terça-feira, junho 23, 2026

Agro

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El Niño pode prejudicar plantio da soja e elevar risco climático na safra 2026/27


Plantação de soja
Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O El Niño deve ganhar força ao longo dos próximos meses e já acende um alerta para a safra 2026/27 no Brasil. Segundo a meteorologista da Climatempo, Josélia Pegorim, os maiores impactos devem ocorrer entre a primavera e o verão, com risco de calor excessivo, irregularidade das chuvas e dificuldades no início do plantio de grãos, especialmente da soja.

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Durante entrevista no Mercado & Companhia, Josélia explicou que o fenômeno ainda está em fase inicial e, por isso, não exerce influência significativa sobre o clima brasileiro neste mês de junho. Apesar disso, a especialista reforçou que o cenário climático para os próximos meses exige atenção do setor produtivo.

Segundo a meteorologista, o frio registrado neste começo de junho no Centro-Sul do país não contradiz o avanço do El Niño.

Ela explica que o fenômeno ainda está em desenvolvimento e que seus efeitos mais relevantes devem aparecer apenas no fim do inverno e, principalmente, na primavera e no verão.

“Efetivamente, tecnicamente, o El Niño não tem influência no clima do Brasil em junho ainda”, afirmou Josélia Pegorim.

Para este mês, a previsão indica temperaturas mais baixas no Centro-Sul do país devido à passagem de massas de ar frio, enquanto áreas do Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste devem continuar registrando máximas acima de 30 °C, comportamento considerado normal para o período seco.

Primavera preocupa por calor excessivo e chuva irregular

De acordo com Josélia, a principal preocupação para o agro está no comportamento climático da primavera, período que marca o início do plantio da safra de verão.

A meteorologista alerta para a combinação entre calor acima da média e irregularidade das chuvas, cenário que pode comprometer a germinação e o estabelecimento das lavouras.

“Esse início de plantio vai ser delicado, com irregularidade da chuva e excesso de calor”, destacou.

Segundo ela, pancadas isoladas podem induzir produtores a iniciarem o plantio antes da consolidação das chuvas regulares.

“O produtor pode achar que a chuva começou de vez, plantar, e depois perder a semente por falta de umidade”, alertou.

A orientação da meteorologista é para que agricultores acompanhem constantemente as atualizações das previsões climáticas nos próximos meses.

Sul pode enfrentar excesso de chuva durante o verão

Enquanto Centro-Oeste e Sudeste tendem a enfrentar irregularidade das precipitações, o Sul do Brasil deve ter um comportamento oposto sob influência do El Niño.

Segundo Josélia Pegorim, o fenômeno normalmente aumenta os volumes de chuva na região Sul do país, o que pode trazer desafios relacionados ao manejo do solo e ao escoamento da água.

A meteorologista destacou, porém, que isso não significa necessariamente repetição de eventos extremos como as enchentes históricas registradas recentemente no Rio Grande do Sul.

“Não significa que vai cair o mundo no Sul do Brasil novamente, mas teremos uma tendência de mais chuva e menos horas de sol”, explicou.

Super El Niño

Apesar da expectativa sobre a intensidado do fenômeno, Josélia Pegorim afirmou que ainda não há base técnica suficiente para classificar o evento climático como um “Super El Niño”.

Segundo ela, o cenário mais provável neste momento é de um El Niño forte, condição que já seria suficiente para provocar impactos importantes sobre o clima brasileiro.

Café também pode ser afetado

Além da preocupação com a próxima safra de grãos, a meteorologista também chamou atenção para o excesso de umidade previsto neste começo de junho em importantes regiões cafeeiras.

Áreas de São Paulo, Sul de Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Mato Grosso do Sul devem registrar chuva acima do normal nos próximos dias.

Segundo Josélia, o cenário exige atenção dos produtores de café por conta do período de colheita. “O excesso de umidade não é nada bem-vindo quando estamos falando de colheita”, afirmou.

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China impõe novas exigências para importação de alimentos do Brasil


A China anunciou novas exigências para a importação de alimentos, aumentando o rigor sobre a qualidade, origem e rastreabilidade dos produtos. A medida não impede as compras, mas eleva o nível de exigência para os exportadores, reforçando a atenção ao Brasil, que tem na China seu principal mercado no agronegócio.

