sexta-feira, março 27, 2026

Agro

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Programa vai incentivar plantio de frutos tropicais para recompor áreas degradadas



O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) lançou durante a COP30, em Belém, o Programa Florestas Produtivas, que visa apoiar o agricultor familiar a recompor áreas florestais degradadas com espécies produtivas que lhe forneça retorno financeiro.

Para tanto, o cultivo de açaí, cupuaçu, cacau, dendê, copaíba e andiroba serão incentivados. De acordo com o Paulo Teixeira, titular da pasta, a lucratividade do açaí, por exemplo, tem se mostrado até cinco vezes superior do que a da soja.

“Queremos devolver o papel das florestas para a produção de água, chuva, biodiversidade e economia para os agricultores. São espécies que trazem resultado econômico para o agricultor muito maior do que a agricultura de baixa produtividade que, inclusive, levou à degradação de uma parte dessas áreas [que estão degradadas]”, disse Teixeira.

Além disso, o ministro acrescentou que o agricultor também pode recuperar áreas com culturas de ciclo mais curto, a exemplos da banana, do maracujá, abacaxi, da melancia e da abóbora.

O Programa Florestas Produtivas estará ancorado nos recursos que já estão disponíveis ao agricultor familiar, como os do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), somando cerca de R$ 700 milhões, juros de 0,5% e descontos de até 40% na aquisição de determinados maquinários.

Exemplo disso é a compra do Açaí Bolt, robô que escala o açaizeiro e que custa em torno de R$ 19 mil. Se adquirido com recursos do Pronaf, seu preço cai para R$ 12 mil. “O resultado da colheita do açaí dará ao produtor a oportunidade de pagar rapidamente esse financiamento. O MDA tem buscado investir via Finep, Embrapa e CNPQ para que o agricultor tenha maneiras de diminuir a penosidade de seu trabalho”, destacou Teixeira.

O ministro enxerga no fomento à tecnologia e também no estabelecimento de cooperativas e agroindústrias na região Norte do país os elementos capazes de manter o jovem no campo e, assim, dar continuidade à sucessão familiar.

“Estamos enviando ao Congresso Nacional uma proposta de um sistema único de assistência técnica e extensão rural que fortaleça as empresas estaduais de assistência técnica e ajude a ter uma transmissão de conhecimento por parte da Embrapa e das universidades para o ambiente da agricultura familiar”, complementou.



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Agrodefesa abre prazo para regularização de cadastros no Sidago



A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) abriu o prazo para que produtores rurais e profissionais do setor em Goiás regularizem o cadastro no Sistema de Defesa Agropecuária (Sidago). O período vai até 30 de novembro de 2025.

A medida é direcionada apenas a usuários que compartilham o mesmo e-mail dentro da plataforma. A partir do dia 1º de dezembro, contas com e-mails repetidos serão bloqueadas até a regularização dos cadastros, ou seja, até que sejam informados endereços eletrônicos únicos, pessoais e intransferíveis, dentro do sistema.

O usuário será alertado pelo próprio sistema sobre a necessidade de corrigir seu cadastro. Ao acessar o Sidago, ele receberá um aviso de segurança.

Segundo o diretor de Gestão Integrada da Agrodefesa, Renan Willian, parte dos produtores tem a prática de delegar a alguém, em geral parente ou prestador de serviço, a responsabilidade de acessar o sistema para prestar informações ou emitir documentos.

“Há uma forma correta de fazer isso, que é cadastrando uma procuração e acessando o Sidago com a chamada ‘senha de procurador’. Quem presta esse serviço, seja parente ou profissional da área, deve ter essa senha e login próprio. O produtor jamais deve cadastrar na sua conta e-mail que não seja o seu ou fornecer seus dados de login a outra pessoa”, orienta.

Violação das diretrizes de segurança

O diretor de Defesa Agropecuária da Agência, Rafael Vieira, reforça que quem cadastra e-mail de outra pessoa na própria conta ou compartilha informações de login está colocando em risco o seu próprio patrimônio, além de violar as diretrizes de segurança do Sidago.

“Nosso sistema é reconhecido nacionalmente por sua qualidade e eficiência. Para manter isso, precisamos avançar cada vez mais e fechar todas as portas para possíveis irregularidades. Estamos dando mais um passo nesse sentido com esta ação de regularização de cadastros”, afirma.

Bloqueio do acesso

Até 30 de novembro, a correção do e-mail no Sidago poderá ser feita de forma remota ou presencial.

