sábado, março 14, 2026

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Sojicultores mantêm cautela nas negociações e mercado de soja encerra com pouco movimento


Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com pouca movimentação comercial e negociações limitadas. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, o ambiente foi marcado pela ausência de tradings no mercado e pela baixa formação efetiva de preços. Muitas das indicações observadas ao longo dos últimos dias, segundo ele, foram apenas nominais.

Silveira explica que o cenário externo também trouxe volatilidade. A soja terminou o dia em queda na Bolsa de Chicago, enquanto o dólar avançou com força e os prêmios voltaram a recuar. Para o analista, essa combinação acabou reduzindo o ritmo dos negócios no mercado doméstico.

O produtor segue adotando uma postura cautelosa. De acordo com Silveira, muitos agricultores estão concentrados nos trabalhos de campo e acompanham com atenção os movimentos dos formadores de preços antes de realizar novas vendas.

Mesmo com a cautela nas negociações, algumas regiões registraram ajustes nas cotações ao longo da semana.

Preços da soja no Brasil:

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 125,00 para R$ 126,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 126,00 para R$ 127,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 120,00 para R$ 121,00
  • Rondonópolis (MT): caiu de R$ 110,00 para R$ 108,00
  • Dourados (MS): permaneceu em R$ 112,00
  • Rio Verde (GO): caiu de R$ 112,00 para R$ 111,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 131,00 para R$ 132,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 131,00 para R$ 132,00

Soja em Chicago

No cenário internacional, os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta sexta-feira (13) na Bolsa de Mercadorias de Chicago, reduzindo os ganhos acumulados ao longo da semana. Após atingir o maior patamar em dois anos, o mercado passou por um movimento de realização de lucros, com investidores ajustando posições antes do fim de semana.

Apesar da pressão de uma oferta global ampla da oleaginosa, o saldo semanal foi positivo. O mercado acompanhou a forte alta do petróleo no cenário internacional. O conflito no Oriente Médio segue sem solução imediata e alimenta expectativas de preços elevados para o barril, movimento que acaba influenciando outras commodities, como a soja.

Projeção para o Brasil

No Brasil, a produção da oleaginosa na temporada 2025/26 deve alcançar 177,847 milhões de toneladas, segundo o sexto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento. O volume representa aumento de 3,7% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas. Na estimativa anterior, a projeção estava em 177,99 milhões de toneladas.

Contratos futuros de soja

Na Bolsa de Chicago, os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam com baixa de 2,00 centavos de dólar, ou 0,16%, a US$ 12,25 1/4 por bushel. A posição julho terminou cotada a US$ 12,37 1/2 por bushel, com recuo de 2,50 centavos ou 0,20%.

Entre os subprodutos, o farelo de soja para maio encerrou com alta de US$ 2,50, ou 0,78%, a US$ 322,70 por tonelada. Já o óleo de soja com vencimento em maio terminou cotado a 67,44 centavos de dólar por libra-peso, com leve ganho de 0,02 centavos, equivalente a 0,02%.

Câmbio

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou o dia em alta de 1,35%, negociado a R$ 5,3168 para venda e R$ 5,3148 para compra. Durante a sessão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,2158 e a máxima de R$ 5,3243. No acumulado da semana, a valorização foi de 1,47%.

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Biofungicidas ganham espaço no combate às doenças foliares nas lavouras


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Foto: Governo Federal

As doenças foliares continuam entre os principais desafios para a produtividade agrícola no Brasil. O problema tem se agravado com o aumento da resistência de fungos aos defensivos tradicionais, o que exige novas estratégias de manejo nas lavouras.

Pesquisas brasileiras têm buscado alternativas mais sustentáveis usando microrganismos nativos para ampliar o controle das doenças nas lavouras.

