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Foto: Pixabay
A colheita do arroz irrigado está tecnicamente encerrada no Rio Grande do Sul. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (28) pela Emater/RS-Ascar, restam apenas áreas pontuais cultivadas de forma tardia e pequenas propriedades com limitações operacionais.
Com a transição para a entressafra, produtores intensificaram os trabalhos de manejo pós-colheita, aproveitando as condições de tempo seco registradas nas últimas semanas. Entre as atividades realizadas estão a incorporação de restos culturais, o preparo antecipado do solo, a manutenção de taipas e a organização dos sistemas de drenagem. Em áreas conduzidas sob integração lavoura-pecuária, as restevas vêm sendo utilizadas para pastejo bovino.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, os resultados consolidados da safra apontam desempenho produtivo satisfatório em diversas regiões produtoras, com produtividades finais acima das estimativas iniciais.
Apesar do resultado positivo no campo, o cenário de comercialização segue desfavorável para os produtores. O boletim destaca que as cotações permanecem abaixo das registradas no ciclo anterior e também inferiores à média histórica de preços.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar, a colheita está praticamente concluída. Restam pouco mais de mil hectares, compostos principalmente por lavouras implantadas tardiamente e áreas de pequenos produtores com menor capacidade operacional. Nas regiões de Lajeado, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria, Santa Rosa e Soledade, os trabalhos de colheita já foram finalizados.
O levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar aponta recuo de 0,41% no valor médio da saca de 50 quilos de arroz no Estado. O preço passou de R$ 58,90 para R$ 58,66 em comparação com a semana anterior.
Quando o governo dos Estados Unidos sinaliza a intenção de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, a primeira reação do público é o aplauso.
Afinal, quem seria contra combater o crime organizado que assola as metrópoles brasileiras? No entanto, o jornalismo de profundidade exige que olhemos para além da superfície. Essa movimentação da Casa Branca não é uma operação de salvação pública. Trata-se de uma jogada de xadrez geopolítico clássico.
O objetivo real não é entrar nas favelas do Rio de Janeiro ou prender criminosos em São Paulo. Essas missões, por sinal, cabem constitucionalmente às polícias estaduais brasileiras. O alvo real e estratégico é a soberania econômica do Brasil.
“A classificação das facções como terroristas não é segurança pública; é uma ferramenta cirúrgica de pressão contra a autonomia de Brasília.”
O ‘incômodo’ de uma potência continental
Para entender o movimento de Washington, é preciso fazer uma retrospectiva das decisões americanas em relação ao nosso país. O Brasil incomoda. Incomoda porque deixou de ser o “quintal” submisso da América Latina para se consolidar como uma liderança independente.
Somos um território continental, autossuficiente em petróleo, que produz alimentos para o planeta de forma ininterrompida. Mais do que isso: a atual diplomacia brasileira desafia diretamente a hegemonia de Washington.
O país fortalece os laços com a China, sua maior parceira comercial, e defende o fim da dolarização no comércio internacional. Ao buscar alinhamentos com o Sul Global, incluindo o mundo árabe, Índia e posições firmes no Brics, o Brasil se projeta de forma autônoma.
A classificação das facções como “terroristas” surge, portanto, como um instrumento de pressão. Um cabresto político desenhado para conter um gigante que tenta andar com as próprias pernas.
O mecanismo da pressão geopolítica
O gatilho: os EUA classificam as facções brasileiras como “Organizações Terroristas Estrangeiras”.
A engrenagem: ativam-se leis globais automáticas de combate ao financiamento do terrorismo.
O impacto direto: o Brasil sofre com sanções unilaterais, explosão nos custos bancários e fuga imediata de investidores estrangeiros.
O efeito cascata: quem paga a conta das sanções?
A engenharia desse “cabresto” funciona por meio de leis internacionais de financiamento ao terrorismo. Na prática, o impacto não será sentido pelos chefes do tráfico, mas sim pelas artérias da economia formal brasileira.
O agro nacional está no alvo. Exportadores de grãos e carnes enfrentarão barreiras alfandegárias disfarçadas. Exigências exaustivas de rastreabilidade serão criadas para provar que o dinheiro das safras não tangencia terras com lavagem de dinheiro, travando o financiamento internacional.
O sistema financeiro nacional também será sufocado por regras rígidas de conformidade (compliance). Bancos americanos poderão cortar linhas de crédito para instituições brasileiras sob o pretexto de risco, encarecendo o crédito interno e desvalorizando o real.
