Nesta quinta-feira, em São Paulo, foi lançada a 14ª edição da Semana Nacional da Carne Suína, um evento que reúne representantes da produção, indústria e varejo com o objetivo de fortalecer o consumo e ampliar as vendas dessa proteína no Brasil.
Objetivos da campanha
A ação deste ano conta com a participação de 21 redes de supermercados, incluindo grandes grupos nacionais e atacarejos. O principal objetivo é promover a carne suína entre os consumidores, através de uma estratégia de educação e aproximação no varejo.
Impacto no consumo
Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos, a campanha busca aumentar a demanda e equilibrar os preços da carne suína, que atualmente apresenta um consumo médio de 20 kg per capita, um aumento significativo em relação aos 13 kg registrados há 16 anos.
Desafios e oportunidades
Um dos desafios enfrentados é combater preconceitos relacionados à proteína, investindo em formação e informação para os consumidores. A expectativa do setor é de um aumento nas vendas durante a campanha, com variações regionais significativas, como um crescimento de até 200% no Nordeste.
Estratégia de mercado
A estratégia do varejo inclui capacitação das equipes e apresentação dos produtos ao consumidor, destacando a carne suína como uma opção acessível e versátil. A procura por cortes mais magros e produtos práticos também tem crescido, refletindo as preferências dos consumidores.
A Serra Catarinense, localizada em Bom Jardim da Serra, registrou a menor temperatura do ano, com -5,6ºC, durante o amanhecer gelado desta sexta-feira. A formação de geada criou um tapete de gelo sobre a vegetação da região.
Tendência de queda na intensidade do frio
De acordo com o meteorologista Artur Miller, a tendência é que a intensidade do frio diminua, embora ainda haja risco de geada ao longo do dia. Os dados da Epagri indicam que outras áreas de baixada em Santa Catarina também enfrentaram temperaturas negativas, como Caçador, que registrou mínima de -3ºC.
Previsão para o final de semana
O amanhecer gelado deve se estender para o Rio Grande do Sul, especialmente na Serra Gaúcha. A previsão é de que a temperatura comece a subir lentamente a partir do final de semana, com a possibilidade de chuvas leves na Serra Catarinense e na Serra Gaúcha. A chuva, no entanto, não deve ser significativa e pode ocorrer em forma de garoa.
Impactos nas regiões produtoras
Enquanto isso, no Centro-Oeste, a falta de chuvas tem preocupado os produtores, especialmente na região de Matopiba, onde as lavouras estão em fase de enchimento de grãos. A previsão é de que a primeira semana de junho traga um pulso de frio mais intenso, que poderá romper o padrão de tempo quente e seco, trazendo chuvas para a região.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou, nesta quinta-feira (21), a liberação de cerca de R$ 2,4 milhões para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no Distrito Federal e entregou dois kits de maquinários do Programa Mecaniza+. Os atos ocorreram durante a AgroBrasília, em Brasília (DF), e envolvem entidades da agricultura familiar. Segundo a companhia, os recursos serão aplicados na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS).
De acordo com a Conab, os dois kits de máquinas foram destinados à Associação dos Produtores Rurais do Núcleo Rural Sete Estrelas, em Ceilândia, e à Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Acampamento Noelton Angélico (ATTRAN), em Brazlândia. A estimativa informada pela estatal é de atendimento a cerca de 140 famílias de produtores rurais.
No caso do PAA, a assinatura dos Termos de Pactuação da Agricultura Familiar (TPAF) viabiliza aproximadamente R$ 2,4 milhões em recursos provenientes de emendas parlamentares. O montante será direcionado à execução da modalidade CDS, pela qual alimentos comprados da agricultura familiar são repassados a entidades socioassistenciais, como cozinhas solidárias e restaurantes populares.
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Ao todo, 13 entidades da agricultura familiar foram incluídas nessa etapa, entre associações e cooperativas do Distrito Federal ligadas à produção agroecológica, assentamentos e reforma agrária. A Conab não detalhou, no material divulgado, o valor individual por entidade nem o cronograma operacional de entrega dos alimentos.
Segundo a superintendente regional da Conab no Distrito Federal, Regina Santos, os recursos reforçam a continuidade das ações de compra pública de alimentos e de apoio à mecanização. Na prática, a combinação entre aquisição institucional e acesso a equipamentos pode ampliar a capacidade operacional de pequenos produtores, reduzir etapas manuais do trabalho e dar escala à oferta destinada a programas públicos.
