domingo, abril 26, 2026

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Alta da gasolina mantém etanol competitivo em SP, mostra Itaú BBA


Posto de combustível - etanol
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Os preços do etanol hidratado registraram alta no mercado spot de São Paulo entre o fim de março e o início de abril. Dados da Consultoria Agro do Itaú BBA mostram que o biocombustível foi negociado a R$ 3,02 por litro em 31 de março, aumento de 4% em relação aos 30 dias anteriores.

No dia 10 de abril, a cotação chegou a R$ 3,04 por litro, mantendo o movimento de valorização no período.

Oferta e paridade influenciam cotações

Na região de Paulínia, principal polo de comercialização, os preços acompanharam a tendência de alta. O movimento reflete menor disponibilidade do produto, maior firmeza das distribuidoras e melhora da paridade com a gasolina.

O período coincide com a transição para o início da safra 2026/27 no Centro-Sul, com retomada da moagem pelas usinas.

Mercado externo impacta combustíveis

O cenário internacional influenciou o mercado no período. A variação do petróleo, associada a tensões no Oriente Médio, afetou os preços da gasolina no Brasil.

Sem reajustes formais, a gasolina registrou aumento indireto, o que ampliou a competitividade do etanol e sustentou a demanda no curto prazo.

Expectativa para a safra

Para a safra 2026/27, a previsão é de aumento na produção, com crescimento da moagem e maior direcionamento para o etanol no Centro-Sul.

No curto prazo, o mercado segue condicionado às oscilações do setor de energia.

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STF dá ultimato sobre a Moratória da Soja


STF
Foto: Ascom STF

A soja brasileira, motor do PIB nacional, vive um momento de definição. O epicentro é a Moratória da Soja, um pacto que, embora vendido como selo de sustentabilidade, hoje é visto por muitos como uma ferramenta de exclusão que fere a soberania do Código Florestal e o direito à livre concorrência.

O movimento agora é de contagem regressiva. O STF fixou o dia 30 de abril como o prazo final para que as partes entreguem propostas de acordo. Enquanto isso, o Cade já reafirmou seu entendimento de que o pacto tem contornos de prática restritiva e deveria ter sido encerrado no início deste ano, mantendo a pressão sobre a ilegalidade da medida.

A moratória transmite ao mundo a falsa ideia de que o produtor tenta burlar normas, quando o desrespeito ambiental é a exceção

A grande crítica que surge do campo é a penalização injusta. Ao impor regras paralelas ao que já diz a lei brasileira, a moratória transmite ao mundo a falsa ideia de que o produtor tenta burlar normas, quando o desrespeito ambiental é a exceção, não a regra. Cria-se uma sensibilidade negativa: quanto mais se tenta “remediar” um problema inexistente para quem cumpre a lei, mais o produtor paga a conta de uma desconfiança descabida.

O produtor brasileiro já segue uma das legislações ambientais mais rigorosas do planeta. Punir quem está dentro da legalidade é ignorar o esforço de quem preserva e produz.

O Brasil não pode aceitar que acordos privados se sobreponham à soberania das nossas leis.

O encerramento é claro: o Brasil não pode aceitar que acordos privados se sobreponham à soberania das nossas leis. O que se espera do STF e do Cade não é um novo pacto de restrições, mas o respeito definitivo ao Código Florestal. É hora de parar de penalizar quem carrega o país nas costas e reconhecer, de uma vez por todas, a legalidade e a competência do produtor rural brasileiro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Boi gordo acumula alta superior a 13% no ano e lidera valorização na cadeia da pecuária


pará, boi, vaca louca - protocolo
Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

Os preços ao longo da cadeia da pecuária de corte registram movimentos distintos em 2026, com destaque para a valorização mais intensa do boi gordo no acumulado do ano e uma reação recente no atacado. É o que mostram dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que analisou desde o mercado de reposição até a venda de carne.

Considerando o período de janeiro até 17 de abril, o animal pronto para o abate apresentou a maior alta, de 13,32%, superando outras categorias da cadeia. Na sequência, aparece a carne bovina no atacado, com avanço de 9,00%.

