sexta-feira, julho 17, 2026

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Crédito rural recua pelo segundo ciclo seguido


O crédito rural brasileiro encerrou a safra 2025/26 com menos recursos, maior seletividade e custo financeiro elevado, pressionando o financiamento da produção. A avaliação é de Claudio Brisolara, estrategista do agronegócio, com base nos dados do ciclo.

Dos R$ 405,9 bilhões programados, foram desembolsados R$ 338,9 bilhões, ou 83,5% do total. O resultado representa queda de 11,6% ante a safra anterior e confirma o segundo recuo consecutivo. Os desembolsos passaram de R$ 421,8 bilhões em 2023/24 para R$ 383,5 bilhões em 2024/25 e R$ 338,9 bilhões em 2025/26. Em dois ciclos, a redução nominal foi de quase 20%.

O desempenho variou entre os grupos. No Pronaf, houve alta de 2,9% no valor e de 10,1% no número de contratos. No Pronamp, o volume cresceu 5,3%, mas as operações recuaram 7%. Entre os demais produtores, a queda foi de 19,1% no valor e de 38,2% na quantidade de contratos.

Por finalidade, os desembolsos diminuíram 13% no custeio, 17% nos investimentos e 24,7% na comercialização. A retração reflete maior endividamento, menor capacidade de pagamento, baixa rentabilidade, exigência de garantias, aversão ao risco dos bancos e menor interesse dos produtores diante do custo do dinheiro.

O estoque de operações problemáticas chegou a R$ 202 bilhões. Desse total, R$ 106,5 bilhões são renegociados, valor que mais que dobrou em pouco mais de um ano. Com a insuficiência do crédito oficial, avançaram as fontes privadas. O estoque de CPRs alcançou cerca de R$ 565 bilhões, alta de 13,3% em 12 meses, enquanto os CRAs cresceram 9,5%.

Para a safra 2026/27, o desafio será ampliar a previsibilidade dos recursos, fortalecer garantias e mecanismos de compartilhamento de riscos, reestruturar dívidas e evitar que o custo financeiro limite custeio, investimento e competitividade.





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Analista alerta para excesso de capacidade no arroz



O consumo de arroz por pessoa mantém trajetória de queda há décadas


O consumo de arroz por pessoa mantém trajetória de queda há décadas
O consumo de arroz por pessoa mantém trajetória de queda há décadas – Foto: USDA

A indústria de arroz enfrenta um debate sobre os limites da expansão da capacidade de beneficiamento em um mercado de consumo enfraquecido e margens pressionadas. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, o setor deve avaliar se a dificuldade está na gestão das empresas ou se existe um problema estrutural. Os resultados da Camil, com pressão sobre as margens e queda do lucro apesar do maior volume vendido, reforçam esse questionamento.

Nos últimos anos, empresas ampliaram plantas, engenhos, silos e estruturas de processamento. O movimento ocorreu em um cenário no qual a capacidade industrial cresceu mais do que a demanda. Para Cardoso, é preciso saber se esses investimentos atendem a um mercado maior ou apenas ampliam a disputa pelo mesmo consumidor e pela mesma matéria-prima.

O consumo de arroz por pessoa mantém trajetória de queda há décadas. O produto perdeu espaço para ultraprocessados, refeições prontas e proteínas, enquanto a renda das famílias segue pressionada. Medicamentos para perda de peso e apostas on-line também disputam parte do orçamento doméstico.

Com mais capacidade instalada e demanda fraca, a tendência é de aumento da concorrência pelo arroz em casca, menor uso das unidades e compressão das margens. Esse quadro reduz a possibilidade de a indústria pagar mais ao produtor.

A dependência de quebras de safra, problemas climáticos, restrições de oferta ou outros choques para recuperar a rentabilidade não representa estratégia sustentável. Na análise de Cardoso, o próximo ciclo de investimentos pode exigir menos foco em novas estruturas e mais recursos para inovação, diferenciação, geração de valor e estímulo ao consumo. O desafio não está apenas em produzir mais, mas em ampliar a preferência do consumidor e criar mercados para o cereal.