Estudos realizados em diferentes regiões do país indicam que biofungicidas produzidos a partir de bactérias do gênero Bacillus podem ajudar a reduzir a incidência de doenças em culturas como soja, feijão, cana-de-açúcar e hortaliças. Em alguns ensaios de campo, o uso desses bioinsumos também foi associado a ganhos de produtividade.

“Esses produtos são formulados à base de microrganismos e compostos biológicos que vão atuar em vários pontos do metabolismo dos fungos, reduzindo o surgimento da resistência e levando ao melhor controle das doenças”, explica a gerente de pesquisa e desenvolvimento de mercado da Apoena Agro, Erika Silveira.

Doenças foliares

As doenças foliares estão entre as principais responsáveis por perdas nas lavouras brasileiras, já que comprometem o potencial produtivo das plantas e aumentam os custos com manejo. O cenário se torna ainda mais desafiador quando os patógenos passam a apresentar resistência aos fungicidas convencionais.

Nesse contexto, os bioinsumos têm ganhado destaque por atuarem de forma multissítio, ou seja, interferindo em diferentes processos do metabolismo dos fungos. Essa característica reduz o risco de desenvolvimento de resistência e melhora o controle das doenças.

Os microrganismos presentes nesses produtos podem agir de diferentes maneiras: produzindo metabólitos com ação antifúngica, competindo por espaço e nutrientes na superfície das folhas, formando uma barreira protetora por meio de biofilmes e estimulando mecanismos naturais de defesa das plantas.

Sistemas produtivos

Além do controle das doenças, a proposta dos bioinsumos é contribuir para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis, reduzindo perdas e ampliando o potencial produtivo das lavouras.

Entre as doenças analisadas nos estudos estão a pinta-preta, antracnoses da cana-de-açúcar e do feijão e problemas recorrentes na soja, como mancha-alvo, septoriose, mofo-branco e mofo-cinzento.

Segundo Erika Silveira, além de contribuir para o controle fitossanitário, a proposta dos bioinsumos é tornar os sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.

“Quando conseguimos reduzir as perdas por doenças e aumentar o sistema produtivo, isso se traduz em uma maior produtividade e, consequentemente, maior eficiência na produção. E é desta forma que os bioinsumos ganham espaço na agricultura moderna”, conclui.

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Gestão de risco vai além da Bolsa de Chicago


tela de computador com gráfico de cotações
Foto: Pixabay

O tema é a instabilidade, a insegurança, a incerteza. Eu conversei com a especialista brasileira Roberta Paffaro, com larga experiência nos Estados Unidos e que foi por muitos anos representante da Bolsa de Chicago no Brasil. Perguntei, em sua visão, como ficam os grãos, os preços e as commodities.

Segundo ela, essa é uma pergunta que “vale milhões”. Hoje, afirma, há muita instabilidade e custos em alta, o que certamente acaba sendo repassado, embora não da forma que se gostaria.

Roberta explica que, mesmo quando os preços sobem em Chicago, é preciso considerar a forma como essa referência chega ao Brasil.

“A base de precificação no Brasil é em reais. Então ela tem o desconto ou o acréscimo dependendo da região, então logística tem um peso muito grande.”

Ela destaca que a formação de preços passa por um tripé: a cotação internacional, a conversão para o real e os custos logísticos até o porto. Por isso, trazer o valor da soja negociada em Chicago para regiões produtoras como Mato Grosso ou Goiás pode resultar em preços bastante diferentes.

Ainda assim, a especialista observa que podem surgir oportunidades de mercado.

“Nós temos janelas de oportunidades onde é importante fazer uma gestão de riscos, ter uma estratégia financeira em que você pode realmente utilizar o mercado futuro para fazer uma trava de preços e aproveitar essa janela de oportunidades.”

Nesse contexto, o momento exige planejamento financeiro e também estratégias no mercado futuro para aproveitar eventuais altas.

Então questionei Roberta se a valorização da soja, do milho ou de outros grãos em Chicago automaticamente beneficia o produtor brasileiro que vende aqui. A resposta foi direta:

“Não é uma conta direta.”

