Biofungicidas ganham espaço no combate às doenças foliares nas lavouras

As doenças foliares continuam entre os principais desafios para a produtividade agrícola no Brasil. O problema tem se agravado com o aumento da resistência de fungos aos defensivos tradicionais, o que exige novas estratégias de manejo nas lavouras.
Pesquisas brasileiras têm buscado alternativas mais sustentáveis usando microrganismos nativos para ampliar o controle das doenças nas lavouras.
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Estudos realizados em diferentes regiões do país indicam que biofungicidas produzidos a partir de bactérias do gênero Bacillus podem ajudar a reduzir a incidência de doenças em culturas como soja, feijão, cana-de-açúcar e hortaliças. Em alguns ensaios de campo, o uso desses bioinsumos também foi associado a ganhos de produtividade.
“Esses produtos são formulados à base de microrganismos e compostos biológicos que vão atuar em vários pontos do metabolismo dos fungos, reduzindo o surgimento da resistência e levando ao melhor controle das doenças”, explica a gerente de pesquisa e desenvolvimento de mercado da Apoena Agro, Erika Silveira.
Doenças foliares
As doenças foliares estão entre as principais responsáveis por perdas nas lavouras brasileiras, já que comprometem o potencial produtivo das plantas e aumentam os custos com manejo. O cenário se torna ainda mais desafiador quando os patógenos passam a apresentar resistência aos fungicidas convencionais.
Nesse contexto, os bioinsumos têm ganhado destaque por atuarem de forma multissítio, ou seja, interferindo em diferentes processos do metabolismo dos fungos. Essa característica reduz o risco de desenvolvimento de resistência e melhora o controle das doenças.
Os microrganismos presentes nesses produtos podem agir de diferentes maneiras: produzindo metabólitos com ação antifúngica, competindo por espaço e nutrientes na superfície das folhas, formando uma barreira protetora por meio de biofilmes e estimulando mecanismos naturais de defesa das plantas.
Sistemas produtivos
Além do controle das doenças, a proposta dos bioinsumos é contribuir para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis, reduzindo perdas e ampliando o potencial produtivo das lavouras.
Entre as doenças analisadas nos estudos estão a pinta-preta, antracnoses da cana-de-açúcar e do feijão e problemas recorrentes na soja, como mancha-alvo, septoriose, mofo-branco e mofo-cinzento.
Segundo Erika Silveira, além de contribuir para o controle fitossanitário, a proposta dos bioinsumos é tornar os sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
“Quando conseguimos reduzir as perdas por doenças e aumentar o sistema produtivo, isso se traduz em uma maior produtividade e, consequentemente, maior eficiência na produção. E é desta forma que os bioinsumos ganham espaço na agricultura moderna”, conclui.
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