segunda-feira, junho 1, 2026

Política & Agro

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Cotação do trigo atinge maior nível em meses


A cotação do trigo voltou a subir no mercado internacional na última semana, impulsionada por fatores geopolíticos e climáticos. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, referente ao período de 24 a 30 de abril, o contrato do cereal na Bolsa de Chicago atingiu US$ 6,49 por bushel no dia 28, o maior nível desde 4 de junho de 2024. No encerramento de quinta-feira (30), a cotação recuou para US$ 6,23, ainda acima dos US$ 6,10 registrados uma semana antes.

De acordo com a entidade, a alta está ligada à continuidade da crise no Oriente Médio e às dificuldades para uma solução do conflito, além das preocupações com o clima nas regiões produtoras do Hemisfério Norte. A atuação dos fundos de investimento, que voltaram a ampliar posições compradas, também contribuiu para sustentar os preços.

Nos Estados Unidos, as condições das lavouras indicam cenário misto. Até 26 de abril, 35% das áreas de trigo de inverno eram classificadas entre ruins e muito ruins, enquanto 30% estavam entre boas e muito boas. Já o plantio do trigo de primavera alcançava 19% da área prevista, abaixo da média histórica de 22%, com 5% das lavouras já germinadas.

As exportações norte-americanas somaram 365.156 toneladas na semana encerrada em 23 de abril, elevando o total embarcado no atual ano comercial para 21,8 milhões de toneladas, volume superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

No Brasil, a valorização externa começa a influenciar o mercado interno em um momento de entressafra e de redução da área prevista para o próximo plantio. Ao mesmo tempo, moinhos buscam recompor estoques, o que sustenta a demanda. Ainda assim, o cenário é de volatilidade, com aumento expressivo nos custos de produção, especialmente de fertilizantes, que acumulam alta superior a 60% desde o início da guerra no Oriente Médio.

Segundo analista da StoneX, o avanço desses custos tem impacto direto sobre a rentabilidade do produtor. “o aumento dos custos com fertilizantes nitrogenados reduz de forma direta a margem de lucro da produção de trigo. Com isso, muitos agricultores começam a reavaliar suas estratégias e, em alguns casos, optam por migrar parte da área para culturas que exigem menos insumos ou oferecem melhor retorno financeiro”.

As dificuldades logísticas e restrições de exportação de insumos em alguns países também afetam o abastecimento global, ampliando as incertezas. Diante desse cenário, estimativas apontam para uma possível queda de 16% na produção brasileira de trigo, que pode chegar a 6,6 milhões de toneladas, caso as condições climáticas sejam favoráveis.

Com menor oferta interna, a tendência é de aumento nas importações. Projeções indicam que o Brasil poderá importar até 8,2 milhões de toneladas na safra 2026/27, superando o recorde anterior. A demanda nacional é estimada em 13,3 milhões de toneladas, conforme dados de Conab e consultorias do setor.

Analistas de Bunge e da Abitrigo destacam que o aumento dos custos pode afetar tanto o volume quanto a qualidade da produção nacional. “o aumento dos custos, especialmente de fertilizantes, tende a pressionar as margens do produtor, o que pode levar à redução de área plantada e menor investimento em tecnologia. Isso pode impactar tanto o volume quanto a qualidade do trigo produzido no Brasil, reforçando a dependência estrutural de importações. Soma-se a isso o fato de que a capacidade das empresas moageiras de estocar trigo também é historicamente limitada, fato que as obriga a importar continuamente”.

A qualidade do trigo importado também preocupa o mercado. O produto argentino, principal fornecedor ao Brasil, tem apresentado teor de proteína inferior ao necessário para panificação, o que pode limitar sua utilização. Diante desse quadro, o mercado brasileiro deve enfrentar desafios nos próximos meses, relacionados a custos, qualidade e regularidade no fornecimento.





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Milho fecha abril em alta no mercado global


A cotação do milho registrou alta na última semana de abril no mercado internacional. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, referente ao período de 24 a 30 de abril, o contrato do cereal na Bolsa de Chicago encerrou o dia 30 em US$ 4,64 por bushel, ante US$ 4,55 uma semana antes.

