sexta-feira, julho 17, 2026

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‘Produtor gaúcho precisa de 54 sacas de soja para pagar dívidas; MP não me ajuda’, diz agricultor


produtor Lucas Scheffer - renegociação de dívidas
Foto: Arquivo pessoal e Aprosoja

A Medida Provisória (MP) sobre renegociação de dívidas rurais que deve ser publicada nesta quarta-feira (15) foi comemorada por lideranças do setor, como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), mas isso não significa que ela agradou ao agricultor que está ali na ponta, no dia a dia do campo e endividado.

O produtor rural Lucas Scheffer, de Cacequi, na região central do Rio Grande do Sul, uma das regiões mais afetadas por adversidades climáticas nos últimos anos, por exemplo, se mostra descrente com os efeitos da nova medida.

Para ele, a carência de dois anos para o início do pagamento das dívidas, item da nova MP, pode dar fôlego ao produtor, mas o prazo de 10 anos para que ele arque com seus débitos é insuficiente.

“Com a dívida acumulada nos anos de perda, cerca de 40% dos produtores gaúchos deve, em média, 140 sacas de soja por hectare. Ao dividir em dez anos, teremos 14 sacas de soja ao ano para pagar, com o custo para implantar a lavoura em cerca de 40 sacas por hectare, fora os outros custos, como manutenção, renovação de frota e investimentos, ou seja, se somarmos as 40 sacas de custo, mais as 14 de dívida acumulada, significam 54 sacas de soja apenas para pagar as contas. Essa matemática não fecha”, destaca.

Ele aponta que nem mesmo se os bons resultados da safra 2020/21, quando o estado conseguiu uma recuperação que não obtém há anos e atingiu produtividade média de 60 sacas seriam capazes de permitir que o produtor gaúcho arcasse com suas dívidas no modelo proposto pela nova Medida Provisória.

Scheffer também aponta que o reaproveitamento de garantias para o refinanciamento dos débitos é outra iniciativa do texto que não encontra lastro na realidade. “Como vamos financiar o crédito do Plano Safra 2026/27? Como fazer isso se o produtor já vem rolando dívidas há cinco anos, utilizando as garantias e o patrimômio que tem. Como vamos conseguir acessar recurso novo se não temos mais garantias, sendo que as garantias que possuímos já estão sendo utilizadas nessa renegociação?”, questiona.

Para sanar este problema, a nova MP incorpora o Fundo Garantidor, que estava previsto no PL 5122/2023, um mecanismo financeiro criado pelo governo federal, com aporte de até R$ 2 bilhões, para facilitar a renegociação de dívidas de produtores rurais e destravar o crédito no campo.

Em sumo, o instrumento é um mitigador de risco para as instituições financeiras, cobrindo eventuais inadimplências, permitindo que produtores sem garantias suficientes consigam acesso a novos financiamentos ou alongamento de débitos.

Pelo texto acertado entre governo e Congresso, poderão acessar as condições de repactuação produtores rurais e cooperativas com perdas registradas entre 2019 e 2025. Também entram operações de crédito inadimplentes entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026, além de operações adimplentes que tenham sido prorrogadas até 31 de maio de 2026.

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Preços da soja sobem com Chicago em alta; confira as os números no Brasil


Imagem mostra colheita de soja; colheitadeira; produção de soja
Foto: Preepik

O mercado brasileiro de soja registrou uma sessão de poucos negócios nesta quarta-feira (15), apesar da recuperação das cotações. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os preços voltaram a subir nos portos, com a maior parte dos pagamentos concentrada para agosto.

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De acordo com Silveira, a valorização da soja na Bolsa de Chicago, aliada aos prêmios firmes e ao dólar praticamente estável, sustentou os preços no mercado físico. Mesmo com o movimento positivo, a oferta de soja permaneceu limitada ao longo do dia.

Soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 134,00 para R$ 136,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 135,00 para R$ 137,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 129,00 para R$ 132,00
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 122,00 para R$ 124,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 123,00 para R$ 124,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 140,00 para R$ 143,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 140,00 para R$ 142,00

Soja em Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja encerraram o dia em alta, impulsionados pelas previsões de temperaturas elevadas e pouca chuva no cinturão produtor dos Estados Unidos, além dos fortes números de esmagamento divulgados pela Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais (Nopa).

