sexta-feira, março 20, 2026

Agro

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Do mar à terra: investimento do BNDES fortalece pesca artesanal e agricultura familiar em SP


Cooperpesca Artesanal
Foto: Cooperpesca Artesanal

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB), vai investir R$ 2,1 milhões no fortalecimento da Rede Terra-Mar. A iniciativa tem como foco ampliar práticas sustentáveis, fortalecer cadeias produtivas e impulsionar a produção de alimentos saudáveis no país.

O projeto aposta na integração entre pesca artesanal, agricultura familiar e sistemas agroecológicos. A proposta busca aumentar a escala produtiva, estimular a transição agroecológica e gerar autonomia econômica para famílias agricultoras, assentadas, quilombolas, indígenas e comunidades tradicionais.

Integração entre mar e terra impulsiona economia local

As ações serão desenvolvidas em cinco municípios de São Paulo: Iguape, Cananeia, Itaberá, Guararema e Jarinu. Nessas regiões, a Rede Terra-Mar vai atuar na implantação e modernização de agroindústrias de pescado e no fortalecimento da Cooperpesca Artesanal, que deve se consolidar como um polo logístico estratégico.

Outro ponto central do projeto é a criação de um modelo de economia circular. A proposta prevê o aproveitamento de resíduos da pesca, que passam a ser transformados em insumos para a produção orgânica e agroecológica.

Sustentabilidade e inclusão produtiva no centro da estratégia

Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a iniciativa reforça o papel da instituição no desenvolvimento sustentável.

“A iniciativa reforça o compromisso do BNDES com a promoção do desenvolvimento sustentável, ao integrar inclusão produtiva, geração de renda e conservação ambiental”, afirma.

Ela destaca ainda que o apoio à agroecologia e à sociobiodiversidade fortalece as economias locais e valoriza os territórios e comunidades tradicionais.

Apoio à agricultura familiar e acesso a mercados

Para o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, a iniciativa é estratégica para ampliar o acesso a mercados e melhorar a renda dos produtores.

“Isso é positivo nas duas pontas: melhora a previsibilidade e a renda de quem trabalha e produz e, do outro lado, melhora a qualidade e o acesso à comida saudável para quem consome”, explica.

O ministro também ressalta o papel social e ambiental das comunidades pesqueiras do litoral sul paulista, defendendo o apoio contínuo às atividades.

Economia circular cria ciclo sustentável

O presidente da Fundação Banco do Brasil, André Machado, enfatiza o potencial inovador do projeto ao conectar diferentes sistemas produtivos.

“A Rede Terra-Mar mostra, na prática, que, ao transformar resíduos da pesca em insumos agroecológicos, o projeto cria um ciclo virtuoso em que o mar alimenta a terra e a terra retribui ao mar”, afirma.

Segundo ele, a iniciativa integra inovação social, fortalecimento produtivo e valorização das comunidades, promovendo sustentabilidade com justiça social.

Organização produtiva e fortalecimento institucional

O Instituto Linha D’Água será responsável pelo apoio estratégico e pelo investimento de longo prazo na Cooperpesca Artesanal. A entidade foi selecionada pela FBB para executar ações de organização produtiva, fortalecimento institucional e acesso a políticas públicas.

De acordo com o coordenador executivo do instituto, Henrique Callori Kefalás, a experiência mostra que a combinação entre organização comunitária e políticas públicas pode transformar a pesca artesanal.

“Quando essa conexão acontece, a pesca ganha escala econômica e passa a ocupar o lugar que merece nas estratégias de inclusão produtiva, segurança alimentar e desenvolvimento territorial”, afirma.

Com a iniciativa, o projeto busca consolidar um modelo sustentável que une produção, conservação ambiental e geração de renda, reforçando o papel da sociobiodiversidade no desenvolvimento do país.

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Colheita de soja em MT se aproxima do fim e ultrapassa 99%


consultoria-plantio-soja - imea - mato grosso
Foto: divulgação

A colheita da safra de soja 2025/26 no Mato Grosso atingiu 99,06% da área cultivada até o dia 20 de março, conforme boletim do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O avanço em relação à semana anterior, quando o índice era de 96,42%, indica a reta final dos trabalhos no principal estado produtor do país.