Já no recorte específico de abril, o comportamento muda: a carne lidera as valorizações no mês, com alta de 3,38%, seguida pelo bezerro, que acumula ganho de 2,36% no período.

Apesar do avanço mais forte do boi gordo no acumulado do ano, os dados revelam diferenças importantes entre os elos da cadeia. O bezerro segue com os preços mais elevados, reflexo da oferta mais restrita de animais para reposição. Enquanto isso, boi magro e boi gordo operam em níveis intermediários.

No segmento final, a carcaça casada no atacado da Grande São Paulo indica uma recomposição de margens, sinalizando melhora nas condições para o setor frigorífico.

De acordo com o Cepea, esse cenário aponta para um ajuste gradual entre oferta e demanda, com pressão maior sobre os preços dos animais terminados ao longo do ano e uma reação mais recente no mercado atacadista durante abril.

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AgroNewsPolítica & Agro

Justiça libera cobrança de imposto sobre exportação de petróleo



Justiça autoriza imposto de 12% sobre exportação de petróleo após suspensão


Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta sexta-feira (17) que a Justiça Federal no Rio de Janeiro suspendeu a decisão que proibiu a cobrança da alíquota de 12% de imposto sobre a exportação de petróleo.

A decisão foi proferida pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), desembargador Luiz Paulo da Silva Araújo Filho.

O magistrado concordou com os argumentos apresentados pela AGU, que alegou que a proibição de cobrança pode causar grave lesão à economia.

A cobrança do imposto foi questionada na Justiça por cinco empresas multinacionais de petróleo: Total Energies (França), Repsol Sinopec (Espanha e China), Petrogal (Portugal), Shell (anglo-holandesa) e Equinor (Noruega).

“As impetrantes possuem plena capacidade econômica para arcar com a exigência tributária, bem como poderão pleitear repetição de indébito, caso a juridicidade da exigência não se confirme ao final”, decidiu o desembargador.

A cobrança de 12% de Imposto de Exportação consta na Medida Provisória (MP) 1.340/2026, publicada em 12 de março.

A MP foi editada pelo governo federal como uma tentativa de conter a escalada no preço de derivados de petróleo no país, notadamente o óleo diesel, em meio à guerra no Oriente Médio, que levou distúrbios à cadeia produtiva do petróleo, diminuindo a oferta do óleo.





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Tiradentes: feriado será de calor no país e chuva em duas regiões; veja quais


Chuva; calor
Foto: Pixabay

O feriado de Tiradentes nesta terça-feira (21) será marcado por temperaturas elevadas em grande parte do país e chuva em áreas do Norte e do Nordeste. A atuação de sistemas atmosféricos mantém o tempo estável no Sudeste e provoca pancadas isoladas em outras regiões.

Confira a previsão por região:

Sul tem pancadas isoladas

Na Região Sul, uma frente fria se afasta para o oceano no feriado, mas ainda provoca pancadas de chuva isoladas no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. As precipitações ocorrem em pontos específicos e não impedem atividades ao ar livre.

Sudeste com tempo estável

No Sudeste, o sol predomina no feriado. A atuação de um sistema de alta pressão mantém o tempo sem chuva em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. As temperaturas seguem elevadas ao longo do dia.

Centro-Oeste registra calor e pancadas

No Centro-Oeste, o feriado terá calor em todos os estados. Há previsão de pancadas de chuva no Mato Grosso do Sul por causa da passagem de uma frente fria. Em Mato Grosso, a chuva ocorre em áreas do oeste e sul. Goiás e o Distrito Federal seguem sem previsão de precipitação.

Nordeste tem chuva em várias áreas

No Nordeste, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mantém a chuva no norte da região. Há precipitação no Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. No litoral leste, a circulação de ventos favorece pancadas em capitais como Salvador, Recife e João Pessoa.

Norte segue com instabilidade

Na Região Norte, a presença de umidade e da Zona de Convergência Intertropical mantém pancadas de chuva em todos os estados. Há possibilidade de volumes elevados em áreas como Amazonas, Pará e Amapá ao longo do feriado.

