quarta-feira, maio 13, 2026

Agro

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mesmo com tarifação mercado segue negociando



Apesar das atuais complicações relacionadas à tarifação americana sobre as exportações brasileiras de suco, o mercado interno de frutas segue negociando as primeiras laranjas da safra 2025/26, assim como as tangerinas poncã. É isso o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Segundo o instituto, as laranjas do grupo das precoces ainda representam a maior parte das frutas entregues para a indústria de suco. Ao mesmo tempo, os limões tahiti apresentam baixa disponibilidade, devido à entressafra. Já quanto às tangerinas poncã, a safra caminha para o fim na região Sudeste. 

Ainda conforme pesquisadores do Cepea, diante das incertezas relacionadas à tarifação americana, indústrias brasileiras seguem recebendo frutas apenas via mercado spot e por meio de contratos já firmados, visto que novas contratações estão suspensas. 

Como a safra principal não começou e a maior parte das cargas é composta por variedades precoces, as frutas processadas atualmente apresentam limitações de qualidade, ressalta o Centro de Pesquisas.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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diferença de preço entre brancos e vermelhos atinge o menor patamar do ano



ANÁLISE

Suínos: mesmo com baixa nas cotações, média mensal avança

Os preços do suíno vivo e da carne suína seguiram em queda nos últimos dias. É isso o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).  Segundo o instituto, a pressão vem da menor demanda, reforçada pelo período de fim de mês.  Mesmo diante das recentes baixas nas cotações do […]



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cotações seguem em queda, mas menos intensas



Apesar de ainda estarem pressionadas, as cotações da carne de frango registraram melhoras neste mês de junho.É isso o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

As importações da carne de frango brasileira ocorre gradualmente após o país ser considerado livre da gripe aviária pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Dessa forma, ainda há descompasso entre a oferta e a demanda no mercado nacional. 

Ainda assim, segundo o instituto, as quedas observadas neste mês são mais brandas em comparação com o intervalo entre maio e junho. Neste intervalo, o preço da carne de frango resfriada havia registrado recuo expressivo de 13,4%. 

Pesquisadores ressaltam que, em julho, além do impacto das férias escolares, o período de fim de mês intensifica a pressão sobre os valores da carne.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Avanço de frente fria provoca chuva forte e ventos de até 70 km



O tempo fica instável nesta sexta-feira (25) entre o norte do Rio Grande do Sul e o leste do Paraná, com previsão de pancadas de chuva de moderada a forte intensidade. A instabilidade é provocada pela atuação de um sistema de baixa pressão sobre o Paraguai. O destaque fica para o norte do Paraná, onde o sol predomina e a umidade relativa do ar deve ficar abaixo de 30%. Outro ponto importante é o vento no litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com rajadas entre 40 e 50 km/h e picos de até 70 km/h no litoral norte gaúcho.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

No Sudeste, o vento úmido que sopra do mar para o continente favorece a ocorrência de pancadas isoladas de chuva entre o centro e o litoral de São Paulo. Com o avanço de uma frente fria, o tempo se torna mais instável no sudeste de Minas Gerais, estado do Rio de Janeiro e extremo sul do Espírito Santo, com previsão de pancadas irregulares, localmente fortes. Entre o oeste de São Paulo e o centro-oeste de Minas, o predomínio é de tempo seco, com umidade relativa do ar abaixo de 30%.

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O tempo segue firme no Centro Oeste com o clima muito seco em Goiás e no norte e interior de Mato Grosso. Já no extremo sul de Mato Grosso do Sul, pode chover de forma isolada, mas sem risco de temporais. Nas demais áreas do estado, o tempo permanece firme e seco, com umidade relativa do ar abaixo de 30%. O alerta maior é para a faixa que vai do norte de Mato Grosso do Sul ao norte de Goiás, passando pelo leste de Mato Grosso, onde a queda da umidade é mais significativa, ficando abaixo de 20%.

Enquanto no Nordeste, a chuva permanece concentrada no litoral, com atenção para o sul e leste da Bahia e também entre o litoral de Alagoas e o Rio Grande do Norte. Nessas áreas, as pancadas podem ser de intensidade moderada a forte, associadas ao calor e à entrada de ventos úmidos do oceano. No interior, o tempo segue firme e seco, com baixa umidade relativa do ar. O destaque fica para o oeste da Bahia, sul do Piauí e sul do Maranhão, onde a umidade cai abaixo de 20%.