Impacto das novas regras

As novas regras da China podem ser vistas sob dois ângulos principais:

  • Aumento da demanda por alimentos na China, devido ao crescimento da população urbana e à necessidade de segurança alimentar.
  • A necessidade do Brasil de diversificar seus mercados, reduzindo a dependência do mercado chinês.

Qualidade e segurança alimentar

O Brasil já possui um padrão elevado na produção de alimentos, mas deve se adaptar às exigências do seu maior parceiro comercial. É crucial que o país busque novos mercados e mantenha a qualidade de suas exportações.

Produtos afetados

As novas exigências não se aplicam a produtos como soja e café, que já são bem qualificados pela China. No entanto, carnes, frutas e outros produtos estão sujeitos às novas regras.

Conclusão

A decisão da China não deve prejudicar o Brasil, que já vem se preparando para atender a essas exigências. O agronegócio brasileiro continua sendo uma força vital para a economia, com potencial para superar desafios e expandir sua presença no mercado global.

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El Niño pode impactar safra de grãos e clima no Brasil em 2026


O fenômeno climático El Niño, que se intensifica no Brasil, pode trazer impactos significativos para a safra de grãos e o clima nos próximos meses, segundo especialistas. A meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, destacou que, embora o fenômeno esteja em desenvolvimento, suas consequências mais severas devem ser sentidas na primavera e no verão de 2026.

Temperaturas e chuvas em junho

Em junho, o Brasil apresenta um cenário climático diversificado. Enquanto o centro-sul do país enfrenta temperaturas mais baixas, a metade norte registra máximas superiores a 30ºC. Josélia explicou que, neste mês, o El Niño ainda não exerce influência significativa no clima brasileiro, mas as preocupações aumentam para a safra 2026/2027.

Impactos esperados na primavera

  • Excesso de calor e irregularidade nas chuvas podem afetar o plantio.
  • A safra de soja, que começa na primavera, requer atenção especial devido a possíveis chuvas irregulares.
  • O fenômeno pode causar um aumento na temperatura e variações nas precipitações, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Recomendações para agricultores

Os agricultores devem estar atentos às previsões mensais e se preparar para as condições climáticas adversas. A irregularidade das chuvas pode levar a perdas significativas nas plantações, especialmente se as chuvas iniciais não forem suficientes para repor a umidade do solo.

Além disso, a colheita de café em junho pode ser afetada por chuvas excessivas, especialmente nas regiões de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. A meteorologista recomenda que os produtores se mantenham informados sobre as condições climáticas para minimizar os riscos.

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Inflação sobe pela 12ª vez e Focus revisa projeções do PIB e dólar


Analistas do mercado financeiro elevaram as projeções para a inflação em 2026 e reduziram as estimativas para o dólar, conforme os dados do boletim Focus do Banco Central divulgados hoje. A inflação medida pelo IPCA, índice oficial, subiu de 5,04% para 5,09%, marcando a 12ª alta consecutiva. Em contrapartida, a projeção para o dólar caiu de R$ 5,17 para R$ 5,16, representando a segunda queda consecutiva. Para o PIB, a expectativa é de leve alta, passando de 1,89% para 1,90%.

Projeções de inflação e PIB

A estimativa para a inflação e o PIB reflete as condições econômicas atuais e as expectativas do mercado. Os principais pontos incluem:

  • Inflação (IPCA) subiu para 5,09%
  • Projeção do PIB aumentou para 1,90%
  • Estimativa do dólar caiu para R$ 5,16
  • Taxa básica de juros permanece em 3,5% ao ano

Impactos no mercado

A economista chefe do Picpay, Ariane Benedito, destacou que o crescimento do PIB no primeiro trimestre foi impulsionado pela agropecuária, mas a indústria e os serviços apresentaram crescimento mais modesto. Isso pressiona o COPOM a manter uma política monetária cautelosa, dificultando cortes mais agressivos nas taxas de juros.

