sexta-feira, março 20, 2026
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Poder de compra na pecuária avança com queda dos insumos, apontam especialistas 


Foto: Reprodução.
Foto: Reprodução.

O poder de compra do pecuarista brasileiro vive um momento favorável em 2026, impulsionado pela valorização do boi gordo e pela queda nos custos de insumos como milho, farelo de soja e DDG, produto resultando da produção de etanol de milho.

Segundo a Scot Consultoria, em Mato Grosso, por exemplo, considerada uma das principais regiões pecuárias do país, o preço do boi gordo subiu 5,4% em fevereiro, considerando a média de todas as praças monitoradas pela empresa. 

“Ou seja, com a cotação média do DDG recuando em fevereiro e a da arroba do boi gordo subindo em todo o Brasil, a condição de compra do pecuarista ficou bem mais agradável”, afirmou Felipe Fabbri, coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot.

Cenário de custos mais baixos favorece pecuarista

Fabbri lembra ainda que, de modo geral, o preço dos alimentos esteve mais afrouxado entre 2025 e o começo de 2026, enquanto a cotação da arroba do boi gordo teve uma forte recuperação, após um 2023 e primeiro semestre de 2024 mais apertados, cenário que elevou o poder de compra do pecuarista. 

“Isso foi resultado de uma oferta maior de milho, de soja, de caroço de algodão e, consequentemente, de farelo de algodão. A logística também foi favorável pois, até o momento, não vimos reflexos diretos do aumento do custo com o transporte – poderá, a partir de março, ser um fator que tire um pouco a competitividade, mas creio que não a atratividade da compra dos alimentos”, acrescentou. 

Exportações impulsionam mercado do boi gordo

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o bom momento vivido pelo mercado do boi gordo também pode ser atribuído às exportações. Só no mês passado, a média diária de embarques para o exterior foi de 13,105 mil toneladas, 37,6% acima da registrada em 2025, sendo o segundo melhor resultado da história para o período. 

A China, principal compradora de carne bovina brasileira, liderou o ranking em fevereiro, sendo o destino de mais da metade da carne exportada pelo país. 

“Tivemos um começo de ano interessante em termos de consumo e, pelo lado da oferta, uma restrição em termos de animais prontos para o abate, seja por questão da estação reprodutiva (que vai de outubro até meados de março), seja pela questão do pasto e o produtor conseguir fazer o manejo, tentando preços melhores”, afirmou Thiago de Carvalho, pesquisador da equipe de pecuária do Cepea.

Queda do DDG reduz custo na nutrição animal

No caso do DDG, principal componente energético da dieta do boi, a queda recente nos preços tem como pano de fundo a oferta elevada e a liquidez do mercado lenta, além de boas condições das pastagens e do clima favorável na maior parte do país.

E o potencial é grande. Terceiro maior produtor mundial de milho, o Brasil exportou quase 879.358 toneladas de DDG e DDGS para 25 mercados no ano passado, crescimento de 9,77% em relação a 2024, de acordo com dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

“Não vamos bater o recorde do ano passado, mas temos uma produção elevada. A condição da produção de etanol faz com que sobre mais DDG, então também acaba sendo um insumo que será direcionado para a produção agropecuária, como nutrição. Um cenário de preços do boi e DDG interessantes contribui para a melhoria do poder de compra do produtor”, diz Carvalho, do Cepea.

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