A colheita da safra brasileira de soja 2025/26 alcançou 71,5% da área plantada até o dia 27 de março, segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado. Apesar do avanço semanal, o ritmo dos trabalhos no campo ainda segue abaixo do registrado em anos anteriores.
Na semana anterior, o índice era de 63,8%, indicando progresso nas operações. No entanto, em igual período do ano passado, a colheita já atingia 83,1% da área, enquanto a média histórica para o período é de 77,5%, o que reforça o atraso atual.
O forte desempenho das exportações brasileiras de carne bovina no início de 2026 indica que as medidas de salvaguarda impostas pela China devem ter impacto reduzido sobre o setor ao longo do ano. A avaliação é da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base nos dados mais recentes do comércio exterior.
Nos dois primeiros meses do ano, o Brasil registrou crescimento expressivo nas vendas externas, com aumento de 39% na receita e de 22% no volume embarcado em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a entidade, ao todo foram exportadas 557,24 mil toneladas, com faturamento de US$ 2,865 bilhões. No ano passado, o volume foi de 455,97 mil toneladas e a receita somou US$ 2,065 bilhões.
O resultado reflete o avanço das exportações para diversos mercados e reforça a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais de carne bovina.
China segue líder, mas perde participação
A China permanece como o principal destino da carne bovina brasileira, com compras de US$ 1,221 bilhão no primeiro bimestre, alta de 36% em relação ao mesmo período de 2025. O volume embarcado chegou a 223,7 mil toneladas, com crescimento de 21,7%.
Apesar da liderança, a participação chinesa nas exportações totais caiu para 42,6%, ante 43,4% no ano anterior. Quando consideradas apenas as vendas de carne in natura, a fatia recuou de 48,6% para 46,5%, evidenciando a expansão de outros mercados.
Os preços médios também avançaram. A carne in natura exportada para a China teve valorização de 12%, atingindo US$ 5.461 por tonelada, informa a Abrafrigo.
Estados Unidos impulsionam demanda
Os Estados Unidos ampliaram significativamente as compras e se consolidaram como o segundo maior destino da carne bovina brasileira. As exportações de carne in natura cresceram 97,3% em receita, somando US$ 379 milhões. O volume embarcado avançou 60%, para 63,08 mil toneladas.
No total, incluindo outros produtos bovinos, as vendas ao mercado norte-americano alcançaram US$ 448,7 milhões, com alta de 56,8%.
O crescimento ocorre em meio ao déficit de produção interna dos Estados Unidos, que devem demandar cerca de 2,5 milhões de toneladas em importações em 2026, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Europa, Chile e Rússia ampliam compras
A União Europeia também apresentou avanço nas importações, com crescimento de 24,6% na receita, que atingiu US$ 121,4 milhões, e alta de 18,8% no volume embarcado.
Na América do Sul, o Chile manteve desempenho consistente, com aumento de 29,3% no valor das compras.
A Rússia foi um dos destaques entre os principais destinos, com crescimento de 132,3% na receita e de 106,6% no volume, subindo para a quinta posição entre os maiores compradores.
Diversificação sustenta crescimento
Além dos principais mercados, países como Egito, Emirados Árabes Unidos, México e Arábia Saudita também ampliaram as importações no início do ano. No total, 109 países aumentaram as compras de carne bovina brasileira, enquanto 42 reduziram as aquisições, contabiliza a entidade.
Esse movimento reforçaria a diversificação das exportações e reduz a dependência de um único mercado.
Oferta mais restrita pode influenciar preços
Apesar do cenário positivo, a avaliação da Abrafrigo é de que o setor enfrenta desafios relacionados à oferta. O Brasil passa por uma mudança no ciclo pecuário, com valorização dos animais de reposição e redução do abate de fêmeas, o que deve limitar a disponibilidade de carne ao longo de 2026.
Ao mesmo tempo, tensões no Oriente Médio podem elevar os custos logísticos. Ainda assim, o impacto tende a ser limitado, já que a região respondeu por 8,5% das receitas no primeiro bimestre.
A possível abertura e consolidação de mercados como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul deve contribuir para manter a demanda aquecida.
Com a liberação do plantio da soja em Roraima a partir de 18 de março, os produtores dão início a uma nova safra em um cenário que mistura desafios financeiros e expectativa positiva. O estado segue um calendário diferente de semeadura e vazio sanitário, o que exige organização e estratégia. Mesmo diante das dificuldades, o sentimento no campo é de resiliência.
