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A leitura trata a semente salva como indicador de retenção agronômica – Foto: Canva
A semente reservada para uso próprio revela mais do que uma saída do mercado certificado, pois indica quais cultivares continuam relevantes depois do teste no campo. Segundo análise de Alexandre Garcia, baseada em dados públicos do Anexo 33 do Ministério da Agricultura, a safra 2025/26 reúne mais de 21 mil registros e 2,1 milhões de hectares declarados, ante 3,35 milhões de hectares inscritos para sementes certificadas.
A leitura trata a semente salva como indicador de retenção agronômica. Diferentemente de uma compra influenciada por crédito, prazo ou campanha comercial, a decisão de reservar sementes tende a refletir a aprovação do produtor sobre desempenho, adaptação e resultado da genética utilizada.
Na distribuição por biotecnologia, IPRO e I2X somam 78% da área analisada, em linha com a participação nas classes comerciais certificadas. A base inicial de sementes Básica e Genética mostra transição acelerada, com redução de Intacta RR2 PRO® e avanço de Intacta 2 Xtend®.
O levantamento também relaciona participação à profundidade de portfólio. Intacta RR2 PRO® aparece com 213 cultivares na base salva, seguida por Intacta 2 Xtend®, com 168. Plataformas com menos opções mostram maior concentração. Na Enlist E3®, duas cultivares representam mais de 82% da área salva, enquanto na Xtend® uma cultivar responde por 64%.
A distribuição regional reforça que a vida agronômica pode superar a vida comercial. O Rio Grande do Sul lidera em volume absoluto e concentra quase toda a área de RR1, além de grande parte de Enlist E3® e Xtend®. Mato Grosso apresenta participação reduzida. Os dados podem apoiar decisões sobre renovação de portfólio, posicionamento regional e dependência de poucas cultivares, mas não representam projeção de vendas nem capturam o mercado informal.
A participação da população no mercado de ações varia de forma expressiva entre os países e revela diferenças no modo como cada sociedade lida com poupança, investimento e formação de patrimônio. Segundo infográfico publicado pelo IB na Prática, 55% dos norte-americanos investem em ações, enquanto no Brasil esse percentual é de apenas 8%.
Os Estados Unidos aparecem na liderança, com 185,4 milhões de investidores. Em seguida vêm o Canadá, onde 49% da população participa do mercado, e a Austrália, com 37%. Reino Unido e Nova Zelândia registram, respectivamente, 33% e 31%. Entre os demais países listados estão Suécia, com 22%, Rússia, com 21%, Finlândia e Suíça, ambas com 19%, além da Irlanda, com 17%.
O Brasil ocupa a 22ª posição, com 17,1 milhões de investidores. Embora o número absoluto seja relevante, a baixa proporção em relação à população mostra que a presença no mercado acionário ainda é restrita na comparação com economias de maior adesão.
Na avaliação de Adriano Leite, diretor de relações com investidores, a diferença vai além dos indicadores e reflete uma questão cultural. Em países mais desenvolvidos, o investimento integra com maior frequência a educação financeira, com a compreensão de que a construção de patrimônio depende não apenas do trabalho, mas também de decisões consistentes ao longo do tempo.
Leite observa que o acesso ao mercado brasileiro se tornou mais fácil, mas o conhecimento ainda precisa avançar para que mais pessoas transformem renda em patrimônio. Educação, disciplina e visão de longo prazo são apontadas como essenciais para ampliar essa participação. Nesse cenário, a mudança ganha força quando investir deixa de ser visto como privilégio e passa a integrar os hábitos financeiros da população.
O esmagamento de soja dos Estados Unidos foi de 5,83 milhões de toneladas em junho, segundo informou a NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA) nesta quarta-feira (15). O volume superou largamente a expectativa do mercado de 5,55 milhões de toneladas, e em relação a junho de 2025, o aumento foi de 16%.
O gráfico abaixo mostra o comportamento do processamento norte-americano da oleaginosa – indicando 2025/26 na linha preta, mais grossa – confirmando os números bem acima do intervalo e a demanda interna por soja nos EUA bastante fortalecida.
