sexta-feira, julho 24, 2026

Autor: Redação

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O ‘incômodo’ de Trump: Brasil, agroexportador mundial!


exportação de açúcar, barreiras comerciais, lei kandir
Foto: Governo Federal

Quem diria que um país com apenas cerca de 8% do PIB dos Estados Unidos, o nosso Brasil, em apenas 50 anos, se transformaria hoje no segundo maior agroexportador do mundo. E com grandes chances de obtermos a taça do mundo dos campeões agroexportadores neste ano de 2026.

E para um presidente dos EUA como Trump, apaixonado por ser o exemplo da supremacia em tudo, com certeza esse fato o deve estar incomodando profundamente, o que daria para explicar muito melhor a perseguição ao Brasil com os tarifaços, do que qualquer outra explicação.

Afinal, continuamos comprando mais do que vendemos aos EUA e, fundamentalmente, tudo o que vendemos gera extraordinária agregação de valor no sistema empresarial norte-americano. Não apenas nos itens como café, mas em todos os demais dos setores de componentes da indústria, das máquinas, da construção, etc.

O Brasil fornece matérias primas, componentes que geram extraordinária agregação de valor lá, inclusive com impactos positivos nos custos e preços aos consumidores USA, além de competitividade nas suas exportações para enfrentar cada vez mais desafiantes europeus e asiáticos. E há a informação
do USDA, departamento de agricultura dos EUA, que apenas US$ 2 bilhões separam agora o total das agroexportações norte-americanas das brasileiras. E ao olhar as tendências, o Brasil segue crescendo e os Estados Unidos, em queda.

Portanto, podemos acrescentar ser o Brasil um fato inusitado no mundo, o de um país em desenvolvimento, na faixa tropical do planeta, fora das tradicionais agriculturas de clima temperado que trouxeram o mundo até agora, chegando com a perspectiva em 2026 de virar o campeão mundial agroexportador. Não fomos nada bem no campo do futebol, mas parece que no agro, com todos os
nossos problemas, revelamos um espetacular poder de resiliência e de superação.

Importante também acrescentar a este espetacular “incômodo” o fato de que o Brasil passou a significar segurança alimentar e energética para o mundo, sendo hoje o maior fornecedor de alimentos do maior concorrente estratégico norte-americano, a China, e também o maior fornecedor de alimentos do
inimigo Irã, com quem Trump hoje está formalmente envolvido numa guerra militar.

Temos severos e gigantescos desafios de ordem interna, o que nos obriga a termos planejamento estratégico de cadeia produtiva, com ações do antes das porteiras, fertilizantes, irrigação, insumos, genética, mecanização, sinais de satélite, competência digital e IA. Ações no pós-porteira das fazendas, com armazenagem, logística, biocombustíveis na mobilidade total do agro, agroindustrialização, marcas e marketing no mundo, com terroirs brasileiros ao lado da natureza brasileira mostrados no planeta inteiro.

E dentro da porteira, seguro rural, proteção aos agricultores, cooperativismo e fortalecimento do melhor consciente dos sindicatos rurais, e das entidades representativas de produtores num diálogo inteligente com o que os antecede de quem compram e com aqueles para quem vendem.

A mulher na liderança do agro mundial é outro fator exponencial e veremos o início desse grandioso tema no WAWL (World Agribusiness Women Leadership) no Gaffff, em São Paulo, dia 2 de outubro.

Precisamos de diálogo muito mais do que ímpetos e explosões tarifaceiros e polarizações ideológicas que já foram encerradas há muitos anos na história da humanidade moderna.

O incômodo lembra o imperador Commodus, de Roma, com certeza o pior e o mais incompetente e egomaníaco de todos. Mas foco no nosso país e no mundo com a missão da paz como Roberto Rodrigues sempre fala. E os incomodados que se retirem.

Parabéns agro nacional chegando na taça agroexportadora mundial!

