sexta-feira, março 13, 2026
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Gestão de risco vai além da Bolsa de Chicago


tela de computador com gráfico de cotações
Foto: Pixabay

O tema é a instabilidade, a insegurança, a incerteza. Eu conversei com a especialista brasileira Roberta Paffaro, com larga experiência nos Estados Unidos e que foi por muitos anos representante da Bolsa de Chicago no Brasil. Perguntei, em sua visão, como ficam os grãos, os preços e as commodities.

Segundo ela, essa é uma pergunta que “vale milhões”. Hoje, afirma, há muita instabilidade e custos em alta, o que certamente acaba sendo repassado, embora não da forma que se gostaria.

Roberta explica que, mesmo quando os preços sobem em Chicago, é preciso considerar a forma como essa referência chega ao Brasil.

“A base de precificação no Brasil é em reais. Então ela tem o desconto ou o acréscimo dependendo da região, então logística tem um peso muito grande.”

Ela destaca que a formação de preços passa por um tripé: a cotação internacional, a conversão para o real e os custos logísticos até o porto. Por isso, trazer o valor da soja negociada em Chicago para regiões produtoras como Mato Grosso ou Goiás pode resultar em preços bastante diferentes.

Ainda assim, a especialista observa que podem surgir oportunidades de mercado.

“Nós temos janelas de oportunidades onde é importante fazer uma gestão de riscos, ter uma estratégia financeira em que você pode realmente utilizar o mercado futuro para fazer uma trava de preços e aproveitar essa janela de oportunidades.”

Nesse contexto, o momento exige planejamento financeiro e também estratégias no mercado futuro para aproveitar eventuais altas.

Então questionei Roberta se a valorização da soja, do milho ou de outros grãos em Chicago automaticamente beneficia o produtor brasileiro que vende aqui. A resposta foi direta:

“Não é uma conta direta.”

Ela explica que a logística pesa muito na equação e lembra que o frete vem aumentando, influenciado pela guerra e pelos impactos no combustível. Com isso, o desconto aplicado ao preço pode ser maior.

“Então não adianta pensar que o preço subiu lá e que vai ser um efeito cascata e vai subir aqui também.”

Ainda assim, reforça que existem momentos favoráveis para travar preços e garantir resultado financeiro.

“Então existem, sim, janelas de oportunidades de que temos de aproveitar para poder fazer uma trava de preços e aproveitar financeiramente essa estratégia.”

Com essa estratégia financeira, afirma, é possível garantir a rentabilidade. Cada vez mais gestão. Gestão de risco. E Roberta acrescenta:

“Exatamente. Uma gestão de risco de preços.”

Segundo ela, existe um trabalho prévio de gestão financeira para entender os gastos e o aumento dos custos, fazer um “raio X” da empresa e, na hora da comercialização, definir as melhores estratégias para garantir rentabilidade, principalmente em tempos de incerteza.

Agradeço muito a Roberta Paffaro, que hoje é gestora e analista desse mundo com muitos anos na Bolsa de Chicago. E fica claro aqui: além de agronomia, zootecnia, veterinária, cada vez mais o agro é gestão, administração.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


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