“Do campo aos portos, as sanções americanas disfarçadas de combate ao crime têm o potencial de asfixiar o PIB brasileiro.”
Além disso, o Porto de Santos e os principais terminais do país entrarão em listas de vigilância globais. O custo dos seguros marítimos irá disparar, tornando o produto brasileiro mais caro e menos competitivo no exterior.
Por fim, haverá uma forte retirada de investimentos. Grandes fundos internacionais serão forçados a retirar capital da Bolsa de Valores (B3) por regras que impedem investimentos em áreas associadas ao terrorismo.
A ilusão interna e a cegueira estratégica
O aspecto mais trágico desse cenário é a comemoração de setores da política interna brasileira. Alguns governadores do país correm para aplaudir a medida norte-americana. Essa postura revela um profundo oportunismo.
Durante décadas, as administrações estaduais e o próprio Governo Federal falharam em construir um combate rigoroso e integrado contra essas organizações criminosas.
Ainda que o poder central hoje não apoie o ataque externo promovido por Washington, a Presidência da República e a União carregam a responsabilidade histórica pela vulnerabilidade das nossas fronteiras e portos.
Ao celebrar a intervenção externa hoje, lideranças locais assinam um atestado público de incompetência coletiva de todas as esferas de poder do país. Permitiram que o crime evoluísse e, agora, abrem margem para a tutela estrangeira.
“Celebrar a ingerência americana é o maior recibo de incompetência que governantes e autoridades omissas de todas as esferas poderiam assinar.”
Além do erro administrativo, demonstra-se uma total incapacidade de enxergar o histórico de coerção econômica dos Presidentes Americanos.
Ao aplaudirem a intromissão, essas vozes ignoram a lógica econômica mais básica. Asfixiar o país significa esvaziar os cofres públicos de todas as regiões e do próprio governo central.
Sem arrecadação, faltarão recursos exatamente para o policiamento nacional e local. Essas são tarefas que os EUA jamais virão fazer por nós.
Aceitar é abrir mão da independência
Aceitar passivamente a narrativa de Washington é abrir mão da nossa independência em troca de uma falsa promessa de ajuda. O Brasil tem dimensão, capilaridade de mercado no Mercosul, na Europa e na Ásia, e uma economia diversificada demais para se submeter a essa manipulação.
O problema da segurança pública é nosso, e deve ser resolvido por nossas próprias instituições. O que está em jogo na mesa de negociações global não é o controle das fronteiras ou das favelas brasileiras.
A verdadeira disputa é pela liberdade de o Brasil decidir seus próprios rumos econômicos e seus parceiros comerciais no século XXI.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
No próximo dia 18 de junho, Campo Grande (MS) vai reunir representantes do agronegócio, especialistas, embaixadores, adidos internacionais e autoridades para discutir produção de alimentos, energia e sustentabilidade durante o Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap 2026).
Com o tema “Receita Brasileira: a resposta da agropecuária à demanda mundial por alimentos e energia”, o evento terá transmissão ao vivo pela TV e pelo YouTube do Canal Rural.
Pecuária em debate
Um dos painéis da programação será “DNA da liderança: por dentro da pecuária no Brasil”, que vai abordar mercado internacional, exportações, sustentabilidade e métricas aplicadas à produção pecuária.
Participam do painel Eduardo Pedroso, diretor executivo de Originação da JBS; Roberto Perosa, presidente executivo da Abiec; Camila Estevam, pesquisadora da FGV; e Mariana de Aragão Pereira, chefe-geral da Embrapa Gado de Corte.
Roberto Perosa, que vai comandar o painel “Raio-X da pecuária e suas oportunidades pelo mundo”, afirmou que o encontro será uma oportunidade para discutir os desafios da cadeia pecuária e a presença brasileira no mercado internacional.
“O FIAP será uma oportunidade importante para debatermos o atual cenário da pecuária brasileira, os desafios da cadeia produtiva e as oportunidades que o Brasil vem ampliando no mercado internacional. Hoje, o país ocupa uma posição de destaque no setor, sendo o maior exportador e também o maior produtor mundial de carne bovina”, disse.
Segundo ele, os avanços em produtividade, genética, tecnologia, sustentabilidade, rastreabilidade e sanidade animal contribuíram para ampliar a participação do Brasil nos mercados globais.
“Em um cenário de crescimento da demanda mundial por proteína animal, discutir competitividade, abertura de mercados e agregação de valor às exportações será cada vez mais estratégico para o setor”, afirmou.