Já a partir do dia 1º de dezembro, com o bloqueio do acesso ao sistema, o produtor deverá comparecer em uma das unidades da Agrodefesa espalhadas por 237 municípios goianos ou optar pelo login com as credenciais do GOV.BR, já que os sistemas são integrados.

Mesmo se houver o bloqueio do acesso, ele ainda terá a opção de emitir sua GTA (Guia de Trânsito Animal) e realizar outros procedimentos vinculados ao Sidago presencialmente nos escritórios da Agrodefesa.

Confira o passo a passo para alterar e-mail no Sidago

  • Acesse o Sidago e vá para a barra superior. Clique no avatar localizado à direita da tela.
  • Selecione a opção “Minha Conta”.
  • Informe o novo e-mail no campo indicado. Clique em “Alterar”.
  • Pronto! Seu e-mail cadastral foi atualizado com sucesso.

Dúvidas

Em caso de dúvidas, procure a unidade local da Agrodefesa, envie e-mail para [email protected], ligue (62) 3201-8629 ou mande mensagem para (62) 98164-0673.



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Produção de cana em São Paulo cai 5,2% com impacto do clima



A nova safra de cana-de-açúcar em São Paulo deve ser menor que a anterior. A redução está ligada à falta de chuva e às geadas registradas no inverno. O levantamento foi elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Apesar do avanço da área colhida, os canaviais perderam vigor ao longo do ciclo. A combinação de déficit hídrico e temperaturas baixas interrompeu o desenvolvimento das plantas e reduziu a quantidade de açúcares.

Safra paulista: menor produtividade e mudança no mix

A produção paulista está estimada em 335,3 milhões de toneladas, queda de 5,2% frente à safra 2024/25. A produtividade deve recuar 5,4%, alcançando 75,77 mil quilos por hectare, mesmo com um leve aumento da área colhida para 4,43 milhões de hectares.

O ATR médio, indicador que mede o teor de açúcares da cana, está projetado em 134,9 kg por tonelada, resultado 3% abaixo do visto no ciclo anterior. Técnicos da Faesp apontam que as condições climáticas adversas limitaram a formação desses açúcares, apesar de alguns momentos favoráveis no campo.

A safra também apresenta maior direcionamento da cana para etanol, principalmente a partir de setembro, quando a queda das cotações internacionais do açúcar e a valorização do biocombustível alteraram o mix. Mesmo assim, a projeção para a produção paulista de etanol indica retração de 15,5%, somando 11,44 bilhões de litros — 6,4 bilhões de hidratado e 5,1 bilhões de anidro. Já o açúcar deve alcançar 26,7 milhões de toneladas, alta de 2,6% sobre o ciclo anterior.

Reflexos no cenário nacional

O quadro climático de 2024, marcado por déficit hídrico, calor intenso e registros de incêndios na região Centro-Sul, também deve limitar a produção nacional. A Conab estima 666,4 milhões de toneladas para a safra 2025/26, recuo de 1,6% na comparação anual. A produtividade média deve cair 3,8%, chegando a 74.259 kg/ha, mesmo com aumento de 2,4% na área colhida.

A produção de açúcar no país está projetada em 45 milhões de toneladas, alta de 2%, com São Paulo respondendo por 59,3% desse volume. Já o etanol total — que inclui o etanol de cana e o de milho — deve atingir 36,2 bilhões de litros, queda de 2,8% em relação à safra passada.

O recuo na oferta de etanol de cana, de 9,5%, contrasta com o avanço de 22,6% no etanol de milho. O movimento reforça a expansão das usinas dedicadas ao grão e consolida Mato Grosso como o segundo maior produtor nacional do biocombustível, atrás apenas de São Paulo.



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China reduz exportações de fosfatados e acende alerta no mercado global



As exportações chinesas de MAP (fosfato monoamônico) e DAP (fosfato diamônico) caíram ao menor nível dos últimos anos e intensificaram a preocupação de importadores em todo o mundo. Entre janeiro e setembro de 2025, o país embarcou 3,7 milhões de toneladas, volume 23% menor que no mesmo período de 2024, segundo levantamento da StoneX.

O recuo ocorre em meio ao maior rigor do governo chinês no controle das vendas externas, prática usual antes da alta demanda interna, mas que, neste ciclo, se mostra mais restritiva que o normal.

De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, os números confirmam uma mudança mais agressiva na estratégia chinesa.

“A China já costuma limitar exportações para proteger o abastecimento interno, mas em 2025 a intensidade das restrições supera a de anos anteriores, o que tem aumentado a preocupação dos compradores internacionais”, afirma.

