sexta-feira, março 27, 2026
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Agro brasileiro enfrenta risco silencioso



Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes


Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes
Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes – Foto: Divulgação

A dependência de insumos externos segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade do agronegócio brasileiro, mesmo diante do avanço da produção e da competitividade no cenário global. A avaliação é de Carlos Cogo, sócio-diretor de consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio, que aponta riscos estruturais associados ao fornecimento de fertilizantes.

Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes, das quais 43,3 milhões foram importadas, o que representa uma dependência externa de 88% e um desembolso anual de cerca de US$ 25 bilhões. Esses insumos têm peso significativo nos custos de produção, chegando a representar até 40% no cultivo da soja e 50% no milho. A produção doméstica ainda é limitada, com participação de 8% no caso do nitrogênio, 44% no fósforo e apenas 3% no potássio.

Segundo a análise, a combinação entre dependência externa, fatores geopolíticos e variações cambiais amplia o risco sistêmico. O mercado global de fertilizantes é concentrado e influenciado por decisões políticas, com cerca de 45% das importações brasileiras originadas de regiões com maior instabilidade. Movimentos recentes ilustram esse cenário, como a alta superior a 100% da ureia em 2022, durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, e novas elevações em 2025 diante de tensões no Oriente Médio.

Apesar de contar com reservas relevantes e capacidade tecnológica, o país enfrenta entraves regulatórios, custos elevados de produção e forte dependência logística externa. A avaliação destaca que a redução dessa vulnerabilidade passa por diversificação e reequilíbrio, com avanço de bioinsumos, expansão da produção doméstica, ampliação de fornecedores e desenvolvimento de novas tecnologias. A tendência, no entanto, não é de autossuficiência, mas de construção de maior segurança estratégica no abastecimento.

 





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