sexta-feira, março 27, 2026

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Mercado de trigo mostra reação no Sul



No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por ton


No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF
No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF – Foto: Paulo kurtz/ Embrapa

O mercado de trigo na Região Sul apresenta movimentos de reação nos preços, com negociações ainda pontuais e foco dos compradores em garantir abastecimento futuro. De acordo com a TF Agroeconômica, há sinais de firmeza nas cotações, sustentados principalmente pela oferta restrita de produto de melhor qualidade.

No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, com indicações mais elevadas para entregas a partir de maio. A avaliação predominante é de que os níveis mais baixos dificilmente retornarão, diante da escassez de trigo de qualidade, agravada por problemas na safra argentina. Nesse cenário, lotes superiores disponíveis no estado tendem a alcançar maior valorização. O preço ao produtor também avançou, chegando a R$ 57,00 por saca em Panambi.

Em Santa Catarina, o mercado segue dependente do trigo gaúcho, com aumento recente nos preços impulsionado principalmente pelo custo do frete, que elevou os valores CIF para a faixa de R$ 1.310 a R$ 1.315 por tonelada. Também há oferta de produto local em níveis semelhantes. O encarecimento logístico levou moinhos a reajustarem os preços da farinha em cerca de 3%, movimento que encontrou pouca resistência. Apesar da boa qualidade geral, há limitações técnicas em parte dos lotes, enquanto o trigo branqueador segue escasso e com prêmios elevados.

No Paraná, o mercado permanece firme, porém com negociações lentas e disputa entre compradores e vendedores. As cotações variam entre R$ 1.300 e R$ 1.380 CIF, com maior interesse por contratos de entrega futura. A menor movimentação também reflete a prioridade dos produtores na colheita de outras culturas. No segmento importado, a demanda segue voltada a produtos de maior qualidade, com trigo argentino e paraguaio mantendo presença nas ofertas.

 





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Fiscais apreendem cargas de gado avaliadas em mais de R$ 580 mil


Gado
Foto: divulgação/Sefa

Fiscais de receitas estaduais apreenderam 180 cabeças de gado bovino avaliadas em mais de R$ 580 mil, nesta quinta-feira (26), durante fiscalizações realizadas no Pará. As cargas apresentavam irregularidades fiscais e divergências de rota, o que levou à retenção dos animais e à aplicação de multas.

Na primeira ocorrência, 75 cabeças de gado, avaliadas em R$ 293 mil, foram apreendidas em Dom Eliseu, no nordeste do estado. Os animais tinham origem em Formosa do Rio Preto (BA) e destino declarado a Rondon do Pará, no sudeste paraense, e foram interceptados na Coordenação de Controle de Mercadorias em Trânsito do Itinga, da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa).

Segundo o coordenador Rafael Brasil, o veículo foi inicialmente abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e encaminhado à fiscalização estadual. A carga estava fora da rota prevista, com indícios de que seria destinada ao município de Barcarena (PA). “A entrega em local diverso descaracteriza a operação de transferência isenta, tornando o documento fiscal inidôneo para acobertar o trânsito”, explicou.

Diante das irregularidades, foi lavrado um Termo de Apreensão e Depósito (TAD) no valor de R$ 36.968,40, referente à cobrança de imposto e multa.

Segunda ocorrência

Na segunda ocorrência, também registrada na quinta-feira (26), fiscais apreenderam 105 cabeças de gado avaliadas em R$ 288.999,90. A carga tinha origem no município de Tuntum (MA) e destino declarado a Jacundá (PA).

Gado
Foto: divulgação/Sefa

De acordo com o coordenador Gustavo Bozola, o veículo trafegava fora do percurso esperado, o que implicaria um trajeto cerca de 1.200 quilômetros maior do que o necessário. Durante a análise, foi identificado que se tratava de uma operação de transferência entre estabelecimentos do mesmo contribuinte.

Os fiscais também constataram inconsistências no tempo de deslocamento informado na nota fiscal. O documento foi emitido às 12h43 do dia 23 de março de 2026, e o veículo chegou ao posto fiscal às 16h21 do mesmo dia – intervalo considerado incompatível com a distância entre a origem e o local da fiscalização, que exigiria mais de nove horas de viagem.

Neste caso, também foi lavrado um Termo de Apreensão e Depósito (TAD), no valor de R$ 36.413,98, referente à cobrança de imposto e multa.