Ela explica que a logística pesa muito na equação e lembra que o frete vem aumentando, influenciado pela guerra e pelos impactos no combustível. Com isso, o desconto aplicado ao preço pode ser maior.

“Então não adianta pensar que o preço subiu lá e que vai ser um efeito cascata e vai subir aqui também.”

Ainda assim, reforça que existem momentos favoráveis para travar preços e garantir resultado financeiro.

“Então existem, sim, janelas de oportunidades de que temos de aproveitar para poder fazer uma trava de preços e aproveitar financeiramente essa estratégia.”

Com essa estratégia financeira, afirma, é possível garantir a rentabilidade. Cada vez mais gestão. Gestão de risco. E Roberta acrescenta:

“Exatamente. Uma gestão de risco de preços.”

Segundo ela, existe um trabalho prévio de gestão financeira para entender os gastos e o aumento dos custos, fazer um “raio X” da empresa e, na hora da comercialização, definir as melhores estratégias para garantir rentabilidade, principalmente em tempos de incerteza.

Agradeço muito a Roberta Paffaro, que hoje é gestora e analista desse mundo com muitos anos na Bolsa de Chicago. E fica claro aqui: além de agronomia, zootecnia, veterinária, cada vez mais o agro é gestão, administração.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Novas regras para importação de cacau protegem o produtor brasileiro, comemora setor


Foto: Freepik

A redução do prazo para importação de amêndoas de cacau em regime de drawback, de dois anos para seis meses, foi estabelecida via Medida Provisória (MP) 1341/2026, publicada nesta sexta-feira (13), no Diário Oficial da União.

Na visão avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e das Federações de Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Espírito Santo (Faes), Pará (Faepa) e outros estados produtores de cacau, a medida vai garantir proteção e competitividade à cacauicultura nacional.

O drawback é um instrumento que permite a suspensão de tributos incidentes sobre insumos importados quando destinados à produção de bens no país para a exportação, ou seja, os efeitos da MP dificultam que a indústria substitua o cacau brasileiro por amêndoas importadas.

O diretor técnico adjunto da CNA, Maciel Silva, ressalta que o mecanismo, adotado em todo o mundo, serve para evitar a cumulatividade de impostos na cadeia produtiva, melhorando a competitividade dos exportadores brasileiros.

“Como as importações de amêndoas são realizadas predominantemente via regime de drawback, o instrumento pode estar associado ao aumento dos estoques da indústria no mercado interno e prejudica o produtor com baixa remuneração”, detalha.

Como era antes

Antes da edição da MP, as operações de drawback vinculadas à importação de amêndoas de cacau seguiam a regra geral aplicada ao regime. O prazo era de 12 meses, prorrogáveis por mais 12 meses, para que as empresas realizassem a exportação dos produtos industrializados a partir da aquisição de insumos de outros países.

Com a nova medida, o prazo máximo para as operações de importação de amêndoas de cacau com isenção do Imposto de Importação pelo regime de drawback passa a ser de seis meses.

“Ao reduzir o prazo dessas operações para até seis meses, a MP procura limitar distorções no abastecimento e compatibilizar o uso do regime com a necessidade de maior equilíbrio entre a demanda industrial e a sustentação da produção nacional”, completa.

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El Niño no radar com mais de 60% de probabilidade; Brasil pode sofrer com temperaturas elevadas


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Foto: Unsplash/reprodução

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico indica o enfraquecimento da La Niña e aumenta a probabilidade de retorno do El Niño nos próximos meses. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a chance do fenômeno climático superar 60% entre o fim do outono e o inverno no Hemisfério Sul, podendo se consolidar entre a primavera e o verão, período que coincide com o desenvolvimento da próxima safra de soja no Brasil.

Nos próximos meses, porém, a tendência é de neutralidade climática. Nesse cenário, as chuvas devem se estender até o fim de abril e início de maio em parte das áreas produtoras, sem impactos negativos imediatos para as atividades no campo, especialmente para a retirada da soja e o avanço do milho segunda safra.

