Colheita acelerada, geadas e dólar: o que esperar do mercado do milho?

O milho spot na Bolsa de Chicago encerrou a semana com queda expressiva de 3,66%. A plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, mostra que no Brasil, o contrato da B3 com referência em julho fechou a R$ 65,42 por saca (-2,65%) na semana.
Já o mercado físico se descolou da bolsa e, na região do noroeste de Minas Gerais, as cotações encerraram a última sexta-feira (29) com referência de R$ 54,75 (+0,50%) por saca, no mercado disponível.
E agora, o que esperar do mercado?
- Colheita acelera a oferta: nas próximas semanas de junho, a colheita do milho safrinha deve ganhar ritmo, principalmente em Mato Grosso e Goiás. Com previsão de tempo seco, os trabalhos no campo devem avançar sem grandes interrupções, aumentando a oferta de milho no mercado. A Grainsights aponta que esse volume maior de produto disponível tende a pressionar os preços nas principais regiões produtoras do país.
- Armazenagem volta ao debate: a falta de espaço para armazenar grãos deve voltar a ser um desafio importante para os produtores brasileiros. Com a chegada do milho safrinha e significativo volume de soja estocado, a disputa por silos tende a aumentar. “Em muitas regiões, produtores podem se ver obrigados a vender o milho logo após a colheita para evitar perdas de qualidade”, pontua a Grainsights.
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- Geadas entram no radar: apesar do clima mais quente no Centro-Oeste, o mercado continuará atento às previsões para a Região Sul. A possibilidade de frentes frias e geadas em áreas produtoras do Paraná e de Santa Catarina liga um alerta ao mercado. “Caso o frio afete as lavouras de milho mais tardias, os preços poderão reagir com altas devido ao aumento do risco para a produção”, destaca a plataforma.
- Monitoramento da safra dos EUA: no mercado internacional, as atenções estarão voltadas para os relatórios semanais de acompanhamento da safra norte-americana. Os investidores observarão principalmente as condições das lavouras de milho classificadas como “boas” ou “excelentes”. Segundo a Grainsights, caso o clima adverso, com excesso de chuvas ou frio intenso, prejudique o desenvolvimento das plantações no Corn Belt (cinturão do milho), os preços poderão subir diante das preocupações com a produção.
- Macroeconomia e oportunidades: o cenário econômico global e doméstico continua favorecendo um dólar mais firme e sujeito a oscilações. Com a inflação ainda pressionada no Brasil e os juros permanecendo elevados tanto aqui quanto nos Estados Unidos, a moeda norte-americana tende a seguir em patamares sustentados. Para o agronegócio, esse movimento ajuda a compensar parte da pressão dos preços internacionais.
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