Métricas e sustentabilidade
A pesquisadora da Fundação Getulio Vargas (FGV), Camila Estevam, que comandará o painel “Métricas tropicalizadas da pecuária”, destacou que o evento deve ampliar o debate técnico sobre o futuro da pecuária brasileira em um cenário de demanda por produção sustentável.
“Minha expectativa para o evento é poder contribuir para um debate técnico e estratégico sobre o futuro da pecuária brasileira em um contexto de crescente demanda global por alimentos produzidos com sustentabilidade e competitividade. O Brasil possui uma das cadeias pecuárias mais relevantes do mundo, e discutir seus desafios e oportunidades é fundamental para fortalecer o posicionamento do país no mercado internacional”, afirmou.
Segundo ela, o fórum também contribui para aproximar os diferentes segmentos da cadeia produtiva.
“Eventos como a FIAP são de alta relevância porque aproximam diferentes elos da cadeia, criando um espaço qualificado para diálogo e construção de soluções. Hoje, temas como carbono, uso da terra, acesso a mercados, métricas, financiamento verde e inovação tecnológica fazem parte da agenda estratégica do agro, e a pecuária brasileira tem um papel central nessa discussão”, disse.
A programação também inclui discussões sobre produção pecuária e redução de emissões. Mariana de Aragão Pereira apresentará o painel “O futuro da pecuária baixo carbono no Brasil”.
“O meu tema é da pecuária de baixo carbono. E é um tema muito caro para nós da Embrapa porque quando a gente fala de descarbonizar a pecuária, parece, às vezes, uma utopia, alguma coisa inatingível. Mas, na verdade, é a gente adotar boas práticas. Não é nada mais do que isso”, afirmou.
Segundo Mariana, a pecuária tropical brasileira possui características ligadas ao sistema de produção a pasto e ao ciclo de carbono. “A pecuária tropical brasileira tem vocação, por natureza, para ser de baixo impacto ambiental, com baixa emissão de gases de efeito estufa”, disse.
Ela também destacou a possibilidade de ampliar a produção com redução de impacto ambiental. “A gente poderia até, eventualmente, reduzir o número de animais, ganhar mais peso por animal, com menor impacto ambiental”, afirmou.
Participação internacional
O Fiap 2026 também terá a presença do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, da senadora Tereza Cristina, do conselheiro da Embaixada da União Europeia no Brasil, Damian Lluna, e do representante da FAO no Brasil, Jorge Meza.
A organização do evento afirma que o objetivo é ampliar o diálogo entre setor produtivo, pesquisadores e autoridades sobre produção de alimentos, energia e sustentabilidade.
A realização do Fiap 2026 é da BR IN Eventos e Canal Rural, com correalização da Famasul. Patrocinam o evento ApexBrasil, Sebrae, CNA/Senar e Friboi, com apoio de Abiec, Governo de Mato Grosso do Sul e Massey Ferguson. Linha aérea oficial: Azul.
Serviço
Evento: Fórum Internacional da Agropecuária – Fiap 2026 Data: 18 de junho de 2026 Horário: 9h (horário de Brasília) Local: Campo Grande (MS) Formato: transmissão ao vivo pela TV e YouTube do Canal Rural.
Confira a programação completa do evento (no horário de Mato Grosso do Sul):
A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) apreendeu 14 toneladas de polpa de açaí avaliadas em R$ 98.070,00 durante operação coordenada pelo Controle de Mercadorias em Trânsito do Gurupi, em Cachoeira do Piriá, no nordeste do Pará.
O condutor do caminhão refrigerado apresentou nota fiscal emitida na última sexta-feira (29) para transporte da mercadoria, com origem em Manaus, Amazonas e destino ao município de Casa Nova, Bahia. No entanto, a fiscalização identificou inconsistências no trajeto informado.
“O itinerário gerou desconfiança da fiscalização, por não haver tempo hábil para percorrer todo o trajeto e chegar à fronteira do Pará no dia 30 de maio. A equipe solicitou o documento de transporte aquaviário e constatou que ele havia sido emitido em 23 de maio de 2026, fazendo referência a outra nota fiscal com destino ao Pará”, explicou o coordenador da unidade, Gustavo Bozola.
Foto: divulgação/Sefa
Segundo o fiscal, o contribuinte informou que havia sido realizada uma venda para o Pará, mas que a operação não foi concluída. Entretanto, não foram apresentados documentos fiscais de retorno ou devolução da mercadoria.
“O contribuinte informou que a venda para o Pará não foi efetivada, mas não havia nota fiscal de retorno ou de devolução da mercadoria. Diante disso, a operação foi considerada irregular pela fiscalização”, acrescentou Bozola.
