sábado, maio 30, 2026

Política & Agro

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Produtor deve redobrar atenção às cultivares


A escolha das cultivares de soja para a próxima safra já começou em diversas regiões produtoras do País e, neste ano, a decisão tende a ser ainda mais estratégica para o agricultor. Com os preços das commodities pressionados, aumento nos custos de produção e uma possibilidade de 98% de ocorrência do El Niño no segundo semestre, segundo o Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, especialistas alertam que esta definição deixou de ser apenas operacional e passou a ter impacto ainda maior nos resultados da lavoura.

De acordo com Rafael Neubauer, representante comercial da Conceito Sementes, o cenário exige do produtor uma análise técnica mais criteriosa antes da compra. “O agricultor não pode olhar apenas para o custo imediato. É fundamental escolher materiais adaptados à região, com histórico consistente de produtividade e características adequadas para cada realidade de solo e clima”, afirma.

Entre os principais pontos de atenção estão o grupo de maturação da cultivar, o zoneamento agrícola, a textura do solo, o histórico da propriedade, a resistência a doenças e nematoides, além da qualidade fisiológica da semente, como índices de germinação e vigor.

Critérios técnicos ganham peso na próxima safra

O grupo de maturação está diretamente ligado ao ciclo da soja e influencia o comportamento da planta em cada região produtora. Em média, as cultivares podem variar entre materiais mais precoces, com cerca de 100 dias de ciclo, até variedades tardias, que podem chegar a 125 dias entre emergência e colheita. A escolha correta depende de fatores como altitude, regime de chuvas, segunda safra e planejamento operacional da fazenda.

Já o zoneamento agrícola funciona como uma referência técnica para indicar quais cultivares são mais adequadas para cada microrregião do País. Além de contribuir para maior estabilidade produtiva, ele também impacta diretamente questões como acesso ao seguro rural. Outro fator determinante é a textura do solo. Em áreas mais argilosas, que retêm maior volume de água, o produtor pode trabalhar com uma faixa menor de ciclos. Já em solos arenosos, mais suscetíveis ao déficit hídrico, variedades de ciclo médio ou tardio tendem a oferecer mais segurança produtiva, especialmente em anos de instabilidade climática.

Além disso, o histórico do talhão também deve entrar na conta. A presença de nematoides, doenças ou períodos de estresse hídrico influencia diretamente na escolha da cultivar e no tratamento de sementes mais adequado. “O agricultor precisa avaliar se a cultivar foi realmente desenvolvida e validada para a realidade da sua região. Muitas vezes, uma variedade produz bem em uma área específica, mas apresenta baixa estabilidade em diferentes ambientes. O que faz diferença no longo prazo é a consistência de resultados”, destaca o especialista.

A qualidade também ganha peso em um ano marcado por menor oferta no mercado. O excesso de chuvas nos campos de sementes reduziu a disponibilidade de lotes de alto padrão fisiológico, elevando a preocupação com germinação e vigor. “Embora a legislação brasileira exija mínimo de 80% de germinação para sementes certificadas, trabalhamos com valores muito superiores a esse e com alto padrão na análise de vigor a ser entregue. A semente é a base da produtividade. Não adianta investir em fertilidade, manejo e tecnologias de proteção se o agricultor começa a safra com uma cultivar mal posicionada ou com baixa qualidade fisiológica”, completa Neubauer.





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Boi gordo mantém estabilidade em São Paulo


A cotação do boi gordo permaneceu estável em São Paulo nesta quinta-feira (28), de acordo com análise do informativo “Tem Boi na Linha”, divulgado pela Scot Consultoria. Segundo o levantamento, não houve alteração nos preços em relação ao dia anterior, refletindo um cenário de equilíbrio entre oferta de bovinos, demanda dos frigoríficos e escalas de abate.

Ainda conforme a análise, as escalas de abate no estado estavam, em média, para oito dias, mantendo o ritmo observado nos últimos levantamentos.

Em Mato Grosso do Sul, o mercado apresentou movimentações positivas em algumas praças pecuárias. Em Três Lagoas, a cotação do boi gordo subiu R$ 2,00 por arroba. Já nas praças de Dourados e Campo Grande, os preços permaneceram estáveis.

A categoria da novilha registrou valorização de R$ 3,00 por arroba em Dourados e de R$ 5,00 em Campo Grande. Em Três Lagoas, a cotação não apresentou mudanças. Para a vaca, os preços permaneceram estáveis nas três regiões monitoradas.