Gráfico: Karen Braun
O boletim apontou ainda os estoques de óleo de soja norte-americanos em 1,501 bilhão de libras, abaixo da média esperada pelo mercado de 1,650 bilhão. Assim, o volume testou suas mínimas em oito meses.
Gráfico: Karen Braun
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A atuação de um padrão atmosférico favorável à formação de temporais deve manter o Sul do Brasil em alerta ao longo dos próximos dias. De acordo com informações do Meteored, o Rio Grande do Sul seguirá como a área mais afetada durante o fim de semana, enquanto Santa Catarina e Paraná passam a enfrentar maior risco de tempestades severas a partir de terça-feira (21).
Segundo o Meteored, o alerta para tempo severo permanece em vigor desde esta sexta-feira (17). A configuração atmosférica é influenciada pelo fortalecimento do fenômeno El Niño, que favorece a combinação de sistemas capazes de intensificar a formação de tempestades e volumes elevados de chuva sobre o Cone Sul da América do Sul.
Entre sábado (18) e domingo (19), a previsão indica que os temporais devem atingir diversas regiões do Rio Grande do Sul. A partir de segunda-feira (20), as instabilidades começam a avançar em direção à divisa com Santa Catarina, mas ganham força principalmente na terça-feira (21), quando também passam a atingir áreas do Paraná.
Na segunda-feira (20), as primeiras tempestades isoladas podem alcançar municípios catarinenses próximos à fronteira com o Rio Grande do Sul, com intensificação prevista durante a noite, especialmente no Oeste e no Sul do estado. Na terça-feira (21), enquanto o Rio Grande do Sul ainda deve registrar temporais, Santa Catarina e o Oeste do Paraná passam a concentrar as áreas de maior instabilidade.
Ainda conforme o Meteored, a tendência é de que as tempestades persistam sobre Santa Catarina e, principalmente, na metade Oeste do Paraná até, pelo menos, quinta-feira (23). Embora todo o território dos dois estados possa registrar temporais, o Oeste reúne maior potencial para ocorrência de granizo, rajadas intensas de vento e eventos extremos, como microexplosões e tornados isolados.
Os maiores acumulados de chuva seguem previstos para o Rio Grande do Sul, onde os volumes podem se aproximar de 300 milímetros. Em Santa Catarina e no Paraná, entretanto, há possibilidade de precipitações superiores a 120 milímetros em apenas 24 horas, principalmente na terça-feira (21) em território catarinense e na quarta-feira (22) no Paraná. Até o fim da semana, os acumulados podem chegar ou ultrapassar 200 milímetros.
O Meteored destaca que esses volumes são considerados incomuns para o período e ressalta que o Índice de Previsão Extrema (EFI), utilizado pelo modelo ECMWF, indica elevada probabilidade de ocorrência de precipitações próximas ou superiores aos maiores registros históricos esperados para esta época do ano.
Diante desse cenário, a previsão aponta risco de granizo, ventos intensos, alagamentos e enxurradas. O Meteored orienta que a população acompanhe as atualizações da previsão do tempo e os alertas da Defesa Civil. Em caso de tempestades, a recomendação é procurar abrigo em local seguro, evitar a travessia de áreas alagadas e, em regiões suscetíveis a enchentes ou deslizamentos, manter um plano de evacuação. Em situações de emergência, os contatos são a Defesa Civil (199) e o Corpo de Bombeiros (193).
Segundo o Meteored, o fortalecimento do El Niño tem papel importante na configuração atmosférica atual. Embora sua influência direta ocorra sobre o Pacífico Central, o fenômeno altera a circulação global da atmosfera, modificando a posição de jatos de vento, sistemas de alta e baixa pressão e os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
O Meteored explica que, sobre a América do Sul, um Jato de Baixos Níveis excepcionalmente fortalecido, com ventos superiores a 150 km/h, transporta calor e umidade da Amazônia para a Região Sul. Ao mesmo tempo, um jato subtropical em altos níveis favorece a ascensão do ar, criando condições para a manutenção das tempestades.