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Petróleo cai no dia, mas encerra semana com alta perto de 10%


ANP abre consulta sobre novas regras para combustíveis de uso aquaviário

O petróleo fechou em queda nesta sexta-feira (24), após a forte alta registrada na véspera, mas ainda acumulou avanço de quase 10% na semana. O mercado acompanhou os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, além das movimentações diplomáticas envolvendo Paquistão, China, Estados Unidos e Irã.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do petróleo WTI para setembro caiu 3,12% (US$ 2,88) e encerrou o dia a US$ 89,31 por barril. Em Londres, na Intercontinental Exchange (ICE), o Brent para setembro recuou 3,88% (US$ 3,91), para US$ 96,78 por barril. O contrato mais líquido do Brent, para outubro, fechou em queda de 2,74%, a US$ 91,68 por barril.

No acumulado da semana, porém, os contratos avançaram com força. O WTI subiu 9,2%. O Brent para setembro teve alta de 9,85%, enquanto o contrato de outubro avançou cerca de 6%.

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O petróleo já iniciou a sessão em baixa, depois de o Brent atingir na quinta-feira o nível de US$ 100 por barril pela primeira vez em dois meses. O movimento perdeu força ao longo do dia e se aprofundou após a Reuters informar que o Paquistão busca uma via para retomar as negociações entre Estados Unidos e Irã, atualmente paralisadas, em uma iniciativa liderada pela China.

O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Bruno Cordeiro, apontou um movimento de realização de lucros no petróleo. Segundo ele, a melhora no tráfego marítimo no estreito de Bab-el-Mandeb também atuou como vetor de pressão sobre a commodity.

Mesmo com o recuo das cotações, Estados Unidos e Irã mantiveram ações militares no Golfo Pérsico, chegando ao 13º dia consecutivo de ataques. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, ameaçou países europeus contra o uso de bases militares por forças americanas como plataforma para ataques.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (24) que recebeu garantias dos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, de que seus países não fornecerão armas ao Irã. Para o analista do Deutsche Bank, Jim Reid, a escalada da retórica ampliou os temores de um choque estagflacionário mais prolongado, enquanto as restrições de oferta ligadas ao conflito seguem no centro do mercado de petróleo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Bahia recebe lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27


Bahia recebe lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27

A cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27 no estado da Bahia será realizada na próxima segunda-feira (27), às 15h, no Teatro Central da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana (BA). O evento contará com a participação da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.

Durante a agenda, serão apresentados os resultados das políticas públicas voltadas à agricultura familiar. O foco da apresentação estará no acesso ao crédito, na comercialização, na inclusão produtiva e na regularização de dívidas.

A programação da ministra na Bahia inclui ainda uma visita, na segunda-feira, às 11h40, à Agroindústria de Beneficiamento de Frutas da Associação Comunitária da Matinha (Acoma), no distrito da Matinha, em Feira de Santana.

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Na terça-feira, a agenda prevê participação na inauguração da Agroindústria de Beneficiamento de Milho da Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê (Copirecê).

O lançamento do plano no estado reúne ações direcionadas à agricultura familiar e integra uma agenda com atividades ligadas ao beneficiamento agroindustrial e à organização produtiva.

O evento principal está marcado para as 15h da próxima segunda-feira (27), em Feira de Santana, com apresentação de resultados de políticas públicas para a agricultura familiar e participação da ministra Fernanda Machiaveli.

Fonte: gov.br

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Imazon aponta queda de 10% no desmatamento da Amazônia no primeiro semestre


Imazon aponta queda de 10% no desmatamento da Amazônia no primeiro semestre

A Amazônia registrou 1.145 quilômetros quadrados de floresta derrubada entre janeiro e junho de 2026, volume 10% menor que o do mesmo período do ano passado, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O estudo também mostra que 588 áreas protegidas passaram o semestre sem registros de desmatamento, o equivalente a mais de 80% desses territórios.

De acordo com o Imazon, o resultado representa a menor área desmatada em um primeiro semestre nos últimos oito anos. Na comparação com 2022, quando houve o pico da série histórica para o período, a redução chegou a 76%.