Segundo a Scot Consultoria, as altas observadas no estado foram impulsionadas pela oferta mais restrita de boiada e pela demanda firme dos frigoríficos, cenário que favoreceu reajustes nos preços pagos aos pecuaristas.

A cotação da arroba do “boi China” em Mato Grosso do Sul também registrou alta de R$ 1,00.

Na região Sudeste de Rondônia, os preços ficaram estáveis para todas as categorias acompanhadas. O levantamento aponta que a oferta de bovinos permaneceu escalonada, reduzindo o impacto da pressão de baixa observada em outras regiões pecuárias do país. As escalas de abate em Rondônia estavam, em média, para sete dias.





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Plano Quinquenal chinês pode custar caro ao agro brasileiro


O 15º Plano Quinquenal da China, em vigor de 2026 a 2030, colocou a segurança alimentar no centro da política econômica de Pequim e acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. A diretiva prevê a expansão da capacidade produtiva interna, a diversificação de fornecedores e a contenção das importações a níveis considerados moderados pelo governo chinês — uma combinação que ameaça diretamente as cadeias de soja e carne bovina do Brasil, altamente dependentes do mercado asiático e responsáveis por dezenas de bilhões de dólares em exportações anuais.

A orientação estratégica do governo chinês vai além de uma política agrícola pontual. O 15º Plano Quinquenal combina modernização do campo, fortalecimento do abastecimento interno, diversificação de fornecedores e avanços em novas fontes de proteína — como proteínas alternativas — para reduzir estruturalmente a dependência de importações. Para o agronegócio brasileiro, que construiu ao longo de décadas uma forte exposição comercial à China, a mudança representa muito mais do que uma barreira sanitária ou uma disputa comercial isolada: trata-se de uma reorientação de longo prazo que tende a alterar o ritmo e o volume da demanda chinesa por produtos agrícolas globais.

Embora parte do mercado avalie que uma substituição rápida da soja brasileira encontra limitações logísticas e de capacidade produtiva, a retomada das compras americanas pode reduzir a participação do Brasil no mercado chinês em determinados períodos do ano, especialmente nas janelas em que a safra norte-americana coincide com a demanda chinesa.

Na cadeia de carne bovina, os impactos já têm contornos mais definidos. A China adotou uma salvaguarda que impõe tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem as quotas anuais de importação. Para o Brasil, a cota estipulada para 2026 é de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas — nível inferior ao volume comercializado em 2025, quando as compras chinesas de carne bovina brasileira atingiram cerca de 1,7 milhão de toneladas, de acordo com entidades do setor citadas em pesquisas internacionais.

A medida, com duração prevista de três anos, tem como objetivo declarado proteger o rebanho bovino chinês, que enfrenta pressão sobre os preços e excesso de oferta interna. Como maior fornecedor de carne bovina para a China, o Brasil está entre os países mais afetados pela restrição. Na prática, a nova cota obriga os exportadores brasileiros a competir por espaço dentro de um limite menor ou a buscar outros destinos para parte da produção que antes era destinada ao mercado asiático. A indústria já incorpora a salvaguarda como uma variável permanente no planejamento comercial para os próximos anos.

A pressão sobre o agronegócio brasileiro não se limita à soja e à carne bovina. Projeções do relatório da Systemiq indicam reduções nas importações chinesas de carne suína, laticínios e ovos, enquanto o milho pode apresentar crescimento moderado em função de mudanças na formulação de ração animal. O cenário também inclui riscos para a cadeia de fertilizantes, historicamente dependente de fornecedores externos e sensível a qualquer reconfiguração da demanda agrícola global.

Reverter a dependência estrutural da China não é um processo de curto prazo. Nenhum outro mercado no mundo absorve soja e carne bovina brasileiras no mesmo volume que o país asiático, o que torna a diversificação de destinos uma tarefa complexa e gradual. O agronegócio nacional entra, portanto, em um período de maior exposição a riscos comerciais e menor previsibilidade nas exportações — justamente quando o Brasil consolida recordes de produção e busca ampliar sua participação no comércio global de alimentos.





