Na próxima terça-feira (7), por volta das 9h, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) enfrentará um protesto do setor produtivo da cana-de-açúcar.
Caravanas de várias cidades da Zona da Mata são esperadas na mobilização que está sendo organizada pela Associação de fornecedores de cana de Pernambuco (AFCP) e pelo Sindicato dos Cultivadores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco (Sindicape).
O segmento enfrenta uma crise derivada da safra recém finalizada, com queda no preço da cana em decorrência do tarifaço dos Estados Unidos sobre o açúcar e etanol brasileiros.
Em relação ao novo ciclo, o governo estadual já anunciou socorro emergencial com fertilizantes para auxiliar os agricultores a investirem na nova safra com a manutenção dos milhares de empregos da Zona da Mata.
“O problema é que deputados de oposição se recusam a votar o orçamento anual (LOA) com mudanças sugeridas pela governadora Raquel Lyra, mesmo após várias reuniões conosco. Sem a LOA aprovada, o governo fica impedido e nada de fertilizante em pleno tempo agrícola para a realização do plantio, ameaçando a próxima safra e os empregos”, criticam Alexandre Andrade Lima e Gerson Carneiro Leão, presidentes da AFCP e do Sindicape.
O mercado brasileiro de soja encerrou o mês de março com preços mistos no físico. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, os melhores momentos do dia foram registrados pela manhã, com ofertas mais atrativas.
Depois, com a divulgação do relatório do USDA, Chicago subiu e abriu algumas oportunidades. No entanto, o cenário mudou ao longo do dia. Os prêmios começaram a corrigir, junto com a queda mais firme do dólar, o que acabou deixando as cotações sem direção única.
Nos portos, houve pouco reporte de grandes movimentações, enquanto no mercado interno os negócios ocorreram em ritmo moderado ao longo do dia.
Preços de soja no Brasil
Passo Fundo (RS): subiu de R$ 124,00 para R$ 124,50
Santa Rosa (RS): subiu de R$ 125,00 para R$ 125,50
Cascavel (PR): manteve em R$ 120,00
Rondonópolis (MT): subiu de R$ 108,00 para R$ 112,00
Dourados (MS): manteve em R$ 113,00
Rio Verde (GO): desceu de R$ 110,00 para R$ 109,00
Paranaguá (PR): manteve-se em R$ 130,00
Rio Grande (RS): subiu de R$ 130,00 para R$ 130,50
Soja no mercado internacional
No mercado internacional, os contratos futuros da soja fecharam em alta na Bolsa de Chicago, reagindo ao relatório de intenção de plantio divulgado pelo USDA. A área plantada nos Estados Unidos em 2026 foi estimada em 84,7 milhões de acres, número abaixo da expectativa do mercado, que projetava 85,55 milhões.
Se confirmada, a área será 4% superior à do ano passado, quando foram cultivados 81,225 milhões de acres. O número também ficou abaixo da estimativa divulgada no Fórum Anual do USDA em fevereiro, de 85 milhões de acres. Em 20 dos 29 estados produtores, a área aumentou ou permaneceu estável.
Já os estoques trimestrais de soja, na posição de 1º de março, foram estimados em 2,10 bilhões de bushels, alta de 10% na comparação anual e acima da expectativa do mercado, de 2,08 bilhões.
Contratos futuros de soja
Os contratos com entrega em maio fecharam com alta de 11,25 centavos de dólar, ou 0,97%, a US$ 11,71 por bushel. A posição julho avançou 11,00 centavos, ou 0,93%, a US$ 11,86.
Entre os subprodutos, o farelo para maio subiu US$ 1,50, ou 0,47%, para US$ 316,40 por tonelada. Já o óleo de soja com vencimento em maio fechou a 678,88 centavos de dólar, com ganho de 0,59%.
Câmbio
No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em queda de 1,25%, cotado a R$ 5,1800 para venda e R$ 5,1780 para compra. Durante a sessão, a moeda variou entre R$ 5,1790 e R$ 5,2365. No acumulado de março, houve alta de 0,91%, enquanto no trimestre foi registrada queda de 5,61%.
O quadro “Dicas do Scoton”, no Giro do Boi desta terça-feira (31), trouxe um alerta vital para a saúde financeira da pecuária intensiva. O confinamento é, antes de tudo, uma indústria de precisão onde a comida representa o segundo maior custo da operação, podendo chegar a 85% dos gastos totais, segundo o Índice de Custo de Bovinos Confinados (ICBC/USP).
