sábado, abril 25, 2026

Agro

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Boi gordo tem preços firmes, com frigoríficos mais cautelosos e atenção voltada à China


pará, boi, vaca louca - protocolo
Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

O mercado físico do boi gordo teve mais um dia de preços firmes nesta terça-feira (14), mesmo com menor presença dos frigoríficos nas compras. A cautela da indústria está ligada às incertezas sobre a cota chinesa, que pode se esgotar entre maio e junho, o que já começa a influenciar decisões de compra em diversos estados.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, esse movimento de retração dos frigoríficos foi observado em praças como São Paulo, Goiás, Rondônia e Mato Grosso. Além disso, alguns frigoríficos já anunciaram férias coletivas, o que reforça a expectativa de possível pressão sobre os preços ao longo do segundo semestre.

No mercado atacadista, os preços seguem firmes, sustentados pela boa reposição entre atacado e varejo na primeira quinzena do mês. No entanto, a carne bovina enfrenta menor competitividade frente a proteínas mais baratas, especialmente a carne de frango, o que limita altas mais fortes. O baixo poder de compra das famílias também direciona o consumo para alternativas mais acessíveis.

Preços do boi gordo

  • Em São Paulo, a referência média para a arroba do boi ficou em R$ 369,78, na modalidade a prazo
  • Em Goiás, a indicação média foi de R$ 359,64 para a arroba do boi gordo
  • Em Minas Gerais, a arroba teve preço médio de R$ 350,29
  • Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi indicada em R$ 361,48
  • Já Mato em Grosso, a arroba ficou indicada em R$ 365,81

Atacado

O mercado atacadista volta a se deparar com firmeza em seus preços no decorrer da terça-feira, em um ambiente ainda pautado pela alta dos preços, considerando a boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês.

Como limitador para altas mais consistentes precisa ser mencionado a menor competitividade da carne bovina se comparado as proteínas concorrentes, em especial se comparado a carne de frango. O baixo poder de compra das famílias direcional o consumo para proteínas mais acessíveis, disse Iglesias.

O quarto dianteiro ainda é cotado a R$ 23,00 por quilo. O quarto traseiro permanece cotado a R$ 28,00, por quilo. Ponta de agulha se sustenta a R$ 21,00, por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,08%, sendo negociado a R$ 4,9929 para venda e a R$ 4,9909 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9717 e a máxima de R$ 4,9957

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Mercado de soja recua no Brasil com pressão de Chicago e dólar abaixo de R$ 5


preço soja cotação saca
Fechamento da soja. Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja registrou mais um dia de pouca movimentação e queda nos preços, refletindo um cenário externo e cambial desfavorável. A combinação entre recuo na Bolsa de Chicago e o dólar abaixo de R$ 5 segue limitando a comercialização no país.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o ambiente atual não contribui para o avanço dos negócios. Apesar de momentos de alta ao longo do pregão, Chicago encerrou o dia no campo negativo, enquanto o câmbio permanece pressionando diretamente as cotações internas.

Com isso, os preços apresentaram recuo, principalmente nos portos, e o spread entre compradores e vendedores continua elevado. A comercialização segue lenta, com vendas concentradas em produtores que precisam fazer caixa. Os prêmios também seguem sem força, o que reforça o cenário de dificuldade.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): caiu de R$ 122,00 para R$ 121,50
  • Santa Rosa (RS): desceu de R$ 123,00 para R$ 122,50
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 117,00
  • Rondonópolis (MT): desceu de R$ 107,00 para R$ 106,50
  • Dourados (MS): desceu de R$ 110,00 para R$ 109,50
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 108,00 para R$ 107,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 127,00
  • Rio Grande (RS): desceu de R$ 128,00 para R$ 127,50

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram a terça-feira (14) em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), refletindo um conjunto de fatores que reforçaram a pressão sobre as cotações. Entre eles, a forte queda do petróleo, influenciada pela perspectiva de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã em meio ao conflito no Oriente Médio, além do bom início do plantio norte-americano e da confirmação de uma safra recorde no Brasil.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou na segunda-feira (13) que o plantio de soja atingiu 6% da área prevista no país. No mesmo período do ano passado, o índice era de 2%, em linha com a média dos últimos cinco anos.

