Clima exige cautela na safra de algodão
A estimativa para a produção brasileira de algodão na safra 2025/26 foi mantida em 3,74 milhões de toneladas pela StoneX, conforme análise divulgada no relatório de março da consultoria. Apesar da manutenção da projeção, a empresa destaca que o ciclo ainda exige atenção devido às condições climáticas e ao estágio de desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras.
No Mato Grosso, principal produtor da fibra no país, o desenvolvimento das lavouras ainda é considerado inicial, embora apresente desempenho considerado satisfatório até o momento. A consultoria aponta que o comportamento das chuvas ao longo de abril será decisivo para a definição do rendimento das lavouras, especialmente nas áreas que tiveram plantio mais tardio.
Segundo Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o estágio atual das lavouras exige acompanhamento das condições climáticas nas próximas semanas. “O desenvolvimento ainda está em um estágio bastante incipiente em algumas regiões do Mato Grosso, o que faz com que o clima nas próximas semanas seja decisivo para consolidar o potencial produtivo da safra”, afirma. “As áreas plantadas mais tardiamente exigem atenção redobrada, pois são mais sensíveis a eventuais irregularidades climáticas.”
Na Bahia, o cenário climático apresenta condições mais favoráveis para a cultura. De acordo com a StoneX, os volumes de chuva registrados até o momento estão acima da média histórica, o que contribui para um estágio mais avançado de desenvolvimento das lavouras e sustenta a estimativa de produtividade no estado, projetada em 1,97 tonelada por hectare.
Bulascoschi afirma que o regime de chuvas tem favorecido o desempenho da cultura no estado. “Na Bahia, o clima tem colaborado de forma bastante positiva. As lavouras estão mais adiantadas e o bom regime de chuvas ajuda a tornar mais concreta a estimativa atual de produtividade”, destaca.
No mercado externo, a consultoria revisou a projeção de exportações brasileiras de algodão para 2026. Segundo o relatório de março da StoneX, os embarques estão estimados em 3,1 milhões de toneladas, volume 3,3% superior à estimativa divulgada em fevereiro. A revisão reflete a maior disponibilidade do produto após a colheita expressiva do ciclo anterior.
A consultoria também aponta expectativa de demanda mais elevada em mercados consumidores relevantes, como China e Paquistão, especialmente no primeiro semestre do próximo ano, o que pode favorecer o ritmo das exportações brasileiras. “A combinação entre uma oferta robusta e uma demanda internacional mais firme tende a sustentar um bom desempenho das exportações ao longo do primeiro semestre”, explica Bulascoschi. “Ainda assim, o mercado seguirá atento ao potencial produtivo da safra atual e a como isso pode influenciar o fluxo de embarques na segunda metade do ano.”
De acordo com a StoneX, o desempenho da produção ao longo do ciclo será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda e para a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional ao longo de 2026.

