segunda-feira, março 9, 2026

Autor: Redação

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Tensão no Oriente Médio sustenta soja em Chicago; mercado aguarda relatório do USDA


soja ao por do sol
Foto: Pixabay

O conflito no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, trouxe reflexos para o mercado internacional da soja ao longo da semana. A principal repercussão foi observada nos contratos futuros de óleo de soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT), que acabaram sustentando também os preços do grão.

Segundo o analista da equipe de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o contrato de óleo com vencimento em maio, o mais negociado, caminha para encerrar a semana acima de 66,00 centavos de dólar por libra-peso. Já o contrato maio da soja em grão chegou a se aproximar da faixa de US$ 11,90 por bushel.

De acordo com o analista, a valorização do óleo acaba oferecendo suporte momentâneo aos contratos do grão. No entanto, o avanço do petróleo pode ter efeitos mais amplos, especialmente no custo da logística internacional.

Caso o petróleo siga em níveis elevados, o frete tende a ficar mais caro, mantendo os prêmios nos portos do Golfo dos Estados Unidos em patamares elevados. Esse cenário pode dificultar ainda mais as compras de soja americana pela China, reduzindo as margens das indústrias esmagadoras devido ao aumento do custo total da matéria-prima.

As importações chinesas de soja dos Estados Unidos, que já vinham enfraquecidas, enfrentariam assim um novo obstáculo com o encarecimento logístico. Segundo Silveira, parte dos cerca de 20 milhões de toneladas que deveriam ser exportadas pelos EUA pode acabar não se concretizando, o que deixaria os estoques americanos mais confortáveis e poderia abrir espaço para correções na Bolsa de Chicago no curto e médio prazo.

No curto prazo, a alta do óleo sustenta os preços da soja. Porém, caso o farelo comece a recuar, seja por mudança no perfil da demanda ou maior foco no óleo, o grão também pode sentir pressão e recuar, reequilibrando as margens de esmagamento nos Estados Unidos.

Apesar do suporte vindo do complexo soja, alguns fatores continuam limitando ganhos mais expressivos. A safra brasileira, em plena colheita, entra com grande volume no mercado internacional. Neste momento, o produto brasileiro é considerado mais competitivo e atrativo para a China.

Outro ponto de atenção é o possível encontro entre os líderes de China e Estados Unidos, que poderia abrir espaço para novos acordos comerciais envolvendo a soja. Apesar de a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping seguir prevista, agentes do mercado mantêm cautela sobre a possibilidade de avanços concretos.

Relatório USDA

Além disso, o mercado acompanha o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na terça-feira, dia 10. A expectativa é de redução nos estoques finais de soja dos Estados Unidos na temporada 2025/26, passando de 350 milhões para 343 milhões de bushels.

No cenário global, analistas consultados por agências internacionais projetam estoques finais de soja em 125 milhões de toneladas para 2025/26, levemente abaixo das 125,5 milhões indicadas no relatório anterior.

Para a América do Sul, o mercado também espera ajustes nas estimativas de produção. A safra brasileira pode ser revisada de 180 milhões para 179,3 milhões de toneladas, enquanto a produção argentina deve cair de 48,5 milhões para 48,1 milhões de toneladas

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AgroNewsPolítica & Agro

Importações moderam ritmo de alta no mercado de feijão



Importações moderam ritmo de alta no mercado de feijão


Importações moderam ritmo de alta no mercado de feijão
Importações moderam ritmo de alta no mercado de feijão – Foto: Pixabay

A chegada de feijão importado ao mercado brasileiro tem provocado ajustes no ritmo das negociações e na formação de preços no curto prazo. Parte desse movimento está ligada ao tempo necessário entre a compra do produto no exterior e sua efetiva entrada no circuito comercial no Brasil, processo que envolve verificações técnicas antes da liberação para venda.

Segundo informações do Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), parte do feijão que começa a ser nacionalizado agora foi adquirida há cerca de dez a quinze dias. Esse intervalo ocorre porque os lotes passam por análises de resíduos antes de ganhar fluidez no mercado interno. O procedimento está ligado a práticas de compliance adotadas por importadores para evitar riscos regulatórios.

