sábado, maio 30, 2026

Política & Agro

AgroNewsPolítica & Agro

Exportação de carne bovina cresce 15% no ano



Paraná sente impacto das geadas nas pastagens



Foto: Pixbay

O Brasil exportou mais de 953 mil toneladas de carne bovina no primeiro quadrimestre de 2026, volume 15% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e 30% acima do resultado de 2024. Os dados constam no Boletim Conjuntural divulgado na quinta-feira (22) pelo Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, com base em análise quinzenal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.

Segundo o levantamento, a China segue como principal destino da carne bovina brasileira. O volume adquirido pelo mercado chinês apresentou crescimento de quase 20% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2025, reforçando a demanda externa pelo produto brasileiro.

Na B3, a arroba do boi gordo continua em movimento de correção, influenciada pela maior disponibilidade de animais para os frigoríficos neste período do ano. Cotada a R$ 344,80, a arroba acumula queda de 2,72% ao longo do mês.

No Paraná, o frio e a ocorrência de geadas nas últimas semanas afetaram a produtividade das pastagens em algumas regiões do Estado. Atualmente, o boi gordo é comercializado, em média, por R$ 343 no mercado paranaense, conforme o boletim do Departamento de Economia Rural.

 





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Rússia envia a primeira carga de trigo ao Irã via Mar Cáspio em anos


Logotipo Reuters

MOSCOU, 17 Abr (Reuters) – A Rússia enviou trigo ao Irã pelo Mar Cáspio, pela primeira vez em anos, no primeiro trimestre de 2026, mostraram dados nesta sexta-feira, à medida que o lago salgado ganha importância como rota comercial entre os dois países devido à guerra no Oriente Médio.

O Irã já vinha recebendo cevada e milho russos pelo Mar Cáspio, mas o trigo estava sendo enviado dos portos do Mar Negro do país para os principais terminais de grãos do Irã no Estreito de Ormuz.

Os dados da unidade de controle de qualidade de grãos do Ministério da Agricultura mostraram que, nos primeiros três meses do ano, a Rússia enviou 500 mil toneladas métricas de milho para ração, 180 mil de cevada para ração e mais de 4 mil toneladas de trigo de grau alimentício de seus portos do Mar Cáspio para o Irã, o terceiro maior comprador de trigo russo nesta temporada.

“Os portos do Mar Cáspio não exportam trigo há mais de oito anos, todo o fluxo havia sido direcionado para o Mar Negro, para Novorossiysk”, disse Alexander Sharov, chefe da consultoria RusIranExpo.

Em março, a Rússia exportou 300.000 toneladas de grãos pelo Mar Cáspio, em comparação com quase nenhum embarque em março de 2025, quando havia restrições de exportação para cevada e milho, de acordo com dados de embarque de fontes do setor divulgados esta semana.

Os dados do Ministério da Agricultura mostraram que os embarques de grãos da região de Astrakhan aumentaram 61%, para 730.000 toneladas no primeiro trimestre. As remessas foram destinadas principalmente ao Irã.

A Rússia, o maior exportador de trigo do mundo, vem aprimorando sua logística de exportação do Mar Cáspio nos últimos anos, visando também os mercados dos países do Golfo Pérsico, Iraque e Afeganistão.

Ela opera três portos de grãos no Mar Cáspio, dois em Astrakhan e um em Makhachkala, com uma capacidade combinada de pelo menos 3 milhões de toneladas. Um novo terminal de 1,5 milhão de toneladas em Makhachkala deve entrar em operação em 2028.

(Reportagem de Olga Popova)





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Plano de saúde do solo leva análise contínua para propriedades rurais


A ideia pode soar curiosa em um primeiro momento. Afinal, a gente já conhece o plano de saúde para humanos. Nos últimos anos, virou rotina também para pets. Mas agora o conceito chegou ao campo e colocou o solo no centro da conversa.

Em um momento em que produtividade, rastreabilidade e sustentabilidade caminham juntas, o monitoramento da saúde do solo começa a ganhar um formato mais contínuo, conectado e estratégico. E foi justamente dessa lógica que surgiu o Soil Healthcare, iniciativa lançada pelo IBRA Megalab, que propõe transformar a análise de solo em um acompanhamento recorrente, parecido com a lógica de um plano de saúde.

A proposta nasce em meio a um gargalo importante do agro brasileiro. Segundo estimativas do setor, o Brasil possui um déficit de cerca de 8 milhões de análises de solo por ano, mercado que representa aproximadamente R$ 1 bilhão em potencial para laboratórios especializados.