De acordo com a entidade, o movimento foi influenciado por fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, além do reposicionamento dos fundos de investimento, que voltaram à ponta compradora. Apesar da alta, os fundamentos de oferta seguem pressionados pelo bom andamento do plantio nos Estados Unidos.

Até 26 de abril, o plantio da nova safra norte-americana alcançava 25% da área prevista, acima da média histórica de 19%. No mesmo período, 7% das lavouras já haviam germinado, superando os 4% registrados na média para a data.

No comércio exterior, os embarques dos Estados Unidos também contribuíram para sustentar as cotações. Na semana encerrada em 23 de abril, as exportações somaram 1,6 milhão de toneladas, elevando o volume acumulado no atual ano comercial para 53,4 milhões de toneladas, acima das pouco mais de 40 milhões embarcadas no mesmo intervalo do ciclo anterior.

Outro fator de suporte aos preços vem da Europa. A perspectiva de redução da área cultivada com milho em países da União Europeia, diante do aumento dos custos de fertilizantes e energia, limita a oferta global. Estimativas indicam que a área semeada pode ficar abaixo de 8 milhões de hectares em 2026, o que seria o menor nível neste século.

O cenário de custos elevados e maior risco climático tem reduzido as margens dos produtores europeus. Na França, a área destinada ao milho pode recuar entre 10% e 15%, enquanto na Polônia a expectativa é de leve redução, para cerca de 1,25 milhão de hectares. Na Alemanha, a projeção aponta crescimento de 3,5%, embora sobre uma base menor, com área total próxima de 507 mil hectares.





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El Niño pode afetar produção global de café


O avanço das condições para formação do fenômeno El Niño já influencia as projeções para o mercado de commodities agrícolas. Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration, há cerca de 60% de probabilidade de ocorrência entre maio e julho. Modelos do International Research Institute for Climate and Society indicam cenário semelhante no curto prazo e apontam para a continuidade do evento até o fim de 2026 e início de 2027.

As projeções sugerem aquecimento das águas do Oceano Pacífico, sem indicação de elevação direta da temperatura global, mas com potencial de intensificar o fenômeno. Esse padrão pode alterar condições climáticas em regiões produtoras e elevar riscos para a agricultura, especialmente em culturas como o café.

De acordo com a analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, Laleska Moda, o cenário exige atenção. “As commodities agrícolas poderão enfrentar riscos climáticos mais elevados”, afirma.

Os modelos climáticos indicam aumento das anomalias de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, com possibilidade de superar 1,5°C entre outubro e novembro de 2026. Caso esse patamar se confirme por períodos consecutivos acima de +0,5°C, haverá caracterização oficial do fenômeno, com indicativos de maior intensidade.

No mercado agrícola, os impactos potenciais já são considerados. “No caso do café, isso poderia representar um desafio potencial para o desenvolvimento da safra 26/27 em áreas produtoras importantes, como a América Central e do Sul, o Sudeste Asiático e a África Oriental”, afirma Laleska Moda. “Períodos prolongados de calor também podem prejudicar o desenvolvimento da planta”, completa.

Na América Central, o fenômeno tende a provocar temperaturas mais altas e redução das chuvas, especialmente entre julho e agosto, período relevante para o desenvolvimento dos frutos. Na Colômbia, há risco de alterações no regime de precipitação, com impacto tanto na safra principal quanto na intermediária.

Na África Oriental, os efeitos variam conforme a região. Na Etiópia, há possibilidade de redução das chuvas em parte do ciclo, seguida por excesso hídrico na colheita. Em Uganda, o padrão costuma ser de precipitações acima da média, elevando o risco de eventos extremos. Já no Sudeste Asiático e na Índia, o fenômeno pode provocar condições mais quentes e secas, com impacto sobre as safras futuras.

No Brasil, a expectativa inicial é de redução do risco de geadas no inverno de 2026. Por outro lado, aumentam as preocupações com o desenvolvimento da safra 2027/28, diante de temperaturas mais elevadas durante fases como floração e enchimento dos grãos, além de possíveis mudanças no regime de chuvas.

