domingo, junho 7, 2026

Autor: Redação

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Brasil busca acordo para evitar tarifa adicional de 25% dos EUA


bandeiras dos EUA e do Brasil
Imagem gerado por IA para o Canal Rural

O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para evitar a adoção de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida foi recomendada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação que apontou supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil.

Segundo a avaliação do governo, ainda existe espaço para um acordo que seja mais vantajoso para ambos os países do que a imposição da sobretaxa. Entre os argumentos apresentados pelo Brasil está o fato de os Estados Unidos manterem superávit comercial na relação bilateral, além da baixa tarifa média aplicada pelo país aos produtos norte-americanos, atualmente estimada em 2,7%.

A recomendação do USTR foi divulgada na última semana e tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Entre os pontos citados pelo órgão norte-americano está o Pix, que teria prejudicado empresas de pagamento dos EUA. O governo brasileiro, por sua vez, rejeitou os argumentos e classificou a iniciativa como uma tentativa de interferência em assuntos internos, além de enxergar um componente de protecionismo comercial.

Prazo

O Brasil trabalha agora com o prazo de 15 de julho para buscar uma solução negociada. A data foi estabelecida pelo USTR para uma definição sobre o caso, embora ainda exista a possibilidade de prorrogação.

Os negociadores brasileiros ganharam mais tempo após o fim do prazo inicial de 30 dias estabelecido depois do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em Washington no mês passado.

Desafios nas conversas

Entre os principais obstáculos para um entendimento está o fato de os Estados Unidos conduzirem simultaneamente diversas negociações tarifárias com outros países, além de estarem envolvidos em conflitos internacionais no Oriente Médio.

O governo brasileiro também avalia a possibilidade de um novo encontro entre Lula e Trump durante a reunião do G7, prevista para ocorrer entre os dias 15 e 17 de junho, na França. Até o momento, porém, não há confirmação de uma reunião bilateral.

Outra dificuldade apontada por integrantes do governo é a amplitude das demandas norte-americanas, que frequentemente envolvem temas além da área comercial. O Brasil, entretanto, busca concentrar as negociações exclusivamente em questões tarifárias e comerciais, descartando a inclusão de temas como terras raras e reafirmando que o Pix não fará parte de qualquer acordo.

Tarifa global é vista como difícil de reverter

Enquanto busca evitar a sobretaxa de 25%, o governo considera pouco provável conseguir negociar a tarifa adicional de 10% a 12,5% aplicada pelos Estados Unidos a cerca de 60 países sob a justificativa de combate ao trabalho análogo à escravidão.

Na avaliação brasileira, essa cobrança tem caráter mais amplo e foi estruturada para substituir o chamado “tarifaço” anterior, derrubado pela Suprema Corte norte-americana. A medida atinge não apenas o Brasil, mas também parceiros históricos dos EUA, como Japão, União Europeia, Canadá, Índia e Argentina.

Diante desse cenário, o governo aposta na continuidade das negociações para preservar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano e evitar impactos sobre o comércio bilateral.

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Carreta carregada com soja pega fogo na BR-392, em Rio Grande (RS)


Carreta de soja pega fogo em rodovia de Rio Grande
Divulgação 3º Batalhão de Bombeiros Militar (3º BBM)

Uma carreta carregada com soja foi atingida por um incêndio na manhã deste domingo (7) na BR-392, em Rio Grande (RS). O fogo mobilizou equipes do 3º Batalhão de Bombeiros Militar (3º BBM) de Rio Grande, que trabalharam para controlar as chamas e evitar que o incêndio se espalhasse.

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O incêndio atingiu a parte traseira do veículo de carga. Apesar da gravidade da ocorrência, ninguém ficou ferido.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram uma coluna de fumaça e a atuação das equipes de emergência no combate às chamas. As causas do incêndio ainda são desconhecidas e deverão ser investigadas nos próximos dias.

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Faep cobra envio de dados para tentar reverter suspensão da UE às carnes brasileiras


China reconhece Brasil como livre de febre aftosa

O Sistema Faep, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), criticou neste sábado (7) a decisão da União Europeia (UE) de suspender as importações de carne bovina do Brasil a partir de 3 de setembro. Em posicionamento oficial, a entidade afirmou que o veto não reflete a estrutura sanitária do país e do Paraná e cobrou do governo federal o envio urgente das informações exigidas pelo bloco europeu.