Ainda de acordo com o Meteored, a interação entre esses sistemas intensifica os movimentos ascendentes da atmosfera e fortalece a organização das áreas de instabilidade. A passagem de frentes frias contribui para ampliar os volumes de chuva, enquanto um bloqueio atmosférico sobre o Sudeste do Brasil dificulta o deslocamento desses sistemas, mantendo as tempestades sobre as mesmas áreas por mais tempo.
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Podem ser beneficiados produtores e cooperativas – Foto: Divulgação
Uma nova possibilidade de renegociação de dívidas rurais entrou em vigor com a publicação de uma medida provisória voltada a produtores e cooperativas afetados por perdas de safra ou de renda. Segundo o advogado Fábio Lamonica Pereira, especialista em Direito Bancário e do Agronegócio, a MP 1.376/2026 autoriza linhas de crédito para liquidar ou amortizar operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural, com juros reduzidos e prazos alongados.
Podem ser beneficiados produtores e cooperativas que, entre 2019 e 2025, tenham registrado perdas em pelo menos duas safras, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada, comprovada por laudo técnico. A medida prevê condições mais favoráveis para quem perdeu três ou mais safras por eventos climáticos extremos, com queda de ao menos 40% da renda.
Entre as dívidas elegíveis estão operações de custeio, comercialização, industrialização e investimento contratadas até o fim de 2025, além de operações renegociadas, prorrogadas ou inadimplentes nos períodos definidos no texto. Ficam de fora débitos inscritos em Dívida Ativa da União e valores já quitados antes da publicação.
Na regra geral, os limites chegam a R$ 400 mil para o Pronaf, R$ 2 milhões para o Pronamp e R$ 4 milhões para os demais produtores, com taxas anuais de 6%, 9% e 12%. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos. Na condição excepcional, os tetos sobem e o prazo pode alcançar dez anos.
A contratação depende de regulamentação do Conselho Monetário Nacional e deve ocorrer em até 120 dias após a publicação. O principal ponto de atenção é a comprovação das perdas por laudo técnico. A orientação é reunir documentos, mapear as operações e procurar a instituição financeira, já que a vigência da medida depende de sua conversão em lei pelo Congresso Nacional.
O mercado físico do boi gordo registrou negociações mais aquecidas no decorrer da semana. Os frigoríficos estão mais atuantes na compra de gado para tentar ampliar suas escalas de abate.
Para o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, resta saber se a maior procura por gado conseguirá fazer com que a indústria trabalhe com um alongamento da programação.
“Isso porque as exportações destinadas à China perderam força, dado o esgotamento precoce da cota de embarques de 1,1 milhão de toneladas destinada ao Brasil neste ano”, contextualiza.
Tendências para os próximos meses
O coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, destaca que a tendêcia é que os preços da arroba se elevem de forma mais significativa a partir de setembro, com a indústria nacional se preparando para atender a cota chinesa em 2027.
“O atual momento de retomada parcial de preços dos últimos dias está mais associado a um movimento de oferta equilibrada e preparativos para atender à virada de quinzena no mercado doméstico na primeira quinzena de agosto”, destaca.
De acordo com ele, outros mercados têm participado mais ativamente de negociações com o Brasil para ampliar a compra de carne. “Não conseguem absorver o que China compra, mas devem ajudar a equilibrar um pouco mais a conta. O próprio mercado estadunidense deu um sinal favorável ao Brasil ao não aplicar tarifas adicionais à proteína brasileira, diferente do que aconteceu no ano passado”, relata.
Fabbri diz que o cenário aponta para a arroba do boi chegando próximo de R$ 370 no último trimestre, algo que o mercado futuro já aponta, com o contrato de janeiro de 2027 fechado em R$ 369,50 nesta sexta-feira (17).
