sábado, março 21, 2026

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Soja ganha fôlego no Brasil com alta do dólar e avanço nos negócios


soja
Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja registrou maior movimentação nesta sexta-feira, com avanço nos negócios tanto nos portos quanto na indústria. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o dólar foi a principal variável a puxar as cotações no mercado físico, com forte alta, enquanto os preços na Bolsa de Chicago recuaram, mas sem quedas expressivas.

De acordo com ele, os prêmios seguem em patamares melhores e o movimento do dólar sustentou boas oportunidades, levando o produtor a voltar a comercializar após quase duas semanas de mercado mais travado. O analista acrescenta que o spread entre comprador e vendedor diminuiu, a conta ficou mais atrativa e o mercado ganhou fôlego.

Preços no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 124,00 para R$ 125,50
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 125,00 para R$ 126,50
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 119,00 para R$ 120,00
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 107,00 para R$ 110,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 111,00 para R$ 113,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 110,00 para R$ 112,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 130,00 para R$ 131,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 130,00 para R$ 131,50

Soja em Chicago

No cenário internacional, os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago, ampliando as perdas acumuladas ao longo da semana. O ambiente de aversão ao risco global, influenciado pelo conflito no Oriente Médio, fortalece o dólar frente a outras moedas e reduz a competitividade da soja americana.

Esse cenário ocorre em meio a uma ampla oferta global, com o avanço da colheita da maior safra da história do Brasil. Além disso, o mercado acompanha o adiamento do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, o que posterga um possível acordo comercial e adia uma retomada mais consistente das compras chinesas nos Estados Unidos.

As importações chinesas de soja dos Estados Unidos caíram nos dois primeiros meses de 2025, somando 1,49 milhão de toneladas, recuo de 83,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as compras do Brasil avançaram 82,7%, totalizando 6,56 milhões de toneladas, ante 3,59 milhões no mesmo intervalo de 2024. Da Argentina, foram adquiridas 3,27 milhões de toneladas, contra 111,6 mil toneladas no mesmo período do ano anterior.

Contratos futuros de soja

Na Bolsa de Chicago, os contratos com entrega em maio fecharam a US$ 11,61 1/4 por bushel, com queda de 0,62%, enquanto julho encerrou a US$ 11,76 1/2, com recuo de 0,57%. Entre os subprodutos, o farelo para maio caiu 1,35%, a US$ 328,00 por tonelada, enquanto o óleo subiu 0,15%, para 65,51 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em alta de 1,81%, cotado a R$ 5,3117 para venda e R$ 5,3097 para compra. Durante a sessão, a moeda oscilou entre R$ 5,2337 e R$ 5,3237. Na semana, acumulou leve queda de 0,1%.

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Gigante de 400 kg ameaçado de extinção encontra refúgio no litoral capixaba


mero, peixe gigante no litoral do Espírito Santo
Foto: Athila Bertoncini

Conceição da Barra, município do litoral norte capixaba, vem consolidando seu protagonismo na conservação do mero, espécie marinha ameaçada de extinção que encontra na região um dos ambientes mais relevantes para sua sobrevivência no Brasil.

Esse movimento é impulsionado pelo projeto Meros do Brasil, desenvolvido pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), por meio do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), em articulação com ações que aproximam ciência, educação, cultura e políticas públicas.

A atuação do projeto reforça a importância do município no cenário da conservação marinha, especialmente por abrigar o maior berçário de meros do país. Mais do que chamar atenção para a presença da espécie na região, o trabalho desenvolvido ajuda a transformar esse patrimônio natural em pauta permanente de pesquisa, conscientização e mobilização institucional.

Criado em 2008, o grupo de pesquisa do Ceunes integra uma ampla rede de instituições nacionais e internacionais dedicadas ao estudo e à preservação dos oceanos. A iniciativa atua em parceria com universidades, centros de pesquisa, museus e grupos culturais, além de participar da Rede de Conservação dos Meros do Atlântico. Esse esforço conjunto amplia o alcance das pesquisas e fortalece a construção de estratégias voltadas à proteção da espécie Epinephelus itajara, conhecida popularmente como mero.

