Analistas do mercado financeiro elevaram as projeções para a inflação em 2026 e reduziram as estimativas para o dólar, conforme os dados do boletim Focus do Banco Central divulgados hoje. A inflação medida pelo IPCA, índice oficial, subiu de 5,04% para 5,09%, marcando a 12ª alta consecutiva. Em contrapartida, a projeção para o dólar caiu de R$ 5,17 para R$ 5,16, representando a segunda queda consecutiva. Para o PIB, a expectativa é de leve alta, passando de 1,89% para 1,90%.
Projeções de inflação e PIB
A estimativa para a inflação e o PIB reflete as condições econômicas atuais e as expectativas do mercado. Os principais pontos incluem:
Inflação (IPCA) subiu para 5,09%
Projeção do PIB aumentou para 1,90%
Estimativa do dólar caiu para R$ 5,16
Taxa básica de juros permanece em 3,5% ao ano
Impactos no mercado
A economista chefe do Picpay, Ariane Benedito, destacou que o crescimento do PIB no primeiro trimestre foi impulsionado pela agropecuária, mas a indústria e os serviços apresentaram crescimento mais modesto. Isso pressiona o COPOM a manter uma política monetária cautelosa, dificultando cortes mais agressivos nas taxas de juros.
Expectativas futuras
O mercado também está atento aos dados econômicos dos Estados Unidos, que podem influenciar o humor global e, consequentemente, o desempenho dos ativos brasileiros. A expectativa é que dados mais fortes nos EUA possam elevar o dólar e impactar a inflação no Brasil.
A colheita de milho começou na região de Ipiranga do Norte, em Mato Grosso, que é a maior produtora do grão no Brasil. No entanto, os produtores enfrentam desafios significativos, como altos custos de produção e preços pressionados, que colocam em dúvida a rentabilidade da atividade.
Desafios enfrentados pelos produtores
Durante a colheita, os agricultores expressaram preocupação com a situação atual do mercado. Entre os principais pontos destacados estão:
Preços do milho em torno de R$ 40, que não cobrem os custos de produção.
Custos elevados devido a problemas com fertilizantes e infestação de pragas.
Expectativas de redução na área plantada na próxima safra se o cenário não mudar.
Expectativas para a safra atual
O presidente do sindicato rural de Ipiranga do Norte, Éder Bueno, informou que cerca de 10% da área plantada já foi colhida. Ele destacou que o clima colaborou este ano, com chuvas adequadas, o que pode refletir em uma boa produtividade. No entanto, os custos de produção são altos, e muitos produtores ainda não conseguiram adquirir insumos para a próxima safra.
Preocupações com o futuro
A situação atual gera apreensão entre os agricultores, que temem não conseguir cobrir os custos da lavoura. A falta de insumos e o aumento dos preços de fertilizantes são fatores que podem impactar a produção futura. A expectativa é que, sem mudanças significativas, a área plantada de milho na próxima safra possa ser reduzida.
No dia 1º de junho, celebrado como o Dia Mundial do Leite, a decisão do governo brasileiro de adiar a aplicação de tarifas antidumping sobre a importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai gerou forte reação entre os produtores do setor. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) optou por suspender as tarifas, alegando preocupações com os impactos econômicos, mesmo diante da comprovação de práticas desleais de comércio.
Reação do setor produtivo
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) expressou sua insatisfação com a decisão da Camex, destacando a importância da proteção à produção nacional. Segundo a CNA, a pecuária leiteira é responsável por:
Produzir 35 bilhões de litros de leite por ano.
Contar com mais de 1,2 milhão de propriedades rurais em todo o Brasil.
Estar presente em 99% dos municípios brasileiros.
Impactos da decisão
Os produtores brasileiros enfrentam uma concorrência desleal, com preços de leite importado até 60% mais baixos. Essa situação resulta em margens negativas para a atividade, conforme apontado pelo projeto Campo Futuro da CNA. O setor teme que a suspensão das tarifas agrave ainda mais a crise enfrentada desde 2023.
Próximos passos
O próximo passo envolve a publicação da resolução GSEX, que encerrará a investigação sobre o dumping e recomendará a aplicação das tarifas. A CNA terá 20 dias para apresentar seus argumentos e estudos, seguidos de uma nova fase de discussão. A próxima reunião da Camex está agendada para o dia 25 de junho, onde a questão das tarifas poderá ser rediscutida.
No último dia da Green Farm em Cuiabá, o debate se concentrou na liderança e no protagonismo das mulheres no agronegócio. O evento destacou a crescente participação feminina nas decisões estratégicas do setor, evidenciando como elas estão moldando o futuro do agronegócio brasileiro.
Desafios e Oportunidades
Inspirado pela trajetória da Fazenda Rosa, o encontro abordou os desafios e as oportunidades enfrentadas pelas mulheres no agronegócio. Entre os temas discutidos, destacaram-se:
Liderança e sucessão familiar
Gestão e desenvolvimento de propriedades rurais
Identidade e pertencimento no campo
Posicionamento feminino no mercado
Participação Feminina em Crescimento
A presença das mulheres no agronegócio não para de crescer, com produtoras rurais, pecuaristas, engenheiras agrônomas e empresárias assumindo papéis de destaque. A participação feminina é vista como um fator crucial para a transformação da realidade do campo brasileiro.
Iniciativas e Projetos
Durante o evento, foram lançados projetos que visam fortalecer a presença feminina em ambientes de negócios e liderança, tanto no cenário nacional quanto internacional. A proposta inclui:
Visitas a propriedades rurais
Palestras e painéis de qualificação
Conexões técnicas entre mulheres do agro
Essas iniciativas buscam ampliar a conexão entre mulheres do agronegócio e fortalecer seu protagonismo no mercado internacional, desmistificando a ideia de que o setor é predominantemente masculino.
Na manhã desta segunda-feira (1°), a Vigilância Sanitária de Maceió (Visa) realizou uma fiscalização no bairro do Tabuleiro do Martins, em Maceió. Na ocasião foram identificados irregularidades em estabelecimentos e um frigorífico da região, resultando na apreensão dos produtos estragados.
Ao identificar os produtos com prazo de validade expirados, foram recolhidos para descarte. De acordo com o órgão, foram apreendidos carnes, presunto, manteiga e laticínios. Na ocasião foram 200 kg de alimentos estragados apreendidos.
De acordo com o chefe especial da Visa, Airton Santos, os estabelecimentos foram autuados e deverão responder a processo administrativo, cuja penalidade inclui multa no valor de R$180 a R$38 mil, no caso de reincidência de infração.
As dinâmicas práticas com bezerras de búfala estarão entre os focos da programação técnica da Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos (ABCB) na Megaleite 2026. A 21ª edição do evento será realizada de 2 a 6 de junho, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG).
A entidade estará no estande P-34, no Galpão B-1, onde também ocorrerão atividades técnicas, degustação de produtos de origem bubalina e recepção a criadores, técnicos e visitantes. De 3 a 6 de junho, a programação contará com palestras na Sala Belo Horizonte e demonstrações práticas no Galpão dos Búfalos.
As palestrantes Mariana Jordão e Ester Barbosa darão início à parte técnica na quarta-feira (3), com o tema “Cuidados Essenciais com Bezerros, O Que Todo Produtor Precisa Saber”. A atividade ocorrerá novamente na sexta-feira (5), às 14h. De acordo com Mariana, o manejo com os animais faz toda a diferença na criação. “O acesso ao conhecimento técnico atualizado ajuda produtores e criadores a adotarem novas tecnologias, a melhorarem o manejo e a aumentarem a produtividade, sempre com atenção à qualidade, ao bem-estar animal e à sustentabilidade”, destaca.
Mariana afirma que a troca entre produtores, técnicos e pesquisadores torna o conhecimento mais prático e útil, ajudando a transformar teoria em soluções que realmente funcionam. “É importante estar próximo de quem está no campo, entendendo a realidade e os desafios de cada propriedade. E a bubalinocultura merece mais atenção”, salienta, colocando que apesar do grande potencial produtivo e da qualidade dos seus produtos, ainda é um segmento que precisa ganhar mais visibilidade e espaço dentro do agro.
O técnico Renato Amaral dará sequência às atividades práticas com o tema “Morfologia Bubalina”, na quinta-feira (4), a partir das 10h. A demonstração será repetida no sábado (6), no mesmo horário.