Entre as 588 áreas protegidas sem ocorrência de desmatamento, estão 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação. No total do semestre, as áreas protegidas responderam por 97,37 quilômetros quadrados do desmatamento na Amazônia, o equivalente a 8% da área derrubada. Desse volume, 9,38 quilômetros quadrados foram registrados em terras indígenas e 87,99 quilômetros quadrados em unidades de conservação.

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O levantamento foi divulgado poucos dias depois de o governo dos Estados Unidos incluir o desmatamento ilegal entre as justificativas para aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em resposta, o governo brasileiro classificou as acusações como indevidas e afirmou que os índices de desmatamento vêm caindo desde 2023.

Apesar da redução geral, o estudo identifica áreas com pressão concentrada. A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, respondeu por metade do desmatamento registrado em todas as áreas protegidas da Amazônia no primeiro semestre, com 47,85 quilômetros quadrados. A Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, também no Pará, perdeu 3,45 quilômetros quadrados de floresta e foi apontada como a quinta unidade de conservação mais desmatada na região.

Segundo a coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, Brenda Brito, a aprovação no Senado de um projeto de lei que reduz a área da Flona do Jamanxim favorece ocupações ilegais dentro da unidade de conservação. Ela defendeu veto presidencial ao projeto.

No recorte por estados da Amazônia Legal entre agosto de 2025 e junho de 2026, Roraima e Maranhão foram os únicos a registrar alta no desmatamento, de 25% e 20%, respectivamente. Os demais sete estados apresentaram queda, de 67% em Tocantins a 27% em Mato Grosso. Em área desmatada, o Pará liderou o período com 684 quilômetros quadrados, seguido por Mato Grosso, com 509 quilômetros quadrados, e Amazonas, com 378 quilômetros quadrados.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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China libera registro para exportação brasileira de polpas e frutas congeladas


EUA excluem pescados brasileiros de novas tarifas de importação

A Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) disponibilizou o modelo de certificado sanitário aplicável às exportações brasileiras de polpas e frutas congeladas. Com a medida, os estabelecimentos interessados já podem fazer o registro no sistema China Import Food Enterprise Registration (CIFER), etapa necessária para habilitar embarques ao mercado chinês.

O procedimento vale para polpas e frutas congeladas produzidas a partir de espécies já reconhecidas como alimento pelas autoridades chinesas. Entre os produtos abrangidos estão açaí, manga, goiaba, abacaxi e maracujá, além de outras frutas admitidas para consumo humano na China.

As frutas ainda sujeitas ao enquadramento como novos alimentos seguem os procedimentos regulatórios previstos na legislação chinesa. Para os produtos já enquadrados, o avanço operacional ocorre com a disponibilização do certificado sanitário e com a abertura do registro dos estabelecimentos exportadores no sistema CIFER.

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O cadastro deve ser feito diretamente pelo estabelecimento interessado, responsável pelo envio da documentação exigida. Após a aprovação pela GACC, será atribuído um número de registro ao exportador. Esse número é requisito para a realização das exportações.

As remessas também deverão ser acompanhadas do certificado sanitário oficial acordado entre Brasil e China. Depois da aprovação do registro pela autoridade chinesa e da emissão do certificado oficial pela autoridade competente brasileira, os embarques poderão ser realizados conforme os procedimentos sanitários e aduaneiros aplicáveis.

Os exportadores devem consultar previamente os procedimentos e requisitos definidos pelas autoridades chinesas, além da relação de frutas reconhecidas como alimento no país, antes de iniciar o processo de habilitação.

Com a liberação do modelo de certificado sanitário no sistema da GACC, os estabelecimentos brasileiros já podem avançar no registro exigido para exportar polpas e frutas congeladas ao mercado chinês.

Fonte: gov.br

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BNDES e IBP fecham acordo para conectar startups ao setor de energia


BNDES e IBP fecham acordo para conectar startups ao setor de energia

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio da BNDES Participações S.A. (BNDESPAR), e o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) firmaram um acordo de cooperação técnica para fortalecer o ecossistema de inovação no Brasil. A iniciativa foi publicada nesta sexta-feira (24) e busca ampliar conexões entre startups, empresas e especialistas do setor de energia.