Conab

No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa de produção da safra 2025/26 para 179,151 milhões de toneladas, avanço de 4,5% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas. Na projeção anterior, o número era de 177,85 milhões de toneladas.

Na Bolsa de Chicago, os contratos de soja em grão para maio fecharam em baixa de 4,25 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 11,58 por bushel. O vencimento julho recuou 4,75 centavos de dólar, ou 0,40%, cotado a US$ 11,72 3/4 por bushel.

Entre os subprodutos, o farelo de soja para maio caiu US$ 2,20, ou 0,66%, a US$ 329,70 por tonelada. O óleo de soja também recuou, com baixa de 0,06 centavo, ou 0,09%, a 66,44 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,08%, cotado a R$ 4,9929 para venda e R$ 4,9909 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana variou entre a mínima de R$ 4,9717 e a máxima de R$ 4,9957.

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AgroNewsPolítica & Agro

Brasil dobrou as exportações de soja em grão em março


O mercado brasileiro do complexo soja encerrou a última semana sob pressão de baixa, com recuos nos preços de grão, farelo e óleo no âmbito doméstico. Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação entre maior volume de produto disponível e a apreciação do real frente ao dólar enfraqueceu a posição competitiva das exportações nacionais, puxando as cotações para baixo ao longo dos últimos dias.

No cenário externo, o comportamento foi distinto para cada derivado da soja. A demanda internacional aquecida garantiu sustentação às cotações do farelo e da soja em grão nos mercados globais. O óleo, no entanto, foi o único componente do complexo a registrar desvalorização no exterior, reflexo direto da queda nas cotações do petróleo, que costuma influenciar o comportamento dos óleos vegetais negociados em bolsa.

No campo das exportações, o mês de março trouxe números expressivos para a soja em grão. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 14,51 milhões de toneladas do produto, volume que representa mais que o dobro do registrado em fevereiro — um crescimento de 105,29%. Em relação a março do ano anterior, o resultado ficou marginalmente abaixo, com queda de 0,96%, sinalizando estabilidade no patamar de embarques sazonais.

O farelo de soja foi o destaque positivo do período. Segundo dados divulgados pelo Cepea com base na Secex, as exportações do subproduto totalizaram 1,92 milhão de toneladas em março, configurando um recorde histórico para o mês. O resultado reflete a intensa demanda internacional pelo ingrediente proteico amplamente utilizado na formulação de rações animais, especialmente em mercados europeus e asiáticos.

O óleo de soja, por sua vez, teve desempenho mais fraco no front externo. Os embarques somaram 176,91 mil toneladas em março, representando uma queda de 13,02% frente ao mês anterior. Segundo dados divulgados pelo Cepea, esse recuo está associado ao menor interesse de compradores tradicionais como Índia e Uruguai, além da ausência da China como demandante relevante no período, fatores que reduziram significativamente o fluxo de saída do produto.

O quadro geral do complexo soja brasileiro reflete um momento de equilíbrio frágil entre oportunidades externas e desafios internos. A valorização do real, ao encarecer as exportações em dólar, retira parte do incentivo ao escoamento da produção e pressiona a formação de preço doméstico. 





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Fortalecimento do seguro rural como política de Estado: uma agenda ainda pendente no Brasil


soja seca
Foto: Pixabay

No último artigo, discutimos os limites da intervenção estatal e os riscos de seu uso excessivo — não no sentido de questionar o papel do Estado na correção de eventuais assimetrias do poder de negociação, mas de destacar a necessidade de cautela na adoção de determinados mecanismos, sob pena de produzirem efeitos contrários aos pretendidos.

Pois bem. A reflexão de hoje nos leva ao extremo oposto: um cenário em que a intervenção estatal em determinado tema é conhecida, mas reiteradamente negligenciada. Trata-se da destinação de recursos necessários e suficientes para a subvenção do seguro rural, de modo a ampliar o acesso a esse instrumento tão essencial.

O Projeto de Lei nº 2951/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina, busca aperfeiçoar os marcos legais do seguro rural, conferindo maior previsibilidade ao setor e elevando o instrumento ao status de verdadeira política de Estado.