Um dos pontos observados envolve o glifosato. No Brasil, o produto não possui registro para dessecação pré-colheita do feijão e órgãos técnicos alertam que esse tipo de uso é proibido. Do ponto de vista regulatório, a Anvisa mantém uma monografia que estabelece definições de resíduo e limites máximos permitidos para a substância, o que reforça a cautela de empresas que optam por realizar análises antes de distribuir o produto.

No mercado, a entrada desse feijão-preto importado com custos definidos ainda no ano passado tem efeito direto sobre os preços. O produto tende a funcionar como uma espécie de referência ou teto psicológico, reduzindo a velocidade de eventuais valorizações no curto prazo. Ainda assim, o Ibrafe avalia que o movimento não altera a tendência estrutural quando a oferta interna está ajustada e há necessidade de reposição.

Relatos de comerciantes da região dos Campos Gerais indicam que produtores têm resistido a ofertas consideradas baixas. A percepção no setor é de que tentar adquirir volumes a preços menores neste momento tende a não avançar nas negociações.

As avaliações se aplicam tanto ao feijão-carioca quanto ao feijão-preto. Em relação à Argentina, também citada nas negociações recentes, a leitura do mercado é que exportadores do país vizinho acompanham os preços pagos pelo Brasil e não têm incentivo para liquidar estoques com valores reduzidos.





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Vamos abre vagas na área comercial de locação em São Paulo; veja como se candidatar


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

A Vamos, companhia de locação de caminhões, máquinas e equipamentos agrícolas, anunciou a abertura de vagas na área comercial de locação em São Paulo. As oportunidades fazem parte da estrutura da companhia no mercado corporativo.

As posições são para:

  • Analista de pré-vendas pleno;
  • Gerente comercial de grandes contas;
  • Coordenador de processos.

As vagas estão relacionadas ao relacionamento com clientes e à organização de processos ligados à área de vendas. Segundo a empresa, as funções acompanham a demanda por serviços de gestão de frotas no setor corporativo.

Entre as atividades previstas nas vagas estão a prospecção de clientes, a qualificação de oportunidades e o acompanhamento de processos comerciais. As funções também incluem análise de fluxos de trabalho, mapeamento de processos no modelo AS-IS e TO-BE e interação entre áreas de negócio e tecnologia. Há ainda atuação em projetos de automação voltados à operação comercial.

Como se candidatar?

As inscrições para as vagas estão abertas até 20 de março. O processo deve ser realizado pelo portal de carreiras da empresa.

A companhia informa que oferece benefícios voltados aos colaboradores, como clube de descontos, programa de apoio psicológico, social, jurídico e financeiro, além de plataforma de capacitação interna.

Entre os benefícios também estão licenças maternidade e paternidade estendidas, auxílio para material escolar, acesso a programas de saúde e iniciativas voltadas ao apoio à parentalidade.

As inscrições podem ser feitas pelo site (clique aqui).

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Manejo de abelhas nativas pode elevar produtividade da acerola em mais de 30%


Estudos conduzidos pela Embrapa Semiárido indicam que o manejo estratégico de abelhas solitárias nativas, especialmente as do gênero Centris, tem o potencial de elevar a produção de acerola entre 32% e 103%. As pesquisas, realizadas no Vale do São Francisco, propõem métodos práticos para atrair esses polinizadores aos pomares, focando na oferta de recursos florais e na instalação de locais adequados para ninhos.

Os resultados foram obtidos após o monitoramento de 840 “ninhos-armadilha” em áreas irrigadas de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). A taxa de ocupação das estruturas chegou a 88%, superando os registros anteriores. O sucesso está ligado ao comportamento das abelhas da tribo Centridini, especialistas na coleta de óleos florais e responsáveis por mais de 91% das visitas às flores de acerola nas áreas avaliadas.