A cooperação integra a estratégia de ampliação das parcerias do programa BNDES Garagem. O objetivo é fomentar o intercâmbio de conhecimento, estimular agendas estratégicas de inovação e identificar oportunidades de colaboração em temas como transição energética e descarbonização.

Pelo acordo, startups apoiadas pelo BNDES Garagem poderão ser aproximadas de demandas da indústria de petróleo, gás e biocombustíveis. A proposta inclui oportunidades de validação de soluções, acesso a especialistas e interação com potenciais clientes. Em sentido complementar, empresas do setor energético poderão acessar tecnologias, soluções inovadoras e modelos de negócio desenvolvidos pelas startups, com aplicação em transformação digital, eficiência operacional e transição energética.

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O acordo tem vigência inicial de 24 meses, com possibilidade de prorrogação por até 60 meses. A parceria não prevê transferência de recursos financeiros entre as instituições e será baseada em cooperação institucional e desenvolvimento conjunto de iniciativas.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o acordo cria condições para ampliar a interação entre startups e agentes do setor de energia, com desenvolvimento de soluções alinhadas a desafios tecnológicos e ambientais do país. Para o presidente do IBP, Roberto Ardenghy, a parceria está alinhada ao papel do instituto de conectar empresas, startups, centros de pesquisa e investidores para acelerar o desenvolvimento tecnológico, fortalecer a competitividade do setor e apoiar a transição energética.

O IBP reúne mais de 200 empresas associadas e coordena o hub de inovação iUP, com atuação em pautas como transição energética, hidrogênio de baixo carbono e captura de carbono. Já o BNDES Garagem, lançado em 2018, é o programa de aceleração de startups de impacto do Sistema BNDES, com oferta de mentorias, capacitação e conexão com investidores.

Na atual edição, o BNDES Garagem prioriza soluções voltadas a desafios socioambientais, com temas como economia verde, descarbonização e economia azul. O programa também adota mecanismos para incentivar diversidade regional e social entre os empreendedores participantes.

Fonte: agenciadenoticias.bndes.gov.br

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AgroNewsPolítica & Agro

Renegociação das dívidas rurais avança e pode devolver capacidade de investimento ao produtor


A busca por uma solução capaz de aliviar a pressão financeira sobre os produtores rurais ganhou novo impulso em Brasília. O desenvolvimento de uma proposta para a renegociação das dívidas rurais obteve avanços após o diálogo entre a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o Ministério da Fazenda.

A Medida Provisória Nº 1.376, publicada no dia 15/07, autoriza a criação de linhas de crédito para composição de dívidas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e de Cédulas de Produto Rural. Também autoriza a participação da União em fundo garantidor destinado à cobertura de operações de crédito rural contratadas por produtores rurais afetados por eventos climáticos adversos. 

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, a medida representa um passo necessário e urgente para restabelecer a capacidade financeira dos produtores rurais e preservar a continuidade das atividades no campo. Ele ressalta, ainda, que a recuperação financeira do produtor rural também beneficia toda a economia, pois preserva empregos, movimenta as cadeias produtivas e fortalece a segurança alimentar do País. “Por isso, consideramos fundamental que a proposta seja implementada com agilidade, segurança jurídica e condições efetivas de pagamento”.

Na avaliação da FPA, divulgada por meio de nota oficial, a proposta constitui uma resposta à urgência enfrentada por milhares de produtores que precisam reorganizar seus compromissos financeiros, recuperar o acesso ao crédito e retomar plenamente a produção.

De acordo com a FPA, a bancada sempre priorizou as demandas dos produtores rurais em todas as negociações, desde a tramitação do PL 5.122/2023 até a minuta de Medida Provisória apresentada pelo governo. “Desta forma, atuamos para preservar os pontos centrais do projeto discutido: reabilitação do crédito com juros baixos, retomada do ciclo produtivo e condições para que o produtor volte a pagar, investir e produzir”.

