quinta-feira, julho 16, 2026
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Crédito rural recua pelo segundo ciclo seguido


O crédito rural brasileiro encerrou a safra 2025/26 com menos recursos, maior seletividade e custo financeiro elevado, pressionando o financiamento da produção. A avaliação é de Claudio Brisolara, estrategista do agronegócio, com base nos dados do ciclo.

Dos R$ 405,9 bilhões programados, foram desembolsados R$ 338,9 bilhões, ou 83,5% do total. O resultado representa queda de 11,6% ante a safra anterior e confirma o segundo recuo consecutivo. Os desembolsos passaram de R$ 421,8 bilhões em 2023/24 para R$ 383,5 bilhões em 2024/25 e R$ 338,9 bilhões em 2025/26. Em dois ciclos, a redução nominal foi de quase 20%.

O desempenho variou entre os grupos. No Pronaf, houve alta de 2,9% no valor e de 10,1% no número de contratos. No Pronamp, o volume cresceu 5,3%, mas as operações recuaram 7%. Entre os demais produtores, a queda foi de 19,1% no valor e de 38,2% na quantidade de contratos.

Por finalidade, os desembolsos diminuíram 13% no custeio, 17% nos investimentos e 24,7% na comercialização. A retração reflete maior endividamento, menor capacidade de pagamento, baixa rentabilidade, exigência de garantias, aversão ao risco dos bancos e menor interesse dos produtores diante do custo do dinheiro.

O estoque de operações problemáticas chegou a R$ 202 bilhões. Desse total, R$ 106,5 bilhões são renegociados, valor que mais que dobrou em pouco mais de um ano. Com a insuficiência do crédito oficial, avançaram as fontes privadas. O estoque de CPRs alcançou cerca de R$ 565 bilhões, alta de 13,3% em 12 meses, enquanto os CRAs cresceram 9,5%.

Para a safra 2026/27, o desafio será ampliar a previsibilidade dos recursos, fortalecer garantias e mecanismos de compartilhamento de riscos, reestruturar dívidas e evitar que o custo financeiro limite custeio, investimento e competitividade.





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