A relevância chinesa reforça o alerta. Em 2024, o país respondeu por cerca de 16% das exportações globais de MAP, fertilizante amplamente utilizado no Brasil. Ao lado de Marrocos, Rússia e Arábia Saudita, a China possui papel central no fornecimento global, o que significa que qualquer redução de oferta cria tensões adicionais para os importadores — especialmente os mais dependentes desses fluxos.

No caso brasileiro, o impacto é indireto. Apenas 4% do MAP importado pelo Brasil em 2024 teve origem chinesa. A maior parte chegou da Rússia, da Arábia Saudita e do Marrocos. Mesmo assim, quando a China reduz sua presença no mercado, a demanda global se redireciona para os mesmos fornecedores, aumentando a disputa por cargas e reduzindo a previsibilidade dos negócios.

“Quando os volumes chineses desaparecem do mercado, compradores de diferentes regiões passam a buscar os mesmos fornecedores. Essa mudança repentina pressiona preços e diminui a previsibilidade das negociações”, explica Pernías.

O Brasil também passa por um período de menor importação de MAP em 2025. Além da menor oferta global, o movimento é influenciado pelos preços elevados das matérias-primas e pelas relações de troca desfavoráveis nos últimos meses. Nesse contexto, muitos produtores brasileiros ampliaram a compra de SSP (superfosfato simples), fertilizante menos concentrado que, em vários momentos, apresentou melhor relação custo-benefício.



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COP30 confirma o agro como parte da solução climática



O agronegócio brasileiro conseguiu se posicionar “como parte da solução” na COP30. Em entrevista à COPTV do Agro, o deputado Arnaldo Jardim (Solidariedade-SP) avaliou a posição do Brasil na conferência do clima, que entra na reta final esta semana. Segundo ele, o país deixou de ser “vidraça” no debate climático e passou a apresentar propostas ancoradas em ciência e inovação.

Durante a conversa com a diretora de conteúdo do Canal Rural, Jaqueline Silva, o parlamentar avaliou a mudança de percepção internacional sobre o Brasil, impulsionada por estudos científicos, anúncios de empresas globais e pela articulação política do setor. Ele citou avanços em biocombustíveis, recuperação de áreas degradadas, irrigação e crédito de carbono como eixos que devem guiar a transição até a próxima edição do evento.

Biocombustíveis no centro do debate

Jardim citou como um dos momentos mais importantes da conferência uma apresentação que reuniu os 200 principais estudos sobre segurança energética e segurança alimentar. Segundo o deputado, o material “derruba a narrativa” de que biocombustíveis competem com a produção de alimentos.

Ele relatou interesse crescente da comunidade internacional em combustíveis de origem vegetal. A Organização Marítima Internacional (IMO) recebeu o estudo e sinalizou apoio ao uso de etanol em embarcações. O deputado também mencionou que a Maersk, uma das maiores companhias de navegação do mundo, já anunciou encomendas de navios com motores preparados para etanol.

Para ele, essa mudança reforça que o Brasil “faz escola” ao combinar produção agrícola, energia limpa e redução de emissões.

Reação a protocolo sobre fim do diesel

Jardim revelou ainda que uma das discussões que mobilizou o setor durante o evento foi a assinatura de um protocolo internacional que previa o fim do uso de diesel, estimulando exclusivamente caminhões e ônibus elétricos.

Segundo o deputado, o documento ignorava alternativas como biodiesel e biometano — ambos com produção crescente no país e forte participação de pequenos e médios produtores. Após pressão do setor e manifestações contrárias, o Ministério dos Transportes recuou e retirou a assinatura brasileira.

“Foi uma reação da sociedade. O agro mostrou que tem alternativas reais e sustentáveis”, afirmou.

Escala, inclusão e tecnologia

O parlamentar, que é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), reforçou que o avanço dos biocombustíveis deve vir acompanhado da ampliação da participação dos agricultores familiares. Ele citou o selo social do biodiesel e o desenvolvimento de novas tecnologias para etanol a partir de culturas como milho e trigo.

Jardim também destacou a expansão do biometano, com aplicações diretas em transporte pesado e em sistemas produtivos que adotam economia circular. Para ele, o agro brasileiro já demonstra na prática que “nada se desperdiça”.