Segundo a Faep, o Brasil e o Paraná têm reconhecimento internacional como áreas livres de febre aftosa sem vacinação e contam com organização sanitária consolidada na cadeia pecuária. A federação sustenta que esses elementos não foram considerados de forma compatível pela UE na decisão de bloquear as compras.

A restrição europeia alcança bovinos, aves, equídeos, peixes da aquicultura, mel e tripas. De acordo com comunicado da Comissão Europeia, assinado pela presidente Ursula von der Leyen, as informações apresentadas pelo Brasil foram consideradas insuficientes para comprovar o cumprimento das regras do bloco sobre uso de antimicrobianos, como antibióticos, na produção animal.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

No recorte econômico, os embarques desses produtos para a UE somaram US$ 1,8 bilhão em 2025, dentro de um total de US$ 49,8 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro ao bloco, conforme os dados informados no conteúdo de referência. A decisão, portanto, atinge uma pauta relevante para frigoríficos, exportadores e produtores integrados às cadeias de proteína animal.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que mantém negociações diplomáticas para tentar reverter a medida. As tratativas recentes ocorreram durante reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.

Entidades setoriais apresentaram leitura semelhante sobre a origem do impasse. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmaram que a decisão não aponta desconformidade sanitária no campo, mas uma divergência burocrática ligada à validação dos processos oficiais de fiscalização conduzidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O desdobramento dependerá do envio das informações técnicas requeridas pela UE e do avanço das negociações diplomáticas nas próximas semanas. Até o momento, não foram detalhados no material disponível quais documentos adicionais o bloco europeu ainda exige para revisar a suspensão.

Fonte: Estadão Conteúdo

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AgroNewsPolítica & Agro

Resseguro ganha protagonismo no agro diante da escalada do risco climático e da pressão sobre o crédito rural


Com perdas bilionárias provocadas por eventos extremos, mecanismo se consolida como peça-chave para garantir estabilidade ao seguro rural, proteger produtores e sustentar o financiamento do agronegócio brasileiro

O agronegócio brasileiro vive um paradoxo. Ao mesmo tempo em que sustenta parte relevante do crescimento econômico do país, também se tornou um dos setores mais expostos à volatilidade climática, às oscilações geopolíticas e ao aumento da imprevisibilidade financeira. Secas prolongadas, excesso de chuvas, ondas de calor, granizo e eventos extremos passaram a pressionar não apenas a produtividade no campo, mas também o acesso ao crédito, a estabilidade das cadeias produtivas e a segurança financeira de produtores e investidores.

Nesse cenário, o seguro rural ganhou protagonismo como instrumento de proteção econômica. Mas por trás dele existe uma estrutura menos visível, embora essencial para o funcionamento de toda a engrenagem: o resseguro.

Responsável por diluir riscos de grande escala e garantir capacidade financeira às seguradoras, o resseguro se tornou peça estratégica para a sustentabilidade do seguro rural no Brasil. Sem ele, a capacidade de cobertura diante de perdas severas seria significativamente menor, especialmente em um ambiente marcado pela intensificação dos eventos climáticos.

Na prática, o resseguro funciona como uma camada adicional de proteção para o sistema. Ao assumir parte dos riscos das seguradoras, ele permite que o mercado continue operando mesmo diante de sinistros de alta severidade ou de perdas concentradas em determinadas regiões agrícolas. Isso garante estabilidade não apenas para o produtor rural, mas para toda a cadeia de financiamento do agro.

A importância desse mecanismo cresce em um momento em que o crédito privado ganha espaço no financiamento agrícola brasileiro. Com a redução relativa da participação do crédito subsidiado e o avanço de instrumentos privados de financiamento, aumenta também a necessidade de mecanismos capazes de reduzir a percepção de risco sobre a atividade agropecuária.

Para bancos, fundos de investimento, tradings e demais agentes financeiros, o seguro rural passou a ser visto como um elemento de proteção patrimonial e previsibilidade operacional. E o resseguro é justamente o que dá sustentação financeira para que essas apólices existam em larga escala.

“O agronegócio brasileiro opera hoje em um ambiente de risco muito mais complexo do que há alguns anos. Eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção e passaram a impactar diretamente produtividade, crédito e previsibilidade financeira no campo. Nesse contexto, o resseguro tem um papel estratégico porque é ele que garante capacidade ao sistema segurador para absorver perdas de grande escala e manter o seguro rural funcionando. Sem resseguro, o custo da proteção tende a aumentar e a capacidade de cobertura diminui justamente quando o produtor mais precisa”, afirma Rafaela Barreda, presidente da Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber).

