sexta-feira, março 27, 2026

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‘Quem não se moderniza fica para trás’, diz sojicultor que aposta em inteligência artificial no campo



Imagine poder definir, com precisão, qual variedade de soja plantar em cada talhão a partir de dados processados por inteligência artificial. Na experiência do Grupo José Pessoa, modernizar-se não significa substituir o ser humano, já que a tecnologia não elimina o conhecimento agronômico, mas amplia esse conhecimento e o torna ainda mais estratégico.

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É nesse caminho que José Bisneto, Diretor Presidente do Grupo José Pessoa, deu um passo decisivo na agricultura de precisão em Sidrolândia (MS). Com o apoio da IA Gemini, do Google, o grupo consegue identificar a variedade ideal de soja para cada área da fazenda, considerando solo, clima e produtividade histórica. A ferramenta funciona como complemento ao trabalho dos agrônomos, tornando as decisões mais rápidas, precisas e eficientes.

Da história da família à inovação no campo

José Bisneto cresceu em uma família ligada à agricultura e à indústria açucareira. Seu bisavô construiu uma usina de açúcar em Pernambuco nos anos 1930 e 1940, que, ao longo do tempo, passou por crises e vendas até ficar nas mãos do avô de José.

O pai e avô do sojicultor trabalharam arduamente para manter a produção, enfrentando os desafios do setor açucareiro. Esse histórico de dedicação e inovação moldou a visão de José, que soube unir tradição e novas tecnologias para aumentar produtividade e eficiência, até chegar às lavouras de soja.

Como surgiu a ideia de utilizar a IA

O interesse em aplicar inteligência artificial no plantio surgiu após Bisneto participar de um curso de IA, quando decidiu convidar José Ivair Rodrigues, consultor de transformação digital que já havia colaborado com o grupo. A proposta era usar a tecnologia para aprimorar a escolha da variedade ideal em cada talhão da fazenda.

“As terras do grupo são divididas em talhões, grandes áreas analisadas em quadrados menores de três hectares. Antes da IA, tentávamos tomar decisões manualmente, baseadas em produtividade histórica, tipo de solo e época de plantio. É impossível processar tudo isso só na cabeça. A IA nos entrega uma recomendação prática e precisa”, explica Bisneto.

Detalhes que fazem a diferença

O Google Gemini foi alimentado com um amplo banco de dados do grupo, incluindo produtividade passada, características do solo e histórico de plantio. A partir dessas informações, a IA indica o período ideal de plantio e a varied advertising mais adequada para cada talhão. O primeiro ano de uso mostrou ganhos significativos, comprovando a eficiência do sistema.

José destaca que a agricultura de precisão permite tratar cada área de três hectares de forma diferente, desde a aplicação de fertilizantes até a escolha das sementes, aumentando a produtividade e reduzindo desperdícios. “Quanto mais dados você tiver, maior será a precisão e a probabilidade de sucesso do sistema”, afirma.

IA como complemento, não substituição

A tecnologia não substitui o trabalho humano, mas potencializa a atuação dos agrônomos, que validam todas as recomendações. “Ela facilita o trabalho, mas não substitui o conhecimento do agrônomo. Alguns colaboradores precisaram se atualizar para lidar com a ferramenta, mas, depois que ela foi integrada, o trabalho ficou muito mais rápido e preciso”, reforça.

O maior desafio foi conquistar a confiança da equipe. “O mais difícil foi fazer com que todos acreditassem que a IA não substituiria ninguém, mas sim ajudaria a tomar decisões melhores”, lembra.

Expansão e próximos passos

O sucesso do uso da IA na soja abre caminho para sua aplicação em outros cultivos, como a cana-de-açúcar, e para uma transformação digital mais ampla dentro do grupo.
“Nosso objetivo é incorporar novas tecnologias que aumentem precisão e produtividade, aprendendo e ajustando ano a ano”, destaca Bisneto.