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Mulheres empreendem em bioeconomia e mudam de vida no Sudoeste do Pará


Em Paraupebas, no sudeste do Pará, a força criativa de mulheres tem transformado vidas. Seja com a produção de mel, cerâmica ou de biojoias feitas com sementes, essas mulheres mostram que é possível liderar negócios aliando a realização pessoal com a valorização cultural da região, a preservação da floresta e a geração de renda.

Essas mulheres vivem próximas à Floresta Nacional de Carajás e à maior mina de ferro a céu aberto do mundo. E é ali que elas vêm coletando materiais para suas produções e conquistando também sua independência financeira, além de um papel de protagonismo na comunidade.

Uma dessas iniciativas impulsionadas por mulheres é a Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA). A associação existe há cerca de dez anos e trabalha tanto com mel proveniente da apicultura, com as abelhas mais conhecidas, quanto da meliponicultura, que consiste na criação de abelhas sem ferrão, que são resgatadas de zonas de supressão.

O incentivo à criação de abelhas contribui não só para a preservação da natureza como também oferece alternativas de geração de renda para essas mulheres.

“A gente só sabia passar e cozinhar”, contou Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras da associação. “Mas, quando colocaram essa ideia nas nossas cabeças, de que a gente podia fazer outras coisas fora de casa, abraçamos. Isso foi nos transformando. Até saímos para estudar”.

A fundadora conta que voltou a estudar com 51 anos e que muitas dessas mulheres eram analfabetas.

“Saímos de dentro da cozinha, de dentro daquela vida que era só a mesma, e hoje estamos empreendendo e, para nós, isso é muito gratificante”, ressaltou.

Agora, diz Ana Alice, elas já não têm mais tempo para cuidar dos afazeres domésticos. “Mudou tudinho. A gente não tem mais muito tempo para cozinhar, não. Nem para organizar a casa”.

A AFMA é composta atualmente por 23 famílias, reunindo tanto mulheres quanto homens. À semelhança das colmeias, as fêmeas cuidam dos principais afazeres desse trabalho, como cuidar das finanças e de envasar, rotular e colocar o preço no produto.

“Os homens vão para o apiário, mas quem administra são as mulheres”, disse Ana Alice, que já foi presidente da associação. “A gente vai organizando todo mundo e fazendo o que é melhor para produzir e para aumentar essa produção, assim como as abelhas fazem”, destacou.

Só no ano passado, mais de 2 milhões de pequenos negócios abertos no Brasil foram liderados por mulheres. Os dados são do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados da Receita Federal.

Segundo esse levantamento, quatro entre cada dez pequenos negócios abertos no país em 2025 foram criados por mulheres, superando em mais de 320 mil o verificado no ano anterior.

Em entrevista à Agência Brasil, a gerente da Unidade de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae no Pará, Renata Batista,  destacou que o número de mulheres donas de negócios passou de 8,2 milhões, em 2015, para 10,4 milhões, em 2025 – um crescimento de 27% em dez anos, acima do avanço observado entre os homens.

“Isso acontece por uma combinação de fatores: maior escolarização feminina, a busca por autonomia financeira, a necessidade de geração de renda e a ampliação do acesso à formalização, especialmente via MEI [microempreendedor individual]. Ao mesmo tempo, o empreendedorismo tem sido uma porta de entrada para as mulheres transformarem o conhecimento, o talento e o vínculo com o território e o negócio”, acrescentou.

Apesar desse crescimento, as mulheres ainda não representam nem metade dos novos pequenos empreendimentos abertos no país. No estado do Pará, por exemplo, apenas 37,6% das pequenas empresas criadas em 2025 eram lideradas por mulheres.

Mesmo com dificuldades, essas mulheres vêm buscando abrir espaços nesse mercado, contando com apoio do Poder Público ou de empresas privadas.

Diretora de soluções baseadas na natureza da mineradora Vale, Patricia Daros, afirma que os negócios tocados por mulheres extrapolam a questão da geração de renda, levantando também a questão de empoderamento feminino que começa a ser mais percebido. Na mineradora, 30% dos 50 projetos de bioeconomia apoiados recentemente são liderados por mulheres.