O maior ponto de atenção, segundo as previsões, está voltado para o início do plantio da safra 2026/27. A expectativa é de atraso no retorno das chuvas no Brasil central, acompanhado de temperaturas elevadas e possíveis ondas de calor no início da semeadura. Além disso, o Matopiba pode registrar precipitações abaixo da média.

No curto prazo, a chuva deve continuar concentrada em áreas de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, com volumes que podem ultrapassar 50 milímetros nos próximos cinco dias. Já em estados como São Paulo, Paraná e parte da região Sul, além da Bahia, o tempo tende a ficar mais firme, favorecendo o avanço das operações no campo.

Mesmo assim, os produtores devem aproveitar as janelas de tempo seco. Entre os dias 19 e 23 de março, um novo sistema deve provocar o avanço de áreas de instabilidade, trazendo volumes elevados de chuva para diversas regiões produtoras.

Na sequência, entre os dias 24 e 25 de março, a chuva volta a ganhar força na região Sul do país, com acumulados que também podem superar 50 milímetros em cinco dias. Esse cenário mantém o ritmo das lavouras dependente das condições climáticas nas próximas semanas.

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Com alta do petróleo, governo eleva projeção de inflação para 2026


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A volatilidade no mercado internacional de petróleo em meio às tensões no Oriente Médio fez o Ministério da Fazenda revisar para cima a projeção de inflação para 2026.

Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (13) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o próximo ano em 3,7%, ante estimativa anterior de 3,6%.

Apesar da revisão na inflação, a pasta manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026.

Segundo o governo, a atualização reflete principalmente o impacto do aumento no preço do petróleo no mercado internacional, que elevou as projeções de custos de combustíveis no Brasil.

Petróleo

A SPE elevou a estimativa do preço médio do petróleo para US$ 73,09 por barril em 2026, contra projeção anterior de US$ 65,97, alta de cerca de 10,8%.

O aumento foi incorporado às projeções macroeconômicas considerando que parte da elevação dos preços nas refinarias será repassada ao consumidor final.

De acordo com o estudo, o cálculo considera um repasse de 20% a 30% do preço praticado pelas distribuidoras para o valor final dos combustíveis.

Por outro lado, a valorização do real em relação ao dólar ajuda a reduzir parte dessa pressão inflacionária.

Inflação

A atualização das projeções considera também o comportamento recente do câmbio. A estimativa para a cotação média do dólar em 2026 caiu de R$ 5,43 para R$ 5,32, o que contribui para moderar parte do impacto inflacionário.

Segundo a SPE:

  • Cada alta de 1% no preço do petróleo pode elevar o IPCA em 0,02 ponto percentual
  • Cada apreciação de 1% do real frente ao dólar pode reduzir a inflação em 0,06 ponto percentual

Além do IPCA, outros indicadores também tiveram revisão:

  • INPC: passou de 3,7% para 3,8%;
  • IGP-DI: subiu de 4,6% para 4,9%.
  • O IGP-DI é mais sensível ao petróleo porque inclui itens do atacado, como produtos da indústria extrativa, derivados de petróleo e fertilizantes.

Crescimento

Mesmo com o choque de preços, o governo manteve a projeção de crescimento econômico de 2,3% para 2026.

Segundo a SPE, a alta do petróleo tende a estimular a atividade econômica brasileira porque o país se tornou exportador líquido de petróleo e derivados.

A valorização da commodity pode ampliar o superávit comercial, elevar a arrecadação com royalties e tributos do setor e impulsionar a atividade extrativa e segmentos relacionados.

Em cenário de choque mais intenso, as simulações da SPE indicam que o PIB poderia ganhar até 0,36 ponto percentual adicional, embora com pressão maior sobre a inflação.