O ponto a ser refletido, é que o impacto da falta de análise vai muito além de um simples exame que deixou de ser feito. Sem diagnóstico adequado, o produtor pode aplicar fertilizantes em excesso, corrigir áreas sem necessidade ou até deixar de identificar limitações químicas e físicas do solo que reduzem a produtividade. Estudos agronômicos mostram que falhas no manejo nutricional e na correção do solo podem provocar perdas expressivas de rendimento e eficiência no uso de fertilizantes, especialmente em culturas de alta exigência nutricional.

No campo, o solo funciona quase como um “prontuário silencioso” da safra. Ele registra histórico de manejo, compactação, fertilidade, matéria orgânica, retenção de água e, mais recentemente, carbono.

Foi observando essa mudança de cenário que surgiu a ideia do programa. “O plano de saúde do solo surgiu para trazer de forma mais simplificada o acesso ao diagnóstico e ao monitoramento da saúde do solo. A gente enxergou que ainda existe um gap muito grande de análise de solos no Brasil e que muitos produtores acabam não se beneficiando dessas informações por não terem um acesso mais facilitado”, afirma Thiago Camargo, sócio-diretor do IBRA Megalab.

Do satélite ao laboratório

O programa funciona integrado a um ecossistema que conecta monitoramento remoto, empresas de amostragem, análises laboratoriais e engenheiros agrônomos cadastrados em diferentes regiões do Brasil.

A lógica lembra mesmo os níveis de cobertura de um plano de saúde tradicional. Na prática, o produtor pode contratar desde um plano mais básico, focado em monitoramento e indicadores estratégicos, até pacotes mais avançados, que incluem coleta georreferenciada, interpretação técnica e construção de estratégias para aumento de carbono no solo.

No pacote inicial, chamado Soil Healthcare Essential, o acompanhamento já inclui monitoramento via satélite, indicadores de vigor vegetativo, dashboard digital da propriedade e métricas relacionadas ao estoque de carbono da área. Mesmo no plano mais básico, o produtor já consegue acessar parâmetros estratégicos para tomada de decisão e rastreabilidade da propriedade.

Conforme o nível avança, entram análises laboratoriais completas, histórico evolutivo por talhão, planejamento de amostragem e suporte agronômico remoto contínuo. 

Além do trabalho preventivo, a proposta também atua de forma corretiva. Caso o monitoramento identifique limitações produtivas ou desequilíbrios nutricionais, a rede de engenheiros agrônomos conectada ao programa auxilia na interpretação técnica e nas recomendações de manejo.

Mas aí você pode estar se perguntando: isso é para o Brasil todo ou só para áreas mais tradicionais na produção de grãos como no centro-oeste e sul do país? A resposta dada pelo executivo é clara. “Há mais de 45 anos o IBRA está no mercado, então a gente tem uma atuação nacional. O produtor que tem uma área no Goiás e também uma área no Paraná ou, eventualmente, em qualquer outra região do Brasil, ele tem acesso a todas essas informações, trazendo métricas de sensoriamento remoto e diagnósticos feito em cada uma dessas áreas, de uma forma consolidada para acompanhar o desempenho da saúde do solo, tudo isso com maior resiliência climática.

Carbono entra no radar da fazenda

Mas talvez uma das palavras que mais chamou a atenção durante a apresentação do projeto para a imprensa, na sede da empresa em Sumaré (SP), foi a palavra “carbono”.

Nos últimos anos, o mercado global passou a olhar com mais atenção para práticas agrícolas ligadas à regeneração do solo, redução de emissões e captura de carbono. Na prática, isso significa que a saúde do solo deixou de ser apenas uma questão agronômica e passou também a fazer parte da agenda financeira e comercial do agro.

Empresas, indústrias, tradings, bancos e mercados consumidores têm ampliado exigências ligadas à rastreabilidade e sustentabilidade das cadeias produtivas. O próprio mercado de carbono vem acelerando discussões globais sobre mensuração, monitoramento e comprovação ambiental. 

Segundo estudos recentes sobre oportunidades para o Brasil no mercado de carbono, o país aparece como um dos protagonistas potenciais da economia de baixo carbono, especialmente pela força do agro e pela capacidade de gerar soluções ligadas à conservação e manejo sustentável. A regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), aprovada em 2024, também colocou o tema de vez no radar das empresas e do setor produtivo. 