Mesmo em culturas que realizam a autopolinização, como a aceroleira, a presença desses insetos garante frutos maiores e mais pesados. De acordo com a pesquisadora Lúcia Kiill, coordenadora do estudo, o impacto é direto na frutificação. O Brasil lidera a produção mundial de acerola, com 80% do volume concentrado no Nordeste, onde a cultura é base da renda para milhares de pequenos e médios produtores.

Abelha na flor de pé de acerola. Foto: Magnus Deon

Diversidade de polinizadores no campo

A pesquisa identificou 11 espécies de abelhas que visitam a aceroleira, com destaque para a Centris aenea, que responde por até 95% das visitas. Diferentemente das abelhas melíferas (com colmeias e rainhas), as do gênero Centri são solitárias: cada fêmea constrói seu próprio ninho em cavidades no solo ou em madeira.

Estratégias de manejo e nidificação

Para aumentar a polinização, o trabalho sugere duas frentes principais:

  • Oferta de alimento o ano todo: Manter plantas no entorno dos pomares que fornecem pólen e néctar quando a aceroleira não estiver florindo. Espécies como murici, pau-ferro e a própria Caatinga preservada servem de estoque de alimento para as abelhas.
  • Instalação de ninhos-armadilha: O uso de blocos de madeira perfurados (com furos de 10 a 12 mm de diâmetro) simula as cavidades naturais buscadas pelos insetos. A orientação é instalar essas estruturas em locais sombreados e protegidos, estimulando a fixação das abelhas no pomar.

Validação em cultivos orgânicos e convencionais

O projeto entra agora em uma nova fase em parceria com a Niagro e outros 12 produtores do Vale do São Francisco. O objetivo é validar o uso dos ninhos em escala comercial, tanto em sistemas orgânicos quanto convencionais. A análise leva em conta a conectividade das fazendas com fragmentos de vegetação nativa, fator que influencia diretamente a permanência dos polinizadores.

Além da parte técnica, o projeto prevê a capacitação de produtores e técnicos da região. Para a Embrapa, a presença das abelhas nativas é um selo de equilíbrio ambiental. Preservar esses insetos não é apenas uma ação ecológica, mas um investimento direto na rentabilidade e na produtividade do fruticultor no Semiárido.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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Rastreabilidade no agro ganha peso e pode ampliar acesso a mercados


Rastreabilidade agrega valor ao algodão brasileiro. Cultura do algodão na Bahia é a segunda maior do país
Fazenda Santana em Luís Eduardo Magalhães (BA) | Foto: Divulgação/ Grupo Franciosi

A pressão do mercado internacional por rastreabilidade e boas práticas ambientais tem mudado a rotina dentro das propriedades rurais. Além de produzir, o produtor precisa cada vez mais comprovar a origem dos insumos, a conformidade legal e as práticas adotadas no campo.

Segundo o engenheiro ambiental e especialista em licenciamento ambiental, Matheus Forte, a principal mudança está na necessidade de registrar e documentar todas as etapas da produção.

“O produtor sempre fez as coisas corretamente, mas hoje precisa comprovar isso. O mercado exige demonstrações de conformidade legal e de que os insumos comprados têm rastreabilidade confiável”, explica.

De acordo com ele, essa demanda tem provocado uma mudança administrativa no setor, já que muitos produtores ainda estão se adaptando às novas exigências de transparência e controle.

Rastreabilidade e tecnologia no campo

Entre as soluções adotadas pelo setor, a rastreabilidade digital aparece como um dos principais caminhos para atender às exigências do mercado.

A ferramenta permite registrar a origem de insumos, fornecedores e etapas da produção, criando um histórico documentado da atividade.

“Hoje existem softwares que ajudam o produtor a gerir essas informações e a manter todo o processo rastreável”, afirma Forte. Além disso, outras práticas têm ganhado espaço, como agricultura de precisão, uso de bioinsumos e biofertilizantes, além de soluções para aumentar a eficiência energética nas propriedades.

Segundo o especialista, sistemas de geração de energia solar e biodigestores, por exemplo, podem reduzir custos e melhorar a eficiência do uso de recursos no campo.