Segundo a entidade, o esmagamento de soja atingiu 214,340 milhões de bushels em junho, acima dos 208,785 milhões registrados em maio e da expectativa do mercado, de 203,989 milhões de bushels. No mesmo período de 2025, o volume havia sido de 185,270 milhões de bushels.

A Nopa também informou que os estoques de óleo de soja dos Estados Unidos somaram 1,501 bilhão de libras em junho, abaixo da expectativa do mercado, de 1,653 bilhão de libras. Em maio, os estoques totalizavam 1,735 bilhão de libras.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja com vencimento em agosto fecharam cotados a US$ 12,02 1/4 por bushel, alta de 9,50 centavos de dólar, ou 0,79%. A posição novembro encerrou a US$ 12,01 3/4 por bushel, avanço de 10,75 centavos, ou 0,90%.

Entre os derivados, o farelo de soja para agosto subiu US$ 1,50, ou 0,47%, para US$ 319,90 por tonelada. Já o óleo de soja, também com vencimento em agosto, avançou 0,52 centavo de dólar, ou 0,71%, encerrando a 72,92 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou o dia com alta de 0,06%, cotado a R$ 5,0786 para venda e R$ 5,0766 para compra. Ao longo da sessão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0572 e a máxima de R$ 5,1872.

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MP das dívidas rurais prevê carência, prazo maior e fundo contra perdas climáticas


crédito rural, CNA, dívida, dívidas
Foto: Mapa/divulgação

O governo federal deve publicar ainda nesta quarta-feira (15) a medida provisória (MP) que estabelece novas regras para a renegociação das dívidas de produtores rurais e cooperativas. O texto foi construído após negociações entre o Ministério da Fazenda, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a Câmara dos Deputados, e incorpora parte das propostas previstas no projeto de lei (PL) 5.122/2023.

A medida busca reduzir a inadimplência no campo e garantir que produtores afetados por perdas nas últimas safras possam voltar a acessar crédito, especialmente os recursos do Plano Safra.

Segundo o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), a MP representa um avanço, embora não corresponda à solução defendida pela bancada ruralista.

“Não é o mundo ideal, não é o que nós queríamos. Nós gostaríamos muito de que fosse votado o PL 5.122/23. Trabalhamos muito para isso, mas não foi possível. Buscamos entendimento com o governo”, afirmou.

A vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), participou da reunião que definiu o texto final da medida. O encontro foi realizado com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e articulado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Para a senadora, a publicação da MP é fundamental para evitar que produtores fiquem sem acesso ao crédito rural.

“A medida provisória resolve o problema imediato, porque, com o Plano Safra já vigente, muita gente não conseguiria participar, ter acesso ao crédito”, disse.

Quem poderá renegociar as dívidas

De acordo com a FPA, a medida provisória estabelece que poderão aderir às novas condições produtores rurais e cooperativas que registraram perdas entre 2019 e 2025.

Também serão contempladas:

  • operações de crédito inadimplentes entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026;
  • operações que estavam em dia, mas tiveram vencimentos prorrogados até 31 de maio de 2026.

Além disso, a medida cria duas faixas de enquadramento para definir os benefícios.

Fonte: FPA

Condição geral

Ter registrado perdas em duas ou mais safras ou redução de 30% da renda bruta em razão da queda dos preços.

Maiores perdas

Produtores que tiveram prejuízos em três ou mais safras, com redução mínima de 40% da renda bruta.

Prazo de pagamento chega a 10 anos

Os produtores enquadrados na condição geral poderão renegociar seus débitos em até oito anos.

Já aqueles classificados na faixa de maiores perdas terão prazo de até 10 anos.

Em ambos os casos, haverá:

  • até dois anos de carência;
  • pagamento apenas dos juros durante esse período;
  • dispensa de entrada, uma das principais reivindicações do setor.

Outro ponto previsto é a possibilidade de prorrogação automática, por até 30 dias, das operações adimplentes até 14 de julho de 2026, mediante decisão das instituições financeiras.

Recursos e garantias

O texto prevê que parte dos recursos virá do crédito rural. A União também poderá utilizar recursos do Fundo Social e de outros fundos sob supervisão do Ministério da Fazenda, além de fontes adicionais que venham a ser definidas pelo Poder Executivo.