Dentro do Soil Healthcare, uma das frentes é justamente estimar e acompanhar indicadores relacionados ao carbono da propriedade. “Hoje compradores já exigem parâmetros ligados ao carbono e à agricultura sustentável. O produtor não quer apenas mostrar que deixou de emitir carbono, mas também que está sequestrando carbono no solo. Isso agrega valor à produção. E com o avanço do sensoriamento remoto e metodologias reconhecidas internacionalmente, conseguimos trazer essa mensuração de forma mais prática, escalável e econômica para o produtor rural”, destaca Thiago Camargo.

A lógica funciona quase como um histórico clínico da fazenda. Quanto mais informações registradas ao longo dos anos, maior a capacidade de demonstrar evolução da área, práticas sustentáveis e indicadores técnicos que podem futuramente dialogar com programas ambientais, rastreabilidade e até projetos ligados ao mercado de carbono.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Boi gordo fecha semana com queda em São Paulo



Novilha e boi China recuam em São Paulo



Foto: Divulgação

O mercado do boi gordo encerrou a semana com queda nas cotações em praças paulistas, segundo análise divulgada nesta sexta-feira (22) no informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria. De acordo com a consultoria, o aumento da oferta de animais permitiu aos frigoríficos alongarem as escalas de abate e adotarem uma posição mais confortável nas negociações, abrindo espaço para tentativas de compra em valores menores. O avanço do mês também dificultou o escoamento da carne bovina no mercado interno, pressionando parte das categorias.

Nas praças paulistas, a cotação do boi gordo e da vaca permaneceu estável. Já a novilha registrou recuo de R$ 3,00 por arroba, enquanto o chamado “boi China” teve queda de R$ 2,00 por arroba. As escalas de abate estavam, em média, programadas para nove dias, conforme levantamento da Scot Consultoria.

No Mato Grosso, após a queda observada na quinta-feira (21) em todas as regiões do estado, os preços recuaram apenas na região Norte nesta sexta-feira. Segundo a análise, o boi gordo e a novilha tiveram desvalorização de R$ 3,00 por arroba. As escalas de abate no estado atendiam, em média, entre sete e 10 dias.

No Acre, a pressão baixista também atingiu o mercado pecuário. A cotação do boi gordo caiu R$ 2,00 por arroba, enquanto as fêmeas registraram queda de R$ 3,00 por arroba, conforme o informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Geadas aceleram corte do milho silagem no Rio Grande do Sul



Frio impacta qualidade do milho para silagem



Foto: Agrolink

A colheita do milho destinado à silagem no Rio Grande do Sul chegou a 97% da área cultivada e se aproxima da conclusão, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (22) pela Emater/RS-Ascar. Restam apenas áreas de segunda safra em fase de maturação.

De acordo com o levantamento, as geadas registradas nas últimas semanas anteciparam o corte de parte das lavouras e levaram produtores a destinarem áreas inicialmente voltadas à produção de grãos para a ensilagem. A Emater/RS-Ascar informou que, em alguns casos, o material colhido apresentou menor qualidade bromatológica em razão da perda de área foliar e da dessecação precoce das plantas.

Nas áreas de cultivo tardio, as baixas temperaturas também aceleraram o encerramento do ciclo das lavouras. Com isso, produtores optaram por antecipar a colheita para preservar o valor nutricional da forragem destinada à alimentação animal.

A estimativa da Emater/RS-Ascar aponta área cultivada de 345.299 hectares, com produtividade média projetada em 37.840 quilos por hectare.

Na região administrativa de Erechim, a colheita alcançou 97% da área cultivada, com produtividade média de 44.100 quilos por hectare de massa verde. Segundo o informativo, as lavouras de safrinha foram severamente afetadas pelas geadas registradas no período.

Já na região de Santa Rosa, as baixas temperaturas e o risco de novas geadas levaram parte dos produtores a antecipar o corte das lavouras, mesmo com níveis elevados de umidade, em uma tentativa de reduzir perdas na qualidade da silagem.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Excesso de chuva impacta lavouras de canola


O plantio de canola avança dentro da janela preferencial de semeadura no Rio Grande do Sul, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (22) pela Emater/RS-Ascar. As lavouras implantadas estão, principalmente, nas fases de germinação, emergência e desenvolvimento vegetativo inicial. Nas áreas mais precoces, as plantas já ingressaram no estágio de roseta, período em que produtores realizam adubação nitrogenada em cobertura e manejo de plantas daninhas.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, as chuvas registradas em 1º de maio, que haviam reduzido o ritmo operacional da semeadura, também causaram problemas de estabelecimento em parte das áreas recém-implantadas. Em algumas lavouras, o excesso de umidade provocou selamento superficial e formação de crosta no solo, comprometendo a emergência das plantas e a uniformidade do estande.