“A gente começou a perceber, desde quando a gente começou esse trabalho [de fomento], uma mudança do ponto de vista desse perfil de quem está à frente desses negócios, e as mulheres começaram, de fato, a aparecer um pouco mais ultimamente, principalmente em negócios relacionados à bioeconomia”, destacou.

Emancipado em 10 de maio de 1988, após plebiscito que o desmembrou de Marabá, o município de Parauapebas tem nome de origem tupi, que significa “rio de águas rasas”. Sua formação populacional é resultado de intenso fluxo migratório, impulsionado pela descoberta e exploração de minérios na Serra dos Carajás, a partir da década de 1960.

Hoje, a mineração responde por boa parte da economia, com destaque para o minério de ferro, mas também cobre, manganês, níquel e ouro.

Apesar da mineração, têm crescido na cidade projetos de bioeconomia, como o que transforma mais de 100 tipos de sementes em biojoias que misturam arte e sustentabilidade.

Secretária da Associação Preciosidades da Amazônia e futura presidente da Cooperativa de Trabalho Artesanal da Amazônia, Luciene Padilha, contou que a associação impacta não só a vida financeira, mas também a parte social, econômica e emocional das 12 mulheres participantes.

“Quando fizemos o curso, éramos mulheres em situação de vulnerabilidade, mulheres que não saíam de casa porque tinham medo. Seus provedores diziam: ‘você não sabe, você não pode’. Hoje elas já se posicionam, já se sentem mais fortalecidas e trabalham com empreendedorismo feminino”, comemorou.

A Associação Preciosidades da Amazônia tem apoio da prefeitura, da Vale, do Sebrae e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Tesoureira do grupo, Sandra Brasil explicou que é da natureza que elas extraem as sementes e também sua renda.

“Nós trabalhamos com materiais vegetais e tudo o que a natureza nos permite usar. Nós estamos com um tesouro na mão. Não é só ouro e prata que são tesouros. Nós aprendemos a reconhecer a natureza como o verdadeiro tesouro da humanidade”, destacou.

Após terem aprendido a confeccionar suas peças, essas artesãs agora têm sido mentoras de novas gerações de empreendedoras. “Quando nós saímos da sala de aula, já saímos com conhecimento suficiente para repassar [para outras pessoas]. Hoje em dia, todas nós vamos para a sala de aula. Já demos até oficinas”, ressaltou.

As biojoias produzidas por essas artesãs têm fortalecido a economia local e contribuído para o sustento de muitas famílias. Mais do que contar histórias, essas peças têm fortalecido laços e também ajudado a preservar a Amazônia.

Para Renata Batista, projetos desse tipo são estratégicos porque mostram, na prática, que é possível gerar renda com a floresta preservada, agregando valor à biodiversidade, ao conhecimento local e a cultura brasileira.

“No caso das biojoias, ainda há um componente muito forte de identidade e diferenciação. O Sebrae aponta que esse mercado vem ganhando espaço porque une materiais naturais, processo artesanal e valorização de histórias, crenças e tradições do país”.

Já o grupo Mulheres de Barro, formado por ceramistas de Parauapebas, surgiu durante a implantação do projeto Salobo, maior projeto de exploração de minério de cobre do país, tocado pela Vale no interior da Floresta Nacional do Tapirapé-Aquiri (Flonata), em Marabá.

Durante o projeto Salobo, foram encontrados artefatos arqueológicos presentes na floresta e que datam de 6 mil anos atrás. E foi a partir dos trabalhos de prospecção e de salvamento arqueológico desses artefatos, conduzidos pelo Museu Paraense Emílio Goeldi e pela Vale, que o grupo se formou. Em oficinas de educação patrimonial, essas mulheres conheceram a história local e tiveram acesso a ensinamentos sobre a cerâmica, o que permitiu que criassem peças inspiradas nesse passado.