Foi lavrado Termo de Apreensão e Depósito (TAD) no valor de R$ 21.183,12, referente ao imposto e à multa.
Torres de monitoramento em tempo real, algoritmos de detecção de fumaça e um aplicativo para uso offline estão sendo incorporados à rotina de brigadas comunitárias que atuam em unidades de conservação do Cerrado. As iniciativas têm apoio do Programa Copaíbas e buscam acelerar a identificação de focos de incêndio e melhorar a coordenação das equipes em campo. Uma das estruturas mais recentes começou a operar em maio no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul.
No parque, uma torre equipada com câmeras de alta resolução foi instalada em ponto estratégico para ampliar a cobertura das áreas mais afetadas por queimadas. Segundo Guilherme Dalponti, consultor ambiental da Fundação Neotrópica do Brasil, responsável pela instalação, o sistema usa algoritmos capazes de identificar sinais iniciais de fumaça quase em tempo real e enviar alertas imediatos às equipes de monitoramento.
De acordo com a fundação, o alcance atual do equipamento cobre cerca de 90% da unidade de conservação, que tem aproximadamente 76 mil hectares. Dalponti afirma que a estrutura se diferencia de sistemas baseados apenas em imagens de satélite, que podem registrar atraso na detecção do fogo.
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O Programa Copaíbas, gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e financiado pela Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas, informa que atua nos biomas Amazônia e Cerrado com ações de redução do desmatamento, fortalecimento de unidades de conservação e apoio a povos indígenas e populações tradicionais. Segundo a gerente Paula Ceotto, desde 2022 o programa também investe em equipamentos e itens de proteção individual para as unidades. Em 2025, uma chamada destinou R$ 5 milhões a projetos de Manejo Integrado do Fogo (MIF) em unidades de conservação e em seus entornos.
Outra ferramenta apoiada é o aplicativo Caminho do Fogo, desenvolvido pela Rede Contra Fogo. Segundo Ivan Anjo Diniz, coordenador e brigadista da rede, o sistema reúne dados sobre ocorrências, localização e território, permitindo comunicação entre equipes, monitoramento e registro das operações mesmo sem acesso à internet. A primeira versão oficial está prevista para julho de 2026.
Com base nas informações disponíveis, as iniciativas reforçam a capacidade operacional de brigadas comunitárias no monitoramento e no combate inicial ao fogo. Ainda não foram informados dados consolidados de redução de ocorrências ou de área queimada após a adoção das tecnologias.
Começa neste sábado (30/05) o maior remate de gado de elite já realizado no mercado gaúcho. A liquidação Rincon 30 anos, promovida pela cabanha Rincon del Sarandy, de Uruguaiana (RS), abre 12 dias de vendas consecutivos com transmissão ao vivo direto do restaurante 20Barra9 do Pontal Shopping a partir das 16h. Com o comando do martelo, o leiloeiro Fábio Crespo lidera a equipe dessa verdadeira maratona. “Será um momento histórico para a pecuária gaúcha. São 2,5 mil animais de linhagens diferenciadas e de elite das raças Angus, Brangus, Ultrablack e equinos Crioulos. É uma oportunidade rara e imperdível de adquirir genética superior”, frisou o leiloeiro. Na mesa de leilões, atuarão os times da Parceria Leilões, Programa Leilões, Virtual e Panorama.
A liquidação do rebanho Rincon del Sarandy ocorre exatamente no ano em que a propriedade completa 30 anos. Uma das mais tradicionais cabanhas do Rio Grande do Sul, a estância é comandada por Claudia Indarte Silva ao lado dos dois filhos Ignacio Tellechea e Martin Tellechea. “O ano de 2026 marca uma nova fase na Rincon del Sarandy, um momento em que liquidaremos o plantel para que possamos seguir caminhos diferentes”, salientou o pecuarista Ignacio Tellechea. A decisão, conta Martin Tellechea, veio do desejo de dedicar-se integralmente a seus próprios projetos. Sócio do Grupo Manda Brasa, dos restaurantes 20Barra9, com unidades em Porto Alegre (RS) e no Litoral, e do 1835 Carne e Brasa, em Canela (RS), o empresário conta que seguirá na “pecuária”, mas, desta vez, focado apenas na entrega da melhor experiência de carne à mesa do consumidor. “Foram três décadas de muitos sonhos e conquistas que me tornaram quem eu sou. Foi na Rincon que aprendi o valor do trabalho e carregarei isso comigo onde eu for”, frisou.