Na comparação anual, o ritmo está levemente abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando a colheita alcançava 99,48% da área. Ainda assim, os números mostram que os trabalhos seguem praticamente concluídos no estado.

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‘Alguns dias tem, outros não tem’, diz produtor rural do RS sobre falta de diesel no estado


diesel combustivel - icms
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Produtores rurais do Rio Grande do Sul tem relatado dificuldade de encontrar diesel em alguma cidades do interior do estado. De acordo com levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), 140 municípios enfrentam desabastecimento.

Em Enestina (RS), o produtor de soja Everton Goedel tem receio de iniciar a colheita sem garantia de ter combustível.

“Aqui no município o diesel já tá sendo, pode se dizer, racionado. Alguns dias tem, outros dias não tem. Estamos chegando no final do ciclo da soja. Dentro de poucos dias iniciaremos a colheita. Não sei se vai ter diesel. Não sei que preço vai ir”, diz Goedel.

Além da escassez, o aumento do preço do diesel agrava ainda mais a situação. O produtor Rodrigo Wlazel já enfrenta baixa produtividade na lavoura e teme prejuízos maiores.

“A gente vai ter uma quebra de safra bem grande aqui nessa região, é por falta de chuva, tanto milho quanto soja. E ainda agora temos a preocupação do preço do diesel, que subiu, e o alerta do desabastecimento nos próximos dias.”

Na região, onde o produtor reside o combustível já é encontrado na faixa de R$ 7,60 por litro, com expectativa de novas altas.

Emergência em municípios e risco de perdas

A crise já levou cidades como Formigueiro (RS), na região central do estado, a decretarem situação de emergência. A justificativa é clara: a agricultura sustenta a economia local, e a falta de diesel pode resultar em perdas de produção e aumento da depreciação dos grãos.

Já em Rio Grande, no sul do estado, o produtor de arroz Artur Costa colheu apenas 20% da área e enfrenta dificuldades para manter o ritmo.

“Estamos com um problema de abastecimento de diesel durante a nossa colheita de arroz, que é um período bem crítico. Cada atraso na colheita vai debulhando arroz e perdendo produtividade na lavoura.”

Frete

Na olivicultura, o problema vai além da lavoura e atinge diretamente a logística. Em Encruzilhada do Sul, a produtora Paula Becker relata forte aumento no custo do transporte. “Aumentou muito o preço do frete, claro, impactado pela bomba de diesel do freteiro.”,

No caso da oliva, o impacto é ainda mais sensível, já que o produto precisa ser processado rapidamente. “A oliva precisa ser levada para um lagar no mesmo dia. Então é frete diário e isso tem um impacto muito grande no produto final.”

ANP nega falta de combustível

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível ( ANP), ela vem tomando uma série de medidas para intensificar o monitoramento do mercado nacional de gasolina e diesel, visando à garantia do abastecimento.

Ainda de acordo com a agência, até o momento, não identificou restrições à manutenção das atividades ou à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico, considerando as fontes usuais de suprimento do país e as importações.

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Bioinsumos, o caminho brasileiro para a segurança tecnológica


Bioinsumos Tratado de Budapeste
Foto: Divulgação Senar-GO

Fui na posse da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e conversei com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Guilherme Campos.

Perguntei a ele qual sua visão, expectativas e ações que o Mapa pode estar fazendo nesse momento de instabilidade internacional. Segundo ele, o cenário é turbulento e traz impactos diretos para o agro brasileiro, especialmente nas exportações e no abastecimento de insumos.

“O momento é muito turbulento, desafiador. O agro brasileiro tem uma importante participação na venda de produtos para o Oriente Médio, sendo o principal fornecedor de carne de frango dentro da filosofia Halal, que não tem substituto. O Irã, por exemplo, é o maior importador de milho, o que impacta diretamente a cadeia do frango, que é muito rápida, de cerca de 42 dias”, afirmou o secretário.

