sábado, julho 4, 2026

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Preços da soja avançam com maior alta dos últimos 7 meses em Chicago


seta formada com soja apontando para notas de 50 reais - preço da soja
Foto: Daniel Popov

O mercado brasileiro de soja começou a semana com preços em alta na maior parte das praças, acompanhando o avanço firme dos contratos futuros na Bolsa de Chicago.

Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado Rafael Silveira, o movimento garantiu melhores oportunidades de comercialização doméstica, tanto nos portos quanto no interior do país.

"Mesmo com o recuo dos prêmios de exportação em alguns momentos do dia, a valorização do dólar frente ao real contribuiu para sustentar indicações mais positivas no mercado físico", disse.

Conforme Silveira, os agentes seguem atentos ao cenário internacional e, principalmente, à divulgação dos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para o dia 12 de maio.

A expectativa é de que os números possam provocar maior volatilidade e influenciar de forma significativa a formação dos preços nas próximas semanas.

Preços médios da saca de soja

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 124 para R$ 126
  • Santa Rosa (RS): avançou de R$ 125 para R$ 127
  • Cascavel (PR): passou de R$ 120 para R$ 122
  • Rondonópolis (MT): elevou de R$ 110 para R$ 111
  • Dourados (MS): aumentou de R$ 112 para R$ 113,50
  • Rio Verde (GO): cresceu de R$ 111 para R$ 113
  • Porto de Paranaguá (PR): subiu de R$ 130 para R$ 132
  • Porto de Rio Grande (RS): avançou de R$ 130 para R$ 132

Bolsa de Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta segunda-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O mercado atingiu o maior patamar em sete meses, acompanhando os fortes ganhos do petróleo, em meio ao aumento das tensões no Estreito de Ormuz.

O mercado foi impulsionado ainda por sinais de aquecimento da demanda pelo produto norte-americano.

A quantidade de soja esmagada/processada para obtenção de óleo bruto nos Estados Unidos foi de 6,82 milhões de toneladas (227 milhões de bushels) em março de 2026, em comparação com 6,43 milhões de toneladas (214 milhões de bushels) em fevereiro de 2026 e 6,20 milhões de toneladas (207 milhões de bushels) em março de 2025, conforme dados do USDA.

Além dos bons números de processamento, o mercado aguarda com expectativa o encontro ainda em maio dos presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim, na China. Os participantes esperam que as conversas redundem em um acordo comercial, que envolveria também compras chinesas de soja dos Estados Unidos.

Contratos futuros da soja

soja preço cotação pib Chicago dólar
Foto: Pixabay/ Arte: Canal Rural

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com alta de 19,50 centavos de dólar, ou 1,62%, a US$ 12,22 3/4 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 12,16 por bushel, com elevação de 18,75 centavos de dólar ou 1,56%.

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 1,60 ou 0,50% a US$ 320,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 76,53 centavos de dólar, com ganho de 1,37 centavo ou 1,82%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,28%, sendo negociado a R$ 4,9666 para venda e a R$ 4,9646 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9477 e a máxima de R$ 4,9827.

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Embrapa lança selo de baixo carbono para milho e sorgo


Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) lançou uma iniciativa para elevar a competitividade do agronegócio brasileiro com a ampliação do portfólio de selos de baixo carbono para as culturas de milho e sorgo. O anúncio foi feito durante as celebrações de 50 anos da unidade Embrapa Milho e Sorgo, em Minas Gerais.

O projeto visa estabelecer métricas científicas para mensurar as emissões de gases de efeito estufa por tonelada de grão produzido, atendendo às crescentes exigências ambientais do mercado internacional.

Em entrevista ao programa Giro do Boi, o engenheiro agrícola e pesquisador Ciro Magalhães, que atua no desenvolvimento de protocolos para a produção de milho e sorgo de baixo carbono, destacou a importância de estimular boas práticas agrícolas.

Confira:

Protocolos técnicos e parcerias

Os novos protocolos técnicos são considerados estratégicos para garantir o escoamento da produção brasileira em mercados rigorosos, como o europeu. A Embrapa pretende desenvolver critérios para medir a intensidade das emissões de gases de efeito estufa (GEE), seguindo o exemplo de iniciativas como a “Carne Carbono Neutro”.

Em agosto de 2026, a Embrapa abrirá um edital público para parcerias com empresas e instituições interessadas em validar e adotar as tecnologias de baixo carbono. A validação dos protocolos será realizada por certificadoras independentes, conferindo maior credibilidade ao grão nacional no cenário global.