Projeções por setor

As estimativas de crescimento para os principais setores da economia em 2026 foram mantidas com pequenas alterações:

  • Agropecuária: crescimento de 1,2%
  • Indústria: alta de 2,2%
  • Serviços: expansão de 2,4%

Segundo a equipe econômica, o desempenho da indústria em 2025 ficou abaixo do esperado, o que reduziu o chamado “carregamento estatístico” para o crescimento do setor em 2026.

Cenários

A SPE também simulou cenários mais severos ligados ao conflito no Oriente Médio, incluindo impactos de uma guerra prolongada envolvendo o Irã.

No cenário mais extremo:

  • O PIB poderia crescer 0,36 ponto percentual adicional;
  • A inflação subir até 0,58 ponto percentual;
  • A arrecadação federal aumentar até R$ 96,6 bilhões.

Segundo o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, projeções mais adversas dependeriam de interrupções relevantes na oferta global de petróleo.

Medidas

As projeções divulgadas não consideram ainda as medidas anunciadas pelo governo para reduzir o impacto da alta dos combustíveis.

Entre elas estão:

  • redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel;
  • subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores;
  • criação de imposto sobre exportação de petróleo.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o foco no diesel ocorre porque o combustível tem forte impacto sobre a inflação, já que é amplamente utilizado no transporte de cargas e no escoamento da produção agrícola.

O governo estima que as medidas podem impedir o preço do diesel de subir R$ 0,64 por litro nas bombas. Nesta sexta, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 no litro do diesel nas distribuidoras.

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Mapa apreende mais de uma tonelada de defensivos e interdita fábrica de fertilizantes


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Foto: divulgação/Mapa

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deflagrou, nesta quarta-feira (11), a Operação Terra Prometida no município de Patrocínio, em Minas Gerais.

Durante a fiscalização, foi identificado um depósito clandestino com mais de uma tonelada de defensivos agrícolas irregulares e cerca de 200 litros de produtos vencidos. Os materiais estavam acondicionados em sacos com rotulagem em língua estrangeira incompatível com a tradução impressa no produto, em desacordo com a legislação brasileira.

Análises preliminares realizadas por espectroscopia no infravermelho médio portátil indicaram fortes indícios da presença dos princípios ativos metsulfuron, abamectina e tiametoxam nas amostras coletadas. Os produtos foram apreendidos e o estabelecimento foi interditado.

A ação teve como objetivo combater a importação e a comercialização irregular de defensivos, além da adulteração de fertilizantes. A operação foi realizada em parceria com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Outros produtos

No mesmo local, os fiscais também apreenderam aproximadamente 6,5 toneladas de melaço líquido, que seriam destinadas irregularmente à alimentação animal.

A operação também teve como alvo uma fábrica de fertilizantes pertencente ao mesmo responsável pelo depósito de defensivos ilícitos. No local, foram encontradas substâncias incompatíveis com a formulação registrada e com o uso proposto para esse tipo de insumo.

Diante das irregularidades, as atividades da fábrica foram suspensas. Foram apreendidos 320 kg e 416 litros de matérias-primas, além de aproximadamente 10 toneladas de fertilizantes acabados.

Medidas

O valor estimado dos produtos agropecuários irregulares apreendidos é de R$ 1.123.951. O responsável foi preso em flagrante e poderá responder criminalmente pelos crimes de contrabando e falsificação de defensivos, além das medidas administrativas cabíveis, como autuação, apreensão de produtos e suspensão das atividades.

Em relação aos ilícitos ambientais, as multas podem chegar a aproximadamente R$ 3 milhões, além da abertura de procedimentos administrativos e possíveis repercussões penais e civis para reparação de danos ambientais.

