terça-feira, março 31, 2026

Política & Agro

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Petrobras e BNDES apostam na restauração florestal sustentável


A Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram o lançamento do ProFloresta+, um programa inédito que visa a contratação de créditos de carbono gerados a partir da restauração florestal na Amazônia. Segundo informações divulgadas pela Petrobras, a iniciativa pretende recuperar até 50 mil hectares de áreas degradadas, o equivalente a 50 mil campos de futebol, e capturar cerca de 15 milhões de toneladas de carbono, comparável às emissões anuais de 8,94 milhões de veículos movidos a gasolina.

O ProFloresta+ é um dos maiores programas de compra de créditos de carbono de restauração no Brasil e o primeiro a contar com um financiador direto, o BNDES. A primeira fase do projeto prevê um edital para a contratação de até 5 milhões de créditos de carbono, abrangendo uma área de 15 mil hectares e movimentando mais de R$ 450 milhões em investimentos. A expectativa é a geração de 4.500 empregos diretos.

Consulta ao mercado e participação de empresas

Empresas interessadas podem contribuir com a construção da minuta do primeiro edital e do contrato de compra de carbono. “Essa iniciativa nos permitirá atender nossos compromissos climáticos com créditos de carbono de alta qualidade e, ao mesmo tempo, fomentar o desenvolvimento do setor de restauração”, destacou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Os créditos de carbono serão gerados a partir da restauração ecológica de áreas degradadas com espécies nativas e terão sua compra garantida pela Petrobras por meio de contratos de longo prazo (offtake), com preços definidos via licitação. O BNDES, por sua vez, oferecerá financiamento para os projetos por meio de linhas de crédito especiais, como o Fundo Clima, com taxas e prazos diferenciados.

Impacto ambiental e econômico

Para Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, o programa terá um impacto significativo na escala de restauração da floresta amazônica e na descarbonização das empresas brasileiras. “Vamos transformar a restauração e a manutenção da floresta em uma atividade rentável para empresas e comunidades locais, garantindo benefícios ambientais e climáticos”, afirmou Mercadante.

A iniciativa também conta com o apoio técnico do Nature Investment Lab (NIL), que facilitou o diálogo com especialistas do setor. O Instituto Clima e Sociedade (ICS) também participou da elaboração do projeto, trazendo diretrizes técnicas e socioambientais para garantir a integridade dos créditos de carbono.

A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ressaltou que o projeto se soma a outras iniciativas do Banco para a proteção da Amazônia, incluindo o Arco da Restauração. “A crise climática e social na região exige que aceleremos a recuperação da vegetação nativa, especialmente nas áreas mais degradadas”, afirmou.

Empresas interessadas na consulta ao mercado podem solicitar inscrição pelo e-mail [email protected] para receber o material completo. Com o ProFloresta+, a Petrobras e o BNDES reforçam o compromisso com a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico do Brasil.





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preços sustentados por alta na demanda



USDA pode definir tendência do milho nesta semana




Foto: Pixabay

O mercado interno do milho mantém preços sustentados pela demanda firme. Segundo análise da Grão Direto desta segunda-feira (31), a recente decisão do governo de aumentar a mistura de etanol na gasolina de 27% para 30% pode intensificar ainda mais a procura pelo cereal no curto prazo. Esse cenário tende a pressionar a oferta disponível, sustentando as cotações nas próximas semanas.

As condições climáticas também influenciam as projeções para o milho segunda safra. De acordo com modelos meteorológicos, o atual período de neutralidade entre os fenômenos El Niño e La Niña pode favorecer o desenvolvimento da cultura. A previsão indica temperaturas mais amenas no Centro-Oeste e chuvas bem distribuídas nas principais regiões produtoras. A manutenção desse padrão climático será determinante para a produtividade e para evitar perdas na safra.

No mercado internacional, a expectativa se volta para o relatório de intenção de plantio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A estimativa é de um aumento de 4% na área plantada de milho nos EUA em relação ao ano passado. Caso confirmado, esse crescimento pode exercer pressão baixista sobre os preços. Por outro lado, se os números ficarem abaixo do esperado, as cotações podem se sustentar no curto prazo.

O mercado segue monitorando esses fatores, e a depender do relatório do USDA, a semana pode registrar uma recuperação nos preços ou, ao menos, um período de estabilidade.





