sexta-feira, março 20, 2026
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Bioinsumos, o caminho brasileiro para a segurança tecnológica


Bioinsumos Tratado de Budapeste
Foto: Divulgação Senar-GO

Fui na posse da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e conversei com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Guilherme Campos.

Perguntei a ele qual sua visão, expectativas e ações que o Mapa pode estar fazendo nesse momento de instabilidade internacional. Segundo ele, o cenário é turbulento e traz impactos diretos para o agro brasileiro, especialmente nas exportações e no abastecimento de insumos.

“O momento é muito turbulento, desafiador. O agro brasileiro tem uma importante participação na venda de produtos para o Oriente Médio, sendo o principal fornecedor de carne de frango dentro da filosofia Halal, que não tem substituto. O Irã, por exemplo, é o maior importador de milho, o que impacta diretamente a cadeia do frango, que é muito rápida, de cerca de 42 dias”, afirmou o secretário.

Diante desse cenário, Campos afirma que há uma mobilização para redirecionar a produção e evitar perdas.

“Existe toda uma preocupação e suporte do governo federal e do Ministério da Agricultura para buscar alternativas de onde colocar essa produção que não consegue chegar a esses mercados, além da questão dos insumos que vêm daquela região, hoje fechada, exigindo novas soluções”, afirmou.

Ele também destaca que a estratégia brasileira de investir em energia renovável ganha ainda mais importância nesse contexto.

“O caminho que o Brasil escolheu, com foco na transição energética, vindo da energia do agro nacional, como biodiesel e etanol, é o caminho correto. Não existe receita pronta, mas vamos construindo alternativas dentro da configuração atual”, declarou Campos.

Segundo o secretário, a diversificação de mercados segue como prioridade para reduzir riscos.

“Ao longo do mandato, a busca por novos mercados tem sido constante, diversificando o que vender e para quem vender, diminuindo a dependência de países ou regiões específicas. Isso é um esforço conjunto entre governo e empresas”, disse.

Também questionei como ficaremos em relação aos fertilizantes e ao Plano Nacional de Fertilizantes. Campos afirmou que o tema já vem sendo trabalhado há anos, mas ainda enfrenta desafios estruturais.

“É um foco que vem de governos anteriores, com questões de licenças para explorar áreas e a busca por alternativas. Não tem muita mágica”, constatou.

Nesse contexto, ele aponta os bioinsumos como uma das principais saídas para reduzir a dependência externa.

“O Brasil está na frente em um quesito que substitui fertilizantes de origem mineral: os bioinsumos. O país assume posição de liderança na adoção dessas tecnologias, algo que só é possível com inovação, e com nomes como Mariangela Hungria”, concluiu Campos.

Vim da França recentemente e ouvi de agricultores franceses relatos sobre estudos para tornar a agricultura mais resiliente. Ao perguntar sobre o prazo, disseram que em dois meses.

Quando pedi acesso ao material, a resposta foi direta: não seria necessário, pois os estudos já haviam sido baseados no modelo brasileiro.

Ou seja, nós somos realmente um modelo espetacular!

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


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