sexta-feira, março 27, 2026
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Jovens produtores incluem biogás na gestão do setor


Biodigestor
Foto: Rogério Monteiro/ divulgação Embrapa

Uma ação importante no setor da proteína animal está em desenvolvimento no Brasil e também no mundo. Exemplos nacionais marcantes incluem o de Maria Antonieta Guazelli, líder do setor lácteo e diretora da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). Em sua propriedade, os dejetos da atividade leiteira são processados em um biodigestor e transformados em biofertilizantes, biometano e bioeletricidade. Esses insumos são utilizados nas lavouras de café, com resultados positivos na produtividade.

Da mesma forma, na Cooperativa Primato, em Toledo (PR), o investimento em “bioplantas”, em parceria com a MWM, marca da Tupy, permite a oferta de biofertilizantes aos agricultores. A iniciativa fortalece a economia circular, abre espaço para a participação da região no mercado de carbono e ainda gera uma fonte adicional de receita para a cooperativa, além de ampliar a segurança no acesso a fertilizantes de qualidade.

Essas iniciativas também foram destaque no Salão da Agricultura de Paris, onde diversas palestras abordaram o chamado “mundo bio”, reunindo grandes marcas de alimentos e práticas de agricultura e pecuária regenerativas. Nesse contexto, ganha força uma tendência irreversível: a transformação de dejetos, resíduos e até do chamado “lixo” em soluções que promovem saúde e aumentam a rentabilidade da atividade agropecuária.

Durante passagem por São Paulo, alunos internacionais do MBA com dupla diplomação — pela Audencia Business School, na França, e pela Fecap, no Brasil, no programa Food & Agribusiness Management (FAM) — visitaram a indústria e a área de descarbonização da MWM, marca da Tupy. A empresa atua no desenvolvimento de biodigestores, instalações e bioplantas capazes de produzir biofertilizantes, biometano para a movimentação de veículos e máquinas, e bioeletricidade. Essa energia pode ser utilizada na própria propriedade, aumentando a segurança do abastecimento, além de possibilitar a comercialização do excedente em regiões onde esse tipo de acordo já é viável.

Mas acima e além de tudo, sob a ótica do marketing da proteína animal, fica cada vez mais claro que a carne do futuro exigirá, além das práticas inovadoras já adotadas no Brasil ao longo de toda a cadeia produtiva — da genética à industrialização e à chegada ao consumidor —, uma abordagem mais “clean”. Trata-se de um ciclo de vida completo, com foco em saúde e sustentabilidade do início ao fim.

Nesse cenário, saúde passa a ser sinônimo de alimento, alinhada ao conceito “one planet, one health”. A transformação de dejetos e resíduos, assim como a eliminação de problemas como odores e o uso de lagoas de dejetos nas propriedades, tende a se consolidar como prática do passado. Durante a visita, alunos internacionais de diversos continentes demonstraram grande interesse e ficaram impressionados com os avanços do Brasil nas áreas de bioenergia, biogás e sustentabilidade na produção de proteína animal.

Em visita à Savencia — responsável por marcas como Polenghi e recentemente adquirente da Quatá —, os estudantes também observaram como a sustentabilidade e o uso do biogás estão cada vez mais integrados à gestão e à avaliação de desempenho das empresas e de seus executivos.

Agradecemos à MWM, marca da Tupy, pela recepção, visita e extraordinária aula.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


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