Conselho aos produtores

Para o empresário, a mensagem é clara: modernizar-se deixou de ser uma opção. “Não perca tempo. Quem não se moderniza fica para trás. A IA ajuda a reduzir riscos, mas precisa ser ensinada, ajustada e sempre utilizada em conjunto com o conhecimento humano”, conclui.



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‘A COP30 marca a transição do regime, da negociação para a implementação’, diz Alckmin



A implementação de mapas de ação com avanços significativos na transição energética, a erradicação do desmatamento ilegal e a valorização das florestas, especialmente com foco na sociobioeconomia, foram defendidos pelo Brasil como legado a ser deixado pela 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém.

A avaliação foi feita pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta segunda-feira (17), durante a abertura da plenária de alto nível do evento.

“A COP30 marca, agora, a transição do regime, da negociação para a implementação. As várias decisões que sairão de Belém reforçarão mecanismos e estimularão novos arranjos para acelerar a ação de combate à mudança climática em escala global. E isso faremos por escolha própria, porque é a escolha certa a ser feita”, disse.

“Estamos aqui, todos nós, para transformar a ambição em resultados e em boas políticas públicas. Nosso dever é garantir que a ação climática global seja guiada pela ética da responsabilidade, uma ética que une ciência, solidariedade, progresso e dignidade”, afirmou.

Durante seu discurso, Alckmin apontou a necessidade de triplicar a meta global de energia renovável e de dobrar a eficiência energética até 2030, para que o mundo saia da dependência dos combustíveis fósseis.

Segundo o vice-presidente, os dados mostram que a capacidade renovável hoje ainda é a metade do que seria necessário para alcançar essa meta.

“O Compromisso de Belém ambiciona quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, e 25 países já se juntaram ao esforço”, afirmou Alckmin apontando que o Brasil reduziu o desmatamento ilegal em 50%.

O vice-presidente apontou ainda a necessidade de os países mostrarem união em torno dos objetivos do Acordo de Paris.

“A apresentação, pelos governos, de NDCs alinhadas ao objetivo de [limitar o aquecimento global a] 1,5 grau Celsius (ºC), do Acordo de Paris, é um dos sinais de compromisso com o combate à mudança do clima e o reforço do multilateralismo”, apontou.

“A NDC do Brasil, ousada mas realista, que tive a honra de anunciar no ano passado, com a ministra Marina Silva, na COP29, em Baku, determina compromisso de reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa no país de 59% a 67% até 2035, em comparação aos níveis de 2005”, pontuou.

Alckmin defendeu a promoção da cooperação entre governos, empresas e comunidades locais.

“A proteção das florestas depende, sobretudo, de quem vive nelas. Mais de 28 milhões de brasileiros moram na região amazônica, e, entre eles, estão os povos indígenas e as comunidades tradicionais, que são os verdadeiros guardiões da floresta. O conhecimento ancestral desses povos é uma das mais poderosas formas de inteligência ecológica do planeta. A Amazônia, com toda a sua diversidade, deve ser o exemplo de que é possível crescer, produzir e conservar ao mesmo tempo”, defendeu.

O vice-presidente disse que é preciso buscar soluções criativas em áreas estratégicas, como na bioeconomia e na descarbonização, que, segundo ele, pode ser fortalecida com uma Coalizão Global de Mercados Regulados de Carbono, “a qual estabelecerá mecanismos de carbono transparentes e coletivamente acordados e para a qual contamos com a adesão de mais e mais países”.

Reta final

Esta semana, a COP30 entra em sua reta final, com a chegada de representantes de alto nível. Cerca de 160 ministros, vice-presidentes e outros representantes de alto escalão se reúnem para buscar consenso em temas delicados, como financiamento para ações climáticas, parâmetros de adaptação e formas de implementar e monitorar as metas de redução de emissões de gases que causam o aquecimento global.