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Programa Grão Seguro discutirá micotoxinas emergentes


O Programa Grão Seguro discutirá micotoxinas emergentes e a limitação no uso de grãos em episódio ao vivo no dia 02 de junho, terça-feira, às 19h30, pelo horário de Brasília. A transmissão será feita direto de Chapecó (SC), onde ocorre o XI Simpósio Sul de Pós-Colheita de Grãos, promovido pela Abrapós, com participação de representantes da Aurora, Pegasus Science e DSM Firmenich.

O episódio terá como tema “Micotoxinas emergentes e a limitação no uso de grãos”, assunto que ganha espaço nas discussões técnicas ligadas à pós-colheita e ao aproveitamento de grãos. Segundo informações divulgadas pelo Programa Grão Seguro, a proposta é reunir especialistas e representantes do setor para abordar o impacto do tema sobre a utilização dos grãos na cadeia produtiva.

A transmissão ao vivo contará com Arielson da Luz de Lima, da Aurora; Adriano Mallmann, da Pegasus Science; e Augusto Heck, da DSM Firmenich. Os convidados devem contribuir com a discussão a partir de suas áreas de atuação, em um formato voltado à atualização técnica e à participação do público.

Debate ocorre durante simpósio de pós-colheita

De acordo com o material de divulgação, o programa será transmitido diretamente de Chapecó, em Santa Catarina, cidade que receberá o XI Simpósio Sul de Pós-Colheita de Grãos. O evento é promovido pela Abrapós e reúne discussões voltadas aos desafios da armazenagem, qualidade e uso dos grãos após a colheita.

A escolha do tema reforça a importância da pós-colheita como etapa estratégica para o agronegócio. A limitação no uso de grãos, quando associada a fatores de qualidade, pode gerar preocupação para produtores, cooperativas, indústrias e demais agentes da cadeia, especialmente em um cenário em que eficiência e segurança no aproveitamento da produção são prioridades.

Grão Seguro terá transmissão ao vivo

Conforme divulgado pelo Programa Grão Seguro, o episódio será realizado às 19h30, no horário de Brasília, com transmissão ao vivo. A chamada oficial reforça o convite ao público: “Assista, inscreva-se e participe!”.

A participação aberta amplia o alcance do debate técnico e permite que produtores, armazenadores, profissionais da indústria, consultores e estudantes acompanhem as discussões diretamente do ambiente do simpósio.

Serviço

Programa: Grão Seguro: Clique aqui para assistir.

Tema: Micotoxinas emergentes e a limitação no uso de grãos

Data: 02 de junho, terça-feira

Horário: 19h30, horário de Brasília

Local da transmissão: Chapecó (SC)

Evento vinculado: XI Simpósio Sul de Pós-Colheita de Grãos

Promoção do simpósio: Abrapós

Convidados: Arielson da Luz de Lima, da Aurora; Adriano Mallmann, da Pegasus Science; Augusto Heck, da DSM Firmenich

 





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Geadas afetam milho silagem no Rio Grande do Sul



Colheita do milho silagem chega a 98%



Foto: Pixabay

A colheita do milho para silagem no Rio Grande do Sul está praticamente concluída, alcançando 98% da área cultivada no Estado, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (28) pela Emater/RS-Ascar.

De acordo com o relatório, as condições de tempo seco e frio favoreceram o avanço das operações de corte e ensilagem durante o período, acelerando os trabalhos nas propriedades rurais. Apesar disso, as geadas registradas nas últimas semanas provocaram danos variáveis, principalmente em lavouras mais tardias.

Ainda conforme a Emater/RS-Ascar, os impactos sobre o volume e a qualidade da forragem foram considerados pequenos na maior parte das áreas, mesmo com perdas localizadas e redução do potencial produtivo em determinados cultivos.

O boletim aponta que alguns produtores optaram por antecipar o corte das lavouras para preservar a qualidade da massa ensilada e evitar o agravamento dos danos causados pelo frio.

Na região administrativa de Ijuí, as lavouras apresentaram pequenos danos provocados pelas geadas, mas sem comprometimento significativo da produção de forragem. Os produtores seguem finalizando as operações de corte e ensilagem.

Já na região de Pelotas, a ocorrência generalizada de geadas levou ao encerramento das atividades de produção de silagem. Em parte das áreas afetadas pelo frio, houve queimadura das plantas, e algumas lavouras deverão ser destinadas ao fornecimento direto de alimento para os animais.