Em relação às garantias das operações, a MP autoriza que as instituições financeiras reaproveitem os bens já oferecidos nas operações anteriores, ajustando-os ao novo valor da dívida. A medida poderá reduzir a exigência de garantias em determinados casos.

CPRs terão regras específicas

As Cédulas de Produto Rural (CPRs) também foram incluídas na Medida Provisória, mas com tratamento diferenciado.

Pela proposta, instituições financeiras poderão substituir CPRs inadimplentes por novas operações com prazo de pagamento de até oito anos. O governo também ficará autorizado a regulamentar futuramente outras condições específicas para esse tipo de operação.

Segundo o vice-presidente da FPA na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), a inclusão das CPRs era uma das prioridades das negociações.

“Estamos completamente atendidos? Não. Mas estamos seguramente atendidos de que isso deslanche, crie uma parada em todo o processo de inadimplência e permita o desenvolvimento do Plano Safra”, afirmou.

Fundo para perdas climáticas

Outro destaque da MP é a criação de um fundo garantidor voltado a perdas provocadas por eventos climáticos extremos.

A proposta prevê a participação da União com aporte de até R$ 2 bilhões, além da possibilidade de contribuições de bancos, estados e municípios.

A iniciativa surgiu a partir de uma emenda apresentada pela senadora Tereza Cristina ao PL 5.122/2023 e tem como objetivo ampliar a segurança das operações de crédito rural no médio e longo prazo.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o governo flexibilizou sua posição durante as negociações para atender a maior parte dos produtores afetados.

“Vocês nos sensibilizaram para que a gente saísse de uma posição mais dura e acomodássemos a situação da grande maioria dos agricultores”, declarou.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, também destacou a atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária na construção do acordo, afirmando que a bancada foi decisiva para dar visibilidade ao problema do endividamento rural e viabilizar a negociação com o governo.

*Com informações da FPA

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Fazenda vê impacto macroeconômico reduzido de novas tarifas dos EUA


Coca-Cola, eBay e Tesla pedem recuo de tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda avalia que o impacto macroeconômico das novas tarifas americanas sobre a economia brasileira permanece reduzido. A análise consta no Boletim Macrofiscal de julho, divulgado nesta quarta-feira (15). Segundo a pasta, as exportações brasileiras mostraram resiliência após a elevação tarifária de agosto de 2025 e passaram por recuperação gradual desde novembro.

De acordo com a SPE, o mercado dos Estados Unidos respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalente a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) antes do choque. A secretaria afirma que o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o que limitou o efeito direto sobre a atividade.

A pasta também destacou que as medidas anunciadas pelos Estados Unidos em junho de 2026 ainda dependem de aprovação e preveem exceções para diversos produtos, fator que, segundo a avaliação oficial, tende a manter o impacto agregado em nível modesto. No documento, a SPE cita ainda ações implementadas desde o ano passado em apoio aos setores mais expostos, com foco em crédito, liquidez e diversificação de mercados.

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A decisão dos Estados Unidos sobre um novo tarifaço para produtos importados do Brasil deve sair ainda nesta quarta-feira (15). A alíquota tende a ser fixada em 25% e atingir aproximadamente 21% das exportações nacionais, com expectativa de uma lista de exclusão para produtos que afetam a inflação americana. Entre os itens citados no relatório preliminar do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) estão aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.

No relatório preliminar divulgado em 1º de junho, o USTR sugeriu a aplicação da tarifa no âmbito da investigação comercial conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana. Os Estados Unidos acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) mostram que, no primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13,0% sobre o mesmo período do ano anterior, para US$ 17,428 bilhões. As importações recuaram 12,5% e somaram US$ 18,950 bilhões. Com isso, a balança comercial brasileira com o país registrou déficit de US$ 1,522 bilhão no acumulado do ano.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Exportações de petróleo do Brasil para a China batem recorde no primeiro semestre


Petróleo sobe com impasse entre EUA e Irã e repercussão de cúpula entre Xi e Trump

As exportações brasileiras de petróleo para a China somaram US$ 15,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, recorde para o período, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O valor mais que dobrou o total vendido pelo Brasil à Argentina, de US$ 7,3 bilhões. Na comparação com o primeiro semestre de 2025, a receita com o produto avançou 62%, sustentada pelo aumento do volume embarcado e pela alta de preços.