O levantamento aponta ainda uma tendência de expansão da área cultivada com canola no Estado, impulsionada pela busca dos produtores por alternativas mais atrativas economicamente em comparação aos cereais tradicionais de inverno.

A área cultivada em 2026 ainda está sendo levantada pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, conforme dados do IBGE, foram cultivados 174.394 hectares de canola no Rio Grande do Sul, com produtividade média de 1.653 quilos por hectare e produção total de 285.481 toneladas.

Na região administrativa de Bagé, o tempo seco favoreceu a semeadura, especialmente na Fronteira Oeste, onde a colheita antecipada da soja permitiu a liberação mais rápida das áreas. Em Maçambará, algumas lavouras apresentam estande abaixo do ideal devido às chuvas intensas registradas entre abril e o início de maio. Também seguem as aplicações de herbicidas para o controle de azevém nas áreas já estabelecidas.

Na região de Ijuí, a Emater/RS-Ascar observa tendência de aumento expressivo da área cultivada. A semeadura alcança cerca de 60% da área projetada, com predominância de lavouras em germinação e emergência. As primeiras áreas implantadas já estão em estágio de roseta e recebem adubação nitrogenada e manejo de plantas daninhas.

Em Santa Rosa, a semeadura atingiu 48% da área prevista. O avanço dos trabalhos depende das condições de umidade do solo, embora ainda esteja dentro da janela recomendada pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Segundo o informativo, os elevados volumes de chuva registrados no início de maio, especialmente em Bossoroca, onde foram acumulados 130 milímetros, causaram selamento superficial e formação de crosta no solo, comprometendo a emergência das plantas, provocando desuniformidade no estande e exigindo replantio pontual em algumas áreas.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Bactérias encontradas na macadâmia podem gerar bioinsumos contra doenças da cultura


Pesquisas conduzidas pela Universidade Estadual Paulista, em parceria com a QueenNut e a Embrapa Meio Ambiente, identificaram que duas bactérias naturalmente associadas à macadâmia — Serratia ureilytica e Bacillus subtilis — apresentam potencial para o controle de doenças que atingem a parte aérea da planta. Problemas nas flores e no caule comprometem a produtividade, reduzem a vida útil dos pomares e afetam a rentabilidade da cultura, que vem ampliando espaço no mercado brasileiro. Os estudos avançam agora para o desenvolvimento de bioinsumos à base desses microrganismos.

A identificação e o isolamento dessas bactérias representam um avanço nas pesquisas voltadas ao controle biológico de dois dos principais problemas sanitários da macadâmia no Brasil: a queima dos racemos, estruturas que agrupam as flores em forma de cacho, e a podridão do tronco.

Os resultados integram a tese de doutorado de Marcos Abreu, desenvolvida na Universidade Estadual Paulista, sob orientação do pesquisador Bernardo Halfeld, da Embrapa Meio Ambiente. As pesquisas surgiram a partir de um levantamento iniciado em 2018 e divulgado pela Embrapa em 2024, que mapeou as principais doenças presentes em plantios comerciais de macadâmia na principal região produtora do país.

De acordo com Abreu, o diagnóstico foi considerado um marco para a cadeia produtiva por reunir, pela primeira vez, informações organizadas sobre os principais patógenos da cultura no Brasil. A partir desse cenário, os pesquisadores passaram a buscar alternativas de manejo mais sustentáveis e alinhadas às exigências de mercados consumidores atentos à redução do uso de agroquímicos.

Segundo Halfeld, o controle de doenças da parte aérea é um dos principais desafios do manejo sanitário da macadâmia. “Os resultados mostram que microrganismos naturalmente associados à cultura são capazes de reduzir os danos causados por doenças importantes e contribuir para um sistema de produção mais profícuo, resiliente e sustentável”, afirma.

Um dos estudos teve foco na queima dos racemos, causada pelo fungo Cladosporium xanthochromaticum. A doença afeta diretamente as estruturas florais da macadâmia e compromete a formação dos frutos. Em condições favoráveis ao fungo, as perdas podem ser significativas.