A proposta aguarda deliberação no plenário, sob relatoria do deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Se, por um lado, o tema avança no Legislativo — ainda que no ritmo próprio do processo legislativo —, por outro, as projeções indicam uma queda de quase 4% na arrecadação do seguro rural em 2026, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

Em um ano marcado por elevada imprevisibilidade — seja pelas tensões geopolíticas, seja pela possibilidade real de intensificação de eventos climáticos extremos —, o enfraquecimento do seguro rural aponta para um cenário ainda mais incerto para o produtor brasileiro.

Essa perda de força decorre, sobretudo, da insuficiência de recursos públicos destinados à subvenção, o que compromete a acessibilidade do produto. Os números ilustram essa realidade. Em 2020, a área agrícola segurada alcançava 13,7 milhões de hectares.

Atualmente, segundo a CNseg, esse número recuou para pouco mais de 3 milhões de hectares — menos de 5% da área total cultivada no país.

Os dados alertam porque quanto menor o número de produtores segurados, mais elevado o custo do seguro em função do maior risco assumido pelas seguradoras. Esse encarecimento preocupa, sobretudo porque o seguro rural é, em muitos casos, condição para a concessão de crédito.

A incerteza desestimula o investimento e, em um setor intensivo em capital como é o caso o agro, a retração dos investimentos tende a se traduzir em perda de competitividade no mercado externo e pressão sobre os preços dos alimentos no mercado interno.

Na mesma semana em que se projetam quedas na contratação do seguro rural — instrumento essencial para mitigar os impactos de eventos climáticos adversos, o Governo Federal anunciou novas subvenções aos combustíveis, superiores a R$ 30 bilhões, com o objetivo de conter a alta de preços. A medida responde a uma urgência conjuntural, mas também evidencia a persistência de um modelo reativo, em detrimento de uma estratégia mais estruturante e preventiva para a produção nacional.

O produtor brasileiro segue enfrentando desafios estruturais relevantes como a elevada dependência de fertilizantes importados, exposição à volatilidade dos preços dos combustíveis — em contraste com o potencial ainda subexplorado dos biocombustíveis — e acesso a crédito cada vez mais oneroso em um ambiente de juros elevados.

Ainda assim, o setor continua a bater recordes de produção, consolidando o Brasil como um dos maiores exportadores agrícolas do mundo.

A conclusão é clara: o agro brasileiro é grande, mas poderia ser ainda maior. O solo é fértil e os produtores são resilientes, enquanto falta maior previsibilidade e segurança por parte do Poder Público. Nesse contexto, o fortalecimento do seguro rural constitui uma necessidade e não mera opção.

Karina Tiezzi - BMJ Consultores

*Karina Tiezzi é gerente de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e consultora em relações governamentais. Atuou como assessora legislativa na Câmara dos Deputados, participou da tramitação de proposições de destaque para o agronegócio, como a chamada MP do Agro e a Lei Geral do Licenciamento Ambiental


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Bancos vão barrar crédito de áreas com desmatamento irregular; entenda


Foto: Canva.
Foto: Canva.

No quadro Direito Agrário desta terça-feira (14), no Giro do Boi, o advogado e professor de direito ambiental, Pedro Puttini Mendes, trouxe um alerta decisivo para o setor produtivo: a regularidade ambiental deixou de ser apenas um argumento ético para se tornar uma condição objetiva de acesso ao capital.

Com as novas diretrizes do setor financeiro, os bancos passam a ter o poder e a obrigação de barrar o financiamento de propriedades que apresentem qualquer indício de desmatamento ilegal ou inconsistência cadastral.

Confira:

A mudança de paradigma em 2026

A grande mudança de paradigma em 2026 é que os bancos agora realizam o cruzamento automático e em tempo real de dados. A regularidade ambiental virou o novo “lastro” do crédito rural. O financiamento será negado sumariamente se o sistema detectar:

O aparecimento de um alerta de satélite ou uma inconsistência no sistema gera um “atrito jurídico” que congela o processo bancário. Cabe ao produtor a responsabilidade de provar sua regularidade.

Conformidade e governança ambiental

Apesar do rigor, a norma (Resolução 5.089 do CMN) prevê caminhos para que o produtor busque a conformidade. Em 2026, a próxima safra não será decidida apenas pela produtividade por hectare, mas pela organização documental. O banco passará a monitorar a propriedade durante todo o período do contrato.