Na Região Norte, há previsão de chuva forte entre Amazonas, Roraima e Amapá, com possibilidade de temporais no norte de Roraima. Em Manaus e Belém, as pancadas ocorrem de forma mais isolada e irregular. Já no sul de Rondônia e em Tocantins, o tempo segue seco, com alerta para umidade muito baixa em Palmas.



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Trigo: mercado segue travado



No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam com moagem reduzida



No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam com moagem reduzida
No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam com moagem reduzida – Foto: Canva

O mercado de trigo no Sul do Brasil permanece em compasso de espera, com moinhos abastecidos e cautela nas compras. Segundo a TF Agroeconômica, os preços do trigo argentino spot em Rio Grande estão em US$ 272 por tonelada, nacionalizado, o que equivale a cerca de R$ 1.465,56 posto no porto, mais frete até o interior.

No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam com moagem reduzida e alegam margens apertadas. As compras estão focadas em atender a demanda imediata, com preços variando conforme a qualidade e a localização do produto. Negócios pontuais acontecem em torno de R$ 1.300 para trigo de boa qualidade, embarque em agosto e pagamento em setembro. Já o trigo local segue sendo oferecido a R$ 1.380 posto moinho em Porto Alegre e Serra, e R$ 1.350 no centro do estado. O preço da pedra em Panambi está estável em R$ 70,00 por saca.

Em Santa Catarina, o cenário também é de lentidão. O mercado está praticamente parado, e o trigo gaúcho ainda é amplamente ofertado entre R$ 1.330 e R$ 1.360 FOB, o que impede valorização. O trigo importado via Paranaguá segue mais competitivo do que o paranaense. Na safra nova, há relatos de queda de até 20% na venda de sementes e a Conab estima redução de 6,3% na produção catarinense. Os preços da pedra variam entre R$ 72,00 e R$ 79,00 por saca, conforme a região.

No Paraná, o mercado segue travado, com moinhos pausando operações diante da demanda fraca. O trigo tipo 1 é pedido a R$ 1.500 FOB, mas compradores ofertam R$ 1.450 CIF. Trigo importado argentino e paraguaio é ofertado entre US$ 271 e 278 a depender do porto. A média de preços pagos aos agricultores subiu levemente para R$ 77,19, com margem de lucro estimada em 4,98%, acima do custo médio de produção de R$ 73,53 segundo o Deral.

 





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Investimentos brasileiros nos EUA cresceram 52,3% em uma década, diz CNI



Mapeamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que ao menos 70 empresas brasileiras mantêm investimentos produtivos em 23 dos 50 estados americanos. Segundo os dados divulgados na quinta-feira (24) os investimentos brasileiros em solo norte-americano alcançaram um estoque de US$ 22,1 bilhões em 2024, uma alta de 52,3% em relação a 2014. Os números mostram ainda que, entre 2020 e 2024, empresas brasileiras anunciaram mais de US$ 3,3 bilhões em novas operações no território americano.

Alimentos e bebidas, com 28%; plásticos, com 12,4%; produtos de consumo, com 9,8%; software e serviços de TI, com 9,6%; e metais, com 9,3% são os setores que lideram os investimentos brasileiros nos EUA.

Entre os estados americanos com maior número de empresas brasileiras com plantas produtivas estão a Flórida, com 12; a Georgia, com sete; Michigan, Minnesota, Missouri, Nova York, aparecem depois com seis empresas cada; e o Tennessee e o Texas, com cinco.

“O estudo revela que nos últimos cinco anos (2020-2025), 70 empresas brasileiras anunciaram projetos nos EUA, com destaques para JBS (US$ 807 milhões), Omega Energia (US$ 420 milhões), Companhia Siderúrgica Nacional (US$ 350 milhões), Bauducco Foods (US$ 200 milhões) e Embraer (US$ 192 milhões)”, informou a CNI.

Investimentos

O documento traz também informações sobre investimentos anunciados por nove empresas brasileiras nos primeiros cinco meses de 2025.

Entre os destaques estão a Embraer, com a implantação de um centro de manutenção no Texas, com investimentos previstos de US$70 milhões e geração de 250 empregos. A JBS, que anunciou uma nova planta em Iowa, com aporte de US$ 135 milhões e 500 empregos diretos, e a Sustainea, parceria da Braskem com a japonesa Sojitz, com um investimento previsto de US$ 400 milhões no estado de Indiana.