Sustentabilidade pode gerar valor ao produto

Na avaliação de Forte, a sustentabilidade não deve ser vista apenas como custo adicional para o produtor, mas como uma oportunidade de agregar valor à produção.

Quando o produtor mantém a regularidade ambiental, organiza a documentação e adota práticas eficientes de gestão, ele fica mais próximo de obter certificações reconhecidas pelo mercado.

“Isso permite que o produto se diferencie e pode gerar um valor adicional, principalmente nas exportações”, afirma.

Eficiência no uso de recursos

O primeiro passo para melhorar o uso de água, energia e solo é medir o consumo desses recursos dentro da propriedade, destaca o especialista.

A partir desse diagnóstico, o produtor consegue identificar oportunidades de redução de desperdícios e de aumento de eficiência.

Entre as alternativas estão sistemas de irrigação mais eficientes, tecnologias de reuso de água, maquinário com menor consumo energético e melhor gestão de resíduos.

“Hoje a tecnologia já está disponível. O produtor precisa medir, entender os indicadores e buscar as soluções que façam sentido para a propriedade”, explica.

Rastreabilidade e acesso a novos mercados

A adoção de práticas sustentáveis também pode abrir portas para novos mercados e melhorar as condições comerciais do produtor.

Segundo Forte, empresas e compradores internacionais têm exigido cada vez mais comprovação de boas práticas ao longo da cadeia produtiva.

“Quando o produtor demonstra rastreabilidade e responsabilidade ambiental, ele se destaca. Isso pode facilitar o acesso a mercados mais exigentes e até a linhas de crédito mais favoráveis”, afirma.

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A força das protagonistas do agro


Foto gerada por IA.
Foto gerada por IA.

O dia 8 de março não é apenas uma data no calendário. Ele simboliza uma longa jornada histórica. O Dia Internacional da Mulher nasceu das lutas operárias no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos, quando as mulheres reivindicavam melhores condições de trabalho e o direito ao voto.

No Brasil, embora essa mobilização tenha raízes profundas, a primeira grande celebração organizada ocorreu em 1947. Foi um passo importante para o reconhecimento institucional de uma força que hoje está presente em todos os pilares da sociedade e que ganha destaque crescente no agronegócio brasileiro.

Da retaguarda à linha de frente

Se no passado a imagem da mulher no campo era frequentemente associada ao papel de “ajudante”, hoje essa realidade mudou profundamente. O retrato atual do agro brasileiro mostra uma transformação clara: a presença feminina avançou da colaboração silenciosa para a liderança estratégica.

Cada vez mais mulheres assumem a gestão das propriedades rurais. Elas se destacam pela capacidade analítica, pela formação técnica e pela disciplina de planejamento que o agro moderno exige.

Mas o diferencial da liderança feminina não está apenas na eficiência administrativa. Ele aparece também na forma de enxergar a propriedade rural.

Para muitas dessas gestoras, a fazenda não é apenas uma área de produção. É um sistema vivo que envolve solo, água, pessoas, comunidade e sucessão familiar.

A fazenda deixa de ser apenas produção. Passa a ser um ecossistema que precisa ser administrado com visão de futuro.

Essa visão amplia o conceito de gestão rural. Produzir continua sendo essencial, mas preservar e planejar também passam a fazer parte do mesmo equilíbrio.

Sustentabilidade e visão de longo prazo

A presença feminina também ampliou a forma como o agronegócio brasileiro enxerga a sustentabilidade. Muitas mulheres incorporaram a preservação ambiental como parte natural da gestão da propriedade.

Cuidar do solo, proteger os recursos naturais e planejar o uso responsável da terra deixaram de ser apenas exigências regulatórias. Tornaram-se decisões estratégicas para garantir a continuidade da produção e o legado das próximas gerações.

Essa postura ajudou a elevar o patamar da responsabilidade ambiental no campo, mostrando que produtividade e equilíbrio ecológico podem caminhar juntos.

Quando a mulher assume a gestão da propriedade, produtividade e preservação passam a caminhar lado a lado.