De acordo com o CEBC, o desempenho foi apoiado por uma alta de 41% no volume exportado e por valorização de 15,7% no preço do petróleo. Março, abril e junho de 2026 registraram os maiores faturamentos mensais da série histórica iniciada pela entidade em 1997.

O avanço ocorreu em meio às tensões no Oriente Médio, tradicional fornecedor do mercado chinês. Nesse cenário, o Brasil ganhou espaço como alternativa de abastecimento considerada mais estável e confiável.

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A China concentrou 54% das exportações brasileiras de petróleo no semestre, participação quase sete vezes superior à da Índia, segundo principal destino, com 8%. Em junho, as vendas mensais de petróleo do Brasil para o mercado chinês alcançaram US$ 3,02 bilhões.

Entre os estados, o Rio de Janeiro liderou as exportações para a China, com US$ 13,6 bilhões, equivalentes a 23,3% do total nacional destinado ao país asiático. O petróleo respondeu por 94% das vendas fluminenses e colocou o estado como principal fornecedor brasileiro do produto para os chineses, com 84% do total embarcado pelo Brasil.

Além do petróleo, a China manteve posição central na compra de commodities brasileiras. No semestre, respondeu por 69,5% das exportações de soja, 68,6% do minério de ferro e 53% da carne bovina do Brasil.

No consolidado, as exportações brasileiras para a China cresceram 22% no primeiro semestre e atingiram US$ 58,3 bilhões, maior valor já registrado para o período. Soja, minério de ferro e petróleo representaram 76,5% das vendas ao país.

O resultado reforçou o peso da China na pauta exportadora brasileira, com liderança nas compras de petróleo e forte participação nas vendas de soja, minério de ferro e carne bovina no primeiro semestre de 2026.

Fonte: Estadão Conteúdo

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AgroNewsPolítica & Agro

Como acertar o momento ideal da colheita do café


A definição do momento de iniciar a colheita é um dos fatores que mais influenciam a qualidade da bebida e o valor comercial do cafés. Antes mesmo das etapas de torra e prova de xícara, é na lavoura que o produtor estabelece parte do potencial para obter cafés finos, com maior doçura, acidez equilibrada e melhor remuneração. Entre abril e setembro, período em que a colheita ocorre em boa parte das regiões produtoras, como Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo, a decisão depende do equilíbrio entre maturação dos frutos, condições climáticas, logística e risco de perdas.

Antecipar a colheita aumenta a presença de frutos verdes, enquanto o atraso favorece o acúmulo de frutos secos na planta e no solo, elevando o risco de fermentações indesejadas e defeitos na bebida. O material destaca que “mais importante do que seguir uma data fixa é aprender a ‘ler’ a lavoura”, observando o estágio de maturação, a uniformidade dos talhões, o histórico de chuvas e a capacidade de colheita e beneficiamento para definir o melhor momento de entrada das equipes ou das colhedoras.

O conteúdo ressalta que as orientações apresentadas têm caráter geral e reforça que “a decisão final sobre o início da colheita deve considerar as condições específicas de cada propriedade, seguindo sempre a orientação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) e respeitando boas práticas de trabalho e segurança”. Também destaca que as informações têm caráter informativo e não substituem a avaliação técnica realizada em campo.

Como referência prática, o texto aponta que a colheita destinada à produção de cafés de melhor qualidade deve começar quando a maior parte dos frutos estiver no estágio cereja, com baixa proporção de verdes, boa uniformidade de maturação, redução das chuvas, estrutura de secagem preparada para receber o volume colhido e menor presença de folhas, galhos e impurezas durante a operação.

O material explica que o momento da colheita influencia diretamente a composição química dos grãos. Durante o desenvolvimento, o fruto passa pelos estágios verde, verde-cana, cereja, passa e seco na planta, período em que ocorrem alterações nos teores de açúcares, ácidos orgânicos, compostos fenólicos e cafeína. Segundo o texto, é no estágio cereja que o fruto atinge o “ponto de maturação fisiológica” e concentra maior quantidade de açúcares e compostos responsáveis pelos aromas e sabores da bebida.

Para avaliar o ponto ideal de colheita, a recomendação é realizar amostragens representativas nos talhões, coletando ramos de diferentes partes das plantas e separando os frutos conforme o estágio de maturação. A predominância de frutos cereja, associada à baixa presença de verdes, é considerada um indicativo favorável para o início da colheita voltada à obtenção de bebida de maior qualidade.