A importância do sorgo

Diante de um ano desafiador marcado pelo fenômeno El Niño, a cultura do sorgo ganha relevância técnica e econômica. Com previsão de recorde acima de sete milhões de toneladas, o sorgo é considerado uma cultura de segurança devido à sua alta tolerância ao estresse hídrico. Recentemente, a ANP (Agência Nacional do Petróleo) validou o sorgo para a produção de etanol, gerando cerca de 400 litros por tonelada.

Magalhães também ressaltou os desafios enfrentados, como a dependência de fertilizantes nitrogenados, que tiveram seus preços elevados devido a conflitos globais. A implementação de práticas de baixo carbono se torna uma necessidade diante desse cenário.

Redução da pegada de carbono

O novo selo da Embrapa foca na eficiência como motor da redução da pegada de carbono no campo. A pegada de carbono é reduzida quando os produtores conseguem elevar a produtividade na mesma área, diluindo as emissões de diesel e insumos. Os produtos certificados de baixo carbono serão utilizados na alimentação de bovinos que buscam selos de sustentabilidade.

Como enfatizou Magalhães, “na agricultura moderna, não basta ser sustentável, é preciso provar com dados”. A implementação desses protocolos é uma ferramenta importante para transformar boas práticas agrícolas em valor de mercado, blindando a produção brasileira contra barreiras comerciais.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Boi gordo: cotações de Mato Grosso superam as de São Paulo


boi gordo preços no Brasil
Foto gerada por IA

O mercado físico do boi gordo abriu a semana apresentando manutenção do padrão dos negócios em grande parte do país, enquanto alguns frigoríficos permanecem ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias a serem adotadas nos próximos dias.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, vale destacar que a sazonalidade aponta para maior disponibilidade de gado em alguns estados durante o mês de maio, em especial em Minas Gerais e Goiás, locais onde a condição das pastagens é mais complicada.

“Em Mato Grosso as pastagens contam com maior vigor, ampliando a capacidade de retenção. Não por acaso os preços dentro do mercado mato-grossense superam os preços do mercado paulista”, ressaltou.

Preços médios da arroba do boi

  • São Paulo: R$ 353,75
  • Goiás: R$ 339,71
  • Minas Gerais: R$ 339,29
  • Mato Grosso do Sul: R$ 349,09
  • Mato Grosso: R$ 355,41

Mercado atacadista

O mercado atacadista se depara com preços acomodados. O ambiente de negócios ainda sugere por menor espaço para reajustes no decorrer de maio, considerando o menor apelo ao consumo durante a segunda quinzena do mês.

“Além disso, os preços da carne bovina ainda perdem competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial na comparação com os preços da carne de frango”, detalha Iglesias.

  • Quarto dianteiro: ainda é precificado a R$ 23,50 por quilo;
  • Quarto traseiro: segue cotado a R$ 28,50 por quilo;
  • Ponta de agulha: se mantém no patamar de R$ 21,50 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,28%, sendo negociado a R$ 4,9666 para venda e a R$ 4,9646 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9477 e a máxima de R$ 4,9827.

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Desenrola 2.0 no campo: a chance de virar o jogo antes da próxima safra


dívida do produtor rural
Imagem gerada por inteligência aritifical

Para quem vive da terra, o sono nunca é tranquilo. Clima, custo de produção, preço no mercado… sempre tem alguma variável te tirando o sossego. Nos últimos anos, porém, uma preocupação passou a dominar todas as outras: a dívida acumulada.

É exatamente aí que entra o Desenrola 2.0 no campo. Pela primeira vez, a agricultura familiar ganhou uma janela real de reorganização financeira. Não resolve todos os problemas da vida, mas pode ser o ponto de virada para muita gente que está com o nome travado no banco ou na União.

O governo estima que cerca de 280 mil produtores possam ser beneficiados nesta fase. Um número que impressiona. E tem um dado que mostra a cara do problema: quase 70% das dívidas na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) são de até R$ 10 mil. Ou seja, é um volume enorme de gente pequena, com dívidas que, na prática, têm jeito de serem equacionadas.

Quem pode entrar

O programa foi feito pensando em quem realmente está apertado: agricultores familiares (Pronaf), assentados, quilombolas, pescadores artesanais.

Tem ainda o filtro de renda: até cinco salários mínimos. E as dívidas precisam estar atrasadas entre 90 dias e dois anos (até janeiro de 2026). Não é para todo mundo. É para quem está mais pressionado.

O tamanho do alívio

Aqui é onde a coisa fica interessante. Descontos podem chegar a 96% para quitação à vista. Na média do dia a dia, o que se tem visto é redução em torno de 65%. Isso muda completamente a matemática da dívida.

Quem não consegue pagar tudo de uma vez ainda tem parcelamento com juros de até 1,99% ao mês e prazo de até 60 meses.

Dá para alinhar a parcela com o ciclo da produção. Não é milagre, mas é um respiro concreto.

E quem deve mais? Para as dívidas maiores, fora do alcance do Desenrola, o caminho é outro: alongamento via BNDES, com prazos que podem chegar a 10 ou 12 anos. A ideia é transformar uma dívida que sufoca em algo que caiba no fluxo de caixa do campo.

Mas há um alerta que ninguém pode ignorar: o Desenrola resolve o passado, não garante o futuro.

Especialistas veem o programa como um remédio emergencial, importante, necessário, mas insuficiente sozinho. Se o produtor não organizar as contas depois da renegociação, corre o sério risco de voltar para o mesmo buraco.

E tem um detalhe crucial: sem regularizar as dívidas, o acesso ao Plano Safra 2026/27 fica comprometido. Sem crédito e sem seguro rural, o risco explode. Regularizar agora não é só limpar o nome. É garantir a próxima safra.

Como fazer?

O processo é relativamente simples:

  • Dívidas com a União: Portal Regularize da PGFN
  • Dívidas bancárias: agências do Banco do Brasil e da Caixa
  • Prazo de adesão nesta fase: 90 dias.

Quem deixar passar essa janela pode demorar anos para ter uma oportunidade parecida.

O Desenrola 2.0 não é a solução definitiva para os problemas do campo. Mas, para muitos produtores, pode ser a diferença entre continuar na atividade ou ter que entregar as chaves. No campo, decisão difícil é rotina. Dessa vez, porém, o maior risco pode ser não decidir.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Estudos avançam para reativação da Hidrovia do Rio São Francisco


Estudos avançam para reativação da Hidrovia do Rio São Francisco; entrevista exclusiva presidente da Codeba
Imagem: 2º SG-MR Denis Rocha – Marinha do Brasil

Os estudos técnicos para a retomada da hidrovia do Rio São Francisco já estão em andamento e podem resultar na volta da operação ainda em 2026. A informação foi detalhada em entrevista exclusiva concedida ao Canal Rural Bahia pelo presidente da Companhia de Docas do Estado da Bahia (Codeba), Antonio Gobbo, que explicou os avanços do projeto, o potencial de escoamento da produção e os próximos passos para viabilizar a navegação no trecho entre Pirapora, em Minas Gerais, e Juazeiro, na Bahia.

Segundo Gobbo, os levantamentos incluem batimetria, sondagens para identificação das necessidades de dragagem e estudos socioambientais. O trabalho é conduzido pela Infra S.A. em parceria com a Codeba.

A expectativa é que a hidrovia opere com maior independência do regime hídrico, tornando-se uma alternativa estratégica para o transporte de cargas e passageiros no Nordeste.

Na entrevista, a autoridade portuária destacou ainda que o deslocamento de embarcações da antiga frota da Franave, com apoio da Marinha do Brasil, comprovou a navegabilidade dos 1.370 km entre Pirapora e Juazeiro.

Transporte mais barato

O percurso reforça a viabilidade logística do projeto, considerado essencial para reduzir custos de transporte e ampliar a integração entre regiões produtoras e polos industriais.

Gobbo afirmou que a retomada da hidrovia pode beneficiar tanto o escoamento da produção agrícola do Oeste baiano quanto a interiorização de produtos industrializados e fertilizantes.

“O custo é inegavelmente menor, uma fração do custo rodoviário, até pela grande quantidade de barcaças transportadas. Obviamente, existem custos logísticos associados ao transbordo de mercadorias, à transposição entre modos de transporte. Ao mesmo tempo em que transporta os granéis sólidos da produção do Oeste Baiano, também traz para dentro produtos industrializados da região de Juazeiro e Petrolina e permite, por exemplo, que se tragam fertilizantes direto de Aratu. Isso é um ganho inegável em eficiência”, disse.

A previsão é de que as primeiras operações sejam retomadas dentro de 2026, caso os estudos confirmem as necessidades operacionais e de infraestrutura.

A proposta também prevê a construção de 17 instalações portuárias públicas de pequeno porte ao longo do corredor navegável, reforçando o papel estratégico do Rio São Francisco na logística regional e nacional.


