sexta-feira, março 27, 2026
News

Cota da China e menor rebanho dos EUA redesenham cenário para exportações brasileiras


Exportações baianas recuam pelo oitavo mês consecutivo
Foto: SEI-BA

O mercado global de carne bovina passa por ajustes neste início de ano, com mudanças relevantes entre os principais players. De um lado, os Estados Unidos registram o menor rebanho em 75 anos. De outro, a China impôs limites às importações de carne brasileira.

Em entrevista ao telejornal Mercado & Companhia, o diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres, ressaltou que esse cenário não tira a competitividade do Brasil no comércio internacional.

“O ambiente é preocupante, mas não é aterrorizante. A gente consegue navegar bem nesse mercado”, afirmou.

Menor rebanho dos EUA abre espaço

O rebanho bovino norte-americano caiu para cerca de 86 milhões de cabeças, o menor nível desde 1951, pressionado por secas prolongadas e altos custos de produção.

Para Torres, a redução da oferta nos Estados Unidos tende a abrir oportunidades para o Brasil, que já demonstrou resiliência mesmo diante de barreiras comerciais recentes.

“A pecuária brasileira hoje é uma fortaleza. Quando os Estados Unidos aplicaram tarifas, nós navegamos sem muitos problemas”, destacou.

A expectativa, segundo Torres, é que os norte-americanos ampliem as compras externas, com potencial de importar volumes próximos de 400 mil toneladas de carne bovina.

Cota da China acende alerta

Ao mesmo tempo, a China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira, com tarifa de 12% dentro do limite e sobretaxa de 55% para volumes excedentes.

Nos dois primeiros meses do ano, o Brasil já exportou cerca de um terço desse total, com 372 mil toneladas enviadas ao país asiático. (Leia aqui)

“Se esse ritmo continuar, até o meio do ano a gente deve ter entregue toda a cota”, afirmou Torres. Apesar do avanço acelerado, ele avalia que o cenário exige atenção, mas não representa um risco mais grave ao setor.

“O ambiente é preocupante, mas não é aterrorizante. A gente consegue navegar bem nesse mercado”, disse.

Além disso, caso o limite seja atingido antes do fim do ano, o setor já avalia mercados alternativos para escoar a produção. Entre as opções estão o Vietnã, que pode atuar como pólo de reexportação, e Hong Kong, que não aplica tarifa de importação para a carne bovina.

O analista lembra também que a produção brasileira deve perder força após dois anos consecutivos de recorde, o que pode aliviar a pressão sobre as exportações.

“A gente teve produção recorde em 2024 e 2025. Agora deve haver uma acomodação, o que ajuda a equilibrar o mercado”, explicou.

Custos logísticos e cenário global

O aumento das tensões geopolíticas também traz impactos para o comércio internacional, especialmente nas rotas marítimas.

Desvios de percurso para evitar áreas de conflito elevam o tempo de transporte e os custos de seguro, que podem ficar até dez vezes mais caros. Apesar disso, Torres avalia que o Brasil segue em vantagem competitiva.

“Se todo mundo tiver que pagar mais caro, o Brasil continua competitivo, porque tem custo mais baixo, boa entrega e produto com maior durabilidade”, disse.

Competitividade segue como diferencial

Mesmo diante de incertezas, o especialista avalia que o Brasil mantém posição estratégica no mercado global de carne bovina, com capacidade de adaptação e diversificação de destinos.

Hoje, a China segue como principal compradora, seguida por Estados Unidos e Chile.

“Se houver bloqueio, tende a ser temporário. E o Brasil tem conseguido abrir novos mercados, o que ajuda a diluir riscos”, concluiu.

O post Cota da China e menor rebanho dos EUA redesenham cenário para exportações brasileiras apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *