A 31ª edição da Agrishow, realizada recentemente, não apenas apresentou inovações tecnológicas, mas também deixou um legado significativo para os jovens. O projeto De Olho no Material Escolar trouxe cerca de 1700 alunos para conhecer melhor o agronegócio, incentivando-os a se tornarem futuros profissionais do setor.
Legado para o futuro
O projeto visa aproximar as crianças do setor produtivo, permitindo que elas vejam de perto as inovações e tecnologias que têm evoluído nos últimos 50 anos. A experiência vai além de um simples passeio, pois promove uma conexão entre o campo e a cidade.
O que os alunos aprenderam
Conhecimento sobre tecnologia e inovação no agronegócio
Possibilidade de carreira em diversas áreas, não apenas como agrônomos ou veterinários
Interação com profissionais de diferentes setores, como jornalismo e marketing
Depoimentos dos participantes
Alunos como Gabriel já se imaginam trabalhando no agro, embora ainda estejam explorando suas preferências. Ele destacou seu interesse por drones, uma das inovações apresentadas na feira. Professores também se mostraram impactados pela experiência, ressaltando a importância do conhecimento adquirido.
O projeto De Olho no Material Escolar não apenas beneficia os estudantes, mas também enriquece a formação dos educadores envolvidos, ampliando suas perspectivas sobre o agronegócio.
Queda do petróleo e oferta global intensificam pressão sobre os preços.
As tensões no Oriente Médio, somadas ao cenário de ampla oferta global, pressionaram os preços do açúcar nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (17). Desde o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, o mercado passou a oscilar em queda.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de maio fechou com recuo de 35 pontos, negociado a 13,39 cents por libra-peso. Em Londres, o açúcar também registrou baixa, com queda de 60 pontos, sendo cotado a US$ 410,10 por tonelada.
O movimento acompanha a forte desvalorização do petróleo, que reagiu rapidamente à reabertura da principal rota de escoamento energético do mundo. Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o barril do tipo Brent caía 10,42%, a US$ 89,03, enquanto o WTI recuava 11,11%, a US$ 84,17.
A relação entre energia e açúcar é direta. Em cenários de petróleo mais caro, o etanol ganha competitividade frente aos combustíveis fósseis, incentivando as usinas a direcionarem mais cana para a produção do biocombustível e reduzindo a oferta de açúcar no mercado global.
Com a queda abrupta do petróleo após a reabertura do estreito, esse suporte perde força, o que contribui para pressionar ainda mais as cotações internacionais no curto prazo.
O mercado já vinha de perdas expressivas ao longo da semana. Na quarta-feira, o açúcar em Nova Iorque atingiu a mínima em cerca de cinco anos e meio, refletindo o cenário de excedente global.
Fundamentos seguem pressionados
No Brasil, o cenário também reforça o viés baixista. A expectativa de uma safra robusta no Centro-Sul em 2026/27, com produção estimada em cerca de 635 milhões de toneladas de cana e mais de 40 milhões de toneladas de açúcar, deve ampliar ainda mais a disponibilidade global.
Esse quadro se soma à recuperação parcial da produção em países do Hemisfério Norte, como Índia, Tailândia e México, consolidando um ambiente de excedente e limitando reações mais consistentes nos preços.
Mesmo as altas recentes, que levaram o açúcar à faixa de 16,1 cents por libra-peso, perderam força diante do recuo dos prêmios de risco geopolítico e da queda no complexo energético.
“Embora fatores macroeconômicos e geopolíticos tenham impulsionado a volatilidade recente, os fundamentos seguem baixistas, com o etanol recuperando competitividade como principal mecanismo de ajuste”, afirma Lívia Coda, da Hedgepoint Global Markets.
Desde o final de 2025, o etanol voltou a ganhar espaço no mix das usinas. Atualmente, cerca de 48% da cana é destinada à produção de açúcar acima do nível considerado mais equilibrado, próximo de 44,5%, o que indica espaço para ajustes, ainda que de forma gradual.