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Michelin lança pneus agrícolas em meio a debate acalorado sobre dumping no Brasil


pneus agrícolas Michelin
Participação da Michelin na 31ª Agrishow. Foto: Divulgação

A Michelin apresentou dois novos pneus na 31ª Agrishow, o Michelin X Works Z2 e o Works D2, desenvolvidos para aplicações de uso misto e condições severas, mas também se posicionou sobre um tema que tem gerado debates acalorados no setor: o aumento da importação de produtos indianos.

O assunto ganhou mais um capítulo no último dia 15, quando a Circular nº 30, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), não adotou o pedido de medida antidumping provisória movido pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), estendendo o prazo de investigação para até 18 meses.

A indústria nacional quer limitar a importação de pneus agrícolas da Índia, impondo uma tarifa antidumping, assim como já ocorre com o produto chinês que desembarca no Brasil, que, dependendo do modelo, sofre encargo de até US$ 3.028,62 por tonelada (veja mais detalhes na tabela abaixo).

pneus chineses
Foto: Reprodução

O pedido de antidumping da Anip considera o período de julho de 2019 a junho de 2024, intervalo em que o Brasil importou da Índia 43.105 toneladas de pneus agrícolas, o equivalente a 215,5 mil unidades, considerando que são produtos voltados, majoritariamente, para tratores pequenos e médios.

Isonomia concorrencial

O diretor comercial para pneus de carga, urbanos e longa distância da Michelin, Ruy Ferreira, ressalta que aproximadamente 50% dos pneus importados que chegam ao país desembarcam com preço FOB abaixo do custo da matéria-prima no Brasil. “Apenas este fator claramente já configura um dumping. O que queremos do governo é isonomia concorrencial.”

Ferreira pontua que se não for possível aumentar o imposto para a entrada do pneu importado, deve-se, ao menos, ser adotada isenção tributária na compra da matéria-prima para a indústria nacional.

“No primeiro trimestre deste ano, falando apenas de pneus de caminhões, o mercado se compôs de 70% de pneus importados e apenas 30% de nacionais, levando em consideração que a indústria de pneus é estratégica para o Brasil. Por trás dela há uma indústria de produção de seringueiras em que alguns produtores já pensam seriamente se mantém os seringais em pé ou transformam em outra cultura. Em dez anos, se as condições mudam, estaremos em uma situação de déficit [de matéria-prima]”, diz.

Em nota enviada à reportagem, a Anip destaca que as importações vêm se intensificando de forma significativa nos últimos anos, alcançando atualmente seus maiores níveis, com preços progressivamente menores, cenário que evidencia o agravamento de práticas de dumping.

Outro lado

A Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip) contesta a ação que visa impor tarifas antidumping aos pneus vindos da Índia. Procurado pela reportagem, o presidente da entidade, Ricardo Alípio da Costa, ressaltou que do ponto de vista técnico e jurídico, dizer que pneus que chegam ao Brasil com preço FOB abaixo do custo da matéria-prima nacional não é argumento adequado para caracterizar dumping.

“O comércio internacional funciona justamente com base em diferenças de custo entre países. Existem mercados com acesso a matérias-primas mais baratas, energia mais competitiva, maior escala de produção e, muitas vezes, cadeias produtivas integradas. Então é perfeitamente possível e legítimo que um produto importado chegue ao Brasil com preço inferior ao custo de produção local, sem que isso represente qualquer prática desleal”, destaca.

Para Costa, o ponto central da discussão é outro. “Dumping só existe quando há venda para exportação abaixo do valor praticado no próprio país de origem, e isso exige uma investigação técnica aprofundada. Não pode ser presumido a partir de uma comparação com o custo da indústria brasileira”, considera.

Segundo o presidente da Abidip, o pedido de investigação antidumping da Anip em relação ao produto indiano se limita a definir pneus agrícolas por tamanho ou código tarifário, desconsiderando a sua engenharia, aplicação, pressão de uso, velocidade e tipo de terreno.

“Quando esses parâmetros são ignorados, o antidumping deixa de cumprir sua função legítima de defesa comercial e passa a atuar como uma reserva artificial de mercado”, finaliza.

Novos pneus da Michelin

Os pneus Michelin X Works Z2 e Michelin X Works D2 foram desenvolvidos para operações relacionadas ao transporte de cana-de-açúcar, madeira, construção e ambientes abrasivos.