Os pesquisadores buscaram alternativas biológicas utilizando bactérias naturalmente presentes no ambiente da cultura. A proposta foi utilizar a própria microbiota da macadâmia como aliada no combate ao patógeno.

Foram obtidos 104 isolados bacterianos das flores, sem direcionamento para gêneros específicos, avaliados quanto à capacidade de inibir o desenvolvimento do fungo. Entre os materiais mais promissores, destacaram-se Serratia ureilytica e Bacillus subtilis pelo potencial de reduzir a incidência da doença nas flores e a esporulação do patógeno.

A redução da produção de esporos é considerada estratégica porque interfere diretamente na disseminação da doença dentro do pomar. Na prática, isso significa diminuir os sintomas nas flores e limitar a capacidade do fungo de provocar novas infecções.

Os cientistas também observaram que o efeito benéfico promovido pelos microrganismos ocorre por diferentes mecanismos simultaneamente. Entre eles estão a produção de compostos antifúngicos voláteis e não voláteis e a competição por nutrientes, fatores que interferem diretamente no desenvolvimento do fungo causador da doença. Segundo os pesquisadores, essa combinação de mecanismos amplia o potencial de controle.

Outro aspecto considerado estratégico é o fato de as bactérias serem nativas da própria cultura. Como já estão adaptadas aos órgãos da macadâmia, apresentam maior capacidade de sobrevivência e atuação em condições reais de campo. “Trata-se de uma abordagem bastante promissora porque utiliza microrganismos naturalmente presentes na planta como ferramenta de proteção da própria cultura”, ressalta Abreu.

Os testes também indicaram que a maioria das bactérias apresentou compatibilidade com defensivos agrícolas utilizados na cultura, demonstrando potencial para aplicação em programas de manejo integrado de doenças. A única restrição observada foi em relação ao uso de cobre, ao qual Serratia ureilytica apresentou sensibilidade.

O segundo estudo concentrou-se na podridão do tronco, causada pelo fungo Lasiodiplodia pseudotheobromae. Considerada uma das doenças mais severas da macadâmia, ela provoca lesões em tecidos lenhosos, morte de ramos e, em situações mais graves, perda completa da planta.

Nesse trabalho, os pesquisadores avaliaram o potencial de diversas bactérias, com destaque para espécies do gênero Bacillus, já conhecidas pela atuação no controle biológico de doenças.

Os experimentos foram conduzidos em mudas enxertadas, considerando diferentes combinações entre copa e porta-enxerto. O objetivo foi compreender o efeito das bactérias e sua interação com materiais vegetais de diferentes níveis de resistência genética.

Os resultados mostraram que espécies como Bacillus velezensis e Bacillus subtilis reduziram de forma significativa a severidade das lesões provocadas pelo fungo. As bactérias atuaram inibindo o desenvolvimento do patógeno por meio da produção de metabólitos antifúngicos.

Os pesquisadores também observaram que a combinação entre cultivar e porta-enxerto influencia diretamente os níveis de suscetibilidade à doença e o sucesso do controle biológico. Algumas combinações apresentaram menor severidade da podridão do tronco, indicando potencial para seleção de materiais mais resistentes e para ampliar a eficiência do biocontrole.

Para Luana Vieira, da Universidade Estadual Paulista, os resultados reforçam a importância de estratégias integradas de manejo, associando controle biológico, escolha adequada de materiais genéticos e boas práticas agronômicas.

Outro diferencial apontado pelos pesquisadores foi a confirmação do potencial de controle biológico diretamente em plantas, e não apenas em testes laboratoriais. Os ensaios realizados em casa de vegetação com mudas enxertadas aproximam os resultados das condições reais de produção, especialmente porque a doença pode causar a morte de plantas jovens com caule de pequeno diâmetro.

Segundo Halfeld, os resultados demonstram que o controle biológico pode atuar em diferentes órgãos da planta, como flores e caule, ampliando as possibilidades de uso de bioinsumos para o controle de doenças da parte aérea.

A análise conjunta dos estudos aponta um avanço para a macadamicultura brasileira. Pela primeira vez, os pesquisadores demonstraram de forma consistente o potencial do controle biológico contra doenças que atingem diferentes fases e estruturas da planta.

Enquanto a queima dos racemos afeta diretamente as flores e compromete a produção de frutos, a podridão do tronco reduz o estabelecimento de mudas em campo e diminui a longevidade dos pomares. A existência de microrganismos capazes de controlar doenças em diferentes órgãos da planta amplia as perspectivas de adoção em programas de manejo integrado.