O mapeamento mostra que 2.962 empresas brasileiras têm investimentos diversos nos EUA. Na avaliação da confederação, os números reforçam a forte integração econômica entre as duas economias.

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“Essa é a prova de que o setor produtivo brasileiro vê na integração com os Estados Unidos muito mais que comércio: vê parceria. O avanço dos investimentos de ambos os lados, ao longo dos anos, reforça o caráter complementar e os benefícios mútuos dessa relação”, afirmou o presidente da CNI Ricardo Alban.

Por outro lado, o mapeamento mostra que, no mesmo período, 186 empresas norte-americanas anunciaram novos negócios no Brasil. Entre as principais companhias estão Bravo Motor Company (US$ 4,3 bilhões), Microsoft (US$ 3 bilhões), CloudHQ (US$ 3 bilhões), Amazon.com (US$ 2,8 bilhões) e New Fortress Energy (US$ 1,6 bilhão).

“No que se refere a investimentos anunciados, de 2015 a 2025, os setores mais atrativos para os investidores dos EUA em território brasileiro foram: comunicações (31,0%), montadoras de automóveis (13,5%), carvão, petróleo e gás (11,4%), serviços financeiros (10,9%) e energias renováveis (7,1%)”, disse a CNI.



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Após Austrália retirar restrições, Trump diz que venderá ‘muita carne bovina’ para o país



Donald Trump, afirmou que o país venderá “muita carne bovina” para a Austrália após o governo australiano anunciar na quinta-feira (24) a flexibilização das restrições à importação desse produto. Trump celebrou a medida como prova de que a carne americana é a “mais segura e a melhor do mundo” e avisou que outros países que rejeitam a carne dos EUA “estão avisados”. Essa decisão australiana, no entanto, não deve aumentar significativamente as exportações americanas, pois a Austrália é um dos maiores produtores e exportadores de carne bovina do planeta, além de praticar preços mais baixos.

Historicamente, a Austrália restringe as importações de carne dos EUA desde 2003 devido a
preocupações com a encefalopatia espongiforme bovina (BSE), conhecida como “mal da vaca louca”. Em 2019, o país passou a aceitar carne proveniente de animais nascidos, criados e abatidos nos Estados Unidos, mas poucos exportadores conseguiam comprovar que o gado não havia transitado por Canadá ou México. O governo australiano agora argumenta que os mecanismos de rastreabilidade e controle dos EUA evoluíram o suficiente para permitir a importação de carne de bovinos originados nesses países e abatidos em território americano.

Autoridades australianas enfatizam que a decisão não está relacionada a negociações
comerciais, mas resulta de uma avaliação técnica dos padrões de biossegurança dos Estados
Unidos ao longo de vários anos. Por outro lado, Trump e representantes do setor agropecuário americano celebraram o relaxamento das barreiras como uma “vitória” para os produtores dos EUA e uma redução de obstáculos injustificados ao livre comércio de carnes.

Apesar das garantias do governo sobre a preservação da biossegurança, a flexibilização
gerou críticas e preocupações na oposição e no setor agrícola australiano. O temor é de que a medida aumente o risco de entrada de doenças e pragas prejudiciais à pecuária local. O ministro da Agricultura da oposição, David Littleproud, questionou se o governo estaria sacrificando padrões rigorosos apenas para agradar a Trump ou facilitar algum encontro bilateral.

No pano de fundo, a troca comercial entre os dois países continua desigual: em 2024, a
Austrália exportou cerca de 400 mil toneladas de carne bovina aos EUA, totalizando US$ 2,9
bilhões, enquanto apenas 269 toneladas de carne americana seguiram para território australiano.

Além do debate sobre carne, a relação comercial se mantém tensa por causa de tarifas americanas sobre certos produtos australianos, de 10% em geral, 50% sobre aço e alumínio, e pela ameaça de Trump de impor tarifas ainda mais altas sobre medicamentos.



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Agricultores familiares colhem renda e sustentabilidade



Julho é o mês de homenagear quem transforma a terra com as próprias mãos. Hoje (25), celebra-se o Dia Internacional da Agricultura Familiar, criado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) para reconhecer a importância desses agricultores na segurança alimentar, geração de renda e preservação ambiental.

Em Congonhinhas, Paraná (PR), Heloísa de Fátima da Silva Campos, decidiu, junto com o marido, mudar a vida da família. “Nós começamos a produzir hortifruti. E a nossa principal renda era o morango, e depois a gente plantou tomate, abobrinha, pepino, alface, repolho”, conta.

