Veja como o Super El Niño pode afetar o agro de Goiás
As projeções para um El Niño de forte intensidade no segundo semestre de 2026 aumentaram a atenção dos produtores rurais de Goiás. Embora o fenômeno não deva provocar mudanças expressivas no volume de chuvas no estado, a expectativa de temperaturas acima da média, baixa umidade e maior risco de incêndios preocupa agricultores e pecuaristas que já planejam a safra 2026/27.
O tema ganhou espaço nas discussões do setor produtivo, especialmente entre produtores de soja e milho, que se aproximam do início do plantio. Segundo informações apresentadas por instituições de monitoramento climático, o fenômeno pode influenciar diretamente o desenvolvimento das lavouras, das pastagens e as condições de manejo nas propriedades rurais.
Para o presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã, Edgard Scatena Filho, a principal preocupação não está relacionada ao regime de chuvas, mas ao aumento das temperaturas. “Historicamente, o El Niño não traz grandes diferenças no volume de chuva para nossa região. O principal alerta dos estudiosos é o aumento das temperaturas. É isso que pode fazer diferença neste ano e exige atenção dos produtores”, afirma.
Segundo ele, o cenário exige planejamento antecipado para minimizar impactos e reduzir riscos no campo. “As altas temperaturas aumentam a preocupação com os incêndios e exigem que o produtor organize melhor as atividades. É importante acompanhar as previsões climáticas e adotar medidas preventivas para enfrentar esse período.”
De acordo com informações divulgadas por órgãos como INPE, INMET, ANA e CEMADEN, há elevada probabilidade de permanência do El Niño até 2027. Para a região Centro-Oeste, os boletins indicam temperaturas acima da média, possibilidade de irregularidade nas chuvas durante a implantação das lavouras e condições favoráveis ao aumento dos focos de incêndio.
O monitoramento também aponta que o calor pode afetar o desenvolvimento inicial da próxima safra e comprometer as condições das pastagens, fatores que exigem atenção tanto da agricultura quanto da pecuária.
Nesse contexto, decisões relacionadas à definição da janela de plantio, ao manejo da umidade do solo, ao acompanhamento das previsões meteorológicas e às estratégias de prevenção ao fogo ganham importância adicional para os produtores goianos.
Apesar das preocupações, Edgard Scatena Filho avalia que o momento requer cautela, mas não mudanças precipitadas nos planejamentos já estabelecidos. “Os estudos não indicam uma alteração expressiva no padrão de chuvas para Goiás. O alerta principal está nas temperaturas elevadas. Por isso, o produtor precisa acompanhar as informações técnicas e tomar decisões com base nas atualizações dos órgãos de meteorologia.”
Além das lavouras, a pecuária também pode sentir os efeitos do calor intenso. Ondas de temperatura elevada tendem a reduzir a qualidade das pastagens, aumentar o estresse térmico dos animais e elevar a necessidade de água nas propriedades rurais.
Outro fator de preocupação é a estiagem associada ao calor, que favorece a propagação de incêndios e amplia os riscos ambientais e econômicos para o setor produtivo.
A expectativa é de que novos boletins climáticos tragam ajustes nas previsões conforme o fenômeno evolua. Até lá, entidades ligadas ao setor recomendam que os produtores acompanhem as atualizações dos institutos oficiais para orientar o planejamento da safra 2026/27.