A presença do projeto em 9 estados e 37 municípios, ao longo de aproximadamente 1.500 quilômetros da costa brasileira, mostra a dimensão da iniciativa e sua capacidade de adaptação às realidades locais. Em cada território, as ações combinam pesquisa científica, educação ambiental e comunicação, sempre de forma colaborativa entre equipes e parceiros institucionais.

No Espírito Santo, o trabalho desenvolvido em Conceição da Barra ganha ainda mais relevância diante dos dados já levantados pelos pesquisadores. Desde 2014, mais de 300 peixes jovens da espécie foram identificados na região, reforçando o valor ecológico da área para a manutenção da espécie.

O mero, um gigante em perigo

Classificado no Brasil como criticamente ameaçado de extinção, o mero pode atingir até 2,5 metros de comprimento e pesar 400 quilos, o que o torna uma das espécies mais emblemáticas da biodiversidade marinha brasileira.

As pesquisas realizadas pelo projeto adotam métodos não letais e contam com apoio decisivo de pescadores locais, que colaboram com informações e observações importantes para o avanço dos estudos.

As investigações envolvem temas como genética, deslocamento, alimentação, biologia da conservação, poluição marinha, valoração ambiental e aquacultura, produzindo conhecimento técnico que subsidia políticas públicas direcionadas à recuperação das populações da espécie.

Ao longo de duas décadas, o projeto vem mostrando como a integração entre conhecimento científico, saber tradicional, educação e ação institucional pode produzir resultados concretos na proteção ambiental.

Em Conceição da Barra, essa construção coletiva ajuda a fortalecer a identidade costeira do município e a consolidar o mero não apenas como uma espécie a ser preservada, mas como símbolo de uma relação mais consciente entre sociedade, território e oceano.

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Que calor! Outono chega ao Brasil e termômetros podem atingir 40°C; saiba onde


outono - brasil - muito calor - pouca chuva - termômetro
Foto: Freepik

O outono teve início no Brasil sob condição de neutralidade climática, mas com sinais importantes de aquecimento global influenciando o comportamento do tempo nas principais regiões produtoras de soja. Apesar da ausência de fenômenos como El Niño ou La Niña neste momento, a tendência é de temperaturas acima da média em praticamente todo o país.

De acordo com a análise, o aquecimento dos oceanos contribui para um cenário mais quente de norte a sul, elevando o risco de máximas que podem ultrapassar os 35 °C e até se aproximar dos 40 °C em áreas do interior do Sudeste e do Centro-Oeste. Esse padrão térmico mais elevado pode trazer impactos diretos ao desenvolvimento das lavouras, especialmente em fases mais sensíveis.

No entanto, em relação às chuvas, o comportamento tende a ser mais favorável. A precipitação não deve se encerrar de forma precoce nas regiões produtoras do Centro-Sul. A expectativa é de que as chuvas no Sudeste e Centro-Oeste avancem até a segunda semana de maio, contribuindo para a manutenção da umidade no solo.

Matopiba

No Matopiba, os volumes de chuva devem ficar acima da média, beneficiando o desenvolvimento das lavouras. Já na região Norte, embora os acumulados possam ficar ligeiramente abaixo da média, estados como o Pará ainda devem registrar volumes expressivos, entre 150 mm e 200 mm ao longo de 30 dias.

No curto prazo, entre os dias 21 e 25 de março, produtores de Goiás, Mato Grosso e do sul de Minas Gerais devem aproveitar a janela de tempo firme, já que não há previsão de chuvas volumosas nesse período. Por outro lado, áreas do interior do Matopiba e do centro-sul do Rio Grande do Sul podem registrar acumulados entre 70 mm e 100 mm.

O tempo na próxima semana

Na próxima semana, a tendência é de retomada das chuvas em diversas regiões. Estados como Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso devem voltar a registrar volumes mais consistentes, com acumulados que podem superar 50 mm a 60 mm em apenas cinco dias.

Para a virada do mês, a previsão indica um padrão típico de verão no centro-sul do Brasil, com pancadas de chuva passageiras. Esse cenário favorece o desenvolvimento das culturas, ao mesmo tempo em que reduz o risco de interrupções prolongadas nos trabalhos de campo.