O nome diz tudo: “A Protagonista”

Como comentarista do Canal Rural, tenho a satisfação de acompanhar de perto essa transformação. Ao longo dos anos, a emissora assumiu o compromisso de dar visibilidade às histórias reais que acontecem dentro e fora das porteiras.

Um exemplo claro dessa iniciativa é o programa “A Protagonista”.

O próprio nome resume o momento vivido pela cadeia do agronegócio brasileiro. Ele representa a mulher que deixou os bastidores para ocupar o centro das decisões.

No programa vemos mulheres que planejam safras, administram fluxo de caixa, conduzem equipes e organizam o processo de sucessão familiar com segurança e competência.

Ao dar voz a essas mulheres, o Canal Rural não apenas informa. Ele também contribui para fortalecer uma nova geração de lideranças que já está transformando o agro brasileiro.

Além da porteira

Essa influência ultrapassa os limites das propriedades. Ela alcança toda a cadeia produtiva e também os profissionais que analisam o setor.

O agro moderno exige tecnologia, eficiência e gestão. Mas exige também sensibilidade, visão sistêmica e capacidade de pensar no longo prazo — qualidades que muitas mulheres têm demonstrado com grande competência.

Conclusão

Celebrar o 8 de março no agronegócio é reconhecer a força de quem compreende que produzir alimentos é também cuidar do futuro.

As mulheres não estão apenas ocupando espaços. Elas estão ajudando a redefinir a forma como o Brasil produz, preserva e se projeta para o mundo.

Às protagonistas do campo brasileiro, fica o meu profundo respeito e admiração.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Elefante-marinho reabilitado segue rota migratória rumo à Argentina


Filhote de elefante-marinho na costa uruguaia
Foto: Julia Nocchi/ONG Karumbé

A equipe multidisciplinar do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR) resgatou e reabilitou um filhote de elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina), encontrado na praia de Matinhos (PR).

Em janeiro, a equipe o devolveu ao oceano, em área próxima ao Parque Nacional Marinho da Ilha de Currais. Após 25 dias de cuidados intensivos no Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD-UFPR), o animal retomou sua rota migratória.

O monitoramento por transmissor satelital indica que o filhote já se encontra na Argentina, a menos de 800 quilômetros da Península Valdez, uma das principais áreas de ocorrência e reprodução da espécie.

Resgate inédito

A Polícia Militar do Paraná, durante monitoramento da orla, encontrou o animal no dia 26 de dezembro. Seguindo o Protocolo de Atendimento a Encalhes de Animais Marinhos do Paraná (Prae), a equipe do PMP-BS/LEC-UFPR foi acionada e realizou o atendimento imediato.

De acordo com a coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR, professora Camila Domit, o caso chamou atenção desde o início por se tratar de um filhote.

“O registro de um filhote de elefante-marinho no Paraná é algo inédito e indica uma situação diferenciada, que exige resposta rápida e avaliação criteriosa, tanto sobre o estado do indivíduo quanto sobre os fatores ambientais que podem estar influenciando esses deslocamentos”, explica Camila.

A importância da cooperação internacional

Foto: Divulgação/ LEC-UFPR

Durante o processo migratório, cerca de 15 dias após a soltura, o elefante-marinho foi avistado em La Coronilla, no Uruguai. O registro permitiu que parceiros da ONG Karumbé, referência na conservação marinha no país, acompanhassem o animal.

Em menos de um mês, o animal percorreu cerca de 1.500 km.

Desse modo, a articulação entre equipes do Brasil, Uruguai e Argentina reforça o caráter internacional da conservação de espécies migratórias.

“Esse caso demonstra que a conservação não tem fronteiras. Estamos falando de uma espécie subantártica que cruzou diferentes países em poucas semanas. A cooperação entre instituições é fundamental para garantir proteção ao longo de toda a rota migratória”, reforça Camila.