Expectativas futuras

O mercado também está atento aos dados econômicos dos Estados Unidos, que podem influenciar o humor global e, consequentemente, o desempenho dos ativos brasileiros. A expectativa é que dados mais fortes nos EUA possam elevar o dólar e impactar a inflação no Brasil.

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Colheita de milho em Mato Grosso inicia com desafios e incertezas


A colheita de milho começou na região de Ipiranga do Norte, em Mato Grosso, que é a maior produtora do grão no Brasil. No entanto, os produtores enfrentam desafios significativos, como altos custos de produção e preços pressionados, que colocam em dúvida a rentabilidade da atividade.

Desafios enfrentados pelos produtores

Durante a colheita, os agricultores expressaram preocupação com a situação atual do mercado. Entre os principais pontos destacados estão:

  • Preços do milho em torno de R$ 40, que não cobrem os custos de produção.
  • Custos elevados devido a problemas com fertilizantes e infestação de pragas.
  • Expectativas de redução na área plantada na próxima safra se o cenário não mudar.

Expectativas para a safra atual

O presidente do sindicato rural de Ipiranga do Norte, Éder Bueno, informou que cerca de 10% da área plantada já foi colhida. Ele destacou que o clima colaborou este ano, com chuvas adequadas, o que pode refletir em uma boa produtividade. No entanto, os custos de produção são altos, e muitos produtores ainda não conseguiram adquirir insumos para a próxima safra.

Preocupações com o futuro

A situação atual gera apreensão entre os agricultores, que temem não conseguir cobrir os custos da lavoura. A falta de insumos e o aumento dos preços de fertilizantes são fatores que podem impactar a produção futura. A expectativa é que, sem mudanças significativas, a área plantada de milho na próxima safra possa ser reduzida.

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CNA critica adiamento de tarifas antidumping sobre leite importado


No dia 1º de junho, celebrado como o Dia Mundial do Leite, a decisão do governo brasileiro de adiar a aplicação de tarifas antidumping sobre a importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai gerou forte reação entre os produtores do setor. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) optou por suspender as tarifas, alegando preocupações com os impactos econômicos, mesmo diante da comprovação de práticas desleais de comércio.

Reação do setor produtivo

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) expressou sua insatisfação com a decisão da Camex, destacando a importância da proteção à produção nacional. Segundo a CNA, a pecuária leiteira é responsável por:

  • Produzir 35 bilhões de litros de leite por ano.
  • Contar com mais de 1,2 milhão de propriedades rurais em todo o Brasil.
  • Estar presente em 99% dos municípios brasileiros.

Impactos da decisão

Os produtores brasileiros enfrentam uma concorrência desleal, com preços de leite importado até 60% mais baixos. Essa situação resulta em margens negativas para a atividade, conforme apontado pelo projeto Campo Futuro da CNA. O setor teme que a suspensão das tarifas agrave ainda mais a crise enfrentada desde 2023.

Próximos passos

O próximo passo envolve a publicação da resolução GSEX, que encerrará a investigação sobre o dumping e recomendará a aplicação das tarifas. A CNA terá 20 dias para apresentar seus argumentos e estudos, seguidos de uma nova fase de discussão. A próxima reunião da Camex está agendada para o dia 25 de junho, onde a questão das tarifas poderá ser rediscutida.

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Último dia da Green Farm em Cuiabá debate protagonismo feminino no agronegócio


No último dia da Green Farm em Cuiabá, o debate se concentrou na liderança e no protagonismo das mulheres no agronegócio. O evento destacou a crescente participação feminina nas decisões estratégicas do setor, evidenciando como elas estão moldando o futuro do agronegócio brasileiro.

Desafios e Oportunidades

Inspirado pela trajetória da Fazenda Rosa, o encontro abordou os desafios e as oportunidades enfrentadas pelas mulheres no agronegócio. Entre os temas discutidos, destacaram-se:

  • Liderança e sucessão familiar
  • Gestão e desenvolvimento de propriedades rurais
  • Identidade e pertencimento no campo
  • Posicionamento feminino no mercado

Participação Feminina em Crescimento

A presença das mulheres no agronegócio não para de crescer, com produtoras rurais, pecuaristas, engenheiras agrônomas e empresárias assumindo papéis de destaque. A participação feminina é vista como um fator crucial para a transformação da realidade do campo brasileiro.

