O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou uma área plantada de soja de 84,7 milhões de acres nos Estados Unidos para a safra 2026, conforme relatório de intenção de plantio divulgado nesta terça-feira (31)
Se confirmada, a área representa um crescimento de 4% em relação ao ciclo anterior, quando foram cultivados 81,225 milhões de acres. Apesar da expansão anual, o número veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava 85,55 milhões de acres.
O dado também ficou inferior ao apresentado pelo próprio USDA durante o Fórum Anual realizado em fevereiro, quando a estimativa inicial apontava para 85 milhões de acres.
Na comparação com o ano passado, a área destinada à soja aumentou ou permaneceu estável em 20 dos 29 principais estados produtores, indicando uma expansão disseminada, ainda que mais moderada do que o esperado pelos agentes do mercado.
A divulgação reforça um cenário de cautela por parte dos produtores norte-americanos, em meio a fatores como custos de produção, condições climáticas e a competitividade com outras culturas, como o milho. O número menor do que o esperado tende a dar suporte aos preços da soja no mercado internacional, ao sinalizar uma oferta potencialmente mais ajustada do que se projetava anteriormente.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) enviou carta ao governador Jorginho Mello reivindicando a redução dos tributos estaduais sobre o diesel frente ao aumento do combustível e seus derivados em decorrência da guerra no Oriente Médio.
No documento, que tem o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, pede a adoção de medida emergencial para a redução imediata e temporária das alíquotas do Imposto sobre circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidentes sobre a importação, produção, distribuição e comercialização de óleo diesel no estado.
Ele argumenta que os tributos estaduais adicionam valor significativo ao produto comercializado, o que afeta diretamente o setor agropecuário, marcado, atualmente, pela colheita e o plantio da segunda safra. “Os efeitos desse cenário sobre os custos de produção e a atividade econômica nacional geram grande preocupação”, relata o dirigente.
Estabilização da economia
A Faesc argumenta que a redução temporária das alíquotas do imposto estadual contribuirá para mitigar os efeitos do aumento dos combustíveis sobre toda a economia nacional, com reflexos diretos na redução dos custos de produção agropecuária, na moderação dos preços dos alimentos ao consumidor e na diminuição das pressões inflacionárias.
“Além disso, a medida poderá proporcionar um ambiente macroeconômico mais estável, contribuindo para a trajetória de redução da taxa básica de juros”, destaca.
Na avaliação da entidade, a redução tributária será compensada pelo aumento da produção nacional de petróleo e de seus derivados, bem como pela ampliação da atividade econômica e da arrecadação decorrente desse dinamismo.
Reivindicação semelhante também foi encaminhada ao governo federal, com vistas à avaliação de medidas relativas ao PIS/Pasep e Cofins, também incidentes sobre o diesel.
A estimativa para a produção brasileira de algodão na safra 2025/26 foi mantida em 3,74 milhões de toneladas pela StoneX, conforme análise divulgada no relatório de março da consultoria. Apesar da manutenção da projeção, a empresa destaca que o ciclo ainda exige atenção devido às condições climáticas e ao estágio de desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras.
No Mato Grosso, principal produtor da fibra no país, o desenvolvimento das lavouras ainda é considerado inicial, embora apresente desempenho considerado satisfatório até o momento. A consultoria aponta que o comportamento das chuvas ao longo de abril será decisivo para a definição do rendimento das lavouras, especialmente nas áreas que tiveram plantio mais tardio.
Segundo Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o estágio atual das lavouras exige acompanhamento das condições climáticas nas próximas semanas. “O desenvolvimento ainda está em um estágio bastante incipiente em algumas regiões do Mato Grosso, o que faz com que o clima nas próximas semanas seja decisivo para consolidar o potencial produtivo da safra”, afirma. “As áreas plantadas mais tardiamente exigem atenção redobrada, pois são mais sensíveis a eventuais irregularidades climáticas.”