Durante a AgroBrasília, a companhia também apresentou ações ligadas ao Programa de Venda em Balcão (ProVB), ao Programa Arroz da Gente e às políticas de armazenagem, além de oficinas sobre mini colheitadeiras e outros equipamentos.
A execução dos recursos do PAA e o uso dos maquinários passam agora pela operacionalização das entidades beneficiadas e pelo andamento dos termos assinados. Sem detalhamento oficial sobre prazos e metas físicas, o efeito prático deverá ser acompanhado pela entrega dos alimentos, pela adesão das associações e pela incorporação das máquinas à rotina produtiva.
A Bolsa de Cereais de Buenos Aires elevou nesta quinta-feira (21) sua estimativa para a produção de soja da Argentina na safra 2025/26, de 48,6 milhões para 50,1 milhões de toneladas. A revisão ocorreu após análise com sensores remotos, que também levou a entidade a reduzir a área cultivada de 17,2 milhões para 16,8 milhões de hectares. Segundo a bolsa, o ajuste foi compensado por rendimentos acima da média em ampla parte da área agrícola.
De acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a área de soja ficou 9% abaixo da safra passada e 1,3% menor que a média das últimas cinco campanhas. Ainda assim, a produtividade média nacional foi estimada em 3,28 toneladas por hectare, o maior nível das últimas seis temporadas.
A colheita da oleaginosa avançou 17 pontos porcentuais na última semana e atingiu 74,7% da área apta. O ritmo indica avanço acelerado dos trabalhos em relação ao milho, cuja colheita segue mais lenta no país.
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Para o cereal, a bolsa também revisou para cima sua projeção de produção em 2025/26, de 61 milhões para 64 milhões de toneladas. A área semeada foi ajustada em 300 mil hectares, para 8,4 milhões de hectares, enquanto o rendimento médio nacional foi estimado em 8,48 toneladas por hectare.
A colheita de milho alcançou 32,9% da área apta, com avanço semanal de 0,9 ponto porcentual. Segundo a entidade, os trabalhos continuam lentos porque os agricultores estão priorizando a retirada da soja em grande parte da região agrícola.
As revisões na Argentina são acompanhadas pelo mercado por envolverem um dos principais produtores e exportadores globais de soja e milho. Com produção maior, a oferta regional de grãos ganha novo parâmetro para formação de preços e fluxo comercial. A dimensão desse efeito sobre as cotações dependerá da evolução da colheita, da qualidade final dos grãos e das condições de comercialização nos próximos relatórios.
No curto prazo, o mercado deve seguir atento ao avanço da colheita e a eventuais novos ajustes de produtividade e área. Até o momento, os dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicam cenário de oferta mais robusta na Argentina, embora ainda dependente da consolidação dos trabalhos de campo.
O mercado brasileiro de soja teve uma sessão de pouca movimentação nesta quinta-feira (21), marcada por preços mistos e baixa liquidez nas negociações. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o dia foi de atuação limitada dos compradores e vendedores, sem registro de volumes expressivos comercializados.
As negociações no mercado interno ocorreram apenas de forma pontual, enquanto nos portos o fluxo também foi moderado. A liquidez já está concentrada nos embarques programados para junho, já que a janela de negócios para maio praticamente se encerrou.
No cenário externo, a Bolsa de Chicago operou próxima da estabilidade, com leve queda nos contratos futuros da soja. O dólar e os prêmios de exportação também oscilaram pouco ao longo do dia, contribuindo para um comportamento lateralizado do mercado brasileiro.
Além do bom desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, que reforça a expectativa de uma safra cheia, os investidores acompanham as discussões envolvendo um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, além da expectativa por detalhes do acordo comercial entre americanos e chineses para compra de produtos agrícolas.
Preços de soja no Brasil
Passo Fundo (RS): desceu de R$ 124,00 para R$ 123,50
Santa Rosa (RS): desceu de R$ 125,00 para R$ 124,50
Cascavel (PR): manteve em R$ 119,00
Rondonópolis (MT): subiu de R$ 109,00 para R$ 110,00
Dourados (MS): subiu de R$ 113,00 para R$ 113,50
Rio Verde (GO): manteve em R$ 112,00
Paranaguá (PR): manteve em R$ 130,00
Rio Grande (RS): desceu de R$ 130,00 para R$ 129,50
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta quinta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O mercado foi pressionado pelo bom desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, encaminhando uma safra cheia. Às vésperas do final de semana prolongado – segunda é feriado local -, os participantes também optaram por posicionar suas carteiras.
