quinta-feira, julho 16, 2026
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Analista alerta para excesso de capacidade no arroz



O consumo de arroz por pessoa mantém trajetória de queda há décadas


O consumo de arroz por pessoa mantém trajetória de queda há décadas
O consumo de arroz por pessoa mantém trajetória de queda há décadas – Foto: USDA

A indústria de arroz enfrenta um debate sobre os limites da expansão da capacidade de beneficiamento em um mercado de consumo enfraquecido e margens pressionadas. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, o setor deve avaliar se a dificuldade está na gestão das empresas ou se existe um problema estrutural. Os resultados da Camil, com pressão sobre as margens e queda do lucro apesar do maior volume vendido, reforçam esse questionamento.

Nos últimos anos, empresas ampliaram plantas, engenhos, silos e estruturas de processamento. O movimento ocorreu em um cenário no qual a capacidade industrial cresceu mais do que a demanda. Para Cardoso, é preciso saber se esses investimentos atendem a um mercado maior ou apenas ampliam a disputa pelo mesmo consumidor e pela mesma matéria-prima.

O consumo de arroz por pessoa mantém trajetória de queda há décadas. O produto perdeu espaço para ultraprocessados, refeições prontas e proteínas, enquanto a renda das famílias segue pressionada. Medicamentos para perda de peso e apostas on-line também disputam parte do orçamento doméstico.

Com mais capacidade instalada e demanda fraca, a tendência é de aumento da concorrência pelo arroz em casca, menor uso das unidades e compressão das margens. Esse quadro reduz a possibilidade de a indústria pagar mais ao produtor.

A dependência de quebras de safra, problemas climáticos, restrições de oferta ou outros choques para recuperar a rentabilidade não representa estratégia sustentável. Na análise de Cardoso, o próximo ciclo de investimentos pode exigir menos foco em novas estruturas e mais recursos para inovação, diferenciação, geração de valor e estímulo ao consumo. O desafio não está apenas em produzir mais, mas em ampliar a preferência do consumidor e criar mercados para o cereal.





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