Os dados mostram o tamanho desse desafio.  Um estudo do  Centro Internacional Celso Furtado (CICEF) informam que chuvas e secas extremas causam desastres, matam gente e provocam perdas anuais de aproximadamente R$ 110 bilhões por ano ao PIB brasileiro. Ao mesmo tempo, a área coberta pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural caiu para pouco mais de 3% em 2025. Isso reforça a importância de fortalecer mecanismos privados de proteção e ampliar a participação do resseguro como ferramenta de estabilidade para o agro e para o sistema financeiro.

Além da proteção individual ao produtor, o sistema ajuda a evitar efeitos em cascata na economia. Quebras de safra severas impactam renda, capacidade de pagamento, renegociação de dívidas, preços de alimentos, exportações e arrecadação. Em um setor altamente integrado ao PIB brasileiro e à balança comercial, a gestão de risco deixou de ser apenas uma preocupação operacional e passou a ocupar espaço estratégico na estabilidade econômica.

A pressão climática também mudou a lógica do mercado. Historicamente, o seguro rural no Brasil ainda possui baixa penetração quando comparado a mercados mais maduros, mas a sucessão de perdas nos últimos anos elevou a percepção de risco entre produtores e instituições financeiras. Ao mesmo tempo, ampliou o desafio técnico para seguradoras e resseguradoras, que passaram a revisar modelos atuariais, monitoramento climático e critérios de precificação.

Esse novo ambiente exige maior sofisticação na análise de risco e maior integração entre tecnologia, dados meteorológicos, inteligência territorial e instrumentos financeiros. O resseguro, nesse contexto, não atua apenas como suporte financeiro, mas como um agente que contribui para o amadurecimento da própria cultura de gestão de risco no agronegócio.

O debate ganha ainda mais relevância diante da crescente preocupação global com segurança alimentar e mudanças climáticas. O Brasil ocupa posição estratégica como fornecedor mundial de alimentos, fibras e energia renovável. Garantir mecanismos capazes de dar estabilidade à produção agrícola passou a ser também uma discussão sobre competitividade internacional.

Mais do que uma proteção contratual, o resseguro se consolida como um dos pilares invisíveis da resiliência do agro brasileiro. Em um ambiente marcado por imprevisibilidade climática e maior pressão sobre custos e produtividade, sua função deixa de ser apenas técnica e passa a ocupar um papel estrutural na sustentação econômica do campo.





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Opep+ eleva limites de produção de petróleo em 188 mil barris por dia para julho


Opep+ eleva limites de produção de petróleo em 188 mil barris por dia para julho

Os sete países da aliança Opep+ anunciaram, neste domingo (7), um reajuste de 188 mil barris por dia (bpd) em seus limites de produção de petróleo a partir de julho de 2026. A decisão foi tomada em reunião virtual e, segundo nota oficial, faz parte da devolução gradual e parcial dos cortes voluntários adicionais adotados em abril de 2023. O grupo informou que manterá acompanhamento mensal das condições de oferta e demanda no mercado internacional.

Participam da decisão Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã. De acordo com o comunicado, a medida integra o processo de retirada gradual das restrições extras de produção e poderá ser ajustada conforme o comportamento do mercado global da commodity.

A Opep+ informou que seguirá com uma abordagem flexível, com possibilidade de elevar, pausar ou reverter a flexibilização dos cortes. O objetivo declarado pelo grupo é preservar a estabilidade do mercado internacional de petróleo.

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A nota também afirma que a abertura adicional de produção permitirá aos países acelerar os planos de compensação por volumes extraídos acima das cotas desde janeiro de 2024. Segundo o texto, o prazo para compensar integralmente esse excedente foi prorrogado até dezembro de 2026.

O monitoramento continuará sob responsabilidade do Comitê Monitor Ministerial Conjunto (JMMC). A partir de agora, os representantes passarão a realizar conferências mensais para avaliar o cumprimento das metas, o nível das reservas remanescentes e as condições globais de oferta e demanda. O próximo encontro foi marcado para domingo (5 de julho de 2026).