Entenda a Medida Provisória

A medida visa permitir que produtores afetados por perdas recorrentes recuperem a capacidade de investimento e voltem a acessar crédito para financiar suas atividades e a próxima safra. Entre as ações de efeito imediato, a MP autoriza os bancos a prorrogarem por até 30 dias o vencimento das parcelas de principal e juros das operações de crédito contratadas por produtores que estavam adimplentes até 14 de julho.

Em entrevistas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a medida poderá viabilizar a renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas, com impacto anual inferior a R$ 4 bilhões nas contas públicas. Publicada em edição extra do Diário Oficial da União, a MP também autoriza a União a participar como cotista de um fundo garantidor para cobrir as operações, com a possibilidade de adesão de estados e municípios.

Além do crédito rural tradicional (custeio, comercialização, industrialização e investimento), a MP autoriza as instituições financeiras a renegociar as Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira que estejam em atraso, oferecendo prazo de reembolso de até oito anos.

Para ter acesso aos benefícios, produtores rurais e cooperativas agropecuárias devem ter registrado, entre 2019 e 2025, perdas em duas ou mais safras que resultaram na redução de, no mínimo, 30% da renda bruta esperada. As perdas devem ser comprovadas por laudo emitido por profissional habilitado. As linhas de crédito contarão com limites específicos conforme o beneficiário:

Os encargos financeiros serão de 6% ao ano para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de reembolso será de até oito anos, com carência de dois anos para o pagamento da primeira parcela do principal.

Excepcionalmente, para produtores com perdas em três ou mais safras e redução de, no mínimo, 40% da renda bruta, os limites de crédito sobem para até R$ 500 mil (Pronaf), R$ 2,5 milhões (Pronamp) e R$ 8 milhões (demais).

Nesses casos excepcionais, os juros são reduzidos para 5% ao ano (Pronaf), 8% ao ano (Pronamp) e 11% ao ano (demais), e o prazo de reembolso é ampliado para até dez anos.

Próxima etapa

O texto já está em vigor, mas precisa ser aprovado por senadores e deputados em até 120 dias para ser definitivamente convertido em lei.

 





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Javalis se tornam ‘sócios indesejados’ e reviram lavouras de soja no ciclo 26/27; Famato explica como reduzir prejuízos


Imagem gerada por IA

Além de fatores como o clima e os altos custos de produção, os sojicultores ganharam mais uma preocupação para a safra 2026/27: os javalis. Atraídos por alimento, água e abrigo nas matas vizinhas, esses animais deixam as áreas de vegetação para invadir as lavouras, onde reviram o solo, desenterram sementes e comprometem o desenvolvimento da cultura logo nos primeiros dias após o plantio.

Ao Soja Brasil, o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da Famato e presidente do Sindicato Rural de Cláudia (MT), Zilto Donadello, explica que os prejuízos começam ainda na semeadura.

“Os javalis são destrutivos em todas as fases da cultura, inclusive no plantio. Eles possuem um faro capaz de detectar sementes e raízes a até 30 cm de profundidade. Esse comportamento de ‘fuçar’ o subsolo faz com que o animal desenterre sementes e raízes, destrua a estrutura física do solo e atinja diretamente as linhas de semeadura e os grãos”, explica.

Segundo ele, esse comportamento compromete gravemente a lavoura e pode levar à destruição sistemática das áreas produtivas, inclusive de nascentes de água. Os danos, porém, não se restringem ao período de plantio. Donadello afirma que os javalis continuam causando prejuízos durante todo o desenvolvimento da cultura.

“Os javalis são pragas exóticas com elevado potencial de causar danos ao meio ambiente e à produção. Por isso, continuam sendo um problema durante todo o desenvolvimento da planta, agindo como um ‘sócio indesejado’ que pode inviabilizar talhões inteiros. Eles costumam se deslocar em bandos, e o impacto de um único javali no território e no consumo é equivalente ao de quatro queixadas nativos”, diz.