Transmissor satelital

transmissor satelital elefante-marinho
Foto: Divulgação/ LEC-UFPR

Além disso, antes da soltura, o filhote passou por coleta de amostras biológicas, marcação por microchip e, de forma inédita no estado, pela instalação de um transmissor satelital, permitindo sua identificação e o acompanhamento diário de sua trajetória.

A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) instalou o transmissor, no âmbito das atividades do PMP-BS, projeto do qual a instituição é responsável técnica pela Área SC/PR. O equipamento é leve e seguro, sendo projetado para se desprender naturalmente ao longo do tempo, sem causar danos ao animal.

“Essa possibilidade de monitorar em tempo real tanto o deslocamento como o comportamento do animal no oceano, nos fornece dados sobre como ele usa o ambiente”, explica o biólogo André S. Barreto, coordenador geral do PMP-BS Área SC/PR.

Ele também destaca que com os dados de mergulho e da temperatura da água de onde o elefante-marinho passou, é possível analisar como esses animais escolhem os locais para onde vão.

Conservação de espécies migratórias

A jornada desse elefante-marinho reforça um aspecto central da conservação: espécies migratórias dependem de ecossistemas saudáveis, políticas integradas ao longo de milhares de quilômetros e coordenação entre países.

Nesse sentido, o caso do elefante-marinho ilustra, na prática, a importância desse debate.

“Esse filhote saiu do Paraná, cruzou o sul do Brasil, passou pelo Uruguai e agora está na Argentina, aproximando-se de sua área natural de ocorrência. Casos como esse mostram que conservação precisa de ação local, mas ser pensada em escala global”, afirma Camila.

Caso bem-sucedido

A trajetória do filhote — de Matinhos à costa argentina — representa um caso bem-sucedido de reabilitação, mas também um exemplo concreto de como o desenvolvimento da ciência, estratégias de monitoramento ambiental sistemáticas e cooperação são fundamentais para a conservação de espécies migratórias em um cenário de mudanças ambientais globais.

“Cada etapa dessa história reforça a importância do monitoramento contínuo e das ações colaborativas. Agora, seguimos acompanhando os próximos capítulos dessa jornada, que começou no Paraná e segue rumo às áreas ao sul e de uso frequente pela espécie no Atlântico Sul”, conclui Camila.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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FAO lança Ano Internacional da Agricultora 2026 e destaca mulheres no meio rural


Mulher trabalhando no meio rural, agricultora, dia da mulher
Foto: Freepik

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou o Ano Internacional da Agricultora 2026, com o objetivo de ampliar a visibilidade do papel das mulheres na produção de alimentos e incentivar políticas públicas voltadas à redução das desigualdades de gênero no meio rural.

A iniciativa foi apresentada em Brasília durante o 39º período de sessões da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe (LARC39). O evento contou com a participação do diretor-geral da FAO, QU Dongyu, além de autoridades e representantes do setor agrícola da região.

Segundo a organização, a proposta é conscientizar sobre a importância das mulheres nos sistemas agroalimentares, dar visibilidade aos desafios estruturais enfrentados por elas e mobilizar investimentos para ampliar o acesso a terra, crédito, tecnologia e serviços.

Participação feminina no agro

Na América Latina e no Caribe, as mulheres representam 36% da força de trabalho nos sistemas agroalimentares. A presença é ainda mais expressiva em atividades fora da produção agrícola, como processamento e comercialização de alimentos, onde 71% das trabalhadoras estão concentradas.

Apesar da participação relevante, a FAO aponta que ainda persistem desigualdades estruturais que limitam a autonomia econômica e a produtividade das mulheres no campo. Entre os principais desafios estão o menor acesso à posse da terra, a serviços financeiros e tecnológicos, além da sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidados não remunerados.

Desigualdade e segurança alimentar

A desigualdade também aparece nos indicadores de segurança alimentar da região. Dados da FAO mostram que mais mulheres do que homens enfrentam fome na América Latina e no Caribe.

Em 2022, a diferença de gênero na insegurança alimentar moderada ou grave chegou a 9,1 pontos percentuais. Em 2021, esse intervalo havia alcançado 11,5 pontos, em parte como reflexo da crise provocada pela pandemia de covid-19.