A agenda na Sala Belo Horizonte começa na quarta-feira (3). Às 16h, a palestrante Juliana Santos falará sobre “Ordenhabilidade e seus impactos na qualidade do leite de búfalas”. Na sequência, às 17h, Frederico Garcia abordará o tema “Como a gestão, nutrição e indicadores transformam o resultado de uma fazenda?”.
Na sexta-feira (5), as palestras seguem com Alessandro Esteves, às 10h, sobre “IATF e FIV em Búfalas: Da Teoria à Prática”. Às 11h, Eduardo Bastianetto falará sobre “Touro em Central, Sêmen Legal: O que é preciso saber”.
Júlio César Pereira é produtor de leite em Três Corações (MG)
O produtor de leite Júlio César Pereira, de Três Corações (MG), diz ter sido criado para não seguir os passos da família. Formado em engenharia e trabalhando na capital mineira, o campo parecia cada vez mais distante.
“Eu sou da quarta geração, então eu nasci vendo vacas, né? Mas eu cresci numa época em que a produção de leite era muito difícil”, conta.
Embora as chances apontassem para outros caminhos, o produtor acabou sendo puxado de volta para a pecuária leiteira há 10 anos. Segundo ele, a baixa produtividade da fazenda, tocada pelo pai, Adilson Levindo Pereira, despertou um interesse que estava adormecido até então.
“No decorrer da minha profissão, eu fui vendo que nós tínhamos uma possibilidade de um crescimento muito grande devido à baixa produtividade que a fazenda tinha”, afirma.
Projeção de futuro com resultado no presente
Hoje, a Fazenda Fazendinha figura no ranking dos maiores produtores de leite do país, com quase 12 milhões de litros comercializados em 2025. Mas nem sempre foi assim.
A história da propriedade começa em 1936 com a produção de café, gado de corte e leite. Porém, foi somente em 2011 que a pecuária leiteira ganhou protagonismo e passou a ser a fonte de renda principal da família. Nesse processo, o acompanhamento de indicadores reprodutivos, produtivos e financeiros foi decisivo para a transformação da fazenda ao longo dos anos.
Mas foi ao olhar para as grandes fazendas do Brasil que Júlio César mudou a sua percepção do setor. “Isso me deu uma projeção de futuro muito grande”, afirma.
Agora, ele relata uma situação completamente diferente: “Nós começamos com 4 mil litros de leite, então tivemos um aumento considerável em 10 anos”, diz, com orgulho da quantidade produzida atualmente. O resultado desse trabalho aparece na evolução da Fazenda Fazendinha no mapeamento das maiores propriedades de leite do país.
Segundo o Levantamento TOP 100, realizado pela MilkPoint em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), a fazenda produziu mais de 32 mil litros de leite por dia em 2025, resultado que a fez avançar da 53ª para a 41ª colocação no ranking.
Neste ano, a produtividade da propriedade em Três Corações está em 38 mil litros por dia.
Lideranças do leite se juntam para trocar experiências
Estar entre as principais propriedades produtoras do Brasil, contudo, não significa que o sucesso está garantido e que o trabalho chegou ao fim.
É nesse contexto que surgiu o Dairy Club, uma iniciativa que reúne pecuaristas com o objetivo de ampliar a rede de contatos e a troca de experiências no dia a dia das fazendas. O segundo encontro do grupo antecedeu a divulgação do TOP 100, em um evento realizado em Atibaia (SP), na semana passada.
“A elite da produção de leite do Brasil está aqui. Então, é uma chance muito grande de desenvolvimento e de troca de ideias com grandes produtores”, afirma o responsável pela Fazenda Fazendinha.
O Dairy Club é uma iniciativa da MSD Saúde Animal voltada à troca de experiências entre produtores de leite. Segundo Laura Villarreal, diretora da unidade de negócio de Ruminantes da empresa, o grupo busca estimular o compartilhamento de conhecimento e a discussão de tendências para o setor.
Para ela, as discussões geram um efeito cascata. “O conhecimento debatido ali se transforma em prática na fazenda e, naturalmente, inspira e eleva a régua de toda a vizinhança produtiva e da cadeia de fornecedores”, diz. Villarreal também complementa que o principal interesse do Dairy Club é democratizar e acelerar o conhecimento na cadeia leiteira.