Para manter o negócio saudável, a gestão rigorosa da dieta e o monitoramento da Curva de Consumo de Matéria Seca (CMS) são as únicas garantias de que o lucro projetado não se perca por falhas no cocho. O erro mais comum no confinamento moderno é basear a gestão apenas na média geral de consumo, uma variável dinâmica que depende diretamente do tempo de cocho e da categoria animal.
O controle diário e o “ajuste fino” da dieta permitem uma intervenção cirúrgica lote a lote, transformando dados em dinheiro no caixa. O veredito para o produtor é claro: o confinamento em 2026 exige um painel de controle que correlacione o que o boi come com o tempo de sistema. Utilizar gráficos de dispersão e ciência de dados permite identificar currais problemáticos antes que eles gerem prejuízo.
O “olhômetro” custa caro e não sobrevive à pressão por margens em tempos de mercado instável. O lucro na engorda intensiva só se realiza se a gestão nutricional for um compromisso diário. “Gerar informação, analisar e reverter em melhoria contínua é o que garante a sua margem”, afirma o especialista.
A edição da Medida Provisória nº 1343/2026, que propõe, nas palavras do ministro Renan Filho, o “aperfeiçoamento da Política Nacional de Pisos Mínimos de Frete”, nos leva a refletir sobre os limites da intervenção do Estado na formação de preços.
Ainda que a medida tenha um caráter social, ao buscar proteger determinado elo da cadeia produtiva, seus efeitos práticos recaem diretamente sobre relações comerciais privadas, impactando custos logísticos em um cenário instável e imprevisível, agravado pela geopolítica internacional.
Não se trata de questionar o papel do Estado em corrigir eventuais assimetrias de poder de negociação. Intervenções dessa natureza exigem cautela, sob pena de produzirem efeitos contrários aos pretendidos.
Ao invés de promover equilíbrio, tais intervenções são capazes de gerar distorções ao aumentar a imprevisibilidade regulatória, desencadeando impactos negativos na cadeia, fato preocupante quando falamos de um setor que responde por cerca de 25% do PIB nacional e quase 30 milhões de empregos diretos e indiretos.
É certo que o contexto internacional agrava esse cenário. Tensões geopolíticas, como a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, pressionam os preços dos combustíveis, um insumo essencial para o agronegócio. Produtores rurais já lidam com elevação de custos de produção e crédito mais caro.
Em um ambiente de tamanha volatilidade, no qual já se cogita inclusive o risco de desabastecimento de diesel, com potenciais efeitos sobre a colheita da safra atual e o plantio da safra de inverno, a regulação adicional do frete tende a comprimir ainda mais as margens já estreitas, reduzindo a competitividade da produção nacional.
Os efeitos não se restringem à cadeia produtiva. O aumento de custos inevitavelmente será transmitido ao consumidor final. Não apenas commodities voltadas à exportação são impactadas, mas também produtos essenciais ao consumo doméstico, como arroz e feijão, o que implicará em pressão inflacionária adicional, com impactos diretos sobre o custo de vida da população.
No agronegócio, decisões de investimento são estruturadas com base em horizontes de médio e longo prazo. Plantio, expansão de área, aquisição de maquinário e investimentos em tecnologia dependem de segurança jurídica e previsibilidade regulatória. Na ausência desses elementos, o efeito pode ser a retração de investimentos, ou, em casos mais extremos, a própria decisão de simplesmente não produzir.
Em cenários como o atual, existem instrumentos mais eficientes para lidar com desequilíbrios de mercado sem comprometer sua dinâmica. O fortalecimento do seguro rural e a ampliação do acesso ao crédito são exemplos relevantes.
Da mesma forma, políticas de apoio à renda podem se mostrar mais eficazes, sobretudo em contextos de elevada volatilidade. A discussão sobre pisos mínimos é uma discussão sobre equilíbrio. A competitividade do agronegócio brasileiro depende de escala e eficiência, seja para abastecer o mercado interno, seja para competir globalmente. E escala e eficiência pressupõem, necessariamente, um ambiente regulatório estável, previsível e confiável.
Intervenções pontuais podem ser necessárias para preservar esse equilíbrio. No entanto, quando mal calculadas, correm o risco de comprometer exatamente o que pretendem proteger.
Não se fortalece uma cadeia produtiva fragilizando um ou mais elos, seja o produtor, o transportador, o exportador ou, em última instância, o consumidor que, nesse ano, é o próprio eleitor.