Além de se alimentarem de plantas em diferentes fases de desenvolvimento, como soja e milho, o deslocamento desses grupos provoca danos por pisoteio e amassamento, agravando ainda mais as perdas de produtividade.

O problema já está espalhado por praticamente todo o país, mas é mais intenso nas regiões de maior produção agrícola, especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. “O problema é mais crítico nas regiões de grande produção de alimentos. De acordo com o mapa de risco sanitário, as áreas de maior ocupação concentram-se do Sul para o Norte. Portanto, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país são hoje as mais preocupantes”, afirma.

Segundo Donadello, Mato Grosso é um dos estados que mais preocupam. Ele explica que há uma mobilização para garantir maior autonomia legislativa, permitindo que o produtor realize o controle da praga de forma menos burocrática, tratando o javali com o mesmo rigor legal aplicado a outras pragas agrícolas, como ratos e gafanhotos.

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Diferentes formas de perigo

Além dos prejuízos às lavouras, o coordenador alerta que o crescimento da população de javalis também representa riscos à pecuária, à fauna nativa e às exportações brasileiras. “O problema não se restringe ao impacto econômico, que é massivo. Vai além da perda direta de plantas e representa um risco para toda a sociedade”, afirma.

Segundo ele, com o aumento da população, os ataques de javalis a pessoas, animais domésticos e espécies da fauna nativa têm se tornado cada vez mais frequentes. Além disso, os animais podem atuar como vetores de doenças graves, como a Peste Suína Clássica, a Peste Suína Africana e a Febre Aftosa.

“Essas doenças podem fechar as fronteiras internacionais para a exportação da carne brasileira, gerando prejuízos de bilhões de dólares ao país”, destaca.

Então, como reduzir os impactos?

Para reduzir os prejuízos, a Famato orienta que o manejo seja realizado dentro das normas do Ibama e recomenda ações integradas entre propriedades vizinhas. Pelas regras estabelecidas nas Instruções Normativas Ibama nº 03/2013 e nº 12/2019, produtores e controladores parceiros devem estar cadastrados no Cadastro Técnico Federal, possuir autorização emitida pelo Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf) e contar com a permissão formal do proprietário da área cadastrada no CAR.

O órgão ambiental também proíbe o transporte de animais vivos e a comercialização da carne, devido ao risco de zoonoses e à ausência de inspeção sanitária. Além disso, exige o envio periódico de relatórios de manejo.

“Pelas recomendações de campo difundidas pela Famato e respaldadas pelo Manual de Boas Práticas do Ibama e da Embrapa, além da caça, as estratégias que apresentam os melhores resultados combinam a captura coletiva em armadilhas de grande porte para a eliminação dos bandos”, pontua.

Segundo Donadello, a Famato também orienta o enterro sanitário das carcaças e a atuação conjunta entre propriedades vizinhas para evitar que os javalis apenas migrem de uma fazenda para outra.

A entidade também defende mudanças na legislação para tornar o controle mais eficiente. “A estratégia nacional precisa ser modernizada para conferir segurança jurídica, agilidade e eficiência operacional ao produtor e aos controladores legalizados. Somente com regras claras, processos acessíveis e mecanismos descentralizados será possível proteger a biossegurança e a biodiversidade brasileira de forma organizada e mais efetiva”, conclui.

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Exclusão do café de tarifas nos EUA preserva mercado de US$ 2,5 bilhões


Cafés do Brasil ficam fora de nova tarifa de 25% dos EUA

A exclusão de todos os produtos de café da nova rodada de tarifas proposta pelos Estados Unidos preserva um mercado de aproximadamente US$ 2,5 bilhões por ano para o setor brasileiro, segundo o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos. A decisão mantém fora da sobretaxa o café verde, o café torrado e moído e o café solúvel embarcados ao mercado norte-americano.

Matos afirmou que a retirada do café da lista tarifária representa uma vitória para a cafeicultura brasileira no contexto da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre o combate ao uso de trabalho forçado em cadeias produtivas de cerca de 60 países. Nesse processo, estavam previstas tarifas de 10% e de 12,5%, faixa na qual o Brasil havia sido enquadrado.

