Fazenda vê impacto macroeconômico reduzido de novas tarifas dos EUA

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda avalia que o impacto macroeconômico das novas tarifas americanas sobre a economia brasileira permanece reduzido. A análise consta no Boletim Macrofiscal de julho, divulgado nesta quarta-feira (15). Segundo a pasta, as exportações brasileiras mostraram resiliência após a elevação tarifária de agosto de 2025 e passaram por recuperação gradual desde novembro.
De acordo com a SPE, o mercado dos Estados Unidos respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalente a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) antes do choque. A secretaria afirma que o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o que limitou o efeito direto sobre a atividade.
A pasta também destacou que as medidas anunciadas pelos Estados Unidos em junho de 2026 ainda dependem de aprovação e preveem exceções para diversos produtos, fator que, segundo a avaliação oficial, tende a manter o impacto agregado em nível modesto. No documento, a SPE cita ainda ações implementadas desde o ano passado em apoio aos setores mais expostos, com foco em crédito, liquidez e diversificação de mercados.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
A decisão dos Estados Unidos sobre um novo tarifaço para produtos importados do Brasil deve sair ainda nesta quarta-feira (15). A alíquota tende a ser fixada em 25% e atingir aproximadamente 21% das exportações nacionais, com expectativa de uma lista de exclusão para produtos que afetam a inflação americana. Entre os itens citados no relatório preliminar do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) estão aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.
No relatório preliminar divulgado em 1º de junho, o USTR sugeriu a aplicação da tarifa no âmbito da investigação comercial conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana. Os Estados Unidos acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) mostram que, no primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13,0% sobre o mesmo período do ano anterior, para US$ 17,428 bilhões. As importações recuaram 12,5% e somaram US$ 18,950 bilhões. Com isso, a balança comercial brasileira com o país registrou déficit de US$ 1,522 bilhão no acumulado do ano.
Fonte: Estadão Conteúdo
O post Fazenda vê impacto macroeconômico reduzido de novas tarifas dos EUA apareceu primeiro em Canal Rural.