Diante desse cenário, Campos afirma que há uma mobilização para redirecionar a produção e evitar perdas.

“Existe toda uma preocupação e suporte do governo federal e do Ministério da Agricultura para buscar alternativas de onde colocar essa produção que não consegue chegar a esses mercados, além da questão dos insumos que vêm daquela região, hoje fechada, exigindo novas soluções”, afirmou.

Ele também destaca que a estratégia brasileira de investir em energia renovável ganha ainda mais importância nesse contexto.

“O caminho que o Brasil escolheu, com foco na transição energética, vindo da energia do agro nacional, como biodiesel e etanol, é o caminho correto. Não existe receita pronta, mas vamos construindo alternativas dentro da configuração atual”, declarou Campos.

Segundo o secretário, a diversificação de mercados segue como prioridade para reduzir riscos.

“Ao longo do mandato, a busca por novos mercados tem sido constante, diversificando o que vender e para quem vender, diminuindo a dependência de países ou regiões específicas. Isso é um esforço conjunto entre governo e empresas”, disse.

Também questionei como ficaremos em relação aos fertilizantes e ao Plano Nacional de Fertilizantes. Campos afirmou que o tema já vem sendo trabalhado há anos, mas ainda enfrenta desafios estruturais.

“É um foco que vem de governos anteriores, com questões de licenças para explorar áreas e a busca por alternativas. Não tem muita mágica”, constatou.

Nesse contexto, ele aponta os bioinsumos como uma das principais saídas para reduzir a dependência externa.

“O Brasil está na frente em um quesito que substitui fertilizantes de origem mineral: os bioinsumos. O país assume posição de liderança na adoção dessas tecnologias, algo que só é possível com inovação, e com nomes como Mariangela Hungria”, concluiu Campos.

Vim da França recentemente e ouvi de agricultores franceses relatos sobre estudos para tornar a agricultura mais resiliente. Ao perguntar sobre o prazo, disseram que em dois meses.

Quando pedi acesso ao material, a resposta foi direta: não seria necessário, pois os estudos já haviam sido baseados no modelo brasileiro.

Ou seja, nós somos realmente um modelo espetacular!

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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AgroNewsPolítica & Agro

Juros iniciam ciclo de queda com cautela



As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa


As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa
As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa – Foto: Pixabay

O início do ciclo de flexibilização monetária no país foi confirmado com a redução da taxa básica de juros, em um movimento que reflete sinais de desaceleração da atividade econômica e ajuste das expectativas inflacionárias. De acordo com análise do Rabobank, o Copom decidiu de forma unânime cortar a Selic para 14,75%, iniciando um processo descrito como calibração da política monetária.

A decisão foi justificada pelo entendimento de que o período prolongado de juros elevados já produziu efeitos sobre a economia, contribuindo para trazer as projeções de inflação a níveis mais compatíveis com a meta. Ainda assim, o cenário internacional adiciona incertezas relevantes, especialmente diante da falta de clareza sobre a duração dos conflitos no Oriente Médio, fator que pode impactar preços de energia e commodities.

Nesse contexto, o comitê optou por não fornecer sinalizações futuras sobre o ritmo dos cortes, destacando a necessidade de acompanhar dados prospectivos que confirmem os efeitos diretos e indiretos sobre a inflação ao longo do tempo. Mesmo com a recente alta nos preços do petróleo, a projeção de inflação no horizonte relevante foi ajustada de forma marginal, passando para 3,3%, enquanto o balanço de riscos permaneceu praticamente simétrico, ainda que mais elevado.

As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa, com leve alta para 2026 e manutenção dos níveis projetados para os anos seguintes. Para o Rabobank, o cenário atual indica um possível corte mínimo de 25 pontos-base na próxima reunião, com um ciclo total de redução que pode chegar a 250 pontos-base em 2026, levando a Selic a 12,50% ao fim do período.