De acordo com a companhia, o modelo Work D2 proporciona até 25% mais quilometragem (em comparação ao modelo anterior), em terrenos agressivos. “Já no modelo Michelin X Works Z2 é possível chegar a 10% mais de quilometragem. O acréscimo de até 800 kg de carga por eixo geminado, em ambas as ofertas, também é uma evolução”, destaca a Michelin.

Outro diferencial é o design em V dos sulcos, no modelo Works D2, e a tecnologia
Redan, no Works Z2, atributos que geram menor retenção de pedras e perfurações, preservando a carcaça.

Durante a 31ª Agrishow, a empresa também mostrou que o Michelin AXIOBIB 2, pneu agrícola premium específico para tratores de alta potência, passa agora a ser fabricado no Brasil.

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Produção de morango cresce no Brasil, mas clima e pulgão-da-raiz desafiam safra


Morango
Morango. Foto: Cristina Tordin/Embrapa

A cultura do morango no Brasil mantém trajetória de crescimento em 2026, com produção nacional estimada em cerca de 200 mil toneladas, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O avanço de 2,6%, na comparação com o ano passado, reflete ganhos contínuos de produtividade e maior tecnificação, especialmente em polos tradicionais como Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Apesar desse cenário positivo, o cultivo ainda enfrenta desafios relevantes, sobretudo relacionados às condições climáticas. Episódios de calor fora de época têm impactado o desenvolvimento das lavouras e o calendário produtivo.

De forma geral, o plantio do morangueiro em parte das regiões produtivas do Brasil ocorre entre meados de abril e o fim de maio, período considerado ideal para garantir bom enraizamento e desenvolvimento das plantas. Alterações nesse padrão, provocadas pelo clima, podem comprometer o desempenho da safra.

Pulgão-da-raiz

Neste contexto, mesmo com a evolução tecnológica e produtiva, o manejo fitossanitário segue como ponto crítico para a sustentabilidade da cultura. Entre as principais ameaças está o pulgão-da-raiz (Rhopalosiphum rufiabdominale), considerado uma praga de difícil controle por atuar de forma subterrânea e frequentemente ser diagnosticada de forma tardia.

O inseto suga a seiva das raízes, provocando amarelamento, redução do vigor e paralisação do crescimento das plantas, podendo levá-las à morte em casos mais severos. A infestação tende a ser mais agressiva em períodos de seca, quando o campo já se encontra sob estresse hídrico.

Ameaça e controle

A população do inseto é composta predominantemente por fêmeas e, tanto as formas jovens quanto adultas, alimentam-se continuamente, removendo fluidos das plantas e injetando toxinas, o que intensifica os danos ao sistema radicular e compromete o desenvolvimento da plantação.

O gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Fábio Kagi, reforça que, além dos prejuízos causados pela sucção da seiva, o pulgão-da-raiz também atua como vetor do vírus conhecido como mosqueado-do-morangueiro, ampliando significativamente as perdas na produção.

“O enfrentamento da praga exige uma estratégia integrada, que combine o uso de inimigos naturais com a nutrição equilibrada do solo, evitando o excesso de nitrogênio, que favorece a infestação. O controle químico deve ser criterioso e baseado no monitoramento, com uso de inseticidas durante a frutificação e a colheita”, explica o profissional.

Como ressalta Kagi, o avanço da cultura do morango no Brasil está diretamente ligado à adoção de boas práticas de manejo, por isso é essencial que o produtor esteja atento ao uso correto e seguro de defensivos.

“O crescimento da produtividade precisa vir acompanhado de um controle fitossanitário eficiente. O monitoramento constante e o uso integrado de ferramentas de defesa vegetal são fundamentais para evitar perdas e garantir a qualidade da produção”, conclui.

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Acordo entre Mercosul e União Europeia deve impulsionar exportações do agro brasileiro


A entrada em vigor das regras comerciais do acordo entre Mercosul e União Europeia deve trazer impactos significativos para as exportações do agro brasileiro. Especialistas afirmam que, embora os efeitos imediatos sejam pontuais, há um potencial de ganhos de competitividade em segmentos específicos.

Impacto das tarifas

De acordo com Bruno Capuzi, pesquisador do Insper, apenas uma pequena parcela das exportações brasileiras terá tarifas zeradas imediatamente. Atualmente, cerca de 70% das exportações para a União Europeia já não enfrentam tarifas de importação, devido à necessidade de produtos que não possuem oferta local suficiente.