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RS abre safra da erva-mate em Machadinho


O Rio Grande do Sul deve produzir cerca de 310 mil toneladas de folha verde de erva-mate na safra de 2026, cultivadas em quase 30 mil hectares de ervais distribuídos em mais de 7 mil propriedades rurais. A cultura está presente em 173 municípios gaúchos e foi o destaque da Festa da Colheita da Erva-Mate, realizada nesta quinta-feira (28), em Machadinho, marcando oficialmente a abertura da safra.

O evento reuniu lideranças municipais e estaduais, além de representantes da cadeia produtiva. O secretário da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, afirmou que o setor vive um novo momento após o reconhecimento da primeira indicação geográfica da erva-mate de Machadinho.

“Temos um grande desafio que precisa ser encarado de forma conjunta por todo o setor produtivo: ampliar mercados e diversificar os produtos derivados da erva-mate. Estamos em outro momento e temos potencial de crescimento em mercados do Oriente Médio, Europa e Ásia, que precisa estar no foco do setor produtivo daqui para frente”, concluiu.

Segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, a cadeia produtiva da erva-mate no Estado está concentrada em cinco polos ervateiros. O Rio Grande do Sul também lidera o beneficiamento da erva-mate brasileira, com pelo menos 163 indústrias em atividade.

O presidente do Instituto Brasileiro da Erva-Mate, Alberto Tomelero, destacou a importância da pesquisa e da inovação para o fortalecimento do setor. “Já evoluímos muito, com tecnologia e inovação, mas ainda temos muito o que fazer pelo setor ervateiro. Além disso, necessitamos aproximar as pessoas que fazem parte dessa cadeia produtiva com o público consumidor e precisamos evoluir em qualidade e produtividade, nos aproximando da pesquisa e buscando novos mercados, como o internacional”, afirmou Tomelero.

O presidente da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera, reforçou a relevância econômica e cultural da atividade no Estado. “A Emater também firma aqui o seu compromisso de ajudar o setor a superar as dificuldades que vêm sendo enfrentadas. Temos construído políticas públicas para os sistemas de produção e para a erva-mate não será diferente. Precisamos aumentar o consumo e encontrar novos caminhos, sempre com qualidade e produtividade”, enfatizou o presidente.

A próxima edição da Festa da Colheita da Erva-Mate será realizada em 2027 no município de Arvorezinha.

Machadinho recebeu recentemente o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) para a produção de erva-mate. O título foi concedido em novembro de 2025 pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial e reconhece a qualidade, a identidade e as características da produção regional.

A certificação contempla dez municípios da região: Barracão, Cacique Doble, Machadinho, Maximiliano de Almeida, Paim Filho, Sananduva, Santo Expedito do Sul, São João da Urtiga, São José do Ouro e Tupanci do Sul. A expectativa do setor é que o reconhecimento fortaleça a identidade regional, agregue valor ao produto e abra novas oportunidades de mercado para os produtores gaúchos.

 





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Leite e muçarela ficam mais caros no Paraná



Paraná registra nova valorização do leite



Foto: Divulgação

Os preços do leite e dos derivados voltaram a subir no Paraná em maio, segundo o Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (28) pelo Departamento de Economia Rural, órgão ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. O avanço dos valores no varejo acompanha a valorização do produto no campo, impulsionada pela menor captação de leite pelas indústrias.

De acordo com o levantamento, o leite longa vida registrou aumento de 0,77% nos supermercados e alcançou média estadual de R$ 5,35 por litro. Já o queijo muçarela teve alta mais intensa, de 4,81%, sendo comercializado a R$ 54,42 o quilo.

Segundo o Departamento de Economia Rural, o reajuste nas gôndolas reflete o aumento no valor pago aos produtores rurais nos últimos meses, em um cenário de menor oferta da matéria-prima para a indústria de laticínios.

No campo, a valorização do leite também segue em ritmo positivo. A pesquisa semanal de preços recebidos pelos produtores apontou alta de 1,61% no leite cru em relação à semana anterior. O valor pago ao produtor passou de R$ 2,63 para R$ 2,68 por litro.

Na comparação com a média registrada em abril, os produtores paranaenses estão recebendo atualmente cerca de 13% a mais por litro entregue às indústrias.

O boletim destaca que os laticínios vêm aumentando os pagamentos para conseguir manter a oferta de leite estável no Estado, diante da redução na captação do produto.