A continuidade desse movimento, no entanto, dependerá da evolução dos dados econômicos e dos desdobramentos do cenário externo. Novas informações devem ser detalhadas na ata e no relatório de política monetária previstos para divulgação nos próximos dias.

 





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Colheita de soja no Brasil atinge 68,8%, aponta consultoria


Colheita de soja na Fazenda Itamarati Norte da Amaggi em Campo Novo do Parecis
Colheita de soja na Fazenda Itamarati Norte da Amaggi em Campo Novo do Parecis. Foto: Amaggi

A colheita da safra brasileira de soja 2025/26 alcançou 63,8% da área plantada até o dia 20 de março, conforme levantamento da consultoria Safras & Mercado.

O avanço semanal foi significativo em relação ao índice de 55,4% registrado na semana anterior, indicando aceleração dos trabalhos no campo. Ainda assim, o ritmo da colheita segue abaixo do observado em igual período do ano passado, quando 76,6% da área já havia sido colhida.

Na comparação com a média histórica para o período, de 71,3%, o atraso também fica evidente, reforçando um cenário de colheita mais lenta na atual temporada.

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Jacto lança implemento de adubação 5030 NPK e apresenta BalanceControl no Show Safra 2026


Jacto lança Implemento de adubação 5030 NPK no Show Safra 2026, em Lucas do Rio Verde. Foto: Divulgação/Jacto.
Jacto lança Implemento de adubação 5030 NPK no Show Safra 2026, em Lucas do Rio Verde. Foto: Divulgação/Jacto.

A Jacto, multinacional brasileira de máquinas, soluções e serviços agrícolas, apresenta novos equipamentos e soluções durante o Show Safra 2026, que será realizado entre os dias 23 e 27 de março, em Lucas do Rio Verde (MT). O evento reúne produtores, empresas e profissionais do setor agrícola e ocorre em uma das principais regiões produtoras do país.

Entre os lançamentos estão o implemento de adubação 5030 NPK e o sistema BalanceControl para pulverizadores da linha Uniport. A empresa também leva à feira atualizações em equipamentos de pulverização e ferramentas voltadas à agricultura de precisão.

Implemento 5030 NPK permite adaptação em máquinas multimarcas

O implemento 5030 NPK foi desenvolvido para permitir que equipamentos autopropelidos passem a operar como adubadoras. O modelo pode ser instalado em máquinas de diferentes marcas e reaproveita equipamentos já utilizados pelos produtores.

O equipamento possui reservatório com capacidade para 5.000 kg, construído em aço inoxidável. O sistema inclui controle automático de 12 seções e controle de bordadura, que reduz a aplicação de fertilizantes em áreas como carreadores.

“Ao utilizar máquinas usadas e antigas, ampliamos a eficiência desses equipamentos e tornamos mais acessível aos agricultores tecnologias que entregam alto rendimento operacional”, afirma Rodrigo Madeira, gerente de planejamento de produtos da Jacto.

Sistema permite controle de aplicação e redução de perdas

O implemento utiliza tecnologias já presentes na adubadora Uniport 5030 NPK. Entre elas estão o controle automático de seções, que reduz a sobreposição, e o controle de bordadura para direcionar a aplicação de fertilizantes nas áreas de produção.

Em áreas próximas a reservas ambientais, o sistema também permite o uso de “controle de bordadura intensivo”, que direciona a distribuição do produto para evitar aplicação fora da área produtiva.

O conjunto de discos e pás foi desenvolvido para realizar a distribuição em faixas de até 50 metros. O equipamento também pode operar com produtos em pó, como calcário, por meio de discos opcionais. Outro recurso disponível é o sistema que ajusta automaticamente o ponto de queda do fertilizante nos discos.

Integração com agricultura de precisão

O implemento 5030 NPK pode ser integrado a ferramentas de agricultura de precisão. Entre elas estão piloto automático, aplicação em taxa variável e a plataforma EKOS, de telemetria, utilizada para monitoramento das operações.

O equipamento também pode ser configurado com o aplicativo SmartSet, que auxilia na regulagem da faixa de aplicação conforme o tipo de fertilizante.