Apesar da previsão de uma safra elevada no ciclo 2026/27, o cenário climático pode influenciar o comportamento dos preços. “Os possíveis impactos do El Niño poderiam limitar correções mais profundas do mercado no final do ano”, afirma Laleska Moda.





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descarbonização e combustíveis verdes pautam o maior debate


Na próxima quinta-feira (30/), Santa Rosa (RS) recebe o Fenasoja Soy Summit — Carbono Zero, evento que antecede a abertura da Feira Nacional da Soja e propõe, em um único dia, conectar a soja brasileira ao mundo. O Soy Summit já surge como referência em grandes debates. O evento ocorre no Centro Cívico Cultural de Santa Rosa, das 8h às 17h, e reúne autoridades, cientistas e executivos para debater os rumos da cadeia produtiva em cinco eixos: visão internacional, clima e gestão, ambiente de negócios, ciência e produção e mercados.

Entre as presenças confirmadas estão Paulo Herrmann, Luiz Carlos Molion, Erasmo Battistella (B&8), Daniel Carnio Costa, Renato Buranello, Luciano Schwerz (Emater/RS-Ascar), Júnior Rosa de Almeida (Camera), Tiago Maique (Bayer), Tiago Carpenedo (IEE — Instituto de Estudos Empresariais do Rio Grande do Sul) e Jerônimo Georgen, embaixador do Soy Summit.

O recorte “Carbono Zero” no título do evento não é apenas uma escolha temática, é um posicionamento. Em 2026, a descarbonização deixou de ser pauta ambiental para se tornar condição de acesso a mercados. Regulações como o CBAM europeu e as crescentes exigências de rastreabilidade nas cadeias globais de alimentos colocam produtores e exportadores diante de uma realidade sem retorno: quem não souber medir, reduzir e comunicar sua pegada de carbono ficará fora das melhores rotas comerciais. O Brasil chega a essa conversa com vantagens reais — e o Soy Summit é o espaço para torná-las estratégia.

A agricultura é, ao mesmo tempo, um dos setores mais vulneráveis às mudanças climáticas e um dos que mais têm a ganhar com a transição energética. Os combustíveis verdes, a exemplo do etanol de cana e de milho, biodiesel de soja, SAF (Sustainable Aviation Fuel) e o biogás gerado a partir de resíduos agrícolas, representam hoje uma das fronteiras mais promissoras dessa transformação. Para a soja brasileira, esse cenário é especialmente relevante: o grão que alimenta o mundo também pode mover o mundo, e a cadeia produtiva já começa a capturar esse valor.

É nesse contexto que ganha centralidade a participação de Erasmo Battistella (B&8), que apresentará “Soja Além do Grão: Desenvolvimento, Energia e Agregação de Valor”. A proposta é direta: mostrar como a soja pode ser vetor de descarbonização do transporte, da indústria e da própria agricultura, conectando o campo brasileiro à demanda global por energia limpa. O uso de máquinas agrícolas movidas a combustíveis renováveis, a eletrificação progressiva das operações de campo e a geração de energia a partir de resíduos da produção são caminhos que deixaram de ser experimentais para se tornarem economicamente viáveis e competitivos.

A agenda inclui ainda a participação de Tiago Maique (Bayer) e Tiago Carpenedo (IEE — Instituto de Estudos Empresariais do Rio Grande do Sul), que integrarão os painéis temáticos do evento, reforçando a convergência entre inovação agrícola, tecnologia e transição energética. A presença de perfis tão diversos — do direito ambiental à meteorologia, da agronomia às finanças — reflete a complexidade do desafio: descarbonizar a produção de soja exige respostas que nenhuma área isolada consegue dar.

Na mesma data, Santa Rosa entrega o Troféu Berço Nacional da Soja a personalidades ligadas à expansão da cultura no País. “A Fenasoja é, acima de tudo, a feira que representa o grão que transformou o Rio Grande do Sul e o Brasil — símbolo de desenvolvimento e prosperidade”, disse Marcos Eduardo Servat, presidente da Fenasoja 2026.