Além da proporção de frutos maduros, o texto destaca que a uniformidade da maturação também deve ser observada. Talhões com grande mistura de frutos verdes, cerejas e secos dificultam a obtenção de lotes de qualidade superior, especialmente em sistemas mecanizados. Nesses casos, a adoção de colheita seletiva ou o escalonamento das áreas pode contribuir para melhorar o resultado final.

A avaliação da lavoura também deve considerar a condição das plantas e dos frutos. Ramos com grande quantidade de frutos secos, mumificados ou já caídos podem indicar atraso na colheita ou problemas relacionados ao florescimento e ao manejo. O texto acrescenta que a presença elevada de pragas e doenças, como a broca-do-café, pode exigir antecipação da operação, embora essa decisão deva ser cuidadosamente analisada para evitar impactos na qualidade da bebida.

As condições climáticas entre abril e setembro também influenciam diretamente a definição da data de início da colheita. Em regiões onde as chuvas diminuem nesse período, colher e secar o café sob menor umidade favorece uma secagem mais uniforme e reduz o risco de fermentações indesejadas tanto na planta quanto após a colheita.

O material alerta que chuvas frequentes durante a fase de maturação podem comprometer a qualidade da bebida, enquanto precipitações durante a colheita reumedecem frutos secos e aumentam a necessidade de controle na secagem. Também chama atenção para episódios de frio intenso e ventos fortes, que favorecem a queda de frutos maduros ao solo e ampliam as perdas.

Os reflexos do ponto de colheita também aparecem na prova de xícara. Frutos verdes tendem a produzir cafés mais adstringentes e com menor doçura. Já frutos cereja apresentam maior concentração de açúcares e compostos aromáticos, proporcionando bebida mais equilibrada. O excesso de frutos secos na planta pode elevar o risco de fermentações indesejadas, enquanto os frutos recolhidos do chão normalmente resultam em cafés de menor qualidade por causa da exposição à umidade e aos microrganismos.

Para obter cafés de melhor padrão, o texto recomenda planejar a colheita de forma a maximizar a retirada de frutos cereja, reduzir ao mínimo a presença de frutos verdes e separar lotes conforme a qualidade, destinando colheitas posteriores para produtos voltados a outros mercados.

A decisão sobre o início da colheita também deve considerar a capacidade operacional da propriedade. O texto observa que nem sempre é possível aguardar o ponto ideal caso a estrutura de colheita e secagem seja limitada. Nesses casos, iniciar o trabalho de forma escalonada pode ser mais eficiente do que concentrar toda a operação em um único momento.

Outro aspecto destacado é a necessidade de acompanhar as previsões climáticas. Caso haja expectativa de chuvas intensas durante a maturação, o produtor pode optar por antecipar parcialmente a colheita para reduzir perdas. Em períodos de tempo estável, a recomendação é aproveitar a oportunidade para concentrar a operação em frutos mais maduros.

O histórico da área e o mercado-alvo também influenciam a estratégia. Propriedades voltadas à produção de cafés especiais tendem a priorizar colheitas mais seletivas e maior percentual de frutos cereja, enquanto sistemas destinados à produção em maior escala normalmente buscam maior eficiência operacional, mesmo com maior variação no estágio de maturação.

O texto diferencia ainda os sistemas de colheita seletiva e derriça total. Na colheita seletiva, manual ou mecanizada com regulagem adequada, é possível retirar primeiro os frutos maduros e deixar os verdes para uma segunda passagem. Já na derriça total, a decisão sobre o momento de início torna-se mais crítica, já que a maior parte dos frutos será retirada simultaneamente.

Outro ponto abordado é a integração entre colheita e pós-colheita. A qualidade da bebida depende da disponibilidade de terreiros, secadores, lavadores e despolpadores, além da capacidade da equipe em processar rapidamente os frutos. O texto alerta que “colher no ponto ideal, mas deixar o café parado em montes úmidos, sem iniciar secagem adequada, compromete a bebida e anula o esforço de esperar a maturação correta”.

Entre os cuidados recomendados durante o início da colheita estão evitar o recolhimento de frutos do chão para os lotes de maior valor, reduzir a presença de impurezas, transportar rapidamente os frutos para o processamento e manter a separação entre diferentes talhões e estágios de maturação.