Média da arroba do boi
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 16 de julho:
São Paulo (Capital): R$ 330, valor estável frente à última semana
Goiás (Goiânia): R$ 320, avanço de 1,59% frente aos R$ 315 do final da semana anterior
Minas Gerais (Uberaba): R$ 310, inalterado perante a semana anterior
Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 325, aumento de 1,56% frente aos R$ 320 registrados anteriormente
Mato Grosso (Cuiabá): R$ 320, sem mudanças frente ao valor praticado no fechamento da semana passada
Rondônia (Vilhena): R$ 310, declínio de 1,59% em relação aos R$ 315 anteriores
Mercado atacadista
O mercado atacadista se deparou com preços mistos durante a semana. Iglesias, de Safras & Mercado, ressalta que o ambiente de negócios aponta para uma menor sustentação das cotações no restante de julho à medida que o impacto da entrada dos salários na economia perde intensidade.
“Ao mesmo tempo, a carne bovina vem reduzindo sua competitividade frente às proteínas concorrentes, que voltam a demonstrar sinais de fragilidade, com destaque para a carne de frango”, assinala.
Quarto dianteiro: R$ 19,00 por quilo, queda de 5,00% frente aos R$ 20,00 praticados na semana passada
Quarto traseiro: R$ 26,00 por quilo, avanço de 1,96% frente aos R$ 25,50 da semana anterior
Exportações de carne
Foto: Pixabay
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 668,099 milhões em julho até o momento (8 dias úteis), com média diária de US$ 83,512 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 104,664 mil toneladas, com média diária de 13,083 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.382,20.
Em relação a julho de 2025, houve alta de 25% no valor médio diário da exportação, ganho de 8,7% na quantidade média diária exportada e avanço de 15% no preço médio.
O Brasil voltou ao centro da ofensiva comercial do governo Donald Trump. Depois de uma sequência de tarifas, recuos judiciais e novas investigações, produtos brasileiros passaram a enfrentar uma cobrança de 25% nos Estados Unidos.
Outra tarifa, de 12,5%, ainda pode ser acrescentada sob a alegação de utilização de trabalho forçado. Se as duas medidas forem acumuladas, a taxação poderá chegar a 37,5%.
Não se trata apenas de mais uma divergência comercial. Estamos diante de uma estratégia de pressão econômica sobre um país que ampliou seus parceiros, diversificou suas exportações e passou a depender menos do mercado norte-americano.
A cronologia mostra que a ofensiva não surgiu de uma única decisão. Ela foi construída em etapas. Quando uma base legal foi derrubada pela Justiça estadunidense, o governo Trump procurou outro instrumento para reconstruir a mesma barreira. Muda a justificativa jurídica. Permanece o objetivo político.
A conta pode chegar a 37,5%
A tarifa de 25%, somada aos possíveis 12,5%, poderá resultar em uma taxação total de 37,5% sobre parte das exportações brasileiras. É um patamar próximo dos 50% impostos em 2025 e posteriormente derrubados pela Justiça dos Estados Unidos.
O resultado é a criação de uma barreira capaz de retirar competitividade dos produtos brasileiros, reduzir encomendas, atingir empregos e comprometer investimentos.
Não se trata apenas de vender menos aos Estados Unidos. Trata-se de aumentar o custo de acesso ao mercado que mais consome no mundo.
Os impactos também tendem a ser desiguais dentro do próprio Brasil. Estados como São Paulo, Santa Catarina e Paraná, que concentram parcela importante das exportações brasileiras de maior valor agregado destinadas ao mercado norte-americano, poderão sentir os efeitos de forma mais intensa.
São bens industriais, máquinas, equipamentos, produtos químicos, autopeças e manufaturados que geram empregos qualificados, renda e arrecadação. Por isso, os efeitos das tarifas ultrapassam o comércio exterior e alcançam diretamente a atividade econômica desses estados.
Justificativa econômica não se sustenta
A investigação dos Estados Unidos afirma que o Brasil concederia tratamento preferencial a parceiros como México e Índia. Esse argumento ignora dois fatos fundamentais.
O primeiro é jurídico. O Brasil integra o Mercosul e está vinculado a um conjunto de acordos internacionais que disciplinam sua política comercial. Assim, qualquer concessão tarifária relevante depende das regras do bloco e não pode ser feita unilateralmente para atender à pressão de um único país sem ferir compromissos assumidos com os demais integrantes.