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Tecnologia moderna auxilia pets contra infecção



Tais infecções podem comprometer seriamente o bem-estar animal



 Tais infecções podem comprometer seriamente o bem-estar
Tais infecções podem comprometer seriamente o bem-estar – Foto: Pixabay

O Brasil, com sua população de aproximadamente 160 milhões de animais de estimação, enfrenta grandes desafios sanitários devido ao aumento da quantidade de cães e gatos. Esse crescimento demanda maior atenção dos tutores e médicos-veterinários, especialmente no combate a doenças. Para isso, a utilização de tecnologias avançadas é essencial, como destaca a médica-veterinária Patricia Guimarães, coordenadora de serviços técnicos da Vetoquinol Saúde Animal.

“Em termos de arsenal para proteção e combate das enfermidades, quanto mais opções tecnológicas tivermos mais eficazes seremos”, explica.

Entre as tecnologias mais eficazes no combate às infecções bacterianas, destaca-se a marbofloxacina, um princípio ativo de comprovada eficácia no tratamento de diversas condições que afetam cães e gatos. Infecções bacterianas comuns em pets incluem problemas de pele, trato urinário, respiratório e gastrointestinal, além de outros órgãos. Tais infecções podem comprometer seriamente o bem-estar dos animais, causando sintomas como febre, perda de apetite, vômitos e diarreias.

O antibiótico Marbocyl® P, da Vetoquinol, é uma solução moderna de terceira geração que oferece uma ação terapêutica prolongada de 24 horas, sendo eficaz contra uma variedade de bactérias. Ele é indicado para cães e gatos, com a vantagem de possuir alta palatabilidade, o que facilita a administração pelos tutores. Disponível em três diferentes apresentações, seus comprimidos sulcados e palatáveis garantem conforto tanto para pets de pequeno quanto de grande porte, atendendo de forma precisa e eficaz as necessidades de cada animal.

 





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Transição de pastagens é afetada por clima irregular


A transição entre as pastagens de verão e o início do plantio das forrageiras de inverno no Rio Grande do Sul ocorre sob condições climáticas desafiadoras. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, as chuvas registradas foram pontuais e insuficientes para garantir o estabelecimento seguro de espécies como aveia e azevém.

Na região de Bagé, a taxa de crescimento do campo nativo diminuiu devido à falta de chuvas e ao estágio reprodutivo das espécies. No entanto, em solos mais férteis, a capacidade de suporte permanece adequada, embora exija monitoramento. Em Erechim, tanto espécies anuais quanto perenes apresentam menor desempenho, reduzindo a oferta e a qualidade da forragem. Em Frederico Westphalen, as chuvas regulares garantiram boa disponibilidade de pasto, mas em áreas afetadas pela estiagem e altas temperaturas, o desenvolvimento das forrageiras está comprometido.

Em Caxias do Sul, a recuperação das forrageiras ocorre com o retorno das chuvas e a redução das temperaturas. Já em Lajeado, as pastagens perenes de verão seguem produtivas, apesar da irregularidade das chuvas, enquanto as forrageiras anuais estão no fim do ciclo. O plantio das pastagens de inverno já começou, com destaque para o trigo de pastejo.

Passo Fundo enfrenta os impactos da estiagem e das altas temperaturas, o que prejudicou o desenvolvimento das pastagens. As forrageiras anuais de verão estão em fim de ciclo, e as perenes apresentam recuperação limitada devido à baixa umidade. Em Pelotas, o rebrote do campo nativo ocorre de maneira adequada, e áreas de arroz recém-colhidas estão sendo utilizadas para pastejo. Porto Alegre registra boas condições de umidade do solo, favorecendo a brotação e o crescimento do campo nativo, enquanto as pastagens cultivadas estão em pleno estágio vegetativo.

Na região de Santa Maria, o clima recente contribuiu para o rebrote das pastagens nativas e cultivadas, apesar da diminuição da umidade do solo. Já em Santa Rosa, a falta de chuvas nas últimas semanas afetou o crescimento das forrageiras e reduziu a oferta de pasto. Situação semelhante ocorre em Soledade, onde a ausência de precipitações nas últimas duas semanas desacelerou o crescimento das pastagens de verão, embora a oferta ainda seja considerada satisfatória, principalmente nas áreas com espécies perenes.





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Recuperações judiciais no agro quase triplicam em 2024


O setor agropecuário brasileiro registrou 1.272 pedidos de recuperação judicial em 2024, segundo levantamento da Serasa Experian. O número representa a soma de solicitações feitas por produtores rurais atuando como pessoa física e jurídica, além de empresas do setor. O total quase triplicou em relação a 2023, quando foram registrados 534 pedidos.