O material também sugere revisar uma série de aspectos antes do início da operação, como predominância de frutos cereja, baixa proporção de verdes, redução das chuvas, disponibilidade da estrutura de secagem, forma de colheita escolhida e preparo da equipe para preservar a qualidade dos lotes.

Ao atender a esses critérios, o produtor amplia as chances de iniciar a colheita no momento mais adequado para expressar o potencial da lavoura. Segundo o texto, isso contribui para a produção de cafés com bebida superior, maior remuneração e melhores resultados econômicos para a atividade. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.





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Entenda o que faz a carne do Pantanal conquistar mercados cada vez mais exigentes


Pecuária Pantanal
Foto: reprodução/Planeta Campo

A pecuária desenvolvida no Pantanal alia um sistema de produção adaptado ao bioma à garantia de origem da carne. Saiba como os produtores podem ingressar no mercado da carne sustentável, um segmento que cresce impulsionado pela demanda por alimentos com origem certificada.

Segundo o diretor-executivo da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), Guilherme de Oliveira, o diferencial da produção pantaneira está justamente na integração entre a atividade pecuária e as características naturais do bioma. Em vez de adaptar o ambiente ao sistema produtivo, o manejo é desenvolvido respeitando os ciclos naturais do Pantanal, marcados pelas cheias e secas.

Em determinadas épocas do ano, áreas que normalmente são utilizadas para o pastejo ficam alagadas, reduzindo significativamente a capacidade de uso das propriedades. Ainda assim, esse cenário contribui para manter um sistema produtivo considerado naturalmente sustentável e favorável à produção orgânica.

“O pantanal hoje está protegido por lei, então não pode manejar totalmente as áreas. Não pode trocar a vegetação. Então, isso é um algo bacana de entendermos e por isso que a produção é sustentável”, explica Oliveira.

Tecnologia

Ferramentas voltadas ao manejo de pastagens nativas, nutrição animal, melhoramento genético e assistência técnica têm contribuído para aumentar a eficiência sem comprometer as características do bioma.

Para que uma propriedade participe dos protocolos da ABPO, técnicos realizam visitas e avaliam critérios ambientais, sociais e econômicos. Além das boas práticas ambientais, são analisadas questões relacionadas às condições de trabalho dos colaboradores e à gestão da propriedade, garantindo que a produção atenda aos requisitos exigidos pelas certificações.

“A gente tem que lembrar do tripé da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. Então, o técnico ele vai na propriedade para enquadrar justamente a propriedade nos critérios ambientais, sociais e econômicos”, destaca Oliveira.

Rastreabilidade

Todos os animais participantes dos protocolos são identificados e acompanhados ao longo da produção para assegurar sua origem. Os bovinos passam a maior parte da vida no Pantanal e podem ser encaminhados para propriedades certificadas fora da planície, onde são terminados antes do abate, mantendo a garantia de origem e o padrão sustentável.

“Em vez dele terminar na própria propriedade dele, onde muitas vezes o ciclo do Pantanal não permite, ou vender essa vaca magra ou vaca descarte, ele simplesmente joga para um boitel parceiro”, destaca.

Melhoramento genético

Embora o Nelore continue predominante por sua adaptação às condições do bioma, cresce o uso de cruzamentos industriais e de animais com maior potencial de desempenho, sempre respeitando a capacidade de adaptação ao ambiente.

Essa melhoria genética, aliada ao avanço das técnicas de manejo e nutrição, permite reduzir o tempo de permanência dos animais no sistema produtivo. Com ciclos mais curtos, é possível produzir mais carne na mesma área, aumentando a eficiência e reduzindo a pressão sobre os recursos naturais.

A associação também ampliou recentemente as possibilidades para os criadores ao incluir os boitéis parceiros nos protocolos. A iniciativa permite que produtores especializados na fase de cria encaminhem animais rastreados para terminação em unidades localizadas na região do entorno do Pantanal, agregando valor à produção e facilitando o acesso aos incentivos oferecidos pelo governo estadual.

Certificação

Além do suporte técnico, a ABPO busca fortalecer o reconhecimento da carne certificada pelo consumidor. A entidade já lançou um selo próprio, utilizado por produtores associados para identificar carnes produzidas sob protocolos sustentável ou orgânico.

A expectativa é ampliar a presença desse tipo de produto nas gôndolas, seguindo um movimento já consolidado em outros segmentos, como o café certificado.