Além disso, a organização destaca que a região é altamente exposta às mudanças climáticas. A maior frequência de eventos extremos, como secas e enchentes, tende a afetar a produção agrícola e pode aprofundar as desigualdades enfrentadas pelas mulheres rurais.

Agenda para 2026

Ao longo de 2026, o Ano Internacional da Agricultora prevê a realização de ações em nível nacional, regional e global. A agenda inclui iniciativas voltadas à incorporação da igualdade de gênero nas políticas agroalimentares, além da mobilização de investimentos públicos e privados para ampliar oportunidades no campo.

O lançamento contou ainda com a participação de ministros da Agricultura da América Latina e do Caribe, além de representantes de organizações do setor e de movimentos ligados à agricultura familiar.

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Frente fria avança e chuva pode passar de 200 milímetros no Sudeste nesta semana


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

A semana entre segunda-feira (9) e sexta-feira (13) será marcada por chuva em diversas áreas do Brasil. Sistemas de baixa pressão, a passagem de uma frente fria no Sudeste e a atuação da Zona de Convergência Intertropical no Norte e Nordeste influenciam as condições do tempo no país.

Em alguns estados, os acumulados de chuva podem ultrapassar 200 milímetros ao longo dos próximos dias.

Confira a previsão do tempo por região:

Região Sul

A segunda-feira começa com chuva fraca no litoral do Paraná e de Santa Catarina e na Serra Gaúcha. Há previsão de chuva também no sudoeste e oeste do Rio Grande do Sul.

Ao longo do dia, um cavado associado a uma área de baixa pressão no Paraguai reforça pancadas de chuva na metade oeste dos três estados. Há possibilidade de trovoadas e temporais isolados.

No Paraná, a chuva pode persistir no litoral e no noroeste. No norte e leste do estado, os acumulados podem ultrapassar 150 milímetros durante a semana, com possibilidade de alagamentos em áreas urbanas, incluindo Curitiba.

Nas demais áreas da região, a previsão indica pancadas típicas de verão, com volumes entre 20 e 30 milímetros. As temperaturas máximas podem superar 30 °C.

Região Sudeste

A chuva começa forte no noroeste de São Paulo e em áreas do Triângulo Mineiro e do interior de Minas Gerais.

Uma frente fria avança pela costa do Sudeste e alcança o litoral do Espírito Santo durante a noite. O sistema mantém chuva moderada a forte no litoral, principalmente entre o Rio de Janeiro e o sul capixaba.

Ao longo do dia, as pancadas se espalham por São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, com risco de temporais.

Os acumulados podem superar 200 milímetros em áreas de São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais. Há risco de alagamentos e deslizamentos no litoral paulista, no litoral fluminense e na Zona da Mata mineira. As capitais São Paulo e Rio de Janeiro também podem registrar pontos de alagamento.

Região Centro-Oeste

No Centro-Oeste, a chuva ocorre desde cedo no norte e noroeste de Mato Grosso e no centro e sudeste de Mato Grosso do Sul.

A área de baixa pressão no Paraguai aumenta as instabilidades no oeste sul-mato-grossense. Ao longo do dia, a chuva se intensifica em grande parte de Mato Grosso do Sul e em áreas do sul, leste e sudeste de Goiás.

Em Mato Grosso do Sul, os acumulados podem ultrapassar 100 milímetros nos próximos dias. A chuva pode interromper operações no campo.

Em Mato Grosso e Goiás, os volumes previstos ficam próximos de 50 milímetros no início da semana, o que pode atrasar a colheita de soja e o plantio do milho de segunda safra.

Região Nordeste

A Zona de Convergência Intertropical reforça a chuva no litoral norte do Nordeste, entre Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.

Durante a tarde, as pancadas podem se intensificar no norte do Maranhão, do Piauí e do Ceará e no oeste de Pernambuco, com possibilidade de temporais.

Nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, a previsão indica tempo seco e temperaturas que podem ultrapassar 34 °C ao longo da semana.