De acordo com Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, diversos fatores impactaram a saúde financeira do setor, especialmente entre os produtores mais alavancados. “A alta da taxa de juros, aliada ao aumento dos custos de produção com insumos agrícolas – que ficaram mais caros devido à inflação e à desvalorização cambial –, foram alguns dos desafios principais e, para além disso, tivemos o agravante das adversidades climáticas”, explica.

A análise trimestral também apontou crescimento. No quarto trimestre de 2024, o setor registrou 320 pedidos de recuperação judicial, contra 254 no terceiro trimestre. Segundo Pimenta, a variação confirma um represamento de solicitações no terceiro trimestre. “O aumento registrado nos últimos três meses do ano comprova a estimativa de represamento que aconteceu no terceiro trimestre, quando a quantidade de pedidos caiu. Então, no último recorte de 2024 é possível confirmar uma amostragem com o patamar real de requisições. Ainda assim, apesar da alta, é preciso ponderar o número absoluto de solicitações, que é pequeno se considerarmos um universo com cerca de 1,4 milhão de produtores que tomaram crédito rural durante os últimos dois anos no país.”

Os produtores rurais que atuam como pessoa física somaram 566 pedidos em 2024, um aumento significativo em relação aos 127 registrados em 2023. O número também cresceu entre o terceiro e o quarto trimestre, com alta de 32,1%. Do total de solicitações feitas ao longo do ano, 224 foram realizadas por arrendatários ou grupos econômicos ligados ao setor. Entre os proprietários, os grandes responderam por 132 pedidos, os pequenos por 113 e os médios por 97. O levantamento destacou Mato Grosso e Goiás como os estados com maior número de requerimentos.

Os pedidos feitos por produtores rurais que atuam como pessoa jurídica também apresentaram alta. Em 2024, foram 409 solicitações, contra 162 no ano anterior. A tendência de crescimento foi confirmada pela análise trimestral, com um aumento de 19,6% entre o terceiro e o quarto trimestre. Entre os setores mais impactados, o cultivo de soja liderou com 222 pedidos, seguido pela criação de bovinos (75), cultivo de cereais (49), cultivo de café (16) e cultivo de algodão e outras fibras de lavoura temporária (10). Mato Grosso e Goiás também lideraram a demanda nesse segmento.

As empresas relacionadas ao agronegócio registraram 297 pedidos de recuperação judicial em 2024, frente a 245 em 2023. No comparativo trimestral, o quarto trimestre apresentou um crescimento de 25% em relação ao terceiro. O setor de agroindústrias de transformação primária concentrou o maior número de pedidos (73), seguido pelos serviços de apoio à agropecuária (64), indústrias de processamento de agroderivados (58), comércio atacadista de produtos agropecuários primários (33) e revendedores de insumos agropecuários (32). Os estados com maior número de solicitações foram São Paulo e Paraná, seguidos por Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A Serasa Experian destacou que o uso de ferramentas de análise de risco pode reduzir os impactos da inadimplência no setor. O Agro Score, solução da empresa para prever riscos financeiros no agronegócio, apontou que os produtores que pediram recuperação judicial apresentavam sinais de instabilidade financeira anos antes da solicitação. “Usar análises mais criteriosas para conceder linhas de crédito protege o mercado da realização de financiamentos com perfis economicamente instáveis, diminuindo riscos e fomentando a regulamentação da saúde financeira no setor”, conclui Marcelo Pimenta.

O levantamento da Serasa Experian foi baseado em dados de processos de recuperação judicial registrados nos tribunais de justiça de todos os estados brasileiros. A análise considerou produtores rurais de diferentes portes, atuando como pessoa física ou jurídica, além de empresas do setor com Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) vinculada ao agronegócio.





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prêmios em Santos e Paranaguá ainda sustentam preços



Prêmios da soja recuam na semana, mas seguem valorizados em relação a 2023




Foto: Divulgação

Os prêmios da soja apresentaram queda na última semana. Segundo análise do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgada nesta segunda-feira (31), no Porto de Santos, o contrato corrente encerrou o período com média de ¢US$ 89,75/bu, recuo de 12,86% em relação à semana anterior. Em Paranaguá, a desvalorização foi ainda mais acentuada, com o indicador fechando em ¢US$ 61,25/bu, uma queda de 19,93%.

Apesar da retração semanal, os prêmios permanecem superiores aos registrados no mesmo período de 2023. Em Santos, a valorização acumulada chega a 371,05%, enquanto em Paranaguá o aumento é de 306,76%. O crescimento reflete a maior demanda pela soja brasileira nos portos, impulsionada pelo aumento dos conflitos comerciais entre China e Estados Unidos.