  • Produtos como café verde e alguns itens de soja já estão isentos de tarifas.
  • Menos de 3% das exportações brasileiras terão tarifas zeradas a partir do dia 1º de setembro.
  • Esses produtos representam uma exportação estimada de cerca de 700 milhões de dólares até 2025.

Setores beneficiados

Os setores que devem sentir um ganho de competitividade imediato incluem:

  • Óleo essencial de laranja, com quase 40% das importações da União Europeia provenientes do Brasil.
  • Farinha de carne e ração para animais, com participação relevante nas importações europeias.
  • Produtos de origem florestal e óleos vegetais, como o óleo de milho.
  • Vinhos, com um terço das vendas brasileiras destinadas à União Europeia.

Perspectivas futuras

Embora o acordo não deva impactar grandemente a economia brasileira no curto prazo, a redução e eliminação tarifária para produtos específicos pode resultar em um aumento significativo nas margens para os produtores. A expectativa é que o acordo consolide a posição do Brasil nos mercados onde já atua, além de abrir novas oportunidades no futuro.

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Acordo Mercosul-União Europeia promete benefícios à agroindústria brasileira


A entrada em vigor do acordo provisório entre o Mercosul e a União Europeia marca um novo capítulo para a agroindústria brasileira, especialmente para produtos de alto valor agregado. O acordo promete reduzir tarifas e abrir mercados, beneficiando setores que antes enfrentavam barreiras comerciais.

Impactos positivos do acordo

O acordo traz benefícios significativos para a agropecuária brasileira, permitindo que produtos como frutas e café solúvel sejam exportados com tarifas reduzidas. Os principais impactos incluem:

  • Frutas como uva e mesa, que enfrentavam tarifas de 14%, agora têm tarifa zero.
  • O café solúvel também se beneficia com a eliminação de tarifas.
  • O acordo possibilita a exportação de farelo de soja e óleo, agregando valor aos produtos.

Oportunidades de mercado

Com a abertura do mercado europeu, a agroindústria brasileira poderá competir em igualdade com grandes concorrentes globais. O comentarista Miguel Daúd destaca que:

  • 95% dos produtos brasileiros estão liberados com taxa zero.
  • O mercado europeu pode se focar em produtos brasileiros de qualidade e competitivos.
  • O acordo poderá ajudar a combater a inflação no Brasil, oferecendo preços melhores.

Desafios e perspectivas

Apesar das oportunidades, o acordo também traz desafios, como a concorrência com produtos europeus. No entanto, a expectativa é que o Brasil consiga se destacar com produtos regionais de qualidade. O acompanhamento do desenvolvimento do acordo será crucial para entender seu impacto a longo prazo.

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AgroNewsPolítica & Agro

Combustível marítimo recua após trégua



A reversão ocorreu após o anúncio de uma trégua mediada por Trump


A reversão ocorreu após o anúncio de uma trégua mediada por Trump
A reversão ocorreu após o anúncio de uma trégua mediada por Trump – Foto: Pixabay

Os preços do combustível marítimo voltaram a recuar após semanas de volatilidade, em movimento ligado à redução das tensões no Golfo Pérsico. Segundo a AMR Business Intelligence, a escalada começou após o início da guerra na região, em 28 de fevereiro de 2026, quando o mercado passou a incorporar riscos geopolíticos.

Antes do conflito, o combustível de baixo teor de enxofre era negociado a US$ 580 por tonelada métrica. Com o avanço da insegurança regional, o produto chegou a US$ 1.823 no início de abril. O combustível de alto teor de enxofre registrou alta e encostou em US$ 770 por tonelada métrica no fim de março.

A reversão ocorreu após o anúncio de uma trégua mediada por Trump. A pausa nos confrontos, prevista inicialmente para durar duas semanas, foi depois prorrogada por tempo indeterminado. O novo cenário esfriou tensões na região e teve efeito quase imediato sobre os preços, que começaram a devolver parte da alta acumulada.

Em 27 de abril, as cotações indicavam alívio para os custos logísticos. O combustível de baixo teor de enxofre havia recuado para US$ 1.116 por tonelada métrica, enquanto o produto de alto teor caiu para US$ 681. Apesar da queda, os valores ainda permaneciam acima dos níveis observados antes da guerra.

O movimento sinaliza resposta positiva do mercado à perspectiva de estabilidade prolongada no Golfo Pérsico. Depois da escalada provocada pela guerra, a trégua reduziu parte da incerteza e permitiu uma correção relevante nos preços. As informações foram divulgadas no perfil oficial da consultoria na rede social LinkedIn.

 





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