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Conflito no Oriente Médio pressiona trigo e acende alerta para alta na farinha


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Foto: Embrapa

O avanço do conflito no Irã já começa a impactar a cadeia do trigo no Brasil e preocupa a indústria de moagem. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o cenário internacional tem provocado uma rápida elevação dos custos, com potencial de reflexos sobre o preço da farinha.

Por meio de nota, a entidade destacou que a alta do petróleo tem puxado o aumento do diesel e dos fretes, tanto no mercado interno quanto no externo. Ao mesmo tempo, as cotações do trigo avançam no Brasil e no exterior, enquanto insumos, embalagens e seguros internacionais também ficam mais caros.

Esse movimento, de acordo com a Abitrigo, cria um ambiente de forte pressão para toda a cadeia produtiva e eleva o risco de repasses ao longo dos próximos meses.

Pressão interna agrava cenário

Além do impacto externo, mudanças tributárias no Brasil têm ampliado a preocupação do setor. A incidência de PIS/Cofins sobre o trigo importado, somada à redução de benefícios fiscais, elevou a carga sobre itens essenciais como a farinha de trigo.

Na avaliação da entidade, esse cenário reduz a capacidade da indústria de absorver custos e aumenta a possibilidade de repasse ao consumidor.

Indústria busca conter efeitos

Mesmo diante do ambiente adverso, a Abitrigo afirma que as empresas têm adotado medidas para mitigar os impactos. Entre as estratégias estão a otimização de estoques, a diversificação de origens do trigo e fornecedores, além da revisão de rotas logísticas e ganhos de eficiência operacional.

O setor também recorre, quando possível, a instrumentos de gestão de risco de preços e mantém diálogo com autoridades para defender medidas que garantam a competitividade e o abastecimento.

“Nosso compromisso é garantir a estabilidade do abastecimento de farinha de trigo, produto essencial na mesa dos brasileiros, mesmo em um ambiente de forte instabilidade global”, afirmou o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa.

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Colheita de soja avança no Brasil, mas segue atrasada em comparação à safra passada


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Foto: Agência Estadual de Notícias do Paraná

A colheita da safra brasileira de soja 2025/26 alcançou 71,5% da área plantada até o dia 27 de março, segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado. Apesar do avanço semanal, o ritmo dos trabalhos no campo ainda segue abaixo do registrado em anos anteriores.

Na semana anterior, o índice era de 63,8%, indicando progresso nas operações. No entanto, em igual período do ano passado, a colheita já atingia 83,1% da área, enquanto a média histórica para o período é de 77,5%, o que reforça o atraso atual.

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Carne bovina: cota da China deve ter efeito limitado, avalia Abrafrigo; exportações disparam


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Foto: Agência Brasil/arquivo

O forte desempenho das exportações brasileiras de carne bovina no início de 2026 indica que as medidas de salvaguarda impostas pela China devem ter impacto reduzido sobre o setor ao longo do ano. A avaliação é da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base nos dados mais recentes do comércio exterior.

Nos dois primeiros meses do ano, o Brasil registrou crescimento expressivo nas vendas externas, com aumento de 39% na receita e de 22% no volume embarcado em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a entidade, ao todo foram exportadas 557,24 mil toneladas, com faturamento de US$ 2,865 bilhões. No ano passado, o volume foi de 455,97 mil toneladas e a receita somou US$ 2,065 bilhões.

O resultado reflete o avanço das exportações para diversos mercados e reforça a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais de carne bovina.

China segue líder, mas perde participação

A China permanece como o principal destino da carne bovina brasileira, com compras de US$ 1,221 bilhão no primeiro bimestre, alta de 36% em relação ao mesmo período de 2025. O volume embarcado chegou a 223,7 mil toneladas, com crescimento de 21,7%.

Apesar da liderança, a participação chinesa nas exportações totais caiu para 42,6%, ante 43,4% no ano anterior. Quando consideradas apenas as vendas de carne in natura, a fatia recuou de 48,6% para 46,5%, evidenciando a expansão de outros mercados.

Os preços médios também avançaram. A carne in natura exportada para a China teve valorização de 12%, atingindo US$ 5.461 por tonelada, informa a Abrafrigo.

Estados Unidos impulsionam demanda

Os Estados Unidos ampliaram significativamente as compras e se consolidaram como o segundo maior destino da carne bovina brasileira. As exportações de carne in natura cresceram 97,3% em receita, somando US$ 379 milhões. O volume embarcado avançou 60%, para 63,08 mil toneladas.

No total, incluindo outros produtos bovinos, as vendas ao mercado norte-americano alcançaram US$ 448,7 milhões, com alta de 56,8%.