Três prioridades para a COP31

Ao projetar os resultados para a COP31, o deputado apontou três temas que o Brasil deve levar adiante. A recuperação de áreas degradadas, como resposta eficaz às críticas sobre desmatamento; o reconhecimento dos biocombustíveis como solução climática prioritária; e a regulamentação internacional do mercado de carbono, permitindo que o país seja remunerado pela preservação ambiental.

Jardim afirmou que o Brasil precisa tratar a COP como processo contínuo, não como evento único. Ele citou a atuação do embaixador André Corrêa do Lago e do ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, na articulação de propostas que deverão ser mantidas até a conferência do próximo ano.

Protagonismo do agro na Amazônia

O deputado ressaltou o papel da AgriZone, que pela primeira vez levou grandes discussões sobre agro e clima para dentro da COP. Para ele, realizar o evento em Belém reforçou a importância de mostrar que é possível produzir e preservar na Amazônia.

“A natureza não é um relicário para ser admirado de longe. O homem interage, cuida e gera riqueza de forma harmônica. Essa é a mensagem que o agro brasileiro deixou”, concluiu.



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‘Não há contradição entre produzir e preservar’, diz Fávaro na COP30



O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, visitou nesta segunda-feira (17) a AgriZone, espaço da Embrapa dedicado à agricultura sustentável e à inovação tecnológica durante a COP30. Em conversa com jornalistas, Fávaro destacou que o Brasil quer mostrar ao mundo que possui uma agricultura produtiva, competitiva e ambientalmente responsável.

Segundo o ministro, o país é um grande celeiro de alimentos e energia, mas também se destaca pela responsabilidade ambiental. Ele citou o Código Florestal, considerado um dos mais rigorosos do mundo, e lembrou das políticas públicas que estão sendo implementadas para ampliar práticas sustentáveis no campo.

Fávaro reforçou que não existe contradição entre produzir e preservar e que o Brasil pretende seguir como líder mundial na produção de alimentos, sempre respeitando o meio ambiente. Ele afirmou ainda que o governo busca ampliar a captação de recursos internacionais para intensificar ações de sustentabilidade.

“Estamos trabalhando para captar recursos internacionais para recuperar áreas degradadas, investir na agricultura familiar, na produção sustentável e em bioinsumos. Queremos ampliar pesquisas e disseminar esse conhecimento pelo mundo”, afirmou o ministro.



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Entenda os pontos em negociação na reta final da COP30



A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, entra na semana decisiva com participação direta de ministros dos países para tentar fechar, por consenso, como exige o processo negocial, os acordos que vão guiar as ações climáticas no próximo período.

Na noite de domingo (16), foi publicado o resumo das consultas da presidência da COP em relação a quatro itens de agenda, dentre eles, o apelo por ampliação das metas climáticas, as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês), e o financiamento público de países desenvolvidos a países em desenvolvimento. São itens que ainda não obtiveram aclamação para entrar na agenda de ação.

Outro tema crucial, que está na agenda, ainda não obteve consenso em torno de uma proposta. Trata-se da Meta Global de Adaptação (GGA, na sigla em inglês), um dos principais resultados esperados desta COP, mas que segue incerto.

Na avaliação de especialistas, o documento reflete com fidelidade o panorama das negociações técnicas. Uma parte do texto é dedicada a exaltar a importância do multilateralismo e faz referência ao Acordo de Paris e à necessidade de se criar um novo ciclo de transição que passe da transição à implementação.

“O documento traz opções de encaminhamento, que estariam no que estamos chamando de ‘mutirão decision’, uma decisão que emerge desse trabalho coletivo”, observa Liuca Yonaha, vice-presidente do Instituto Talanoa.

No entanto, a ausência de referências mais concretas a caminhos que levem a mais ação dos países acende um sinal de preocupação.

“Um ponto negativo do documento e que também não está se refletindo na sala de negociações, é que não traz nada sobre os mapas do caminho tanto para zerar desmatamento quanto para fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis. O presidente Lula trouxe isso na abertura da COP, de ter o mapa do caminho para a transição, a ministra Marina Silva falou isso em eventos”, destaca Fernanda Bortolotto, especialista em Política Climática da The Nature Conservancy Brasil.

“Já tem apoio de mais de 60 para países para isso, só que isso está sendo falado em eventos e a gente precisa que isso seja falado nas salas de negociação para sair em texto de decisão, senão a gente termina uma COP sem isso. Não adianta nada ter todo um clamor dos eventos se não tiver ali no texto”, completa Fernanda.