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China menor demanda afeta projeção da carne mato-grossense



VBP da pecuária de corte cresce 6,15%



Foto: Pixabay

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) atualizou a estimativa do Valor Bruto de Produção (VBP) da pecuária de corte para 2026 em Mato Grosso. Conforme a análise semanal divulgada nesta segunda-feira (13), a terceira projeção do VBP agropecuário do estado apresentou alta de 1,31% em relação à estimativa anterior. Mesmo com a revisão positiva, o valor esperado permanece abaixo do registrado em 2025, com retração de 0,22%, totalizando R$ 211,83 bilhões.

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Segundo o Imea, “a bovinocultura de corte segue como a principal cadeia” entre as atividades pecuárias, representando 19,74% do VBP previsto para o ano, com movimentação estimada em R$ 41,82 bilhões.

Para a bovinocultura de corte, o Imea revisou a projeção do VBP para baixo em 0,67%. Ainda assim, a entidade mantém expectativa de crescimento de 6,15% na comparação com 2025. De acordo com o instituto, o ajuste negativo está relacionado à previsão de menor demanda da China ao longo do terceiro trimestre, principal destino da carne bovina mato-grossense, cenário que já influencia as cotações da arroba. Apesar da redução na estimativa, o desempenho esperado para 2026 deve contribuir para a manutenção do avanço anual do VBP da pecuária de corte no estado.





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Governo publica MP para renegociar dívidas rurais; veja quem poderá acessar as novas linhas de crédito


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Foto: Mapa/divulgação

O governo federal publicou, em edição extra do Diário Oficial da União na noite desta quarta-feira (15), a medida provisória (MP) nº 1.376, que cria um novo programa de renegociação de dívidas para produtores rurais e cooperativas agropecuárias afetados por perdas recorrentes causadas por eventos climáticos extremos e pela queda da renda no campo.

A medida autoriza a criação de linhas especiais de crédito para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e de Cédulas de Produto Rural (CPRs), além de permitir a participação da União em um fundo garantidor destinado a ampliar o acesso ao financiamento agrícola.

Segundo o texto, poderão aderir ao programa produtores rurais e cooperativas que tenham registrado perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada, desde que a situação seja comprovada por laudo técnico. As perdas poderão ter sido provocadas por eventos como seca, estiagem, geada, granizo, enchentes, vendavais ou ainda pela redução dos preços dos produtos agropecuários.

Limites chegam a R$ 8 milhões

A MP estabelece diferentes limites de financiamento conforme o porte do produtor.

Nas operações gerais, os agricultores familiares enquadrados no Pronaf poderão contratar até R$ 400 mil, produtores do Pronamp terão acesso a até R$ 2 milhões e os demais produtores poderão financiar até R$ 4 milhões. As taxas de juros serão de 6% ao ano para o Pronaf, 9% ao ano para o Pronamp e 12% ao ano para os demais produtores, com prazo de pagamento de até oito anos e carência de dois anos para o início da amortização do principal.

Para produtores que sofreram perdas ainda mais severas — em três ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 40% da renda —, as condições são ampliadas. Nesse caso, o limite poderá chegar a R$ 500 mil para o Pronaf, R$ 2,5 milhões para o Pronamp e R$ 8 milhões para os demais produtores, com juros reduzidos para 5%, 8% e 11% ao ano, respectivamente, e prazo de reembolso de até dez anos.

Operações contempladas

As novas linhas poderão ser utilizadas para renegociar operações de custeio, comercialização, industrialização e investimento contratadas até 31 de dezembro de 2025, desde que atendam aos critérios previstos na MP. Também será possível renegociar Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas em favor de instituições financeiras e que tenham entrado em inadimplência a partir de 2024.

O texto ainda autoriza instituições financeiras a prorrogar, por até 30 dias, parcelas de operações que vencerem logo após a publicação da medida, desde que os produtores solicitem adesão às novas linhas especiais de crédito.

Fundo garantidor

Outro ponto previsto na MP é a autorização para que a União participe como cotista de um fundo garantidor destinado a cobrir operações de crédito rural contratadas por produtores afetados por eventos climáticos adversos.