Na Bahia, o cenário climático apresenta condições mais favoráveis para a cultura. De acordo com a StoneX, os volumes de chuva registrados até o momento estão acima da média histórica, o que contribui para um estágio mais avançado de desenvolvimento das lavouras e sustenta a estimativa de produtividade no estado, projetada em 1,97 tonelada por hectare.
Bulascoschi afirma que o regime de chuvas tem favorecido o desempenho da cultura no estado. “Na Bahia, o clima tem colaborado de forma bastante positiva. As lavouras estão mais adiantadas e o bom regime de chuvas ajuda a tornar mais concreta a estimativa atual de produtividade”, destaca.
No mercado externo, a consultoria revisou a projeção de exportações brasileiras de algodão para 2026. Segundo o relatório de março da StoneX, os embarques estão estimados em 3,1 milhões de toneladas, volume 3,3% superior à estimativa divulgada em fevereiro. A revisão reflete a maior disponibilidade do produto após a colheita expressiva do ciclo anterior.
A consultoria também aponta expectativa de demanda mais elevada em mercados consumidores relevantes, como China e Paquistão, especialmente no primeiro semestre do próximo ano, o que pode favorecer o ritmo das exportações brasileiras. “A combinação entre uma oferta robusta e uma demanda internacional mais firme tende a sustentar um bom desempenho das exportações ao longo do primeiro semestre”, explica Bulascoschi. “Ainda assim, o mercado seguirá atento ao potencial produtivo da safra atual e a como isso pode influenciar o fluxo de embarques na segunda metade do ano.”
De acordo com a StoneX, o desempenho da produção ao longo do ciclo será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda e para a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional ao longo de 2026.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 1 bilhão para a implantação de uma usina de etanol de milho em Tapurah, no Médio-Norte de Mato Grosso. Os recursos vêm do Fundo Clima e do BNDES Finem e correspondem a 62,2% do total do investimento.
A unidade será construída pela RRP Energia Ltda. e terá produção estimada em até 459 milhões de litros de etanol hidratado ou 452 milhões de litros de etanol anidro por ano.
Capacidade de produção
A usina terá capacidade para processar mais de 1 milhão de toneladas de milho por ano. Além do etanol, o empreendimento deverá produzir até 358 mil toneladas de grãos de destilaria secos com solúveis (DDGS), além de grãos de destilaria úmidos (WDGS) e 22 mil toneladas de óleo bruto de milho.
Para atender a demanda energética da planta, o projeto prevê a implantação de uma central termelétrica integrada, com capacidade de geração de até 27 MW. O consumo estimado da unidade em operação plena será de 16,9 MW.
Durante a fase de implantação, a obra deve gerar 1.105 postos de trabalho, sendo 1.005 diretos e 100 indiretos. Após a conclusão, a usina deverá operar com 205 empregados diretos e 100 indiretos, totalizando 305 empregos permanentes.
A RRP Energia faz parte do Grupo Piccini, fundado há 46 anos. O grupo atua no setor agropecuário em Mato Grosso e no Paraná, além de operar no comércio de máquinas agrícolas, logística, infraestrutura e distribuição de combustíveis.
A nova usina marca a entrada do grupo no setor de biocombustíveis. A planta será instalada às margens da MT-010, a 5 km da BR-163, corredor logístico do Estado, em área com produção de milho e próxima a polos de pecuária, suinocultura e avicultura.
As chuvas do primeiro trimestre do ano beneficiaram pastagens Brasil afora, contribuindo para que o pecuarista segurasse a boiada e ditasse o ritmo das negociações, o que aumentou o preço da arroba.
Contudo, a chegada de abril marca uma mudança relevante nessas condições. Com a transição para o período seco, a qualidade do pasto começa a cair, afetando diretamente o desempenho dos animais e a eficiência dos sistemas produtivos.
O zootecnista e gestor comercial da Nutriganho, Fernando Carlos, destaca que a redução nos níveis de proteína e energia do capim compromete o ganho de peso, aumenta a desuniformidade dos lotes e prolonga o ciclo de terminação.
“Esse movimento tende a elevar o custo por arroba produzida, em um momento em que o setor já convive com margens mais ajustadas”, pontua.