Mesmo com a neutralidade climática predominando neste início de outono, a expectativa é de que o fenômeno El Niño possa retornar no inverno, o que mantém o produtor atento às próximas atualizações meteorológicas e seus possíveis impactos na safra.

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Poder de compra na pecuária avança com queda dos insumos, apontam especialistas 


Foto: Reprodução.
Foto: Reprodução.

O poder de compra do pecuarista brasileiro vive um momento favorável em 2026, impulsionado pela valorização do boi gordo e pela queda nos custos de insumos como milho, farelo de soja e DDG, produto resultando da produção de etanol de milho.

Segundo a Scot Consultoria, em Mato Grosso, por exemplo, considerada uma das principais regiões pecuárias do país, o preço do boi gordo subiu 5,4% em fevereiro, considerando a média de todas as praças monitoradas pela empresa. 

“Ou seja, com a cotação média do DDG recuando em fevereiro e a da arroba do boi gordo subindo em todo o Brasil, a condição de compra do pecuarista ficou bem mais agradável”, afirmou Felipe Fabbri, coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot.

Cenário de custos mais baixos favorece pecuarista

Fabbri lembra ainda que, de modo geral, o preço dos alimentos esteve mais afrouxado entre 2025 e o começo de 2026, enquanto a cotação da arroba do boi gordo teve uma forte recuperação, após um 2023 e primeiro semestre de 2024 mais apertados, cenário que elevou o poder de compra do pecuarista. 

“Isso foi resultado de uma oferta maior de milho, de soja, de caroço de algodão e, consequentemente, de farelo de algodão. A logística também foi favorável pois, até o momento, não vimos reflexos diretos do aumento do custo com o transporte – poderá, a partir de março, ser um fator que tire um pouco a competitividade, mas creio que não a atratividade da compra dos alimentos”, acrescentou. 

Exportações impulsionam mercado do boi gordo

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o bom momento vivido pelo mercado do boi gordo também pode ser atribuído às exportações. Só no mês passado, a média diária de embarques para o exterior foi de 13,105 mil toneladas, 37,6% acima da registrada em 2025, sendo o segundo melhor resultado da história para o período. 

A China, principal compradora de carne bovina brasileira, liderou o ranking em fevereiro, sendo o destino de mais da metade da carne exportada pelo país. 

“Tivemos um começo de ano interessante em termos de consumo e, pelo lado da oferta, uma restrição em termos de animais prontos para o abate, seja por questão da estação reprodutiva (que vai de outubro até meados de março), seja pela questão do pasto e o produtor conseguir fazer o manejo, tentando preços melhores”, afirmou Thiago de Carvalho, pesquisador da equipe de pecuária do Cepea.

Queda do DDG reduz custo na nutrição animal

No caso do DDG, principal componente energético da dieta do boi, a queda recente nos preços tem como pano de fundo a oferta elevada e a liquidez do mercado lenta, além de boas condições das pastagens e do clima favorável na maior parte do país.

E o potencial é grande. Terceiro maior produtor mundial de milho, o Brasil exportou quase 879.358 toneladas de DDG e DDGS para 25 mercados no ano passado, crescimento de 9,77% em relação a 2024, de acordo com dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

“Não vamos bater o recorde do ano passado, mas temos uma produção elevada. A condição da produção de etanol faz com que sobre mais DDG, então também acaba sendo um insumo que será direcionado para a produção agropecuária, como nutrição. Um cenário de preços do boi e DDG interessantes contribui para a melhoria do poder de compra do produtor”, diz Carvalho, do Cepea.

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Do mar à terra: investimento do BNDES fortalece pesca artesanal e agricultura familiar em SP


Cooperpesca Artesanal
Foto: Cooperpesca Artesanal

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB), vai investir R$ 2,1 milhões no fortalecimento da Rede Terra-Mar. A iniciativa tem como foco ampliar práticas sustentáveis, fortalecer cadeias produtivas e impulsionar a produção de alimentos saudáveis no país.