Para o setor agropecuário, decisões sobre a oferta global de petróleo são acompanhadas por seu efeito potencial sobre combustíveis e fretes. No entanto, o comunicado divulgado pela aliança não apresentou estimativas de preço para o barril nem detalhou reflexos imediatos sobre diesel, logística ou custos de produção.

O cenário para os próximos meses dependerá do ritmo de execução da elevação anunciada, do cumprimento das compensações e da evolução da demanda global. Sem indicação oficial sobre preços, o efeito econômico mais direto deverá continuar condicionado às próximas reuniões mensais da aliança e à resposta do mercado internacional.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Colheita de café avança no Brasil, mas segue abaixo do ritmo histórico


café
Foto: Pixabay.

Os trabalhos de colheita de café no Brasil ganharam ritmo nas últimas semanas, mas ainda seguem atrasados em comparação com anos anteriores. De acordo com levantamento da Safras & Mercado, até o dia 2 de junho, 23% da safra brasileira de café 2026/27 havia sido colhida.

O percentual representa avanço de 7 pontos percentuais em relação à semana anterior. Apesar da evolução, o desempenho permanece abaixo dos 28% registrados no mesmo período de 2025 e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 27%.

A colheita do café canéfora (conilon e robusta) alcançou 34% da produção estimada, também abaixo do observado no ano passado e da média histórica para o período, ambos em 40%. Em Rondônia, principal estado produtor de robusta, os trabalhos avançam de forma acelerada e já atingem 67% da safra, superando 70% em algumas localidades.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach, embora o ritmo seja intenso, há preocupações relacionadas à qualidade dos grãos. Entre os problemas relatados estão maior incidência de defeitos, presença de broca e necessidade de mais tempo para secagem do café.

No Espírito Santo, a colheita do conilon também avança, mas continua atrasada. Cerca de 30% da safra foi colhida até o início de junho. O analista observa que o rendimento das lavouras apresentou alguma melhora, embora permaneça abaixo das expectativas iniciais, mantendo a atenção do mercado voltada para o desenvolvimento da temporada.

Já no café arábica, a colheita alcançou 17% da produção, contra 21% registrados no mesmo período do ano passado. O percentual também fica abaixo da média dos últimos cinco anos, de 20%. Apesar do atraso, a avaliação inicial da nova safra é positiva. A disponibilidade de café novo nas praças de comercialização ainda é limitada, mas vem aumentando gradualmente à medida que os trabalhos de campo avançam.

Com informações são da Safras & Mercado.

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O Brasil precisa voltar a discutir estoques públicos de alimentos


Mapa fixa preços para liberação de estoques públicos de arroz, milho, trigo e mandioca

Durante muito tempo, falar em estoque público de alimentos parecia assunto ultrapassado. O Brasil produzia bem, exportava cada vez mais e a sensação era de que sempre haveria comida suficiente. Mas o cenário mudou.

Hoje, muitos produtores rurais estão reduzindo o uso de fertilizantes simplesmente porque o crédito não chega mais com facilidade. Em várias regiões, o agricultor já faz conta para decidir onde cortar custo e sobreviver à próxima safra. E quando o campo reduz investimento em adubação, tecnologia e manejo, normalmente a consequência aparece depois: produtividade menor e maior risco de quebra.

Isso acontece justamente em um momento delicado para a agricultura mundial.

Com El Niño ou sem El Niño, os eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção. Secas prolongadas, excesso de chuva, geadas fora de época e ondas de calor estão afetando safras em várias partes do mundo. A previsibilidade climática, tão importante para quem produz alimentos, ficou muito menor.

Ao mesmo tempo, guerras continuam pressionando energia, fertilizantes, logística e custos globais. Basta lembrar o que aconteceu nos últimos anos para perceber como rapidamente o abastecimento pode entrar em tensão quando há conflito internacional ou crise econômica.

Existe ainda outro ponto que pouca gente gosta de discutir, mas que precisa ser encarado com seriedade. Diversos cientistas e organismos internacionais alertam que uma nova pandemia global pode surgir a qualquer momento. A pandemia da COVID-19 deixou claro como cadeias de abastecimento podem ser interrompidas em poucos dias.

Diante desse cenário, o Brasil precisa voltar a discutir segurança alimentar de forma prática e estratégica.

E isso inclui a retomada de estoques públicos de alimentos.

Não se trata de interferir no mercado ou substituir a iniciativa privada. Trata-se de criar mecanismos mínimos de proteção para momentos de crise, evitando desabastecimento, explosões de preços e insegurança alimentar.