O segundo é econômico. Os Estados Unidos mantêm superávit na corrente de comércio com o Brasil. Em outras palavras, vendem mais aos brasileiros do que compram do Brasil.
Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: negociar o quê? Se o Brasil já registra déficit nessa relação comercial, não havia uma concessão econômica capaz de alterar substancialmente esse quadro.
Restaria apenas negociar aquilo que um país soberano não negocia: sua autonomia para definir sua política externa, seus parceiros comerciais e seus interesses nacionais. A nossa soberania, isso não.
É justamente por isso que essa disputa deixa de ser apenas comercial e passa a assumir um claro componente geopolítico.
Exceções revelam a verdade
A própria lista de produtos poupados das tarifas ajuda a compreender a estratégia de Trump. Café, carne bovina, suco de laranja, cacau, castanhas, minério de ferro, celulose, petróleo, aeronaves civis e ferro-gusa aparecem entre os itens protegidos ou parcialmente excluídos.
São produtos dos quais a economia norte-americana precisa. Os Estados Unidos não conseguem produzi-los internamente em volume suficiente ou dependem do fornecimento brasileiro para manter suas cadeias produtivas funcionando.
Por isso, Trump tarifa aquilo que pode, mas procura preservar o que poderia provocar inflação, desabastecimento ou aumento expressivo dos custos dentro dos próprios Estados Unidos.
As exceções demonstram que a medida não segue apenas critérios comerciais. Segue a conveniência política e estratégica americana.
O alvo é a autonomia brasileira
Nas últimas décadas, o Brasil ampliou fortemente suas relações comerciais com a Ásia, o Oriente Médio, a América Latina e a África.
A China tornou-se o principal destino das exportações brasileiras. A Índia ganhou importância. Outros mercados passaram a absorver produtos industriais e agropecuários antes concentrados em poucos compradores.
Essa diversificação é positiva para o Brasil, mas reduz a influência dos Estados Unidos sobre as decisões brasileiras. O tarifaço deve ser interpretado dentro desse contexto.
Trump procura recolocar o Brasil sob a órbita prioritária de Washington, limitando sua aproximação com outras potências e dificultando a construção de uma política externa mais independente.
Não é apenas uma discussão sobre tarifas. É uma disputa sobre alinhamento, influência e poder.
O agro também paga a conta
Parte importante dos produtos agropecuários brasileiros foi poupada. Isso não significa que o campo esteja protegido dos efeitos da disputa. A instabilidade comercial afeta preços, investimentos, crédito, câmbio, logística e decisões de produção.
Máquinas, equipamentos e tecnologias importadas podem ficar mais caros. Empresas ligadas ao setor podem rever projetos. O risco aumenta, e o custo do dinheiro acompanha esse movimento.
Além disso, tarifas podem desorganizar os fluxos internacionais de mercadorias, provocar redirecionamento de produtos e ampliar a volatilidade das commodities.
Mesmo quando a cobrança não atinge diretamente o produtor, seus efeitos acabam percorrendo toda a cadeia.
Resposta exige firmeza e prudência
O Brasil possui instrumentos para reagir, entre eles a Lei de Reciprocidade Econômica e os mecanismos de contestação da Organização Mundial do Comércio. Mas uma eventual retaliação precisa ser cuidadosamente calculada.
O objetivo não deve ser ampliar o conflito nem impor custos adicionais ao consumidor e ao produtor brasileiro. A resposta precisa atingir setores estratégicos, preservar os interesses nacionais e manter aberto o espaço para a negociação.
O Brasil não pode demonstrar submissão. Também não deve agir por impulso. Firmeza não significa imprudência.
O debate ultrapassa partidos, governos e disputas eleitorais. O produtor rural, o industrial, o exportador e o trabalhador brasileiro não são responsáveis pelas decisões do governo norte-americano.
O Brasil está sendo pressionado porque ampliou sua presença internacional, diversificou mercados e passou a exercer maior autonomia. Nossas divergências internas não podem ser transformadas em vantagem para quem tenta enfraquecer o país externamente.