Além do clima, dois pontos motivam incertezas entre os agentes. O primeiro deles é a questão envolvendo um possível acordo para o fim do conflito no Oriente Médio, entre Estados Unidos e Irã. Perto do fechamento da sessão de hoje, a informação que dominava o noticiário era de que os dois países haviam chegado a um acordo preliminar, o que fez o petróleo mudar de direção e passar a recuar.
O mercado aguarda ainda dados mais detalhados sobre o acordo fechado no início da semana entre os governos norte-americano e chinês para a compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos pelo país asiático.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 5,50 centavos de dólar, ou 0,45%, a US$ 11,94 1/4 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 11,93 1/2 por bushel, com retração de 5,75 centavos de dólar ou 0,47%.
Subprodutos
Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com baixa de US$ 2,50 ou 0,75% a US$ 328,40 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 73,87 centavos de dólar, com perda de 0,79 centavo ou 1,05%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,04%, sendo negociado a R$ 5,0006 para venda e a R$ 4,9986 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9827 e a máxima de R$ 5,0192.
A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) celebra a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei 715/2023, que estabelece novas regras para a contratação de trabalhadores safristas e garante que esses profissionais possam atuar em contratos temporários durante os períodos de safra sem perder o acesso aos benefícios sociais.
A medida representa um avanço importante para a fruticultura brasileira, atividade reconhecida por sua alta intensidade de mão de obra e pela necessidade de contratações sazonais em diferentes etapas da produção, principalmente nos períodos de colheita e pós-colheita.
O setor enfrenta, há anos, desafios relacionados à disponibilidade de trabalhadores, informalidade e insegurança jurídica nas contratações temporárias, fatores que impactam diretamente o planejamento das operações e a competitividade da cadeia produtiva.
De autoria do deputado Zé Vitor (PL-MG), o texto permite que trabalhadores sejam contratados para atividades sazonais sem perda dos benefícios sociais, trazendo mais previsibilidade tanto para o produtor quanto para o trabalhador rural.
Para o diretor técnico da Abrafrutas, Edson Brok, a aprovação do projeto atende uma demanda histórica do setor e contribui para modernizar as relações de trabalho no campo.
“A fruticultura é uma atividade intensiva em mão de obra e possui características muito específicas, com forte necessidade de trabalhadores em determinados períodos do ciclo produtivo. Essa aprovação traz mais segurança jurídica, reduz a informalidade e cria condições para que o produtor consiga planejar melhor suas operações”, afirma.
Brok destaca ainda que a medida beneficia toda a cadeia produtiva. “É um avanço importante porque permite conciliar a necessidade do setor com a proteção social ao trabalhador. O produtor ganha previsibilidade e o trabalhador pode atuar nas safras sem perder benefícios, fortalecendo o emprego e a produção no campo”, ressalta.
Vale lembrar que a regulamentação das contratações safristas esteve entre as demandas apresentadas pelo setor produtivo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do atual mandato, durante encontro com representantes da fruticultura. Na ocasião, lideranças do setor destacaram a necessidade de mecanismos que ampliassem a segurança jurídica e modernizassem as relações trabalhistas no campo.
A pauta ganha ainda mais relevância para a fruticultura, uma das atividades agrícolas que mais geram empregos no país e possuem maior demanda por mão de obra sazonal. De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a fruticultura emprega aproximadamente 5 milhões de trabalhadores ao longo de toda a cadeia produtiva, o que equivale a 16% de toda a força de trabalho do agronegócio.
Com a aprovação do PL 715/2023, o setor avalia que o país avança para um ambiente mais moderno, competitivo e alinhado às necessidades da produção agropecuária brasileira.
O dólar perdeu força ao longo desta quinta-feira (21) e encerrou o pregão cotado a R$ 5,0012, em baixa de 0,04%, após tocar mínima de R$ 4,9833. O movimento ocorreu em meio à redução da aversão global ao risco, depois de informações sobre um possível entendimento entre Estados Unidos e Irã. Na semana, a moeda acumula queda de 1,31%, mas ainda sobe 0,98% em maio.
Segundo relatos da plataforma Al Arabiya, sediada nos Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Irã estariam próximos de um entendimento preliminar mediado pelo Paquistão. A expectativa de cessar-fogo e de liberação do tráfego pelo Estreito de Ormuz reduziu parte da pressão nos mercados internacionais ao longo da tarde.
Pela manhã, o ambiente havia sido mais cauteloso. Dados fortes de atividade nos Estados Unidos e informações contraditórias sobre as negociações de paz pesaram sobre moedas emergentes. Nesse contexto, o petróleo chegou a subir cerca de 3%, antes de inverter o sinal. O Brent para julho, referência para a Petrobras, fechou em baixa de 2,32%, a US$ 102,58 por barril.
