quarta-feira, abril 1, 2026

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Enquanto o Brasil paga R$ 1 trilhão em juros, o agro se afoga em dívidas


O Brasil vive um paradoxo que ameaça seu principal motor econômico. Enquanto não equilibrar as contas públicas, os governos pagam quase R$ 1 trilhão por ano em juros sobre uma dívida que já chega a R$ 7,9 trilhões. Esse gasto monumental drena recursos de áreas estratégicas e sufoca justamente quem mais sustenta a economia: o agronegócio.

Com a Selic a 15% ao ano, cada ponto percentual nessa taxa representa bilhões de reais a mais em juros. O resultado é um governo que se endivida para rolar a própria dívida e perde capacidade de investir. O impacto chega ao campo em forma de crédito rural caro e escasso, seguro agrícola enfraquecido e infraestrutura parada.

Campo endividado

A consequência é clara: o endividamento no campo disparou, e a inadimplência cresce rapidamente. Estima-se que mais de 30% dos produtores rurais enfrentam dificuldades para pagar financiamentos, sobretudo os médios e pequenos. Em 2025, as renegociações de dívidas rurais subiram mais de 40%, reflexo direto de juros altos, margens apertadas e atraso nas subvenções.

Sem previsibilidade no Programa de Seguro Rural, o produtor fica vulnerável ao clima e às oscilações do mercado. O agro, que mantém a inflação sob controle e garante o superávit comercial do país, está sendo deixado à própria sorte. Não há como sustentar produtividade e competitividade sem crédito acessível e políticas estáveis.

Problemas estruturais

O problema não está no campo, está em Brasília. O Brasil gasta mais com juros do que com investimentos, e cada real pago ao rentismo é um real a menos em crédito, armazenagem e irrigação. Se o país quiser crescer de forma sustentável, precisa redefinir prioridades: reduzir o custo da dívida, recuperar a confiança fiscal e investir em quem realmente produz.

Enquanto o governo gasta trilhões com juros, o produtor luta para não quebrar. O dilema é simples, continuar financiando o rentismo ou apostar em quem planta, colhe e alimenta o Brasil.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Temporais avançam pelo Brasil Central; veja onde há alerta de chuva forte nesta segunda-feira



Nesta segunda-feira (3), a formação de uma área de baixa pressão atmosférica na costa entre as regiões Sul e Sudeste e o deslocamento de um cavado meteorológico em níveis médios da atmosfera provocam pancadas de chuva sobre o centro-sul do país.

Segundo a Climatempo, a situação é de perigo para temporais com chuva volumosa e fortes rajadas de vento no norte do Paraná, oeste, noroeste e norte de São Paulo, Triângulo Mineiro, sul de Goiás e leste do Mato Grosso do Sul, e que podem ocorrer a qualquer hora do dia.

Nas áreas mais centrais e norte do sul de Mato Grosso, o noroeste e nordeste paranaense e as áreas mais centrais e nordeste paulista ficam em alerta para temporais. Confira a previsão completa em cada região do Brasil:

Sul

O sistema de baixa pressão vai favorecer chuva forte e temporais localizados na faixa leste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, incluindo as capitais Porto Alegre/RS e Florianópolis/SC, especialmente entre a manhã e a tarde. Nas áreas mais centrais dos dois estados, além do sul, centro e leste do Paraná, a chuva ocorre na forma de pancadas. No interior dos estados da Região Sul, chove mais fraco e isolado entre a manhã e à tarde.

Sudeste

A baixa pressão na costa vai manter a umidade espalhada pelas áreas centrais do Brasil e os alertas de temporais se estendem pelo Rio de Janeiro, sul do Espírito Santo, metade sul e oeste de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Centro-Oeste

A situação é de perigo para temporais com chuva volumosa e fortes rajadas de vento no leste do Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e Triângulo Mineiro. Nas áreas mais centrais e norte do sul mato-grossense, há alerta para temporais, com risco de chuva forte a qualquer hora do dia.

Norte

A chuva ganha força no Tocantins, sudoeste do Maranhão e na metade sul e leste do Pará, onde a chuva ocorre entre moderada a forte intensidade e não se descartam temporais localizados. No Norte, o calor e a umidade provocam pancadas de chuva alternadas com períodos de aberturas de sol no Acre, em Rondônia, no Amazonas, Roraima e no Pará.

Nordeste

No Nordeste, chove rápido e isolado em pontos do leste de Pernambuco e da Paraíba, enquanto no sertão e agreste nordestino a massa de ar seco garante mais um dia de sol, calor e baixa umidade relativa do ar, que pode registrar valores entre 20% e 30% nas horas mais quentes do dia.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.