O objetivo é ampliar as garantias das operações e facilitar o acesso ao crédito, com participação também de instituições financeiras e dos próprios produtores rurais. As regras de funcionamento do fundo serão definidas posteriormente pelo Poder Executivo.

Prazo para contratação

Os produtores interessados terão até 120 dias, contados a partir da publicação da Medida Provisória, para contratar as novas linhas de financiamento. As operações não impedirão a contratação de novos financiamentos rurais e também não resultarão na inclusão dos beneficiários em cadastros restritivos de crédito em razão da renegociação.

A MP também estabelece punições para produtores ou profissionais que apresentarem laudos ou documentos falsos para comprovar perdas de safra, incluindo perda do benefício, devolução dos recursos e impedimento de contratar crédito rural subvencionado por até cinco anos.

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EUA confirmam novo tarifaço sobre produtos do Brasil


Donald Trump
Foto: White House

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou na noite desta quarta-feira (15) que aplicará tarifas de 25% sobre produtos do Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

Representantes do USTR sinalizaram que publicarão detalhes e uma lista oficializando os produtos que serão afetados no Federal Register, uma espécie de Diário Oficial, nas próximas horas. No entanto, a CNN Brasil apurou que café e carne bovina não terão essa cobrança adicional.

A Seção 301 é um mecanismo que permite ao USTR investigar e retaliar países cujas políticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.

No início de junho, o USTR divulgou a recomendação de sobretaxas a produtos brasileiros com base na Seção 301, acusando o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico – como o Pix -, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

O governo dos EUA também se queixa de benefícios dados pelo Brasil a parceiros comerciais como Índia e México, sem conceder os mesmos termos a produtos americanos, o que cria condições desvantajosas.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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Exportações de lácteos caem ao menor nível desde 2001



Brasil fecha semestre com déficit recorde em lácteos



Foto: Divulgação

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) informou, em análise semanal divulgada nesta segunda-feira (13), que a balança comercial brasileira de lácteos encerrou o primeiro semestre de 2026 com o maior déficit da série histórica para o período.

Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras somaram 25,40 milhões de litros em equivalente leite entre janeiro e junho, volume 19,84% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025 e o menor para um primeiro semestre desde 2001. Na direção oposta, as importações atingiram 1,23 bilhão de litros, crescimento de 14,07% em relação ao ano anterior e o maior volume da série iniciada em 1997.

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Como resultado desse movimento, o déficit da balança comercial brasileira de lácteos chegou a 1,20 bilhão de litros no primeiro semestre de 2026, o maior já registrado para o período. Segundo o Imea, o desempenho foi influenciado principalmente pela queda das cotações internacionais do leite ao longo do semestre, cenário que aumentou a competitividade dos produtos importados no mercado brasileiro e reduziu a atratividade das exportações nacionais.





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Urgência do novo marco do Seguro Rural é aprovada no Senado


CNA defende avanço do PL 2951 em debate sobre seguro rural

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (15) o regime de urgência para o Projeto de Lei 2.951/2024, que cria um novo marco legal para o Seguro Rural. Com a decisão do Plenário, a proposta passa a ter tramitação acelerada e deve ser votada na primeira semana de agosto, após o recesso parlamentar. O texto é tratado como prioridade pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

A proposta é de autoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA, e tem relatoria no Senado do senador Jayme Campos (União-MT). Segundo a parlamentar, o projeto busca iniciar a construção de uma política mais estável de proteção ao produtor, com recursos previsíveis e condições para ampliar a cobertura do Seguro Rural.

O tema ganhou espaço na agenda legislativa em meio ao aumento da inadimplência no crédito rural e à redução de recursos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Entre os principais pontos do texto está a previsão de que os recursos destinados à subvenção não possam ser contingenciados nem bloqueados.

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O projeto também altera a Lei de Subvenção ao Seguro Rural (Lei nº 10.823/2003) para incluir incentivos à contratação do seguro, como taxas de juros mais atrativas, acesso preferencial ao crédito e financiamento do prêmio. O texto mantém a contratação desvinculada do crédito rural, mas cria estímulos para adesão ao instrumento.