O governo brasileiro anunciou a conclusão de negociações para a exportação de grãos secos de destilaria, conhecidos como DDG, para o Chile. Este insumo agrícola, gerado a partir da produção de etanol de milho, é amplamente utilizado na produção de ração para aves, bovinos e suínos.
Dados sobre exportações
Em 2025, o Brasil exportou mais de 2,2 bilhões de dólares em produtos agropecuários para o Chile, destacando-se nas seguintes categorias:
Carnes
Produtos florestais
Complexo soja
Colheita da safra de verão
A colheita da safra de verão no Rio Grande do Sul apresentou desaceleração na semana passada devido ao excesso de umidade e à frequência de precipitações. Segundo a Emater RS, a soja atingiu 79% da área total de 6,6 milhões de hectares, com as seguintes condições nas áreas restantes:
Ao investir em desenvolvimento econômico, inclusão produtiva e segurança alimentar, o estado do Pará avança no fortalecimento da piscicultura na região oeste.
Por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), foram destinados 100 mil alevinos (filhotes) de tambaqui a produtores do município de Uruará, consolidando uma política pública que transforma potencial em oportunidade concreta de geração de renda para centenas de famílias.
A iniciativa, realizada em parceria com a Prefeitura de Uruará, vai beneficiar diretamente 200 piscicultores previamente cadastrados, todos com regularização ambiental por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR), e acompanhados tecnicamente pelo poder público municipal.
Mais do que a entrega de insumos, a ação representa um investimento estruturado na base produtiva local, garantindo condições reais de crescimento sustentável.
De acordo com o médico veterinário Ragner Ferreira, da Secretaria Municipal de Agricultura, a ação chega em um momento decisivo para o fortalecimento da cadeia produtiva local.
Foto: Alailson Muniz/Agência Pará
“Essa iniciativa é fundamental porque fortalece, principalmente, o pequeno e médio produtor, que muitas vezes encontra dificuldades para iniciar ou ampliar sua produção. Com os alevinos e o acompanhamento técnico, criamos condições reais de geração de renda e melhoria da qualidade de vida dessas famílias”, destacou o veterinário.
Os alevinos foram transportados da Estação de Reprodução e Alevinagem de Santa Rosa, em Santarém, até Uruará, em tanques apropriados, pela Rodovia PA-370, a Transuruará.
A pavimentação da via tem papel decisivo nesse processo, garantindo agilidade, segurança e redução de perdas, fatores essenciais para o sucesso da piscicultura.
Suporte
Para o coordenador da Sedap em Santarém, Otávio Macedo, a ação integra uma política contínua de fortalecimento do setor. “Estamos trabalhando de forma planejada, oferecendo não apenas os alevinos, mas também suporte técnico qualificado. Isso assegura que o produtor tenha condições de alcançar bons resultados, com produtividade e sustentabilidade”, destacou.
O mercado brasileiro de soja começou a semana com preços em alta na maior parte das praças, acompanhando o avanço firme dos contratos futuros na Bolsa de Chicago.
Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado Rafael Silveira, o movimento garantiu melhores oportunidades de comercialização doméstica, tanto nos portos quanto no interior do país.
"Mesmo com o recuo dos prêmios de exportação em alguns momentos do dia, a valorização do dólar frente ao real contribuiu para sustentar indicações mais positivas no mercado físico", disse.
Conforme Silveira, os agentes seguem atentos ao cenário internacional e, principalmente, à divulgação dos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para o dia 12 de maio.
A expectativa é de que os números possam provocar maior volatilidade e influenciar de forma significativa a formação dos preços nas próximas semanas.
Preços médios da saca de soja
Passo Fundo (RS): subiu de R$ 124 para R$ 126
Santa Rosa (RS): avançou de R$ 125 para R$ 127
Cascavel (PR): passou de R$ 120 para R$ 122
Rondonópolis (MT): elevou de R$ 110 para R$ 111
Dourados (MS): aumentou de R$ 112 para R$ 113,50
Rio Verde (GO): cresceu de R$ 111 para R$ 113
Porto de Paranaguá (PR): subiu de R$ 130 para R$ 132
Porto de Rio Grande (RS): avançou de R$ 130 para R$ 132
Bolsa de Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta segunda-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O mercado atingiu o maior patamar em sete meses, acompanhando os fortes ganhos do petróleo, em meio ao aumento das tensões no Estreito de Ormuz.