Para ele, o período exige atenção redobrada do produtor. “Abril deixou de ser apenas uma transição entre águas e seca. Hoje, é um momento em que decisões de manejo impactam diretamente o resultado econômico da operação”, afirma.
O especialista destaca que a estratégia de manter os animais exclusivamente a pasto até o auge da seca ainda é comum, mas pode comprometer o desempenho produtivo. “O animal tende a reduzir o ganho de peso à medida que o pasto perde qualidade. Isso alonga o ciclo e pode deslocar a venda para janelas de mercado menos favoráveis”, diz.
Nesse contexto, cresce a adoção de ferramentas de intensificação, como suplementação energética, sistemas de semi-confinamento e modelos de terminação intensiva a pasto (TIP). A proposta é compensar a queda nutricional da forragem e manter níveis adequados de desempenho.
“Não se trata necessariamente de aumentar custos, mas de direcionar melhor o investimento. Ao corrigir a dieta, o produtor melhora a conversão alimentar e reduz o tempo até o abate”, contextualiza Carlos.
Implicações financeiras
O especialista ressalta que além dos aspectos técnicos, a antecipação da terminação também tem implicações financeiras. Isso porque a redução do ciclo produtivo permite giro mais rápido do capital, melhora o fluxo de caixa e libera áreas para novas estratégias dentro da propriedade.
“O tempo passou a ser um fator determinante. Produzir mais arrobas em menos tempo e posicionar melhor a venda faz diferença no resultado final”, afirma.
Com isso, abril se consolida como um período crítico para a pecuária a pasto, exigindo maior planejamento e capacidade de adaptação por parte dos produtores diante das mudanças nas condições de produção e de mercado.
Policiais militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreenderam, na tarde de segunda-feira (30), 1.810 quilos de maconha escondidos em uma carreta carregada com óleo de soja. A ação ocorreu na BR-163, nas proximidades do distrito de Vila Vargas, em Dourados, no Mato Grosso do Sul.
A apreensão aconteceu durante um bloqueio policial na rodovia. Ao abordar o caminhão com semirreboque, os agentes perceberam inconsistências nas informações prestadas pelo motorista, de 36 anos, além de sinais de nervosismo durante a entrevista.
Durante a vistoria no compartimento de carga, os policiais identificaram o odor característico da droga e localizaram 81 fardos de maconha ocultos entre os paletes do produto lícito.
O condutor confessou que, após carregar o óleo de soja em uma empresa de Dourados, levou o veículo até um barracão, onde a droga foi inserida. Segundo ele, o destino final seria o estado de São Paulo, e o transporte renderia pagamento de R$ 30 mil.
O suspeito, o veículo e a carga apreendida, avaliada em aproximadamente R$ 3,35 milhões, foram encaminhados à Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira, também em Dourados.
A operação foi realizado no âmbito no Programa Protetor das Fronteiras e Divisas, em parceria entre a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, além de integrar a Operação Ágata Tempestade no Oeste I, com apoio do Exército Brasileiro.
Mudanças nas projeções meteorológicas indicam um cenário mais favorável para a chegada de uma massa de ar frio ainda em abril no Brasil. De acordo com informações do Meteored, o avanço desse sistema pode ocorrer antes do que indicavam as tendências anteriores e deve alterar o padrão de temperaturas no centro-sul do país nas próximas semanas.
Segundo a análise, a mudança já começa a ser observada durante a Semana Santa, com aumento das chuvas e redução do calor em parte do centro-sul. Ainda não há, neste momento, a atuação de uma frente fria responsável por essa alteração nas condições atmosféricas. O fenômeno ocorre devido a uma configuração nos níveis mais elevados da atmosfera, que favorece a formação de instabilidades nas regiões Sul e Sudeste e no estado de Mato Grosso do Sul.
O levantamento aponta que a intensificação dos sistemas de chuva sobre o centro-sul ocorre de forma mais tardia neste ano, mas deve se tornar mais evidente nas próximas semanas. A tendência é de antecipação da atuação de uma frente fria mais intensa e, posteriormente, da primeira massa de ar frio mais significativa do outono.