O rebanho da Rincon del Sarandy será comercializado em 12 dias e a oferta será dividida por categoria. No primeiro leilão, neste sábado (30/5), será comercializado o time de pista da fazenda, animais premiados das raças Angus, Brangus e Ultrablack. Na sequência, a oferta segue com o Rincon Code Fêmeas (31/5) e Rincon Code Machos (01/6), ambos já realizados diretamente dos estúdios da Parceria Leilões, em Porto Alegre.
História
A Rincon del Sarandy foi fundada por Claudia Indarte Silva ao lado dos filhos Ignacio e Martin em 1996. O projeto foi construído em terras herdadas do marido, o também pecuarista Neco Tellechea, falecido em acidente de carro em 1989. Munida de coragem e muito amor por suas raízes, Claudia transformou as terras daquele “cantinho” no distrito do Sarandi em referência na raça Angus. Com o passar dos anos, Ignacio e Martin assumiram o projeto e expandiram o negócio. Em três décadas, a Rincon del Sarandy acumulou mais de 500 prêmios nas pistas de julgamento e mais de 50 grandes campeonatos. “Meus filhos aprenderam no campo que as grandes conquistas são fruto de paciência e muita dedicação. Essa sempre foi a essência da Rincon”, salientou Claudia.
Só de ver um pontinho branco-azulado em laranjas, limões ou tangerinas, quase todo agricultor já sabe que o resultado será uma caixa inteira de frutas mofadas. Quando o fungo Penicillium italicum, responsável pelo mofo azul, se instala na casca da fruta, a planta rapidamente ativa um verdadeiro arsenal químico de defesa para tentar impedir a invasão.
Mas o trabalho é praticamente em vão, uma vez que o P. italicum libera moléculas químicas capazes de neutralizar não só as defesas naturais da fruta como também os microrganismos benéficos (endofíticos) que vivem na superfície desses vegetais.
Esse roteiro de ataque do patógeno foi desvendado pela primeira vez por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP) em estudos apoiados pela Fapesp.
Publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry, o trabalho detalhando essas descobertas foi selecionado pela revista americana como o melhor artigo científico de 2025.
De acordo com a professora do Instituto de Química (IQ) da Unicamp Taícia Pacheco Fill Brasil é o maior produtor de laranja e líder mundial na exportação de suco, mas enfrenta sérios prejuízos no pós-colheita causados por fungos.
“O mofo azul [P. italicum] é o segundo mais problemático, atrás apenas do mofo verde [P. digitatum], responsável por até 90% das perdas em regiões tropicais. Apesar disso, o mofo azul ainda recebe pouca atenção”, afirma.
Segundo a pesquisadora, por isso, compreender melhor as estratégias e o arsenal químico desses patógenos é fundamental para desenvolver formas de controle mais eficazes sem depender de defensivos.
Importância do mapeamento
Atualmente, o controle do mofo azul depende de fungicidas sintéticos como imazalil e tiabendazol, que apresentam resistência crescente e preocupações ambientais.
Para o mapeamento das moléculas que atacam os microrganismos benéficos, os pesquisadores estudaram o conjunto de substâncias químicas produzidas pelo patógeno durante a infecção no fruto, usando técnicas de metabolômica avançada (que analisa os produtos do metabolismo do organismo).
“Com isso, conseguimos identificar compostos essenciais para o desenvolvimento da infecção. Verificamos em laboratório que, sem essas substâncias químicas, o fungo P. italicum cresce só um pouquinho, o que abre espaço para novas estratégias de combate. Tanto que o nosso próximo passo é desenvolver inibidores específicos dessas vias metabólicas, capazes de desarmar o patógeno sem afetar o hospedeiro [o fruto]”, conta Taícia Pacheco Fill.
Passo a passo
A rápida disseminação do fungo nas caixas de frutas é um processo conhecido como nesting, responsável por até 50% das perdas da cultura na China, o terceiro maior produtor de laranja do mundo e um país de clima majoritariamente temperado, onde o mofo azul se desenvolve melhor.
Ao analisar diferentes dias de infecção, os pesquisadores identificaram que o fungo se instala na casca da fruta por meio de microlesões.
Segundo o pesquisador e primeiro autor do estudo, Evandro Silva, nos primeiros dias, o fungo desmonta a parede celular da fruta com enzimas, enquanto esta reage produzindo compostos naturais bioativos antifúngicos, como a naringenina e a diosmina. No entanto, o fungo contra-ataca produzindo também compostos naturais bioativos.