Iniciativas e Projetos

Durante o evento, foram lançados projetos que visam fortalecer a presença feminina em ambientes de negócios e liderança, tanto no cenário nacional quanto internacional. A proposta inclui:

  • Visitas a propriedades rurais
  • Palestras e painéis de qualificação
  • Conexões técnicas entre mulheres do agro

Essas iniciativas buscam ampliar a conexão entre mulheres do agronegócio e fortalecer seu protagonismo no mercado internacional, desmistificando a ideia de que o setor é predominantemente masculino.

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Vigilância sanitária recolhe 200 kg de produtos estragados durante fiscalização


produtos estragados
Foto: divulgação/Vigilância Sanitária de Maceió

Na manhã desta segunda-feira (1°), a Vigilância Sanitária de Maceió (Visa) realizou uma fiscalização no bairro do Tabuleiro do Martins, em Maceió. Na ocasião foram identificados irregularidades em estabelecimentos e um frigorífico da região, resultando na apreensão dos produtos estragados. 

Ao identificar os produtos com prazo de validade expirados, foram recolhidos para descarte. De acordo com o órgão, foram apreendidos carnes, presunto, manteiga e laticínios. Na ocasião foram 200 kg de alimentos estragados apreendidos. 

De acordo com o chefe especial da Visa, Airton Santos, os estabelecimentos foram autuados e deverão responder a processo administrativo, cuja penalidade inclui multa no valor de R$180 a R$38 mil, no caso de reincidência de infração.

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AgroNewsPolítica & Agro

Megaleite leva técnica de campo para criação de búfalas leiteiras


As dinâmicas práticas com bezerras de búfala estarão entre os focos da programação técnica da Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos (ABCB) na Megaleite 2026. A 21ª edição do evento será realizada de 2 a 6 de junho, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG).

A entidade estará no estande P-34, no Galpão B-1, onde também ocorrerão atividades técnicas, degustação de produtos de origem bubalina e recepção a criadores, técnicos e visitantes. De 3 a 6 de junho, a programação contará com palestras na Sala Belo Horizonte e demonstrações práticas no Galpão dos Búfalos.

As palestrantes Mariana Jordão e Ester Barbosa darão início à parte técnica na quarta-feira (3), com o tema “Cuidados Essenciais com Bezerros, O Que Todo Produtor Precisa Saber”. A atividade ocorrerá novamente na sexta-feira (5), às 14h. De acordo com Mariana, o manejo com os animais faz toda a diferença na criação. “O acesso ao conhecimento técnico atualizado ajuda produtores e criadores a adotarem novas tecnologias, a melhorarem o manejo e a aumentarem a produtividade, sempre com atenção à qualidade, ao bem-estar animal e à sustentabilidade”, destaca.

Mariana afirma que a troca entre produtores, técnicos e pesquisadores torna o conhecimento mais prático e útil, ajudando a transformar teoria em soluções que realmente funcionam. “É importante estar próximo de quem está no campo, entendendo a realidade e os desafios de cada propriedade. E a bubalinocultura merece mais atenção”, salienta, colocando que apesar do grande potencial produtivo e da qualidade dos seus produtos, ainda é um segmento que precisa ganhar mais visibilidade e espaço dentro do agro.

O técnico Renato Amaral dará sequência às atividades práticas com o tema “Morfologia Bubalina”, na quinta-feira (4), a partir das 10h. A demonstração será repetida no sábado (6), no mesmo horário.

A agenda na Sala Belo Horizonte começa na quarta-feira (3). Às 16h, a palestrante Juliana Santos falará sobre “Ordenhabilidade e seus impactos na qualidade do leite de búfalas”. Na sequência, às 17h, Frederico Garcia abordará o tema “Como a gestão, nutrição e indicadores transformam o resultado de uma fazenda?”.

Na sexta-feira (5), as palestras seguem com Alessandro Esteves, às 10h, sobre “IATF e FIV em Búfalas: Da Teoria à Prática”. Às 11h, Eduardo Bastianetto falará sobre “Touro em Central, Sêmen Legal: O que é preciso saber”.