Na Câmara dos Deputados, o relatório do deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, incorporou mudanças para ampliar a captação e a gestão de recursos do PSR e alinhar a proposta a sugestões do Executivo. Entre as adaptações, está a inclusão de sobras do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) entre as fontes de recursos, com a ressalva de preservação do atendimento aos pequenos agricultores.

A proposta ainda modifica a Lei do Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passa a ser chamado de Fundo de Catástrofe. O texto prevê ajustes para permitir a participação da União e das empresas como cotistas, além da criação de subfundos com patrimônios separados para setores específicos. O fundo também poderá adquirir Letras de Risco de Seguro (LRS), conforme decisão de sua gestão.

Com a aprovação da urgência, o Projeto de Lei 2.951/2024 avança na pauta do Senado e entra na reta final de tramitação, com votação prevista para o início de agosto.

Fonte: agencia.fpagropecuaria.org.br

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Preços do boi gordo voltam a registrar alta; veja as cotações


pecuária, gado , boi
Foto: Gilson Abreu/AEN

O mercado físico do boi gordo volta a apresentar negociações acima da referência média. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias destaca que o atual posicionamento das escalas de abate força as indústrias a adotar postura mais agressiva na compra de gado.

“As negociações seguem em patamares mais altos nas principais regiões produtoras do Brasil. Resta saber se com a recente elevação dos preços haverá avanços das escalas de abate. No contexto geral, os embarques destinados à China seguem pouco representativos, considerando o esgotamento precoce das cotas chinesas”, ressaltou.

Preços médios da arroba do boi

  • São Paulo: R$ 330,50 — ontem: R$ 328,42
  • Goiás: R$ 316,96 — ontem: R$ 314,93
  • Minas Gerais: R$ 311,76 — ontem: R$ 310,18
  • Mato Grosso do Sul: R$ 328,64 — ontem: R$ 326,82
  • Mato Grosso: R$ 315,88 — ontem: R$ 314,73

Mercado atacadista

O mercado atacadista registra preços estáveis para a carne bovina, em um ambiente de negócios que aponta para menor sustentação no restante do mês, à medida que o impacto da entrada dos salários na economia perde intensidade.

“Ao mesmo tempo, a carne bovina vem reduzindo sua competitividade frente às proteínas concorrentes, que voltam a demonstrar sinais de fragilidade, com destaque para a carne de frango”, assinalou Iglesias.

  • Quarto dianteiro: R$ 19,00 por quilo
  • Quarto traseiro: R$ 26,00 por quilo
  • Ponta de agulha: R$ 18,00 por quilo

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,06%, sendo negociado a R$ 5,0786 para venda e a R$ 5,0766 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0572 e a máxima de R$ 5,1872.

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‘Produtor gaúcho precisa de 54 sacas de soja para pagar dívidas; MP não me ajuda’, diz agricultor


produtor Lucas Scheffer - renegociação de dívidas
Foto: Arquivo pessoal e Aprosoja

A Medida Provisória (MP) sobre renegociação de dívidas rurais que deve ser publicada nesta quarta-feira (15) foi comemorada por lideranças do setor, como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), mas isso não significa que ela agradou ao agricultor que está ali na ponta, no dia a dia do campo e endividado.

O produtor rural Lucas Scheffer, de Cacequi, na região central do Rio Grande do Sul, uma das regiões mais afetadas por adversidades climáticas nos últimos anos, por exemplo, se mostra descrente com os efeitos da nova medida.

Para ele, a carência de dois anos para o início do pagamento das dívidas, item da nova MP, pode dar fôlego ao produtor, mas o prazo de 10 anos para que ele arque com seus débitos é insuficiente.

“Com a dívida acumulada nos anos de perda, cerca de 40% dos produtores gaúchos deve, em média, 140 sacas de soja por hectare. Ao dividir em dez anos, teremos 14 sacas de soja ao ano para pagar, com o custo para implantar a lavoura em cerca de 40 sacas por hectare, fora os outros custos, como manutenção, renovação de frota e investimentos, ou seja, se somarmos as 40 sacas de custo, mais as 14 de dívida acumulada, significam 54 sacas de soja apenas para pagar as contas. Essa matemática não fecha”, destaca.