De acordo com o Meteored, as projeções ainda são consideradas uma tendência e podem sofrer alterações. Os detalhes sobre intensidade, alcance territorial e impactos do sistema frontal e da massa de ar frio ainda dependem da evolução dos modelos meteorológicos.
Durante o fim de semana da Páscoa, a atuação de um sistema de chuva sobre o Uruguai pode provocar aumento temporário das temperaturas no centro-sul do Brasil. O fenômeno ocorre devido ao acúmulo de ar quente sobre a região, o que pode gerar um novo período de temperaturas acima da média em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Na semana seguinte, o sistema sobre o Uruguai tende a avançar em direção ao Sul do Brasil, ganhando intensidade e formando uma área de baixa pressão que pode originar um ciclone extratropical acompanhado de frente fria. Segundo o Meteored, o período entre os dias 6 e 10 de abril deve marcar a primeira redução mais significativa das temperaturas.
As projeções indicam que, no final dessa semana, especialmente na sexta-feira (10), as temperaturas máximas podem ficar próximas de 20 °C em grande parte da Região Sul e no leste do estado de São Paulo. As mínimas devem variar entre 10 °C e 15 °C, com valores menores em áreas de serra. Nesse mesmo período, a frente fria também deve influenciar o Sudeste, contribuindo para reduzir as temperaturas máximas para cerca de 24 °C a 25 °C em outros estados da região.
Na sequência, por volta dos dias 12 e 13 de abril, a frente fria tende a perder força, mas a massa de ar frio associada pode continuar atuando e ampliar sua área de influência sobre o centro-sul do país. Com isso, o padrão de temperaturas mais amenas pode persistir ao longo dos dias, caracterizando condições típicas do outono, com madrugadas e noites mais frias em diversas localidades.
O Sistema Ocergs convidou presidentes de partidos políticos do Rio Grande do Sul para apresentar demandas do cooperativismo gaúcho a serem contempladas nos próximos planos de governo.
O evento aconteceu na segunda-feira (30) e os participantes receberam um documento que reúne propostas estratégicas, de natureza técnica e apartidária, elaboradas por representantes de cooperativas dos sete ramos do cooperativismo gaúcho.
Em relação à agropecuária, o mote da iniciativa é na mitigação dos efeitos climáticos que castigam o Rio Grande do Sul há cinco safras consecutivas. Assim, propõe-se a criação de um fundo específico para apoio aos momentos críticos causados por estiagens e enchentes.
Desta forma, o Sistema Ocergs entende como essencial a implementação de programas efetivos de renegociação das dívidas de cooperativas e associados, considerando as perdas por eventos climáticos e crises de mercado.
“Queremos ser vistos como parceiros do Estado. O cooperativismo está enraizado no Rio Grande do Sul, gera desenvolvimento local e muitas vezes atua onde o poder público não consegue chegar. O Sistema Ocergs e suas lideranças estão à disposição para contribuir com propostas concretas para o estado”, afirmou o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann.
Incentivos a crédito e insumos
No documento apresentado aos líderes partidários, o cooperativismo gaúcho também pede a criação de instrumentos de apoio especial a insumos, maquinário agrícola e irrigação, com linha de crédito permanente e subsidiada.
Tal iniciativa pode, conforme o Sistema Ocergs, seguir o exemplo de políticas existentes em outros estados, como Paraná e Santa Catarina, bem como de iniciativas já adotadas no Rio Grande do Sul, a exemplo do Programa Bônus Mais Leite (SDR) e os programas de irrigação da Secretaria da Agricultura.
A carta direcionada aos partidos ainda prega a necessidade de estímulo ao consumo de suco de uva. Com isso, pede a garantia do cumprimento da Lei 13.247/2009, que assegura a inclusão da bebida na merenda escolar, bem como a articulação de um novo PL para que o produto seja inserido na cesta básica gaúcha como item essencial.
Assim, o cooperativismo do Rio Grande do Sul pede que o próximo plano de governo contemple uma política estadual de seguros agrícolas para enfrentar catástrofes climáticas de forma complementar à política do Plano Safra.