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Criado para deixar o leite, ele contrariou as apostas e hoje produz quase 40 mil litros por dia


Produtor de leite de Três Corações (MG) diz ter sido criado para não seguir os passos da família. Agora, a fazenda dele figura entre as mais produtivas do país
Júlio César Pereira é produtor de leite em Três Corações (MG)

O produtor de leite Júlio César Pereira, de Três Corações (MG), diz ter sido criado para não seguir os passos da família. Formado em engenharia e trabalhando na capital mineira, o campo parecia cada vez mais distante.

“Eu sou da quarta geração, então eu nasci vendo vacas, né? Mas eu cresci numa época em que a produção de leite era muito difícil”, conta.

Embora as chances apontassem para outros caminhos, o produtor acabou sendo puxado de volta para a pecuária leiteira há 10 anos. Segundo ele, a baixa produtividade da fazenda, tocada pelo pai, Adilson Levindo Pereira, despertou um interesse que estava adormecido até então.

“No decorrer da minha profissão, eu fui vendo que nós tínhamos uma possibilidade de um crescimento muito grande devido à baixa produtividade que a fazenda tinha”, afirma.

Projeção de futuro com resultado no presente

Hoje, a Fazenda Fazendinha figura no ranking dos maiores produtores de leite do país, com quase 12 milhões de litros comercializados em 2025. Mas nem sempre foi assim.

A história da propriedade começa em 1936 com a produção de café, gado de corte e leite. Porém, foi somente em 2011 que a pecuária leiteira ganhou protagonismo e passou a ser a fonte de renda principal da família. Nesse processo, o acompanhamento de indicadores reprodutivos, produtivos e financeiros foi decisivo para a transformação da fazenda ao longo dos anos.

Mas foi ao olhar para as grandes fazendas do Brasil que Júlio César mudou a sua percepção do setor. “Isso me deu uma projeção de futuro muito grande”, afirma.

Agora, ele relata uma situação completamente diferente: “Nós começamos com 4 mil litros de leite, então tivemos um aumento considerável em 10 anos”, diz, com orgulho da quantidade produzida atualmente. O resultado desse trabalho aparece na evolução da Fazenda Fazendinha no mapeamento das maiores propriedades de leite do país.

Segundo o Levantamento TOP 100, realizado pela MilkPoint em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), a fazenda produziu mais de 32 mil litros de leite por dia em 2025, resultado que a fez avançar da 53ª para a 41ª colocação no ranking.

Neste ano, a produtividade da propriedade em Três Corações está em 38 mil litros por dia.

Lideranças do leite se juntam para trocar experiências

Estar entre as principais propriedades produtoras do Brasil, contudo, não significa que o sucesso está garantido e que o trabalho chegou ao fim.

É nesse contexto que surgiu o Dairy Club, uma iniciativa que reúne pecuaristas com o objetivo de ampliar a rede de contatos e a troca de experiências no dia a dia das fazendas. O segundo encontro do grupo antecedeu a divulgação do TOP 100, em um evento realizado em Atibaia (SP), na semana passada.

“A elite da produção de leite do Brasil está aqui. Então, é uma chance muito grande de desenvolvimento e de troca de ideias com grandes produtores”, afirma o responsável pela Fazenda Fazendinha.

O Dairy Club é uma iniciativa da MSD Saúde Animal voltada à troca de experiências entre produtores de leite. Segundo Laura Villarreal, diretora da unidade de negócio de Ruminantes da empresa, o grupo busca estimular o compartilhamento de conhecimento e a discussão de tendências para o setor.

Para ela, as discussões geram um efeito cascata. “O conhecimento debatido ali se transforma em prática na fazenda e, naturalmente, inspira e eleva a régua de toda a vizinhança produtiva e da cadeia de fornecedores”, diz. Villarreal também complementa que o principal interesse do Dairy Club é democratizar e acelerar o conhecimento na cadeia leiteira.

“Os produtores tornam-se embaixadores da pecuária de leite do futuro, com tecnologia de ponta, inteligência artificial e decisões estratégicas e assertivas ditadas por análises preditivas e precisas”, conclui.

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