É possível criticar o governo brasileiro e, ao mesmo tempo, defender os interesses do Brasil. Uma coisa não elimina a outra. Quando um país é alvo de uma pressão externa, governo e oposição continuam tendo diferenças. Mas, acima delas, existe algo maior: o interesse nacional.
O Brasil pode divergir internamente. O que não pode é enfrentar dividido uma ofensiva que mira toda a Nação.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
As exportações do Paraná somaram US$ 8,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado 5% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Os dados constam no Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (16), e mostram que o desempenho foi impulsionado principalmente pelo Complexo Soja e pelo setor de carnes.
Segundo o Deral, o Complexo Soja foi o principal responsável pelo avanço das receitas externas, com crescimento de 18% na comparação anual. O faturamento passou de US$ 3,05 bilhões, no primeiro semestre de 2025, para US$ 3,6 bilhões em igual período deste ano. O grupo de carnes, segundo maior segmento exportador do Estado, também apresentou expansão, com alta de 16% na receita. Juntos, os dois setores responderam por mais de 70% de toda a receita obtida com as exportações paranaenses.
O boletim aponta que o Complexo Soja, sozinho, representou 40,4% da receita total das exportações do Paraná entre janeiro e junho. A soja em grão liderou o desempenho, com US$ 2,43 bilhões em receitas, resultado 12,5% superior ao observado no mesmo período do ano passado.
O farelo de soja ocupou a segunda posição entre os produtos do complexo, acumulando US$ 659,4 milhões em exportações, também com crescimento superior a 12%. Já o óleo bruto de soja apresentou o maior avanço proporcional entre os principais itens exportados. A receita alcançou US$ 461,5 milhões no semestre, aumento superior a 73% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Apesar da elevação no faturamento, o volume total embarcado pelo Paraná registrou retração de 3%. Conforme o Deral, a redução está relacionada principalmente à menor quantidade exportada de milho, que permaneceu no mercado interno, além da queda nas exportações de produtos florestais e de açúcar.
Duas pessoas morreram após uma aeronave de pequeno porte cair em uma região rural entre Palmas e Lajeado, no Tocantins, na manhã deste sábado (18). As vítimas são o médico Ederson da Silva, de 68 anos, e a esposa dele, Roseli Amarilda Pechulo Silva, de 62.
O piloto, identificado como Hamilton Lopes da Conceição, foi encaminhado ao Hospital Geral de Palmas (HGP) e permanece sob cuidados médicos em estado considerado instável, conforme a Polícia Militar (PM). O avião decolou de um aeródromo na capital e seguia com destino ao município de Redenção, no sudeste do Pará.
De acordo com apuração do G1, testemunhas contaram que ouviram um “estalo” pouco depois da decolagem e o avião começou a perder altitude até colidir contra o solo.
O casal era proprietário do Hospital São Lucas, em Redenção. Segundo a PM, Roseli morreu no local do acidente, enquanto Ederson chegou a ser retirado das ferragens e recebeu os primeiros atendimentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos.
Em razão do risco de incêndio provocado pelo combustível, os bombeiros que atenderam a ocorrência estabeleceram uma linha preventiva de combate para garantir a segurança no local.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) ainda não divulgou as possíveis causas do acidente.
José e Lazara ao lado de Rosi e Raphael na Fazenda }Zé Pequeno
O que começou como a vontade de aproveitar melhor o leite produzido na propriedade da família acabou se transformando em um negócio milionário. Esta reportagem, escrita originalmente por Hildeberto Jr., foi uma das mais lidas da semana passada.
Há 12 anos, o casal Rosi Barbosa e Raphael Figueiredo fundou a fabricante de doce de leite Rocca, em Pouso Alegre (MG). Hoje, a empresa registra faturamento anual de R$ 24 milhões, produz cerca de 18 mil potes por dia, está presente em todo o Brasil e se prepara para iniciar as exportações.
Porém, a história começou muito antes da fábrica. Rosi pertence à quarta geração de uma família dedicada à produção de leite e cresceu acompanhando os pais, José e Lazara, na fazenda Zé Pequeno.