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CNA destaca aprovação do PL que dá segurança jurídica à aquicultura


Texto foi aprovado na CCJC da Câmara dos Deputados e está no Senado.

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a aprovação do PL 4162/24, que exclui o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) para aquicultores e distingue a atividade aquícola da pesca, favorece a segurança jurídica e impulsiona o crescimento do setor.

A redação final da matéria foi aprovada na quarta (15), na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados e segue para análise do Senado Federal.

A proposta integra a Agenda Legislativa do Agro 2026, lançada pela CNA em março, e reconhece a natureza agropecuária da aquicultura, alinhando-a às demais cadeias produtivas. Com isso, busca eliminar sobreposições normativas e reduzir entraves burocráticos que impactam diretamente os produtores.

Segundo a CNA, a iniciativa representa um passo importante para a modernização do ambiente regulatório da aquicultura no Brasil, ao promover maior coerência normativa e ampliar a competitividade da produção nacional, especialmente frente às exigências dos mercados internacionais.

Segundo o presidente da Comissão Nacional de Aquicultura da CNA, Francisco Hidalgo Faria o PL nº 4.162/2024 propõe a correção de uma distorção histórica no marco regulatório do setor da aquicultura brasileira ao revisar dispositivos da Lei nº 11.959/2009, que equiparam indevidamente a aquicultura à atividade pesqueira.

Um dos principais avanços do PL, explica, é a revisão da obrigatoriedade de inscrição no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) para aquicultores. Atualmente, as informações exigidas por esse registro já são prestadas no âmbito do Decreto nº 5.741/2006 (SUASA) pelos órgãos executores de sanidade agropecuária estaduais, sistema que garante controle sanitário, rastreabilidade e fiscalização em todas as etapas da cadeia produtiva da aquicultura, desde a produção até a comercialização.

De acordo com o relator da matéria na CCJC, deputado José Rocha (União/BA), o setor vem apresentando trajetória consistente de expansão na última década, posicionando o Brasil como player relevante em cadeias produtivas estratégicas, como tilápia e camarão.

“O projeto traz avanços substanciais, fruto de um amplo processo de diálogo com produtores, entidades representativas e especialistas. A atualização do marco legal tende a ampliar a previsibilidade regulatória, estimulando a atração de investimentos públicos e privados e reforçando a competitividade nos mercados interno e internacional. Entre os pontos mais relevantes está a redução de entraves burocráticos que historicamente impactaram o desenvolvimento da aquicultura no Brasil”, explicou.

Para o autor da proposta, deputado federal Sérgio Souza (MDB/PR), o projeto reconhece a aquicultura como atividade agropecuária distinta da pesca e assegura ao produtor aquícola tratamento equivalente ao do produtor rural.

“Não é razoável exigir autorização para a captura de um peixe que foi produzido na própria propriedade. Essa é a lógica do projeto e do PDL, que busca sustar a exigência de carteirinha de pesca para aquicultores”, pontuou.

 





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Safra de trigo deve encolher no RS


A semeadura do trigo começou no Rio Grande do Sul acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para os principais materiais cultivados no Estado. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (28) pela Emater/RS-Ascar, o cenário da safra 2026 aponta para uma redução significativa da área plantada em comparação ao ciclo anterior.

As condições de tempo seco favoreceram os trabalhos de manejo de resteva, dessecação e preparo das áreas, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras. Em parte das regiões produtoras, porém, a baixa umidade do solo dificultou o estabelecimento das primeiras áreas semeadas, levando produtores a aguardarem chuvas mais regulares para garantir melhores condições de germinação e emergência.

Segundo a Emater/RS-Ascar, a perspectiva de redução da área cultivada está associada aos elevados custos de produção, à baixa atratividade econômica do cereal e ao aumento da percepção de risco produtivo diante da atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.

Mesmo diante desse cenário, parte dos produtores tem antecipado a semeadura em áreas sem vínculo com financiamentos ou seguro rural. A estratégia busca posicionar as fases de florescimento e enchimento de grãos antes do período de maior intensidade das chuvas de primavera.

Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção total de 3,45 milhões de toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar, na Fronteira Oeste, a semeadura avança lentamente, mesmo com a colheita da soja praticamente encerrada. Em Manoel Viana, produtores já possuem insumos adquiridos e áreas preparadas, mas aguardam precipitações devido à baixa umidade do solo.