*Karina Tiezzi é gerente de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e consultora em relações governamentais. Atuou como assessora legislativa na Câmara dos Deputados, participou da tramitação de proposições de destaque para o agronegócio, como a chamada MP do Agro e a Lei Geral do Licenciamento Ambiental
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
A partir de abril, o crédito rural no Brasil entra em uma nova fase, mais técnica, mais rigorosa e, na prática, mais restritiva. O que antes era basicamente uma análise documental passa a incorporar critérios ambientais, cruzamento de dados e monitoramento por satélite, elevando o nível de exigência para o produtor acessar recursos.
No centro dessas mudanças está a consolidação de regras do Conselho Monetário Nacional (CMN) que tornam obrigatória a validação das informações ambientais das propriedades, especialmente por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de dados de satélite do Prodes, do INPE. Não basta mais declarar conformidade: será preciso comprová-la.
O crédito deixou de ser declaratório, agora é auditável.
Na prática, imóveis com inconsistências ambientais ou pendências cadastrais podem ter o financiamento bloqueado. A exigência começa a valer de forma mais efetiva agora e tende a se ampliar.
O problema é que a realidade no campo está longe de ser tão simples quanto a regra no papel.
Em regiões estratégicas, especialmente na franja do bioma amazônico, há milhares de produtores que fizeram tudo dentro da lei, mas não conseguem comprovar essa regularidade. Não por descumprimento, mas por falhas do próprio Estado. Processos de regularização fundiária travados, análise do CAR que não avança, sobreposição de cadastros e uma burocracia que se arrasta por anos.
O produtor cumpre a lei, mas o sistema não cumpre o produtor.
O resultado é perverso: quem deveria estar apto ao crédito acaba excluído por entraves administrativos que não controla. E, nesse novo modelo, sem regularidade comprovada, não há financiamento.
Essa mudança ocorre em um momento já delicado. O crédito rural vem se tornando mais escasso, com aumento da inadimplência e maior cautela por parte dos bancos.
Mais exigência em um cenário de menos dinheiro disponível.
Além disso, o sistema financeiro também endureceu. Com maior percepção de risco, os bancos passaram a exigir mais garantias e reduzir a exposição ao crédito rural, tornando o acesso ainda mais seletivo.
Para o produtor, isso representa uma mudança estrutural. A produtividade já não garante acesso ao financiamento. A nova regra é clara: é preciso estar regular no papel — mesmo quando o próprio Estado não entrega esse papel.
No novo agro financeiro, produzir bem já não basta, é preciso vencer a burocracia.
Entidades do setor alertam que essas exigências podem aprofundar desigualdades regionais, penalizando justamente áreas de expansão agrícola onde os gargalos fundiários e ambientais são mais evidentes.
No fim, o risco é restringir crédito em um momento de custo alto, margens apertadas e endividamento crescente.
Porque, no campo, a equação é direta: sem crédito, não há plantio, e sem plantio, não há Brasil.
Diante disso, o mínimo que se espera é bom senso. Essa medida precisa ser adiada.
Não se trata de negar a importância das exigências, mas de reconhecer o momento. Implementar esse nível de rigor em meio a uma crise financeira, com produtores descapitalizados e sem rentabilidade, é aprofundar um problema que já é grave.
Que se debata, que se ajuste, que se construa uma transição viável. Mas não agora, não quando o produtor já está sendo pressionado por todos os lados.
Exigir mais de quem já não tem margem não é solução, é empurrar o campo para o limite.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou uma área plantada de soja de 84,7 milhões de acres nos Estados Unidos para a safra 2026, conforme relatório de intenção de plantio divulgado nesta terça-feira (31)
Se confirmada, a área representa um crescimento de 4% em relação ao ciclo anterior, quando foram cultivados 81,225 milhões de acres. Apesar da expansão anual, o número veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava 85,55 milhões de acres.
O dado também ficou inferior ao apresentado pelo próprio USDA durante o Fórum Anual realizado em fevereiro, quando a estimativa inicial apontava para 85 milhões de acres.
Na comparação com o ano passado, a área destinada à soja aumentou ou permaneceu estável em 20 dos 29 principais estados produtores, indicando uma expansão disseminada, ainda que mais moderada do que o esperado pelos agentes do mercado.