Nessas oficinas, elas aprenderam que a cerâmica produzida pelos povos que habitavam as proximidades do Rio Itacaiúnas e seus afluentes eram utilizadas para rituais ou como objetos de uso cotidiano. Desde então, a partir dessa memória, essas artesãs começaram a produzir novas histórias e a moldar peças contemporâneas com referências arqueológicas.

As formas e grafismos dessas novas peças são inspiradas nos vestígios recuperados nesses sítios arqueológicos da Serra dos Carajás. Já a base da pintura são pigmentos provenientes de minerais da região, como minério de ferro, manganês e argilas coloridas.

Presidente do Centro Mulheres de Barro, Sandra dos Santos Silva contou que, depois de 2002, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) incluiu no processo de licenciamento das pesquisas arqueológicas uma obrigação de fazer educação patrimonial para informar a comunidade do entorno sobre os resultados.

“E foi aí que eu digo que o universo conspirou a nosso favor, porque a gente estava buscando isso: participamos dessa formação durante seis anos. A gente não sabia fazer cerâmica, aprendemos do zero”, contou ela, que lidera uma cooperativa formada por 18 mulheres e quatro homens, que não só fabricam peças como também ministram cursos e oficinas.

Agora, essas mulheres ajudam a preservar a memória ancestral da região e também a floresta onde esses vestígios de cerâmicas foram encontrados. Para isso, elas deixam de coletar a argila diretamente da natureza, o que seria um processo degradante, para utilizar sobras de construções para a produção de suas peças.

“Com essa ideia de sustentabilidade, observamos que sempre há sobra [de argila] em todas as construções na cidade. Era uma quantidade imensa de argila descartada. A gente usa esse descarte das obras para fazer um processo de peneiramento da argila: a gente dilui, peneira, bate numa betoneira, dilui muito bem, coloca para decantar e aí vai tirando a água até ela ficar na consistência de um açaí do grosso. Daí, coloca para desidratar até chegar ao ponto de modelagem”, explicou Sandra.

Por meio desses trabalhos, o Centro Mulheres de Barro vem mudando a vida de várias mulheres de Parauapebas. E esse conhecimento ancestral, que chegou às fundadoras do Mulheres de Barro, agora começa também a ser repassado para as novas gerações.

“Eu nunca tinha mexido com barro. Mas agora me sinto muito feliz”, contou Maria do Socorro Assunção Teixeira, 62 anos, uma das fundadoras do grupo. “Agora eu me vejo como multiplicadora de conhecimento. Nós passamos [esse conhecimento] para outras pessoas”, ressaltou.

Essas pequenas iniciativas lideradas por mulheres no Pará são exemplos de projetos de bioeconomia, um modelo econômico baseado no uso sustentável de recursos naturais.

“Quando uma mulher lidera um negócio de economia no território amazônico, ela não está apenas vendendo um produto, mas ela está ajudando a construir uma economia mais enraizada no território, com mais identidade, mais valor agregado e mais capacidade de distribuir renda localmente”, destacou a gerente do Sebrae no Pará.

“Negócios como biojoias, artesanato de base sustentável, cosméticos naturais e outros produtos da sociobiodiversidade mostram que a Amazônia pode ser também o espaço de inovação econômica baseada em ativos da floresta e não só em atividade de baixo valor local”, acrescentou.

Além desses projetos serem sustentáveis, eles também fortalecem as tradições locais e as cadeias produtivas. Na Amazônia, os resultados positivos dessa forma sustentável de negócio têm atraído, cada vez mais, investimentos de governos e da iniciativa privada.

Todos os projetos citados nesta matéria, por exemplo, receberam apoio do Fundo Vale, associação sem fins lucrativos mantida pela mineradora e que busca acelerar negócios de impacto que valorizam a floresta em pé e o uso sustentável da terra.

“Quando a Vale lançou o Fundo Vale, nós olhamos numa perspectiva de pensar essa economia da floresta numa lógica mais justa e de desenvolvimento territorial. Já aportamos mais de R$ 430 milhões em mais de 146 iniciativas na região”, destacou Patricia Daros.