Técnica em agropecuária e administradora com ênfase em agronegócios, Heloísa apostou na produção consciente. “A gente decidiu cultivar a terra realmente e aprendeu a nutrir a planta para que ela não precisasse de veneno.”

Atualmente, a propriedade de Campos é toda certificada como orgânica. “Com a certificação a nossa vida mudou em relação ao ganho mesmo, a rentabilidade, porque a gente conseguiu agregar valor de até 70% dentro dos nossos produtos. Certificado é realmente rentável, sim.”

Diversificação é a força da pequena área

Além dos hortifrútis, o casal cultiva milho, feijão, mandioca, abacate, berinjela, batata-doce, cenoura e beterraba. “Daí surgiu a oportunidade da gente começar a produzir cebola e alho. E para nós passou a ser muito rentável”, explica Campos.

No último plantio, foram 5 mil metros de alho — cerca de 10 mil quilos colhidos. O milho plantado é especial: “É um milho que vai ficar verde por mais tempo, e, além disso, eu também tenho valor agregado para vender ele seco.”

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Organização e qualidade de vida no campo

Com clientes em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Curitiba, Heloísa mantém tudo bem planejado.

“Nós temos uma programação de plantio em relação à nossa comercialização porque nós já temos os nossos clientes e nós programamos essa comercialização junto com eles.”

Além disso, o cuidado com o futuro também é uma prioridade: “Tenho dois filhos. E eu preciso que eles entendam o quanto é importante a gente produzir de maneira sustentável. A natureza não se regenera sozinha para sempre”, diz a produtora.

Para colher tantos bons produtos, Campos ressalta que recebe assistência: “o Sebrae/PR nos oferece assistência técnica na agricultura — do campo à comercialização —, entrando na gestão financeira. Tudo isso agrega muito valor ao município e, principalmente, à nossa propriedade, que é de agricultura familiar.”

A história de Heloísa de Fátima da Silva Campos, mostra que a agricultura familiar, é fundamental. Com técnica, amor e visão, ela cultiva mais que alimentos: planta consciência, colhe autonomia e inspira um futuro sustentável.



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Expectativa para o IPCA-15 de julho e turbulências nos EUA: ouça o Diário Econômico


No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta a cautela dos mercados diante da escalada protecionista dos EUA e das críticas de Trump ao Fed.

O Ibovespa caiu 1,15%, aos 133 mil pontos, pressionado por ações ligadas ao consumo. O dólar fechou estável, a R$ 5,52, enquanto juros futuros subiram.

Hoje, o destaque é o IPCA-15 de julho, além de dados de transações correntes e decisões da Aneel.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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Algodão brasileiro identifica novos (e grandes) mercados


algodão brasileiro vive um momento estratégico no mercado internacional. Com crescimento constante da área plantada, estabilidade de oferta e foco em rastreabilidade e sustentabilidade, o Brasil pode ocupar ainda mais os espaços deixados por grandes concorrentes globais, como Índia, Austrália e Estados Unidos.

A avaliação é de Márcio Portocarrero, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que vê oportunidades concretas para o país se consolidar ainda mais como um dos principais fornecedores mundiais da fibra — posição reforçada pelo fato de o Brasil já ser o maior exportador global de algodão em pluma. 

“O Brasil é o único país que tem crescido constantemente porque tem clima e produtor com tecnologia para continuar no algodão mesmo em época ruim”, afirma. 

Segundo Portocarrero, três grandes movimentos internacionais abriram espaço para o algodão brasileiro ganhar mercado: a retenção da produção na Índia, a limitação de área na Austrália por escassez hídrica e as quebras de safra recorrentes nos Estados Unidos.

Mercados em retração e brechas de exportação:

“A maior oportunidade que nós tivemos foi a Índia, que plantava e exportava, mas passou a consumir tudo internamente. Depois veio o problema da água na Austrália, que estagnou em 600 mil hectares. E, por fim, as quebras de safra nos Estados Unidos.” 

Ao lado dessas, ele destaca uma quarta oportunidade, que considera ainda mais promissora — embora difícil de mensurar. 

“Nós temos uma grande oportunidade que não é mensurável, que é de ser o maior produtor de algodão sustentável do mundo.”

Ataque ao sintético: nova frente da estratégia global

Para além dos gargalos dos concorrentes, a Abrapa aposta numa virada de percepção do consumidor global: convencer o público a substituir tecidos sintéticos por fibras naturais. A ideia é que, ao optar por produtos biodegradáveis e renováveis como o algodão, o consumidor também reforce uma cadeia mais limpa, rastreável e ética.