Quem possui o “cadastro limpo” terá o crédito facilitado; quem ignorar a governança ambiental será tratado como um risco financeiro insustentável.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Sentença inédita proíbe abate de jumentos na Bahia


jumentos
Foto: The Donkey Sanctuary/divulgação

O abate de jumentos na Bahia foi proibido pela Justiça Federal do estado em setença assinada nesta segunda-feira (13) pela juíza federal Arali Maciel Duarte.

A decisão da magistrada, considerada histórica por organizações de proteção animal, cita a ocorrência de maus-tratos, falhas sanitárias nos abatedouros localizados na Bahia e o risco de extinção desses animais no Brasil.

A sentença, cujo processo tramita desde 2018, determina a interrupção do abate, além da retirada imediata dos animais de frigoríficos, fazendas e transportes destinados à exploração.

A Ação Civil Pública foi movida pelas organizações The Donkey Sanctuary, União Defensora dos Animais, Rede de Mobilização pela Causa Animal (Remca), Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e SOS Animais de Rua.

Na decisão, a magistrada afirma que ficou comprovado que os animais vêm sendo submetidos a condições de crueldade, especialmente durante o transporte e o confinamento, além de destacar o risco de desaparecimento da espécie no país. O documento também aponta problemas sanitários, incluindo a possibilidade de disseminação de doenças, como o mormo.

Modelo incompatível com a Constituição

O abate de animais é permitido pela legislação brasileira em determinadas circunstâncias, como na fiscalização pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) e no manejo pré-abate, mas a sentença da juíza estabelece que essa prática não pode ocorrer quando há violação de direitos básicos dos animais ou ameaça à preservação da espécie, conforme previsto na Constituição Federal.

A proibição tem efeito em todo o estado da Bahia, principal polo de abate de jumentos no Brasil, e impede a captura, comercialização e confinamento desses animais para essa finalidade.

A advogada e coordenadora da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, Gislaine Brandão, ressalta que a decisão não se estende automaticamente a outros estados e nem prevê o fechamento de frigoríficos, que podem continuar operando com outras espécies dentro da legalidade.

“Trata-se de uma decisão histórica, que reconhece de forma inequívoca a crueldade envolvida nessa cadeia e o risco real de extinção dos jumentos no Brasil. É um passo fundamental para interromper um modelo de exploração insustentável e incompatível com a Constituição”, afirma.

Por se tratar de sentença, decisões judiciais anteriores perdem efeito no caso, incluindo o recurso que a União havia vencido no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em novembro, em Brasília, quando a corte manteve a autorização para o abate de jumentos ao acolher um recurso apresentado pelo governo federal.

À época, a decisão, emitida em 6 de novembro pelo juiz Eduardo Martins, restabeleceu a legalidade da prática.

Gislaine destaca que dados da FAO, do IBGE e do Agrostat mostram que o número desses animais no Brasil despencou 94% entre 1996 e 2024, em uma demonstração de exploração descontrolada que ameaça não apenas a espécie, mas também os meios de subsistência de
comunidades rurais no Nordeste.

O abate de jumentos ganhou força no Brasil a partir de 2018, com a intensificação da exportação de peles para a China, onde o colágeno da pele do animal é extraído para a formulação do eijao, produto da medicina tradicional chinesa que promete vigor sexual e rejuvenescimento, mas que não tem eficácia comprovada pela ciência.

Número de jumentos no Brasil

A divulgação de uma estimativa internacional que aponta a existência de 730 mil jumentos no Brasil reacendeu o debate sobre a real dimensão da população desses animais no país.

Pesquisadores e entidades afirmam que o número está superestimado e pode mascarar o risco de extinção da espécie, especialmente no Nordeste. Uma carta aberta assinada por cientistas e organizações critica os dados e aponta inconsistências metodológicas.

Segundo o grupo, o número mais recente calculado por pesquisadores brasileiros indica cerca de 78 mil jumentos em 2025 — quase dez vezes menos que a projeção divulgada.

A principal crítica recai sobre a origem das estimativas. Os dados utilizados internacionalmente têm como base informações da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que não realiza censos próprios e trabalha com projeções a partir de dados secundários.

Especialistas explicam que, no caso dos jumentos, essas estimativas são ainda mais frágeis. Isso porque a espécie tem menor relevância nas estatísticas globais de produção agropecuária, o que reduz a precisão das informações.