“Eu faço parte da quarta geração de produtores de leite da minha família e da primeira geração a transformar esse leite em doce de leite”, conta.
Na época, a realidade da propriedade era parecida com a de muitas fazendas leiteiras brasileiras. Os seis filhos do casal haviam deixado o campo, seguindo o movimento de êxodo rural, e José permanecia praticamente sozinho na atividade, produzindo cerca de 200 litros de leite por dia.
“Todos os filhos tinham saído da fazenda. Meu pai estava aqui sozinho com a minha mãe e a produção de leite estava bem baixinha”, relembra Rosi.
Um sonho que saiu do papel
Formada em Direito, Rosi nunca se identificou com a profissão. Em um evento de empreendedorismo, compartilhou com o marido um desejo antigo: produzir doce de leite usando o leite da fazenda.
A inspiração vinha da própria mãe, Lazara, que preparava o doce artesanalmente em tachos de cobre. Raphael, por outro lado, não tinha qualquer ligação com o meio rural. Natural de Belém (PA), formado em Engenharia de Telecomunicações e com carreira em multinacionais com sede em São Paulo, enxergou potencial no projeto.
“Eu tinha muita sede de empreender. Coloquei a ideia no papel e vi que era viável. Hoje sou produtor de leite também, mas há 13 anos eu não entendia absolutamente nada do meio rural”, lembra.
O objetivo do casal nunca foi apenas fabricar doces. A estratégia consistia em verticalizar a produção, deixando de vender apenas leite, uma commodity de margens apertadas, para comercializar um produto com maior valor agregado. “A ideia era verticalizar a produção da fazenda. Sempre quisemos construir uma marca forte”, explica Raphael.
Segundo Rosi, a empresa nasceu com uma proposta clara: produzir um doce de leite feito apenas com leite e açúcar, sem espessantes ou conservantes. “Nosso propósito sempre foi fazer um produto clean label. O nosso slogan é ‘Leite. Açúcar. Amor. Só.’”, destaca.
Ela conta que a decisão surgiu após perceber que boa parte dos doces de leite vendidos no mercado brasileiro havia perdido características tradicionais da receita mineira.
“O doce de leite argentino era muito valorizado, enquanto o brasileiro recebia espessantes, conservantes e outros aditivos. A gente queria resgatar o prazer de comer um doce de leite puro”, afirma.
Embora nunca tenham planejado atuar no segmento premium, a proposta acabou posicionando a Rocca entre as marcas de maior valor agregado do segmento. O produto ganhou identidade própria com um processo de fabricação mais lento, ingredientes naturais e uma marca pensada desde o início para ser reconhecida também fora do Brasil.
Faturamento milionário
Fábrica de doce leite / Foto: Divulgação – Rocca
No primeiro ano de funcionamento, a Rocca faturou cerca de R$ 200 mil, produzindo aproximadamente 18 mil potes de doce de leite. Hoje, essa quantidade é fabricada em apenas um dia. “Os 18 mil potes que fizemos no primeiro ano hoje são produzidos em apenas um dia”, revela Rosi.
Em 2025, a empresa encerrou o ano com R$ 24 milhões de faturamento, consolidando a marca em todo o território nacional.
Enquanto a indústria crescia, a produção de leite também precisou evoluir.Há cerca de cinco anos, o irmão de Rosi, Romero Barbosa, agrônomo, voltou para a fazenda e tornou-se sócio da operação leiteira.
A propriedade abandonou o sistema baseado em pastagens e passou a adotar confinamento em compost barn, além de investir em genética, inseminação artificial e transferência de embriões.
A produtividade média saltou de 12 litros para 35 litros de leite por vaca por dia. Atualmente, a fazenda conta com cerca de 83 animais, sendo 39 vacas em lactação, e toda a produção abastece exclusivamente a Rocca.
“Hoje a gente consegue ter um resultado melhor. A fazenda e a Rocca são negócios separados, mas 100% do leite produzido aqui é vendido para a fábrica”, explica Raphael.
