‘Alguns dias tem, outros não tem’, diz produtor rural do RS sobre falta de diesel no estado

Produtores rurais do Rio Grande do Sul tem relatado dificuldade de encontrar diesel em alguma cidades do interior do estado. De acordo com levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), 140 municípios enfrentam desabastecimento.
Em Enestina (RS), o produtor de soja Everton Goedel tem receio de iniciar a colheita sem garantia de ter combustível.
“Aqui no município o diesel já tá sendo, pode se dizer, racionado. Alguns dias tem, outros dias não tem. Estamos chegando no final do ciclo da soja. Dentro de poucos dias iniciaremos a colheita. Não sei se vai ter diesel. Não sei que preço vai ir”, diz Goedel.
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Além da escassez, o aumento do preço do diesel agrava ainda mais a situação. O produtor Rodrigo Wlazel já enfrenta baixa produtividade na lavoura e teme prejuízos maiores.
“A gente vai ter uma quebra de safra bem grande aqui nessa região, é por falta de chuva, tanto milho quanto soja. E ainda agora temos a preocupação do preço do diesel, que subiu, e o alerta do desabastecimento nos próximos dias.”
Na região, onde o produtor reside o combustível já é encontrado na faixa de R$ 7,60 por litro, com expectativa de novas altas.
Emergência em municípios e risco de perdas
A crise já levou cidades como Formigueiro (RS), na região central do estado, a decretarem situação de emergência. A justificativa é clara: a agricultura sustenta a economia local, e a falta de diesel pode resultar em perdas de produção e aumento da depreciação dos grãos.
Já em Rio Grande, no sul do estado, o produtor de arroz Artur Costa colheu apenas 20% da área e enfrenta dificuldades para manter o ritmo.
“Estamos com um problema de abastecimento de diesel durante a nossa colheita de arroz, que é um período bem crítico. Cada atraso na colheita vai debulhando arroz e perdendo produtividade na lavoura.”
Frete
Na olivicultura, o problema vai além da lavoura e atinge diretamente a logística. Em Encruzilhada do Sul, a produtora Paula Becker relata forte aumento no custo do transporte. “Aumentou muito o preço do frete, claro, impactado pela bomba de diesel do freteiro.”,
No caso da oliva, o impacto é ainda mais sensível, já que o produto precisa ser processado rapidamente. “A oliva precisa ser levada para um lagar no mesmo dia. Então é frete diário e isso tem um impacto muito grande no produto final.”
ANP nega falta de combustível
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível ( ANP), ela vem tomando uma série de medidas para intensificar o monitoramento do mercado nacional de gasolina e diesel, visando à garantia do abastecimento.
Ainda de acordo com a agência, até o momento, não identificou restrições à manutenção das atividades ou à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico, considerando as fontes usuais de suprimento do país e as importações.
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