quarta-feira, julho 15, 2026
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Entenda o que faz a carne do Pantanal conquistar mercados cada vez mais exigentes


Pecuária Pantanal
Foto: reprodução/Planeta Campo

A pecuária desenvolvida no Pantanal alia um sistema de produção adaptado ao bioma à garantia de origem da carne. Saiba como os produtores podem ingressar no mercado da carne sustentável, um segmento que cresce impulsionado pela demanda por alimentos com origem certificada.

Segundo o diretor-executivo da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), Guilherme de Oliveira, o diferencial da produção pantaneira está justamente na integração entre a atividade pecuária e as características naturais do bioma. Em vez de adaptar o ambiente ao sistema produtivo, o manejo é desenvolvido respeitando os ciclos naturais do Pantanal, marcados pelas cheias e secas.

Em determinadas épocas do ano, áreas que normalmente são utilizadas para o pastejo ficam alagadas, reduzindo significativamente a capacidade de uso das propriedades. Ainda assim, esse cenário contribui para manter um sistema produtivo considerado naturalmente sustentável e favorável à produção orgânica.

“O pantanal hoje está protegido por lei, então não pode manejar totalmente as áreas. Não pode trocar a vegetação. Então, isso é um algo bacana de entendermos e por isso que a produção é sustentável”, explica Oliveira.

Tecnologia

Ferramentas voltadas ao manejo de pastagens nativas, nutrição animal, melhoramento genético e assistência técnica têm contribuído para aumentar a eficiência sem comprometer as características do bioma.

Para que uma propriedade participe dos protocolos da ABPO, técnicos realizam visitas e avaliam critérios ambientais, sociais e econômicos. Além das boas práticas ambientais, são analisadas questões relacionadas às condições de trabalho dos colaboradores e à gestão da propriedade, garantindo que a produção atenda aos requisitos exigidos pelas certificações.

“A gente tem que lembrar do tripé da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. Então, o técnico ele vai na propriedade para enquadrar justamente a propriedade nos critérios ambientais, sociais e econômicos”, destaca Oliveira.

Rastreabilidade

Todos os animais participantes dos protocolos são identificados e acompanhados ao longo da produção para assegurar sua origem. Os bovinos passam a maior parte da vida no Pantanal e podem ser encaminhados para propriedades certificadas fora da planície, onde são terminados antes do abate, mantendo a garantia de origem e o padrão sustentável.

“Em vez dele terminar na própria propriedade dele, onde muitas vezes o ciclo do Pantanal não permite, ou vender essa vaca magra ou vaca descarte, ele simplesmente joga para um boitel parceiro”, destaca.

Melhoramento genético

Embora o Nelore continue predominante por sua adaptação às condições do bioma, cresce o uso de cruzamentos industriais e de animais com maior potencial de desempenho, sempre respeitando a capacidade de adaptação ao ambiente.

Essa melhoria genética, aliada ao avanço das técnicas de manejo e nutrição, permite reduzir o tempo de permanência dos animais no sistema produtivo. Com ciclos mais curtos, é possível produzir mais carne na mesma área, aumentando a eficiência e reduzindo a pressão sobre os recursos naturais.

A associação também ampliou recentemente as possibilidades para os criadores ao incluir os boitéis parceiros nos protocolos. A iniciativa permite que produtores especializados na fase de cria encaminhem animais rastreados para terminação em unidades localizadas na região do entorno do Pantanal, agregando valor à produção e facilitando o acesso aos incentivos oferecidos pelo governo estadual.

Certificação

Além do suporte técnico, a ABPO busca fortalecer o reconhecimento da carne certificada pelo consumidor. A entidade já lançou um selo próprio, utilizado por produtores associados para identificar carnes produzidas sob protocolos sustentável ou orgânico.

A expectativa é ampliar a presença desse tipo de produto nas gôndolas, seguindo um movimento já consolidado em outros segmentos, como o café certificado.

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