terça-feira, março 31, 2026
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Queda na qualidade do pasto em abril deve pressionar margens da pecuária de corte


gado no pasto
Foto: Divulgação

As chuvas do primeiro trimestre do ano beneficiaram pastagens Brasil afora, contribuindo para que o pecuarista segurasse a boiada e ditasse o ritmo das negociações, o que aumentou o preço da arroba.

Contudo, a chegada de abril marca uma mudança relevante nessas condições. Com a transição para o período seco, a qualidade do pasto começa a cair, afetando diretamente o desempenho dos animais e a eficiência dos sistemas produtivos.

O zootecnista e gestor comercial da Nutriganho, Fernando Carlos, destaca que a redução nos níveis de proteína e energia do capim compromete o ganho de peso, aumenta a desuniformidade dos lotes e prolonga o ciclo de terminação.

“Esse movimento tende a elevar o custo por arroba produzida, em um momento em que o setor já convive com margens mais ajustadas”, pontua.

Para ele, o período exige atenção redobrada do produtor. “Abril deixou de ser apenas uma transição entre águas e seca. Hoje, é um momento em que decisões de manejo impactam diretamente o resultado econômico da operação”, afirma.

O especialista destaca que a estratégia de manter os animais exclusivamente a pasto até o auge da seca ainda é comum, mas pode comprometer o desempenho produtivo. “O animal tende a reduzir o ganho de peso à medida que o pasto perde qualidade. Isso alonga o ciclo e pode deslocar a venda para janelas de mercado menos favoráveis”, diz.

Nesse contexto, cresce a adoção de ferramentas de intensificação, como suplementação energética, sistemas de semi-confinamento e modelos de terminação intensiva a pasto (TIP). A proposta é compensar a queda nutricional da forragem e manter níveis adequados de desempenho.

“Não se trata necessariamente de aumentar custos, mas de direcionar melhor o investimento. Ao corrigir a dieta, o produtor melhora a conversão alimentar e reduz o tempo até o abate”, contextualiza Carlos.

Implicações financeiras

O especialista ressalta que além dos aspectos técnicos, a antecipação da terminação também tem implicações financeiras. Isso porque a redução do ciclo produtivo permite giro mais rápido do capital, melhora o fluxo de caixa e libera áreas para novas estratégias dentro da propriedade.

“O tempo passou a ser um fator determinante. Produzir mais arrobas em menos tempo e posicionar melhor a venda faz diferença no resultado final”, afirma.

Com isso, abril se consolida como um período crítico para a pecuária a pasto, exigindo maior planejamento e capacidade de adaptação por parte dos produtores diante das mudanças nas condições de produção e de mercado.

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