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja, com embarques superiores a 100 milhões de toneladas na safra 2024/25, segundo a Conab. Os mais de 350 mil visitantes esperados na Fenasoja, de 1º a 10 de maio, terão acesso a mais de 600 expositores, eventos técnicos, palestras, shows e programação cultural ao longo de 10 dias. A entrada é gratuita para pedestres, viabilizada por parceria com o Sicredi União RS/ES. A programação completa da feira acontece no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, em Santa Rosa (RS).





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Fenasoja terá fóruns sobre suinocultura, brucelose e tuberculose


A Fenasoja, que ocorre de 1º a 10 de maio em Santa Rosa, terá um dia dedicado à sanidade animal, com a realização de dois fóruns na quarta-feira (6/5): o 2º Fórum Estadual de Sanidade Suína, às 10h, e o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina, às 14h. Os encontros são organizados pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi) e pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). 

Sanidade Suína

A segunda edição do Fórum Estadual de Sanidade Suína tratará da biosseguridade na suinocultura. A programação vai abordar estratégias de prevenção de doenças, redução de riscos sanitários, proteção dos rebanhos e fortalecimento das ações integradas entre o setor produtivo e o Serviço Veterinário Oficial. 

“O evento será um espaço de diálogo técnico e institucional, reunindo especialistas, gestores, produtores e representantes da cadeia suinícola para discutir desafios atuais e boas práticas voltadas à manutenção do status sanitário da suinocultura gaúcha”, detalha a fiscal estadual agropecuária Gabriela Cavagni, do Programa de Sanidade Suídea do Rio Grande do Sul. 

A realização do Fórum durante a Fenasoja amplia o alcance das discussões, fortalece a integração entre cadeias produtivas e valoriza a sanidade animal como tema estratégico dentro do contexto do agronegócio, facilitando a participação dos diferentes atores envolvidos na suinocultura. “Além disso, temos a localização estratégica da cidade de Santa Rosa, numa região que reúne municípios com as maiores populações suínas do estado”, complementa Gabriela.

Brucelose e Tuberculose Bovina

O 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina vai discutir a importância da prevenção e do controle dessas enfermidades. A programação contará com palestras com experiência nas suas áreas, com a visão da Indústria de Laticínios, do produtor rural, do Fundo de Apoio – Fundesa, e do Serviço Veterinário Oficial Estadual.

“Santa Rosa está inserida numa das principais regiões produtoras de leite do estado, e sediar o Fórum na Fenasoja tem como finalidade de mobilizar e sensibilizar a cadeia de produção em relação ao tema”, explica a fiscal estadual agropecuária Ana Cláudia Groff, do Programa de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal da Seapi.





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Café despenca no fechamento e mercado reage à safra brasileira e alívio na…


Queda do petróleo e avanço da colheita no Brasil pressionam cotações e travam comercialização no campo

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O mercado futuro do café encerrou esta sexta-feira(17), com forte queda nas bolsas internacionais, refletindo mudanças importantes no cenário global e brasileiro.

Na Bolsa de Nova York, o café arábica fechou em baixa acentuada. O contrato julho/26 encerrou cotado a 284,80 cents/lb, com queda de 560 pontos. O setembro/26 terminou em 273,50 cents/lb, com recuo de 385 pontos. Já o dezembro/26 fechou em 266,20 cents/lb, com baixa de 275 pontos.

Na ICE Europa, o robusta também registrou perdas expressivas. O contrato maio/26 encerrou em US$ 3.412 por tonelada, com baixa de 62 pontos. O julho/26 fechou em US$ 3.282 por tonelada, com recuo de 65 pontos. O setembro/26 terminou cotado a US$ 3.220 por tonelada, com queda de 58 pontos. O novembro/26 encerrou em US$ 3.158 por tonelada, com baixa de 62 pontos.

O movimento do dia foi influenciado por uma combinação de fatores. No cenário externo, a reabertura do Estreito de Ormuz provocou queda de cerca de 10% nos preços do petróleo, reduzindo custos logísticos e retirando suporte das commodities agrícolas. Além disso, o mercado passou a enxergar menor risco de restrição na oferta global, o que contribuiu para a pressão sobre os preços.

Do lado brasileiro, o avanço da safra ganha cada vez mais peso na formação das cotações. Com a colheita em andamento, cresce a expectativa de aumento da oferta no curto prazo, o que já vem sendo precificado pelas bolsas internacionais.