O mercado foi impulsionado ainda por sinais de aquecimento da demanda pelo produto norte-americano.
A quantidade de soja esmagada/processada para obtenção de óleo bruto nos Estados Unidos foi de 6,82 milhões de toneladas (227 milhões de bushels) em março de 2026, em comparação com 6,43 milhões de toneladas (214 milhões de bushels) em fevereiro de 2026 e 6,20 milhões de toneladas (207 milhões de bushels) em março de 2025, conforme dados do USDA.
Além dos bons números de processamento, o mercado aguarda com expectativa o encontro ainda em maio dos presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim, na China. Os participantes esperam que as conversas redundem em um acordo comercial, que envolveria também compras chinesas de soja dos Estados Unidos.
Contratos futuros da soja
Foto: Pixabay/ Arte: Canal Rural
Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com alta de 19,50 centavos de dólar, ou 1,62%, a US$ 12,22 3/4 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 12,16 por bushel, com elevação de 18,75 centavos de dólar ou 1,56%.
Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 1,60 ou 0,50% a US$ 320,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 76,53 centavos de dólar, com ganho de 1,37 centavo ou 1,82%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,28%, sendo negociado a R$ 4,9666 para venda e a R$ 4,9646 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9477 e a máxima de R$ 4,9827.
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) lançou uma iniciativa para elevar a competitividade do agronegócio brasileiro com a ampliação do portfólio de selos de baixo carbono para as culturas de milho e sorgo. O anúncio foi feito durante as celebrações de 50 anos da unidade Embrapa Milho e Sorgo, em Minas Gerais.
O projeto visa estabelecer métricas científicas para mensurar as emissões de gases de efeito estufa por tonelada de grão produzido, atendendo às crescentes exigências ambientais do mercado internacional.
Em entrevista ao programa Giro do Boi, o engenheiro agrícola e pesquisador Ciro Magalhães, que atua no desenvolvimento de protocolos para a produção de milho e sorgo de baixo carbono, destacou a importância de estimular boas práticas agrícolas.
Confira:
Protocolos técnicos e parcerias
Os novos protocolos técnicos são considerados estratégicos para garantir o escoamento da produção brasileira em mercados rigorosos, como o europeu. A Embrapa pretende desenvolver critérios para medir a intensidade das emissões de gases de efeito estufa (GEE), seguindo o exemplo de iniciativas como a “Carne Carbono Neutro”.
Em agosto de 2026, a Embrapa abrirá um edital público para parcerias com empresas e instituições interessadas em validar e adotar as tecnologias de baixo carbono. A validação dos protocolos será realizada por certificadoras independentes, conferindo maior credibilidade ao grão nacional no cenário global.
A importância do sorgo
Diante de um ano desafiador marcado pelo fenômeno El Niño, a cultura do sorgo ganha relevância técnica e econômica. Com previsão de recorde acima de sete milhões de toneladas, o sorgo é considerado uma cultura de segurança devido à sua alta tolerância ao estresse hídrico. Recentemente, a ANP (Agência Nacional do Petróleo) validou o sorgo para a produção de etanol, gerando cerca de 400 litros por tonelada.
Magalhães também ressaltou os desafios enfrentados, como a dependência de fertilizantes nitrogenados, que tiveram seus preços elevados devido a conflitos globais. A implementação de práticas de baixo carbono se torna uma necessidade diante desse cenário.
Redução da pegada de carbono
O novo selo da Embrapa foca na eficiência como motor da redução da pegada de carbono no campo. A pegada de carbono é reduzida quando os produtores conseguem elevar a produtividade na mesma área, diluindo as emissões de diesel e insumos. Os produtos certificados de baixo carbono serão utilizados na alimentação de bovinos que buscam selos de sustentabilidade.
