Carne bovina: cota da China deve ter efeito limitado, avalia Abrafrigo; exportações disparam

O forte desempenho das exportações brasileiras de carne bovina no início de 2026 indica que as medidas de salvaguarda impostas pela China devem ter impacto reduzido sobre o setor ao longo do ano. A avaliação é da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base nos dados mais recentes do comércio exterior.
Nos dois primeiros meses do ano, o Brasil registrou crescimento expressivo nas vendas externas, com aumento de 39% na receita e de 22% no volume embarcado em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a entidade, ao todo foram exportadas 557,24 mil toneladas, com faturamento de US$ 2,865 bilhões. No ano passado, o volume foi de 455,97 mil toneladas e a receita somou US$ 2,065 bilhões.
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O resultado reflete o avanço das exportações para diversos mercados e reforça a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais de carne bovina.
China segue líder, mas perde participação
A China permanece como o principal destino da carne bovina brasileira, com compras de US$ 1,221 bilhão no primeiro bimestre, alta de 36% em relação ao mesmo período de 2025. O volume embarcado chegou a 223,7 mil toneladas, com crescimento de 21,7%.
Apesar da liderança, a participação chinesa nas exportações totais caiu para 42,6%, ante 43,4% no ano anterior. Quando consideradas apenas as vendas de carne in natura, a fatia recuou de 48,6% para 46,5%, evidenciando a expansão de outros mercados.
Os preços médios também avançaram. A carne in natura exportada para a China teve valorização de 12%, atingindo US$ 5.461 por tonelada, informa a Abrafrigo.
Estados Unidos impulsionam demanda
Os Estados Unidos ampliaram significativamente as compras e se consolidaram como o segundo maior destino da carne bovina brasileira. As exportações de carne in natura cresceram 97,3% em receita, somando US$ 379 milhões. O volume embarcado avançou 60%, para 63,08 mil toneladas.
No total, incluindo outros produtos bovinos, as vendas ao mercado norte-americano alcançaram US$ 448,7 milhões, com alta de 56,8%.
O crescimento ocorre em meio ao déficit de produção interna dos Estados Unidos, que devem demandar cerca de 2,5 milhões de toneladas em importações em 2026, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Europa, Chile e Rússia ampliam compras
A União Europeia também apresentou avanço nas importações, com crescimento de 24,6% na receita, que atingiu US$ 121,4 milhões, e alta de 18,8% no volume embarcado.
Na América do Sul, o Chile manteve desempenho consistente, com aumento de 29,3% no valor das compras.
A Rússia foi um dos destaques entre os principais destinos, com crescimento de 132,3% na receita e de 106,6% no volume, subindo para a quinta posição entre os maiores compradores.
Diversificação sustenta crescimento
Além dos principais mercados, países como Egito, Emirados Árabes Unidos, México e Arábia Saudita também ampliaram as importações no início do ano. No total, 109 países aumentaram as compras de carne bovina brasileira, enquanto 42 reduziram as aquisições, contabiliza a entidade.
Esse movimento reforçaria a diversificação das exportações e reduz a dependência de um único mercado.
Oferta mais restrita pode influenciar preços
Apesar do cenário positivo, a avaliação da Abrafrigo é de que o setor enfrenta desafios relacionados à oferta. O Brasil passa por uma mudança no ciclo pecuário, com valorização dos animais de reposição e redução do abate de fêmeas, o que deve limitar a disponibilidade de carne ao longo de 2026.
Ao mesmo tempo, tensões no Oriente Médio podem elevar os custos logísticos. Ainda assim, o impacto tende a ser limitado, já que a região respondeu por 8,5% das receitas no primeiro bimestre.
A possível abertura e consolidação de mercados como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul deve contribuir para manter a demanda aquecida.
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