sábado, abril 25, 2026
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Clima pode reduzir produtividade no Centro-Oeste


O milho segunda safra no Centro-Oeste brasileiro avança sob condições climáticas adversas, marcadas por chuvas irregulares e temperaturas elevadas, que já começam a afetar o desenvolvimento das lavouras. O cenário, observado nas últimas semanas em estados como Goiás e Mato Grosso do Sul, acende um alerta para possíveis perdas de produtividade em fases críticas do ciclo da cultura.

De acordo com monitoramento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o desenvolvimento do milho segunda safra segue, em geral, dentro de condições consideradas favoráveis, apesar da má distribuição das chuvas e da redução dos volumes em algumas regiões produtoras.

Ainda assim, a irregularidade climática tem provocado respostas distintas entre os estados. Enquanto algumas áreas mantêm bom desenvolvimento, outras já enfrentam limitações hídricas que comprometem o potencial produtivo.

No Mato Grosso do Sul, as chuvas esparsas dificultaram a finalização do plantio em áreas remanescentes. Mesmo com lavouras em bom estado geral, produtores enfrentam aumento da incidência de pragas, como lagartas do gênero Spodoptera e a lagarta-do-cartucho, exigindo intensificação no manejo fitossanitário.

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O principal ponto de atenção está nas regiões sudoeste e sul do estado. Nessas áreas, a combinação de baixos volumes de chuva e temperaturas elevadas tem reduzido os estoques de água no solo. No município de Dourados, estimativas do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO) indicam déficit hídrico persistente ao longo do ciclo, refletindo na perda de potencial produtivo da cultura.

Em Goiás, a umidade residual no solo ainda sustenta o desenvolvimento das lavouras na maior parte do estado. No entanto, o cenário começa a se deteriorar, especialmente nas regiões Sul e Leste. Nessas áreas, a redução das chuvas aliada às altas temperaturas intensifica a perda de água do solo justamente em fases críticas do milho, como floração e enchimento de grãos — períodos de maior demanda hídrica.

No município de Rio Verde, dados do SISDAGRO apontam aumento do déficit hídrico desde março, com impacto direto no rendimento. A estimativa é de perda de 52,6% no potencial produtivo.

A previsão climática para os próximos 15 dias indica manutenção da irregularidade das chuvas no Centro-Oeste.

De acordo com dados divulgados, os maiores volumes — acima de 60 mm — devem se concentrar no noroeste e oeste de Mato Grosso e no centro-sul de Mato Grosso do Sul. Nas demais áreas, os acumulados tendem a ficar abaixo de 40 mm, com possibilidade de volumes inferiores a 10 mm em regiões de Goiás, sudeste de Mato Grosso e Distrito Federal.

As temperaturas máximas devem variar entre 26 °C e 34 °C, podendo ultrapassar esse patamar em algumas áreas. A umidade relativa do ar também deve permanecer baixa, abaixo de 40%, favorecendo a continuidade do déficit hídrico.

O cenário reforça o aumento do risco produtivo para o milho segunda safra, especialmente se a irregularidade das chuvas persistir. A restrição hídrica nas fases mais sensíveis pode comprometer tanto o rendimento quanto a qualidade dos grãos.

 





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