BalanceControl chega aos pulverizadores Uniport

A empresa também apresenta a solução BalanceControl para os pulverizadores Uniport 3030 e 4530, com barras de 32 e 36 metros. O sistema atua na estabilidade das barras durante a pulverização.

De acordo com a empresa, o objetivo é manter a altura de aplicação ao longo da operação e ampliar o tempo de trabalho dentro do padrão recomendado.

A Jacto também anunciou mudanças nos pulverizadores Uniport 2030 e 2530, que passam a contar com 11 seções de aplicação por meio da tecnologia MultiControl. Os modelos também passam a utilizar o sistema direcional Unitrack.

Durante o Show Safra 2026, a empresa também apresentará adubadoras, pulverizadores tratorizados, equipamentos da linha Uniport, drones e soluções voltadas à agricultura digital.

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Fiscalização apreende mais de 40 toneladas de açaí congelado avaliadas em R$ 252 mil


Açaí
Foto: divulgação/Sefa

Fiscais de receitas estaduais da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) apreenderam, na quinta-feira (19), 40.080 kg de açaí congelado, avaliado em R$ 252.502,50, destinado ao Rio de Janeiro.

Os servidores atuam na Coordenação de Controle de Mercadorias em Trânsito do Itinga, localizada em Dom Eliseu, no nordeste do Pará.

“A mercadoria estava acobertada por nota fiscal de venda declarando origem no Amapá, porém o documento de registro de passagem de saída estadual do Amapá não tinha vinculação com a nota fiscal. Em inspeção física, constatamos que a embalagem do produto cita fábricas no Pará e Amapá sem identificar a origem exata”, informou o coordenador Rafael Brasil.

Diante das irregularidades a fiscalização presumiu que a saída foi da filial da empresa no Pará e foi lavrado Termo de Apreensão e Depósito (TAD), no valor de R$ 42.420,42 correspondente ao imposto e multa.

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Mercado em alerta, campo em risco


Petróleo - opep
Foto: Pixabay

O mercado financeiro, muitas vezes, antecipa movimentos que a economia real ainda não conseguiu traduzir com clareza. E o que começa a aparecer agora é um ambiente mais nervoso, mais caro e mais difícil para quem produz.

A guerra no Oriente Médio deixou de ser apenas uma notícia distante. Já entrou no preço do petróleo, contamina o diesel, gás natural e mexeu com os fertilizantes e voltou a pressionar os juros globais. O barril segue elevado, e o mercado passou a rever a expectativa de cortes de juros no curto prazo.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa, mas o cenário está longe de ser confortável. O comitê está dividido, e a própria autoridade reconhece que os efeitos da crise sobre a inflação ainda são incertos.

O problema é que a curva de juros americana mostra uma leitura mais dura. Os títulos longos seguem pressionados, indicando que o mercado não aposta em queda rápida dos juros e sim uma alta.

Isso importa muito para o Brasil. Quando os juros sobem lá fora, o crédito fica mais seletivo e mais caro. Aqui, o Banco Central até iniciou cortes, mas com cautela, justamente por causa desse ambiente externo mais pressionado.

Ao mesmo tempo, o Tesouro precisou atuar recomprando títulos e, ainda assim, o mercado segue tensionado. Petróleo, risco fiscal e incerteza política continuam andando juntos.

E é nesse ponto que o produtor rural precisa refletir.

O campo já vinha fragilizado por margens apertadas, endividamento elevado e rentabilidade comprimida. Agora, soma-se um choque que atinge diretamente o custo de produção: diesel e fertilizantes.

O Brasil continua exposto ao preço internacional do diesel. Medidas do governo ajudam, mas não alteram a lógica do mercado. Se o preço sobe lá fora, acaba chegando aqui.

Nos fertilizantes, o sinal é ainda mais claro. A guerra afetou rotas importantes, reduziu oferta e elevou preços. Isso chega direto no custo da próxima safra.

Por isso, o risco não está apenas na guerra. Ele está na planilha do produtor.