Os trabalhos também reforçam a importância do uso de microrganismos nativos ou adaptados à cultura. Além de aumentar as chances de sucesso no campo, essa estratégia pode favorecer o desenvolvimento de bioinsumos mais específicos e eficientes para a macadâmia.

Outro ponto destacado é a possibilidade de integração entre controle biológico, manejo químico e resistência genética. Os estudos indicam que o manejo sanitário da cultura tende a evoluir para sistemas combinados, capazes de reduzir perdas com maior estabilidade e menor impacto ambiental.

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda existem etapas importantes antes da adoção comercial em larga escala. Entre os próximos desafios estão o desenvolvimento de formulações dos bioinsumos e a avaliação da viabilidade econômica da tecnologia.

Ainda assim, os cientistas avaliam que os estudos representam um passo importante para a construção de sistemas produtivos mais sustentáveis para a macadâmia. “A tendência é que o manejo de doenças evolua para abordagens integradas, combinando biologia, genética e práticas agronômicas. O controle biológico tem potencial para ocupar papel central nesse processo”, conclui Halfeld.

Com isso, a cadeia produtiva da macadâmia passa a contar com novas perspectivas para ampliar a produtividade, reduzir impactos ambientais e fortalecer a competitividade da cultura no Brasil.

Os resultados estão publicados em dois artigos:

– Efficacy of indigenous bacterial antagonists from the anthosphere of Macadamia integrifolia in controlling Cladosporium raceme blight – autores: Marcos Giovane Pedroza de Abreu, Luana Laurindo de Melo, Vanessa Rafaela de Carvalho (Universidade Estadual Paulista – Unesp), Leonardo Massaharu Moriya (QueenNut Macadâmia), Sonia Claudia do Nascimento de Queiroz e Bernardo de Almeida Halfeld-Vieira (Embrapa Meio Ambiente).

– Biocontrol potential of stem blight in macadamia by Bacillus spp. in plantlets with different scion-rootstock combinations – autores: Marcos Giovane Pedroza de Abreu, Luana Laurindo de Melo, Vanessa Rafaela de Carvalho (Universidade Estadual Paulista – Unesp), Leonardo Massaharu Moriya (QueenNut Macadâmia) e Bernardo de Almeida Halfeld-Vieira (Embrapa Meio Ambiente)





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Mercado de sementes investe mais nas UBSs


O avanço genético das sementes, aliado ao aumento do valor agregado do setor, está levando produtores e empresas a investir cada vez mais nas Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBSs). O objetivo é proteger um ativo de alto valor: sementes com maior potencial produtivo, cuja qualidade depende não apenas do que acontece no campo, mas também das condições do ambiente onde permanecem armazenadas.

O movimento acompanha o crescimento de um mercado bilionário. Atualmente, o Brasil produz cerca de 6 milhões de toneladas de sementes por ano para culturas como soja, milho, trigo e arroz, consolidando-se entre os maiores mercados do mundo no segmento.

Mas sementes mais tecnológicas também trouxeram um desafio silencioso: preservar vigor e germinação depois que elas saem do campo.

Temperatura elevada, baixa renovação do ar, condensação, poeira em suspensão e resíduos do tratamento industrial podem comprometer a qualidade das sementes — muitas vezes de forma invisível, percebida apenas quando elas chegam ao solo e apresentam desempenho abaixo do esperado.

“Uma semente de alto valor genético precisa de um ambiente adequado para manter seu potencial. Parte das perdas acontece silenciosamente, dentro da UBS, e só aparece depois, na lavoura”, afirma Otávio Matos, gerente técnico da Qualygran, distribuidora Cycloar.

Segundo ele, além do impacto na qualidade, ambientes inadequados também podem afetar as condições de trabalho dentro das unidades de beneficiamento.

Além do armazenamento, as mudanças chegam também às áreas de Tratamento Industrial de Sementes (TSI), onde fungicidas, inseticidas e bioinsumos são aplicados. Nesses ambientes, poeira e resíduos químicos exigem maior renovação do ar e melhores condições de trabalho para as equipes.

“É uma questão de qualidade do produto, mas também de saúde ocupacional, algo que vem recebendo atenção crescente dos órgãos ligados ao trabalho”, lembra Matos.

Além da renovação do ar, modelos como o Cycloar Lux também permitem ampliar a luminosidade natural no interior das UBSs, favorecendo visibilidade, segurança operacional e melhores condições de trabalho em áreas de movimentação e tratamento de sementes.