Segundo o executivo, o resultado foi construído em articulação do Cecafé com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e a National Coffee Association (NCA), entidade que representa a indústria de café dos Estados Unidos. De acordo com ele, ao longo de mais de um ano foram realizadas mais de cem reuniões com representantes dos departamentos de Comércio, Estado, Agricultura e do USTR.

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Entre os argumentos apresentados, Matos destacou a relevância do café brasileiro para o abastecimento dos Estados Unidos. Segundo ele, mais de 70% da população norte-americana consome café, e o Brasil responde por cerca de 34% desse mercado. Também afirmou que o texto da decisão reconhece a importância da indústria de café solúvel para estabilizar os preços ao consumidor e abastecer a indústria local.

O Cecafé também reuniu informações sobre práticas trabalhistas na cafeicultura brasileira. Segundo Matos, os dados mostram mais de 58 mil fiscalizações no campo nos últimos anos, com menos de 1% dos casos relacionado a problemas de direitos humanos. O executivo citou ainda redução de 25,4% da chamada lista suja do trabalho análogo ao escravo desde janeiro e informou que mais de 600 técnicos multiplicadores já foram capacitados para orientar cafeicultores sobre contratação regular e formalização da mão de obra.

Com a exclusão do café da nova rodada de tarifas dos Estados Unidos, o setor mantém livres de sobretaxa os principais produtos exportados ao mercado norte-americano e preserva, segundo o Cecafé, um fluxo anual de cerca de US$ 2,5 bilhões.

Fonte: Estadão Conteúdo

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EUA reduzem cota de importação de açúcar bruto destinada ao Brasil para 2027


Ministro alemão defende avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou na quinta-feira (23) a distribuição das cotas tarifárias por país para a importação de açúcar no ano fiscal de 2027. Na parcela inicial destinada ao açúcar bruto de cana, o Brasil recebeu 100 mil toneladas métricas em valor bruto (MTRV), volume inferior às 155,99 mil MTRV reservadas ao país no ano fiscal de 2026. O período de vigência vai de 1º de outubro de 2026 a 30 de setembro de 2027.

O volume total da cota tarifária de açúcar bruto para 2027 foi fixado em 1,117 milhão de MTRV pelo Serviço Agrícola Externo (FAS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Segundo o USTR, esse montante corresponde ao nível mínimo assumido pelos norte-americanos no âmbito do acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Desse total, 1,061 milhão de MTRV foram distribuídos entre os países fornecedores. O restante, 55,99 mil MTRV, ficará em reserva para alocação antes do início de outubro. Entre as maiores cotas individuais anunciadas estão as da República Dominicana, com 189,34 mil MTRV, das Filipinas, com 145,24 mil MTRV, da Austrália, com 89,29 mil MTRV, da Guatemala, com 51,64 mil MTRV, e da Argentina, com 46,26 mil MTRV.

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Para o açúcar refinado, o USTR estabeleceu uma cota tarifária de 22 mil MTRV no ano fiscal de 2027. Desse volume, 10,30 mil MTRV foram destinados ao Canadá e 2,95 mil MTRV ao México. Outros 7,09 mil MTRV serão administrados pelo critério de ordem de chegada, assim como uma cota adicional de 1,66 mil MTRV voltada a açúcares especiais.

No caso dos produtos que contêm açúcar, o limite com tarifas reduzidas foi fixado em 64,71 mil toneladas métricas. Desse total, 59,25 mil toneladas foram destinadas ao mercado canadense, enquanto 5,46 mil toneladas ficaram disponíveis aos demais parceiros comerciais.

A entrada dos volumes enquadrados nas regras de cota preferencial estará liberada a partir de 1º de outubro de 2026. Na divisão inicial do açúcar bruto para o ano fiscal de 2027, o Brasil ficou com 100 mil MTRV.

Fonte: Estadão Conteúdo

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