O Soja Brasil conversou com o produtor rural Leonardo Vendruscolo, de Alto Alegre, que detalha o momento vivido no estado. ”As expectativas são muito boas, por mais que o produtor esteja passando por dificuldades com margens apertadas. A gente segue sempre otimista, uma nova safra começa e o nosso papel é buscar uma boa produtividade”, afirma.
Segundo ele, o produtor está mais cauteloso, mas não perde o foco. “Acredito que o produtor está mais cauteloso pelo momento da agricultura no Brasil, mas ao mesmo tempo otimista, esperando uma melhora no preço até a colheita.”
No campo, o clima tem dado algum suporte. Chuvas pontuais ajudam no preparo das áreas e na dessecação, enquanto a expectativa é de que o período chuvoso se consolide a partir de 20 de abril, marcando o início efetivo do plantio. Outro ponto positivo é a palhada formada ao longo de 2025. “Uma das principais estratégias nesta safra é a boa palhada que conseguimos construir. Isso vai ser muito positivo para a safra 26”, destaca Vendruscolo.
Por outro lado, o peso dos custos é um dos maiores desafios, principalmente para quem busca expandir a área. “O maior impacto que vejo aqui em Roraima é a abertura de novas áreas, porque demanda mais corretivos e fertilizantes. Isso exige crédito, e hoje o crédito está mais limitado, com juros elevados”, explica. Mesmo com parte dos insumos adquiridos antecipadamente, o cenário ainda preocupa. “Conseguimos comprar fertilizantes entre outubro e dezembro com preços melhores, mas hoje os custos estão muito elevados.”
Diante desse cenário, a saída tem sido investir em eficiência. “O produtor está cada vez mais tecnificado. É usar semente de qualidade, agricultura de precisão, colocar só o necessário, principalmente porque os fertilizantes estão caros”, afirma. Para ele, o momento exige decisões mais assertivas. “Agora é produzir bem, fazer o básico bem feito e esperar que o preço da soja melhore até a colheita, para termos um cenário mais animador.”
Mesmo com os desafios, o sentimento predominante ainda é de esperança. “As expectativas são muito boas. Mesmo com as dificuldades, o produtor segue otimista e focado em fazer o seu papel dentro da porteira”, conclui.
Uma ação importante no setor da proteína animal está em desenvolvimento no Brasil e também no mundo. Exemplos nacionais marcantes incluem o de Maria Antonieta Guazelli, líder do setor lácteo e diretora da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). Em sua propriedade, os dejetos da atividade leiteira são processados em um biodigestor e transformados em biofertilizantes, biometano e bioeletricidade. Esses insumos são utilizados nas lavouras de café, com resultados positivos na produtividade.
Da mesma forma, na Cooperativa Primato, em Toledo (PR), o investimento em “bioplantas”, em parceria com a MWM, marca da Tupy, permite a oferta de biofertilizantes aos agricultores. A iniciativa fortalece a economia circular, abre espaço para a participação da região no mercado de carbono e ainda gera uma fonte adicional de receita para a cooperativa, além de ampliar a segurança no acesso a fertilizantes de qualidade.
Essas iniciativas também foram destaque no Salão da Agricultura de Paris, onde diversas palestras abordaram o chamado “mundo bio”, reunindo grandes marcas de alimentos e práticas de agricultura e pecuária regenerativas. Nesse contexto, ganha força uma tendência irreversível: a transformação de dejetos, resíduos e até do chamado “lixo” em soluções que promovem saúde e aumentam a rentabilidade da atividade agropecuária.
Durante passagem por São Paulo, alunos internacionais do MBA com dupla diplomação — pela Audencia Business School, na França, e pela Fecap, no Brasil, no programa Food & Agribusiness Management (FAM) — visitaram a indústria e a área de descarbonização da MWM, marca da Tupy. A empresa atua no desenvolvimento de biodigestores, instalações e bioplantas capazes de produzir biofertilizantes, biometano para a movimentação de veículos e máquinas, e bioeletricidade. Essa energia pode ser utilizada na própria propriedade, aumentando a segurança do abastecimento, além de possibilitar a comercialização do excedente em regiões onde esse tipo de acordo já é viável.
Mas acima e além de tudo, sob a ótica do marketing da proteína animal, fica cada vez mais claro que a carne do futuro exigirá, além das práticas inovadoras já adotadas no Brasil ao longo de toda a cadeia produtiva — da genética à industrialização e à chegada ao consumidor —, uma abordagem mais “clean”. Trata-se de um ciclo de vida completo, com foco em saúde e sustentabilidade do início ao fim.