A cada ano, essa bioeconomia da sociobiodiversidade tem movimentado R$ 13,5 bilhões no estado do Pará, impulsionada por cadeias produtivas ligadas à floresta, aos rios e à agricultura familiar. No entanto, esses negócios ligados à biodiversidade, principalmente os tocados por mulheres, ainda enfrentam algumas dificuldades para se manterem em pé.

“Há desafios que são comuns a qualquer empreendedor, como acesso ao mercado, gestão financeira, capital de giro, planejamento e competitividade. Mas, no caso das mulheres, existem ainda barreiras adicionais. O Sebrae destaca que, logo que elas abrem os negócios em proporções semelhantes às dos homens, mesmo elas sendo em média mais escolarizadas, esses empreendimentos tendem a faturar menos”, disse Renata Batista.

Além disso, ressaltou ela, as mulheres tendem a ter mais dificuldade de acesso ao crédito e enfrentam sobrecarga no trabalho, pois tendem a acumular outras atividades relacionadas a afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, o que afeta o tempo disponível para qualificação, gestão, capacitação e expansão do negócio.

Por isso, o Sebrae destaca que, para que um negócio relacionado à sociobiodiversidade possa dar bons frutos, é necessário não só produzir bem, mas também estruturar bem a cadeia, a comercialização do produto e o financiamento para o projeto – que deve ser compatível com a realidade no campo.

Para fortalecer esses projetos de bioeconomia, o governo federal apresentou recentemente o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). Um dos eixos desse plano é voltado para projetos relacionados à sociobioeconomia e os ativos ambientais.

*A repórter viajou a convite da Vale.





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Exportações de carne bovina desaceleram


Segundo informações divulgadas pela Abrafrigo, o ritmo de crescimento das exportações brasileiras de carne bovina desacelerou em março de 2026 na comparação com os meses anteriores. Ainda assim, o setor registrou avanço expressivo nas receitas, impulsionado pela valorização dos preços no mercado internacional.

Dados compilados pela associação mostram que os embarques de carne bovina in natura totalizaram 233,79 mil toneladas em março, alta de 8,95% frente ao mesmo mês de 2025. Apesar do crescimento, o desempenho ficou abaixo dos registrados em janeiro e fevereiro, quando os aumentos foram mais robustos.

Por outro lado, a receita atingiu US$ 1,36 bilhão no mês, avanço de 29,14% na comparação anual. O movimento reflete a valorização da proteína brasileira no exterior, influenciada pela alta da arroba do boi gordo e pela variação cambial.

No consolidado do setor — incluindo carne industrializada e subprodutos — o faturamento chegou a US$ 1,476 bilhão em março, mesmo com recuo de 6,65% no volume total embarcado.

Primeiro trimestre mantém crescimento

No acumulado de janeiro a março, as exportações totais do setor alcançaram US$ 4,32 bilhões, crescimento de 32,29% em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, o avanço foi de 10,98%, somando 827,64 mil toneladas.

Considerando apenas a carne bovina in natura, o desempenho foi ainda mais expressivo:

– Receita: US$ 3,98 bilhões (+37,45%)

– Volume: 700,98 mil toneladas (+19,92%)

O preço médio da tonelada exportada também subiu, chegando a US$ 5.642 — alta de 14,61% na comparação anual.

A China manteve a liderança entre os destinos da carne bovina brasileira no primeiro trimestre, com compras de US$ 1,816 bilhão e participação superior a 45% nas receitas. O volume embarcado ao país asiático cresceu 39,35%, totalizando 325,68 mil toneladas.

Mercados que apresentaram crescimento:

– Estados Unidos: alta de 60,96% em receita

– União Europeia: crescimento de 29,48%

– Chile, Rússia e México: aumentos expressivos tanto em volume quanto em valor

O cenário indica uma diversificação da demanda internacional, mesmo com a forte dependência do mercado chinês. Apesar dos números positivos, o setor enfrenta um contexto de comparação desafiador. Os resultados de 2025 foram marcados por recordes sucessivos, o que reduz a expectativa de manutenção de taxas elevadas de crescimento ao longo de 2026.

Além disso, a redução no ritmo de expansão do volume pode indicar um ajuste natural do mercado, enquanto os preços seguem sustentando o faturamento.