O crescimento ocorre em meio ao déficit de produção interna dos Estados Unidos, que devem demandar cerca de 2,5 milhões de toneladas em importações em 2026, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Europa, Chile e Rússia ampliam compras

A União Europeia também apresentou avanço nas importações, com crescimento de 24,6% na receita, que atingiu US$ 121,4 milhões, e alta de 18,8% no volume embarcado.

Na América do Sul, o Chile manteve desempenho consistente, com aumento de 29,3% no valor das compras.

A Rússia foi um dos destaques entre os principais destinos, com crescimento de 132,3% na receita e de 106,6% no volume, subindo para a quinta posição entre os maiores compradores.

Diversificação sustenta crescimento

Além dos principais mercados, países como Egito, Emirados Árabes Unidos, México e Arábia Saudita também ampliaram as importações no início do ano. No total, 109 países aumentaram as compras de carne bovina brasileira, enquanto 42 reduziram as aquisições, contabiliza a entidade.

Esse movimento reforçaria a diversificação das exportações e reduz a dependência de um único mercado.

Oferta mais restrita pode influenciar preços

Apesar do cenário positivo, a avaliação da Abrafrigo é de que o setor enfrenta desafios relacionados à oferta. O Brasil passa por uma mudança no ciclo pecuário, com valorização dos animais de reposição e redução do abate de fêmeas, o que deve limitar a disponibilidade de carne ao longo de 2026.

Ao mesmo tempo, tensões no Oriente Médio podem elevar os custos logísticos. Ainda assim, o impacto tende a ser limitado, já que a região respondeu por 8,5% das receitas no primeiro bimestre.

A possível abertura e consolidação de mercados como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul deve contribuir para manter a demanda aquecida.

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‘Expectativas são boas, mas margens apertadas exigem eficiência no campo’, diz sojicultor de RR


Arquivo pessoal Leonardo Vendruscol

Com a liberação do plantio da soja em Roraima a partir de 18 de março, os produtores dão início a uma nova safra em um cenário que mistura desafios financeiros e expectativa positiva. O estado segue um calendário diferente de semeadura e vazio sanitário, o que exige organização e estratégia. Mesmo diante das dificuldades, o sentimento no campo é de resiliência.

O Soja Brasil conversou com o produtor rural Leonardo Vendruscolo, de Alto Alegre, que detalha o momento vivido no estado. ”As expectativas são muito boas, por mais que o produtor esteja passando por dificuldades com margens apertadas. A gente segue sempre otimista, uma nova safra começa e o nosso papel é buscar uma boa produtividade”, afirma.

Segundo ele, o produtor está mais cauteloso, mas não perde o foco. “Acredito que o produtor está mais cauteloso pelo momento da agricultura no Brasil, mas ao mesmo tempo otimista, esperando uma melhora no preço até a colheita.”

No campo, o clima tem dado algum suporte. Chuvas pontuais ajudam no preparo das áreas e na dessecação, enquanto a expectativa é de que o período chuvoso se consolide a partir de 20 de abril, marcando o início efetivo do plantio. Outro ponto positivo é a palhada formada ao longo de 2025. “Uma das principais estratégias nesta safra é a boa palhada que conseguimos construir. Isso vai ser muito positivo para a safra 26”, destaca Vendruscolo.

Por outro lado, o peso dos custos é um dos maiores desafios, principalmente para quem busca expandir a área. “O maior impacto que vejo aqui em Roraima é a abertura de novas áreas, porque demanda mais corretivos e fertilizantes. Isso exige crédito, e hoje o crédito está mais limitado, com juros elevados”, explica. Mesmo com parte dos insumos adquiridos antecipadamente, o cenário ainda preocupa. “Conseguimos comprar fertilizantes entre outubro e dezembro com preços melhores, mas hoje os custos estão muito elevados.”

Diante desse cenário, a saída tem sido investir em eficiência. “O produtor está cada vez mais tecnificado. É usar semente de qualidade, agricultura de precisão, colocar só o necessário, principalmente porque os fertilizantes estão caros”, afirma. Para ele, o momento exige decisões mais assertivas. “Agora é produzir bem, fazer o básico bem feito e esperar que o preço da soja melhore até a colheita, para termos um cenário mais animador.”

Mesmo com os desafios, o sentimento predominante ainda é de esperança. “As expectativas são muito boas. Mesmo com as dificuldades, o produtor segue otimista e focado em fazer o seu papel dentro da porteira”, conclui.