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Soja em Chicago fecha com a maior alta mensal em 5 anos


A soja negociada na Bolsa de Chicago encerrou outubro com forte valorização, registrando a maior alta mensal em quase cinco anos. Segundo informações da TF Agroeconômica, o avanço foi impulsionado pelo otimismo do mercado após o acordo comercial firmado entre Estados Unidos e China, que reacendeu as expectativas de retomada nas exportações norte-americanas da oleaginosa.

O contrato de soja para novembro subiu 0,76%, a US$ 10,99 por bushel, enquanto o de janeiro avançou 0,70%, para US$ 11,15. No farelo, o vencimento de dezembro fechou com expressiva alta de 1,90%, a US$ 321,6 por tonelada curta, e o óleo de soja recuou 1,95%, cotado a US$ 48,68 por libra-peso. No acumulado semanal, a soja ganhou 5,57% e o farelo, 9,35%, enquanto o óleo cedeu 3,16%.

O mercado segue animado com os desdobramentos da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping. Rumores de novas compras da COFCO, estatal chinesa, movimentaram a semana, e o governo dos EUA confirmou a intenção de Pequim de adquirir 12 milhões de toneladas até janeiro e 25 milhões anuais nos próximos três anos. Apesar de o volume ser inferior à média histórica, analistas destacam que o gesto sinaliza a normalização do comércio agrícola entre as duas potências.

Com o acordo, a soja encerrou o mês com valorização de 9,78%, acumulando alta de US$ 0,98 por bushel. O farelo disparou 17,7%, e o óleo teve queda de 1,64%. O movimento marca uma inflexão positiva para o mercado global da oleaginosa e reforça a percepção de que a reaproximação entre China e EUA pode redefinir o equilíbrio nas exportações agrícolas em 2025.

 





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Acordo EUA-China reforça ânimo dos investidores; ouça o podcast


No morning call desta segunda-feira (3), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que o ambiente externo otimista favoreceu bolsas e dólar, com corte de juros pelo Fed e trégua comercial entre EUA e China.

O Ibovespa renovou recorde a 149 mil pontos, impulsionado por fluxo estrangeiro e balanços positivos. O dólar fechou estável em R$ 5,38. Para a semana, atenção à decisão do Copom e aos dados ISM dos EUA.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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AgroNewsPolítica & Agro

Como a soja encerrou a semana?


A comercialização de soja no Rio Grande do Sul apresentou estabilidade quase completa, segundo o que informa a TF Agroeconômica. “Para pagamento em 15/10, com entrega em outubro, os preços no porto foram reportados a R$ 141,50/sc (-0,35%) semanal, enquanto no interior as referências se foram em torno de R$ 131,00/sc semanal em Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Rosa e São Luiz, todos com liquidação prevista para 30/10. Já em Panambi, o mercado físico apresentou queda mais acentuada, com o preço de pedra recuando para R$ 120,00/sc, sinalizando maior resistência local ao ritmo comprador”, comenta.

Santa Catarina apresenta um dos melhores níveis de remuneração ao produtor no mercado nacional. “A logística catarinense, sustentada pela proximidade dos portos de Itajaí e São Francisco do Sul, é um diferencial estratégico. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 140,25 (+0,67%)”, completa a consultoria.

O Paraná segue apoiado por sua sólida estrutura logística, com o Porto de Paranaguá mantendo fluxo misto entre exportação e transporte de insumos. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 140,63 (-0,25%). Em Cascavel, o preço foi R$ 128,41 (+0,28%). Em Maringá, o preço foi de 129,42 (+0,36%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 132,21 (+0,33%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 140,25 (+0,67%). Os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 120,00”, indica.

Enquanto isso, o Mato Grosso do Sul mantém estabilidade e avança com ritmo forte de plantio. “As praças de Dourados e Maracaju registram valores semelhantes por saca, sem variação diária, enquanto diferenças regionais de preço persistem devido à distância dos portos e às condições de transporte. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 123,38 (-0,28%), Campo Grande em R$ 123,38 (-0,28%), Maracaju em R$ 123,38 (-0,28%), Chapadão do Sul a R$ 120,53 (+0,11%), Sidrolândia a em R$ 123,38 (-0,28%)”, informa.