 

 

 

 

 





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Milho avança, mas clima limita operações


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (16), a colheita de milho avançou de forma parcial no Rio Grande do Sul, condicionada pela recorrência de chuvas e pela priorização de outras culturas mais sensíveis após a maturação. Ainda assim, na maior parte das regiões, os trabalhos estão em fase final ou já concluídos, atingindo 86% da área cultivada. “A colheita de milho evoluiu de forma parcial, condicionada principalmente pela recorrência de precipitações no período e pela priorização operacional de outras culturas mais sensíveis às intempéries após a maturação”, informa a Emater/RS-Ascar.

Segundo a Emater/RS-Ascar, ainda restam lavouras implantadas fora da janela preferencial, nas quais a reposição hídrica tem contribuído para a manutenção do potencial produtivo, apesar dos impactos anteriores provocados por déficit hídrico e temperaturas elevadas durante o período reprodutivo. Essas condições afetaram o número de grãos por espiga e a massa dos grãos. “Observa-se variabilidade produtiva, mas, nas áreas colhidas, predominam grãos com boa qualidade”, aponta o relatório, que também registra perdas localizadas associadas ao atraso na colheita e à elevada umidade.

O levantamento destaca que, em lavouras ainda em desenvolvimento, principalmente da segunda safra, persistem riscos fitossanitários relacionados à ocorrência de pragas e à possibilidade de comprometimento da qualidade dos grãos em função da umidade. A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares, com produtividade média estadual de 7.424 kg por hectare.

Na região administrativa de Bagé, o avanço da colheita foi limitado pelas precipitações, e a elevada umidade dos grãos tem levado produtores a adiar as operações para evitar perdas na armazenagem. Em Caxias do Sul, mais de 60% da área foi colhida, com produtividades entre 7.200 e 9.000 kg por hectare e qualidade considerada adequada. Já em Frederico Westphalen, as lavouras de safrinha apresentam desenvolvimento heterogêneo em função da irregularidade hídrica.

Na região de Pelotas, 43% da área foi colhida, mas as chuvas continuam restringindo o tráfego de máquinas e elevando a umidade dos grãos. Em Santa Rosa, a colheita alcança 94% da área, restando pequenas parcelas em desenvolvimento, com registros de ataques de pássaros, incidência de fungos e casos de germinação precoce dos grãos, além de ocorrência de cigarrinha em alguns municípios. Em Soledade, 62% da área foi colhida, enquanto as lavouras implantadas em períodos intermediários e tardios seguem em fases de florescimento, enchimento de grãos e maturação.





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RS registra estabilidade nas exportações avícolas


O desempenho das exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul neste primeiro trimestre foi marcado por movimentos distintos entre os períodos. Enquanto o mês de março apresentou crescimento de 12% no volume embarcado em comparação ao mesmo mês de 2025, passando de 63 mil toneladas no ano passado para 70 mil toneladas neste ano, o volume das exportações no acumulado do trimestre registrou leve retração de -0,3% frente ao ano anterior, resultado que reflete estabilidade e retomada de mercados.

Em termos de receita, o desempenho foi positivo tanto no mês quanto no acumulado do ano, evidenciando a importância do produto avícola gaúcho nos países importadores. Em março deste ano, as exportações de carne de frango apuraram receita de US$ 135.1 milhões, crescimento de 21,9% em relação aos US$ 110.8 milhões registrados no mesmo mês de 2025. No consolidado do primeiro trimestre, o faturamento atingiu US$ 362.2 milhões, alta de 6,3% frente aos US$ 340.8 milhões obtidos no mesmo período do ano anterior, refletindo a valorização do produto no mercado internacional.

Segundo o presidente executivo da Organização Avícola do RS (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, o desempenho demonstra o valor da indústria avícola gaúcha nos países importadores. “A carne de frango produzida aqui no Estado segue valorizada no mercado internacional, impulsionada pela demanda global, por questões sanitárias em outros países e a fidelização de muitos importadores, que ao fim dos embargos, voltaram com muito “apetite” a comprar nosso produto”, afirma.

