terça-feira, março 31, 2026
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De vinho a seguro rural: cooperativismo gaúcho apresenta demandas a partidos políticos


selo vinho gaúcho
Foto: Divulgação Consevitis-RS

O Sistema Ocergs convidou presidentes de partidos políticos do Rio Grande do Sul para apresentar demandas do cooperativismo gaúcho a serem contempladas nos próximos planos de governo.

O evento aconteceu na segunda-feira (30) e os participantes receberam um documento que reúne propostas estratégicas, de natureza técnica e apartidária, elaboradas por representantes de cooperativas dos sete ramos do cooperativismo gaúcho.

Em relação à agropecuária, o mote da iniciativa é na mitigação dos efeitos climáticos que castigam o Rio Grande do Sul há cinco safras consecutivas. Assim, propõe-se a criação de um fundo específico para apoio aos momentos críticos causados por estiagens e enchentes.

Desta forma, o Sistema Ocergs entende como essencial a implementação de programas efetivos de renegociação das dívidas de cooperativas e associados, considerando as perdas por eventos climáticos e crises de mercado.

“Queremos ser vistos como parceiros do Estado. O cooperativismo está enraizado no Rio Grande do Sul, gera desenvolvimento local e muitas vezes atua onde o poder público não consegue chegar. O Sistema Ocergs e suas lideranças estão à disposição para contribuir com propostas concretas para o estado”, afirmou o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann.

Incentivos a crédito e insumos

No documento apresentado aos líderes partidários, o cooperativismo gaúcho também pede a criação de instrumentos de apoio especial a insumos, maquinário agrícola e irrigação, com
linha de crédito permanente e subsidiada.

Tal iniciativa pode, conforme o Sistema Ocergs, seguir o exemplo de políticas existentes em outros estados, como Paraná e Santa Catarina, bem como de iniciativas já adotadas no Rio Grande do Sul, a exemplo do Programa Bônus Mais Leite (SDR) e os programas de irrigação da Secretaria da Agricultura.

A carta direcionada aos partidos ainda prega a necessidade de estímulo ao consumo de suco de uva. Com isso, pede a garantia do cumprimento da Lei 13.247/2009, que assegura a inclusão da bebida na merenda escolar, bem como a articulação de um novo PL para que o produto seja inserido na cesta básica gaúcha como item essencial.

Recursos do Plano Safra

O Sistema Ocergs enxerga baixa disponibilidade de recursos subvencionados no Plano Safra para seguro agrícola. A percepção está ancorada nos números: o setor registrou retração em 2025, interrompendo uma sequência de altas nos últimos anos. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) apontam que a arrecadação do segmento caiu 8,8% no último ano.

Assim, o cooperativismo do Rio Grande do Sul pede que o próximo plano de governo contemple uma política estadual de seguros agrícolas para enfrentar catástrofes climáticas de forma complementar à política do Plano Safra.

Além disso, o setor ressalta que os prazos de financiamento a produtores e cooperativas frequentemente não consideram os ciclos produtivos do estado, sendo necessários prazos de amortização e carência alinhados aos ciclos produtivos do estado.

Proteção ao vinho gaúcho

O Sistema Ocergs chama atenção para o temor de produtores de vinho do Rio Grande do Sul de perder competitividade frente aos produtos do mercado europeu com o acordo entre o bloco e o Mercosul que prevê a isenção de tarifas de importação e exportação.

Diante disso, o setor pede a criação de uma “política inteligente para defender o setor e evitar prejuízos adicionais”. A ideia é que se faça um monitoramento contínuo da entrada de vinhos europeus no país (preço, volume e impactos sobre emprego).

“Uso de cláusulas de salvaguarda em caso de dano grave comprovado; defesa sanitária e técnica rigorosa, sem discriminação; não aceitar medidas contenciosas nas áreas trabalhista e ambiental; e adoção de medidas internas (federais e estaduais) para reduzir o risco de desvantagem competitiva do vinho brasileiro e proteger a cadeia produtiva”, destaca o documento, que também prega estratégias de promoção das exportações de produtos gaúchos para a Europa.

No encontro, os partidos foram apresentados aos principais números que traduzem o tamanho e a capilaridade do movimento: 372 cooperativas, 4,2 milhões de associados (mais de um terço da população) e 78,5 mil empregos diretos, alcançando todos os municípios do estado. Somente em 2025, segundo balanço parcial do Sistema Ocergs, o cooperativismo gaúcho faturou R$ 103,4 bilhões, aumento de 11% em relação ao período anterior.

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