Além disso, o Brasil deixou de divulgar dados oficiais específicos sobre jumentos na Pesquisa da Pecuária Municipal em 2013. Desde então, as projeções passaram a ser feitas com modelos estatísticos, que tendem a suavizar quedas ou oscilações mais bruscas.

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Como uma missão à Lua pode ajudar o produtor rural? Entenda o papel da Artemis II


agricultura espacial
Foto: Freepik

Avanços desenvolvidos para a missão Artemis II, que levou astronautas a um sobrevoo lunar, começam a mostrar potencial de aplicação no campo. Soluções criadas para ambientes extremos, como o espaço, podem contribuir para uma agricultura mais eficiente, resiliente e sustentável no Brasil.

A conexão entre o setor espacial e o agro está no desafio comum de produzir mais com menos recursos. Tecnologias pensadas para garantir a sobrevivência e a produção de alimentos em condições adversas, como na Lua, podem ser adaptadas para regiões agrícolas com limitações climáticas.

Inovação do espaço para o campo

Parcerias entre instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Agência Espacial Brasileira já buscam desenvolver soluções agrícolas voltadas para missões espaciais. O conhecimento gerado, no entanto, tende a retornar à Terra em forma de inovação para o campo.

“Todo esse desenvolvimento que estamos trazendo para a estação lunar, vai poder ser, trazido aqui pro Brasil”, destaca o consultor da Piera consultoria de inovação, Daniel Rodrigues.

Entre as tecnologias com potencial de aplicação estão o cultivo vertical, a agricultura de precisão e o melhoramento genético de plantas, capazes de aumentar a produtividade mesmo em ambientes adversos.

“Entender como que a gente pode trazer uma melhoria genética para sementes, para que a gente consiga cultivar esse alimento num ambiente muito extremo, seja ele na Lua ou aqui no Brasil”, explica Rodrigues.

Uso eficiente de recursos

Um dos principais ganhos está na otimização do uso de água, energia e insumos. No ambiente espacial, cada recurso é limitado, o que exige sistemas altamente eficientes e circulares.

Segundo Rodrigues, essas soluções incluem o uso de energia solar, reaproveitamento de água e aplicação precisa de nutrientes, garantindo que cada planta receba apenas o necessário. Na prática, isso pode reduzir custos e impactos ambientais na produção agrícola.

Adaptação às mudanças climáticas

As tecnologias também podem ajudar o agro a enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Ferramentas como inteligência artificial preditiva e imagens de alta precisão por satélite permitem antecipar problemas, como variações climáticas e ataques de pragas.

“São essas tecnologias que estão sendo utilizadas nas missões espaciais que vão ajudar muito a entender o solo, as regiões mais vulneráveis e trazer uma decisão mais assertiva, por parte do produtor para que ele tenha uma chance maior de sucesso na sua na sua colheita”. destaca Rodrigues.

Com isso, o produtor pode tomar decisões mais assertivas, direcionando investimentos e manejos para áreas com maior potencial produtivo.

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Tocantins registra aumento de 39,2% no rebanho bovino em 10 anos, segundo levantamento


Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

O Tocantins registrou um crescimento de 39,2% em seu rebanho bovino nos últimos dez anos, totalizando 11,6 milhões de cabeças. O estado ocupa atualmente a 9ª posição no ranking nacional da pecuária, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Durante o mesmo período, o rebanho brasileiro cresceu de 212,3 milhões para 238,2 milhões de cabeças, representando um avanço de 12,2%. Esse crescimento foi mais acentuado nas regiões Norte e Nordeste do país.

Crescimento da produção e práticas de manejo

A produção pecuária no Tocantins passou por significativas mudanças, com a redução do ciclo produtivo de quatro anos para cerca de dois anos e meio. Entre as práticas adotadas estão o manejo de solo, rotação de pastagens e sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), visando aumentar a produção por área.

A integração com a agricultura tem avançado especialmente na região do Matopiba, onde há uma atuação conjunta entre a pecuária e a produção de grãos.

Exportações e abate de bovinos no Tocantins

As exportações de carne bovina do Brasil cresceram 135% na última década, com o Tocantins contribuindo com 102 mil toneladas, o que representa 18% da pauta exportadora do estado. Araguaína é responsável por cerca de 30% dessas exportações, atendendo mercados como os estados Unidos.