No entanto, no mercado interno, a reação não é automática. O ritmo de comercialização segue moderado, com produtores adotando postura cautelosa diante da volatilidade recente e dos níveis atuais de preços. A queda nas bolsas nem sempre se traduz na mesma intensidade no físico, especialmente neste momento de transição de safra.

Outro fator que permanece no radar é o câmbio, que continua influenciando diretamente a competitividade das exportações brasileiras. A combinação entre dólar mais fraco em alguns momentos e pressão externa contribui para um ambiente mais desafiador na formação de preços.

O fechamento desta sexta-feira reforça um cenário de ajuste no mercado de café. A redução das preocupações com a oferta global, somada à entrada da safra brasileira e à queda do petróleo, amplia a pressão sobre as cotações.

O momento exige atenção redobrada. A volatilidade segue elevada e o avanço da colheita, combinado com fatores externos, pode continuar influenciando o mercado nas próximas semanas, exigindo estratégia na hora de comercializar.
 





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Comitiva argentina reforça laços culturais e comerciais durante a Fenasoja 2026


A Fenasoja 2026 não é apenas uma vitrine de inovação, cultura e agronegócio — também se consolida como um importante espaço de integração internacional. Nesta edição histórica, que celebra os 60 anos da feira, Santa Rosa recebe a visita de uma comitiva argentina com o objetivo de fortalecer relações e ampliar conexões entre os países vizinhos.

A delegação participa da feira para conhecer a estrutura, acompanhar a programação e também divulgar a tradicional Festa do Imigrante, realizada na cidade de Oberá, na Argentina. A comitiva é composta por membros da comissão organizadora do evento, representantes da imprensa e autoridades locais, evidenciando o caráter institucional e cultural da visita.

Mais do que um intercâmbio simbólico, o encontro abre portas para oportunidades concretas. A aproximação contribui para o fortalecimento dos laços de irmandade entre os municípios, além de incentivar relações comerciais e parcerias regionais, especialmente no contexto do Mercosul.

Essa integração também se reflete em outros momentos importantes da programação. Representantes argentinos já confirmaram presença no Soy Summit, que ocorre no dia 30 de abril, ampliando o debate com uma perspectiva internacional e oportunizando discussões transfronteiriças sobre a cadeia produtiva da soja.

Outro destaque será a realização, no dia 8 de maio, às 8h30, da Audiência Pública da Comissão de Integração Fronteiriça do Parlamento do Mercosul (Parlasul), no espaço da Etnia Italiana. O encontro reunirá representantes do Brasil e da Argentina em um diálogo estratégico sobre temas essenciais para o desenvolvimento das regiões de fronteira.

Essa conexão internacional não é recente. Segundo a Assessoria de Relações Internacionais, trata-se de uma parceria construída ao longo de mais de duas décadas, com atuação direta da comissão do Mercosul na promoção e manutenção desse relacionamento entre Santa Rosa e cidades argentinas.

A proximidade com o país vizinho também reforça o protagonismo de Santa Rosa no cenário regional. Hoje, o município é visto como referência, tanto pela sua organização quanto pelo desenvolvimento econômico e cultural, sendo inspiração para cidades da Argentina.

Para as próximas edições da feira, a tendência é de continuidade desse vínculo já consolidado. Mais do que expandir, o foco está em manter e fortalecer uma parceria que, ao longo dos anos, tem gerado resultados positivos para ambos os lados.

A Fenasoja 2026 celebra seus 60 anos com uma edição histórica, que acontece de 1º a 10 de maio no Parque de Exposições, em Santa Rosa, com entrada gratuita para o público.





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Safrinha perde força em estados-chave



A equipe técnica da consultoria esteve em dois estados


A equipe técnica da consultoria esteve em dois estados
A equipe técnica da consultoria esteve em dois estados – Foto: Nadia Borges

A irregularidade das chuvas em abril reduziu o potencial produtivo do milho safrinha em parte das principais regiões produtoras do país, embora o quadro geral ainda não indique perdas severas. Segundo avaliação preliminar da Veeries, baseada em visitas de campo, dados de satélite e informações regionais, as lavouras do Paraná e de Mato Grosso do Sul sentiram os efeitos de um período de pouca umidade em fases consideradas críticas do desenvolvimento.