“Em meio a tantos discursos, negociações, uma diretriz deve permanecer: esta deve ser a conferência da verdade, da implementação e, sobretudo, da responsabilidade. Responsabilidade com o planeta que habitamos, com as pessoas que aqui vivem e com as gerações que ainda virão”, defendeu o vice-presidente.

“Devemos, todos nós, agir de tal forma que toda decisão tomada no presente, política, econômica, industrial ou ambiental, contribua para preservar as condições de vida na Terra, proteger a biodiversidade e assegurar a justiça entre as gerações”, completou.



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alerta vermelho do crédito rural acende de vez


O Banco do Brasil anunciou uma queda de 60% no lucro no terceiro trimestre de 2025. É um tombo raro para o maior financiador do agronegócio brasileiro e, mais do que um número, um sinal grave de que algo muito maior está acontecendo no campo.

O banco registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões, bem distante do desempenho de 2024. O motivo principal está claro nos relatórios: a inadimplência disparou, especialmente na carteira de produtores rurais. A taxa de atrasos acima de 90 dias chegou a 4,93%, com algumas linhas do agro ultrapassando 5,3%, níveis inéditos na última década.

Quando o banco que mais financia o agro precisa reforçar provisões bilionárias para cobrir possíveis calotes, o recado é direto: o setor está sob forte pressão.

A combinação que levou a esse cenário é conhecida pelos produtores:

  • Juros altos sufocam o fluxo de caixa.
  • O custo dos insumos continua elevado, mesmo com o dólar mais fraco.
  • Clima extremo gerou perdas significativas em várias regiões.
  • Super safra com preços baixos apertou as margens.
  • Endividamento acumulado em estados como Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás chegou ao limite.

E tudo se agrava, porque o Brasil ainda não conseguiu estruturar um sistema de seguros rurais robusto, moderno e acessível. Sem seguro adequado, cada perda climática vira inadimplência; cada quebra de safra vira renegociação; e cada evento extremo volta como prejuízo para bancos, para o governo e para toda a cadeia produtiva.

O resultado aparece agora nas estatísticas: o maior banco agrícola do país está pagando a conta dessa tempestade perfeita.

Quando a inadimplência sobe, o banco reage como qualquer instituição financeira:
aumenta provisões, reduz o apetite por risco e encarece o crédito.

Se o produtor já estava com dificuldade para acessar financiamento, 2026 pode ser ainda mais duro se o processo de recuperação não acontecer no ritmo necessário.

O próprio BB admite que espera um “ponto de inflexão” na inadimplência apenas no início de 2026, e mesmo assim com cautela. Analistas consideram o cenário nebuloso.

Se a melhora não vier, o risco é duplo:

  • Menos crédito para custeio e investimento.
  • Mais concentração em grandes grupos e menos competitividade no campo.

Para um país que depende do agro para a balança comercial, para a geração de empregos e para a sustentação de sua economia, isso é um sinal preocupante.

A queda do lucro do Banco do Brasil não é um acidente isolado. Ela reflete:

  • Falhas na política de crédito rural.
  • Ausência de um seguro rural de amplo alcance que reduza riscos e estabilize a renda do produtor.
  • Falta de proteção estrutural contra eventos climáticos.
  • Juros que travam investimentos.
  • E uma economia que não tem dado fôlego ao produtor.

Enquanto o discurso oficial muitas vezes pinta o campo como “privilegiado”, a realidade dos números mostra o oposto: o agro está carregando um peso que nem mesmo o maior banco público do país conseguiu suportar sem sangrar.

O tombo de 60% no lucro do Banco do Brasil é mais do que uma estatística, é um alerta.
Se o grande financiador do campo está sob pressão, imagine o pequeno produtor que tenta sobreviver numa economia travada, com crédito caro e clima imprevisível.

O agro sempre segurou o Brasil em tempos difíceis.