Grandes países fazem isso há décadas.

A China mantém enormes estoques estratégicos. A Índia trabalha fortemente com armazenamento público para garantir abastecimento interno. Os Estados Unidos possuem políticas permanentes de proteção agrícola e alimentar. Nenhuma potência trata comida apenas como mercadoria comum.

O Brasil, apesar de ser uma das maiores potências agrícolas do planeta, abandonou boa parte dessa discussão.

E existe um detalhe importante: produzir muito não significa automaticamente garantir abastecimento estável. Sem planejamento estratégico, até países altamente produtivos ficam vulneráveis a choques climáticos, crises econômicas ou problemas logísticos.

Por isso, talvez tenha chegado a hora de recolocar o tema no centro do debate nacional.

Discutir estoques reguladores modernos, transparentes e técnicos para alimentos essenciais como arroz, feijão, milho e trigo não é retrocesso. É prudência.

Porque o mundo está ficando mais instável.

E segurança alimentar não é apenas uma pauta do agro. É uma questão de soberania nacional.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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AgroNewsPolítica & Agro

Índice global de alimentos fica estável em maio


O mercado internacional de alimentos mostrou estabilidade em maio, mesmo com alta nos cereais e no açúcar. O movimento foi compensado pela queda nos preços dos óleos vegetais e dos lácteos, enquanto as carnes ficaram praticamente inalteradas no mês.

Segundo o relatório mais recente da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, o Índice de Preços dos Alimentos da FAO ficou em 130,8 pontos em maio, recuo de 0,2 ponto, ou 0,2%, em relação ao dado revisado de abril. Na comparação anual, o indicador ficou 3,7 pontos acima do registrado um ano antes, alta de 2,9%. Ainda assim, permanece 29,4 pontos, ou 18%, abaixo do pico alcançado em março de 2022.

O principal destaque do mês foi o avanço dos cereais. O índice do grupo atingiu 114,3 pontos, alta de 2,9 pontos frente a abril e de 5,3 pontos, ou 4,9%, em relação a maio do ano passado. A elevação refletiu aumentos nos preços dos principais grãos acompanhados pela FAO.

O trigo subiu pelo quarto mês consecutivo, influenciado por expectativas de safras menores em importantes exportadores, incluindo os Estados Unidos, onde as condições do trigo de inverno estão entre as menos favoráveis em décadas. Custos mais altos com combustíveis e fertilizantes também reforçaram a pressão sobre as cotações globais.

No milho, os preços seguiram sustentados por maior demanda de importação em mercados relevantes, disponibilidade mais apertada no Brasil e nos Estados Unidos e preços mais firmes de energia, que ampliaram o suporte ligado à demanda por etanol. Sorgo e cevada também avançaram, refletindo os efeitos de mercados mais restritos para milho e trigo. O arroz teve alta de 2,7%, influenciado por preocupações climáticas e pela valorização do petróleo e derivados em países exportadores asiáticos.

Na direção oposta, o índice de óleos vegetais caiu para 185 pontos, retração de 4,6% no mês, a primeira desde o início de 2026. A queda foi puxada por óleo de palma e de soja, apesar das altas nos óleos de canola e girassol. O índice de carnes ficou em 130,5 pontos, com leve alta de 0,1%. Lácteos recuaram 0,5%, para 119,2 pontos. Já o açúcar avançou 7,5%, para 95,1 pontos, maior nível desde outubro de 2025.

 





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Genética bovina: MS recebe semana do programa Embrapa Geneplus


Touros Nelore no campo, com destaque para conformação muscular, rusticidade e adaptação ao ambiente de pastagem.
Foto: Canal do Criador

Mato Grosso do Sul concentrar as atenções da pecuária nacional com a realização da Semana do Programa Embrapa Geneplus 2026, entre 8 e 14 de junho, um encontro voltado ao melhoramento genético bovino. A programação reúne visitas técnicas, workshops, palestras, mostras genéticas e divulgação de resultados ligados à seleção de animais nelore.

O evento contará com atividades em fazendas parceiras e na Embrapa Gado de Corte, reunindo pesquisadores, criadores, empresas de genética e especialistas do setor. Entre os destaques estão a divulgação dos resultados do GP PAD Nelore 2026 e da lista dos touros ATJ Nelore 2026.