O projeto aposta na integração entre pesca artesanal, agricultura familiar e sistemas agroecológicos. A proposta busca aumentar a escala produtiva, estimular a transição agroecológica e gerar autonomia econômica para famílias agricultoras, assentadas, quilombolas, indígenas e comunidades tradicionais.

Integração entre mar e terra impulsiona economia local

As ações serão desenvolvidas em cinco municípios de São Paulo: Iguape, Cananeia, Itaberá, Guararema e Jarinu. Nessas regiões, a Rede Terra-Mar vai atuar na implantação e modernização de agroindústrias de pescado e no fortalecimento da Cooperpesca Artesanal, que deve se consolidar como um polo logístico estratégico.

Outro ponto central do projeto é a criação de um modelo de economia circular. A proposta prevê o aproveitamento de resíduos da pesca, que passam a ser transformados em insumos para a produção orgânica e agroecológica.

Sustentabilidade e inclusão produtiva no centro da estratégia

Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a iniciativa reforça o papel da instituição no desenvolvimento sustentável.

“A iniciativa reforça o compromisso do BNDES com a promoção do desenvolvimento sustentável, ao integrar inclusão produtiva, geração de renda e conservação ambiental”, afirma.

Ela destaca ainda que o apoio à agroecologia e à sociobiodiversidade fortalece as economias locais e valoriza os territórios e comunidades tradicionais.

Apoio à agricultura familiar e acesso a mercados

Para o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, a iniciativa é estratégica para ampliar o acesso a mercados e melhorar a renda dos produtores.

“Isso é positivo nas duas pontas: melhora a previsibilidade e a renda de quem trabalha e produz e, do outro lado, melhora a qualidade e o acesso à comida saudável para quem consome”, explica.

O ministro também ressalta o papel social e ambiental das comunidades pesqueiras do litoral sul paulista, defendendo o apoio contínuo às atividades.

Economia circular cria ciclo sustentável

O presidente da Fundação Banco do Brasil, André Machado, enfatiza o potencial inovador do projeto ao conectar diferentes sistemas produtivos.

“A Rede Terra-Mar mostra, na prática, que, ao transformar resíduos da pesca em insumos agroecológicos, o projeto cria um ciclo virtuoso em que o mar alimenta a terra e a terra retribui ao mar”, afirma.

Segundo ele, a iniciativa integra inovação social, fortalecimento produtivo e valorização das comunidades, promovendo sustentabilidade com justiça social.

Organização produtiva e fortalecimento institucional

O Instituto Linha D’Água será responsável pelo apoio estratégico e pelo investimento de longo prazo na Cooperpesca Artesanal. A entidade foi selecionada pela FBB para executar ações de organização produtiva, fortalecimento institucional e acesso a políticas públicas.

De acordo com o coordenador executivo do instituto, Henrique Callori Kefalás, a experiência mostra que a combinação entre organização comunitária e políticas públicas pode transformar a pesca artesanal.

“Quando essa conexão acontece, a pesca ganha escala econômica e passa a ocupar o lugar que merece nas estratégias de inclusão produtiva, segurança alimentar e desenvolvimento territorial”, afirma.

Com a iniciativa, o projeto busca consolidar um modelo sustentável que une produção, conservação ambiental e geração de renda, reforçando o papel da sociobiodiversidade no desenvolvimento do país.

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Colheita de soja em MT se aproxima do fim e ultrapassa 99%


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Foto: divulgação

A colheita da safra de soja 2025/26 no Mato Grosso atingiu 99,06% da área cultivada até o dia 20 de março, conforme boletim do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O avanço em relação à semana anterior, quando o índice era de 96,42%, indica a reta final dos trabalhos no principal estado produtor do país.

Na comparação anual, o ritmo está levemente abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando a colheita alcançava 99,48% da área. Ainda assim, os números mostram que os trabalhos seguem praticamente concluídos no estado.

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‘Alguns dias tem, outros não tem’, diz produtor rural do RS sobre falta de diesel no estado


diesel combustivel - icms
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Produtores rurais do Rio Grande do Sul tem relatado dificuldade de encontrar diesel em alguma cidades do interior do estado. De acordo com levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), 140 municípios enfrentam desabastecimento.

Em Enestina (RS), o produtor de soja Everton Goedel tem receio de iniciar a colheita sem garantia de ter combustível.