Agora, é o agro que está pedindo socorro, e o país não pode ignorar.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Redução das tarifas dos EUA pode melhorar ‘clima’ no setor pecuário, diz Cepea



A redução das tarifas impostas pelos Estados Unidos contra os produtos do Brasil, anunciada na última sexta-feira (14), deve “melhorar o clima” do setor pecuário. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). De acordo com os pesquisadores, o recuo vem em boa hora, especialmente após as ligeiras quedas registradas no preço do boi gordo durante a semana passada.

Na prática, as alíquotas passam de 50% para 40%, representando uma queda de apenas 10% para as exportações brasileiras de carne bovina. Contudo, a redução não deve alterar o volume embarcado pelo Brasil, que já está em patamar recorde.

“Os exportadores brasileiros conseguiram diversificar as vendas. Com esse recuo dos EUA a tendência é que os embarques ganhem reforço, mas sem esquecer que as tarifas ainda continuam em 40%, o que é bastante. Veremos, a partir de hoje, como o mercado de fato vai reagir”, diz o centro de estudos.

Maior apetite dos EUA e da China

Na análise, os pesquisadores do Cepea ressaltam que a mudança de postura por parte do governo dos Estados Unidos acontece, principalmente, porque a comida na mesa do norte-americano está ficando mais cara. “Em outubro, os Estados Unidos já tinham elevado em 31% o volume de carne bovina comprada do Brasil em relação a setembro. Com isso, voltaram para a posição do segundo maior importador.”

Mesmo assim, esse mercado representou apenas 3,7% da carne brasileira exportada no mês passado. A China, por outro lado, foi responsável por comprar 53% da nossa proteína.

E a arroba do boi gordo?

Sobre os impactos na arroba do boi gordo, o Cepea afirma que a redução das tarifas pode fazer os preços retornarem a trajetória de alta observada anteriormente. Os efeitos, porém, deverão ser acompanhados dia a dia.

Os pesquisadores lembram que no acumulado da primeira quinzena de novembro, o preço médio do boi registrou queda em praças como Rondônia e Mato Grosso do Sul. Já em outras regiões, como o norte de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e o noroeste do Paraná, as cotações apresentaram altas de quase 3% na comparação com o final de outubro. Goiás teve o maior aumento, cerca de 4%.



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Pecuária brasileira: redução de emissões pode chegar a 92% até 2050, aponta FGV



A pecuária brasileira foi destacada na COP 30 como um setor com grande potencial de mitigação de emissões no agronegócio.

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), aponta que a descarbonização na pecuária nacional pode chegar a até 92% por quilo de carne produzida até 2050.

Apresentado durante o encontro global sobre mudanças climáticas em Belém, o levantamento mostra que o setor tem um potencial de redução das emissões de até 87%. Quando analisadas as emissões em relação à carne gerada, o resultado é um potencial máximo de redução de 92% de dióxido de carbono equivalente por quilo de carne.

Confira:

Pecuária intensiva e eficiente

O estudo da FGV indica que a pecuária intensiva e eficiente é a chave para a sustentabilidade. A modernização do setor já demonstra uma tendência de queda nas emissões. Atingir a meta de descarbonização de 92% exige a migração da teoria para a prática, intensificando o sistema e adotando boas práticas agropecuárias.

O grande desafio da pecuária brasileira é mudar a narrativa no cenário global, mostrando que os avanços na COP são uma oportunidade de desmistificar a imagem do boi como vilão e posicionar a atividade como parte da solução climática e da segurança alimentar mundial.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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Fenagro 2025 espera receber mais de 200 mil visitantes



Com expectativa de receber mais de 200 mil visitantes entre os dias 29 de novembro e 7 de dezembro, a organização da Fenagro 2025 – Feira Internacional da Agropecuária da Bahia, também espera movimentar cerca de R$ 120 milhões em negócios, entre vendas de máquinas, animais, insumos e contratos de parceria.

O evento será realizado no Parque de Exposições de Salvador, que se transformará em um grande ponto de encontro do agronegócio, com objetivo de unir tradição, inovação e tecnologia para aproximar o campo da cidade e celebrar a força da agropecuária baiana.

