aspectos técnicos, a antecipação da terminação também tem implicações financeiras. Isso porque a redução do ciclo produtivo permite giro mais rápido do capital, melhora o fluxo de caixa e libera áreas para novas estratégias dentro da propriedade.

“O tempo passou a ser um fator determinante. Produzir mais arrobas em menos tempo e posicionar melhor a venda faz diferença no resultado final”, afirma.

Com isso, abril se consolida como um período crítico para a pecuária a pasto, exigindo maior planejamento e capacidade de adaptação por parte dos produtores diante das mudanças nas condições de produção e de mercado.

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DOF apreende quase duas toneladas de maconha escondidas em carga de óleo de soja


Reprodução DOF

Policiais militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreenderam, na tarde de segunda-feira (30), 1.810 quilos de maconha escondidos em uma carreta carregada com óleo de soja. A ação ocorreu na BR-163, nas proximidades do distrito de Vila Vargas, em Dourados, no Mato Grosso do Sul.

A apreensão aconteceu durante um bloqueio policial na rodovia. Ao abordar o caminhão com semirreboque, os agentes perceberam inconsistências nas informações prestadas pelo motorista, de 36 anos, além de sinais de nervosismo durante a entrevista.

Durante a vistoria no compartimento de carga, os policiais identificaram o odor característico da droga e localizaram 81 fardos de maconha ocultos entre os paletes do produto lícito.

O condutor confessou que, após carregar o óleo de soja em uma empresa de Dourados, levou o veículo até um barracão, onde a droga foi inserida. Segundo ele, o destino final seria o estado de São Paulo, e o transporte renderia pagamento de R$ 30 mil.

O suspeito, o veículo e a carga apreendida, avaliada em aproximadamente R$ 3,35 milhões, foram encaminhados à Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira, também em Dourados.

A operação foi realizado no âmbito no Programa Protetor das Fronteiras e Divisas, em parceria entre a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, além de integrar a Operação Ágata Tempestade no Oeste I, com apoio do Exército Brasileiro.

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AgroNewsPolítica & Agro

Primeira massa de ar frio chega ainda em abril


Mudanças nas projeções meteorológicas indicam um cenário mais favorável para a chegada de uma massa de ar frio ainda em abril no Brasil. De acordo com informações do Meteored, o avanço desse sistema pode ocorrer antes do que indicavam as tendências anteriores e deve alterar o padrão de temperaturas no centro-sul do país nas próximas semanas.

Segundo a análise, a mudança já começa a ser observada durante a Semana Santa, com aumento das chuvas e redução do calor em parte do centro-sul. Ainda não há, neste momento, a atuação de uma frente fria responsável por essa alteração nas condições atmosféricas. O fenômeno ocorre devido a uma configuração nos níveis mais elevados da atmosfera, que favorece a formação de instabilidades nas regiões Sul e Sudeste e no estado de Mato Grosso do Sul.

O levantamento aponta que a intensificação dos sistemas de chuva sobre o centro-sul ocorre de forma mais tardia neste ano, mas deve se tornar mais evidente nas próximas semanas. A tendência é de antecipação da atuação de uma frente fria mais intensa e, posteriormente, da primeira massa de ar frio mais significativa do outono.

De acordo com o Meteored, as projeções ainda são consideradas uma tendência e podem sofrer alterações. Os detalhes sobre intensidade, alcance territorial e impactos do sistema frontal e da massa de ar frio ainda dependem da evolução dos modelos meteorológicos.

Durante o fim de semana da Páscoa, a atuação de um sistema de chuva sobre o Uruguai pode provocar aumento temporário das temperaturas no centro-sul do Brasil. O fenômeno ocorre devido ao acúmulo de ar quente sobre a região, o que pode gerar um novo período de temperaturas acima da média em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Na semana seguinte, o sistema sobre o Uruguai tende a avançar em direção ao Sul do Brasil, ganhando intensidade e formando uma área de baixa pressão que pode originar um ciclone extratropical acompanhado de frente fria. Segundo o Meteored, o período entre os dias 6 e 10 de abril deve marcar a primeira redução mais significativa das temperaturas.

As projeções indicam que, no final dessa semana, especialmente na sexta-feira (10), as temperaturas máximas podem ficar próximas de 20 °C em grande parte da Região Sul e no leste do estado de São Paulo. As mínimas devem variar entre 10 °C e 15 °C, com valores menores em áreas de serra. Nesse mesmo período, a frente fria também deve influenciar o Sudeste, contribuindo para reduzir as temperaturas máximas para cerca de 24 °C a 25 °C em outros estados da região.