O levantamento do Imea também destacou que os prêmios negociados para março de 2025 atingiram os maiores patamares desde outubro de 2024. Além disso, mesmo com a estabilidade nas cotações da soja em Chicago e a desvalorização do dólar, os prêmios seguiram sustentando os preços da oleaginosa no Brasil.





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Inmet emite alerta de perigo para acumulado de chuva



Aviso vale das 11h às 23h e prevê chuvas entre 30 a 60 mm/h ou 50 a 100 mm/dia




Foto: Pixabay

Segundo informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), um alerta de acumulado de chuva com grau de severidade “Perigo” foi emitido para esta segunda-feira (31). O aviso vale das 11h às 23h e prevê chuvas entre 30 a 60 mm/h ou 50 a 100 mm/dia, podendo causar alagamentos, deslizamentos de encostas e transbordamento de rios em diversas regiões do país.

Regiões mais afetadas e impactos esperados

Embora o alerta do Inmet não especifique locais exatos, cidades com histórico de enchentes e áreas de encosta devem redobrar a atenção. A combinação do solo encharcado e o grande volume de água em um curto período pode gerar deslizamentos, afetando moradias, estradas e até interrompendo serviços essenciais, como fornecimento de energia elétrica.

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Moradores de regiões vulneráveis devem ficar atentos a sinais de instabilidade, como rachaduras em muros e terrenos, além de qualquer movimentação anormal no solo. Pequenos córregos podem transbordar rapidamente, criando situações de risco para pedestres e motoristas.





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Estudo mostra como deslizamentos afetaram fertilidade do solo


Análises de solo funcionam como exames médicos que buscam identificar doenças. No caso da terra, a intenção é descobrir a qualidade e as necessidades do solo para o cultivo de plantas. O projeto de extensão dos Programas de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS), em Agrobiologia (PPGAgroBio) e em Química (PPGQ) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizou um trabalho de coleta e análise de solo na Serra Gaúcha, em cidades  atingidas pelas enchentes de maio de 2024. Nos municípios de Pinto Bandeira, Bento Gonçalves e Veranópolis, os pesquisadores coletaram amostras em áreas de deslizamento de propriedades rurais dedicadas à fruticultura.

Allan Kokkonen, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS) e integrante do projeto, explica que as análises comuns revelam dois padrões distintos: os solos de áreas nativas, que tendem a ser muito ácidos e apresentam baixa disponibilidade de nutrientes, tornando-se menos adequados para o cultivo; e os solos de áreas já cultivadas, nos quais geralmente se identifica a necessidade de reposição de adubação ou fertilização.

No caso da Serra Gaúcha pós enchente, os pesquisadores identificaram ainda um terceiro tipo de solo, que mistura características de áreas nativas e cultivadas. No deslizamento de terra, tanto as áreas que perderam quanto as que receberam sedimentos passam por uma grande transformação. O material deslocado pode conter solo, pedras e outros elementos, tornando o cenário imprevisível. “É uma completa surpresa, um tiro no escuro. A gente não sabe o que vai encontrar ali”, destaca Allan. Para o pesquisador, na comparação com exames de sangue, é como se a análise mostrasse uma doença nova, que ainda não tem padrão de tratamento.

Os resultados mostram que as áreas degradadas não perderam grandes quantidades de nutrientes, mas apresentaram um aumento na acidez. Esse problema, porém, pôde ser facilmente corrigido com aplicação de calcário, permitindo que muitas áreas já estejam aptas para o cultivo. “Esse foi um resultado que a gente não esperava: essas áreas de deposição têm fertilidade relativamente boa para a maioria dos nutrientes”, ressalta Allan.

No entanto, para o pesquisador, o maior problema diz respeito à qualidade ou saúde do solo, ou seja, não se trata apenas de analisar os nutrientes, mas também a estrutura. Os pesquisadores perceberam que os solos analisados tiveram perda de matéria orgânica. Allan explica: “É aquele material que tem origem orgânica, formado por microorganismos que vieram de plantas decompostas”. Allan ressalta que a matéria orgânica tem várias funções importantes. “Ela é responsável por dar estrutura e agregação ao solo, o que é crucial, pois é essa estrutura que facilita a retenção de água”, detalha. Essa característica auxilia em períodos de seca, em que a água é mais escassa – como o que o Rio Grande do Sul enfrenta agora.