Nesse cenário, saúde passa a ser sinônimo de alimento, alinhada ao conceito “one planet, one health”. A transformação de dejetos e resíduos, assim como a eliminação de problemas como odores e o uso de lagoas de dejetos nas propriedades, tende a se consolidar como prática do passado. Durante a visita, alunos internacionais de diversos continentes demonstraram grande interesse e ficaram impressionados com os avanços do Brasil nas áreas de bioenergia, biogás e sustentabilidade na produção de proteína animal.
Em visita à Savencia — responsável por marcas como Polenghi e recentemente adquirente da Quatá —, os estudantes também observaram como a sustentabilidade e o uso do biogás estão cada vez mais integrados à gestão e à avaliação de desempenho das empresas e de seus executivos.
Agradecemos à MWM, marca da Tupy, pela recepção, visita e extraordinária aula.
*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
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Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes – Foto: Divulgação
A dependência de insumos externos segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade do agronegócio brasileiro, mesmo diante do avanço da produção e da competitividade no cenário global. A avaliação é de Carlos Cogo, sócio-diretor de consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio, que aponta riscos estruturais associados ao fornecimento de fertilizantes.
Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes, das quais 43,3 milhões foram importadas, o que representa uma dependência externa de 88% e um desembolso anual de cerca de US$ 25 bilhões. Esses insumos têm peso significativo nos custos de produção, chegando a representar até 40% no cultivo da soja e 50% no milho. A produção doméstica ainda é limitada, com participação de 8% no caso do nitrogênio, 44% no fósforo e apenas 3% no potássio.
Segundo a análise, a combinação entre dependência externa, fatores geopolíticos e variações cambiais amplia o risco sistêmico. O mercado global de fertilizantes é concentrado e influenciado por decisões políticas, com cerca de 45% das importações brasileiras originadas de regiões com maior instabilidade. Movimentos recentes ilustram esse cenário, como a alta superior a 100% da ureia em 2022, durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, e novas elevações em 2025 diante de tensões no Oriente Médio.
Apesar de contar com reservas relevantes e capacidade tecnológica, o país enfrenta entraves regulatórios, custos elevados de produção e forte dependência logística externa. A avaliação destaca que a redução dessa vulnerabilidade passa por diversificação e reequilíbrio, com avanço de bioinsumos, expansão da produção doméstica, ampliação de fornecedores e desenvolvimento de novas tecnologias. A tendência, no entanto, não é de autossuficiência, mas de construção de maior segurança estratégica no abastecimento.
Uma operação realizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apreendeu 5.046 litros de fertilizantes com irregularidades no interior de São Paulo. A ação ocorreu nas cidades de Cedral, Olímpia e Urupês, na região de São José do Rio Preto, em São Paulo.
Os produtos, além de infringirem a legislação vigente, não possuíam registro no Mapa, o que impede a comprovação de sua eficácia.
Fertilizantes irregulares também podem causar prejuízos aos agricultores, já que frequentemente apresentam formulações desequilibradas, comprometendo o desenvolvimento das plantas e provocando alterações fisiológicas e nutricionais.
Durante a fiscalização, um veículo que transportava produtos destinados à revenda foi abordado. Na carga, os auditores fiscais federais agropecuários (AFFAs) identificaram fertilizantes líquidos com rótulos contendo números de registro incompatíveis com as formulações e garantias declaradas.
Os produtos foram considerados sem registro no Mapa. A nota fiscal foi retida, e os lotes foram apreendidos no estabelecimento comercial responsável.
Outras irregularidades também foram constatadas, como a ausência de comprovantes de controle de qualidade dos lotes e a inexistência de ordens de produção com o detalhamento das matérias-primas utilizadas. Ao todo, sete empresas foram fiscalizadas na primeira semana de março, sendo três autuadas.
Adjuvantes
Os auditores também verificaram que algumas empresas produziam adjuvantes nas mesmas instalações destinadas à fabricação de fertilizantes.
Como as matérias-primas utilizadas nesses produtos são diferentes das autorizadas para fertilizantes, a produção conjunta, sem a devida segregação de processos e controles, não é permitida. A prática pode resultar em contaminação cruzada, comprometendo a qualidade e a conformidade dos produtos.
