
O potencial de produtividade da nova safra brasileira de soja pode estar em risco, disse em nota o consultor Michael Cordonnier.
Ele adotou uma postura mais cautelosa em relação às perspectivas para a soja que está sendo plantada agora, devido ao clima excessivamente úmido em algumas áreas e muito seco em outras.
Nas regiões mais ao norte do Brasil que estão enfrentando seca, os agricultores precisam que as previsões de chuva se confirmem, com pouca margem para erro.
“Se a previsão se confirmar, ainda não é tarde para plantar soja nessas áreas do Nordeste e do Norte, mas o clima precisará cooperar no restante da temporada de cultivo para que sejam alcançados rendimentos normais”, disse.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (4) a lei que transfere, temporariamente, a capital brasileira de Brasília para Belém (PA).
A mudança tem validade durante o período de realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP30), entre 11 e 21 de novembro de 2025. A proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional. A Lei 15.251 foi publicada hoje no Diário Oficial da União.
De acordo com o governo, a transferência temporária tem caráter simbólico e político e “reforça a relevância da Amazônia na agenda ambiental internacional”, além de evidenciar o compromisso do país com as questões globais do clima.
Todos os atos e despachos expedidos nesse intervalo, inclusive os do presidente da República e dos ministros, terão o registro da capital paraense. Durante o período, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário poderão se instalar na cidade de Belém para a condução de suas atividades institucionais e governamentais.
Caso semelhante já ocorreu em 1992, quando a capital federal foi transferida para o Rio de Janeiro, durante a realização da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92.

O Indicador Boi Datagro, adotado pela B3 como referência para a liquidação dos contratos futuros de pecuária no mercado brasileiro, mostra os preços da arroba em elevação nesta terça-feira (4).
Mato Grosso do Sul se aproxima da praça-base São Paulo nas cotações. No estado do Centro-Oeste, a indicação média ficou em R$ 321,11, enquanto em território paulista foi precificada em R$ 322,98.
De acordo com a analista de mercado da Datagro, Beatriz Bianchi, esse movimento é reflexo da maior competição das indústrias e também do reposicionamento das escalas de abate que seguem apresentando quedas cadenciadas.
“A oferta de boi gordo começa a apresentar sinais de retração, com queda na disponibilidade de fêmeas, fator já esperado pelo período do ano com a chegada da estação de monta”, detalha.
Já do lado da demanda, Beatriz ressalta que o mercado interno segue aquecido com o baixo nível de desemprego. “Mesmo com o poder de compra um pouco mais apertado, ainda há fôlego com a chegada do final do ano, com o 13º [salário] e bonificações que tendem a aquecer o consumo.”
Quanto aos embarques de carne bovina, a analista enfatiza que os resultados parciais de outubro seguem positivos, mas o câmbio se mostra um desafio para as margens da indústria exportadora.