Exportação é o próximo passo
Vacas holandesas da Fazenda Zé Pequeno/ Foto: Divulgação – Rocca
Presente em todos os estados brasileiros, a Rocca agora se prepara para dar um novo salto. A empresa está em processo de obtenção do Serviço de Inspeção Federal (SIF), certificação que permitirá exportar seus produtos.
Segundo Raphael, a companhia já participa de programas da ApexBrasil voltados à internacionalização e estuda mercados do Mercosul e de outros países. “A ambição de exportar sempre fez parte da empresa. Agora isso começa a se tornar um projeto concreto”, afirma.
Empresa reuniu a família
Para Rosi, um dos maiores legados da Rocca vai muito além do crescimento da empresa. O negócio também mudou a rotina da família e devolveu movimento à Fazenda Zé Pequeno.
Quando ela e Raphael decidiram transformar o leite produzido na propriedade em doce de leite, os pais, José e Lazara, já viviam praticamente sozinhos na fazenda. Como aconteceu com muitas famílias do campo, os seis filhos haviam deixado a propriedade em busca de oportunidades nas cidades.
“Quando voltamos, trouxemos vida para a fazenda. Hoje tudo acontece aqui dentro. Eu e o Rafa construímos nossa casa na propriedade, criamos nossos filhos aqui, meu irmão voltou para ser nosso sócio e meus pais convivem diariamente com toda a equipe. Eles dizem que a Rocca virou uma família para eles”, conta.
Ela afirma que os pais não apenas apoiaram o projeto desde o início, mas também foram fundamentais para que ele existisse.
“Sem o meu pai e sem a minha mãe não existiria a produção de leite. E sem o leite, não existiria a Rocca. Eles sempre nos apoiaram e continuam sendo uma inspiração todos os dias.”
Rosi também faz questão de destacar o papel do marido na construção da empresa. Segundo ela, o sonho de produzir doce de leite existia antes mesmo do negócio nascer, mas foi Raphael quem enxergou potencial para transformá-lo em realidade.
“Eu sempre digo que Deus colocou o Rafa no meu caminho. Foi ele quem pegou um sonho que estava dentro do meu coração e ajudou a colocar tudo no papel. No começo éramos só nós dois, sem funcionários, sem estrutura. Ter um parceiro ao lado fez toda a diferença. Quando um não estava bem, o outro sustentava. Foi assim que conseguimos construir a Rocca”, afirma.
Ela ressalta que, mesmo com o crescimento da empresa e a chegada de novos sócios e colaboradores, o sentimento de parceria permanece o mesmo.
“Hoje temos pessoas extremamente competentes trabalhando conosco, mas continuo me sentindo muito honrada por dividir esse projeto com alguém que acreditou nele desde o primeiro dia.”
Já Raphael acredita que o maior patrimônio construído pela família não é apenas a marca, mas a possibilidade de transmitir esse projeto para os filhos.
Segundo ele, trabalhar em família sempre foi o modelo de negócio em que mais acreditou. “Antigamente era comum ver a família inteira trabalhando no mesmo negócio. Um cuidava da produção, outro do atendimento, outro das entregas. É nisso que a gente acredita: crescer junto como família.”
Hoje, o casal já vê a quinta geração circulando pela fazenda. Os dois filhos ainda são pequenos, o mais velho tem apenas dois anos, mas Raphael espera que eles deem continuidade à história iniciada pelos avós e fortalecida pelos pais.
“Espero que eles também se envolvam com a fazenda e com os nossos negócios. Acho muito poderoso quando uma família trabalha unida. Deus abençoa as famílias. Poder construir a nossa aqui, na fazenda onde a Rosi nasceu, convivendo todos os dias com os meus sogros, com o Romero, com a Rosi e com os nossos filhos, é algo muito especial”, afirma.
Mais do que construir uma marca reconhecida nacionalmente, o casal diz que o maior orgulho é ter criado um negócio capaz de manter viva a tradição leiteira da família e, ao mesmo tempo, abrir caminho para que as próximas gerações continuem escrevendo essa história dentro da Fazenda Zé Pequeno.