Como enfatizou Magalhães, “na agricultura moderna, não basta ser sustentável, é preciso provar com dados”. A implementação desses protocolos é uma ferramenta importante para transformar boas práticas agrícolas em valor de mercado, blindando a produção brasileira contra barreiras comerciais.
O mercado físico do boi gordo abriu a semana apresentando manutenção do padrão dos negócios em grande parte do país, enquanto alguns frigoríficos permanecem ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias a serem adotadas nos próximos dias.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, vale destacar que a sazonalidade aponta para maior disponibilidade de gado em alguns estados durante o mês de maio, em especial em Minas Gerais e Goiás, locais onde a condição das pastagens é mais complicada.
“Em Mato Grosso as pastagens contam com maior vigor, ampliando a capacidade de retenção. Não por acaso os preços dentro do mercado mato-grossense superam os preços do mercado paulista”, ressaltou.
Preços médios da arroba do boi
São Paulo: R$ 353,75
Goiás: R$ 339,71
Minas Gerais: R$ 339,29
Mato Grosso do Sul: R$ 349,09
Mato Grosso: R$ 355,41
Mercado atacadista
O mercado atacadista se depara com preços acomodados. O ambiente de negócios ainda sugere por menor espaço para reajustes no decorrer de maio, considerando o menor apelo ao consumo durante a segunda quinzena do mês.
“Além disso, os preços da carne bovina ainda perdem competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial na comparação com os preços da carne de frango”, detalha Iglesias.
Quarto dianteiro: ainda é precificado a R$ 23,50 por quilo;
Quarto traseiro: segue cotado a R$ 28,50 por quilo;
Ponta de agulha: se mantém no patamar de R$ 21,50 por quilo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,28%, sendo negociado a R$ 4,9666 para venda e a R$ 4,9646 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9477 e a máxima de R$ 4,9827.
Para quem vive da terra, o sono nunca é tranquilo. Clima, custo de produção, preço no mercado… sempre tem alguma variável te tirando o sossego. Nos últimos anos, porém, uma preocupação passou a dominar todas as outras: a dívida acumulada.
É exatamente aí que entra o Desenrola 2.0 no campo. Pela primeira vez, a agricultura familiar ganhou uma janela real de reorganização financeira. Não resolve todos os problemas da vida, mas pode ser o ponto de virada para muita gente que está com o nome travado no banco ou na União.
O governo estima que cerca de 280 mil produtores possam ser beneficiados nesta fase. Um número que impressiona. E tem um dado que mostra a cara do problema: quase 70% das dívidas na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) são de até R$ 10 mil. Ou seja, é um volume enorme de gente pequena, com dívidas que, na prática, têm jeito de serem equacionadas.
Quem pode entrar
O programa foi feito pensando em quem realmente está apertado: agricultores familiares (Pronaf), assentados, quilombolas, pescadores artesanais.
Tem ainda o filtro de renda: até cinco salários mínimos. E as dívidas precisam estar atrasadas entre 90 dias e dois anos (até janeiro de 2026). Não é para todo mundo. É para quem está mais pressionado.
O tamanho do alívio
Aqui é onde a coisa fica interessante. Descontos podem chegar a 96% para quitação à vista. Na média do dia a dia, o que se tem visto é redução em torno de 65%. Isso muda completamente a matemática da dívida.
Quem não consegue pagar tudo de uma vez ainda tem parcelamento com juros de até 1,99% ao mês e prazo de até 60 meses.
Dá para alinhar a parcela com o ciclo da produção. Não é milagre, mas é um respiro concreto.
E quem deve mais? Para as dívidas maiores, fora do alcance do Desenrola, o caminho é outro: alongamento via BNDES, com prazos que podem chegar a 10 ou 12 anos. A ideia é transformar uma dívida que sufoca em algo que caiba no fluxo de caixa do campo.
Mas há um alerta que ninguém pode ignorar: o Desenrola resolve o passado, não garante o futuro.