“Os produtores tornam-se embaixadores da pecuária de leite do futuro, com tecnologia de ponta, inteligência artificial e decisões estratégicas e assertivas ditadas por análises preditivas e precisas”, conclui.
A cidade de Campo Grande (MS) receberá, no próximo dia 18 de junho, representantes do agronegócio, especialistas, embaixadores, adidos internacionais e autoridades para os debates do Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap 2026).
Com o tema “Receita Brasileira: a resposta da agropecuária à demanda mundial por alimentos e energia” e contará com transmissão ao vivo pela TV e pelo YouTube do Canal Rural.
Etanol de milho na agenda internacional
Entre os painéis da programação está “O etanol na agenda de transição energética e a inserção internacional do Brasil”, que discutirá o papel dos biocombustíveis na redução das emissões de carbono, a expansão do etanol de milho e a participação brasileira no fornecimento de energia e alimentos para o mercado global.
O encontro será comandado pela diretora de Relações Internacionais e Comunicação da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Andréa Veríssimo. Segundo ela, o evento é uma oportunidade para apresentar a evolução da cadeia do etanol de milho e sua contribuição para a agenda energética e alimentar.
“Participar do Fiap 2026 é uma oportunidade extraordinária para consolidarmos o protagonismo do agronegócio brasileiro diante de autoridades de 12 países e da União Europeia. Nosso grande objetivo é destacar o papel revolucionário e a rápida evolução do etanol de milho na descarbonização global”, afirmou.
Produção de energia e coprodutos
Na avaliação de Andréa Veríssimo, o Brasil desenvolveu um modelo de produção que integra a geração de biocombustíveis e de coprodutos destinados à alimentação animal.
“Impulsionados pelo amadurecimento do projeto da Unem com a ApexBrasil, estamos mostrando ao mercado internacional a força desse círculo virtuoso: uma cadeia que, ao mesmo tempo em que expande a oferta de energia limpa, gera para a segurança alimentar global mais de 4,85 milhões de toneladas de coprodutos de alto valor nutricional (DDG/DDGS) nesta safra”, destacou.
A representante da Unem afirmou ainda que a expansão do setor reforça a participação do país nos debates sobre energia e segurança alimentar. “É a prova definitiva de que o etanol de milho brasileiro é sinônimo de sustentabilidade, inovação e previsibilidade para o planeta”, completou.
O Fiap 2026 também terá a presença do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, da senadora Tereza Cristina, do conselheiro da Embaixada da União Europeia no Brasil, Damian Lluna, e do representante da FAO no Brasil, Jorge Meza.
A organização do evento afirma que o objetivo é ampliar o diálogo entre setor produtivo, pesquisadores e autoridades sobre produção de alimentos, energia e sustentabilidade.
A realização do Fiap 2026 é da BR IN Eventos e Canal Rural, com correalização da Famasul. Patrocinam o evento ApexBrasil, Sebrae, CNA/Senar e Friboi, com apoio de Abiec, Governo de Mato Grosso do Sul e Massey Ferguson. Linha aérea oficial: Azul.
Serviço
Evento: Fórum Internacional da Agropecuária – Fiap 2026 Data: 18 de junho de 2026 Horário: 9h (horário de Brasília) Local: Campo Grande (MS) Formato: transmissão ao vivo pela TV e YouTube do Canal Rural.
Confira a programação completa do evento (no horário de Mato Grosso do Sul):
A Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) iniciou nesta segunda-feira (1º) o primeiro dos três períodos do vazio sanitário da soja no estado de São Paulo. A medida tem como objetivo prevenir e combater a ferrugem asiática, considerada uma das principais doenças que afetam a cultura da soja no país.
As ações são divididas em três regiões. A região 1 começou a cumprir o período de vazio sanitário nesta segunda-feira, enquanto as regiões 2 e 3 terão início nos dias 12 e 15 de junho, respectivamente. A relação completa dos municípios que compõem cada região está disponível no portal da Defesa Agropecuária.
De acordo com a engenheira agrônoma e gerente do Programa Estadual de Vigilância Fitossanitária, Jucileia Wagatsuma, os produtores precisam estar atentos às mudanças no calendário e às exigências estabelecidas para suas áreas de produção.