Os pesquisadores também utilizaram técnicas de imageamento por espectrometria de massa para mapear a distribuição das moléculas durante a infecção.
“O patógeno não luta apenas contra as defesas da fruta, mas também contra os microrganismos ‘do bem’ [endofíticos] que vivem na casca e tentam protegê-la. Ele usa esses compostos para modular a comunidade microbiana e se instalar, enquanto enfrenta as defesas da fruta. Acaba sendo um combate múltiplo em que ele consegue se sobrepor a esses outros microrganismos e prosperar”, explica Fill.
Os cientistas destacam que identificar as moléculas produzidas pelo patógeno é o primeiro passo para desenvolver estratégias de controle específicas.
“Nosso laboratório tem trabalhado com essa lógica de descrever como se dá o ataque de patógenos e reconhecer os metabólitos [produtos do metabolismo] usados por eles. Isso possibilita o desenvolvimento de inibidores mais seguros para o meio ambiente, menos nocivos à saúde humana e com menor risco à resistência fúngica ou bacteriana”, conta a pesquisadora.
O mês de junho deve exigir atenção redobrada do produtor rural brasileiro. Segundo previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o período será marcado por chuva acima da média em áreas das regiões Norte, Nordeste e Sul, mas também por temperaturas elevadas em grande parte do país, principalmente na porção central. O cenário pode interferir no desenvolvimento de lavouras, nas operações de colheita e na oferta de pasto para os rebanhos.
De acordo com o prognóstico, os maiores volumes de chuva devem ocorrer em praticamente todo o Pará, no sudoeste e centro-leste do Amazonas, em todo o Amapá e em áreas do Nordeste, como norte do Maranhão e do Piauí, além de grande parte do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. No Sul, a previsão indica chuva acima da média em praticamente todo o Rio Grande do Sul.
Por outro lado, o INMET prevê volumes abaixo da média no sul de Minas Gerais, em grande parte de São Paulo, em praticamente todo o Paraná e no nordeste de Santa Catarina. No Centro-Oeste, apenas uma estreita área do sudoeste de Mato Grosso do Sul deve registrar chuva abaixo da média, enquanto o restante da região tende a ter volumes próximos à climatologia do mês.
A temperatura é um dos principais pontos de atenção para o campo. No Centro-Oeste, o prognóstico indica médias até 1 °C acima da climatologia em todos os estados. Em áreas como leste de Goiás, noroeste e sudoeste de Mato Grosso e grande parte de Mato Grosso do Sul, os desvios podem chegar a 1,5 °C em relação à média histórica de junho.
No Sudeste, todos os estados devem registrar temperaturas acima da média, com desvios de até 1,5 °C no norte de Minas Gerais e no oeste de São Paulo. No Sul, os termômetros também devem ficar acima do normal, com desvios de até 1,5 °C no norte do Paraná e no extremo oeste de Santa Catarina.
Na prática, o calor aumenta a evapotranspiração, processo em que há perda de água do solo e transpiração das plantas. Quando essa saída de água supera a reposição pelas chuvas, cresce o risco de deficiência hídrica nas lavouras.
No Centro-Oeste, a combinação de baixos acumulados de chuva e temperaturas mais altas tende a reduzir a umidade do solo ao longo do mês. Esse cenário pode resultar em déficit hídrico justamente em um período sensível para o milho segunda safra em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
O risco é maior porque a implantação das culturas de segunda safra foi atrasada pelas chuvas mais frequentes em janeiro e fevereiro. Com isso, parte das lavouras deve atravessar junho ainda em período crítico de desenvolvimento.
A pecuária também pode sentir os efeitos do tempo mais seco. Segundo o material do INMET, a redução progressiva da umidade do solo tende a diminuir o vigor das pastagens, afetando o crescimento das forrageiras e a disponibilidade de alimento para os rebanhos.
Na Região Norte, a chuva próxima ou acima da média, associada às temperaturas elevadas, deve manter boa disponibilidade hídrica em áreas do nordeste do Pará, Amapá e sul do Amazonas. A condição tende a beneficiar lavouras de milho segunda safra ainda em enchimento de grãos.
Para áreas em colheita, porém, o excesso de umidade pode trazer problemas. O material aponta maior pressão de doenças fúngicas, aumento da umidade dos grãos, dificuldade no tráfego de máquinas e risco de perdas por acamamento. Já no sudeste do Pará e no Tocantins, a precipitação próxima da média, combinada ao calor, tende a favorecer a colheita do milho segunda safra e a secagem natural dos grãos.