A expectativa é que o segmento político de alto nível da COP30, que começou nesta segunda-feira (17), dê a tração necessária para o avanço das negociações. Tradicionalmente, a primeira semana de conferência é dedicada à formulação de textos, chamados de rascunhos, nos órgãos subsidiários, que são o corpo técnico. Nesta segunda semana, entram em cena os chefes de delegações, normalmente ministros de primeiro escalão dos países que fazem parte da convenção do clima, que possuem maior margem política de negociação dos textos.

“Para esta segunda semana de negociações, precisamos de mais pressão para que sejam acordados encaminhamentos claros que iniciem os processos para os ‘mapas do caminho’ para o fim do desmatamento e dos combustíveis fósseis”, aponta Anna Cárcamo, especialista em política climática do Greenpeace Brasil.

Na plenária de alto nível ocorrida na manhã desta segunda, em Belém, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reforçou o objetivo do governo brasileiro com a implementação de mapas de ação com avanços significativos na transição energética e a erradicação do desmatamento ilegal. Para ele, esses são os principais legados a serem deixados pela COP30.

Adaptação climática

Já o tema da adaptação segue sob suspense. O rascunho foi finalizado ainda na semana passada por técnicos, um texto-base para a adoção de 100 indicadores, mas ainda há resistência do Grupo Africano, que representa 54 países do continente, com apoio dos países árabes, que têm defendido estender o trabalho técnico por mais dois anos e postergar a decisão final para 2027.

“Com muito custo, conseguiu-se finalizar um rascunho que vai ser discutido em nível ministerial esta semana para ver se a gente consegue ter até o fim dessa COP ter o indicadores do GGA adotados”, afirma Fernanda Bortolotto.

No debate atual da COP, as partes tentam chegar a um consenso sobre os indicadores globais de adaptação, ponto de partida para monitorar se os países estão avançando nas ações de adaptação e resiliência. Nesse campo, a conferência também discute os Planos Nacionais de Adaptação (NAPs, na sigla em inglês) e o Fundo de Adaptação (AF). Em ambos os procedimentos, também houve conclusão processual com um texto de rascunho a ser analisado nesta semana.

Sobre o tema da transição justa, cuja demanda é a criação de um programa de trabalho no âmbito da COP para analisar o assunto, o rascunho também segue para análise e anda não há consenso.



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manejo reprodutivo é essencial para sucesso, diz especialista



Com mais de setenta milhões de vacas e novilhas de corte precisando ser emprenhadas até o final de fevereiro, o sucesso da estação de monta depende de um manejo reprodutivo de precisão, que integre nutrição, sanidade e genética.

O alerta foi feito pelo médico veterinário Leandro Silva, coordenador técnico da Boehringer Ingelheim, em entrevista ao Giro do Boi. Silva informou que o erro na estação pode levar a grandes prejuízos, pois a fêmea precisa deixar “um bezerro por ano”.

Segundo ele, o principal desafio é que, em muitas regiões, a seca se agravou, atrasando a recuperação do escore corporal. O escore corporal inadequado interfere diretamente na taxa de prenhez, já que fêmeas magras podem entrar em anestro e, mesmo que emprenhem, não têm reservas energéticas para segurar a gestação.

Confira a entrevista completa:

A novilha e a primípara são as categorias mais sensíveis e exigentes, necessitando de atenção redobrada durante a estação de monta. Um dos fatores mais prejudiciais à taxa de prenhez é a infestação de carrapatos, que eleva os níveis de cortisol no sangue da vaca, interferindo na ovulação e na imunidade. O touro também é afetado, queimando energia para espantar moscas, o que prejudica o processo de copulação.

Atualmente, cerca de oitenta por cento das fazendas de cria utilizam o touro na vacada, e o reprodutor é responsável por cinquenta por cento do bezerro. O manejo deve incluir cuidados específicos após a confirmação da prenhez, que ocorre no diagnóstico de gestação em março e abril.

A vaca precisa de “sombra e água fresca” após a confirmação da prenhez. O produtor deve estar atento ao desafio parasitário da terceira geração de carrapato e monitorar a relação entre o número de partos e o diagnóstico de gestação, a fim de identificar possíveis abortos ou reabsorções embrionárias devido a falhas sanitárias.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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AgroNewsPolítica & Agro

Pirataria de sementes pressiona produtividade no campo



“A semente legal garante origem, qualidade, pureza genética e resultados previsíveis”


"A semente legal garante origem, qualidade, pureza genética e resultados previsíveis"
“A semente legal garante origem, qualidade, pureza genética e resultados previsíveis” – Foto: Pixabay

A expansão agrícola brasileira convive com um desafio que cresce de forma silenciosa e interfere diretamente na produtividade das lavouras. Estimativas apresentadas no Seed Congress of the Americas 2026 indicam que 11% da área de soja no país ainda é cultivada com sementes não registradas ou não certificadas, causando prejuízos que podem chegar a R$ 10 bilhões por ano e afetando também forrageiras, algodão, arroz e feijão.