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Jovens produtores incluem biogás na gestão do setor


Biodigestor
Foto: Rogério Monteiro/ divulgação Embrapa

Uma ação importante no setor da proteína animal está em desenvolvimento no Brasil e também no mundo. Exemplos nacionais marcantes incluem o de Maria Antonieta Guazelli, líder do setor lácteo e diretora da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). Em sua propriedade, os dejetos da atividade leiteira são processados em um biodigestor e transformados em biofertilizantes, biometano e bioeletricidade. Esses insumos são utilizados nas lavouras de café, com resultados positivos na produtividade.

Da mesma forma, na Cooperativa Primato, em Toledo (PR), o investimento em “bioplantas”, em parceria com a MWM, marca da Tupy, permite a oferta de biofertilizantes aos agricultores. A iniciativa fortalece a economia circular, abre espaço para a participação da região no mercado de carbono e ainda gera uma fonte adicional de receita para a cooperativa, além de ampliar a segurança no acesso a fertilizantes de qualidade.

Essas iniciativas também foram destaque no Salão da Agricultura de Paris, onde diversas palestras abordaram o chamado “mundo bio”, reunindo grandes marcas de alimentos e práticas de agricultura e pecuária regenerativas. Nesse contexto, ganha força uma tendência irreversível: a transformação de dejetos, resíduos e até do chamado “lixo” em soluções que promovem saúde e aumentam a rentabilidade da atividade agropecuária.

Durante passagem por São Paulo, alunos internacionais do MBA com dupla diplomação — pela Audencia Business School, na França, e pela Fecap, no Brasil, no programa Food & Agribusiness Management (FAM) — visitaram a indústria e a área de descarbonização da MWM, marca da Tupy. A empresa atua no desenvolvimento de biodigestores, instalações e bioplantas capazes de produzir biofertilizantes, biometano para a movimentação de veículos e máquinas, e bioeletricidade. Essa energia pode ser utilizada na própria propriedade, aumentando a segurança do abastecimento, além de possibilitar a comercialização do excedente em regiões onde esse tipo de acordo já é viável.

Mas acima e além de tudo, sob a ótica do marketing da proteína animal, fica cada vez mais claro que a carne do futuro exigirá, além das práticas inovadoras já adotadas no Brasil ao longo de toda a cadeia produtiva — da genética à industrialização e à chegada ao consumidor —, uma abordagem mais “clean”. Trata-se de um ciclo de vida completo, com foco em saúde e sustentabilidade do início ao fim.

Nesse cenário, saúde passa a ser sinônimo de alimento, alinhada ao conceito “one planet, one health”. A transformação de dejetos e resíduos, assim como a eliminação de problemas como odores e o uso de lagoas de dejetos nas propriedades, tende a se consolidar como prática do passado. Durante a visita, alunos internacionais de diversos continentes demonstraram grande interesse e ficaram impressionados com os avanços do Brasil nas áreas de bioenergia, biogás e sustentabilidade na produção de proteína animal.

Em visita à Savencia — responsável por marcas como Polenghi e recentemente adquirente da Quatá —, os estudantes também observaram como a sustentabilidade e o uso do biogás estão cada vez mais integrados à gestão e à avaliação de desempenho das empresas e de seus executivos.

Agradecemos à MWM, marca da Tupy, pela recepção, visita e extraordinária aula.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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AgroNewsPolítica & Agro

Agro brasileiro enfrenta risco silencioso



Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes


Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes
Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes – Foto: Divulgação

A dependência de insumos externos segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade do agronegócio brasileiro, mesmo diante do avanço da produção e da competitividade no cenário global. A avaliação é de Carlos Cogo, sócio-diretor de consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio, que aponta riscos estruturais associados ao fornecimento de fertilizantes.

Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes, das quais 43,3 milhões foram importadas, o que representa uma dependência externa de 88% e um desembolso anual de cerca de US$ 25 bilhões. Esses insumos têm peso significativo nos custos de produção, chegando a representar até 40% no cultivo da soja e 50% no milho. A produção doméstica ainda é limitada, com participação de 8% no caso do nitrogênio, 44% no fósforo e apenas 3% no potássio.

Segundo a análise, a combinação entre dependência externa, fatores geopolíticos e variações cambiais amplia o risco sistêmico. O mercado global de fertilizantes é concentrado e influenciado por decisões políticas, com cerca de 45% das importações brasileiras originadas de regiões com maior instabilidade. Movimentos recentes ilustram esse cenário, como a alta superior a 100% da ureia em 2022, durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, e novas elevações em 2025 diante de tensões no Oriente Médio.