O setor está muito atento aos efeitos da crise no Oriente Médio, que tem elevado o custo de produção.

Mercado de Ovos do RS apresenta aumento expressivo nas exportações

No segmento de ovos, as exportações do Rio Grande do Sul totalizaram 1.730 toneladas no primeiro trimestre, volume 45,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, com 1.188 toneladas embarcadas. Com este expressivo aumento nos volumes exportados, a receita apresentou crescimento de 78,1%, alcançando US$ 6.8 milhões, contra os US$ 3.8 milhões do ano passado, refletindo a valorização do produto no mercado internacional e a recomposição gradual da demanda externa de mercados relevantes.

Santos avalia que a manutenção de mercados estratégicos reforça as perspectivas positivas no setor da indústria e produção de ovos gaúcha. “A retomada das exportações de ovos, especialmente para destinos tradicionais, reafirma o Rio Grande do Sul no comércio internacional e traz boas perspectivas de crescimento ao longo do ano, acompanhando a demanda externa e a crescente valorização do produto avícola gaúcho”, destaca.

Brasil: Mesmo com crise no Oriente Médio, exportações de carne de frango crescem 6% em março

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 504,3 mil toneladas em março, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número supera em 6% o total exportado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 476 mil toneladas.

A receita mensal das exportações também registrou recorde. Ao todo, foram US$ 944,7 milhões em março deste ano, número 6,2% maior em relação aos US$ 889,9 milhões no mesmo período de 2025.

No ano (janeiro a março), o volume embarcado pelo setor chegou a 1,456 milhão de toneladas, superando em 5% o total exportado no primeiro trimestre de 2025, com 1,387 milhão de toneladas. O crescimento é ainda mais expressivo em receita, com US$ 2,764 bilhões neste ano, resultado 6,9% maior em relação ao ano anterior, com US$ 2,586 bilhões no ano passado.

Exportações brasileiras de ovos

O mercado externo para a indústria brasileira de produção de ovos, no total acusou recuos em volumes e receitas no trimestre, conforme quadro abaixo. Isso, se deve ao reposicionamento e planejamento de produção e volumes comercializados de alguns estados que certamente irão retomar os níveis médios exportados no decorrer dos últimos meses.





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AgroNewsPolítica & Agro

Comissão aprova projeto que prevê apreensão de veículo por transporte irregular de animais vivos


17/04/2026 – 16:52  

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que autoriza a apreensão de veículos de transporte de animais vivos em desacordo com normas de segurança e bem-estar.

Pela proposta, veículos que não atenderem aos requisitos técnicos – como ventilação adequada, proteção contra temperaturas extremas e resistência compatível com o peso dos animais – serão apreendidos. Os requisitos se referem ao transporte de animais classificados como “de produção, de interesse econômico, de esporte, de lazer ou de exposição”.

Em caso de apreensão do veículo, os animais devem ser encaminhados imediatamente a locais adequados, até que o reembarque seja realizado.

Manutenção e cuidado

O texto estabelece ainda que o transportador e o contratante responderão por todos os custos gerados, como despesas com manutenção e cuidado com os animais durante a apreensão do veículo.

A comissão aprovou o substitutivo do relator, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), para o Projeto de Lei 173/23, dos deputados Delegado Matheus Laiola (União-PR) e Delegado Bruno Lima (Pode-SP).

O projeto original estabelecia uma lista detalhada de 14 requisitos técnicos que os veículos deveriam seguir, como a obrigatoriedade de sistemas de ventilação, fornecimento de água e espaço suficiente para os animais permanecerem em pé. No entanto, a versão do relator não traz essas regras, que já constam em resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e do Ministério da Agricultura.

“Todas as regras listadas já fazem parte do arcabouço jurídico relacionado ao tema”, disse Ayres, ao defender que a inovação real do projeto deve ser a inclusão da apreensão no rol de medidas administrativas do Código de Trânsito.

Próximas etapas

A proposta será ainda analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

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Reportagem – Murilo Souza

Edição – Pierre Triboli





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