A Associação Paulista dos Produtores de Sementes alerta que o uso desse material compromete a qualidade das áreas plantadas, dissemina pragas e doenças e reduz o vigor das plantas. Segundo a entidade, a semente é o ponto inicial da produção e escolhas inadequadas acabam refletindo em perdas ao longo de todo o ciclo. 

“A semente legal garante origem, qualidade, pureza genética e resultados previsíveis no campo, enquanto a semente ilegal traz riscos de baixa produtividade, contaminações e prejuízos irreversíveis. Investir em semente certificada não é gasto: é segurança, rentabilidade e respeito ao futuro da agricultura brasileira. destaca que o produtor precisa enxergar a semente como o ponto de partida de toda a produção”, esclarece a diretora-executiva da entidade, Andreia Bernabé.

Entre as forrageiras, uma das cultivares que mais despertam interesse de falsificadores é um híbrido conhecido por sua tolerância à seca e boa adaptação ao clima quente. O produto ilegal tem sido vendido a preços muito baixos e, muitas vezes, substituído por Brachiaria ruziziensis, de desempenho inferior. A versão original, ao contrário, é submetida a controles de vigor e pureza, pode ser tratada com fungicida e inseticida e segue embalada de forma lacrada, com coloração característica que assegura identificação imediata.

 





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BNDES seleciona 100 startups para programa de aceleração



A busca por soluções na área de economia verde e descarbonização é o ramo de atividade que lidera a lista de 100 startups selecionadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um programa de aceleração de empresas, o BNDES Garagem.

Startups são empresas jovens, com modelos de negócio inovador, alto potencial de crescimento, mas também grande nível de incerteza.

A relação de contempladas foi anunciada nesta segunda-feira (17), em Belém, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que vai até a próxima sexta-feira (21).

O BNDES Garagem existe desde 2019 e, todos os anos, permite que startups se inscrevam para um programa de aceleração conduzido pelo Quintessa, empresa especializada em estruturar e implementar iniciativas focadas em clima e desenvolvimento econômico.

Mais de 1,8 mil iniciativas se inscreveram. As 100 startups classificadas foram divididas em dois grupos: 50 de criação e 50 de tração.

O grupo criação é voltado às ideias que precisam de suporte nos primeiros passos do negócio. O de tração, a startups que já tenham um negócio de impacto operacional e desejam apoio para crescer.

A lista de selecionadas pode ser consultada no site do BNDES Garagem.

O BNDES explica que, durante todo o programa, que vai até junho de 2026, os selecionados receberão apoio individual de especialistas, terão acesso a mentores para aconselhamento e resolução de desafios, serviços gratuitos e subsidiados, além de conexão com potenciais investidores e parceiros de empresas públicas e privadas.

Perfil das startups

Entre as selecionadas, 39 atuam no segmento economia verde e descarbonização. As demais atividades são saúde (18), educação (14), economia da periferia (12), economia azul (sete), segurança pública (duas), cultura, arte e tecnologia/economia criativa (uma), melhoria do governo e instituições eficazes (uma) e outros (seis).

Das contempladas, 45 têm uma pessoa preta ou parda à frente do negócio; e 67 têm pelo menos uma mulher como sócia.

Premiação

Ao fim desta edição, as dez startups que mais se destacarem serão premiadas, cinco em cada um dos grupos: criação e tração.

Os cinco vencedores na categoria tração vão receber prêmios de R$ 64 mil a R$ 160 mil; na criação os prêmios irão de R$ 32 mil a R$ 85 mil.

O superintendente da Área de Mercado de Capitais, Investimentos e Participações do BNDES, Marcelo Marcolino, aponta que o programa de aceleração mostra o banco de portas abertas para empreendedores de impacto.

“Negócios de todas as regiões do país, de diferentes perfis e em diferentes estágios, receberão o apoio do banco para fortalecer soluções destinadas a endereçar grandes desafios sociais e ambientais”, diz.

Desde a criação, o BNDES Garagem acelerou mais de 300 startups. A expectativa é apoiar mais 300 até 2028.



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