Se o diesel segue pressionado, o fertilizante sobe e o crédito não se alivia, a margem desaparece. E quando a margem some em um setor altamente financiado, o problema passa a ser de solvência.

E há um ponto estrutural que o Brasil insiste em adiar. A taxa de juros elevada, que historicamente atrai mais capital especulativo do que investimento produtivo, continua sendo um freio para o crescimento. O país precisa de um sinal claro de coordenação entre Executivo, Congresso e Judiciário.

Algo na linha de um pacto nacional, como foi o Pacto de Moncloa na Espanha, que estabeleça um compromisso firme com responsabilidade fiscal, redução de despesas e previsibilidade. Sem isso, o capital não se direciona para produzir; ele apenas gira em torno da renda financeira.

Não adianta apostar em solução rápida. O governo está limitado, com pouco espaço para medidas amplas. Qualquer saída estrutural exigirá tempo e credibilidade, dois fatores escassos hoje.

Por isso, o recado ao produtor rural precisa ser direto. Este é o momento de levantar toda a dívida, contrato por contrato. Entender o tamanho do problema antes que ele cresça. Quem puder alongar prazo e preservar caixa, precisa agir agora.

Em momentos assim, gestão financeira deixa de ser detalhe e passa a ser ferramenta de sobrevivência.

O mercado está avisando: o mundo ficou mais caro. O campo, já pressionado, não pode esperar soluções externas.

Porque, no campo, não existe milagre: quando a margem some, sobra apenas a conta, e ela não espera.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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Iniciativa da ApexBrasil reúne compradores para impulsionar exportações de frutas


frutas, preços
Foto: Ministério da Agricultura

Entre os dias 22 e 27 de março ocorre, em São Paulo, uma nova rodada de negócios do programa Exporta Mais Brasil, ação paralela à feira Fruit Attraction São Paulo. O objetivo da ação é fortalecer a inserção das frutas brasileiras no exterior e abrir novos mercados.

A iniciativa é da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com entidades do setor, e reunirá 17 compradores internacionais de 16 países e 39 empresas brasileiras de exportação de frutas.

Rodadas e visitas técnicas

A programação inclui rodadas de negócios entre os dias 24 e 26 de março, além de seminários, fóruns e encontros institucionais.

Também estão previstas visitas técnicas a propriedades produtoras, permitindo que os compradores conheçam de perto a produção nacional, os padrões de qualidade e a diversidade das frutas brasileiras.

Participam importadores de mercados estratégicos da África, Europa, Ásia e Américas, incluindo países como China, Estados Unidos, Reino Unido e Países Baixos.

Resultados de 2025 impulsionam edição

A expectativa para este ano é sustentada pelos resultados da primeira edição do programa, realizada em 2025, no Rio Grande do Norte. Na ocasião, foram promovidas 274 reuniões de negócios, com estimativa de geração de US$ 6,05 milhões.

O número menor de participantes no ano passado — 13 compradores e 28 empresas — indica avanço na atual edição, que amplia a presença internacional e a oferta brasileira.

Expectativa de ampliar mercados

A realização em São Paulo, considerado principal hub de negócios do país, deve aumentar a visibilidade e facilitar conexões comerciais. A integração com a Fruit Attraction também amplia o alcance internacional e o networking entre os agentes da cadeia.

A diversidade de mercados participantes e o perfil dos compradores reforçam a expectativa de novos contratos e expansão das exportações.

Setor em crescimento

O movimento ocorre em um cenário de avanço da fruticultura brasileira. Em 2025, o país registrou exportações recordes de US$ 1,45 bilhão e 1,29 milhão de toneladas, com crescimento tanto em valor quanto em volume.

O Brasil é atualmente o terceiro maior produtor mundial de frutas, atrás apenas de China e Índia. Produtos como manga, melão, limão e melancia lideram os embarques, com destaque para destinos europeus e norte-americanos.

Além do desempenho externo, o setor tem peso relevante na economia, com cerca de 5 milhões de empregos diretos e área plantada próxima de 2,5 milhões de hectares.

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