De acordo com o secretário da Seagri, Pablo Barrozo, o evento tem como propósito valorizar o trabalho de quem vive da terra, fomentar negócios e difundir conhecimento.

“Ao trazer para a capital um pouco das riquezas do campo e da agricultura, a feira aproxima o público urbano do mundo rural e reforça o papel do agro na economia e na cultura baiana. A Fenagro mostra o que a Bahia tem de mais forte no campo: um setor produtivo em crescimento, com inovação e sustentabilidade caminhando juntas”, destaca Barrozo.

“Teremos nove dias de intensa programação, oportunidades e troca de experiências, reafirmando o papel da feira como uma das mais importantes vitrines do agronegócio brasileiro”, complementa o secretário.

Este ano, a feira contará com 600 expositores de 12 estados, reforçando seu caráter nacional, e mais de 3 mil animais em exposição, entre bovinos, equinos, caprinos e ovinos.

Atrações

O Pavilhão do Governo reunirá mais de 40 órgãos estaduais e federais, oferecendo serviços, capacitação e atendimento ao público.

A programação técnica incluirá ainda cursos, palestras e painéis voltados para os setores da agricultura, pesca e pecuária.

Além disso, o evento conta com atrações musicais e espaços para visitação como o Museu de Anatomia Animal e o Cozinha Show, onde chefs e cozinheiros convidados transformam ingredientes da agricultura familiar em pratos típicos e inovadores, preparados ao vivo diante do público.


Você também pode participar deixando uma sugestão de pauta. Siga o Canal Rural Bahia no Instagram e nos envie uma mensagem.





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AgroNewsPolítica & Agro

Avanço científico reduz dependência de ureia



Bactérias auxiliam as culturas


Bactérias auxiliam as culturas
Bactérias auxiliam as culturas – Foto: Canva

O uso de microrganismos para transformar o Nitrogênio do ar em alimento para as plantas tornou-se peça central no avanço da agricultura tropical, segundo Alan Bueno, especialista em desenvolvimento de mercado. Embora o nutriente seja abundante na atmosfera, sua forma gasosa não é assimilada diretamente, o que exige conversão em compostos disponíveis às raízes. Algumas culturas desenvolveram, ao longo do tempo, relações específicas com bactérias capazes de realizar essa tarefa com alta eficiência.

Consultorias e centros de pesquisa destacam que, no caso das leguminosas, cepas selecionadas de bradyrhizobium passaram a ser multiplicadas e aplicadas anualmente, juntamente com práticas de manejo e nutrição que incluem o uso de cobalto. A relação é tão precisa que elimina a necessidade de fertilizante nitrogenado na soja, cuja demanda natural alcançaria cerca de 400 quilos de nitrogênio por hectare, equivalente a uma tonelada de ureia.

Em área plantada, isso representaria algo próximo de 48 milhões de toneladas de ureia e valores estimados em R$ 120 bilhões por ano, além de evitar a emissão de 230 milhões de toneladas de CO2 equivalente. A adoção de inoculantes supera 90% da área cultivada, enquanto o uso de azospirillum já ultrapassa 30%.

Pesquisas da Embrapa têm sido decisivas para essa evolução, com destaque para estudos iniciados na década de 1980 e que abriram caminho para tecnologias aplicadas hoje em soja, feijão, milho, trigo e braquiárias. Trabalhos recentes também resultaram em patentes voltadas à identificação de bactérias do gênero Bradyrhizobium, ampliando o entendimento dos mecanismos de fixação biológica e permitindo intervenções que tornaram possível um ganho antes improvável.

 





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Na casa da COP30, produção de açaí impulsiona a economia e fortalece a agricultura sustentável



Símbolo da sociobiodiversidade amazônica, o açaí representa não apenas identidade cultural, mas também uma das mais importantes fontes de renda para famílias rurais no estado do Pará, que até 21 de novembro é a casa da COP30.