Especialistas veem o programa como um remédio emergencial, importante, necessário, mas insuficiente sozinho. Se o produtor não organizar as contas depois da renegociação, corre o sério risco de voltar para o mesmo buraco.
E tem um detalhe crucial: sem regularizar as dívidas, o acesso ao Plano Safra 2026/27 fica comprometido. Sem crédito e sem seguro rural, o risco explode. Regularizar agora não é só limpar o nome. É garantir a próxima safra.
Como fazer?
O processo é relativamente simples:
Dívidas com a União: Portal Regularize da PGFN
Dívidas bancárias: agências do Banco do Brasil e da Caixa
Prazo de adesão nesta fase: 90 dias.
Quem deixar passar essa janela pode demorar anos para ter uma oportunidade parecida.
O Desenrola 2.0 não é a solução definitiva para os problemas do campo. Mas, para muitos produtores, pode ser a diferença entre continuar na atividade ou ter que entregar as chaves. No campo, decisão difícil é rotina. Dessa vez, porém, o maior risco pode ser não decidir.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Os estudos técnicos para a retomada da hidrovia do Rio São Francisco já estão em andamento e podem resultar na volta da operação ainda em 2026. A informação foi detalhada em entrevista exclusiva concedida ao Canal Rural Bahia pelo presidente da Companhia de Docas do Estado da Bahia (Codeba), Antonio Gobbo, que explicou os avanços do projeto, o potencial de escoamento da produção e os próximos passos para viabilizar a navegação no trecho entre Pirapora, em Minas Gerais, e Juazeiro, na Bahia.
A expectativa é que a hidrovia opere com maior independência do regime hídrico, tornando-se uma alternativa estratégica para o transporte de cargas e passageiros no Nordeste.
Na entrevista, a autoridade portuária destacou ainda que o deslocamento de embarcações da antiga frota da Franave, com apoio da Marinha do Brasil, comprovou a navegabilidade dos 1.370 km entre Pirapora e Juazeiro.
Transporte mais barato
O percurso reforça a viabilidade logística do projeto, considerado essencial para reduzir custos de transporte e ampliar a integração entre regiões produtoras e polos industriais.
Gobbo afirmou que a retomada da hidrovia pode beneficiar tanto o escoamento da produção agrícola do Oeste baiano quanto a interiorização de produtos industrializados e fertilizantes.
“O custo é inegavelmente menor, uma fração do custo rodoviário, até pela grande quantidade de barcaças transportadas. Obviamente, existem custos logísticos associados ao transbordo de mercadorias, à transposição entre modos de transporte. Ao mesmo tempo em que transporta os granéis sólidos da produção do Oeste Baiano, também traz para dentro produtos industrializados da região de Juazeiro e Petrolina e permite, por exemplo, que se tragam fertilizantes direto de Aratu. Isso é um ganho inegável em eficiência”, disse.
A previsão é de que as primeiras operações sejam retomadas dentro de 2026, caso os estudos confirmem as necessidades operacionais e de infraestrutura.
A proposta também prevê a construção de 17 instalações portuárias públicas de pequeno porte ao longo do corredor navegável, reforçando o papel estratégico do Rio São Francisco na logística regional e nacional.
Participação da Michelin na 31ª Agrishow. Foto: Divulgação
A Michelin apresentou dois novos pneus na 31ª Agrishow, o Michelin X Works Z2 e o Works D2, desenvolvidos para aplicações de uso misto e condições severas, mas também se posicionou sobre um tema que tem gerado debates acalorados no setor: o aumento da importação de produtos indianos.
O assunto ganhou mais um capítulo no último dia 15, quando a Circular nº 30, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), não adotou o pedido de medida antidumping provisória movido pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), estendendo o prazo de investigação para até 18 meses.
A indústria nacional quer limitar a importação de pneus agrícolas da Índia, impondo uma tarifa antidumping, assim como já ocorre com o produto chinês que desembarca no Brasil, que, dependendo do modelo, sofre encargo de até US$ 3.028,62 por tonelada (veja mais detalhes na tabela abaixo).