Na sequência, por volta dos dias 12 e 13 de abril, a frente fria tende a perder força, mas a massa de ar frio associada pode continuar atuando e ampliar sua área de influência sobre o centro-sul do país. Com isso, o padrão de temperaturas mais amenas pode persistir ao longo dos dias, caracterizando condições típicas do outono, com madrugadas e noites mais frias em diversas localidades.





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De vinho a seguro rural: cooperativismo gaúcho apresenta demandas a partidos políticos


selo vinho gaúcho
Foto: Divulgação Consevitis-RS

O Sistema Ocergs convidou presidentes de partidos políticos do Rio Grande do Sul para apresentar demandas do cooperativismo gaúcho a serem contempladas nos próximos planos de governo.

O evento aconteceu na segunda-feira (30) e os participantes receberam um documento que reúne propostas estratégicas, de natureza técnica e apartidária, elaboradas por representantes de cooperativas dos sete ramos do cooperativismo gaúcho.

Em relação à agropecuária, o mote da iniciativa é na mitigação dos efeitos climáticos que castigam o Rio Grande do Sul há cinco safras consecutivas. Assim, propõe-se a criação de um fundo específico para apoio aos momentos críticos causados por estiagens e enchentes.

Desta forma, o Sistema Ocergs entende como essencial a implementação de programas efetivos de renegociação das dívidas de cooperativas e associados, considerando as perdas por eventos climáticos e crises de mercado.

“Queremos ser vistos como parceiros do Estado. O cooperativismo está enraizado no Rio Grande do Sul, gera desenvolvimento local e muitas vezes atua onde o poder público não consegue chegar. O Sistema Ocergs e suas lideranças estão à disposição para contribuir com propostas concretas para o estado”, afirmou o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann.

Incentivos a crédito e insumos

No documento apresentado aos líderes partidários, o cooperativismo gaúcho também pede a criação de instrumentos de apoio especial a insumos, maquinário agrícola e irrigação, com
linha de crédito permanente e subsidiada.

Tal iniciativa pode, conforme o Sistema Ocergs, seguir o exemplo de políticas existentes em outros estados, como Paraná e Santa Catarina, bem como de iniciativas já adotadas no Rio Grande do Sul, a exemplo do Programa Bônus Mais Leite (SDR) e os programas de irrigação da Secretaria da Agricultura.

A carta direcionada aos partidos ainda prega a necessidade de estímulo ao consumo de suco de uva. Com isso, pede a garantia do cumprimento da Lei 13.247/2009, que assegura a inclusão da bebida na merenda escolar, bem como a articulação de um novo PL para que o produto seja inserido na cesta básica gaúcha como item essencial.

Recursos do Plano Safra

O Sistema Ocergs enxerga baixa disponibilidade de recursos subvencionados no Plano Safra para seguro agrícola. A percepção está ancorada nos números: o setor registrou retração em 2025, interrompendo uma sequência de altas nos últimos anos. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) apontam que a arrecadação do segmento caiu 8,8% no último ano.

Assim, o cooperativismo do Rio Grande do Sul pede que o próximo plano de governo contemple uma política estadual de seguros agrícolas para enfrentar catástrofes climáticas de forma complementar à política do Plano Safra.

Além disso, o setor ressalta que os prazos de financiamento a produtores e cooperativas frequentemente não consideram os ciclos produtivos do estado, sendo necessários prazos de amortização e carência alinhados aos ciclos produtivos do estado.

Proteção ao vinho gaúcho

O Sistema Ocergs chama atenção para o temor de produtores de vinho do Rio Grande do Sul de perder competitividade frente aos produtos do mercado europeu com o acordo entre o bloco e o Mercosul que prevê a isenção de tarifas de importação e exportação.

Diante disso, o setor pede a criação de uma “política inteligente para defender o setor e evitar prejuízos adicionais”. A ideia é que se faça um monitoramento contínuo da entrada de vinhos europeus no país (preço, volume e impactos sobre emprego).

“Uso de cláusulas de salvaguarda em caso de dano grave comprovado; defesa sanitária e técnica rigorosa, sem discriminação; não aceitar medidas contenciosas nas áreas trabalhista e ambiental; e adoção de medidas internas (federais e estaduais) para reduzir o risco de desvantagem competitiva do vinho brasileiro e proteger a cadeia produtiva”, destaca o documento, que também prega estratégias de promoção das exportações de produtos gaúchos para a Europa.

No encontro, os partidos foram apresentados aos principais números que traduzem o tamanho e a capilaridade do movimento: 372 cooperativas, 4,2 milhões de associados (mais de um terço da população) e 78,5 mil empregos diretos, alcançando todos os municípios do estado. Somente em 2025, segundo balanço parcial do Sistema Ocergs, o cooperativismo gaúcho faturou R$ 103,4 bilhões, aumento de 11% em relação ao período anterior.

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