Além disso, o setor ressalta que os prazos de financiamento a produtores e cooperativas frequentemente não consideram os ciclos produtivos do estado, sendo necessários prazos de amortização e carência alinhados aos ciclos produtivos do estado.
Proteção ao vinho gaúcho
O Sistema Ocergs chama atenção para o temor de produtores de vinho do Rio Grande do Sul de perder competitividade frente aos produtos do mercado europeu com o acordo entre o bloco e o Mercosul que prevê a isenção de tarifas de importação e exportação.
Diante disso, o setor pede a criação de uma “política inteligente para defender o setor e evitar prejuízos adicionais”. A ideia é que se faça um monitoramento contínuo da entrada de vinhos europeus no país (preço, volume e impactos sobre emprego).
“Uso de cláusulas de salvaguarda em caso de dano grave comprovado; defesa sanitária e técnica rigorosa, sem discriminação; não aceitar medidas contenciosas nas áreas trabalhista e ambiental; e adoção de medidas internas (federais e estaduais) para reduzir o risco de desvantagem competitiva do vinho brasileiro e proteger a cadeia produtiva”, destaca o documento, que também prega estratégias de promoção das exportações de produtos gaúchos para a Europa.
No encontro, os partidos foram apresentados aos principais números que traduzem o tamanho e a capilaridade do movimento: 372 cooperativas, 4,2 milhões de associados (mais de um terço da população) e 78,5 mil empregos diretos, alcançando todos os municípios do estado. Somente em 2025, segundo balanço parcial do Sistema Ocergs, o cooperativismo gaúcho faturou R$ 103,4 bilhões, aumento de 11% em relação ao período anterior.
Minas Gerais deu um passo estratégico para conter o avanço do greening, a doença mais devastadora da citricultura mundial. Produtores do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e noroeste do estado lançaram o projeto Cinturão Antigreening, uma iniciativa coordenada pelo Sistema Faemg Senar em parceria com sindicatos rurais.
A proposta é ambiciosa: proteger uma área superior a 150 mil km², incluindo o principal polo citrícola do estado. Só o Triângulo Mineiro concentra cerca de 50% da produção estadual de citros.
O objetivo central é reduzir o risco de disseminação do greening, preservar os pomares e garantir segurança para investimentos no setor.
A estratégia envolve ações diretas no campo, como:
eliminação de plantas hospedeiras do inseto transmissor
monitoramento constante das lavouras
resposta rápida a possíveis focos da doença
Segundo Osny Zago, presidente do Núcleo dos Sindicatos dos Produtores Rurais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a iniciativa funciona como uma barreira sanitária.
“Esse cinturão vai proteger uma grande área produtiva e trazer mais segurança para os investimentos”, afirma.
Leis já começam a mudar o cenário
Alguns municípios já saíram na frente. Araxá, Sacramento e Ibiá aprovaram legislações que proíbem o plantio da murta, planta que favorece a proliferação do psilídeo — inseto responsável por transmitir a doença.
A expectativa é ampliar a medida para outras cidades e consolidar Minas como referência nacional em prevenção ao greening.
“É uma legislação simples, mas com grande impacto para o setor”, destaca Osmar Gonçalves, presidente do Sindicato Rural de Araxá.
Produção cresce e exige resposta rápida
Minas Gerais ocupa hoje a segunda posição nacional na produção de laranja, limão e tangerina, segundo o IBGE. Além disso, a área cultivada cresceu cerca de 6% nos últimos cinco anos.
Esse avanço aumenta a necessidade de proteção sanitária. O greening já causou perdas severas em regiões como São Paulo, Bahia e Sergipe — além da Flórida, nos Estados Unidos, referência global na produção de suco.
Produtores seguem investindo, mesmo com risco
Mesmo diante da ameaça, o setor segue em expansão. O produtor Franco Cruz Carvalho, por exemplo, implantou 250 hectares de laranja em Ibiá.
Ele aposta no potencial da região e vê o cinturão como decisivo para evitar prejuízos futuros.