A Conferência do Clima, conhecida como COP, pode parecer à primeira vista uma grande feira internacional sobre meio ambiente, mas na prática funciona como uma engrenagem diplomática complexa.
Segundo o Head of Agribusiness, Renato Rodrigues, a COP é um processo contínuo de negociação global, onde cada palavra e vírgula são discutidas para construir acordos que transformem ciência em política e política em ação.
A COP, explica Rodrigues, não é apenas um evento anual, mas um processo de consenso entre os países que integram a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
“O consenso é a sua maior fragilidade, mas também é a sua maior força, porque é com base no sistema multilateral que esse processo de discussão, de debate, de diálogo, ganha muita força e consegue construir uma posição em comum com todos os países que são signatários da convenção”, destaca.
O especialista detalha que o funcionamento da conferência é coordenado por um secretariado sediado em Bonn, na Alemanha, e presidido de forma rotativa pelo país anfitrião. No caso da COP30, que será realizada no Brasil, o país assume também a presidência das negociações até o próximo ano.
Dentro da estrutura, dois órgãos técnicos são responsáveis por apoiar o trabalho diplomático: o SBSTA (do inglês Subsidiary Body for Scientific and Technological Advice), que trata das bases científicas e tecnológicas, e o SBI (do inglês Subsidiary Body for Implementation), voltado à implementação e transparência.
Durante as duas semanas de conferência, plenárias, reuniões e grupos de contato ocorrem simultaneamente para buscar acordos em torno de cada trecho dos textos oficiais.”Diferente de outros fóruns internacionais, a COP não vota. Cada decisão é adotada apenas quando há consenso, ou seja, quando ninguém se opõe explicitamente”, explica Rodrigues.
Cada decisão aprovada na Conferência do Clima é fruto de um delicado equilíbrio entre interesses nacionais e globais. Durante as negociações, cada bloco representa dezenas de países, o que exige diálogo constante e muita diplomacia para alcançar um consenso.
Por isso, antes de levar suas propostas à COP, os governos consultam cientistas e especialistas de diferentes áreas, construindo uma posição oficial que reflete suas prioridades e responsabilidades.
A conferência se torna, assim, um verdadeiro exercício de convivência, onde nações com realidades distintas buscam um objetivo comum, preservar o clima e garantir o futuro do planeta.
Para o especialista, presidir uma COP representa muito mais do que organizar um grande evento internacional, é liderar o diálogo global sobre o futuro do planeta. “O Brasil tem uma longa trajetória na diplomacia do clima. Foi protagonista na Rio 92, teve papel-chave em Kyoto e no Acordo de Paris. Agora, com a presidência da COP, tem a missão de restaurar a confiança no processo multilateral e conduzir o mundo à etapa da implementação”, destaca.
As negociações da conferência são, acima de tudo, um exercício de humanidade, a demonstração de que, mesmo com interesses diferentes, os países ainda são capazes de dialogar em busca de soluções para o clima global.
Boi gordo mantém firmeza nas cotações
Agrolink
– Seane Lennon

Foto: Canva
De acordo com análise divulgada nesta segunda-feira (3) no informativo Tem Boi na Linha, da Scot Consultoria, o mercado do boi gordo iniciou a semana com estabilidade nas praças paulistas. “O primeiro dia útil do mês começou com poucos negócios. A oferta contida e a expectativa de melhora no escoamento da carne neste período têm mantido o mercado firme”, informa o boletim.
As escalas de abate nas indústrias paulistas seguem, em média, programadas para sete dias.
No Rio de Janeiro, o cenário é semelhante. A análise aponta que há “pouca oferta e escalas curtas, em média, para cinco dias”. Após as altas observadas nos últimos dias, os preços permaneceram estáveis na comparação diária.
No atacado da carne com osso, o informativo registrou movimentação positiva nas cotações, apesar da desaceleração nas vendas do varejo e do menor giro de estoques. Segundo a Scot Consultoria, “a alta na arroba do boi gordo e a redução na oferta de bovinos reduziram os estoques, o que favoreceu a cotação das carcaças casadas”.
A cotação da carcaça casada do boi capão teve alta de 2,6%, equivalente a R$ 0,55 por quilo. Para o boi inteiro, o aumento foi de 2,7%, também R$ 0,55 por quilo. Entre as fêmeas, a carcaça casada da vaca subiu 2,6%, ou R$ 0,50 por quilo, enquanto a da novilha registrou avanço de 3,3%, o que corresponde a R$ 0,65 por quilo.

Brasil e Uruguai firmaram um acordo de cooperação em bioinsumos. O memorando de entendimento foi assinado pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca do Uruguai, Luis Alfredo Fratti Silveira, durante a Conferência de Ministros da Agricultura das Américas 2025, realizada em Brasília.
Em nota, o ministério informou que o acordo objetiva fortalecer a cooperação entre os dois países para o desenvolvimento de políticas, produtos, processos e tecnologias de origem biológica voltadas à melhoria da produção agrícola e pecuária.
De acordo com o ministério, o acordo prevê um marco legal de referência para que os países desenvolvam atividades de cooperação voltadas ao fortalecimento de políticas, produtos e ações conjuntas no segmento de bioinsumos.
O acordo inclui o intercâmbio de conhecimento técnico e científico e fomento à inovação. “A cooperação entre países vizinhos é essencial para desenvolvermos soluções que unam produtividade, inovação e respeito ao meio ambiente”, disse Fávaro.