“Aqui no município o diesel já tá sendo, pode se dizer, racionado. Alguns dias tem, outros dias não tem. Estamos chegando no final do ciclo da soja. Dentro de poucos dias iniciaremos a colheita. Não sei se vai ter diesel. Não sei que preço vai ir”, diz Goedel.

Além da escassez, o aumento do preço do diesel agrava ainda mais a situação. O produtor Rodrigo Wlazel já enfrenta baixa produtividade na lavoura e teme prejuízos maiores.

“A gente vai ter uma quebra de safra bem grande aqui nessa região, é por falta de chuva, tanto milho quanto soja. E ainda agora temos a preocupação do preço do diesel, que subiu, e o alerta do desabastecimento nos próximos dias.”

Na região, onde o produtor reside o combustível já é encontrado na faixa de R$ 7,60 por litro, com expectativa de novas altas.

Emergência em municípios e risco de perdas

A crise já levou cidades como Formigueiro (RS), na região central do estado, a decretarem situação de emergência. A justificativa é clara: a agricultura sustenta a economia local, e a falta de diesel pode resultar em perdas de produção e aumento da depreciação dos grãos.

Já em Rio Grande, no sul do estado, o produtor de arroz Artur Costa colheu apenas 20% da área e enfrenta dificuldades para manter o ritmo.

“Estamos com um problema de abastecimento de diesel durante a nossa colheita de arroz, que é um período bem crítico. Cada atraso na colheita vai debulhando arroz e perdendo produtividade na lavoura.”

Frete

Na olivicultura, o problema vai além da lavoura e atinge diretamente a logística. Em Encruzilhada do Sul, a produtora Paula Becker relata forte aumento no custo do transporte. “Aumentou muito o preço do frete, claro, impactado pela bomba de diesel do freteiro.”,

No caso da oliva, o impacto é ainda mais sensível, já que o produto precisa ser processado rapidamente. “A oliva precisa ser levada para um lagar no mesmo dia. Então é frete diário e isso tem um impacto muito grande no produto final.”

ANP nega falta de combustível

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível ( ANP), ela vem tomando uma série de medidas para intensificar o monitoramento do mercado nacional de gasolina e diesel, visando à garantia do abastecimento.

Ainda de acordo com a agência, até o momento, não identificou restrições à manutenção das atividades ou à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico, considerando as fontes usuais de suprimento do país e as importações.

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Bioinsumos, o caminho brasileiro para a segurança tecnológica


Bioinsumos Tratado de Budapeste
Foto: Divulgação Senar-GO

Fui na posse da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e conversei com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Guilherme Campos.

Perguntei a ele qual sua visão, expectativas e ações que o Mapa pode estar fazendo nesse momento de instabilidade internacional. Segundo ele, o cenário é turbulento e traz impactos diretos para o agro brasileiro, especialmente nas exportações e no abastecimento de insumos.

“O momento é muito turbulento, desafiador. O agro brasileiro tem uma importante participação na venda de produtos para o Oriente Médio, sendo o principal fornecedor de carne de frango dentro da filosofia Halal, que não tem substituto. O Irã, por exemplo, é o maior importador de milho, o que impacta diretamente a cadeia do frango, que é muito rápida, de cerca de 42 dias”, afirmou o secretário.

Diante desse cenário, Campos afirma que há uma mobilização para redirecionar a produção e evitar perdas.

“Existe toda uma preocupação e suporte do governo federal e do Ministério da Agricultura para buscar alternativas de onde colocar essa produção que não consegue chegar a esses mercados, além da questão dos insumos que vêm daquela região, hoje fechada, exigindo novas soluções”, afirmou.

Ele também destaca que a estratégia brasileira de investir em energia renovável ganha ainda mais importância nesse contexto.

“O caminho que o Brasil escolheu, com foco na transição energética, vindo da energia do agro nacional, como biodiesel e etanol, é o caminho correto. Não existe receita pronta, mas vamos construindo alternativas dentro da configuração atual”, declarou Campos.

Segundo o secretário, a diversificação de mercados segue como prioridade para reduzir riscos.