Mato Grosso acelera o plantio, mas riscos climáticos e gargalos logísticos limitam os preços. “Campo Verde: R$ 121,75 (+0,39%). Lucas do Rio Verde: R$ 119,08 (-0,33%), Nova Mutum: R$ 119,08 (-0,33%). Primavera do Leste: R$ 121,75 (+0,39%). Rondonópolis: R$ 121,75 (+0,39%). Sorriso: R$ 119,08 (-0,33%)”, conclui.

 





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Novembro inicia com risco alto de tempestades no Sul, Sudeste e Centro-Oeste


De acordo com informações do Meteored, o primeiro final de semana de novembro será marcado por alerta de chuvas fortes e tempestades em parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Segundo o site, “uma área de baixa pressão atmosférica e o transporte de umidade da região Amazônica favorecem a ocorrência de chuvas fortes, tempestades e rajadas de vento nestas áreas”, com risco de transtornos à população.

No Sul, o sábado (1) começa com muitas nuvens no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e chuvas isoladas no leste catarinense. No Paraná, a manhã terá chuvas mais fortes em grande parte do estado, podendo vir acompanhadas de tempestades localizadas. “Com o reforço da umidade vinda da Amazônia, ao longo da tarde as instabilidades vão permanecer no Paraná, com temporais isolados”, informa o Meteored. À noite, as chuvas continuam no Paraná e no norte de Santa Catarina, porém com menor intensidade.

Veja mais informações sobre o clima em Agrotempo

Na madrugada de domingo (2), o Paraná deve registrar chuvas de forte intensidade, especialmente no período da manhã. No Rio Grande do Sul e Santa Catarina, são esperadas chuvas fracas e isoladas, com possibilidade de pancadas no nordeste gaúcho e sul catarinense. Segundo o Meteored, “serão registrados totais elevados de chuva em um curto intervalo de tempo no Paraná, podendo chegar a 150 mm no noroeste do estado, na região de Maringá”.

No Sudeste, a umidade vinda da Amazônia aumenta o risco de chuvas fortes, rajadas de vento e descargas elétricas, com possíveis transtornos como alagamentos, deslizamentos e queda de árvores. A manhã de sábado terá chuvas fracas no Rio de Janeiro e Espírito Santo, e chuvas localmente intensas em São Paulo. À tarde e à noite, as instabilidades se espalham para o sul de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e demais áreas paulistas. No domingo, a chuva se mantém em todo o estado de São Paulo, com risco de tempestades e acumulados de até 60 mm nas regiões de Presidente Prudente, Sorocaba e Grande São Paulo.

No Centro-Oeste, o sábado começa com muita nebulosidade no Mato Grosso do Sul e norte de Goiás, com instabilidades no sudoeste sul-mato-grossense. “A partir da tarde, essas instabilidades ganham força e atingem Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, com chuvas localmente intensas e tempestades”, relata o Meteored. Durante o domingo, o tempo instável segue nos três estados e no Distrito Federal, com acumulados expressivos em Mato Grosso do Sul, podendo chegar a 103 mm em Dourados.





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Feijão enfrenta cenário crítico no Paraná



No mercado, o ambiente é de cautela


No mercado, o ambiente é de cautela
No mercado, o ambiente é de cautela – Foto: Pixabay

Produtores, agrônomos e comerciantes do Paraná foram unânimes ao relatar, nesta semana, a dificuldade em encontrar lavouras de feijão em bom estado. Segundo o Instituto Brasileiro de feijão e Pulses (Ibrafe) citando dados do Departamento de Economia Rural (DERAL), a área plantada com a leguminosa nesta safra caiu 27%, e mesmo com 85% já semeado, o desenvolvimento das plantas preocupa. O retorno do frio e as temperaturas até 5 °C abaixo da média, somadas a solos encharcados, têm comprometido a germinação e tornado o crescimento das plantas lento e desuniforme.

O DERAL confirmou o quadro de baixa temperatura e umidade excessiva, com risco de perdas localizadas e necessidade de replantios pontuais. Em algumas propriedades, produtores já decidiram substituir o feijão por soja nas áreas mais afetadas. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) prevê para novembro chuvas irregulares e períodos de calor acima da média, o que pode agravar a desuniformidade dos talhões e aumentar o risco de doenças, caso o manejo não siga as janelas adequadas de pulverização e cobertura.

No mercado, o ambiente é de cautela. Pequenos lotes recém-colhidos em São Paulo chegaram a R$ 265 por saca, reflexo da escassez do produto novo. Conforme dados do Cepea de 30 de outubro, o feijão-carioca tipo 9 em Belo Horizonte manteve-se em R$ 243,33/sc, enquanto o feijão-preto tipo 1 em Curitiba ficou em R$ 140,68/sc. A semana deve terminar com estabilidade nos preços e baixa liquidez, enquanto o setor monitora o impacto real das perdas no Paraná — fator que pode definir o rumo do mercado até o fim do ano.