Em São Borja, aumentaram os relatos de desistência do cultivo do trigo. Conforme o boletim, a combinação entre previsão de El Niño intenso, custos elevados e maior rigor na classificação qualitativa dos grãos vem ampliando a migração para culturas alternativas, como canola, carinata, linhaça e painço.

Na Campanha, os produtores seguem aproveitando o tempo seco para preparar o solo, já que a implantação das lavouras costuma ocorrer a partir do fim de junho.

Na região de Caxias do Sul, a semeadura ainda não começou. Na Serra, o plantio normalmente ocorre entre a segunda quinzena de junho e o início de julho, enquanto nos Campos de Cima da Serra a concentração dos trabalhos acontece ao longo de julho. A expectativa é de retração de aproximadamente 30% da área cultivada.

Na regional de Frederico Westphalen, a estimativa inicial aponta redução próxima de 20% em relação à safra passada.

Em Ijuí, a semeadura já alcança cerca de 7% da área projetada. As sementes estão em fase de embebição, ainda sem emergência observada. O avanço foi favorecido pelo início do período recomendado pelo zoneamento e pelas condições operacionais do solo. Também continuam os trabalhos de dessecação para manejo de plantas espontâneas.

O boletim destaca ainda que empresas do setor de energia vêm estimulando o cultivo voltado à produção de etanol, em substituição ao trigo destinado à indústria alimentícia. A baixa procura por sementes fiscalizadas e crédito de custeio também tem ampliado o uso de sementes salvas e recursos próprios, reforçando a tendência de redução da área cultivada.

Na regional de Santa Rosa, a semeadura atinge 6% da área prevista e está concentrada em lavouras sem financiamento ou cobertura de seguro rural. A expectativa de um inverno com menor intensidade de geadas também favorece a antecipação do plantio. A estimativa preliminar indica retração próxima de 30% da área cultivada em relação a 2025.

Já na região de Soledade, a previsão é de redução superior a 30% da área cultivada. Até o momento, cerca de 7% da área projetada já foi semeada.





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Safra de citros avança com preços variados


A colheita de citros avança no Rio Grande do Sul, mas produtores enfrentam desafios relacionados ao baixo volume de chuvas, aumento da oferta e dificuldades de comercialização de algumas variedades. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (28) pela Emater/RS-Ascar.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar, novas cultivares como Pareci e Ponkan começaram a chegar ao mercado. Segundo o boletim, em grande parte das propriedades os frutos apresentaram desenvolvimento limitado devido à baixa ocorrência de chuvas durante a fase de crescimento. O preço da laranja varia entre R$ 40 e R$ 50 por caixa de 22 quilos.

Na regional de Lajeado, os citricultores de São José do Hortêncio relataram retração nas vendas e redução dos preços médios na Ceasa/RS, cenário atribuído à elevada oferta de frutas no mercado. Os produtores também seguem enfrentando infestação de mosca-branca nos pomares, embora o controle da praga esteja em andamento. A colheita das variedades Bahia e Seleta já alcança cerca de 50% da safra.

Em Montenegro, os agricultores realizam a colheita da bergamota Caí, com 20% das áreas já colhidas, e da Ponkan, que atingiu 10%. A expectativa é de produtividade dentro da normalidade, com produção estimada em cerca de 60 mil toneladas distribuídas em 3 mil hectares.

No município de Harmonia, a colheita da bergamota Caí chegou a 35%. Alguns produtores relataram dificuldades para comercializar a laranja do Céu precoce, cuja colheita alcança 50% das áreas. Conforme o levantamento, o aumento no número de pomares dessa variedade nos últimos anos vem pressionando a comercialização da fruta. Os citricultores também seguem com serviços de manutenção, como roçadas e preparação para a colheita das próximas variedades.

Em Pareci Novo, após o encerramento do raleio das bergamoteiras, os produtores concentram os trabalhos em roçadas, colheita e manejo fitossanitário preventivo. O principal foco tem sido o controle da pinta-preta e da mosca-das-frutas. A colheita da bergamota Caí atinge 10%, enquanto a da Ponkan chega a 5%. Já a laranja do Céu alcança 5% da área colhida.

Na região de São Sebastião do Caí, a colheita atingiu 15% dos pomares de bergamota Caí, 10% da Ponkan e 25% da laranja do Céu.





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