Nesse contexto, tecnologias voltadas à melhoria do ambiente interno das UBSs começam a ganhar espaço.

Sistemas de exaustão contínua do ar, como o Cycloar, vêm sendo adotados para melhorar a renovação do ar dentro das UBSs, reduzir poeira em suspensão e auxiliar na dissipação de odores e resíduos gerados no tratamento industrial das sementes — fatores que interferem diretamente tanto na conservação do produto quanto nas condições de trabalho das equipes.

Para Adriano Mallet, diretor da Agrocult, distribuidora Cycloar, o setor passou por uma transformação silenciosa nos últimos anos.

“A UBS de hoje não pode operar como operava dez anos atrás. A semente mudou. O nível de exigência mudou. E o ambiente interno passou a interferir diretamente no resultado final”, afirma.

Segundo ele, preservar vigor e qualidade passou a exigir novas ferramentas dentro das unidades de beneficiamento.

“Ter um sistema de exaustão hoje, numa UBS, deixou de ser diferencial. Passou a ser ferramenta importante para manter vigor, preservar qualidade e proteger o valor da semente armazenada”, acrescenta.

Em um mercado onde sementes carregam cada vez mais tecnologia e valor agregado, melhorar o ambiente interno das UBSs deixou de ser detalhe técnico. Passou a ser parte do esforço para proteger qualidade, preservar reputação e reduzir perdas — movimento em que sistemas de exaustão como o Cycloar começam a ocupar espaço crescente.


 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Óleos vegetais recuam com demanda mais fraca



A ausência de novidades reduziu o apetite dos agentes


A ausência de novidades reduziu o apetite dos agentes
A ausência de novidades reduziu o apetite dos agentes – Foto: Divulgação

Os mercados de óleos vegetais encerraram a semana de 11 a 15 de maio em queda, pressionados por sinais mais fracos de consumo e pela frustração com a falta de novos avanços nas negociações envolvendo a soja. Segundo a StoneX, o movimento refletiu uma combinação de liquidação especulativa no complexo da oleaginosa e perda de sustentação nos principais contratos internacionais.

No óleo de soja, o contrato de julho negociado na CBOT fechou o período cotado a US¢ 72,17 por libra-peso, com recuo acumulado de 2,9% na semana. A pressão ganhou força após a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim, não resultar em novos compromissos de compra por parte da China além do acordo de 25 milhões de toneladas por ano, que já estava incorporado aos preços. A ausência de novidades reduziu o apetite dos agentes e levou a ajustes nas posições, afetando também o óleo de soja.

Apesar do recuo semanal, o relatório WASDE de maio, divulgado pelo USDA, trouxe projeções consideradas robustas para o uso de óleo de soja em biocombustíveis em 2026/27. O dado reforçou a avaliação de que o setor deve continuar exercendo papel relevante como vetor de demanda da commodity nos próximos ciclos, ainda que o mercado tenha reagido de forma mais imediata aos sinais de menor dinamismo nas compras internacionais.

O óleo de palma também acompanhou o movimento negativo. O contrato de julho na Bursa encerrou a semana a US$ 1.117,8 por tonelada, queda de 2,97% no período. Entre os fatores de pressão estiveram a demanda enfraquecida de Índia e China, o estreitamento do desconto em relação ao óleo de soja e as incertezas sobre a alocação dos volumes subsidiados no programa B50 da Indonésia.

Com isso, a semana foi marcada por um ajuste generalizado nos óleos vegetais, em um ambiente de cautela dos compradores e reposicionamento dos agentes diante da falta de novos estímulos comerciais.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Previsão do tempo divide Brasil entre chuva, frio e seca


A previsão do tempo para sexta-feira, 22 de maio, indica um Brasil dividido entre pancadas de chuva, frio em perda de intensidade e áreas de tempo seco, segundo dados divulgados pelo Inmet. As condições merecem atenção do setor agropecuário porque podem afetar atividades de campo, deslocamento de máquinas, manejo de lavouras, pastagens e planejamento operacional em diferentes regiões do país.

Previsão do tempo mantém chuva no Norte e no Sudeste

De acordo com levantamento do Inmet, as pancadas de chuva continuam na Região Norte nesta sexta-feira, atingindo boa parte do Amazonas e do Pará, além dos estados mais ao norte do país, como Roraima, Amapá e áreas do norte do Amazonas. O destaque fica para o litoral do Amapá, onde os acumulados podem se intensificar e superar os 70 milímetros em algumas localidades.