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Política externa e agronegócio: o impacto das decisões globais no campo brasileiro


Política externa e agronegócio: o impacto das decisões globais no campo brasileiro
Imagem gerado por inteligência artificial

Em um mundo cada vez mais marcado por disputas comerciais, novas regulações ambientais e tensões geopolíticas, decisões tomadas fora do Brasil passaram a influenciar diretamente o futuro do agronegócio nacional. Durante décadas, o produtor rural brasileiro acostumou-se a acompanhar de perto variáveis como clima, produtividade, custo de insumos e preços internacionais das commodities. Esses fatores continuam sendo determinantes para o desempenho do setor.

Nos últimos anos, porém, uma nova variável passou a influenciar cada vez mais o dia a dia do agro: a política externa. O agronegócio brasileiro tornou-se profundamente integrado ao comércio global. Grande parte da produção nacional de soja, milho, carnes, café, suco de laranja e açúcar tem como destino mercados internacionais. Isso significa que decisões tomadas fora do país, em governos, parlamentos e organismos multilaterais, podem ter impacto direto sobre o acesso do Brasil a esses mercados e sobre a competitividade dos nossos produtos.

Esse movimento pode ser observado em diferentes frentes da política internacional. Nos Estados Unidos, decisões de política comercial como o tarifaço anunciado por Donald Trump evidenciam como medidas adotadas por grandes economias podem alterar fluxos globais de comércio. Na Europa, novas regulações ambientais, como o mecanismo de ajuste de carbono na fronteira (CBAM) e a legislação contra o desmatamento (EUDR), vêm redefinindo as regras de acesso ao mercado europeu. Já em países asiáticos, decisões sanitárias ou comerciais podem levar, de forma repentina, ao fechamento temporário de mercados para determinados produtos, como já ocorreu em momentos específicos com proteínas animais.

Esses exemplos refletem uma transformação mais ampla no comércio internacional. Tarifas comerciais, exigências sanitárias, regras ambientais e padrões de rastreabilidade tornaram-se instrumentos cada vez mais relevantes nas disputas por acesso a mercados. Na prática, uma decisão regulatória em Bruxelas, uma negociação em Washington ou uma nova exigência sanitária em Pequim podem alterar significativamente as condições de concorrência para os produtos brasileiros.

A geopolítica recente também ajuda a explicar essa nova realidade. Tensões e conflitos no Oriente Médio, incluindo a escalada envolvendo o Irã, costumam provocar volatilidade no preço do petróleo e gerar incertezas nos mercados globais. Esses movimentos acabam repercutindo também no setor agropecuário, seja pelo impacto no custo de insumos e logística, seja pelas oportunidades que surgem em áreas como os biocombustíveis.

Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição estratégica. Como um dos maiores produtores agrícolas do mundo e líder na produção de biocombustíveis, o país tem capacidade de contribuir tanto para a segurança alimentar quanto para a segurança energética em um momento de instabilidade internacional. O etanol e o biodiesel, por exemplo, ganham relevância sempre que o mundo busca alternativas mais estáveis e sustentáveis às oscilações do mercado de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, cresce o papel da diplomacia e da articulação política na defesa do agronegócio brasileiro. Parlamentares e lideranças do setor têm atuado cada vez mais no cenário internacional para acompanhar debates regulatórios, ampliar o acesso a mercados e defender os interesses do país.

A senadora Tereza Cristina, por exemplo, assumiu recentemente a relatoria do acordo entre Mercosul e União Europeia no Senado, um dos temas mais relevantes para o comércio exterior brasileiro. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária também têm participado de missões internacionais voltadas à promoção do agro brasileiro, à defesa comercial e à abertura de novos mercados. Essas iniciativas refletem uma realidade cada vez mais evidente. O sucesso do agronegócio brasileiro não depende apenas da eficiência produtiva dentro da porteira. Ele também está diretamente ligado à capacidade do país de se posicionar estrategicamente no cenário internacional.

A política externa, portanto, deixou de ser um tema distante para o campo. Hoje, ela influencia oportunidades comerciais, padrões regulatórios e as próprias perspectivas de crescimento do setor. Em um mundo marcado por disputas comerciais, transformações energéticas e crescente complexidade regulatória, compreender os movimentos da política internacional tornou-se parte do ambiente de negócios do agro.