“Tem o consumidor que vai na loja e não quer contribuir para comprar um produto que tenha sido produzido com gestão ambiental irregular ou com trabalho análogo ao escravo. Isso é algo que a gente certifica aqui”, destaca. 

Com apoio da ApexBrasil, a Abrapa iniciou um trabalho estruturado de comunicação internacional para reposicionar o algodão brasileiro no centro das escolhas do consumidor global. 

A estratégia envolve ações de imagem, sustentabilidade e rastreabilidade, com foco em mostrar os benefícios ambientais da fibra natural em comparação aos sintéticos. Consultores europeus especializados atuam em cidades como Milão e Amsterdã, em articulação com varejistas e grandes marcas.

Além disso, a entidade tem promovido o diálogo com produtores americanos e australianos para formar uma frente unificada a favor do algodão natural.

“Estamos começando esse grande trabalho de convencer o consumidor a migrar do sintético para o algodão, voltar para o algodão. Esse é o grande desafio.”

Ofensiva robusta

ofensiva da Abrapa se apoia não apenas em diferenciais técnicos, mas em um discurso ambiental e ético robusto. Portocarrero destaca que os tecidos sintéticos, além de não permitirem economia circular, são derivados de fontes não renováveis e responsáveis por danos crescentes à saúde e ao meio ambiente. 

“Essa tendência do consumidor pelo sintético não permite a renovação da matéria-prima. E isso o algodão permite. Se estão preocupados com o meio ambiente, com o aquecimento global, com contaminação de águas, com microplásticos — que já estão até nas nossas veias —, têm que voltar a consumir produtos naturais, como algodão, cânhamo, celulose e outras fibras sustentáveis.”

Segundo ele, essa é a oportunidade imediata de crescimento: reposicionar o algodão como a alternativa natural e confiável, diante de uma sociedade cada vez mais consciente. 

“Tem mercado. O consumo de sintético no mundo é muito maior que o do algodão. Se a gente conseguir entrar com 30% nesse mercado, permite que todo mundo cresça junto.” 

Portocarrero reforça ainda que, diferentemente de países como Estados Unidos e Austrália — que apenas exportam o algodão bruto —, o Brasil reúne matéria-prima e indústria no mesmo território. 

“A Austrália não tem indústria. Os Estados Unidos também não. O único país que produz algodão e tem indústria local é o Brasil. Isso é mais uma vantagem que a gente tem.” 

Ele lembra que até mesmo países com tradição na fibra, como o Egito, complementam sua produção com o algodão brasileiro. 

“Aquele algodão fio egípcio, na verdade, é blend com o nosso algodão. Eles não produzem nem 20% do que vendem. A Índia também já consome tudo internamente. Quando falta lá, compram da gente.” 

O foco da Abrapa também se volta à Ásia, onde estão os maiores polos industriais do setor têxtil — como China, Vietnã, Coreia do Sul, Bangladesh, Turquia e Egito. 

“Qualquer movimento de crescimento do consumo nesses países muda completamente o jogo. Se o cidadão chinês resolver comprar mais roupa de algodão, a gente vai sair correndo para atender.” 

Na Europa, onde o discurso ambiental é mais presente, a Abrapa tem atuado para que o comportamento do consumidor seja coerente com os valores que defende. 

“Estamos com uma base lá justamente para tirar o sintético da vida deles. A gente quer ajudar o consumidor europeu a alinhar discurso e prática.” 

Liderança em rastreabilidade e certificações

Outro trunfo da cotonicultura nacional é a rastreabilidade completa — da semente ao guarda-roupa. O Brasil é o único país que oferece essa garantia, com certificações ambientais e sociais exigidas por grandes marcas globais.

 “Hoje, 43% do algodão certificado que circula no mundo é nosso. E só o Brasil entrega essa rastreabilidade da lavoura até a peça de roupa. Isso ninguém mais tem.” 

Portocarrero cita que empresas como Adidas, Renner, C&A e Reserva já aderiram ao modelo. Com uso de QR codes nas etiquetas, o consumidor pode acessar, em tempo real, o talhão onde o algodão foi plantado, o mapa da fazenda e até a história do produtor.

Assim, do campo ao guarda-roupa, o algodão brasileiro quer se firmar como sinônimo de qualidade, rastreabilidade e responsabilidade.





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