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o alívio externo, especialmente nos juros longos dos Estados Unidos, ajudou a conter a força global do dólar. Ainda assim, ele afirmou que as informações disponíveis até o momento são insuficientes para sustentar uma melhora mais ampla do apetite ao risco.
O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, afirmou que investidores vinham realizando lucros em moedas emergentes após a alta recente dos juros globais. Segundo ele, um eventual acordo pode reduzir o risco inflacionário ligado à energia e favorecer moedas como o real.
Para o agronegócio, o câmbio segue como variável central. A cotação do dólar influencia a competitividade das exportações de soja, milho, carnes, açúcar e café, ao mesmo tempo em que afeta os custos de fertilizantes, defensivos, combustíveis e outros insumos dolarizados. Oscilações no petróleo também têm impacto sobre frete, energia e custos operacionais da cadeia produtiva.
O cenário de curto prazo permanece condicionado às definições sobre o entendimento entre Estados Unidos e Irã, ao comportamento do petróleo e à trajetória dos juros americanos. Sem detalhes consolidados sobre o eventual acordo, o mercado deve seguir sensível a novas informações externas e ao efeito do câmbio sobre preços e custos no setor produtivo.
A consultoria Canaplan projetou moagem entre 631,4 milhões e 639,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul na safra 2026/27. As estimativas foram apresentadas nesta quinta-feira (21), durante a abertura da safra promovida pela Canaoeste, em Sertãozinho (SP). O cenário considera produtividade média próxima de 77 toneladas por hectare e produção de açúcar ao redor de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Canaplan, a nova temporada será influenciada por uma combinação de fatores produtivos e econômicos. Entre eles estão a pressão climática sobre os canaviais, os custos elevados de produção e a volatilidade nos mercados globais de energia e alimentos. A consultoria também apontou juros elevados, instabilidade geopolítica e oscilações no mercado internacional como elementos de risco para o setor.
Em nota, o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, afirmou que os preços de fertilizantes, a logística internacional e os impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre o petróleo e a inflação global estão entre os pontos de atenção. Esses fatores interferem no custo operacional das usinas e na formação de preços ao longo da safra.
No campo, a consultoria alertou para os efeitos do clima irregular no Centro-Sul. De acordo com Carvalho, há preocupação com fenômenos como florescimento, isoporização e atraso no desenvolvimento da cultura, condições que podem comprometer a produtividade e a qualidade da matéria-prima. A Canaplan não detalhou, no material divulgado, volumes de chuva, recorte regional por estado ou comparação com a safra anterior.
As projeções também indicam maior dependência do mix alcooleiro. Nesse contexto, o comportamento do petróleo tende a ganhar peso na precificação do açúcar e do etanol, com reflexos sobre a estratégia industrial das usinas entre a produção de combustível e de adoçante.
Na avaliação da Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Sertãozinho (Canaoeste), o início da safra ocorre em ambiente de margem mais estreita. O diretor executivo da entidade, Almir Torcato, afirmou que o setor opera com custos elevados e preços pressionados, o que exige maior atenção à gestão operacional.
As projeções para 2026/27 mostram uma safra ainda volumosa no Centro-Sul, mas condicionada à evolução do clima e dos custos ao longo do ciclo. Sem detalhamento adicional sobre chuvas, produtividade por região e ritmo de colheita, a consolidação desse cenário dependerá do comportamento agronômico dos canaviais e da dinâmica dos mercados de açúcar, etanol e energia.
Foto: Carolina Motoki/Assembleia Legislativa do Estado do Pará
Da floresta para a agroindústria, o babaçu deixou de ser apenas um recurso de subsistência para se tornar símbolo de empreendedorismo, valorização cultural e geração de renda em comunidades quilombolas do Maranhão. Uma iniciativa apoiada pela Embrapa mostra como a bioeconomia pode unir tradição, sustentabilidade e desenvolvimento social.
A experiência acontece na comunidade quilombola de Pedrinhas, onde mulheres quebradeiras de coco se organizaram para criar uma agroindústria baseada no aproveitamento integral do babaçu.
A presidente do Clube de Mães, Maria José Machado conta que a associação surgiu em 1989 como um clube de mães formado por mulheres quebradeiras de coco. Atualmente, cerca de 15 trabalhadoras atuam na produção de alimentos e derivados do babaçu, transformando um saber tradicional em atividade econômica sustentável.
Entre os produtos desenvolvidos estão sorvetes, bolos, pães, biscoitos, pudins e até hambúrgueres feitos a partir do babaçu.