*Rebecca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)


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AgroNewsPolítica & Agro

USDA reduz previsão de exportações de arroz dos EUA


O Relatório de Oferta e Demanda de Produtos Agrícolas (WASDE), divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), indica mudanças nas projeções para o mercado de arroz na safra 2025/26 nos Estados Unidos. De acordo com o documento, a perspectiva para o cereal neste mês aponta menor oferta, consumo doméstico e residual inalterados, redução das exportações e estabilidade nos estoques finais.

Segundo o relatório, “a oferta foi reduzida devido à diminuição das importações, todo o arroz de grão longo, já que as importações da Tailândia, principal origem, continuam abaixo do ritmo recorde do ano passado”. As importações foram revisadas para baixo em 2 milhões de quintais, totalizando 45,7 milhões de quintais.

O documento também aponta revisão nas exportações do cereal. “Todas as exportações de arroz foram reduzidas em 2 milhões de quintais, para 85 milhões de quintais, todo o arroz de grão longo, devido à persistente fraqueza nas vendas e nos embarques de arroz em casca para os mercados do Hemisfério Ocidental”, informa o relatório. Com a redução das importações compensando totalmente a queda nas exportações e sem outras alterações, os estoques finais foram mantidos em 50,3 milhões de quintais.

O relatório também mantém o preço médio da safra do arroz de grão longo nos Estados Unidos. “O preço médio da safra do arroz de grão longo permanece inalterado em US$ 10,50 por quintais”, aponta o documento. Já o preço médio da safra para grãos médios e curtos de Outros Estados foi elevado em US$ 0,40 por cwt, alcançando US$ 14,20, com base nos preços reportados pelo Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas (NASS) e nas expectativas para o restante do ano comercial.

No cenário internacional, o relatório aponta leve redução na oferta global de arroz para 2025/26. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), “a oferta foi reduzida em 0,1 milhão de toneladas para 732,5 milhões, principalmente devido à redução dos estoques iniciais do Brasil, já que a produção global permanece praticamente inalterada”.

O consumo mundial de arroz também foi revisado para baixo. “O consumo mundial para 2025/26 foi reduzido em 0,8 milhão de toneladas para 541,0 milhões, principalmente devido à redução das estimativas de consumo para vários países africanos”, informa o relatório.

O comércio global do cereal para a temporada foi reduzido em 1,3 milhão de toneladas, totalizando 62 milhões de toneladas. Segundo o documento, a revisão ocorre “em grande parte devido a um ritmo de exportações da Índia mais lento do que o esperado”.

Apesar da queda na oferta, no consumo e no comércio, os estoques finais globais foram revisados para cima. As projeções indicam aumento de 0,7 milhão de toneladas, alcançando 191,5 milhões de toneladas, reflexo principalmente de estoques mais elevados na Índia, que não foram totalmente compensados pelas reduções registradas em outros países.





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Imea aponta colheita da soja em 96,4% em MT; semeadura do milho se aproxima da conclusão


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Fotos: Pixabay

A colheita da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso avançou e já alcança 96,42% da área cultivada no estado. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Na semana anterior, em 6 de março, os trabalhos estavam em 89,15%, o que indica um avanço expressivo no ritmo das operações no campo. Apesar disso, o índice ainda permanece ligeiramente abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando a colheita já havia atingido 97,33% da área.

Com o avanço da retirada da oleaginosa das lavouras, os produtores também aceleram o plantio da segunda safra de milho. Segundo o Imea, a semeadura do cereal chegou a 99,20% da área prevista para a safra 2025/26.

Na semana anterior, o plantio estava em 93,68%. Em comparação com o mesmo período do ciclo passado, no entanto, o ritmo atual também aparece um pouco abaixo, já que naquele momento a semeadura alcançava 99,48% da área cultivada.

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