No Nordeste, as chuvas dentro ou acima da média devem favorecer o desenvolvimento do milho segunda safra no noroeste do Maranhão e o avanço da semeadura de feijão e milho terceira safra no SEALBA. A umidade na faixa litorânea também pode beneficiar a fruticultura, reduzindo a demanda por irrigação e os custos operacionais.
No interior da região, especialmente no MATOPIBA, a situação exige mais cautela. A previsão de chuvas próximas à média, associadas às temperaturas mais altas, aumenta a demanda por água das plantas e representa risco adicional para lavouras de milho segunda safra semeadas mais tarde, ainda em enchimento de grãos. Nas pastagens cultivadas, a entrada no período seco pode reduzir o crescimento das forrageiras e antecipar a necessidade de suplementação do rebanho.
No Sudeste, o calor deve favorecer a perda de água do solo e elevar o risco de deficiência hídrica. O impacto deve atingir principalmente a fase final das culturas de segunda safra, com destaque para o milho, que também teve atraso na semeadura em razão das condições de solo.
As culturas de citros, em sua maioria em fase de desenvolvimento e enchimento de frutos, podem registrar redução no crescimento dos frutos com o início do período seco e a elevação das temperaturas. Para o hortifruti, o cenário de temperaturas mais altas pode acelerar o crescimento das plantas.
Na Região Sul, a previsão preocupa áreas de milho no Paraná, principalmente no norte do estado, onde a semeadura foi mais tardia. Nessas lavouras, o período crítico da cultura se concentra entre o fim de maio e junho.
Em outras áreas da região, as condições previstas devem favorecer a semeadura e o desenvolvimento das principais culturas de inverno, como trigo e aveia. No Rio Grande do Sul, a chuva acima do normal, associada a temperaturas elevadas, tende a melhorar a disponibilidade hídrica do solo e favorecer o rápido desenvolvimento das culturas.
O excesso de chuva, no entanto, pode dificultar práticas de manejo em áreas de arroz irrigado, especialmente na metade sul gaúcha, onde a semeadura ocorre predominantemente durante a primavera.
A podridão branca da espiga do milho segue entre as principais preocupações dos produtores nas regiões de safra e safrinha, especialmente no período entre abril e setembro, quando avançam as colheitas da segunda safra e começa o planejamento do próximo ciclo. Apesar da frequência da doença em áreas produtoras, especialistas alertam que o investimento em controle nem sempre garante retorno econômico ao produtor.
A doença é causada principalmente por fungos do gênero Fusarium, como Fusarium verticillioides e Fusarium graminearum, que atacam os grãos e estruturas da espiga. A presença de micélio esbranquiçado, grãos chochos e perda de qualidade comercial estão entre os sintomas mais comuns. Além dos prejuízos produtivos, a doença também eleva o risco de contaminação por micotoxinas, como fumonisinas e zearalenona, fator que pode comprometer o uso do milho na alimentação animal.
A infecção costuma ocorrer em condições de alta umidade durante o florescimento e o enchimento de grãos, além de estar associada a ferimentos provocados por insetos, como lagarta-do-cartucho, broca-da-cana e percevejos. Restos culturais mal manejados e sementes contaminadas também contribuem para a disseminação do problema.
Segundo a análise técnica, o impacto econômico da podridão branca varia conforme a intensidade da infecção, o estádio da cultura e as condições climáticas. Em lavouras com infecção precoce, ainda na fase de enchimento de grãos, as perdas tendem a ser maiores, afetando diretamente o peso dos grãos e a produtividade. Já em infecções tardias, próximas à maturidade fisiológica, os danos costumam se concentrar na qualidade do produto e na classificação comercial.
Outro fator que pesa na tomada de decisão é o destino da produção. Em áreas destinadas à fabricação de ração, produção leiteira ou integração com cadeias de aves e suínos, a preocupação com micotoxinas aumenta. Em alguns casos, lotes podem sofrer desvalorização ou até rejeição.
O estudo destaca que a presença da doença, isoladamente, não é suficiente para justificar investimentos adicionais em controle. A recomendação é que o produtor avalie o percentual de espigas afetadas, a distribuição da doença no talhão, o potencial produtivo da área e os custos envolvidos nas medidas de manejo.
Em cenários de maior risco, como áreas com histórico recorrente da doença, híbridos suscetíveis, clima úmido e alto potencial produtivo, o manejo preventivo tende a apresentar melhor resultado econômico. Entre as estratégias mais indicadas estão o uso de híbridos tolerantes, rotação de culturas, manejo adequado da palhada e controle de insetos que provocam ferimentos nas espigas.
