sábado, março 14, 2026
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Pesquisadores criam índice para avaliar saúde do solo em manguezais


Manguezal replantado na foz do rio Cocó (CE)
Foto: Gabriel Nóbrega/Departamento de Ciências do Solo da Universidade Federal do Ceará

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um índice capaz de medir a saúde do solo de manguezais em diferentes estágios.

Aplicado em áreas degradadas, restauradas e preservadas, o índice revelou que manguezais saudáveis, incluindo os recuperados, provêm serviços ecossistêmicos próximos de sua capacidade máxima, enquanto os desmatados mantêm apenas uma pequena parte desse potencial.

Índice de Saúde do Solo (ISS)

O Índice de Saúde do Solo (ISS) varia em uma escala de 0 (pior) a 1 (melhor) e está descrito em artigo publicado na revista Scientific Reports. Ao traduzir processos complexos em uma métrica simples, a ferramenta pode apoiar gestores na definição de prioridades de conservação e restauração.

O índice foi construído a partir de um conjunto de variáveis que, de forma integrada, representam os principais processos físicos, químicos e biológicos responsáveis pelo funcionamento do solo no contexto em que ele está inserido.

Além disso, o ele incorpora atributos ligados à dinâmica do carbono (como textura do solo, teor de carbono orgânico e ferro pseudototal), à fixação de substâncias contaminantes (especialmente diferentes formas de minerais de ferro) e à ciclagem de nutrientes (incluindo indicadores biológicos baseados nas atividades enzimáticas de microrganismos do solo).

Em conjunto, essas variáveis viabilizam o estado funcional do solo e sua capacidade de sustentar serviços ecossistêmicos.

Alternativa

Com a busca por soluções baseadas na natureza para enfrentar a crise climática, os manguezais são uma alternativa para gerar ganhos ambientais e sociais. Além de importantes sumidouros e estocadores de carbono, sustentam a pesca e ajudam a conter a erosão costeira.

Ainda assim, estimativas indicam que entre 30% e 50% dos manguezais do mundo tenham sido perdidos nos últimos 50 anos, processo que pode ser acelerado pelas mudanças climáticas, com o aumento do nível do mar e maior frequência de eventos extremos, além de desmatamento e expansão urbana.

O Brasil tem a segunda maior área de mangue do planeta – cerca de 1,4 milhão de hectares ao longo da faixa costeira, ficando atrás apenas da Indonésia – e o mais extenso trecho contínuo, localizado entre o Amapá e o Maranhão. Uma ampla biodiversidade, com mais de 770 espécies de fauna e flora, confere a essas áreas destaque para a pesca.

Resultados

Ao ser aplicado no estuário do rio Cocó, no estado do Ceará, o ISS mostrou condições contrastantes do local, com recuperação em áreas restauradas e suas implicações para os serviços ecossistêmicos.

De acordo com os resultados, os manguezais maduros apresentaram os maiores valores de ISS (0,99 ± 0,03), enquanto os locais degradados, os menores (0,25 ± 0,01).

As regiões replantadas há nove e 13 anos tiveram valores intermediários (0,37 ± 0,01 e 0,52 ± 0,02, respectivamente), com um melhor desempenho das mais antigas, indicando assim uma recuperação gradual.

“Mesmo que o restabelecimento das funções do manguezal seja rápido, isso não pode ser usado como argumento para não proteger esse ambiente da degradação. Observada a retomada de alguns serviços ecossistêmicos, entre eles sequestro de carbono e ciclagem de nutrientes, outros, como a contenção de erosão costeira, demoram mais”, conclui Jimenez.

Florestas de carbono azul

Os mangues são chamados de “florestas de carbono azul” por sua característica de absorver grandes quantidades de CO da atmosfera e armazenar carbono orgânico no solo por décadas, mais eficientes do que florestas tropicais.

No entanto, as mudanças no uso da terra e a poluição ameaçam cada vez mais os solos de manguezais, comprometendo sua funcionalidade.

Segundo a iniciativa global Mangrove Breakthrough, que tem o objetivo de restaurar e conservar 15 milhões de hectares de manguezais em escala global até 2030, esses ecossistemas armazenam o equivalente a mais de 22 gigatoneladas de CO2.

A perda de apenas 1% dos manguezais remanescentes poderia levar ao correspondente a emissões anuais de 50 milhões de automóveis.

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