Foto: Reprodução
O pedido de antidumping da Anip considera o período de julho de 2019 a junho de 2024, intervalo em que o Brasil importou da Índia 43.105 toneladas de pneus agrícolas, o equivalente a 215,5 mil unidades, considerando que são produtos voltados, majoritariamente, para tratores pequenos e médios.
Isonomia concorrencial
O diretor comercial para pneus de carga, urbanos e longa distância da Michelin, Ruy Ferreira, ressalta que aproximadamente 50% dos pneus importados que chegam ao país desembarcam com preço FOB abaixo do custo da matéria-prima no Brasil. “Apenas este fator claramente já configura um dumping. O que queremos do governo é isonomia concorrencial.”
Ferreira pontua que se não for possível aumentar o imposto para a entrada do pneu importado, deve-se, ao menos, ser adotada isenção tributária na compra da matéria-prima para a indústria nacional.
“No primeiro trimestre deste ano, falando apenas de pneus de caminhões, o mercado se compôs de 70% de pneus importados e apenas 30% de nacionais, levando em consideração que a indústria de pneus é estratégica para o Brasil. Por trás dela há uma indústria de produção de seringueiras em que alguns produtores já pensam seriamente se mantém os seringais em pé ou transformam em outra cultura. Em dez anos, se as condições mudam, estaremos em uma situação de déficit [de matéria-prima]”, diz.
Em nota enviada à reportagem, a Anip destaca que as importações vêm se intensificando de forma significativa nos últimos anos, alcançando atualmente seus maiores níveis, com preços progressivamente menores, cenário que evidencia o agravamento de práticas de dumping.
Outro lado
A Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip) contesta a ação que visa impor tarifas antidumping aos pneus vindos da Índia. Procurado pela reportagem, o presidente da entidade, Ricardo Alípio da Costa, ressaltou que do ponto de vista técnico e jurídico, dizer que pneus que chegam ao Brasil com preço FOB abaixo do custo da matéria-prima nacional não é argumento adequado para caracterizar dumping.
“O comércio internacional funciona justamente com base em diferenças de custo entre países. Existem mercados com acesso a matérias-primas mais baratas, energia mais competitiva, maior escala de produção e, muitas vezes, cadeias produtivas integradas. Então é perfeitamente possível e legítimo que um produto importado chegue ao Brasil com preço inferior ao custo de produção local, sem que isso represente qualquer prática desleal”, destaca.
Para Costa, o ponto central da discussão é outro. “Dumping só existe quando há venda para exportação abaixo do valor praticado no próprio país de origem, e isso exige uma investigação técnica aprofundada. Não pode ser presumido a partir de uma comparação com o custo da indústria brasileira”, considera.
Segundo o presidente da Abidip, o pedido de investigação antidumping da Anip em relação ao produto indiano se limita a definir pneus agrícolas por tamanho ou código tarifário, desconsiderando a sua engenharia, aplicação, pressão de uso, velocidade e tipo de terreno.
“Quando esses parâmetros são ignorados, o antidumping deixa de cumprir sua função legítima de defesa comercial e passa a atuar como uma reserva artificial de mercado”, finaliza.
Novos pneus da Michelin
Os pneus Michelin X Works Z2 e Michelin X Works D2 foram desenvolvidos para operações relacionadas ao transporte de cana-de-açúcar, madeira, construção e ambientes abrasivos.
De acordo com a companhia, o modelo Work D2 proporciona até 25% mais quilometragem (em comparação ao modelo anterior), em terrenos agressivos. “Já no modelo Michelin X Works Z2 é possível chegar a 10% mais de quilometragem. O acréscimo de até 800 kg de carga por eixo geminado, em ambas as ofertas, também é uma evolução”, destaca a Michelin.
Outro diferencial é o design em V dos sulcos, no modelo Works D2, e a tecnologia Redan, no Works Z2, atributos que geram menor retenção de pedras e perfurações, preservando a carcaça.
Durante a 31ª Agrishow, a empresa também mostrou que o Michelin AXIOBIB 2, pneu agrícola premium específico para tratores de alta potência, passa agora a ser fabricado no Brasil.