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Tarifaço dos EUA pode gerar tensões comerciais com o Brasil


O prazo para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assine um decreto que pode confirmar, modificar ou suspender novas sobretaxas sobre produtos brasileiros termina nesta quarta-feira. A medida pode gerar um impacto bilionário para o Brasil e aumentar a tensão comercial entre os dois países.

Representantes dos governos brasileiro e americano realizaram recentemente uma rodada de negociações, onde o Brasil considerou as tarifas injustas. Os Estados Unidos, por sua vez, alegam práticas comerciais desleais em áreas como comércio digital, PIC, etanol e trabalho forçado.

Impacto das novas tarifas

As novas tarifas representam uma disputa comercial que pode ter desdobramentos significativos. Especialistas afirmam que essas medidas não têm justificativa técnica e são parte de uma estratégia geopolítica dos EUA em relação ao Brasil.

  • Aumento da utilização da política comercial como ponto de pressão.
  • Investigação sobre políticas públicas brasileiras e práticas comerciais.
  • Possíveis reflexos negativos na imagem do Brasil no comércio internacional.

Busca por diversificação comercial

Em resposta a esse cenário, o Brasil tem buscado diversificar seus parceiros comerciais. Nos últimos anos, houve avanços significativos em acordos de livre comércio, como a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia.

  • Negociações com países asiáticos, como Singapura.
  • Aumento do interesse em diversificar investimentos e parcerias comerciais.
  • Busca por novos mercados para minimizar impactos das tarifas americanas.

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Portos do Paraná registram recorde de movimentação no primeiro semestre de 2023


Os Portos do Paraná alcançaram um recorde histórico no primeiro semestre de 2023, movimentando 34,4 milhões de toneladas de cargas, mesmo em um cenário internacional desafiador. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento das exportações, que subiram 4,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Dados de movimentação

  • Total movimentado: 34.440.000 toneladas
  • Crescimento em exportações: 0,6%
  • Crescimento em importações: -6,5%
  • Volume de importações: pouco mais de 12 milhões de toneladas
  • Fertilizantes: principal produto importado, com queda de 10%

Exportações em destaque

  • Soja: aumento de 21%, com quase 9,5 milhões de toneladas exportadas
  • Farelo de soja: significativo na composição das exportações
  • Óleo de soja: crescimento de 41%, totalizando quase 798.000 toneladas
  • Movimentação de contêineres: alta de 8,9%
  • Veículos: aumento expressivo de 66%

Expectativas para o futuro

A Portos do Paraná projeta um segundo semestre ainda mais forte, com a expectativa de manter o ritmo de crescimento, já que historicamente este período concentra um volume maior de operações.

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Chile declara estado de emergência devido a chuvas intensas previstas


Nesta segunda-feira, o Chile declarou estado de emergência preventiva devido às fortes chuvas previstas, que afetarão a região do Atacama até o sul da região de Los Lagos, incluindo a capital Santiago. A medida foi tomada em resposta ao fenômeno climático El Niño, que intensifica as condições meteorológicas adversas.

Previsão de chuvas volumosas

O presidente José Antônio Kast visitou Santiago, onde estão sendo realizados trabalhos preventivos para evitar que o canal Quebrada Ramon transborde e cause inundações. As projeções indicam que a região do deserto do Atacama, que normalmente recebe apenas 5 mm de chuva por ano, pode enfrentar precipitações de até 600 mm, representando um aumento significativo.

Ações preventivas em andamento

  • O governo chileno está implementando medidas para mitigar os impactos das chuvas.
  • Trabalhos preventivos estão sendo realizados em áreas vulneráveis, especialmente em Santiago.
  • O alerta é para chuvas volumosas que podem causar estragos na área urbana.

Impactos esperados no Brasil

Além do Chile, o fenômeno El Niño também pode afetar o Brasil, especialmente nas regiões sul e sudeste. Meteorologistas alertam para a possibilidade de enchentes e deslizamentos de terra, com volumes de chuva que podem ultrapassar 200 mm em algumas áreas.

Condições climáticas futuras

As previsões indicam que o clima deve permanecer instável, com a formação de ciclones extratropicais que podem prolongar as chuvas por até 10 dias. A situação requer atenção especial, pois pode resultar em deslizamentos e alagamentos em várias regiões.

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