Ele aponta que nem mesmo se os bons resultados da safra 2020/21, quando o estado conseguiu uma recuperação que não obtém há anos e atingiu produtividade média de 60 sacas seriam capazes de permitir que o produtor gaúcho arcasse com suas dívidas no modelo proposto pela nova Medida Provisória.

Scheffer também aponta que o reaproveitamento de garantias para o refinanciamento dos débitos é outra iniciativa do texto que não encontra lastro na realidade. “Como vamos financiar o crédito do Plano Safra 2026/27? Como fazer isso se o produtor já vem rolando dívidas há cinco anos, utilizando as garantias e o patrimômio que tem. Como vamos conseguir acessar recurso novo se não temos mais garantias, sendo que as garantias que possuímos já estão sendo utilizadas nessa renegociação?”, questiona.

Para sanar este problema, a nova MP incorpora o Fundo Garantidor, que estava previsto no PL 5122/2023, um mecanismo financeiro criado pelo governo federal, com aporte de até R$ 2 bilhões, para facilitar a renegociação de dívidas de produtores rurais e destravar o crédito no campo.

Em sumo, o instrumento é um mitigador de risco para as instituições financeiras, cobrindo eventuais inadimplências, permitindo que produtores sem garantias suficientes consigam acesso a novos financiamentos ou alongamento de débitos.

Pelo texto acertado entre governo e Congresso, poderão acessar as condições de repactuação produtores rurais e cooperativas com perdas registradas entre 2019 e 2025. Também entram operações de crédito inadimplentes entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026, além de operações adimplentes que tenham sido prorrogadas até 31 de maio de 2026.

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Preços da soja sobem com Chicago em alta; confira as os números no Brasil


Imagem mostra colheita de soja; colheitadeira; produção de soja
Foto: Preepik

O mercado brasileiro de soja registrou uma sessão de poucos negócios nesta quarta-feira (15), apesar da recuperação das cotações. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os preços voltaram a subir nos portos, com a maior parte dos pagamentos concentrada para agosto.

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De acordo com Silveira, a valorização da soja na Bolsa de Chicago, aliada aos prêmios firmes e ao dólar praticamente estável, sustentou os preços no mercado físico. Mesmo com o movimento positivo, a oferta de soja permaneceu limitada ao longo do dia.

Soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 134,00 para R$ 136,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 135,00 para R$ 137,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 129,00 para R$ 132,00
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 122,00 para R$ 124,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 123,00 para R$ 124,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 140,00 para R$ 143,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 140,00 para R$ 142,00

Soja em Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja encerraram o dia em alta, impulsionados pelas previsões de temperaturas elevadas e pouca chuva no cinturão produtor dos Estados Unidos, além dos fortes números de esmagamento divulgados pela Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais (Nopa).

Segundo a entidade, o esmagamento de soja atingiu 214,340 milhões de bushels em junho, acima dos 208,785 milhões registrados em maio e da expectativa do mercado, de 203,989 milhões de bushels. No mesmo período de 2025, o volume havia sido de 185,270 milhões de bushels.

A Nopa também informou que os estoques de óleo de soja dos Estados Unidos somaram 1,501 bilhão de libras em junho, abaixo da expectativa do mercado, de 1,653 bilhão de libras. Em maio, os estoques totalizavam 1,735 bilhão de libras.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja com vencimento em agosto fecharam cotados a US$ 12,02 1/4 por bushel, alta de 9,50 centavos de dólar, ou 0,79%. A posição novembro encerrou a US$ 12,01 3/4 por bushel, avanço de 10,75 centavos, ou 0,90%.

Entre os derivados, o farelo de soja para agosto subiu US$ 1,50, ou 0,47%, para US$ 319,90 por tonelada. Já o óleo de soja, também com vencimento em agosto, avançou 0,52 centavo de dólar, ou 0,71%, encerrando a 72,92 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou o dia com alta de 0,06%, cotado a R$ 5,0786 para venda e R$ 5,0766 para compra. Ao longo da sessão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0572 e a máxima de R$ 5,1872.

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