A região de Tomé-Açu, no nordeste do Pará, tornou-se um dos principais laboratórios vivos de agricultura regenerativa da Amazônia. É ali que a Earthworm Foundation, organização global sem fins lucrativos com sede na Suíça e atuação em mais de 20 países, desenvolve há 16 anos uma rede de projetos voltada à transformação produtiva, social e ambiental do território.

A fundação atua em Tomé-Açu desde 2008 e tem fortalecido parcerias entre agricultores familiares, comunidades tradicionais, empresas e instituições locais. O objetivo é único: construir sistemas produtivos mais sustentáveis, inclusivos e economicamente resilientes, capazes de gerar renda ao mesmo tempo em que recuperam a floresta e os solos.

Fruticultura amazônica no centro da transformação

A diversificação das lavouras é um dos pilares da atuação da Earthworm na região. Entre as cadeias produtivas apoiadas, a do açaí ocupa posição estratégica.

Hoje, cerca de 187 famílias agricultoras apoiadas pelos projetos da fundação combinam o açaí com outras espécies em sistemas agroflorestais (SAFs), modelo que integra frutas tropicais, madeira nativa e culturas alimentares. Só esse público produz aproximadamente 200 toneladas de açaí por ano, reforçando o papel da fruta como motor econômico regional.

Outro exemplo é a Comunidade Quilombola Castelo, formada por cerca de 90 famílias. Destas, 95% vivem do extrativismo do açaí nativo, cultivado em áreas próprias de até dois hectares por família. A produção anual chega a mais de 1.300 toneladas. Além de fortalecer a economia local, o trabalho com a Earthworm envolve apoio à regularização fundiária e à elaboração do Protocolo de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), garantindo autonomia e participação da comunidade nas decisões sobre o território.

Diversificação para reduzir riscos e ampliar renda

Os sistemas agroflorestais impulsionados pela Earthworm vão além do açaí. Em várias propriedades, culturas como cacau, cupuaçu e outras frutas amazônicas criam fluxos econômicos mais estáveis, reduzindo riscos associados às oscilações de preço e aos impactos das mudanças climáticas.

A diversificação também ajuda a regenerar a fertilidade do solo, proteger nascentes e aumentar a segurança alimentar das famílias rurais. Essa combinação reforça o protagonismo da agricultura familiar e demonstra o potencial da fruticultura amazônica como vetor real de transição para uma economia regenerativa, baseada em práticas que respeitam os ciclos naturais e valorizam os saberes locais.

Agricultura regenerativa

Entre os principais aprendizados da Earthworm em Tomé-Açu está o reconhecimento de que os sistemas agroflorestais são o coração da agricultura regenerativa na Amazônia. Eles restauram áreas degradadas, aumentam a biodiversidade, sequestram carbono e, simultaneamente, elevam a renda das famílias.

Combinando técnicas ancestrais com conhecimento técnico moderno, os projetos tornam o território um ambiente de experimentação contínua, um modelo que pode ser replicado em outras regiões da Amazônia e do Brasil.

*Com informações de Eric Batista, engenheiro agrônomo e gerente de Projetos da Earthworm Foundation



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Porto Nacional (TO) receberá evento que dá início à colheita de soja no Brasil; saiba mais



O estado de Tocantins será o anfitrião da Abertura Nacional da Colheita da Soja 25/26, promovida pela Aprosoja Brasil e pela Aprosoja Tocantins. O evento será realizado no dia 30 de janeiro, na Fazenda Alto da Serra, do Grupo Wink, em Porto Nacional (TO). Com início às 8h e transmissão ao vivo a partir das 9h, você pode acompanhar tudo pela tela do Canal Rural e Youtube!
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Com o tema “Onde a soja cresce, a transformação acontece”, a cerimônia marca o início oficial da colheita da principal cultura agrícola do país e reforça o papel estratégico do Tocantins como uma das regiões mais promissoras para o crescimento da produção nacional de grãos.