Para o produtor rural, o volume de chuva exige atenção ao excesso de umidade no solo, às condições de acesso às áreas produtivas e ao andamento de atividades que dependem de janelas de tempo mais firme. Ainda conforme o Inmet, as temperaturas na Região Norte devem variar entre mínima de 17 °C, prevista para Rio Branco, e máxima de 35 °C em Palmas, onde a umidade relativa do ar pode chegar a 30% no período da tarde.

No Sudeste, as condições para pancadas de chuva também permanecem. Segundo o Inmet, há previsão de chuvas isoladas ao longo do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No nordeste de Minas Gerais, a possibilidade é de pancadas de chuva, com acumulados mais significativos em relação a outras áreas da região. As temperaturas máximas previstas chegam a 34 °C, enquanto as mínimas ficam em torno de 16 °C.

Nordeste terá chuva no litoral e tempo seco no Sertão

Na Região Nordeste, a previsão do tempo para sexta-feira aponta chuva isolada ao longo de todo o litoral, principalmente no Recôncavo Baiano e na faixa entre o Maranhão e o Rio Grande do Norte. O Inmet também indica pancadas de chuva no sul da Bahia ao longo de todo o dia, condição que pode interferir em atividades agrícolas, deslocamentos e manejo em áreas mais sensíveis à umidade.

Apesar da instabilidade no litoral, o tempo segue firme e seco no Sertão. Conforme os dados divulgados pelo Inmet, a umidade relativa mínima pode atingir 30% em partes do Piauí, da Paraíba e do oeste da Bahia. Esse cenário reforça a necessidade de atenção ao manejo hídrico, à saúde de animais em sistemas pecuários e à conservação de umidade no solo, especialmente em áreas onde a estiagem já limita o desenvolvimento das culturas.

As temperaturas permanecem semelhantes às registradas no dia anterior, com a principal mudança prevista para o sul da Bahia. Em Teixeira de Freitas, a máxima deve ficar abaixo dos 26 °C, segundo o instituto. A combinação entre chuva no litoral e tempo seco no interior mantém contrastes importantes dentro da própria região, exigindo planejamento local por parte de produtores, cooperativas e técnicos.

Centro-Oeste segue com predomínio de sol e calor

No Centro-Oeste, a sexta-feira não deve trazer mudanças significativas nas condições meteorológicas. De acordo com o Inmet, haverá variação de nebulosidade, mas o sol deve predominar na maior parte dos estados da região. Não há indicação de chuva relevante no material divulgado, o que mantém o padrão de tempo firme observado no dia anterior.

As temperaturas máximas devem ficar em torno de 36 °C, enquanto as mínimas ficam próximas de 15 °C. Para o agro, o cenário favorece algumas operações de campo que dependem de tempo seco, mas também exige atenção ao calor, à baixa umidade e à conservação de água em sistemas produtivos. Em áreas de lavouras, pastagens e armazenamento, o monitoramento das condições ambientais segue importante para evitar perdas operacionais.

A permanência do tempo estável também pode contribuir para o avanço de atividades como colheita, transporte e preparo de áreas, desde que as condições locais de solo permitam. Por outro lado, a ausência de chuva pode ampliar a necessidade de estratégias de manejo em propriedades que dependem de umidade para manutenção de culturas e pastagens.

Frio perde força, mas geada ainda preocupa no Sul

Na Região Sul, o frio começa a perder força nesta sexta-feira, mas o risco de geada ainda permanece. Segundo o Inmet, há previsão de geada no norte do Rio Grande do Sul e na Serra Catarinense, embora com menor intensidade. As mínimas seguem próximas de zero em Santa Catarina e no norte gaúcho, condição que exige atenção especial de produtores em áreas suscetíveis.

A formação de áreas de instabilidade também deve alterar as condições do tempo na região. Conforme o Inmet, são esperadas pancadas de chuva no Paraná e em Santa Catarina. Essa combinação entre frio, umidade e instabilidade pode impactar o manejo de culturas sensíveis, a sanidade de animais e a programação de atividades de campo, especialmente em áreas serranas e regiões produtoras com maior exposição às baixas temperaturas.

As máximas devem ficar em torno de 24 °C no norte do Paraná, indicando recuperação térmica em parte da região. Ainda assim, a previsão de mínimas próximas de zero mantém o alerta para culturas mais vulneráveis à geada e para sistemas pecuários que exigem maior cuidado nas primeiras horas do dia.

 





Source link