Apesar de contar com reservas relevantes e capacidade tecnológica, o país enfrenta entraves regulatórios, custos elevados de produção e forte dependência logística externa. A avaliação destaca que a redução dessa vulnerabilidade passa por diversificação e reequilíbrio, com avanço de bioinsumos, expansão da produção doméstica, ampliação de fornecedores e desenvolvimento de novas tecnologias. A tendência, no entanto, não é de autossuficiência, mas de construção de maior segurança estratégica no abastecimento.

 





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Mapa apreende mais de 5 mil litros de fertilizantes irregulares


fertilizantes
Foto: divulgação/Mapa

Uma operação realizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apreendeu 5.046 litros de fertilizantes com irregularidades no interior de São Paulo. A ação ocorreu nas cidades de Cedral, Olímpia e Urupês, na região de São José do Rio Preto, em São Paulo.

Os produtos, além de infringirem a legislação vigente, não possuíam registro no Mapa, o que impede a comprovação de sua eficácia.

Fertilizantes irregulares também podem causar prejuízos aos agricultores, já que frequentemente apresentam formulações desequilibradas, comprometendo o desenvolvimento das plantas e provocando alterações fisiológicas e nutricionais.

Durante a fiscalização, um veículo que transportava produtos destinados à revenda foi abordado. Na carga, os auditores fiscais federais agropecuários (AFFAs) identificaram fertilizantes líquidos com rótulos contendo números de registro incompatíveis com as formulações e garantias declaradas.

Os produtos foram considerados sem registro no Mapa. A nota fiscal foi retida, e os lotes foram apreendidos no estabelecimento comercial responsável.

Outras irregularidades também foram constatadas, como a ausência de comprovantes de controle de qualidade dos lotes e a inexistência de ordens de produção com o detalhamento das matérias-primas utilizadas. Ao todo, sete empresas foram fiscalizadas na primeira semana de março, sendo três autuadas.

Adjuvantes

Os auditores também verificaram que algumas empresas produziam adjuvantes nas mesmas instalações destinadas à fabricação de fertilizantes.

Como as matérias-primas utilizadas nesses produtos são diferentes das autorizadas para fertilizantes, a produção conjunta, sem a devida segregação de processos e controles, não é permitida. A prática pode resultar em contaminação cruzada, comprometendo a qualidade e a conformidade dos produtos.

Todos os fertilizantes irregulares foram apreendidos. As empresas envolvidas foram autuadas e intimadas a regularizar suas atividades conforme a legislação vigente.

Vendas online

A fiscalização também identificou que estabelecimentos da região realizam vendas por telefone e promovem produtos por meio de redes sociais.

O Mapa está intensificando o monitoramento desse tipo de comércio e orienta os consumidores a verificarem a regularidade e o registro dos produtos antes da compra, evitando a aquisição de itens irregulares ou falsificados.

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Trump promete auxílio para produtores rurais dos EUA e novas diretrizes para diesel


Donald Trump
Foto: Divulgação Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu buscar um auxílio adicional para os agricultores norte-americanos no próximo projeto de lei de financiamento do governo, sem fornecer maiores detalhes, em discurso para agricultores nesta sexta-feira (27).

Na ocasião, de maneira rasa, ele também mencionou o anúncio de novas diretrizes sobre o diesel e a busca de uma permissão com o Congresso para permitir a venda do combustível E15 pelo ano inteiro.

“Queremos cortar o custo de tratores. Quero que a Caterpillar e as outras empresas deem aos agricultores equipamentos mais baratos”, disse ele.

No fim do ano passado, Trump já havia sinalizado que os equipamentos agrícolas poderiam ser barateados ao remover algumas normas ambientais que afetam os custos.

Trump também sugeriu que os agricultores voltaram a ter “um amigo verdadeiro” na Casa Branca, ao criticar a administração do antecessor democrata Joe Biden que, na avaliação dele, tratou o setor de maneira “muito ruim”.

“Espero que nossos agricultores nunca esqueçam que os democratas votaram contra diversas provisões que defendemos. Qualquer agricultor que vota em um democrata, é maluco”, criticou.

Além de Biden, Trump avaliou que outros países trataram os agricultores dos EUA de maneira injusta, mas celebrou o acordo comercial com a China, após negociações com o líder chinês Xi Jinping, que resultou no envio de “bilhões de dólares” em soja por agricultores americanos para Pequim.

No discurso, o presidente dos EUA reiterou que os norte-americanos estão “indo muito bem” no Irã e que os militares são “muito bons”.

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