A equipe técnica da consultoria esteve nos dois estados na semana passada para uma leitura antecipada das condições das lavouras. Os primeiros dados indicam que algumas áreas foram afetadas, o que diminui as chances de a safrinha superar o desempenho do ciclo anterior, 2024/25. Em determinadas regiões, os resultados podem ficar ligeiramente abaixo dos observados na temporada passada.

Apesar disso, a avaliação não aponta um cenário ruim. A leitura é de uma safra sem surpresa positiva nos dois estados, mas ainda com desempenho dentro de uma faixa considerada razoável. No restante do país, as condições são melhores em parte importante de Mato Grosso, especialmente no Médio-Norte, Norte e Oeste, onde dados de satélite e relatos de campo mostram bom desenvolvimento das lavouras.

Por outro lado, a falta de chuva na segunda metade de abril comprometeu o potencial da safrinha no Sudeste e no Leste de Mato Grosso, além de áreas de Goiás e Minas Gerais. A Veeries informou que as estimativas serão ajustadas nos próximos roteiros de Crop Tour, alguns exclusivos e outros em parceria com tradings. O próximo levantamento está previsto para começar em 4 de maio, no Médio-Norte mato-grossense.

 





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Variedade Santa Rosa conectou o Brasil através da produção de soja


Marco histórico na expansão da soja enquanto produto comercial, a variedade Santa Rosa, conectou diferentes regiões do país e o Brasil ao mundo. Lançada em 1966, durante a 1ª Feira Nacional da Soja (Fenasoja), em Santa Rosa (RS), a cultivar é considerada a primeira soja genuinamente brasileira de importância comercial. Desde então importantes avanços científicos e tecnológicos foram registrados e, atualmente, o Brasil lidera a produção mundial de soja, com projeção de produção de 179,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo a Conab.

Inicialmente, o cultivo enfrentou dificuldades de adaptação, principalmente climáticas, sendo que até os anos 1960, havia uma dependência de cultivares importadas dos Estados Unidos. Como resposta a esses desafios, em 1966, ocorre o lançamento da cultivar Santa Rosa, durante a Fenasoja. Com isso, a cultivar e a feira, comemoram, em 2026, 60 anos de história.

Essa importância será reconhecida durante a feira deste ano, com a inauguração de um monumento em homenagem à cultivar. O ato ocorre no dia 4 de maio, às 17h, no Parque de Exposições de Santa Rosa, município oficialmente reconhecido como Berço Nacional da Soja.

Desde seu lançamento em 1966, outros avanços genéticos e resultados a campo foram observados. A ciência e a produtividade, com o surgimento de novas cultivares, permitiram um salto de 1000 quilos por hectare, para uma média de 4000 quilos por hectare, fazendo com que a cadeia da soja seja responsável por aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O caso da família Daltrozo é um exemplo da conexão e dos avanços iniciados com a cultivar e que depois passaram por avanços. Quando nos anos 1970, os irmãos Daltrozo – sendo eles Osvaldo, Wilson, Luiz Carlos e Darci – saíram de Cruz Alta, município gaúcho a 141 quilômetros de Santa Rosa, levando consigo as sementes que permitiram que a família se tornasse uma das pioneiras na produção de soja na região de Primavera do Leste, no Mato Grosso. Hoje, segundo Lucas Daltrozo, neto de Wilson, a família segue o legado de resiliência, que levou a cultivar Santa Rosa à região, e de outras pessoas que abriram fronteiras agrícolas e contribuíram para que o Brasil se tornasse o maior produtor de soja do mundo. Atualmente, seguem cultivando soja em Primavera do Leste, um dos principais municípios produtores do país.

A partir dos anos 1970, o avanço da pesquisa agropecuária no Brasil, com a criação da Embrapa, permitiu o surgimento de variedades de soja adaptadas ao clima de diferentes regiões. Isso abriu caminho para a expansão da cultura em diferentes regiões, oportunizando que famílias como a Daltrozo, por exemplo, ampliassem os horizontes agrícolas no Cerrado.