Um segundo ponto é que a matéria orgânica oferece nutrientes para a planta, principalmente nitrogênio, um dos mais importantes para o fornecimento de energia. “Provavelmente esses solos que perderam muita matéria orgânica – e foi bastante a quantidade perdida – vão ter um volume de micróbios, de fungos e de bactérias muito pequenos. E eles são benéficos”, especifica Allan.

Além disso, de acordo com o pesquisador, a matéria orgânica também pode interagir com o ambiente. “Ela é feita basicamente de carbono”, afirma. Ou seja, quando está no solo, permite que ele funcione como dreno de carbono, que se converte em energia para o desenvolvimento das plantas. “Quando se perde ela, provavelmente foi liberada na forma de gás. Ou seja, toneladas e toneladas de carbono que estavam na matéria orgânica, estocadas no solo, foram para a atmosfera”, conclui. Para Allan, essa perda transforma os sistemas agrícolas de drenos em emissores. “Aquela área de deslizamento emitiu bastante carbono, o que a gente sabe que vai potencializar as mudanças climáticas e o efeito estufa”, destaca.

Prejuízos no setor da agricultura

Na Serra Gaúcha, cujas características são de encostas e morros, o relevo acidentado facilita o escoamento superficial das águas. De acordo com pesquisadores do Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces) da UFSM, esses solos têm adaptações que favorecem a condução de águas em períodos de chuva normais. No entanto, em maio de 2024, em regiões como a da Serra, choveu mais de 500 milímetros em 48 horas, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nesses casos, há uma sobrecarga dos sistemas hídricos, o que resultou em deslizamentos de terra em encostas.

Estes eventos não causaram só consequências sociais, mas também prejuízos financeiros, especialmente na agricultura. De acordo com dados de estudo realizado em novembro pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), são pelo menos R$88,9 bilhões em prejuízos financeiros, entre o setor produtivo (69%), o social (21%), a infraestrutura (8%) e o meio ambiente (1,8%).

Já no setor da agricultura, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou, em junho do ano passado, perdas que somam pelo menos R$ 467 milhões, em pequenas, médias e grandes propriedades. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), ocorreram danos diversos em setores produtivos de grãos, olericultura – cultivo de hortaliças, legumes e verduras -, floricultura, pastagens, produção leiteira e produção florestal, além de animais mortos e solos afetados. A fruticultura também foi impactada, afetando a produção de uva, pêssego, caqui, kiwi, bergamota, ameixa, nectarina e outras frutas.

Rubiane Rubo é engenheira agrônoma e presidente da Associação dos Produtores de Frutas de Pinto Bandeira. Depois de terminar a graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela retornou à propriedade familiar para continuar o negócio iniciado pela avó. São cerca de cem hectares com plantações de frutas diversas em um terreno extenso em comprimento. Rubiane conta que, nas enchentes, três grandes deslizamentos atingiram a propriedade. “Um no início, um no meio e um no final. Isso comprometeu os tratamentos de inverno, porque a gente trabalha em patamares, então não tinha como um trator andar”, explica. Patamares são formas de organizar o terreno dos pomares, em uma espécie de escada. Maurício Bonafé, engenheiro agrônomo na Vinícola Aurora, esclarece que esses sistemas são feitos para evitar a perda de solo por escorrimento superficial de água, ou seja, em volumes normais de chuva. “Isso faz com que a água caia com menor velocidade no solo. A gota tem menos impacto e consequentemente a água consegue penetrar com mais facilidade”, detalha. Além disso, outra estratégia que tem esse intuito é a da cobertura verde, ou seja, o plantio de árvores e vegetações, o que também favorece a função do solo como reservatório de água.

Os deslizamentos atrasaram os tratamentos de inverno nos pomares, por conta do risco e da dificuldade de acesso à propriedade. “Comprometeu a floração depois, que não foi de tanta qualidade, e consequentemente impactou em menor quantidade de frutos”, relata Rubiane.

Análise de solo como técnica de avaliação de perdas

Na UFSM, um dos projetos que busca auxiliar na avaliação dos impactos das enchentes no solo é o ‘Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos’, dos Programas de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS), em Agrobiologia (PPGAgroBio) e em Química (PPGQ). Foi contemplado no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG). O objetivo é produzir conhecimento para facilitar o retorno das atividades agrícolas, com foco no fortalecimento das famílias de pequenos agricultores.