“O produtor deve ficar atento à mudança, procurando saber o período de vazio sanitário correspondente às suas áreas de produção, de forma a mantê-las livres de plantas voluntárias de soja durante todo o período de vazio sanitário”, destaca.
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Período do vazio sanitário
Durante o período, fica proibida a semeadura e a manutenção de plantas vivas de soja em qualquer estágio de desenvolvimento. Exceções são permitidas apenas para produção de sementes ou fins experimentais, mediante autorização prévia da Defesa Agropecuária.
A gerente também ressalta que a responsabilidade pelo cumprimento da medida não é exclusiva dos produtores rurais.
“Importante frisar que as instituições concessionárias ou administradoras de áreas públicas também são responsáveis pela manutenção de suas áreas livres de plantas vivas de soja durante esse período”, afirma.
O vazio sanitário é uma das principais estratégias fitossanitárias para o controle da ferrugem asiática, pois promove a interrupção do ciclo do fungo causador da doença durante a entressafra. Com isso, reduz-se a quantidade de inóculo presente no ambiente e diminui-se o risco de ocorrência da doença nos estágios iniciais da próxima safra.
Cadastro de áreas é obrigatório
Além de respeitar o período de vazio sanitário, os produtores paulistas devem realizar o cadastro obrigatório das áreas produtoras de soja. Conforme estabelece a Resolução SAA 87/2024, o registro deve ser feito em até 15 dias após o término do calendário de semeadura.
O procedimento pode ser realizado por meio de celular ou diretamente em uma das unidades da Defesa Agropecuária espalhadas pelo estado. A medida visa fortalecer o monitoramento fitossanitário e contribuir para a proteção da produção paulista de soja.
Imagem gerada por IA com base em foto de arquivo do Canal Rural
O milho spot na Bolsa de Chicago encerrou a semana com queda expressiva de 3,66%. A plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, mostra que no Brasil, o contrato da B3 com referência em julho fechou a R$ 65,42 por saca (-2,65%) na semana.
Já o mercado físico se descolou da bolsa e, na região do noroeste de Minas Gerais, as cotações encerraram a última sexta-feira (29) com referência de R$ 54,75 (+0,50%) por saca, no mercado disponível.
E agora, o que esperar do mercado?
Colheita acelera a oferta: nas próximas semanas de junho, a colheita do milho safrinha deve ganhar ritmo, principalmente em Mato Grosso e Goiás. Com previsão de tempo seco, os trabalhos no campo devem avançar sem grandes interrupções, aumentando a oferta de milho no mercado. A Grainsights aponta que esse volume maior de produto disponível tende a pressionar os preços nas principais regiões produtoras do país.
Armazenagem volta ao debate: a falta de espaço para armazenar grãos deve voltar a ser um desafio importante para os produtores brasileiros. Com a chegada do milho safrinha e significativo volume de soja estocado, a disputa por silos tende a aumentar. “Em muitas regiões, produtores podem se ver obrigados a vender o milho logo após a colheita para evitar perdas de qualidade”, pontua a Grainsights.
Geadas entram no radar: apesar do clima mais quente no Centro-Oeste, o mercado continuará atento às previsões para a Região Sul. A possibilidade de frentes frias e geadas em áreas produtoras do Paraná e de Santa Catarina liga um alerta ao mercado. “Caso o frio afete as lavouras de milho mais tardias, os preços poderão reagir com altas devido ao aumento do risco para a produção”, destaca a plataforma.
Monitoramento da safra dos EUA: no mercado internacional, as atenções estarão voltadas para os relatórios semanais de acompanhamento da safra norte-americana. Os investidores observarão principalmente as condições das lavouras de milho classificadas como “boas” ou “excelentes”. Segundo a Grainsights, caso o clima adverso, com excesso de chuvas ou frio intenso, prejudique o desenvolvimento das plantações no Corn Belt (cinturão do milho), os preços poderão subir diante das preocupações com a produção.
Macroeconomia e oportunidades: o cenário econômico global e doméstico continua favorecendo um dólar mais firme e sujeito a oscilações. Com a inflação ainda pressionada no Brasil e os juros permanecendo elevados tanto aqui quanto nos Estados Unidos, a moeda norte-americana tende a seguir em patamares sustentados. Para o agronegócio, esse movimento ajuda a compensar parte da pressão dos preços internacionais.