 





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Com demanda externa aquecida, boi gordo sinaliza reação nos preços em outubro



O mercado brasileiro de boi gordo encerrou outubro com sinais de valorização na arroba, impulsionado por um cenário promissor nas exportações. Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, o menor posicionamento das escalas de abate e a demanda aquecida contribuíram para a alta, especialmente no Centro-Norte. Em São Paulo, a arroba reagiu apenas na última semana do mês, após período de estabilidade.

Para novembro, com os embarques ainda aquecidos e a expectativa de melhora na demanda doméstica, há perspectiva de continuidade da alta. No entanto, Iglesias alerta para a investigação conduzida pela China, que pode resultar em salvaguardas sobre os embarques de carne bovina.

Preços do boi gordo em 30 de outubro

  • São Paulo (SP): R$ 320,00, alta de 6,67% frente a R$ 300,00 em setembro
  • Goiânia (GO): R$ 310,00, avanço de 6,9% sobre R$ 290,00
  • Uberaba (MG): R$ 305,00, aumento de 5,17% ante R$ 290,00
  • Dourados (MS): R$ 330,00, alta de 2,17% frente a R$ 323,00
  • Cuiabá (MT): R$ 305,00, acréscimo de 3,39% em relação a R$ 295,00
  • Vilhena (RO): R$ 290,00, valorização de 6,23% ante R$ 273,00

Mercado atacadista

No atacado, os preços se mantiveram firmes ao longo de outubro, beneficiados pela reposição entre atacado e varejo, além do aumento de circulação de dinheiro devido ao décimo terceiro salário, postos temporários de emprego e confraternizações de fim de ano.

  • Quarto do traseiro: R$ 25,05/kg, alta de 8,91% sobre R$ 23,00/kg em setembro
  • Quarto do dianteiro: R$ 18,20/kg, avanço de 7,06% ante R$ 17,00/kg

Exportações

As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada renderam US$ 1,527 bilhão em outubro (até 18 dias úteis), com média diária de US$ 84,880 milhões. O volume exportado chegou a 276,492 mil toneladas, média diária de 15,360 mil toneladas, com preço médio de US$ 5.525,80 por tonelada.

Em comparação com outubro de 2024, houve aumento de 48,2% no valor médio diário, 25,0% na quantidade média diária e 18,5% no preço médio, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior.



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Embrapa entrega documento de contribuições para o mutirão global contra a mudança do clima



A dez dias da COP30, que será realizada em Belém, no Pará, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) entregou, nesta sexta-feira (31), em Brasília, um documento com contribuições do setor agropecuário ao mutirão global contra a mudança do clima. O material foi apresentado ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago.

O estudo, intitulado “Contribuições da Embrapa para o Mutirão Global contra a Mudança do Clima”, é resultado do projeto Diálogos pelo Clima, que promoveu debates entre maio e outubro deste ano em todos os seis biomas brasileiros Amazônia, Pantanal, Cerrado, Caatinga, Pampa e Mata Atlântica.

Mais de 1,3 mil pessoas participaram dos encontros presenciais, entre pesquisadores do clima, produtores rurais, agricultores familiares, comunidades tradicionais, gestores públicos e representantes do setor privado. Ao todo, cerca de 100 especialistas contribuíram com análises e propostas voltadas à adaptação e mitigação dos efeitos climáticos no campo.

Durante o evento, Corrêa do Lago destacou a importância de ouvir diferentes setores da sociedade na construção de soluções conjuntas. “Precisamos ouvir o Brasil. É por isso que tenho recebido documentos de vários segmentos, inclusive da economia. O melhor da diplomacia é quando a gente realmente está refletindo o que o país pensa”, afirmou.

A entrega do documento marca uma das últimas contribuições oficiais do agronegócio brasileiro antes da COP30, reforçando o papel estratégico da agricultura na agenda climática global.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Pesquisadores do Paraná criam gel cicatrizante à base de tilápia


Pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) desenvolveram um gel cicatrizante que trata feridas em animais.

O gel é produzido a partir de um ativo à base da pele da tilápia, por alunos e professores do Departamento de Ciências Farmacêuticas (Defar) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF).

Os resultados mostram diminuição na área machucada a partir de uma semana de tratamento.

O coordenador da pesquisa na instituição, professor Flavio Luís Beltrame, afirma que atualmente utilizam o gel no tratamento de feridas em gatos e cachorros, com resultados positivos.