Todos os fertilizantes irregulares foram apreendidos. As empresas envolvidas foram autuadas e intimadas a regularizar suas atividades conforme a legislação vigente.
Vendas online
A fiscalização também identificou que estabelecimentos da região realizam vendas por telefone e promovem produtos por meio de redes sociais.
O Mapa está intensificando o monitoramento desse tipo de comércio e orienta os consumidores a verificarem a regularidade e o registro dos produtos antes da compra, evitando a aquisição de itens irregulares ou falsificados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu buscar um auxílio adicional para os agricultores norte-americanos no próximo projeto de lei de financiamento do governo, sem fornecer maiores detalhes, em discurso para agricultores nesta sexta-feira (27).
Na ocasião, de maneira rasa, ele também mencionou o anúncio de novas diretrizes sobre o diesel e a busca de uma permissão com o Congresso para permitir a venda do combustível E15 pelo ano inteiro.
“Queremos cortar o custo de tratores. Quero que a Caterpillar e as outras empresas deem aos agricultores equipamentos mais baratos”, disse ele.
No fim do ano passado, Trump já havia sinalizado que os equipamentos agrícolas poderiam ser barateados ao remover algumas normas ambientais que afetam os custos.
Trump também sugeriu que os agricultores voltaram a ter “um amigo verdadeiro” na Casa Branca, ao criticar a administração do antecessor democrata Joe Biden que, na avaliação dele, tratou o setor de maneira “muito ruim”.
“Espero que nossos agricultores nunca esqueçam que os democratas votaram contra diversas provisões que defendemos. Qualquer agricultor que vota em um democrata, é maluco”, criticou.
Além de Biden, Trump avaliou que outros países trataram os agricultores dos EUA de maneira injusta, mas celebrou o acordo comercial com a China, após negociações com o líder chinês Xi Jinping, que resultou no envio de “bilhões de dólares” em soja por agricultores americanos para Pequim.
No discurso, o presidente dos EUA reiterou que os norte-americanos estão “indo muito bem” no Irã e que os militares são “muito bons”.
O mercado global de carne bovina passa por ajustes neste início de ano, com mudanças relevantes entre os principais players. De um lado, os Estados Unidos registram o menor rebanho em 75 anos. De outro, a China impôs limites às importações de carne brasileira.
Em entrevista ao telejornal Mercado & Companhia, o diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres, ressaltou que esse cenário não tira a competitividade do Brasil no comércio internacional.
“O ambiente é preocupante, mas não é aterrorizante. A gente consegue navegar bem nesse mercado”, afirmou.
Menor rebanho dos EUA abre espaço
O rebanho bovino norte-americano caiu para cerca de 86 milhões de cabeças, o menor nível desde 1951, pressionado por secas prolongadas e altos custos de produção.
Para Torres, a redução da oferta nos Estados Unidos tende a abrir oportunidades para o Brasil, que já demonstrou resiliência mesmo diante de barreiras comerciais recentes.
“A pecuária brasileira hoje é uma fortaleza. Quando os Estados Unidos aplicaram tarifas, nós navegamos sem muitos problemas”, destacou.
A expectativa, segundo Torres, é que os norte-americanos ampliem as compras externas, com potencial de importar volumes próximos de 400 mil toneladas de carne bovina.
Cota da China acende alerta
Ao mesmo tempo, a China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira, com tarifa de 12% dentro do limite e sobretaxa de 55% para volumes excedentes.
Nos dois primeiros meses do ano, o Brasil já exportou cerca de um terço desse total, com 372 mil toneladas enviadas ao país asiático. (Leia aqui)
“Se esse ritmo continuar, até o meio do ano a gente deve ter entregue toda a cota”, afirmou Torres. Apesar do avanço acelerado, ele avalia que o cenário exige atenção, mas não representa um risco mais grave ao setor.
“O ambiente é preocupante, mas não é aterrorizante. A gente consegue navegar bem nesse mercado”, disse.
Além disso, caso o limite seja atingido antes do fim do ano, o setor já avalia mercados alternativos para escoar a produção. Entre as opções estão o Vietnã, que pode atuar como pólo de reexportação, e Hong Kong, que não aplica tarifa de importação para a carne bovina.
O analista lembra também que a produção brasileira deve perder força após dois anos consecutivos de recorde, o que pode aliviar a pressão sobre as exportações.
“A gente teve produção recorde em 2024 e 2025. Agora deve haver uma acomodação, o que ajuda a equilibrar o mercado”, explicou.