“Ao longo do mandato, a busca por novos mercados tem sido constante, diversificando o que vender e para quem vender, diminuindo a dependência de países ou regiões específicas. Isso é um esforço conjunto entre governo e empresas”, disse.

Também questionei como ficaremos em relação aos fertilizantes e ao Plano Nacional de Fertilizantes. Campos afirmou que o tema já vem sendo trabalhado há anos, mas ainda enfrenta desafios estruturais.

“É um foco que vem de governos anteriores, com questões de licenças para explorar áreas e a busca por alternativas. Não tem muita mágica”, constatou.

Nesse contexto, ele aponta os bioinsumos como uma das principais saídas para reduzir a dependência externa.

“O Brasil está na frente em um quesito que substitui fertilizantes de origem mineral: os bioinsumos. O país assume posição de liderança na adoção dessas tecnologias, algo que só é possível com inovação, e com nomes como Mariangela Hungria”, concluiu Campos.

Vim da França recentemente e ouvi de agricultores franceses relatos sobre estudos para tornar a agricultura mais resiliente. Ao perguntar sobre o prazo, disseram que em dois meses.

Quando pedi acesso ao material, a resposta foi direta: não seria necessário, pois os estudos já haviam sido baseados no modelo brasileiro.

Ou seja, nós somos realmente um modelo espetacular!

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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AgroNewsPolítica & Agro

Juros iniciam ciclo de queda com cautela



As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa


As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa
As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa – Foto: Pixabay

O início do ciclo de flexibilização monetária no país foi confirmado com a redução da taxa básica de juros, em um movimento que reflete sinais de desaceleração da atividade econômica e ajuste das expectativas inflacionárias. De acordo com análise do Rabobank, o Copom decidiu de forma unânime cortar a Selic para 14,75%, iniciando um processo descrito como calibração da política monetária.

A decisão foi justificada pelo entendimento de que o período prolongado de juros elevados já produziu efeitos sobre a economia, contribuindo para trazer as projeções de inflação a níveis mais compatíveis com a meta. Ainda assim, o cenário internacional adiciona incertezas relevantes, especialmente diante da falta de clareza sobre a duração dos conflitos no Oriente Médio, fator que pode impactar preços de energia e commodities.

Nesse contexto, o comitê optou por não fornecer sinalizações futuras sobre o ritmo dos cortes, destacando a necessidade de acompanhar dados prospectivos que confirmem os efeitos diretos e indiretos sobre a inflação ao longo do tempo. Mesmo com a recente alta nos preços do petróleo, a projeção de inflação no horizonte relevante foi ajustada de forma marginal, passando para 3,3%, enquanto o balanço de riscos permaneceu praticamente simétrico, ainda que mais elevado.

As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa, com leve alta para 2026 e manutenção dos níveis projetados para os anos seguintes. Para o Rabobank, o cenário atual indica um possível corte mínimo de 25 pontos-base na próxima reunião, com um ciclo total de redução que pode chegar a 250 pontos-base em 2026, levando a Selic a 12,50% ao fim do período.

A continuidade desse movimento, no entanto, dependerá da evolução dos dados econômicos e dos desdobramentos do cenário externo. Novas informações devem ser detalhadas na ata e no relatório de política monetária previstos para divulgação nos próximos dias.

 





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Colheita de soja no Brasil atinge 68,8%, aponta consultoria


Colheita de soja na Fazenda Itamarati Norte da Amaggi em Campo Novo do Parecis
Colheita de soja na Fazenda Itamarati Norte da Amaggi em Campo Novo do Parecis. Foto: Amaggi

A colheita da safra brasileira de soja 2025/26 alcançou 63,8% da área plantada até o dia 20 de março, conforme levantamento da consultoria Safras & Mercado.

O avanço semanal foi significativo em relação ao índice de 55,4% registrado na semana anterior, indicando aceleração dos trabalhos no campo. Ainda assim, o ritmo da colheita segue abaixo do observado em igual período do ano passado, quando 76,6% da área já havia sido colhida.

Na comparação com a média histórica para o período, de 71,3%, o atraso também fica evidente, reforçando um cenário de colheita mais lenta na atual temporada.

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