A divulgação reforça um cenário de cautela por parte dos produtores norte-americanos, em meio a fatores como custos de produção, condições climáticas e a competitividade com outras culturas, como o milho. O número menor do que o esperado tende a dar suporte aos preços da soja no mercado internacional, ao sinalizar uma oferta potencialmente mais ajustada do que se projetava anteriormente.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) enviou carta ao governador Jorginho Mello reivindicando a redução dos tributos estaduais sobre o diesel frente ao aumento do combustível e seus derivados em decorrência da guerra no Oriente Médio.
No documento, que tem o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, pede a adoção de medida emergencial para a redução imediata e temporária das alíquotas do Imposto sobre circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidentes sobre a importação, produção, distribuição e comercialização de óleo diesel no estado.
Ele argumenta que os tributos estaduais adicionam valor significativo ao produto comercializado, o que afeta diretamente o setor agropecuário, marcado, atualmente, pela colheita e o plantio da segunda safra. “Os efeitos desse cenário sobre os custos de produção e a atividade econômica nacional geram grande preocupação”, relata o dirigente.
Estabilização da economia
A Faesc argumenta que a redução temporária das alíquotas do imposto estadual contribuirá para mitigar os efeitos do aumento dos combustíveis sobre toda a economia nacional, com reflexos diretos na redução dos custos de produção agropecuária, na moderação dos preços dos alimentos ao consumidor e na diminuição das pressões inflacionárias.
“Além disso, a medida poderá proporcionar um ambiente macroeconômico mais estável, contribuindo para a trajetória de redução da taxa básica de juros”, destaca.
Na avaliação da entidade, a redução tributária será compensada pelo aumento da produção nacional de petróleo e de seus derivados, bem como pela ampliação da atividade econômica e da arrecadação decorrente desse dinamismo.
Reivindicação semelhante também foi encaminhada ao governo federal, com vistas à avaliação de medidas relativas ao PIS/Pasep e Cofins, também incidentes sobre o diesel.
A estimativa para a produção brasileira de algodão na safra 2025/26 foi mantida em 3,74 milhões de toneladas pela StoneX, conforme análise divulgada no relatório de março da consultoria. Apesar da manutenção da projeção, a empresa destaca que o ciclo ainda exige atenção devido às condições climáticas e ao estágio de desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras.
No Mato Grosso, principal produtor da fibra no país, o desenvolvimento das lavouras ainda é considerado inicial, embora apresente desempenho considerado satisfatório até o momento. A consultoria aponta que o comportamento das chuvas ao longo de abril será decisivo para a definição do rendimento das lavouras, especialmente nas áreas que tiveram plantio mais tardio.
Segundo Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o estágio atual das lavouras exige acompanhamento das condições climáticas nas próximas semanas. “O desenvolvimento ainda está em um estágio bastante incipiente em algumas regiões do Mato Grosso, o que faz com que o clima nas próximas semanas seja decisivo para consolidar o potencial produtivo da safra”, afirma. “As áreas plantadas mais tardiamente exigem atenção redobrada, pois são mais sensíveis a eventuais irregularidades climáticas.”
Na Bahia, o cenário climático apresenta condições mais favoráveis para a cultura. De acordo com a StoneX, os volumes de chuva registrados até o momento estão acima da média histórica, o que contribui para um estágio mais avançado de desenvolvimento das lavouras e sustenta a estimativa de produtividade no estado, projetada em 1,97 tonelada por hectare.
Bulascoschi afirma que o regime de chuvas tem favorecido o desempenho da cultura no estado. “Na Bahia, o clima tem colaborado de forma bastante positiva. As lavouras estão mais adiantadas e o bom regime de chuvas ajuda a tornar mais concreta a estimativa atual de produtividade”, destaca.
No mercado externo, a consultoria revisou a projeção de exportações brasileiras de algodão para 2026. Segundo o relatório de março da StoneX, os embarques estão estimados em 3,1 milhões de toneladas, volume 3,3% superior à estimativa divulgada em fevereiro. A revisão reflete a maior disponibilidade do produto após a colheita expressiva do ciclo anterior.
A consultoria também aponta expectativa de demanda mais elevada em mercados consumidores relevantes, como China e Paquistão, especialmente no primeiro semestre do próximo ano, o que pode favorecer o ritmo das exportações brasileiras. “A combinação entre uma oferta robusta e uma demanda internacional mais firme tende a sustentar um bom desempenho das exportações ao longo do primeiro semestre”, explica Bulascoschi. “Ainda assim, o mercado seguirá atento ao potencial produtivo da safra atual e a como isso pode influenciar o fluxo de embarques na segunda metade do ano.”