Segundo Gilberto Menezes, gestor da prova GP PAD Nelore 2026, o encontro ganhou dimensão estratégica ao longo dos anos e se consolidou como espaço de troca de experiências e difusão de tecnologia voltada à pecuária de corte.

“Começamos com a divulgação dos resultados das provas, e o evento tomou grande proporção ao longo do tempo, transformando-se em um momento que congrega importantes parcerias com empresas, criatórios e pesquisadores. É uma semana recheada de atividades que giram em torno do melhoramento genético bovino e estimula a troca de experiências que é importante para os criadores”, afirma.

Ainda de acordo com Menezes, a programação reúne iniciativas voltadas ao avanço da seleção genética e ao aumento da eficiência produtiva na pecuária.

“Essa semana agrega o que há de melhor na seleção de animais que protagonizam o trabalho voltado à qualidade e maior lucratividade”, destaca.

A agenda começa nos dias 8 e 9 com atualização técnica da Embrapa Geneplus, em evento fechado, além de visitas agendadas aos criatórios Elge, Cachoeirão e Genética Aditiva.

No dia 10, a programação inclui o Workshop Semex, na Embrapa Gado de Corte, com palestras e debates entre pesquisadores e criadores. À tarde, ocorre a Mostra Genética MS, com participação dos criatórios Baía Boa Vista, Nelore Meab e Montana Calidad.

Já no dia 11, acontece o Workshop Alta Genetics, também na Embrapa Gado de Corte, seguido por novas visitas técnicas aos criatórios parceiros. À noite, será realizado o Leilão Tresmar.

O Encontro Técnico Embrapa Geneplus 2026 será realizado no dia 12. A programação prevê palestras sobre lucratividade na pecuária seletiva, além da divulgação oficial dos resultados do GP PAD Nelore 2026 e da lista dos touros ATJ Nelore 2026. No período da tarde, haverá mostra dos animais destaque das provas e dos touros selecionados.

A programação segue no dia 13 com o Dia de Campo do Criatório 7 Estrelas e o Leilão de Fêmeas Nelore JMP. Já no dia 14 será promovido o Leilão de Touros Nelore JMP.

O Programa Embrapa Geneplus é voltado à avaliação genética e ao desenvolvimento de ferramentas para aumento da produtividade, eficiência e rentabilidade na pecuária.

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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado do boi gordo fecha semana estável


O mercado do boi gordo manteve estabilidade nas cotações em São Paulo nesta sexta-feira (5), conforme análise do informativo “Tem Boi na Linha”, divulgado pela Scot Consultoria. Segundo a consultoria, os preços permaneceram inalterados em relação à quarta-feira (3), véspera do feriado de Corpus Christi, refletindo um ambiente de negociações mais lentas e com menor movimentação por parte dos frigoríficos.

De acordo com a Scot Consultoria, o cenário foi marcado por poucas ofertas de compra de bovinos, mas sem aumento na disponibilidade de animais para abate. Parte das indústrias frigoríficas concedeu folga aos funcionários durante o feriado prolongado, enquanto outras optaram por aguardar o desempenho das vendas de carne antes de definir novas estratégias de compra.

As escalas de abate permaneceram, em média, para oito dias, indicando relativa estabilidade na programação das plantas frigoríficas.

No Pará, a situação também foi de estabilidade. Conforme a análise da Scot Consultoria, as cotações não registraram alterações nas três principais praças pecuárias do estado em comparação aos valores observados na quarta-feira (3).

Enquanto o mercado físico operava sem mudanças expressivas, as exportações brasileiras de carne bovina in natura apresentaram forte desempenho em maio. Dados analisados pela Scot Consultoria apontam que o volume embarcado alcançou 261,9 mil toneladas no mês, com média diária de 13 mil toneladas, resultado 26,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

O preço médio da tonelada exportada foi de US$ 6,5 mil, avanço de 25,5% na comparação anual. Com isso, o volume total embarcado em maio ficou 20,2% acima do registrado no mesmo mês do ano passado. O faturamento alcançou US$ 1,7 bilhão, crescimento de 50,2% em relação a maio de 2025.

Segundo a Scot Consultoria, tanto o volume exportado quanto a receita obtida representaram os maiores resultados já registrados para um mês de maio. Já o preço médio pago por tonelada foi o terceiro maior da série histórica e o mais elevado desde julho de 2022.





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