Com o tempo, novas cultivares trouxeram mais produtividade e resistência a doenças. Nos anos 1990, surgiram variedades mais resistentes a doenças, como o cancro-da-haste. Já nos anos 2000, os avanços permitiram que diferentes regiões adotassem a segunda safra, com melhores resultados.

A partir de 2010, as tecnologias avançaram ainda mais, com plantas resistentes a pragas e doenças. Hoje, as cultivares mais modernas combinam alta produtividade, estabilidade e adaptação a diferentes regiões do país.





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Emater/RS-Ascar apresenta estimativa da safra de soja e milho para a região de Santa Rosa


Santa Rosa, reconhecida como Berço Nacional da Soja, sedia nos próximos dez dias (1º a 10/05) a edição da Fenasoja que comemora os 60 anos do evento, no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson. Integrando a programação da feira, foi realizado na manhã desta sexta-feira (1º/05) o ato que marca o Encerramento Nacional da Colheita da Soja, com a presença do vice-governador Gabriel Souza e diversas autoridades, oportunidade em que a Emater/RS-Ascar apresentou os dados relativos à segunda Estimativa da Safra 2025-2026 para a soja e o milho. Na região de Santa Rosa a colheita da soja já chegou a 77% do total cultivado, e no caso do milho esse percentual chega a 94%.

Os números, apresentados pelo presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, mostram que na estimativa atual a área de produção de soja na regional é de 784.008 hectares. A produtividade esperada atualmente é de 2.350 kg/ha, com expectativa de colher 1.842.419 toneladas. “A safra de verão da soja, um importante componente da agricultura regional, demonstra sensibilidade às condições climáticas. Os dados revelam um cenário desafiador”, destacou o presidente.

Os trabalhos de colheita já alcançaram 77% da área cultivada na região, como mostra o último Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (30/04). Outros 14% estão em maturação, 8% em enchimento de grãos e 1% em floração. Fatores como a distribuição das chuvas, manejo e tipo de solo influenciam na variabilidade produtiva, com registros que vão de 1.200 a 4.200 kg/ha até o momento. “É importante ressaltar a heterogeneidade regional, com variações significativas, especialmente em função da escassez de chuvas, que impacta diretamente o desempenho das lavouras”, observou Baldissera.

No milho a produção deve ser 66.822 toneladas maior do que fora previsto inicialmente. No plantio era esperada a colheita de 1.133.008 toneladas e agora a projeção é de 1.199.830 toneladas. A área também foi revisada para cima, tendo sido registrados 12.703 hectares a mais, quando comparados os 137.501 ha da primeira estimativa com os 150.204 ha de agora. A produtividade média indicada pela estimativa atual é de 7.988 kg/ha, menos 3,1% do que os 8.240 kg/ha iniciais. “O milho tem demonstrado maior estabilidade na produção, especialmente quando cultivado dentro da janela adequada e com práticas de manejo apropriadas”, afirmou.

A colheita do milho já foi concluída em 94% das áreas plantadas na região, restando pequenas parcelas em floração (1%), enchimento de grãos (4%) e maturação (1%). As chuvas ocorridas recentemente favoreceram o desenvolvimento das lavouras, e não há registros relevantes de pragas ou doenças. Porém, há preocupação com a possibilidade de geadas precoces interferirem na finalização do ciclo. “Há uma preocupação constante com os eventos climáticos, e a possibilidade de geadas precoces pode interferir na fase final das lavouras”, alertou o presidente.

No Estado a área plantada com soja, pela estimativa, é de 6.624.988 hectares, com produtividade de 2.871 kg/ha e produção de 19.017.426 toneladas. A área do milho estimada no RS é de 803.019 hectares, com produtividade de 7.424 kg/ha, que devem resultar em uma produção final de 5.961.639 toneladas do cereal.

“A redução na produção e seus impactos financeiros são notáveis, com perdas expressivas, o que reforça a necessidade de avaliar a vulnerabilidade climática e avançar em políticas públicas voltadas à irrigação, manejo e conservação do solo e da água”, concluiu Baldissera.





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