De acordo com a StoneX, o desempenho da produção ao longo do ciclo será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda e para a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional ao longo de 2026.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 1 bilhão para a implantação de uma usina de etanol de milho em Tapurah, no Médio-Norte de Mato Grosso. Os recursos vêm do Fundo Clima e do BNDES Finem e correspondem a 62,2% do total do investimento.
A unidade será construída pela RRP Energia Ltda. e terá produção estimada em até 459 milhões de litros de etanol hidratado ou 452 milhões de litros de etanol anidro por ano.
Capacidade de produção
A usina terá capacidade para processar mais de 1 milhão de toneladas de milho por ano. Além do etanol, o empreendimento deverá produzir até 358 mil toneladas de grãos de destilaria secos com solúveis (DDGS), além de grãos de destilaria úmidos (WDGS) e 22 mil toneladas de óleo bruto de milho.
Para atender a demanda energética da planta, o projeto prevê a implantação de uma central termelétrica integrada, com capacidade de geração de até 27 MW. O consumo estimado da unidade em operação plena será de 16,9 MW.
Durante a fase de implantação, a obra deve gerar 1.105 postos de trabalho, sendo 1.005 diretos e 100 indiretos. Após a conclusão, a usina deverá operar com 205 empregados diretos e 100 indiretos, totalizando 305 empregos permanentes.
A RRP Energia faz parte do Grupo Piccini, fundado há 46 anos. O grupo atua no setor agropecuário em Mato Grosso e no Paraná, além de operar no comércio de máquinas agrícolas, logística, infraestrutura e distribuição de combustíveis.
A nova usina marca a entrada do grupo no setor de biocombustíveis. A planta será instalada às margens da MT-010, a 5 km da BR-163, corredor logístico do Estado, em área com produção de milho e próxima a polos de pecuária, suinocultura e avicultura.
As chuvas do primeiro trimestre do ano beneficiaram pastagens Brasil afora, contribuindo para que o pecuarista segurasse a boiada e ditasse o ritmo das negociações, o que aumentou o preço da arroba.
Contudo, a chegada de abril marca uma mudança relevante nessas condições. Com a transição para o período seco, a qualidade do pasto começa a cair, afetando diretamente o desempenho dos animais e a eficiência dos sistemas produtivos.
O zootecnista e gestor comercial da Nutriganho, Fernando Carlos, destaca que a redução nos níveis de proteína e energia do capim compromete o ganho de peso, aumenta a desuniformidade dos lotes e prolonga o ciclo de terminação.
“Esse movimento tende a elevar o custo por arroba produzida, em um momento em que o setor já convive com margens mais ajustadas”, pontua.
Para ele, o período exige atenção redobrada do produtor. “Abril deixou de ser apenas uma transição entre águas e seca. Hoje, é um momento em que decisões de manejo impactam diretamente o resultado econômico da operação”, afirma.
O especialista destaca que a estratégia de manter os animais exclusivamente a pasto até o auge da seca ainda é comum, mas pode comprometer o desempenho produtivo. “O animal tende a reduzir o ganho de peso à medida que o pasto perde qualidade. Isso alonga o ciclo e pode deslocar a venda para janelas de mercado menos favoráveis”, diz.
Nesse contexto, cresce a adoção de ferramentas de intensificação, como suplementação energética, sistemas de semi-confinamento e modelos de terminação intensiva a pasto (TIP). A proposta é compensar a queda nutricional da forragem e manter níveis adequados de desempenho.
“Não se trata necessariamente de aumentar custos, mas de direcionar melhor o investimento. Ao corrigir a dieta, o produtor melhora a conversão alimentar e reduz o tempo até o abate”, contextualiza Carlos.
Implicações financeiras
O especialista ressalta que além dos aspectos técnicos, a antecipação da terminação também tem implicações financeiras. Isso porque a redução do ciclo produtivo permite giro mais rápido do capital, melhora o fluxo de caixa e libera áreas para novas estratégias dentro da propriedade.
“O tempo passou a ser um fator determinante. Produzir mais arrobas em menos tempo e posicionar melhor a venda faz diferença no resultado final”, afirma.
Com isso, abril se consolida como um período crítico para a pecuária a pasto, exigindo maior planejamento e capacidade de adaptação por parte dos produtores diante das mudanças nas condições de produção e de mercado.