“Estamos aplicando o gel contendo o hidrolisado do colágeno da tilápia na parte machucada do animal, fazendo uma reestruturação da pele”. Flavio destaca que a pesquisa não sacrifica tilápias vivas para a extração do produto.

Do colágeno da tilápia ao gel cicatrizante

O gel é produzido a partir de um hidrolisado de peptídeos – que são pedaços de proteína do colágeno,  obtidos pelo processo de hidrólise (quebra de uma molécula em partes menores pela adição de uma molécula de água).

Este material vem do laboratório do professor Eduardo César Meurer, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Campus de Jandaia do Sul.

Na UEPG, ele chega na forma líquida. O grupo da Universidade, então, faz a secagem e transforma o material em um pó, utilizando-o como ativo farmacêutico em forma de gel.

Uma pesquisa promissora

A ideia surgiu há cerca de quatro anos, a partir da pesquisa do grupo do professor Meurer, que é químico e queria testar o produto extraído na UFPR.

“Como dentro do nosso grupo trabalhamos com ensaios biológicos e atividade terapêutica, iniciamos essa parceria”, recorda Flavio Luís Beltrame. A pesquisa iniciou com o então mestrando do PPGCF, Rodrigo Tozetto, que é médico-veterinário.

O estudo propôs avaliar a atividade antimicrobiana cicatrizante do produto.

Segundo Tozetto, as análises ocorreram in vitro e in vivo, para a elaboração do gel: “observamos que, com a aplicação do gel, a cicatrização de feridas e queimaduras foi mais rápida, comparado a outros fatores”.

De acordo com o professor Beltrame, os ensaios clínicos e testes pré-clínicos com ratos e camundongos, todos sob autorização do Comitê de Ética em Pesquisa, obtendo resultados de cicatrização significativos.

Agora, a equipe também estuda outras frentes, analisando a estabilidade físico-química da formulação do gel, além de ensaios clínicos do produto com finalidade veterinária.

“Estamos analisando o tratamento de feridas que os veterinários chamam de primeira e segunda intenções, que são aquelas feridas feitas por uma incisão numa castração do animal, ou quando o animal sofre algum trauma, por exemplo”.

Resultados positivos nos animais

Assim, os pesquisadores da UEPG transformam o hidrolisado de peptídeos de colágeno da tilápia em pó pela facilidade na manipulação do material.

A mestranda Ana Carolina Ventura destaca que o processo de secagem permite transformar a substância em várias formas farmacêuticas.

“No caso do meu projeto, estou testando um hidrogel, e é importante agora sabermos o prazo de validade deste produto, e como ele se comporta em condições de temperatura e umidade, por exemplo”.

A testagem ocorre também em alguns animais. “Aplicamos esse hidrogel duas vezes ao dia nos animais que estamos acompanhando, e já observamos uma melhora, uma retração desse tecido ferido a partir de uma semana”.

Além disso, algumas variáveis podem influenciar no tempo de tratamento, a depender do estado de saúde do animal. Os pesquisadores avaliam que o tratamento completo pode durar em torno de 35 dias.

O grupo já acompanha cerca 44 animais tratados, dentre cães e gatos. Um desses pets é a Pixy, gata de aproximadamente dois anos, que foi resgatada da rua com feridas nas pernas e barriga.

Foto: Jéssica Natal/UEPG

A doutoranda Anna Claudia Capote acompanha a gatinha desde o primeiro dia de tratamento. “Foi difícil vê-la machucada nos primeiros dias, mas foi muito interessante ver a evolução, o fechamento da ferida. Agora ela está muito alegre e brinca com a gente”, conta.

Próximos passos

Em 30 de setembro, a equipe recebeu reconhecimento no Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), de iniciativa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

A ação premiou pesquisadores que tiveram iniciativas de destaque. Em parceria com a Fundação Araucária e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae-PR), o Prime nasceu com a missão de aproximar o conhecimento acadêmico do mercado.

Foi a primeira vez que o prêmio veio para a UEPG. O projeto recebeu um certificado de excelência e um cheque simbólico no valor de R$ 200 mil.

“A partir desse valor, planejamos fazer todo o processo, desde a extração da proteína da pele da tilápia, aqui na UEPG, até a produção de mais produtos, para dar mais variedade em nosso portfólio”, acrescenta o professor Flávio.

“Acreditamos nas patentes que geramos desta tecnologia e esperamos encontrar universidades e empresas parceiras para a comercialização”, completa.



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