“A iniciativa é fundamental para levar informação e evitar que enfrentemos os mesmos problemas de outras regiões”, afirma.
A expectativa é alcançar produtividade de até 1.200 caixas por hectare a partir do próximo ciclo.
Doença sem cura exige prevenção total
O greening. ta,b[ém chamao de huanglongbing (HLB), é causado por uma bactéria transmitida pelo psilídeo (Diaphorina citri), um inseto altamente móvel, capaz de se deslocar por longas distâncias.
O maior desafio é que não existe cura para plantas infectadas. Por isso, a prevenção se torna a principal estratégia.
Dados do Fundecitrus mostram que, em 2025, houve aumento de 7,4% na incidência da doença na região que inclui São Paulo e parte de Minas.
Apesar disso, o Triângulo Mineiro ainda apresenta níveis mais baixos — o que reforça a importância de agir antes da escalada.
Impacto global acende alerta
A dimensão do problema já foi comprovada em outros países. Na Flórida, o greening gera prejuízos estimados em US$ 1 bilhão por ano, além de reduzir a produtividade em até 30%.
Segundo Mariana Marotta, analista do Sistema Faemg Senar, o tema é estratégico para o Brasil.
“Três de cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo são produzidos no país. O desafio sanitário é enorme”, destaca.
Com o cinturão antigreening, Minas tenta antecipar o problema — e proteger não apenas a produção, mas toda a cadeia econômica da citricultura.
Em uma participação histórica no Giro do Boi desta terça-feira (31), a Dra. Mariângela Hungria, pesquisadora da Embrapa e a primeira mulher brasileira a conquistar o Prêmio Mundial da Alimentação, trouxe uma mensagem de soberania para o campo.
Diante da crise global de fertilizantes e da dependência de importações de países em conflito, como Rússia e nações do Oriente Médio, a cientista afirmou que a pesquisa brasileira já dispõe de tecnologias prontas para reduzir drasticamente o uso de adubos químicos.
A Dra. Mariângela destacou que o Brasil possui a faca e o queijo na mão para liderar a agricultura e pecuária biológica mundial, substituindo insumos caros por vida microscópica. “Nós temos soluções na prateleira que permitiriam substituir até 40% ou 50% dos químicos”, afirmou a pesquisadora.
Confira:
Inovações para a pecuária
O uso de bactérias que capturam o nitrogênio do ar elimina a necessidade de ureia na soja, gerando economia de R$ 140 bilhões por safra, e reduz significativamente a demanda em gramíneas e pastagens. O estudo da Dra. Mariângela evitou a emissão de 230 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, consolidando a carne e os grãos brasileiros com baixíssima pegada de carbono.
Para o pecuarista, a grande notícia de 2026 é que a tecnologia que revolucionou a soja agora está disponível para o pasto, focando na recuperação de 40 milhões de hectares degradados. O uso de bactérias como o Azospirillum produz fitormônios que fazem a raiz do capim crescer vigorosamente, aumentando a absorção de água e nutrientes.
Bactérias como a Pseudomonas fluorescens ajudam a “destravar” o fósforo preso no solo, tornando-o disponível para a planta. Pastagens inoculadas apresentam 20% mais biomassa e uma forragem mais rica em proteínas e minerais, resultando em animais mais pesados e terminação mais rápida.
Mariângela defende que o futuro do agro exige um olhar mais atento à saúde do solo. Através da Bioanálise de Solo (BioAS), o produtor pode monitorar a vida microbiana da fazenda, garantindo que o solo retenha água e recicle nutrientes de forma eficiente. Para a pesquisadora, não basta ser sustentável; é preciso regenerar o que foi perdido, devolvendo biodiversidade aos solos exauridos.
O sucesso da agropecuária brasileira em 2026 é biológico. Ao investir em ciência e parcerias público-privadas, o produtor protege seu bolso contra crises globais de fertilizantes. “Se eu incentivei um pecuarista a usar em suas pastagens os biológicos, eu já vou dormir contente hoje”, concluiu a laureada.