O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) elegeu Muhammad Ibrahim, da Guiana, como diretor-geral para o mandato de 2026-2030.
O pleito foi realizado por maioria de votos dos Ministros da Agricultura das Américas durante a 23ª Reunião Ordinária da Junta Interamericana de Agricultura (JIA), órgão máximo de governo do IICA.
A reunião está sendo realizada em Brasília e organizada pelo governo brasileiro em conjunto com a organização hemisférica.
O vencedor concorreu com Fernando Mattos, candidato do Uruguai, que imediatamente parabenizou o eleito.
“Trabalharemos com todas as nações das Américas para forjar um futuro de cooperação. Estou honrado e grato por ter sido eleito para liderar esta grande instituição. Reconheço o notável trabalho realizado pelo Diretor-Geral Manuel Otero”, declarou Ibrahim ao assumir o cargo.
Ibrahim é engenheiro agrônomo com vasta experiência em gestão internacional e dedicou 35 anos à construção de redes para aumentar a produtividade e a resiliência do setor agrícola nas Américas. Ele foi indicado para liderar o IICA pelo governo da República Cooperativa da Guiana.
O novo diretor-geral assumirá o cargo em 15 de janeiro de 2026, durante uma cerimônia que será realizada na sede do IICA em San José, na Costa Rica. Ele sucederá o veterinário argentino Manuel Otero, que liderou a organização desde 2018, tendo sido reeleito em 2021.

Uma colaboração científica internacional, com a participação da Embrapa Gado de Leite, sequenciou os genomas de 450 genótipos de capim-elefante coletados em dezoito países. A descoberta promete um novo impulso para o melhoramento genético da forrageira, consolidando seu potencial para a pecuária tropical e a produção de bioenergia.
O capim-elefante, originário da África e adaptado ao Brasil desde o início do século XX, é fundamental para cultivares como o Capiaçu (silagem) e o Curumi (pastejo).
Em entrevista ao Giro do Boi, a doutora em genética e melhoramento Ana Luísa Souza Azevedo, pesquisadora da Embrapa, destacou a relevância do estudo: “Ele é baseado para entender a diversidade, mas além disso, começou um estudo paralelo de associação”.
Confira a entrevista completa:
O estudo, resultado de uma parceria com o International Livestock Research Institute (ILRI), avaliou o material genético por cinco anos, permitindo mapear genes ligados à produtividade, valor nutritivo e potencial energético.
Ana Luísa informou que o grande benefício para o produtor é o desenvolvimento acelerado de novas cultivares. “Utilizando ferramentas genômicas, você reduz o tempo médio necessário para desenvolver uma cultivar (que normalmente leva de dez a quinze anos) para sete, oito anos”, revelou.
A aceleração possibilitará o lançamento de cultivares mais específicas, adaptadas a desafios como o estresse hídrico. A pesquisa também foca no potencial do capim-elefante para a produção de bioenergia, devido à sua alta eficiência fotossintética.
O próximo passo inclui explorar a edição gênica e o sequenciamento para tornar as plantas mais resistentes. “A gente vai desmembrar todos esses estudos agora de associação para as características de maior interesse, por exemplo, associar com resistência a cigarrinha”, explicou a pesquisadora.
O objetivo é gerar marcadores que aumentem a resistência das plantas a pragas, doenças e, principalmente, ao estresse hídrico.
Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.
Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com a alta das cotações no decorrer desta terça-feira (4).
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade deste movimento no curto prazo, em linha com o atual posicionamento das escalas de abate, em especial entre os frigoríficos de menor porte.
“No geral a demanda permanece aquecida, as exportações ainda são o grande destaque de 2025, com um ritmo acelerado de embarques. A demanda doméstica também conta com seus predicados no último bimestre, garantindo fôlego aos preços da carne no atacado”, disse.
O mercado atacadista segue com preços firmes no decorrer da semana, ainda em perspectiva de alta no curto prazo.
De acordo com Iglesias, esse movimento é graças ao auge do consumo no mercado doméstico durante o último bimestre, com a incidência do 13º salário, a criação de postos temporários de emprego e as confraternizações de final de ano.
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,77%, sendo negociado a R$ 5,3987 para venda e a R$ 5,3967 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3791 e a máxima de R$ 5,4021.