No Maranhão, Piauí e Ceará, os volumes previstos ficam em torno de 50 milímetros.

Região Norte

Na região Norte, a chuva ocorre em grande parte de Roraima, no oeste e interior do Pará e no Amazonas. As pancadas aumentam ao longo do dia no Amazonas, Acre, Rondônia e Amapá, com possibilidade de temporais isolados.

Os acumulados previstos para a semana variam entre 40 e 60 milímetros. Em Roraima, o retorno da umidade reduz o risco de focos de incêndio. No Tocantins, o volume menor de chuva pode favorecer o avanço da colheita da soja.

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Jovens mulheres ganham espaço na sucessão familiar e assumem liderança no agro


Silvia Beltrame, Larissa Pagani de Morais e Amanda Gorrosterrazú (do alto à dir., em sentido horário)
Fotos: redes sociais/reprodução

A sucessão familiar no campo está passando por uma transformação silenciosa, mas cada vez mais visível. Se antes a gestão das propriedades rurais era majoritariamente masculina, hoje jovens mulheres começam a assumir os negócios da família, trazendo novas ideias, inovação e formas diferentes de liderar.

Histórias de produtoras rurais em diferentes regiões do país mostram que a nova geração feminina vem superando preconceitos históricos e ocupando posições de liderança no agronegócio.

Processo natural

Silvia Beltrame
Silvia Beltrame

Em muitos casos, a sucessão não acontece de forma planejada, mas surge naturalmente a partir da convivência com a rotina da propriedade.

Foi o que aconteceu com a produtora de cana Silvia Beltrame, que passou a participar da gestão da fazenda aos 23 anos. Hoje, aos 26, divide as decisões com o pai e atua tanto na parte administrativa quanto na produção.

Segundo ela, o envolvimento começou a partir da vontade de ajudar a família. “Tudo começou com um incômodo meu de querer ajudar meu pai. Eu via que a parte financeira e administrativa era a maior dor dele”, conta.

Embora tenha se formado em biologia e pensado inicialmente em seguir carreira na área científica, a pandemia acabou aproximando Silvia da realidade da fazenda. A partir daí, passou a investir em conhecimento, gestão e tecnologia para modernizar a propriedade.

Formação e inovação fortalecem liderança feminina

Amanda Gorrosterrazú

Outra representante dessa nova geração é Amanda Gorrosterrazú, produtora rural do Rio Grande do Sul. Filha e neta de agricultores, ela sempre teve o campo como referência, mas decidiu reforçar sua atuação com formação técnica.

Amanda é zootecnista e mestre em Ciência Animal e Pastagens pela Esalq/USP. Para ela, a qualificação tem sido fundamental para ampliar a participação feminina na sucessão rural.

“A juventude feminina do setor quer unir tradição familiar com conhecimento técnico para transformar o campo”, afirma.

Segundo Amanda, programas de liderança e troca de experiências entre produtoras ajudam a fortalecer o protagonismo das mulheres no agro.

Ela também observa que, apesar de o ambiente rural ainda ter predominância masculina, a presença feminina vem crescendo com força.

“As mulheres jovens estão chegando com vontade de inovar e transformar o setor”, destaca.

Terceira geração já assume responsabilidades no campo

Larisa Pagani de Morais

Em muitos casos, o protagonismo feminino começa ainda cedo. No interior do Paraná, Larissa Pagani de Morais, de 22 anos, já comanda um dos aviários da família.

Filha e neta de avicultores, ela administra sozinha um galpão com 27 mil aves, cuidando de todas as etapas da produção.

O convite para assumir a gestão surgiu quando a família decidiu ampliar a estrutura da granja.

“Meu pai perguntou se eu queria cuidar de um dos aviários. Eu aceitei e agarrei a oportunidade”, conta.

Além do trabalho no campo, Larissa também cursa agronomia e concilia os estudos com a rotina intensa da produção.

Para ela, dar continuidade ao negócio da família é motivo de orgulho. “Pretendo continuar na avicultura. É o que eu amo fazer”, afirma.

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