O estado realiza cerca de 1,3 milhão de abates por ano, com uma média de oito cabeças por habitante. O ciclo de abate foi reduzido para cerca de 24 meses, devido a técnicas de manejo e alimentação mais eficientes.

Os dados foram apresentados pela Federação da Agricultura e Pecuária do estado do Tocantins (FAET), que monitora o desempenho do setor no estado.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Empresário condenado à prisão por golpes em 120 produtores terá de pagar multa milionária


Celso Fruet - preso por golpes em produtores
Foto: Divulgação Polícia Civil Francisco Beltrão

O Ministério Público do Paraná (MPPR) condenou a 16 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão em regime inicial fechado Celso Antônio Fruet, um empresário de 72 anos do ramo de cereais. Ele é acusado de ter aplicado golpes contra pelo menos 120 produtores rurais no munícipio de Campo Bonito, oeste paranaense.

O acusado terá de pagar uma multa equivalente a 592 salários mínimos e de R$ 23,8 milhões às vítimas pelos danos a elas causados, somando, ao todo, quase R$ 25 milhões. O réu está preso desde novembro de 2025, após ficar foragido por quatro meses.

Como funcionava o golpe?

Conforme noticiado pelo Canal Rural em 13 de outubro de 2025, o golpista era proprietário de uma empresa cerealista. Mesmo após vender o seu negócio para uma cooperativa da região, continuou negociando grãos com diversos agricultores, adquirindo e recebendo mercadorias sem realizar os pagamentos. Ao todo, Fruet lucrou ilicitamente R$ 20,3 milhões.

De acordo com as investigações, o réu possuía o negócio há cerca de 30 anos e atuava no ramo armazenando nos silos de sua propriedade sacas de soja e trigo de agricultores.

Os produtos eram comercializados por ele, com os pagamentos feitos posteriormente aos produtores rurais.

Entretanto, em 6 de junho do ano passado, ele assinou contrato de venda de sua empresa para uma cooperativa, mas sem comunicar a transação aos produtores dos grãos.

Vida de luxo e prejuízos para as vítimas

A promotora Ana Carolina Lacerda Schneider detalha que Fruet ostentava uma vida de luxo. “Os extratos bancários revelaram que, enquanto as vítimas enfrentavam prejuízos econômicos, ele mantinha um padrão de vida elevado, incompatível, inclusive, com quem queria pagar os credores, havendo gastos em centros de estética, tecnologia e de lazer, inclusive, no período em que esteve foragido”, afirma.

As vítimas descobriram o golpe no mês seguinte, quando, ao se deslocarem até o estabelecimento comercial do denunciado, descobriram que ele havia encerrado as atividades da empresa e vendido o local.

O réu, agora condenado, estava preso preventivamente e teve a prisão mantida na sentença condenatória.

*Sob supervisão de Victor Faverin

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AgroNewsPolítica & Agro

Estiagem piora safra de milho no Paraná



Clima impacta produção de milho no estado



Foto: Pixabay

O Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), informou em boletim divulgado na quinta-feira (9) que a irregularidade das chuvas tem afetado as lavouras de milho da segunda safra 2025/26 no Paraná. Segundo o órgão, houve nova piora nas condições das plantações ao longo da última semana.

De acordo com o levantamento, a proporção de áreas em boas condições caiu de 91% para 85% dos 2,8 milhões de hectares previstos para o ciclo. “A falta de chuvas regulares no estado vem impactando, semana a semana, as condições das lavouras da segunda safra de milho 2025/26”, aponta o boletim.

O cenário de estiagem levou 16 municípios paranaenses a decretarem situação de emergência. Nessas localidades, foram cultivados 208 mil hectares de milho na segunda safra de 2024, e a expectativa é de área semelhante neste ciclo.

Ainda conforme o Deral, outras regiões do estado também enfrentam irregularidade nas precipitações, o que pode comprometer o desempenho da safra. “Podemos conjecturar que esta safra possivelmente não será cheia e que haverá alguma redução na produção final”, informa o documento.

Apesar do quadro, o órgão destaca que ainda não é possível consolidar estimativas de produção. “Ainda é muito cedo para realizar estimativas concretas, pois um retorno das chuvas pode trazer uma recuperação relevante para as lavouras”, conclui o boletim.





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