Tradição passada entre gerações
O trabalho com o babaçu atravessa gerações e carrega forte valor afetivo e cultural. Muitas das mulheres aprenderam a quebrar coco ainda na infância, acompanhando as mães no trabalho no mato.
A gestora da Agroindústria Clube de Mães, Antônia Vieira relata que, antigamente, o coco tinha pouco valor comercial e era usado principalmente em trocas por alimentos básicos, como arroz e feijão. Hoje, ela vê uma mudança significativa no reconhecimento do produto e da profissão.
“Fui criada através do babaçu, a minha mãe era quebradeira de coco. Eu me sinto muito orgulhosa. Todos os lugares que eu chego me apresento como quebradeira de coco, porque eu sou uma quebradeira de coco”, destaca.
Além da geração de renda, a atividade representa autonomia financeira para as mulheres da comunidade, que passaram a depender menos de trabalhos domésticos em outras casas para sustentar as famílias.
Pesquisa e capacitação ampliaram produção
O crescimento da agroindústria ocorreu a partir de cursos de capacitação promovidos pelo Sebrae e do apoio técnico da Embrapa.
Entre as inovações estão leite e queijo vegetal de babaçu, além de versões veganas de alimentos tradicionais. Segundo as trabalhadoras, as oficinas e pesquisas ajudaram a melhorar a qualidade dos produtos e ampliar a renda da comunidade.
Hoje, a agroindústria possui o selo quilombola e o selo “Gosto do Maranhão”, certificações que valorizam a produção artesanal e fortalecem a identidade regional dos alimentos.
Artesanato e sustentabilidade
O aproveitamento do babaçu vai além da alimentação. A palha, antes utilizada apenas para cobrir casas, passou a ser transformada em artesanato.
Flores decorativas, cestos e outros itens são produzidos pelas mulheres e utilizados inclusive na apresentação dos produtos em feiras e eventos. A iniciativa reforça o conceito de bioeconomia ao utilizar recursos naturais de maneira sustentável e com geração de valor local.
Futuro e expansão
A associação também busca envolver jovens e adolescentes da comunidade no trabalho da agroindústria, garantindo continuidade ao conhecimento tradicional e fortalecendo a economia local.
O grande sonho das produtoras é ver os produtos de Pedrinhas chegando aos supermercados de cidades maiores, como São Luís. “Meu sonho é entrar num supermercado e ver nossos produtos lá”, diz Maria José.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, participa nesta sexta-feira (22), às 14h, do lançamento do espaço do Hub de Inovação do Armazém 7, no Porto de Santos, em Santos (SP). A agenda também prevê visita às obras de revitalização do Armazém 3, acompanhamento da reflutuação do Navio Professor Besnard e navegação pelo canal do porto. O ministro estará acompanhado do presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini.
Segundo aviso de pauta divulgado pelo Ministério de Portos e Aeroportos nesta quinta-feira (21), o evento será realizado no Armazém 7 do Parque Valongo, na Praça Visconde de Mauá, no Centro de Santos. A programação oficial informa ainda uma vistoria no canal do complexo portuário para acompanhar o resultado do investimento na expansão do terminal da DP World.
A Autoridade Portuária de Santos disponibilizará uma lancha para jornalistas e cinegrafistas às 13h30, no Parque Valongo, para cobertura da visita pelo canal. A chegada das autoridades está prevista para as 14h. Após o lançamento do espaço no Armazém 7, o ministro deverá conceder entrevista coletiva ao lado do embarque das lanchas que fazem a travessia Santos–Vicente de Carvalho.
O Porto de Santos tem relevância logística para o agronegócio brasileiro por concentrar embarques de cargas destinadas ao comércio exterior, incluindo produtos agropecuários e insumos. No entanto, o material divulgado pela pasta não detalha, até o momento, valores do hub de inovação, metas operacionais, cronograma de execução, indicadores de capacidade ou efeitos diretos sobre a movimentação de cargas.
Também não foram informados, no aviso de pauta, os objetivos técnicos do novo espaço de inovação nem eventuais projetos voltados à digitalização, eficiência operacional ou integração logística. Esses pontos devem ser esclarecidos durante o evento e na coletiva prevista para esta sexta-feira (22).
A agenda concentra temas de infraestrutura, operação portuária e modernização do complexo de Santos, ponto estratégico para cadeias exportadoras. Como ainda não há dados oficiais sobre investimento, capacidade adicional ou impacto logístico, uma avaliação técnica mais precisa dependerá das informações que forem apresentadas durante o evento.