Custos logísticos e cenário global
O aumento das tensões geopolíticas também traz impactos para o comércio internacional, especialmente nas rotas marítimas.
Desvios de percurso para evitar áreas de conflito elevam o tempo de transporte e os custos de seguro, que podem ficar até dez vezes mais caros. Apesar disso, Torres avalia que o Brasil segue em vantagem competitiva.
“Se todo mundo tiver que pagar mais caro, o Brasil continua competitivo, porque tem custo mais baixo, boa entrega e produto com maior durabilidade”, disse.
Competitividade segue como diferencial
Mesmo diante de incertezas, o especialista avalia que o Brasil mantém posição estratégica no mercado global de carne bovina, com capacidade de adaptação e diversificação de destinos.
Hoje, a China segue como principal compradora, seguida por Estados Unidos e Chile.
“Se houver bloqueio, tende a ser temporário. E o Brasil tem conseguido abrir novos mercados, o que ajuda a diluir riscos”, concluiu.
O programa 50 do Soja Brasil já está no ar e coloca em destaque o impacto do diesel na cadeia produtiva, em um momento de forte pressão sobre os custos no campo. Com a colheita em ritmo acelerado, o combustível segue como um dos principais gargalos logísticos, elevando despesas de transporte e afetando diretamente a rentabilidade do produtor. Especialistas também analisam a discussão sobre possível subvenção ao diesel e os reflexos da medida no curto prazo para o setor.
A expedição Soja Brasil chega a Porto Nacional, no Tocantins, mostrando de perto a realidade dos produtores do Matopiba. A região, estratégica para o agronegócio, enfrenta uma safra marcada pela estiagem, com perdas que chegam a até 30% em algumas áreas. Ainda assim, o município reforça seu papel como polo logístico importante, com infraestrutura que ajuda no escoamento da produção.
EUA-China
No cenário internacional, o programa volta as atenções ao relatório do USDA, que deve indicar aumento na área plantada de soja nos Estados Unidos, além da atualização dos estoques do grão. O mercado também acompanha as projeções de exportação brasileira e a movimentação da demanda global, enquanto cresce a expectativa para o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, que pode influenciar o comércio mundial da oleaginosa.
Progresso da colheita
O programa ainda atualiza o avanço da colheita no Brasil, que já ultrapassa dois terços da área nos principais estados produtores, traz a previsão do tempo para os próximos dias e destaca o manejo da ferrugem asiática, uma das principais doenças da cultura.
Personagem Soja Brasil 25/26
Também segue aberta a votação do Personagem Soja Brasil, que movimenta o público nesta temporada. Você já votou? Participe e ajude a escolher o pesquisador e o produtor que mais fazem a diferença na cadeia produtiva da soja no Brasil!
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No Brasil, o peso da indústria no PIB caiu – Foto: Pixabay
A participação da indústria no Produto Interno Bruto tem apresentado trajetórias distintas entre países da América do Sul nas últimas décadas, refletindo mudanças estruturais relevantes nas economias da região. As informações são de Anderson Correia, presidente do Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT).
No Brasil, o peso da indústria no PIB caiu de cerca de 30,2% em 1990 para aproximadamente 21,3% em 2024, evidenciando um processo contínuo de perda de relevância do setor. Já no Paraguai, o movimento foi inverso, com a participação industrial subindo de 21,8% para cerca de 32,5% no mesmo período. A inversão das curvas ocorreu por volta de 2005, quando os dois países passaram a seguir trajetórias divergentes.
Esse cenário traz implicações amplas para a economia brasileira. A redução da densidade industrial impacta diretamente a atratividade das carreiras de engenharia, à medida que o setor produtivo perde espaço como opção profissional. Esse movimento não surge como causa isolada, mas como reflexo de um processo mais amplo de desindustrialização.
Ao mesmo tempo, empresas têm buscado alternativas fora do país, atraídas por ambientes com menor carga tributária, custos mais competitivos e maior previsibilidade regulatória, como observado no Paraguai. Esse deslocamento reforça a perda de competitividade da indústria nacional.
Caso essa trajetória se mantenha, os efeitos tendem a ultrapassar o campo econômico, atingindo a geração de empregos qualificados, a capacidade tecnológica e a soberania produtiva. A reversão desse quadro depende de ações coordenadas, incluindo reformas estruturais, melhorias no ambiente de negócios e estímulo à inovação, considerados fundamentais para recuperar a competitividade industrial.