O conteúdo também alerta que aplicações de fungicidas, quando a doença já está instalada, costumam apresentar retorno limitado. “A eficiência é muito dependente de momento de aplicação (próximo ao florescimento), condições de clima, tecnologia de aplicação e suscetibilidade do híbrido”, informa o material técnico. Por isso, a decisão deve ser preventiva e baseada em histórico da área e avaliação agronômica.
Em situações de baixa incidência da doença, lavouras próximas da colheita ou áreas de baixo potencial produtivo, a tendência é de que o controle não compense financeiramente. Nesses casos, a recomendação é concentrar esforços na antecipação da colheita, na regulagem da colhedora, na secagem rápida dos grãos e no armazenamento adequado para evitar agravamento do problema.
O material ressalta ainda que a podridão branca deve ser analisada dentro do contexto do manejo integrado da lavoura, considerando fatores como população de plantas, equilíbrio nutricional, doenças foliares e controle de pragas.
Ao final, a orientação é para que qualquer decisão envolvendo produtos químicos siga as recomendações de um engenheiro agrônomo, respeitando rótulo, bula, uso de equipamentos de proteção individual e legislação vigente.
“A podridão branca da espiga do milho é uma doença importante, mas o controle só compensa economicamente em cenários onde o risco de perda de produtividade e qualidade é elevado, o potencial produtivo é alto e existem medidas eficazes disponíveis no momento certo”, conclui o documento técnico.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.
Os sojicultores que pretendem acessar a subvenção diferenciada do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) por meio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM) devem iniciar os preparativos agora. O ZarcNM estará disponível na próxima safra em uma segunda fase do projeto piloto para a cultura da soja no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
O primeiro passo para quem deseja entrar no programa é fazer a análise de solo em um dos laboratórios credenciados a operar o SiNM, plataforma desenvolvida pela Embrapa para indicação do nível de manejo. A análise para o ZarcNM mensura a saturação por bases, o teor de cálcio e a saturação por alumínio.
Após realizar a análise de solo, o agricultor deve procurar um operador de contrato de seguro rural, que pode ser uma cooperativa, banco, corretora ou outro. Caberá ao operador de contrato inserir no SiNM informações sobre o produtor e sobre o talhão a ser segurado. Também é o operador quem contrata avaliação por sensoriamento remoto para quantificar a área de cobertura do solo e conferir o histórico de culturas dos últimos três anos.
Com todas as informações inseridas no sistema, o SiNM calcula o nível de manejo do talhão e o operador de contrato repassa as informações para o governo para que seja feita a subvenção conforme o nível de manejo (NM). Para NM 4 a subvenção na safra 2026/2027 de soja será de 40%. No NM3 será de 35%, 30% para NM2 e 20%, que é o padrão do PSR, para NM1.
“Os contratos de seguro da safra 2026/2027 já começaram a ser negociados. Por isso, o produtor, a cooperativa e a seguradora que quiserem participar da fase 2 do projeto piloto precisa se antecipar. Quanto antes o seguro for contratado, maior a possibilidade de acesso à subvenção e melhores condições de coberturas”, alerta Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de Risco Agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária.
“O objetivo é que no momento da contratação do seguro da soja, o produtor já tenha a classificação do nível de manejo do talhão disponível no SiNM da Embrapa, pois isso permite que as seguradoras já utilizem a informação na precificação do risco e também que o produtor consiga acessar com antecedência os recursos do PSR com percentuais diferenciados de subvenção”, explica.
Além da cultura da soja, o projeto piloto do ZarcNM se ampliará para o milho segunda safra no Paraná e Mato Grosso do Sul. Nesse caso, a subvenção será de 40% no NM1, 45% no NM2 e de 50% nos NM3 e NM4.
A lista com laboratórios de análise de solo, operadores de contrato e de sensoriamento remoto credenciados a utilizar o SiNM está disponível aqui. Na mesma página é possível encontrar as informações completas sobre o Zarc Níveis de Manejo.
Nesta fase de testes, o ZarcNM está sendo utilizado apenas no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Para a safra 2026/2027 serão destinados R$ 1 milhão para subvenção no piloto na cultura da soja e R$ 1 milhão para o milho. De acordo com o Mapa, o valor pode ser ampliado, caso haja demanda. Na safra passada, quando o ZarcNM foi testado pela primeira vez apenas no Paraná, foram destinados R$ 8 milhões, mas somente R$ 206 mil foram contratados.