A técnica usada no projeto é a análise de solo. Gustavo Brunetto é coordenador do projeto e professor no Departamento de Solos e no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Solo da UFSM. Ele explica que alguns solos não conseguem fornecer as quantidades de nutrientes que uma planta precisa para o crescimento. Para conhecer essas características, se faz uma análise. “Se recomenda ir até o campo e fazer a coleta de uma porção do solo, que depois é levado para o laboratório e analisado”, descreve Gustavo.

A análise de solos tem algumas etapas:

1 – Amostragem: definição das áreas a serem analisadas e coletadas. Em uma gleba (área de terra), se define de dez a 20 pontos de coleta, em locais variados do terreno, mas que tenham as mesmas características, de histórico de adubação e plantio. Em cada um desses pontos, a coleta é feita em uma profundidade de zero a dez ou de zero a 20 centímetros, a depender das características. Com uma pá de corte, um trado ou até um quadriciclo, coleta-se uma porção de solo de cada ponto. Com as coletas feitas, pega-se uma porção de solo de cada um dos pontos e se mistura em um balde, para ter uma representação homogênea da área. Depois, pega-se cerca de 500 gramas da amostra de solo para fazer uma pré-secagem, o que envolve desfazer os torrões de terra, espalhar em uma superfície limpa e deixar secar de dois a três dias, a depender das condições climáticas. Depois de seca, a terra é colocada em um saco plástico e identificada com a propriedade e produtor/a, nome da gleba e demais características.

2 –  Análise no laboratório: as amostras de solo são enviadas para um laboratório credenciado, que faz a análise. A credencial pode ser emitida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ou pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro)

3 – Interpretação da análise: feita por um técnico, que pode ser alguém formado em Engenharia Agronômica. Envolve entender os resultados de análise para indicar soluções.

4 – Recomendação: A partir dos resultados, a pessoa responsável pela interpretação elabora as recomendações de aplicação no solo analisado. Quantidade de adubação e calagem (aplicação de cal), qual a melhor fonte de nutrientes, melhor época de aplicação, entre outras questões, podem compor esse relatório.

Apesar de ser uma técnica simples e de baixo custo, Gustavo afirma que ela é fundamental. A etapa da amostragem precisa ser feita com cuidado e rigor para que o resultado seja qualitativo. “É mais ou menos você ter a preocupação de ir no médico e ele interpretar o teu resultado da análise de sangue, mas se não foi feito um procedimento adequado na amostragem, ele não vai ter validade”, compara.

As coletas na Serra Gaúcha

As coletas de porções de solo para análise do projeto da UFSM foram realizadas em dez áreas de pomares e vinhedos atingidos por deslizamentos nos municípios de Veranópolis, Bento Gonçalves e Pinto Bandeira. Para a escolha das áreas, o grupo do professor Gustavo Brunetto contou com o apoio do engenheiro agrônomo Maurício Bonafé, que é gerente agrícola da Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves. Por conta do contato direto com as famílias, Maurício já tinha um mapeamento das áreas degradadas. “Fizemos alguns apontamentos sobre as áreas que podiam ser recuperadas e, com isso, se propôs as áreas para coleta das amostras”, explica Maurício.

A fase de mapeamento e escolha das propriedades levou em torno de dois meses, em meados de setembro de 2024. A coleta das amostras foi feita entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, concomitantemente com as análises.





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Brasil exporta 10,25 milhões de toneladas de soja



Sojicultores demonstram maior interesse em vender parte da safra 2024/25




Foto: Ivan Bueno/APPA

A forte demanda externa pela soja brasileira impulsionou o ritmo de negócios no mercado spot na última semana. Segundo o boletim informativo do Cepea, a valorização do dólar frente ao Real tornou as commodities nacionais mais competitivas no cenário internacional, estimulando as exportações.

Além disso, sojicultores demonstram maior interesse em vender parte da safra 2024/25 para garantir recursos destinados ao custeio da próxima temporada. Dados preliminares da Secex, analisados pelo Cepea, indicam que o Brasil exportou 10,25 milhões de toneladas de soja até 21 de março, um aumento expressivo de 59,5% em relação ao total embarcado em fevereiro.

Enquanto isso, a colheita segue acelerada, beneficiada pelo clima favorável. De acordo com a Conab, até 23 de março, 76,4% da área total já havia sido colhida, superando os 66,3% registrados no mesmo período do ano passado e a média dos últimos cinco anos, de 66,2%.

O cenário positivo reforça a competitividade da soja brasileira no mercado global e mantém o setor atento às oscilações cambiais e à demanda internacional.





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