Para a presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcellos, o evento representa um marco para o estado e para o setor produtivo. ”O estado Tocantins é hoje um exemplo de produtividade, sustentabilidade e integração entre campo e cidade”, comenta.

Para a presidente, receber a abertura nacional da colheita é reconhecer o trabalho de cada produtor que impulsiona o desenvolvimento do país e reafirmar o potencial do nosso estado como protagonista do agro brasileiro.

O presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, afirma que a escolha do Tocantins reflete a força da nova fronteira agrícola nacional. ”A cada safra, o Tocantins consolida sua importância na produção de soja e milho, com tecnologia, gestão e sustentabilidade. Este evento é uma celebração ao esforço do produtor brasileiro e uma oportunidade de mostrar ao Brasil e ao mundo a força do nosso agro”, afirmou.

A Abertura Nacional da Colheita da Soja 2026 conta com o patrocínio de Intacta 2 Xtend, Ihara e ProFarm; consultoria da Climatempo e Safras & Mercado; e coordenação técnica da Embrapa. A realização local é da Aprosoja Tocantins, com apoio do Grupo Wink, anfitrião do evento.



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IBC-Br: Prévia do PIB recua 0,2% em setembro



A atividade econômica brasileira recuou em setembro, segundo o Banco Central. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) registrou queda de 0,2% frente ao mês anterior, já considerando os ajustes sazonais. No terceiro trimestre, o indicador acumulou baixa de 0,9%.

Apesar do resultado negativo no mês, o desempenho segue positivo na comparação anual. Em relação a setembro do ano passado, o índice avançou 4,9%, sem ajuste, por comparar períodos equivalentes. No acumulado de 2025, o crescimento chega a 14,2%, e, em doze meses, a alta é de 13,5%.

Papel do indicador e impacto da Selic

O IBC-Br é utilizado pelo BC como referência para analisar o ritmo da economia. O índice considera informações da indústria, comércio, serviços e agropecuária, além do volume de impostos. O resultado também auxilia o Comitê de Política Monetária (Copom) nas decisões sobre a taxa básica de juros.

A Selic está fixada em 15%, mesmo patamar mantido nas últimas três reuniões. A taxa é o principal instrumento para controlar a inflação. Juros mais altos tendem a restringir o crédito e moderar o consumo, reduzindo pressões de preços, mas também limitam a expansão das atividades produtivas. Quando a Selic cai, o crédito costuma ficar mais acessível, estimulando consumo e investimento.

O BC informou que ainda vê incertezas no cenário internacional, especialmente por causa da política econômica dos Estados Unidos. No diagnóstico da autarquia, a inflação brasileira permanece acima da meta, mesmo com a desaceleração da atividade. O quadro indica que os juros devem permanecer elevados por mais tempo e, se necessário, podem voltar a subir.

Inflação desacelera, mas segue acima da meta

A inflação medida pelo IPCA encerrou outubro em 0,09%, influenciada pela queda no custo da energia elétrica. É o menor resultado para o mês desde 1998. Em doze meses, o índice acumula 4,68%, abaixo de cinco por cento após oito meses, mas ainda acima do teto da meta, de 4,5%.

A combinação entre inflação mais baixa e ritmo econômico menor contribuiu para a manutenção da Selic neste início de mês. Segundo o Copom, novos ajustes podem ocorrer caso a dinâmica dos preços volte a pressionar.

IBC-Br e PIB: indicadores distintos

O IBC-Br tem metodologia diferente do Produto Interno Bruto (PIB), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O BC ressalta que o índice não funciona como prévia do PIB, embora ajude na formulação da política monetária.

No segundo trimestre, o PIB cresceu 0,4%, impulsionado pelos setores de serviços e indústria. Em 2024, a economia brasileira acumulou avanço de 3,4%, o quarto ano consecutivo de crescimento.



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